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maio 8, 2011

Levantamento de Demandas dos Setores Criativos por parte do Ministério da Cultura

Questionário enviado pela Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura.

Este formulário foi montado especificamente para o segmento de ARTE DIGITAL. Caso você seja de outro segmento cultural, preencha este documento e envie para o MinC.

Para evitar a perda de respostas com falhas do servidor na hora de submeter o formulário, sugerimos que as perguntas sejam respondidas e salvas em um arquivo antes do preenchimento neste post.

IMPORTANTE: Na falta de um campo específico para informar a região geográfica de sua atuação, coloque esta informação (cidade, estado) na resposta à pergunta N. 7.

Publicado por Patricia Canetti às 5:03 PM | Comentários(4)


janeiro 14, 2011

VI Encontro Arte&Meios Tecnológicos - Relato por Fábio Tremonte

O VI Encontro Arte&Meios Tecnológicos: rearticulações na história da arte, Waldemar Cordeiro e experiência popcreta organizado pelo Grupo Arte&Meios Tecnológicos ocorreu no dia 18 de novembro de 2010.

Relato por Fábio Tremonte

Os Encontros acontecem semestralmente desde 2008, na Faculdade Santa Marcelina e abordam questões e reflexões que estão em torno da pesquisa do grupo e de artistas e teóricos que são chamados a dialogar com os seus integrantes durantes esses processos.

O grupo é formado por Christine Mello, Denise Agassi e Paula Garcia (coordenação), Ana Paula Lobo, Ananda Carvalho, Claudio Bueno, Eduardo Salvino, Josy Panão, Leandro Carvalho, Lyara Oliveira, Lucas Bambozzi, Marcelo Salum, Mariana Shellard e Monique Allain. Mais informações podem ser encontradas no site: http://artemeiostecnologicos.wordpress.com

A programação do encontro foi dividida em quatro mesas, sendo que a primeira foi composta por integrantes do grupo que deram um panorama geral sobre as atividades do mesmo. A três mesas seguintes foi formada por um pesquisador convidado e um integrante do grupo. Abaixo um breve relato sobre cada uma delas.


Abertura do VI Encontro: Investigações recentes do Grupo arte&meios tecnológicos
Christine Mello (Pesquisadora FASM), Denise Agassi (Pesquisadora PUC-SP) e Paula Garcia (Pesquisadora FASM) - coordenadoras do Grupo de Pesquisa arte&meios tecnológicos (CNPq/FASM).
Mediação: Ananda Carvalho (Pesquisadora PUC-SP/arte&meios tecnológicos)

Ananda Carvalho inicia as atividades do dia apresentando o grupo que é formado por artistas, historiadores e críticos. A presença desses profissionais que atuam em camadas diferentes dentro do sistema de artes é interessante para os propósitos do grupo que pretende criar um diálogo entre os diversos espaços de atuação no campo da arte, entender a importância do espaço acadêmico de pesquisa em artes, assim a junção de discussão prática e teórica enriquece esses debates.

Denise Agassi apresenta a estrutura de encontro do grupo. Desenvolve basicamente dois tipos de encontros: semestrais, onde trazem historiadores e teóricos que fazem parte da bibliografia de pesquisa do grupo, e que são abertos ao público. E encontros mensais, onde os integrantes se encontram para debater essa bibliografia e também apresentar suas pesquisas.

Com início das suas atividades em 2007 e as organizando de forma trienal, o grupo planeja para breve o lançamento de um livro reunindo parte das idéias e conceitos discutidos e estudados durante esses três primeiros anos de existência.

Christine Mello apresenta o tema do encontro e reforça a importância de se pensar um revisionismo histórico sobre determinados temas em arte para que se possa ter acesso a certos assuntos que parecem ter sido tão fortemente imbuídos de um padrão imposto pela história que não nos permite ir além e perceber as suas sutilezas no período em que ocorreu e nem a sua contribuição efetiva para a o processo de formação da nossa história da arte. Nesse encontro se dará especial atenção a Waldemar Cordeiro e ao contexto em que sua obra foi produzida.


Rearticulações na História da Arte
Mirtes Marins (Pesquisadora FASM)
Mediação: Lyara Oliveira (Pesquisadora FASM/arte&meios tecnológicos)

Mirtes Marins considera importante trazer em sua fala questões que levem a uma reflexão sobre o resgate de um pensamento a propósito da pesquisa de natureza histórica. Durante sua explanação, percebemos dois aspectos a serem extremamente considerados: as questões da historiografia e a necessidade de uma reflexão do pesquisador sobre pesquisas de natureza histórica.

