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Como atiçar a brasa

 


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outubro 26, 2012

CCBB abre a mostra 'Planos de Fuga' por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

CCBB abre a mostra 'Planos de Fuga'

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 26 de outubro de 2012.

Exposição utiliza o prédio do Centro Cultural Banco do Brasil como suporte para obras

O interior do edifício do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo parece ser outro com as obras da exposição Planos de Fuga, que será inaugurada neste sábado, 27. O visitante que chegar ao subsolo da instituição, onde fica o cofre, vai surpreender-se com a intervenção da artista Sara Ramo, Geografia do Lastro ou A Riqueza dos Outros, que transformou o local em um labirinto. O público ainda encontrará a sala do terceiro andar toda clara e com suas janelas abertas, dando vista para as ruas do centro de São Paulo, o que é inesperado, na instalação de Rivane Neuenschwander.

"Quisemos abraçar o prédio, potencializar a experiência do espectador", diz Jochen Volz, convidado pela instituição paulistana, junto do curador Rodrigo Moura (ambos do Instituto Inhotim), a conceber uma mostra que teria o edifício do CCBB como próprio suporte de instalações de artistas.

O local é muitas vezes considerado problemático por sua área exígua e seu percurso entrecortado, mas a mostra Planos de Fuga coloca os espaços da bela edificação, projetada por Hippólito Gustavo Pujol Júnior, a serviço da criação de trabalhos inéditos e específicos para o local, por Cristiano Rennó, Gabriel Sierra, Marcius Galan, Carla Zaccagnini e Sara Ramo; para a instalações de Cildo Meireles, Rivane Neuenschwander e Renata Lucas; e para a presença de obras históricas de Claudia Andujar, Gordon Matta-Clark e Robert Kinmont, que tratam do "interesse" deles por paisagem, cidade e arquitetura. O fotógrafo Mauro Restiffe também integra o projeto com a realização de fotografias em preto e branco que documentam o processo da exposição e o entorno do CCBB e depois serão publicadas em livro.

Após uma exposição de caráter histórico, que atraiu milhares de visitantes para ver as pinturas impressionistas vindas do Museu D'Orsay de Paris, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo agora se lança a uma mostra extremamente contemporânea. O visitante tem de percorrer o prédio da instituição para descobrir as obras de Planos de Fuga - e por meio dessa experiência, ainda, o espectador terá de lidar com a própria memória do local. O título da exposição, como afirma Jochen Volz, tem como fundo poético o livro Plan de Evasión (1945), de Adolfo Bioy Casares, que coloca o embate entre espaço físico e espaço mental (imaginação) de prisioneiros confinados em uma ilha.

Um dos grandes destaques da exposição é a recriação da obra Ocasião, de Cildo Meireles, cujo projeto original é de 1974, mas a instalação foi apenas exibida, desde 2004, na Alemanha e na Inglaterra. Abrigado no quarto andar do CCBB, o trabalho coloca uma bacia cheia de dinheiro no centro de uma sala de espelhos. Também a Cortina, de Cristiano Rennó, é uma presença de impacto na mostra, colocando faixas de plástico em amarelo e vermelho (ou quase rosa) cobrindo o hall do CCBB - espaço emblemático do prédio. É uma obra sobre esconder e aparecer, que "fecha a experiência visual" do vão central do edifício para os visitantes que transitam os andares superiores do local.

Importante também destacar o site specific (obra criada especialmente para um lugar) do colombiano Gabriel Sierra, que transformou a sala expositiva nobre do segundo piso do CCBB em um espaço no qual dois cenários com portas e janelas vazadas possibilitam uma experiência imaginária, virtual.

Posted by Cecília Bedê at 12:20 PM

Curador sintetiza pontos centrais da arte brasileira por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Curador sintetiza pontos centrais da arte brasileira

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 26 de outubro de 2012.

Livros e caixas são suportes usados e recriados por muitos artistas contemporâneos. Marcel Duchamp foi um dos primeiros a se utilizar dessa prática, com sua "Caixa-valise" (1938-1942), na qual apresentava miniaturas de 61 obras suas.

"Aberto Fechado: Caixa e Livro na Arte Brasileira", com curadoria de Guy Brett, apresenta um amplo panorama sobre esse tema a partir de uma ótica local. Brett, crítico e curador inglês, há cinco décadas envolvido com a produção brasileira, selecionou 90 obras de 23 artistas.

É preciso reconhecer: trata-se de uma das melhores exposições sobre arte brasileira. Por meio de uma questão original, Brett sintetiza alguns dos pontos centrais da produção nacional com obras absolutamente precisas.

