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outubro 19, 2012
ArtReview anuncia os mais poderosos da arte contemporânea, Jornal Público
ArtReview anuncia os mais poderosos da arte contemporânea
Matéria originalmente publicada no caderdo Cultura do jornal Público em 18 de outubro de 2012.
Carolyn Christov-Bakargiev está no topo da lista dos mais influentes da arte contemporânea, divulgada pela revista britânica, nesta quinta-feira.
Carolyn Christov-Bakargiev é a primeira curadora (pessoa que administra os bens de outra) a ser eleita a pessoa mais poderosa da arte contemporânea. Foi escolhida, sobretudo, pela exposição Documenta 13, que organizou no verão passado em Kassel, na Alemanha. A exposição reuniu novos trabalhos de vários artistas, como Tacita Dean e Ryan Gander, mas também relíquias como os budas Bamiyan ou tapeçarias antinazis dos anos 30. Documenta 13 foi considerada por alguns críticos como a exposição mais importante do séc. XXI até à data.
Em segundo lugar, na lista da ArtReview aparece Larry Gagosian, negociador de arte americano. O detentor de doze galerias, espalhadas por todo o mundo, foi escolhido, segundo a organização, pela sua forte participação e destaque no ArtRio.
Ai Wei Wei, artista plástico que tem sido polémico pelas suas declarações acerca do governo chinês e, mais recentemente, acerca do Prémio Nobel da Literatura, ocupa o 3º lugar dos mais poderosos da arte contemporânea. O editor da ArtReview, Mark Rappolt, justificou ao The Guardian que Ai Wei Wei merecia o prémio pelo seu activismo e luta pela liberdade de expressão.
As Pussy Riot, grupo de rock alternativo e feminista que recentemente foi preso por uma campanha contra o presidente russo, Vladimir Puttin, figuram no 57º lugar desta listagem que conta com Gregor Podnar, curador, no 100º e último lugar. Nas entradas deste ano estão dois brasileiros: a negociadora de arte Luisa Strina, no 71º lugar e o curador Adriano Pedrosa, que ocupa o 98ºlugar.
A lista das 100 personalidades mais poderosas da arte contemporânea é elaborada anualmente pela revista ArtReview e conta com artistas, negociadores de arte, curadores, galeristas e coleccionadores.
Êxtase da forma por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Êxtase da forma
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 19 de outubro de 2012.
Mostra de gravuras do Louvre reúne obras-primas de Dürer e do renascimento alemão
No meio do caminho estava Albrecht Dürer. Mestre da gravura, o artista alemão que viveu na passagem do século 15 para o 16 liderou uma revolução na arte do norte europeu na mesma proporção que o Renascimento italiano.
Sua obra, que aliava o traço apolíneo da figura humana a certa ourivesaria dos detalhes e perspectivas, serviu de ponte entre a arte medieval e os primórdios do romantismo na Europa, fincando sua posição na história como o pivô dessa transição.
Esse momento de diluição dos arquétipos góticos rumo a uma arte menos realista e mais nervosa é foco de uma mostra que o Masp abre hoje, com 61 obras do Louvre.
Vindas do museu parisiense, as gravuras de Dürer e de seus mestres e seguidores ilustram uma revisão de estilos num momento em que a Europa também passava por convulsões sociais, das descobertas da ciência à Reforma Protestante que abalou o poder da Igreja Católica.
"Dürer foi um gênio superior que renovou tudo", diz Pascal Torres, curador do Louvre que organiza a mostra paulistana. "Ele fez uma síntese de tudo que veio antes disso e abriu caminho para um sentido renovado de tudo o que veio mais tarde."
Depois de viagens a Veneza, onde aprendeu noções de perspectiva e anatomia, Dürer injetou um classicismo único na arte nórdica, então dominada pela adesão sistemática a figuras e arquétipos caricatos e por uma dureza dos traços e da expressão.
Em "Adão e Eva" ou em "A Santíssima Trindade", Dürer mostra como foi capaz de priorizar a figura humana em meio a cenários que não perdem a exuberância dos detalhes -da fauna e flora transbordantes às asas dos anjos que rodeiam figuras divinas no centro da composição.