Sobre questões da historiografia, Marins diz que o pesquisador deve reconstruir seu objeto de pesquisa sobre novo prisma. É o próprio lugar que se reconstrói. Qualquer pesquisa é uma crítica epistemológica, nenhum termo pode ser usado de forma natural, desnaturalizar os conceitos, entender como constructo histórico. Fazer uma varredura histórica, perceber que os conceitos parecem normais, mas não são. A história é uma pesquisa num campo de impossibilidades. Dessa forma deve-se fazer história como reconhecimento e vivência e recuperar os diversos grupos que nele atuam. O processo de revisitar a história é olhar para o passado. Rearticular não pode abrir mão de olhar para aquilo que já foi feito e estudado.

Sobre a necessidade de uma reflexão do pesquisador sobre pesquisas de natureza histórica cita o texto de Walter Benjamin, Tese sobre conceito em história, onde diz ser em momentos de urgência, de catástrofe, de luta pela vida que o intelectual consegue ser rigoroso sobre sua observação. Esse texto é uma palavra de ordem, retira a capa de cientificismo que permeia os discursos históricos.

Cita ainda mais dois trechos desse texto, que dizem que o historiador deve nadar contra a corrente, deve buscar rever o que está cristalizado, pois como sujeito submetido à ideologia, tem o dever de desvendá-la e se posicionar. Assim, o processo de investigação e escrita da história para Benjamin não é uma visada de grandes acontecimentos. A história da arte tende a ser linear, escrita de uma forma perfeita.

O processo de escrita de história é um olhar presente para um passado escolhido, segundo Benjamin. Você escolhe sua origem, assim isso ilumina o presente, pois essas escolhas tem sentido, o historiador deve buscar entender essas escolhas. A história deve servir, principalmente, para pensarmos o nosso tempo, com nossas armas, com nossas possibilidades

Christine Mello diz que queria trabalhar o espaço do grupo. Momentos de buscar essa luz, essa reflexão que Marins trouxe. É tempo de buscar coisas que não estão tão claras. Dentre o que Marins apresentou, destaca as palavras de Benjamin quando diz que é no momento de urgência que se consegue ser pessoal. Cita um momento específico do grupo, onde discutiam acerca do nome usado por eles e sobre a pertinência em relação aos seus objetivos e desejos de pesquisa.

Mello também cita uma fala de Ricardo Basbaum, no encontro anterior do grupo, onde problematizava a cisão existente entre arte contemporânea e arte-tecnologia, que pode ser uma ferida aberta desde as discussões e separações estabelecidas pela história durante a existência dos movimentos concreto e neoconcreto.

Marins diz que uma coisa é se deparar com esse processo, estudar o que o artista diz como constituição da obra, verificar qual é o processo, pois é fundamentalmente educacional, não tem regras, têm níveis de atuação de procedimento, isso a apóia do ponto de vista pedagógico. Mas do ponto de vista histórico não funciona desse jeito, por isso a importância de um olhar revisionista durante a pesquisa histórica, para ser fazer um ajuste entre passado e presente. O importante é ser humano, é a tensão da vida. Diz se interessar por gente que vive a vida. Capturar esse instante no artista histórico é importante, pois assim é possível rever o que está cristalizado. É diferente de estudar o processo, é descristalizar o processo, desmistificar.

Waldemar Cordeiro: a ruptura como metáfora
Helouise Costa (Pesquisadora MAC/USP)
Mediação: Paula Garcia (Pesquisadora FASM/arte&meios tecnológicos)

Helouise Costa inicia sua participação comentando sobre a exposição de Waldemar Cordeiro que organizou no CEUMA, em 2001. Disse que a repercussão na época não foi muito grande, mas recentemente tem tido um retorno mais detido sobre esse trabalho. O que a leva a pensar que o interesse pelo trabalho desse artista está se recolocando.