"Ninhos" (1969), de Hélio Oiticica, é um bom exemplo. Penetrável criado para a galeria Whitechapel, em Londres, é composta por seis caixas recheadas de materiais distintos, que permitem a interação com o espectador. Assim, ao contrário das caixas de artistas europeus ou americanos até então produzidas, confirma-se que, no Brasil, o rompimento da relação formal com o objeto artístico através da participação do espectador é um eixo central.

Nesse caso estão ainda obras icônicas como "O Ovo" (1968), cubo de papel que pode ser rompido pelo visitante, ou "Caixa Brasil" (1968), estojo que contém mechas de cabelo de índios, europeus e africanos, ambos de Lygia Pape.

Nesse último trabalho, com os cabelos dispostos de acordo com sua ocupação no país, a começar pelos índios, percebe-se um novo viés. Obras como "Caixa Brasil" dizem respeito à política de uma forma global, no caso o significado da cultura brasileira. Esse viés também é percebido com "Livro de Carne"(1978-1979), registros de um livro feito de carne, por Artur Barrio, num momento em que havia tortura em prisões brasileiras.

Assim, a mostra desdobra-se em múltiplas dimensões, da político à formal, como a influência construtiva nas obras de Raymundo Collares, caso de "Gibi de Bolso"(1971).

Outro mérito é que os textos que acompanham as obras não são divagações generalistas, como tem ocorrido com frequência, mas explicações dos próprios artistas sobre seus trabalhos.

A exposição ainda é acompanhada por um catálogo exemplar, com ensaios de fôlego, imagens de todos os trabalhos expostos e depoimentos dos artistas. Contudo, acima de tudo, "Aberto Fechado" é uma reunião de excelentes trabalhos.

Posted by Cecília Bedê at 11:31 AM | Comentários (1)

Pinacoteca traz obras em forma de caixa por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Pinacoteca traz obras em forma de caixa

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 26 de outubro de 2012.

Exposição organizada por Guy Brett, nome que lançou brasileiros no exterior, tem clássicos dos anos 50 até hoje

Mostra reúne trabalhos de Lygia Pape, Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Jac Leirner, Antônio Dias e Sérgio

Caixas encerram universos inteiros, céus e nuvens mais ou menos abstratos. Em alguns casos, guardam resquícios das contradições de um país. Em outros, viram microcosmos cheios de cor.

Uma mostra agora em cartaz na Pinacoteca do Estado volta aos anos 50 e recolhe até os dias de hoje obras que abrem e fecham, trabalhos em forma de caixa, que vão desde abstrações geométricas a comentários críticos sobre o contexto político da época em que foram criadas.

No alto de uma sala, estão caixas brancas que Lygia Pape equipara a nuvens no céu, objetos ortogonais que imprimem lógica matemática à visão de devaneio.

Waltercio Caldas reproduz constelações e galáxias em branco no interior de uma caixa preta, como se tentasse fazer caber entre as faces de um cubo toda a percepção, uma possível alusão à tentativa de enquadrar na alvura das galerias de arte a potência do pensamento estético.

Nos caixotes e vasilhames de Hélio Oiticica, pigmento cru e paredes coloridas se articulam na expressão de um estado de cor em potencial, a tensão de uma obra que parece se conservar em estado perpétuo de gênese, uma espécie de embrião de formas.

Quem articula todas as peças nesse armazém de caixas é o crítico britânico Guy Brett, responsável pela exposição e um dos maiores nomes por trás do reconhecimento da arte brasileira no exterior.

Brett trabalhou com Sérgio Camargo, Lygia Clark, Cildo Meireles, Lygia Pape, Waltercio Caldas e Oiticica, ajudando a posicionar esses artistas no plano global antes que virassem as grifes que são hoje.

"Todos esses trabalhos têm uma relação", afirma Brett em entrevista à Folha. "Mas há um paradoxo. Enquanto muitos desses artistas tentavam levar arte às ruas, eles se isolam nessas peças introspectivas, calmas, criando uma biblioteca de formas."

Nessa biblioteca, para além das caixas, há livros de desenhos de Mira Schendel, em que a artista cria quase uma animação página a página, ou mesmo exercícios geométricos de Lygia Pape e Ferreira Gullar, desdobrando o pensamento da poesia concreta que surgia nos anos 50.

Mais adiante, com a eclosão do regime militar, o "clima muda", como diz Brett, ao analisar obras críticas de Artur Barrio e Antônio Dias.

Enquanto Barrio alude às mortes do período num livro com páginas feitas de carne, Dias ataca o fim do voto democrático na ditadura com sua série de urnas lacradas, caixas que guardam objetos secretos e nunca podem ser abertas.