"É um equilíbrio absoluto", diz Torres. "Não há nada que pareça estar sobrando."
Mostra no Masp retrata a arte antes e depois de Dürer por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Mostra no Masp retrata a arte antes e depois de Dürer
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 19 de outubro de 2012.
Artista é revisto como elo entre período medieval e o início do romantismo
Escola de Danúbio, como ficou conhecido movimento pós-Dürer, trouxe representações fantásticas da morte
Embora Albrecht Dürer tenha apontado o caminho de uma representação humana sublime, a expressão pautada pela beleza da razão, a arte nórdica agora no Masp deixa claro que antes e depois do mestre a vida representada nessas gravuras passava bem ao largo da perfeição.
Na obra de artistas pré-Dürer, como Martin Schongauer e Mair von Landhust, prevalece a herança da arte medieval e os temas mais profanos do que sagrados.
Schongauer, um dos mestres de Dürer, está por trás de uma das gravuras mais célebres do período. Sua "Virgem Transtornada" é a representação exagerada do que se entendia por histeria feminina.
"Ela está despenteada, deixa ver o seio, está tocando algo fálico, como um pênis, e seu vestido está aberto na forma de um sexo feminino", descreve o curador Pascal Torres. "São todos acenos à histeria e à sensualidade."
Da mesma forma, Von Landhust retrata cortesãs à espera de clientes num bordel. São expressões que vão do tédio à malícia, humanas e ao mesmo tempo exageradas.
Em "O Bufão e a Cozinheira", o fundo e os ornamentos da gravura ganham uma coloração escarlate, mas os personagens, de expressão exagerada e grotesca, permanecem em preto e branco -o olhar monocromático como símbolo da humanidade intocada pelo êxtase divino.
Na outra ponta dessa evolução, o pós-Dürer, é esse êxtase que parece dominar as composições, que já não seguem a escala clássica nem noções de perspectiva e preferem a exaltação nervosa dos traços e das formas, um estilo que ficou conhecido como a escola de Danúbio.
"Todo esse classicismo alcançado por Dürer se transmite como uma infecção estilística que vai buscar mais efeitos de cores e luzes", diz Torres. "É um expressionismo medieval que se renova."
Nessa renovação, estão nomes como Lucas Cranach, Hans Baldung e Hans Wechtlin. Deste último, o Masp exibe "A Caveira", um crânio com as órbitas oculares mergulhadas num negro profundo que ilustra a morte, uma das peças mais célebres do renascimento alemão.
Baldung retoma a figura da bruxa, tema caro ao período medieval, numa composição de altíssimo contraste, fazendo reverberar contradições da condição humana sob roupagem fantástica.
outubro 17, 2012
Diálogo entre o velho e o novo por Luís Felipe Soares, Diário do Grande ABC
Diálogo entre o velho e o novo
Matéria de Luís Felipe Soares originalmente publicada no caderno Cultura e Laser do Diario do Grande ABC em 17 de outubro de 2012
Não importa a qual corrente artística, movimento cultural ou época distinta pertença uma obra. A atemporalidade da arte faz com que produções antigas e contemporâneas dialoguem de alguma forma. É com esse pensamento que a Fundação Pró-Memória inaugura amanhã a exposição 'Pinacoteca 10 anos - Artes Visuais em São Caetano do Sul', que encerra os eventos comemorativos da primeira década do centro cultural do município. A abertura especial ocorre a partir das 19h30 e a visitação gratuita segue até 8 de fevereiro.
Entre diferentes tipos de produção, como pinturas, fotografias e esculturas, a mostra mescla itens de diferentes momentos, com destaque para obras que marcaram presença nos salões de arte contemporânea realizados na cidade entre as décadas de 1960 a 1980. Itens recentemente adquiridos pelo acervo, casos de uma litogravura de Gregório Gruber e dos três primeiros colocados do 1º Salão de Artes Visuais de São Caetano (ocorrido entre julho e setembro), completam as atrações. Nomes como Antonio Lucio Pegoraro, Hans Suliman Grudzinski, Aldemir Martins, João Suzuki e Marcia Kikuchi estão representados.