A motivação inicial desse trabalho foi o contato permanente com a obra O beijo de Cordeiro, que pertence ao acervo do MAC/USP. Essa obra a intrigava, considerava uma obra muito madura nas suas proposições. Não entendia em que contexto ela podia ser compreendida na trajetória do artista, pois ele é muito mais compreendido dentro do concretismo. Esse trabalho era considerado como uma espécie de desvio de percurso, onde abandonava o concretismo austero, mas ela não se convencia disso. Decidiu se aprofundar nesse período de ruptura na produção de Cordeiro

A fotografia serviu de aproximação e direção nessa jornada. Cordeiro não tinha interesse na fotografia pela fotografia, mas sua motivação era a hibridação entre fotografia a artes visuais presente na produção de objetos, como possibilidade de discutir a ruptura das especificidades dos meios, sair de uma pintura concreta e passar a produzir esses objetos. A fotografia ofereceu subsídio para discutir coisas que não conseguiria de outro jeito, na forma de conceber o fazer artístico. Cordeiro Começa a questionar a relação entre público e obra de arte, assim a fotografia coloca em cheque a autonomia do objeto, e a relação com o mercado e o público.

Um pressuposto da pesquisa de Helouise era fazer uma aproximação entre a produção artística e os textos produzidos pelo artista, que ainda se encontram hoje muito dispersos. Na medida em que tomava contato com esses documentos percebia que uma idéia de uma autoconsciência critica acompanhava o pensamento do artista nesse processo de ruptura.

Diz que a fotografia entra não como representação, mas como uma espécie de ready-made. As imagens são apropriadas dos meios de comunicação de massa, assim é possível perceber que essas obras dialogam com a situação política do momento, não são apenas obras lúdicas como são tratadas em alguns textos. A pesquisa mostra que a assimilação da imagem apropriada dos meios de comunicação de massa foi uma estratégia usada de forma sistemática e não casual.

A instabilidade do olhar do observador é colocado em cheque em muitas dessas obras desse período, esse olhar é modificado e pode trazer muitas leituras do real. Quando coloca uma lente sobre uma fotografia, ele dá certo domínio ao observador sobre esse olhar. Em um trecho da A obra aberta, Umberto Eco diz que uma obra cinética não é aquela que se move a partir de motores, mas que coloca seu entorno em movimento. A idéia de pontos de vista é fundamental para amarrar uma situação comum entre a produção de trabalhos desse período, que buscavam uma maior aproximação do público, daí a preocupação em criar objetos que podiam permitir graus diferentes de interação.

O Beijo entra como um objeto eletromecânico fragmentado, a boca representada é de Brigite Bardot, essa referência muda a leitura da obra, pois se identifica a pessoa, ela veio ao Brasil em 64 e a mídia cobriu a sua presença em Búzios. Como imagem, Bardot trazia uma nova ética sexual para a mulher, assim usar a boca dela no trabalho o torna fortemente representativo e dialoga com o contexto e cria uma nova espessura histórica. Se por um lado ele trabalha com essa boca sensual, em outro momento quando a obra abre, essa imagem se esfacela, faz uma relação com nossos meios tecnológicos, com a gambiarra. Um híbrido que caracteriza o trabalho dele como um todo. Revisita alguns procedimentos dadaístas, quando entra por caminhos sexuais, que são interrompidos.

A pesquisa de Cordeiro tinha um fundamento muito sólido da história da arte e de um contexto social brasileiro daquele momento específico.

Anos 1960 e experiência popcreta
Ferdinando Martins (Pesquisador ECA-USP)
Mediação: Josy Panão (Pesquisadora arte&meios tecnológicos)

Ferdinando Martins inicia sua apresentação projetando duas imagens de pinturas renascentistas. Diz ter os textos de Arthur Danto como base de suas pesquisas, onde ele mostra porque objetos comuns deixam de ser meros objetos e se tornam obra de arte. Do que Danto está tratando? Danto acredita que há uma experiência estética na arte, mas a dificuldade que temos de nomear a arte é uma dificuldade de entender esse processo. Existe uma experiência humana a qual podemos chamar de artística. É uma experiência transcendente, que nos faz vislumbrar outro espaço, que nos retira da sordidez da existência, isso é uma experiência estética.

No renascimento, a arte passou a ser um campo especifico da produção humana. Passa a ter outro padrão do olhar, após a criação da perspectiva, do uso de proporção entre as figuras representadas. A partir do Renascimento cria-se uma discussão artística e organiza-se um campo artístico. O artista passa a ser um profissional diferenciado. Isso vai durar até os anos 50 do séc. XX. Muitas mudanças ocorrem, mas o sistema artístico é o mesmo.

Esse sistema dura até o abstracionismo, que sinaliza um esgotamento desse processo iniciado no renascimento, sinaliza também essa passagem para a arte contemporânea. Essa passagem vai ser indicada principalmente pelo deslocamento da obra, que era quem produzia a experiência estética. Era uma arte de obras. Na passagem o que vamos chamar de arte não é mais a obra, mas o processo.