Em performances ao longo da carreira, Dias chegou a abrir algumas dessas urnas, mas a que está agora na Pinacoteca permanece lacrada desde 1975 e assim deve ficar.

CABELOS E LÂMINAS

No ano crítico de 1968, em que foi baixado o Ato Institucional nº 5, recrudescendo a repressão, Lygia Pape fez uma das obras mais contundentes da mostra, uma caixa com três tipos de cabelo, alusão à miscigenação que está na origem do povo brasileiro.

Materiais nocivos perdem o perigo em obras de Jac Leirner e Cildo Meireles. Enquanto ela transforma maços de cigarro em esculturas que chama de pulmões, ele anula o potencial de corte de facas ao fechar várias delas juntas numa caixa, lâmina colada em lâmina, inofensivas.

Posted by Cecília Bedê at 11:25 AM

outubro 25, 2012

Recife recebe exposição com 19 artistas da nova arte contemporânea nacional, Diario de Pernambuco

Recife recebe exposição com 19 artistas da nova arte contemporânea nacional

Matéria originalmente publicada no jornal Diario de Pernambuco em 24 de outubro de 2012.

Obras estão em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), na Rua da Aurora

Parte do projeto Convite à viagem: Rumos Artes Visuais 2011/2013, a exposição Intuição et Cetera toma espaço no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) até o dia 9 de dezembro. A mostra apresentada em Recife é um recorte do conjunto selecionado pelo edital do Itaú Cultural, que foi inteiramente exibido em São Paulo.

De um total de 100 trabalhos de 45 artistas de todo o país, Pernambuco recebe 31 obras, de 19 contemplados. A curadoria, aqui, foi feita por Paulo Miyada, Matias Monteiro e Vânia Leal, que se basearam em referências pessoais para selecionar as peças escolhidas, prezando por elementos intuitivos, o que justifica o título do recorte. Os visitantes poderão distinguir pelo menos três grupos de trabalhos. A primeira parte foca em desenhos, enquanto a segunda é mais analítica, onde se destaca a série Retratos, do paraense Berna Reale, que busca trazer um entendimento pessoal. A terceira abordagem, por sua vez, explora o espaço e a paisagem como temas.

O programa Rumos Artes Visuais é uma iniciativa nacional e tem curadoria-geral de Agnaldo Farias, com a proposta de diagnosticar e fomentar a criação visual no Brasil. Somente este ano, o programa teve 1.770 inscritos e, entre os 100 selecionados, apenas um é de Pernambuco (Cristiano Lenhardt, que na verdade é gaúcho, mas vive e trabalha aqui). O Mamam fica à Rua da Aurora, 265. A entrada é gratuita. Horário de funcionamento: terça a sexta das 12h às 18h,
sábado e domingo das 13h às 17h. Informações: (81) 3355-6871.

Confira a lista de artistas que participam da mostra:
Allan de Lana (DF)
Berna Reale (PA)
Cristiano Lenhardt (PE)
Dalton Paula (GO)
Guilherme Teixeira (SP)
Jimson Vilela (RJ)
Luciana Paiva (DF)
Luiz Roque (SP)
Luiza Baldan (RJ)
Maria Laet (RJ)
Marilia Furman (SP)
Michel Zózimo (RS)
Naia (AM)
PirarucuDuo (SP)
Rafael Pagatini (RS)
Thiago Honório (SP)
Ueliton Santana (AC)
Vinicius Guimarães (ES)
Virgilio Neto (DF)

Posted by Cecília Bedê at 1:31 PM

Artistas usam intuição para criar obras em exposição no Recife, G1

Artistas usam intuição para criar obras em exposição no Recife

Matéria originalmente publicada no site G1 em 24 de outubro de 2012.

Rumos Artes Visuais: Intuição et Cetera, MAMAM, Recife, PE - 25/10/2012 a 09/12/2012

O Museu de Arte Aloísio Magalhães (Mamam), no Recife, recebe a exposição "Intuição et cetera", que reúne 31 obras de 19 artistas selecionados em todo o Brasil pelo programa Rumos Artes Visuais, do Instituto Itaú Cultural. A mostra segue para visitação até o dia 9 de dezembro, com entrada franca.

A exposição é um recorte da mostra "Convite à Viagem", exibida em São Paulo. No Recife, a curadoria coube a Paulo Miyada, Matias Monteiro e Vânia Leal, que usaram referências pessoais para escolher as obras diante de tamanha indefinição entre os limites da arte contemporânea. Foi assim que surgiu o tema "intuição", aquilo que vem antes do pensamento racional para se chegar a uma conclusão.