"Estamos propondo uma nova leitura da arte ao longo do tempo. A ideia inicial era dividir o acervo em núcleos, mas reparamos que há diálogo entre as obras, seja quanto à técnica, expressão ou cores. São itens de tempos diferentes que proporcionam uma leitura contínua", explica a curadora da exposição e coordenadora da Pinacoteca, Monica Iafrate.
Atualmente contando com cerca de 400 trabalhos listados - o dobro desde sua abertura -, o centro cultural chama a atenção por seu forte acervo de gravuras. O objetivo é que essa ligação com o estilo se fortaleça, principalmente por meio de oficinas comandadas pelo mestre impressor Roberto Gyarfi, o Alemão.
Segundo Monica, o grande desafio do projeto é fazer-se presente no cotidiano da comunidade. "Divulgar nosso trabalho é uma luta diária. Tentamos um processo de formação de público, que acaba sendo um projeto a longo prazo. Acho que estamos ganhando força aos poucos. Pode parecer que já estamos abertos há muito tempo, mas, na verdade, são só dez anos de atividade", afirmou a coordenadora. "A Pinacoteca é mais do que um espaço expositivo, trata-se de uma troca de experiência. É um lugar para artistas e para a população ver arte."
Pinacoteca 10 anos - Artes Visuais em São Caetano do Sul - Exposição. A partir de amanhã, às 19h30. Na Pinacoteca de São Caetano - Rua Dr. Augusto de Toledo, 255. Tel.: 4221-9008. Seg. a sex. das 9h às 17h; sáb., das 9h às 13h. Grátis. Até 8 de fevereiro.
Projeto Figura 12 leva arte contemporânea para ruas de Santa Teresa, Revista Fator
Projeto Figura 12 leva arte contemporânea para ruas de Santa Teresa
Matéria originalmente publicada na revista Fator Brasil em 17 de outubro de 2012
Claudia Tavares, Monica Mansur, Flávia Vianna, José Diniz, Patricia Gouvêa e o Coletivo Imaginário ocupam, dia 20 (sábado), o bairro carioca.
Apartamentos, casas, galpões e os mais diversos lugares não destinados à exposição de trabalhos de arte, tampouco à visitação pública, utilizados como alternativa ao circuito das artes plásticas. Essa é a proposta do Projeto Figura 12, que desembarca agora no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, no dia 20 de outubro.
Sob o tema Oriente-se, esta edição fica a cargo do Ateliê Oriente e traz os trabalhos dos artistas Claudia Tavares, Monica Mansur, Flávia Vianna, José Diniz, Patricia Gouvea e o Coletivo Imaginário, convidados a intervir especificamente no bairro.
Em “Migração”, de Claudia Tavares, a obra apresentada durante a ArtRio – a representação contemporânea do fluxo migratório de aves que cruzam os ares ao longo do tempo tirada de um muro branco grafitado em Londres -, ganha sequência em fotografias fotocopiadas e coladas no melhor estilo “lambe-lambe” em muros espalhados pela cidade, na Urca, no Cais do Porto, em Paraty.
“A ocupação da cidade tem a intenção de devolver os pássaros à sua origem: os muros de uma grande cidade”, diz Claudia, idealizadora do Projeto Figura, ao lado de Dani Soter e Monica Mansur.
Nos demais trabalhos, Patrícia Gouvêa mostra um vídeo produzido na Índia sugerindo um diálogo entre o tema desta edição e a ideia de orientalizar-se; enquanto José Diniz captura imagens subaquáticas, refletindo sobre a desorientação ao emergir; e o Coletivo Imaginário trata desse mesmo estado a partir de um sonho, usando cor e lente de forma poética.
Completando esta edição, Monica Mansur trabalha em “Sobrevôo” a ausência de horizonte e a duplicidade do reflexo, no momento em que o olhar do espectador se perde dentro da imagem.