Essas mudanças estavam latentes em São Paulo, nos anos 60. Waldemar Cordeiro é emblemático, pois vai tentar não negar essa nova obra que surge, mas ao mesmo tempo busca entender como se adaptar a essas transformações.

A efervescência cultural de São Paulo era invejável, sobretudo após o golpe de 64. Havia uma movimentação artística sem precedentes, de 64 a 68. Mas e a censura? Nas artes plásticas ela sempre existiu desde o Brasil colônia até 88. No caso do teatro da década de 30 até 70. A década que mais censurou o teatro foi a dos anos 50. Após o golpe a atenção do censor era o combate ao comunismo, assim até o AI-5 havia uma grande liberdade para a produção artística.

Por outro lado, São Paulo tinha uma vocação vanguardista. Nesse contexto surgem artistas como Flávio de Carvalho que antecipa em seus trabalhos algumas características do que viria a ser conhecido como performance.

Também surge nos anos 60, o grupo Rex, uma das experiências artísticas mais significativas em São Paulo nesse período. Surge como uma grande ironia, questionando esse sistema de artes que se esgotava. Desde a escolha do nome, um nome de cachorro; a galeria com nome em inglês; o jornal Rex Time, onde se divulga idéias e convidados. O Rex só acabou porque eles se cansaram, era uma festa por dia. Na capa do primeiro número do jornal, a manchete é um aviso: É a guerra. Guerra contra o sistema de arte que acabava. Estava surgindo outro sistema que ninguém sabia o que era, mas substituía um sistema de cinco séculos. Hoje isso já nos é natural, já aceitamos como arte. Criar uma galeria foi um processo, gerou uma experiência artística. O núcleo duro do Rex: Nelson Leiner, Geraldo de Barros e Wesley Duke Lee irão manter a coerência do Rex nas suas produções individuais.

Popcretos

Assim, deslocou-se a arte de obra para processo, surge uma arte não mais erudita, mas que dialoga com a massa. Nesse contexto que aponta para o que chamamos hoje de arte contemporânea que surge o popcreto. Waldemar Cordeiro compartilha dessas preocupações na sua pintura chamada Movimento, criando uma obra quase musical, que tem movimento, ritmo. A idéia de Cordeiro é que tudo pode ser arte desde que você se aproprie dessa idéia.

O sistema de arte que temos hoje ainda é antigo, mas a arte é nova. Ainda vivemos isso. Uma arte contemporânea com sistema renascentista.

Publicado por Marília Sales às 5:00 PM | Comentários(1)


julho 6, 2010

V Encontro arte&meios tecnológicos - Experiência neoconcreta e aspectos contemporâneos - Relato por Cecília Bedê

V Encontro arte&meios tecnológicos - Experiência neoconcreta e aspectos contemporâneos

Convidados: Lucio Agra, Priscila Arantes, Ricardo Basbaum

Relato por Cecília Bedê

Arte&meios tecnológicos é o nome do grupo de pesquisa que se reúne na Faculdade Santa Marcelina para discutir e estudar sob um ponto de vista crítico e experimental as relações entre processos artísticos e mídias tecnológicas.

O grupo é coordenado por Christine Mello (pesquisadora, crítica e curadora) e composto por: Carolina Toledo, Denise Agassi, Paula Garcia, Ananda Carvalho, Lucas Bambozzi, Nancy Betts, Lyara Oliveira, Monique Alain, Cláudio Bueno, Eduardo Salvino, Mariana Shellard, Leandro Carvalho, Ana Paula Lobo, Josy Panão e Marcelo Salum; jovens artistas, críticos, curadores e pesquisadores. A cada semestre o grupo organiza encontros nos quais o foco de seus estudos e pesquisa torna-se objeto de debate não só entre os componentes, mas também para o público interessado em geral.

Em dezembro de 2009, fui convidada pelo grupo para participar do IV Encontro Arte&Meios Tecnológicos: debates contemporâneos e relatar sobre os dois dias de evento. No fim do relato produzido em 2009, eu destaquei: ”Ao final do encontro, o grupo se reuniu para discutir e planejar as atividades de 2010, os objetos de estudo, as leituras e a organização do livro que reunirá todos os artigos apresentados nesse encontro.”