Com esta linha curatorial, foram selecionados artistas que usaram elementos intuitivos em suas criações, gerando obras que precisam ser decifradas. Algumas focam-se no desenho, onde o artista utiliza a intuição para iniciar o projeto, com um detalhamento feito na ponta do lápis, como ocorre em "Cerração", "Neblina" e "Névoa Subindo a Serra", do gaúcho Rafael Pagatini.

Há também os desenhos feitos em grafite, aquarela, guache e lápis de cor do brasiliense Virgílio Neto e as pinturas em caneta hidrográfica de Vinicius Guimarães, do Espírito Santo. A impressão em pigmento sobre papel algodão da série "Polaroids", da carioca Maria Laet, complementa essa área.

Outras obras expressam o controle e a premeditação - analíticas, elas mantêm o mistério e têm a intenção de despertar algo no público. Essa é a proposta de "A Morte", "O Mito", "O Homem e A Mulher", da série "Retratos", da paraense Berna Reale.

"Imagem", do artista paulista Thiago Honório, é formada por um cubo espelhado até a altura do pescoço e uma cabeça de roca do século 18, na parte de cima - o visitante vê seu próprio corpo, mas uma cabeça diferente, provocando distintas reações. A instalação "Resistência", de Marília Furman, também de São Paulo, é composta por um holofote e uma chapa de vidro: dispostos de maneira que provocam uma tensão - que pode acabar passando para o espectador -, dão a impressão de que o vidro pode se partir a qualquer momento.

Na terceira abordagem, os focos são o espaço e a paisagem, com destaque para a projeção de vídeo do paulista Guilherme Teixeira, "Parede Suprematista". As videoinstalações "Projeção 0 e 1", do paulista Luís Roque, e "Petricor", da carioca Luiza Baldan, também se encaixam no contexto.

Algumas criações passeiam por mais de uma área, como as fotografias "Corpo em Segredo P" e "Corpo em Segredo B", do goiano Dalton Paula. Elas abordam o controle e o mistério e, ao mesmo tempo, ocupam um lugar no espaço. Assim como a instalação "Passagem Secreta", de Luciana Paiva, do Distrito Federal, que fica entre o desenho e o ambiente. É feita de páginas de livros atravessadas por uma fita invisível, desenhando um caminho e impondo a ocupação do espaço.

Serviço
Exposição "Intuição et Cetera"
De quinta-feira (25) até 9 de dezembro
De terça a sexta, das 12h às 18h, e sábados e domingos, das 13h às 17h
Museu de Arte Aloísio Magalhães (Mamam) - Rua da Aurora, 265, Boa Vista

Posted by Cecília Bedê at 12:39 PM

Eduardo Kac é destaque em mostra no Museu Reina Sofia por Mariel Zasso, Select

Eduardo Kac é destaque em mostra no Museu Reina Sofia

Matéria de Mariel Zasso originalmente publicada na seção Da hora da revista Select em 16 de outubro de 2012.

Eduardo Kac é destaque em mostra no Museu Reina Sofia

A exposição Perder a Forma Humana fica em cartaz até março de 2013

De 25 de outubro até março de 2013, a Rede Conceitualismos do Sul apresenta a mostra Perder a Forma Humana no Museu Reina Sofia em Madrid.

O brasileiro Eduardo Kac, artista pioneiro em interações e cruzamentos da arte com ciências – sejam elas robóticas, digitais, biotecnológicas - e um dos dinamizadores da cena underground brasileira nos anos 1980, exibe dentro da mostra sua série radical de fotoperformances Pornograms, criada entre 1981 e 1982.

Sob ditadura militar, Kac liderou o Movimento de Arte Pornô e fez apresentações públicas semanalmente nas ruas do Rio de Janeiro. Vestindo sua icônica minissaia rosa, o Bufão do Escracho – personagem de Kac na Gang, braço performático do movimento – poetava com o corpo e a cidade, executando performances que eram experiências físicas de suas poesias pornográficas, textos escritos para serem gritados, literalmente incorporados.

Os registros desses espetáculos que marcaram o Rio de Janeiro serão exibidos pela primeira vez em um museu – não só as publicações originais e fotografias, mas também um vídeo raro do memorável evento vivido pela Gang de Kac na praia de Ipanema.

Com a exposição Perder a Forma Humana, o grupo de pesquisa Conceitualismos do Sul - atuante desde 2007 no Museo Reina Sofia - reativa práticas artísticas e políticas que ocorreram durante a década de 1980 em diferentes contextos internacionais. A imagem do título da mostra remete à transformação física do humano, imposta ou voluntária, como processo com um epicentro de coordenadas geográficas e cronológicas bem determinadas: a América Latina durante a década de oitenta.