Sebastião Pedrosa mostra seu lado de pintor por Tatiana Meira, Diario de Pernambuco
Sebastião Pedrosa mostra seu lado de pintor
Matéria de Tatiana Meira originalmente publicada no caderno Cultura do jornal O Globo.com em 17 de outubro de 2012
Mais conhecido como gravurista e professor universitário, artista abre exposição na Dumaresq
Uma nova fase em sua trajetória artística começa para Sebastião Pedrosa com a exposição Babel, que inaugura nesta quarta-feira, recebendo convidados das 18h às 22h, na Dumaresq Galeria de Arte, em Boa Viagem (Setúbal).
No vídeo, faça um passeio pela galeria e confira também depoimento do artista sobre suas criações
O artista, mais conhecido por sua produção de gravuras e atuação como professor do Departamento de Teoria da Arte da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde lecionou por quase três décadas, muda o foco e amplia suas criações na pintura. Ainda sssim, não deixa de flertar com outras técnicas, como a colagem e até mesmo a escrita, mesmo que de palavras que não precisam fazer sentido para integrar o contexto das obras.
Com texto de apresentação de Renata Wilner, a mostra fica em cartaz por um mês na Dumaresq, mostrando as pinturas em diferentes formatos e apresentações. Sebastião Pedrosa criou desde séries com mini-quadros, até dois totens de alturas distintas, únicos exemplares tridimensionais entre os trabalhos. Boa parte deles é marcado com linhas que mais escondem que revelam, ora tracejadas à mão, noutras ocasiões, marcadas por fita crepe pintada em tons contrastantes com o fundo das telas.
Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo mostram ‘geometrias e turbulências’ em exposições individuais, globo.com
Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo mostram ‘geometrias e turbulências’ em exposições individuais
Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do jornal O Globo.com em 17 de outubro de 2012
Inauguração das três será ao mesmo tempo, nesta quarta, no MAM
Cabelo + Luiz Zerbini + Raul Mourão no MAM, Rio de Janeiro, RJ - 18/10/2012 a 12/2012
RIO - De um lado, uma floresta em delírio, com árvores e flores que parecem saltar, coloridas, de formas geométricas. Anda-se um tanto para o lado oposto, e a geometria parece reinar. As formas surgem equilibradas, ritmadas por um movimento suave. Caminha-se um pouco mais e, enfim, chega-se ao delírio completo que já não obedece às formas e surge ora em espelhos, ora em tecidos brilhantes, ora em néons azuis e vermelhos.
O percurso poético — do delírio da forma ao delírio puro — poderá ser percorrido no Museu de Arte Moderna (MAM), que abre nesta quarta às 19h para convidados três mostras de artistas diferentes e, ao mesmo tempo, próximos: Luiz Zerbini, Raul Mourão e Cabelo.
De Zerbini, a exposição “Amor”, a maior das três que o MAM inaugura hoje, reúne 60 obras da última década — entre elas, as telas (de até seis metros) em que natureza e formas geométricas convivem e deliram no plano bidimensional. Trata-se da maior individual da carreira do artista que nasceu em São Paulo e construiu sua trajetória no Rio, desde os anos 1980, quando trabalhou como cenógrafo do grupo de teatro Adrúbal Trouxe o Trombone.
Um dos grandes nomes da arte contemporânea no país, Zerbini leva de quatro a oito meses para produzir uma pintura. Duas telas que estarão no MAM, entre elas um tríptico de 3 metros por 6 metros, foram feitas especialmente para a mostra. O artista também expõe uma série com slides, telas sem chassis e uma grande mesa em que reproduz as referências que carrega para o ateliê durante o longo e meticuloso processo de criação.
Vizinha à mostra de Zerbini, a exposição “Tração animal” traz oito grandes esculturas de Raul Mourão. São os “balanços” que aparecem na obra do artista desde 2009. Neles, formas em metal se equilibram e têm o movimento alterado pelo toque do espectador. Raul ocupa ainda outras duas salas: numa, balanços menores têm suas sombras projetadas nas paredes; na outra, está o vídeo “Plano/acaso”, em que a câmera, num elevador, percorre os andares de um edifício-garagem no Rio.