O Convite para acompanhar o V Encontro, que aconteceu em 14/06/2010, me trouxe a sensação de não somente poder relatar, mas também de continuar acompanhando os processos de trabalho do grupo. E pude, portanto ver seus objetivos se realizarem e novos planos serem traçados.

Diferente do encontro anterior, no qual os próprios integrantes do grupo eram os proponentes das mesas, o V Encontro trouxe convidados para debaterem o tema: “Experiência neoconcreta e aspectos contemporâneos”. Ricardo Basbaum, Lúcio Agra e Priscila Arantes foram os convidados para este dia de troca.

O encontro é aberto pela Coordenadora do Mestrado em Artes Visuais da FASM, Mirtes Marins, que destaca a importância das ações do grupo arte&meios tecnológicos e como elas têm transformado o ambiente de pesquisa, tão necessário para um curso de mestrado. Christine Mello, em seguida, fala sobre a abertura da faculdade para o desenvolvimento do grupo e agradece pelo espaço de liberdade que eles encontraram para o desenvolvimento de suas pesquisas.

A importância dos encontros, segundo Christine, está em trazer para dentro das discussões do grupo, cruzamentos e trocas com outros profissionais convidados e o público interessado em participar.

O encontro segue com Denise Agassi e Paula Garcia que apresentaram o resumo das atividades do grupo desde sua formação, em 2007, até hoje. Denise comenta sobre os textos estudados e sobre os encontros anteriores e seus temas. Paula apresenta imagens e relata sobre o *III Encontro, onde o grupo realizou três exposições na Escola São Paulo. Nesse encontro, o grupo e se dividiu e a partir dessas formações trabalharam sob processos artísticos e aspectos da crítica e curadoria, tendo as exposições como resultado desse trabalho.

Em seguida, Denise e Paula apresentaram o material gráfico de “arte contemporânea: o processual em meios tecnológicos”, livro que reunirá os textos produzidos pelo grupo, os mesmo que foram apresentados no encontro de 2009. Além disso, essa publicação aglutina processos como os de edição, organização e de intervenção artística: sempre que a palavra TECNOLÓGICA aparece nos textos, ela explode, criando ruídos nas páginas.

O livro inaugura também a logomarca criada - AMT - e traz em si a principal característica do grupo, o nítido trabalho baseado em uma coletividade.

Christine Mello, em seguida, dá inicio ao V Encontro falando sobre o tema escolhido: Experiência neoconcreta e aspectos contemporâneos. Ressalta que o principal objetivo é atualizar o debate e analisar com um olhar crítico os acontecimentos e as definições da época.

Em 2009, o Manifesto Neoconcreto completou 50 anos e para Christine e o grupo arte&meios tecnológicos a intenção aqui não é cristalizar as idéias neoconcretas, mas sim promover uma auto-crítica do presente, questionar hoje as idéias ali posicionadas. Tratar a história como algo móvel, com muitas temporalidades e sem perder o foco principal das pesquisas do grupo, relacionar as ações neoconcretas com os meios processuais e tecnológicos da arte recente.

Ricardo Basbaum - Mecanismo x Organismo

O primeiro convidado a participar foi o artista, pesquisador, escritor e curador, Ricardo Basbaum.
Para começar a discutir sobre o Neoconcretismo, Basbaum lembra do texto escrito por Haroldo de Campos, publicado no dia 23 de junho de 1957 no Jornal do Brasil: “da fenomenologia da composição à matemática da composição”, marco do afastamento de integrantes do grupo concreto, como Ferreira Gullar, para a criação do novo grupo: os Neoconcretos.

A partir daí, os grupos acirram diferenças e o Neoconcreto adquire contornos mais nítidos de trabalho, cria o manifesto e a teoria do não objeto, agindo na poesia e nas artes plásticas. Para Basbaum, essa cisão é importante para marcar e mostrar uma diferença na concepção da obra de arte.

A proposta do convidado aqui é pensar a atualização desse problema e verificar que caminho se abre para algo que permanece hoje. Textos, artigos, exposições marcaram aquela cisão, porém Ricardo afirma que essas divisões pertencem ao passado.

Naquele período, os dois grupos acreditavam estar dando o último passo, acreditavam ser vanguarda. Existia essa briga por uma pertinência histórica que segundo Basbaum, hoje já não faz mais sentido. A partir dos anos 60, a noção de vanguarda não se configura mais como “o que vem depois”, hoje não se faz mais esse uso da historia, não se discute vanguarda num sentido evolucionista. A antropologia substitui a historia como horizonte de referencias no debate da arte, do humano, do sensível e do sensorial. O futuro se coloca como catástrofe e não como evolução, afirma Basbaum.