Aqui, a perda da forma humana diz respeito tanto à violência física exercida pelas ditaduras militares, estados de sítio e guerrilhas revolucionárias quanto às experiências de liberdade fruto da subversão ou insubordinação a essas imposições. O corpo é objeto de mutação, de questionamentos, é suporte e elemento que encarna as circunstâncias históricas mas também é capaz de transformá-las. A exposição mostra como simultaneamente, táticas de subversão e ativismo artísticos apareceram em diferentes países que sofriam com os sufocamentos provocados pelos regimes ditatoriais.

Além da exposição, o grupo organiza um seminário nos dias 26 e 27 de outubro, com entrada gratuita (para quem estiver em Madrid!), e transmissão ao vivo pela internet.

Confira abaixo a programação completa do seminário (horário de Brasília):

Dia 26/10

13h - Apresentação do Projeto - Jesús Carrillo e Jaime Vindel (Red Conceptualismos del Sur)

13:30h - Fazer política com nada. Materialidade marginal e ativismo artístico - Guillermo Giampietro, Eduardo Kac, Marta Cocco e Mauricio Guerrero. Mediação de Fernanda Nogueira e Ana Longoni

15:30h - Corpos desobedientes. A irrupção de sexualidades rebeldes - Pedro Lemebel e Francisco Casas (Yeguas del Apocalipsis), Sergio Zevallos e Maris Bustamante. Mediação de Fernanda Carvajal e Fernando Davis

Dia 27/10

06:30h - Cenas under. A festa e a ocupação urbana como nova política - Alfredo Márquez, Sarah Minter, Ral Veroni, Gonzalo Rabanal (Los Ángeles Negros). Mediação de Miguel López e Daniela Lucena

12:30h - O que nos dizem hoje os anos oitenta? - Rachel Weiss, Suely Rolnik, Ana Alvarado e Roberto Amigo. Mediadores: Sol Henaro e André Mesquita

Saiba mais:
Perder la forma humana. Una imagen sísmica de los años ochenta en América Latina

De 25 de outubro de 2012 a 11 de março de 2013

Museo Reina Sofia - Madrid
Curadoria: Red Conceptualismos del Sur

Posted by Cecília Bedê at 11:09 AM

Novo capítulo da história por Paula Alzugaray, Istoé

Novo capítulo da história

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Istoé em 19 de outubro de 2012.

Exposição tira do esquecimento a arte construtivista inglesa, colocando-a em paralelo com a arte concreta e neoconcreta brasileira

Concretos paralelos/Cultura Inglesa – Centro Brasileiro Britânico, SP/ até 2/12/ Dan Galeria, SP/ até 4/12

Faz parte da história da arte brasileira. Desde que o escultor suíço Max Bill ganhou o prêmio na primeira edição da Bienal de São Paulo, em 1951, com sua escultura “Unidade Tripartida”, o concretismo ganhou definitivamente terreno entre os artistas brasileiros. Conhecíamos a nossa filiação para a objetividade do design e da arquitetura alemã, e para o concretismo suíço. O que não suspeitávamos era nosso parentesco com os ingleses. A exposição “Concretos Paralelos”, organizada em parceria entre a Cultura Inglesa e a Dan Galeria, em São Paulo, vem oportunamente contar esse capítulo esquecido da história. As duas exposições colocam lado a lado a produção de 19 artistas brasileiros e 14 britânicos, realizada entre 1955 e 1975, apresentando correspondências insuspeitas e surpreendentes.

As grandes inspirações para esses 20 anos em que o mundo foi concreto foram a Escola Superior da Forma, de Ulm, na Alemanha, e a escola Bauhaus que, mesmo dissolvida pelo nazismo, em 1933, teve seus artistas, alunos e diretrizes espalhados por toda a Europa e boa parte da América Latina, especialmente Brasil e Argentina. A Bienal de São Paulo nasceu no início dos anos 1950 sob signo da abstração geométrica fomentada pela Bauhaus. Foi determinante para contribuir com sua institucionalização e divulgação, influenciando artistas como Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Lygia Pape e Milton Dacosta, que ganhou o prêmio nacional de pintura na terceira Bienal. Os ingleses também participavam desse circuito e muitos vieram para as bienais, como Graham Sutherland, que ganhou o prêmio de aquisição em 1955. Na bienal seguinte, o britânico Ben Nicholson esteve entre os premiados brasileiros Lygia Clark e Abraham Palatnik. E assim sucedeu até os anos 1970, com brasileiros e ingleses dividindo os pódios das bienais de São Paulo.

orém, os artistas concretos britânicos nunca alcançaram a representatividade local e internacional que os brasileiros tiveram e foram relegados a um segundo plano. Hoje, seu papel está sendo revisto e a exposição em São Paulo marca esse movimento de resgate de um período que ficou obscurecido na história da arte britânica. A mostra chamou a atenção de Nicholas Serota, diretor do Tate de Londres, que esteve em São Paulo na ocasião da abertura da 30ª Bienal, em setembro. A publicação que será editada também ajudará a marcar esse momento decisivo em que a arte brasileira serve de farol para iluminar o resto do mundo.