Por fim, há “Humúsica”, de Cabelo. E então há terra, floreiras carregadas por imagens de Buda, minhocas, carrinhos, espelhos em bases de skate... Na abertura, o artista irá “incorporar” o MC Minhoca. Fará uma performance com o DJ Esterco (na vida “real”, o DJ XXT) e os meninos Cebolinha e Yuri, do Bonde do Passinho.
Para o curador do MAM, Luiz Camillo Osorio, “pelo contraste, percebe-se a singularidade” dos artistas:
— A apropriação surge como um elemento vital que é potencializado pela obra de cada um. Raul se apropria dos andaimes de forma lúdica, Cabelo tem um universo inteiro. Zerbini vai dos galhos secos às caixas de som, aos slides, aos postes. Ele combina a exuberância de uma obra do Renascimento com a vibração potente de uma banda como Sonic Youth.
Na parede principal do Espaço Monumental do MAM, Zerbini mostra o que define como “conversa entre objetos, cores, formas e composições”. Ele ocupa quase toda a parede com telas que flertam com a figuração, a abstração e a geometria.
A figuração, por exemplo, surge em plantas, convivendo com caixas de som, postes da cidade ou micos que percorrem cabos de energia. Tudo é reflexo da observação da cidade pelo artista, que fotografa postes ou carrega plantas para o ateliê a fim de contemplá-las e recriá-las na pintura.
Zerbini ocupa a parte mais alta da parede, perto do teto, com as formas geométricas puras, em pinturas com incontáveis quadrados do cinza ao preto. Tudo em “Amor” é grandioso e, como diz o curador do museu, “potente e exuberante”.
— É como se fosse um espaço fantástico, mas numa escala real, uma continuação do espaço real — afirma Zerbini.
Na parede oposta, há vitrines de acrílico com slides coletados pelo artista há alguns anos. Ele os organiza, criando padrões, ou faz intervenções, substituindo as imagens por gelatinas coloridas. Já nas laterais do espaço, ficam telas presas por cordas, como “páginas de um livro gigante”.
Reunir todos os trabalhos sob o título “Amor”, diz Zerbini, pareceu-lhe uma “tradução muito precisa do trabalho”:
— Dentro dele está a memória emocional do que se viveu, estão a família, as amizades, a loucura. Tudo isso está incluído na ideia de amor.
Já a expressão “Tração animal”, título da mostra de Raul Mourão, é definida em dicionários como “qualquer veículo deslocado por animal”. No MAM, o espectador é quem “desloca” a obra. Com um toque, as esculturas entram em um “equilíbrio instável”, como diz o artista, que pode ser alterado continuamente.
Para ele, a mostra deve despertar a “vertigem do olhar”.
— A principal função da arte é essa. Uma função social, aliás. Trata-se de impregnar o homem de poesia — diz Raul.
Já em “Humúsica”, de Cabelo, a natureza torna-se ainda mais lúdica — um viveiro de minhocas está no centro de tudo. A ideia que parece dar base à mostra é que o resíduo torna-se fertilizante (no caso, de novas ideias, de obras pouco óbvias que flertam com Arthur Bispo do Rosário e a arte pop).
Além da sala principal, onde há de telas a minhocas, Cabelo criou outra, onde estão vídeos e “objetos de vários tempos, obras feitas e a fazer”.
— O Cabelo é um artista que sai da música, da performance, dessa vibração da cultura pop do Rio e vai para o desenho, o objeto — diz Luiz Camillo Osorio, para, em seguida, retormar a relação entre os três artistas:
— Zerbini tem um pouco da geometria do Raul e da turbulência do Cabelo. Com a geometria do Raul, você vê a turbulência do Cabelo. E, com ela, a geometria do Raul fica mais poética.
outubro 15, 2012
Artistas plásticos cobram mudanças do novo prefeito, JC on-line
Artistas plásticos cobram mudanças do novo prefeito
Matéria originalmente publicada na seção de Artes Plásticas em 14 de outubro de 2012
Entre os problemas listados estão o corte abrupto de verbas para manter os equipamentos culturais e a falta de preocupação em preservar a arte brasileira por aqui
O campo das artes visuais no Recife é um dos que vão merecer atenção especial do novo prefeito. Nas últimas administrações, a cidade atravessou um sucateamento que ficou evidente nas artes visuais com os cortes orçamentários. Com redução de verba abrupta sofrida, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), considerado na primeira década do século 20 como um dos mais importantes do Brasil, hoje luta para funcionar com uma verba 80% menor do que em 2007.