A reação negativa de Gullar, diante do texto de Haroldo de Campos, se da devido a ausência de lugar do sujeito que recebe a obra nas propostas dos concretos. Segundo Basbaum, essas propostas têm uma rigorosa determinação a priori, a matemática da composição supera a fenomenologia da construção da obra. Elas querem fugir do sujeito e propor um rigor.

O Concretismo considera o leitor, porém em detrimento de um mecanicismo. É a briga entre mecanismo e orgânico. O Neoconcretismo mostra preocupação com o sujeito que recebe a obra, ela não esta pronta antes desse encontro. Presença do subjetivo, algo que não se esquece mais, até hoje. Ricardo Basbaum destaca ainda a exposição Nova Objetividade que trazia o texto de Helio Oiticica, Esquema Geral da Nova Objetividade, onde falava sobre uma vontade construtiva geral.

Essas ações coletivas funcionavam como painel de resistência ao governo militar, eles acreditavam que a pesquisa avançada em arte tinha um papel político de vanguarda. Assim os Neoconcretos conseguiram aproximar dois termos; vontade e construtivismo termos que a priore não poderiam estar juntos de acordo com o concretismo. Para Basbaum, trata-se da conquista da maturidade na pesquisa da obra de arte.

Os dois pólos, Concretismo e Neoconcretismo, criticam um sujeito romântico que não se comunica com o outro, mas no passo Neo, a configuração é mais avançada em relação ao campo da subjetividade. Trata-se da união entre a plataforma concreta + um diferencial; arte + corpo; máquina + organismo; corpo + dispositivo.

Ricardo Basbaum conclui falando que hoje, deve-se pensar o Concretismo e o Neoconcretismo, lado a lado, sem o perfil da disputa.

Aberto o debate, a crítica e curadora Lisete Lagnado chama atenção e conta, entre outras coisas, que Helio Oiticica não queria ser um artista conceitual, que o conceitualismo está em Hélio assim como em Giotto. A idéia em Hélio não está na matriz Duchampiana.

Em resposta, Ricardo Basbaum fala da compreensão da palavra conceitual não só em relação à idéia, mas também com um sistema da economia, etc. O próprio projeto ambiental de Helio Oiticica poderia ser pensado a partir do aspecto sensorial e social. Poderia ter outra terminologia, mas a referência traz o debate da presença discursiva e como ele era contemporâneo ao conceitualismo, acabamos relacionando.

Ao final, Basbaum comenta sobre a crítica de arte da época, tomando como exemplo Ronaldo Brito que a partir de interesses também próprios, de tentar iluminar o que lhe interessa, reclamava de um providencialismo. Para ele era importante resgatar o Neoconcretismo - iluminar a teoria dele sobre a arte contemporânea, é o critico engajado no que defende.

Lucio Agra - “Vitalidade só no underground”

A participação do pesquisador, artista e poeta Lucio Agra dentro dos debates do grupo art&meios começou no IV encontro, onde ele era parte do público. A partir daquele momento o convite foi feito para sua presença nesse V encontro.

Primeiramente, Lucio elogia o trabalho do grupo por trazer esse assunto como algo ainda por ser investigado a fundo. Além disso, afirma que já que a produção latina americana de arte contemporânea está em destaque em todo o mundo, este é o momento de tomar em nossas mãos o que é nosso e trazer para o debate. Para ele, é importante essa idéia de reativação, que na verdade pode significar construção. Cita Walter Benjamin que disse que re-coletar os cacos é a reativação. Estudar esses artistas do Neoconcretismo é reativação de coisas que foram postas de lado.

Ainda em seu momento de desenvolvimento, o Neoconretismo é atravessado pela ditadura militar. Com isso todos os caminhos foram entupidos para as artes em geral dentro dos circuitos oficiais. Pensar em algo com vitalidade só no underground, de outra forma não seria possível, comenta Lucio. O impulso que conduz o fenômeno da arte concreta e os debates do Neo continuam, mas foram bruscamente interrompidos e a partir daí as coisas ficam muito ruins.

A partir dessa contextualização, Lucio faz uma progressão pelos acontecimentos desencadeados. Quando chegam os anos 80, alguns artistas queriam falar o que não puderam nos 70 e outros queriam esquecer as propostas criadas principalmente por artistas como Hélio Oiticica. E isso corresponde exatamente com o retorno da pintura tão celebrado nessa época.