Posted by Cecília Bedê at 10:53 AM

Renascimento gráfico por Nina Gazire, Istoé

Renascimento gráfico

Matéria de NIna Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Istoé em 19 de outubro de 2012.

No século XV, as luzes da razão se acenderam por toda a Europa e o continente vislumbrou o florescimento de uma nova arte como há muito não se via

LUZES DO NORTE/Desenhos e Gravuras do Renascimento Alemão/Museu de Arte de São Paulo (MASP), SP/ até 13/1/2013

No século XV, as luzes da razão se acenderam por toda a Europa e o continente vislumbrou o florescimento de uma nova arte como há muito não se via. O Renascimento, nome dado a esse período de resgate dos valores clássicos, foi um fenômeno que teve desdobramentos em diferentes países europeus, por meio das mais variadas formas de manifestações artísticas. Enquanto na Itália e nos países flamengos a pintura se tornou o carro-chefe, na Alemanha a especialidade foi a gravura. Segundo inúmeros especialistas em história da arte, o gravador Albrecht Dürer, que realizou diversas viagens à Itália para estudar a arte dos mestres florentinos, transformou sua cidade natal, Nuremberg, em um centro de referência artística, assim como Leonardo da Vinci fez com Florença. Além disso, como Da Vinci, Dürer compartilhava a qualidade de polímata: sabia um pouco de tudo. Era arquiteto e matemático nas horas vagas e aperfeiçoou a técnica da gravura em metal, criando um gênero que ganhou inúmeros seguidores.

A mostra “Luzes do Norte” reúne no Masp 61 gravuras que fazem uma genealogia desse período prolífico da arte teutônica, partindo de alguns mestres que precederam Dürer em um século até a produção maneirista que o seguiu durante o século XVI. As gravuras vieram diretamente do acervo do Museu do Louvre e pertenceram ao barão Edmond Rothschild, um dos maiores colecionadores de arte gráfica na Europa. Entre os destaques, está o “O Rinoceronte” (foto), xilogravura de 1515, a primeira de uma série dedicada aos animais, realizada por Dürer ao longo de sua vida.

Além das 61 obras, estão expostas duas telas do acervo do Masp que também pertencem ao período do Renascimento alemão – o retrato a óleo “O Poeta Henry Howard”, de 1542, de Hans Holbein, o Jovem, e “Retrato de Jovem Aristocrata”, de 1539, de Lucas Cranach, o Antigo. Ambos os artistas, apesar de usarem a técnica a óleo, dão continuidade à tradição do retrato, iniciada por Albrecht Dürer no início do século XVI.

Posted by Cecília Bedê at 10:49 AM

outubro 23, 2012

Abraham Palatnik ganha mostra panorâmica em São Paulo por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Abraham Palatnik ganha mostra panorâmica em São Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 23 de outubro de 2012.

Abraham Palatnik, Galeria Nara Roesler, São Paulo, SP - 19/10/2012 a 24/11/2012

Abraham Palatnik, de 84 anos, diz que sua memória já está ficando mais rala, mas ele lembra a importância que o curso de mecânica de motores que realizou em Tel- Aviv, nos anos 1940, teve na formação desse artista considerado um pioneiro da arte tecnológica no Brasil. Palatnik sempre teve destreza única para máquinas, característica primordial para um revolucionário inventor de obras em diálogo com o pensamento pictórico.

"Lá (em Tel-Aviv), me deixaram em uma bancada, ao ar livre, onde tinha que desmontar e limpar carburadores e outras peças. Meus colegas se embaralhavam, era uma catástrofe, mas eu fazia aquilo com tanta velocidade, que um oficial percebeu e me chamou para almoçar com os oficiais ", rememora o artista. "Sei que foi muito bom eu ter ido para essa ocupação, porque comecei a desenvolver e ver que eu tinha uma habilidade potencial para fazer coisas com precisão."