Para a também curadora Clarissa Diniz, antes de tudo deve-se garantir a manutenção física e de pessoal das instituições, incluindo formação e circulação de ações e profissionais, constituição e atualização de acervo, pesquisa e publicações. “O que se vê são instituições funcionando com o mínimo possível, sem condições de produzir ações e pensamento próprios, o que muitas vezes as torna somente hospedeiras de exposições e projetos que já vêm pagos, seja com verba municipal (do SIC), estadual ou federal”, critica.
A também curadora Cristiana Tejo aponta para o fato de museus de fora estarem adquirindo a arte brasileira, uma vez que ainda não há uma preocupação efetiva em conservar este material por aqui. “É muito importante que nossos museus assumam seu papel de colecionar sua própria arte, mas esta tarefa é fragilizada pelas verbas exíguas direcionadas para as coleções e a descontinuidade das gestões nos museus”, afirma.
Museu Nacional recebe mostra com panorama da arte contemporânea por Jamila Tavares, globo. com
Museu Nacional recebe mostra com panorama da arte contemporânea
Matéria de Jamila tavares originalmente publicada na seção de G1 da no globo.com em 15 de outubro de 2012
Situações Brasília' traz obras de 25 artistas de sete estados diferentes. Dos 20 selecionados, apenas dois são de Brasília; São Paulo tem oito.
O Museu Nacional da República exibe a partir desta segunda-feira (15) a exposição “Situações Brasília”, que reúne trabalhos de 25 artistas de sete estados do país. Com foco na produção artística contemporânea, a mostra é fruto de uma seleção que recebeu mais de 500 inscrições.
“O critério foi a qualidade das obras. E quando você fala em qualidade você tem uma séries de questões, como o fato das obras tratarem de temas de interesse atual. São obras que discutem o momento em que a gente vive”, afirma o coordenador da mostra, Evandro Salles.
A seleção foi feita por um comitê formado por Salles, Cristiana Tejo e o diretor do Museu Nacional, Wagner Barja. A mostra traz fotografias, esculturas, pinturas, desenhos, instalações e vídeoarte. De acordo com Salles, apesar da diversidade dos meios usados, uma reflexão sobre a vivência em grandes cidades permeia toda a exposição.
“A produção de arte hoje usa de muitos meios diferentes. A técnica não é mais uma questão fundamental na arte contemporânea, mas, sim, a diversidade de poéticas. E não foi uma busca do comitê de seleção, mas o conjunto traz uma discussão forte sobre o espaço urbano e sobre o drama do indivíduo nesse espaço.”
Um dos objetivos da mostra é reforçar o acervo do Museu Nacional. Dos 20 artistas selecionados, três terão as obras compradas pelo museu, por R$ 10 mil. Os outro cinco artistas que foram convidados para a mostra também serão premiados com o mesmo valor. “Uma das grandes dificuldades dos museus e centros culturais hoje é ter dinheiro para montar seus acervos”, explica Salles.
Do total de trabalhos selecionados, oito são de São Paulo. Rio de Janeiro e Minas Gerais empatam na segunda colocação, com quatro obras cada. Apenas dois artistas de Brasília estão entre os selecionados, Yana Tamayo e Carol de Góes. Milton Marques está entre os convidados.
“É claro que nos grandes centros você tem uma quantidade de artistas muito maior. As cidades que fornecem mais possibilidades de formação e informação com certeza têm uma quantidade maior de artistas e com isso você tem uma chance maior de ter artistas bons. Além disso, São Paulo tem, por exemplo, muitas escolas de arte e isso influencia. Em Brasília não há uma escola aberta de artes, só tem a UnB, onde os interessados têm que prestar vestibular”, opina Salles.