Segundo Lucio, se estivesse vivo, Helio contestaria tudo aquilo que representava a volta da pintura, ele afirmava que não era possível esse retorno. Isso da uma idéia do que se processa na cultura brasileira, o silenciamento de certas coisas no sentindo de não deixar o debate fluir numa direção que ia contra o mercado.

Helio Oiticica seguiu solitário a sua pesquisa quando chegou de Londres e após Gullar abandonar as idéias Neoconcretas, os únicos que conseguem ir no cerne da coisa vão ser Helio Oiticica e Lygia Clark. Os dois já tinham o devir da questão do corpo, antes mesmo que isso viesse a ser desenvolvido nos EUA.
Entre fatos e relatos, Lucio Agra provoca para a análise da atualidade em detrimento dos acontecimentos desse período, no Brasil. Extrapola o que foi silenciado e exige reconhecimento do que foi esquecido.

Priscila Arantes - Questões do tempo

A pesquisadora, crítica e curadora, Priscila Arantes traz inicialmente uma pequena fala para se situar e trazer a discussão pro terreno teórico estético, no campo da percepção. Aproveita para dirigir diferentes olhares para o objeto de pesquisa próprio e entender de que maneira ela se aproxima do objeto do encontro, o Neoconcretismo.

Para Priscila a questão do Neoconcretismo, a discussão do não objeto na teoria e nos diálogos de Ferreira Gullar, incorpora também a questão do tempo. Além de incorporar a dimensão do tempo e do movimento, vai incorporar uma visão de ruptura entre sujeito e objeto. A obra se da na relação.

A procura de pensar o que é o objeto nessa dimensão relacional e como ele se manifesta, já estava acontecendo no Brasil na fase Neo e lembrando-se da Estética Relacional de Nicolas Bourriaud, Priscila comenta como muitas vezes recorremos à pensadores de fora, enquanto no Brasil, alguns pensadores já refletiam e debatiam. Esse pensamento relacional levou a obra de arte da contemplação para a ação, para a dimensão vivencial e performática. O pensar a obra de arte nesse momento, é pensar uma relação com o mundo.

Construindo uma ligação entre essas idéias neoconcretas e sua pesquisa, Priscila fala que a estética do ponto de vista da filosofia é uma área menor, porém a percepção, principalmente em Merleau-ponty com a fenomenologia é tão importante, se não for mais. Na arte significa a inserção do corpo e do não objeto consumidos no tempo. No Neoconcretismo a principal ação foi à incorporação do corpo do observador, em relação com a obra.

Para Priscila, todas essas questões, da ruptura com a representação, com a noção de gênero (pintura, escultura, desenho etc.) e com conceitos fechados a levaram, em seu pós-doutorado, a desenvolver um olhar em relação a pensadores que incorporam a dimensão do tempo dentro do discurso estético. Pra finalizar, Priscila afirma que no Manifesto Neoconcreto, existe não só o discurso da obra de arte, mas também fala de uma dimensão maior de entendimento do mundo.

Durante o debate, Priscila complementa dizendo que toda essa dimensão do tempo é tanto do ponto de vista filosófico quanto artístico e vai aparecer em função da virada do século. O neoconcretismo é o momento em que isso explode de maneira mais radical pela aproximação da questão política.

Christine Mello finaliza o debate comentando que no momento em que nasce a teoria do não objeto, o crítico Mário Pedrosa questionou Ferreira Gullar afirmando que não poderia ser não objeto, porque o não objeto não é coisa alguma na filosofia. Ferreira Gullar responde dizendo: mas nos não somos filósofos, somos da arte, o não objeto é um objeto especial.

O V Encontro terminou deixando muitas questões no ar. Para o grupo arte&meios tecnológicos, todos os participantes e consequentemente pra quem leu esse relato, o impulso foi dado. Rever a própria história, pôr em dúvida conceitos estabelecidos e criar uma nova relação com o passado para pensar o atual é necessário. Só assim teremos propriedade sobre os nossos pensamentos.


*Vídeo do III Encontro

Publicado por Cecília Bedê às 2:27 PM


junho 30, 2010

MinC coloca em debate Anteprojeto de Modernização da Lei de Direito Autoral

O Ministério da Cultura lançou nesta segunda-feira, 14 de junho, a Consulta Pública para a Modernização da Lei de Direito Autoral, a Lei nº 9.610/98. O objetivo do processo democrático, que vai até 28 de julho, é estimular a participação da sociedade no aperfeiçoamento do texto. O anúncio aconteceu durante coletiva à imprensa realizada na sede do MinC, em Brasília.