Não apenas o crítico Mário Pedrosa identificou desde muito cedo, nos anos 1950, que as obras de Palatnik tinham uma vertente revolucionária. A mostra que a Galeria Nara Roesler acaba de inaugurar com suas criações e invenções é, agora, uma oportunidade de se ter uma panorâmica de toda a trajetória do artista. Com curadoria de Frederico Morais, a exposição também apresenta obras inéditas de Palatnik, criadas em 2012. Mais "quieto", como o próprio artista se define, ele se dedica em seu ateliê-casa, no Rio, à realização de pinturas feitas pela projeção de ondas de cores em composição com ripas de madeira enfileiradas e pintadas.

Filho de judeus, Palatnik nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, mas sua formação foi realizada em Israel, que naquela época era considerada Palestina. Seu pai, que trouxe a família da Ucrânia, foi um homem emprendedor no Nordeste e Palatnik lembra com muito afeto de sua história.

O artista mesmo sempre foi inventor único e já na 1.ª Bienal de São Paulo, em 1951, exibiu Azul e Roxo em Primeiro Movimento, obra de uma das séries mais emblemáticas de sua carreira, a dos Aparelhos Cinecromáticos, máquinas criadas com centenas de metros de fios elétricos, lâmpadas e cilindros que fazem as cores se movimentar de uma maneira leve à nossa frente. Frederico Morais afirma que mesmo que as pessoas não entendessem aquela invenção, eram tomados por seu caráter "sedutor".

A mostra na Galeria Nara Roesler exibe um Aparelho Cinecromático - até 1983, como escreve o crítico e curador da exposição, Palatnik criou 33 dessas máquinas, expostas em sete edições da Bienal de São Paulo e nas Bienais de Veneza e de Córdoba. O artista até mesmo conta uma história engraçada sobre seu invento: certa vez, no Rio, vizinhos chamaram a polícia porque Palatnik ficava enfurnado numa garagem criando sabe-se lá o quê. O artista criou um Aparelho Cinecromático tão gigantesco, que foi necessário destruir as paredes do local para que a obra pudesse sair. Palatnik ri, mas sempre conta passagens de sua carreira com naturalidade. "Em algum texto, Mário Pedrosa escreveu: 'Os artistas revolucionários de nossos dias serão inventores, ou não o serão, mas inventores como os arcaicos, que, locados da ingenuidade das crianças, criam, destruindo seus brinquedos, e nutridos de pura imaginação, de si mesmos se esquecem, à eterna procura da pedra filosofal, nos equívocos alambiques onde ciência e magia hoje se confundem", afirma Frederico Morais.

É verdade que, hoje, as pinturas ou relevos progressivos, que Palatnik cria com ripas de madeira ou papel cartonado, têm sido uma recorrência maior nas exposições do artista e expressam uma questão fundamental para Palatnik, a da ordenação. "Minha função como artista é disciplinar o caos em nível da informação. As informações no universo estão geralmente ocultas, disfarçadas em meio à desordem. É necessário um mecanismo de percepção e da intuição para que estas se manifestem", afirmou o artista, em 1981, em entrevista a Morais.

Entretanto, seus Objetos Cinéticos, feitos com fórmica, ímãs e motores que giram pequenas peças coloridas, são tão emblemáticos de sua arte que não poderiam faltar em uma mostra panorâmica. Eles também, estão na galeria, dialogam com as criações pictóricas bidimensionais.

Posted by Cecília Bedê at 12:03 PM

Poder público não consegue perceber grandeza do Masp por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Poder público não consegue perceber grandeza do Masp

Materia de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 23 de outubro de 2012.

CURADOR DIZ QUE MUSEU ESTÁ ABANDONADO PELO EXECUTIVO FEDERAL; GOVERNO DO ESTADO ESTUDA AGORA PARCERIA COM A INSTITUIÇÃO

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) está abandonado pelos poderes públicos, especialmente o federal, afirma Teixeira Coelho, curador da instituição. "Não há no poder público uma disposição para perceber a grandeza do Masp", diz ele.

Com o mais importante acervo do hemisfério sul, o museu saiu da crise institucional, que culminou com o corte de eletricidade, em 2006, mas não tem fôlego para implementar exposições de artistas brasileiros contemporâneos que considera fundamentais.

Com a bilheteria e o apoio de R$ 1,2 milhão do governo municipal, o Masp obtém verba para se manter apenas por quatro dos 12 meses do ano -seu orçamento é de R$ 12 milhões. Os outros oito meses do ano dependem de doações e patrocínios.

Isso, para Coelho, representa a falta de política dos governos para instituições culturais.

Ele crítica também que, a dois anos da Copa, o governo federal não tenha dado início a um projeto cultural, nos moldes do que Londres organizou durante a Olimpíada.

"O Masp continua blindado. Como seu acervo é tombado, nós pedimos assento em seu conselho, junto com os governos estadual e municipal, mas eles não respondem. É preciso abrir sua administração e não ficar apenas pedindo dinheiro", disse à Folha José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao Ministério da Cultura.