A exposição fica em cartaz no Museu Nacional até 11 de novembro. A visitação é gratuita e pode ser feita entre terça-feira e domingo, das 9h às 18h30.
Lapa iluminada por Nina Gazire, Isto é
Lapa iluminada
Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 11 de outubro de 2012
O músico e artista multimídia Brian Eno concebe composição sonora e visual para espaço público no Rio de Janeiro
Quando você está em um elevador ou na sala do dentista, talvez não saiba, mas aquele som perene, que escuta e associa ao gênero “música ambiente”, foi praticamente inventado pelo compositor Brian Eno nos anos 1970, após passar meses em uma cama, por causa de um acidente de carro. A ambient music, termo em inglês, surgiu quando Eno começou a criar um tipo de música que preenchesse os espaços, mas com a proposta de ser muito mais sentida do que escutada.
Desde o lançamento do álbum “Ambient 1: Music for Airports” – que cunhou o termo –, passaram-se 34 anos. Nesse tempo, Eno fez de tudo um pouco. Produziu álbuns de bandas como U2, Devo e Coldplay e também pesquisou continuamente sobre a relação entre som e luz, criando instalações multimídia que sempre tiveram como sustentação a ambient music e arte generativa – processo de criação cujo resultado final tende a ser imprevisível, randômico e que é sempre feito por meio de um sistema autônomo, como, por exemplo, um programa de computador.
De sexta-feira 19 a sábado 21, Brian Eno participa do Festival “OiR-Outras Ideias para o Rio”, realizado na capital fluminense, apresentando um exemplo recente de sua arte generativa. A obra “77 Milhões de Pinturas” é um software capaz de gerar 77 milhões de composições aleatórias a partir de imagens e músicas projetadas, e que dão a ideia “de uma espécie de pintura ligeiramente móvel devida ao ritmo lento com o qual as imagens e os sons são gerados”, como disse em entrevista, por telefone, à IstoÉ.
O trabalho, que até então havia sido apresentado apenas em ambientes fechados, ganhou uma nova adaptação ao ser transformado em intervenção urbana, já que será projetado durante as noites nos Arcos da Lapa. O artista também está lançando um novo álbum denominado “LUX” – seu primeiro disco solo desde 2005 – em continuação a “Ambient 1: Music for Airports” e “Discreet Music”,
de 1975. Nina Gazire
Preparativos para a PARTE, photos.uol
Preparativos para a PARTE
Matéria originalmente publicada no Blog Photos do uol em 11 de outubro de 2012.
Feira de Arte Contemporânea de São Paulo recebe diversos fotógrafos
Começa na quarta-feira (17) a PARTE, Feira de Arte Contemporânea, de São Paulo. Esta é a segunda edição do evento, e tem como objetivo a ampliação do mercado de arte contemporânea. Entre as galerias que participarão da feira, diversas são especializadas em fotografia.
Segundo a organizadora da feira, Tamara Brandt Perlman, a segunda edição da PARTE reúne artistas em ascensão e acesso amplo a informação. Ela afirma que 42 galerias participarão do evento, além de 5 projetos especiais de grupos e ateliês e programação cultural para adultos e crianças.
A Galeria Lume Photos, que participa pela primeira vez da PARTE, é uma das que receberá cerca de 20 obras de 8 artistas diferentes. Entre eles estará Diego Kuffer, que trabalha com uma técnica própria, e apresentará duas séries, “Transitórias” e “Cromonauta”.
lberto Ferreira também terá algumas imagens inéditas, assim como Gabriel Wickbold, capa da última Photo Magazine, que expõe duas fotografias inéditas. Outros dois destaques da Lume são José Dias Herrera, que registrou os três primeiros anos de Pelé, e Quan O’neill, retratista de celebridades como Amy Winehouse.
Segundo Felipe Ross Hegg, um dos sócios da Galeria Lume, a expectativa para o evento é das melhores, já que os comentários do último ano são positivos. Ele afirma que as obras expostas em sua galeria ficaram em uma media de R$2 mil e R$15 mil.
Vale lembrar que a feira vai até domingo (21) e a entrada é gratuita. Mais informações, e endereços das galerias no site da PARTE.