Processo democrático até 28 de julho

“Nossa lei não é capaz de assegurar a plena realização do direito autoral no Brasil. Ela não cria nenhum mecanismo de harmonização entre o direito autoral e o direito de acesso à população. Não dá segurança jurídica aos investidores e falta transparência no sistema de arrecadação”, declarou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, ao reconhecer a precariedade da legislação brasileira.

Para o ministro, é impossível criar uma Economia da Cultura no Brasil sem a modernização da lei. Segundo estudo realizado em 1998, pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), os setores impactados direta ou indiretamente pela criação das obras intelectuais representaram 6,7% do PIB do Brasil. Segundo o levantamento, o desenvolvimento dessa economia exige a construção de um sistema equilibrado, que a lei vigente do Direito Autoral brasileira não foi capaz de criar.

A nova lei propõe a harmonia entre os direitos dos criadores, cidadãos, investidores e usuários e incentiva a formação de novos arranjos produtivos. Isso dá maior controle do autor sobre sua criação, amplia o acesso à cultura e ao conhecimento, promove a diversidade da produção cultural e redistribui os ganhos relativos aos direitos autorais.

Marcos Souza, coordenador da Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC, afirmou que a Consulta Pública é uma continuação de debate público que ocorre desde 2007 por meio do Fórum do Direito Autoral. Ele explicou que a modernização garantirá mecanismos de transparência e controle social do sistema de arrecadação e distribuiçaõ do direitos autorais.

O que muda com a nova lei.

Também participaram da coletiva de imprensa o secretário executivo, Alfredo Manevy e o secretário de Políticas Culturais, José Luiz Herencia.

Participe da Consulta Pública e acesse a íntegra do anteprojeto.

(Comunicação Social/MinC)


Publicado por Paula Dalgalarrondo às 4:58 PM


fevereiro 22, 2010

Plano Nacional de Cultura - parte 2

Histórico do Plano Nacional de Cultura


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Segundo dados obtidos pelo Ministério da Cultura, observa-se um fator interessante nos gastos das famílias e que dizem respeito ao campo da cultura digital. Se observarmos que diversas mídias migraram para os aparatos computacionais, tais como livros, vídeos, jogos e algumas experiências artísticas mediadas via Internet, isso sem falar na educação, podemos afirmar que segundo a tabela abaixo, vários itens, como informática, leitura e audiovisual tem relação direta com a “arte digital”.


PERCENTUAL DE FAMÍLIAS QUE REALIZARAM GASTOS COM CULTURA E    ITENS CULTURAIS SELECIONADOS - 2002-2003



percentual.jpg

Com a possibilidade de acesso aos bens culturais facilitados pelas tecnologias digitais e computacionais, podemos inferir que “as práticas culturais deslocam-se para dentro do domicílio e relacionam-se com a presença de televisão, rádio, internet, telefonia e outros meios de comunicação [...] as políticas de crédito e de telecomunicações ampliaram as possibilidades de ter cada um desses equipamentos [e que] a distribuição dos meios de comunicação influencia a produção, difusão, consumo e recepção da cultura”  Dessa forma, a transformação ocorrida no campo do acesso à cultura, possibilitada pela “cultura computacional”, altera radicalmente a noção de bens de consumo culturais, pois passa-se de uma cultura “passiva” de receptor, para uma cultura ativa de “produção-crítica-recepção” de todo e qualquer conteúdo de áudio, vídeo ou texto.

De acordo com o Ministério da Cultura, as diretrizes estratégicas do Plano Nacional de Cultura são:


1) Fortalecer a ação do Estado no planejamento e na execução das políticas culturais

2) Proteger e promover a diversidade das artes e expressões culturais

3) Universalizar o acesso dos brasileiros à fruição e à produção cultural

4) Ampliar a participação da cultura no desenvolvimento socioeconômico sustentável

5) Estimular a organização de instâncias consultivas e de participação direta


Arte Digital no Plano Nacional de Cultura, apresentado no Symposium do Festival

Internacional de Linguagem Eletrônica de 2009, em São Paulo. On-line em http://www.ustream.tv/recorded/1898022.

Idem.


Texto retirado do Relatório da Curadoria de Arte Digital - Cícero Inácio da Silva

Cultura Digital - http://culturadigital.br



Publicado por Emerson Fernandes às 5:40 PM