Quanto à Copa, Nascimento Júnior diz que o governo elaborou um projeto de R$ 250 milhões, mas está buscando verba.

"A ministra Marta Suplicy encontrou-se com o ministro do Esporte [Aldo Rebelo] nessa semana para tratar disso."

Em suas críticas aos governos, Teixeira Coelho poupa Marcelo Araujo, o secretário de Cultura do Estado de São Paulo: "Tenho boas expectativas sobre sua gestão. Ele é uma pessoa da área, que sabe o que é necessário".

Araujo concorda que o Estado precisa dar apoio ao Masp. "Estamos realizando um processo de aproximação com o Masp para compor parcerias", afirma o secretário.

Para Coelho, parte das dificuldades enfrentadas pelo museu tem a ver com o preconceito em relação ao centralismo da gestão Júlio Neves (1994-2008), que extinguiu a figura do curador.

"Existe uma coisa chamada hábito cultural, que faz com que não se mude o modo de pensar uma coisa", diz.

Leia abaixo trechos da entrevista que o curador concedeu à Folha.

Folha - Estamos a dois anos de um megaevento na cidade, que é a Copa do Mundo. Em Londres, por conta da Olimpíada, a Tate inaugurou uma nova ala. O Masp pretende fazer algo?

Teixeira Coelho - Um dos primeiros eventos da Olimpíada de Londres de que tive conhecimento foi um concerto de música clássica que eu ouvi pelo rádio, meses antes de ela começar.
E foi um evento anunciado como parte da Olimpíada. Os ingleses cuidaram disso.
As pessoas vêm para as cidades ver dois ou três jogos de futebol, mas fazem também turismo. E buscam cultura.

Quais são os planos do governo brasileiro para a Copa?

Estamos a dois anos e nada foi programado.
Sozinho, o Masp não pode fazer mais do que já faz.

O Masp não foi procurado?

Nada. E eu não sou de ficar aqui sentado esperando. Quando busquei o governo para discutir caminhos de cooperação, me disseram: "Na semana que vem, agora não posso, agora vou viajar...". Se existe um Ministério da Cultura, são eles que deveriam nos procurar.

Então não existe uma política federal para as instituições culturais?

Não. Claro que se você falar com o Ibram, eles vão dizer que possuem uma política e o Masp precisa aderir ao sistema nacional de museus. Mas, se você trocar em miúdos, nós nunca fomos capazes de ver nada de concreto.

Mas e os editais que eles promovem?

São editais de valores baixos, que pouco representam para o Masp. Eu aprendi que é preciso tratar desigualmente os desiguais.
Isso não é tão antidemocrático como parece, pois significa tratar com mais intensidade os desprotegidos e com menos intensidade os mais favorecidos.
Isso significa também que determinadas instituições, por sua importância, precisam ser tratadas de forma adequada. Não se trata o Masp como um pequeno museu de memória do interior.

O atual governo tem priorizado o apoio a projetos do Norte e Nordeste. Você concorda com essa política?

Essa é uma questão importante de política cultural. Se você vai na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, lá existe ferragem. Na rua da Consolação, produtos de iluminação. O que quero dizer com isso?
Existe em cultura algo que diz respeito à concentração. Na universidade isso é chamado massa crítica.
Concentrando, você pode irradiar. No Brasil, antes de haver concentração, chega um monte de apressadinhos que querem descentralizar.
Isso foi um efeito perverso da Lei Rouanet. Desconcentrou, pulverizou, e as instituições foram rebaixadas a um nível de tábula rasa. Algumas privadas se fortaleceram, mas as públicas não.
Não foi só o Masp quem sofreu. O MAC também. O pensamento tem sido "o Masp que se vire sozinho, ele é elitista, tem boas obras". Mas ele não se vira sozinho. O Louvre ainda recebe 30% de verbas do Estado, se não me engano.

Quanto o Masp consegue de bilheteria?

É um grande tema. Da bilheteria, 66% não pagam nada: idosos e crianças. Em qualquer lugar avançado do mundo, idoso às vezes tem redução de 10%.
Assim, 33% dos que entram no Masp pagam alguma coisa, e o preço do ingresso está congelado há seis anos. Então, é quase nada.

O que isso representa de fato?

Com 800 mil visitantes por ano, a bilheteria paga cerca de dois meses de manutenção do museu.
Assim, a Prefeitura de São Paulo, que repassa por ano, por conta de um decreto, cerca de R$ 1,2 milhão, paga um mês e meio, dois meses de manutenção do museu.
E os quase oito meses, já que o orçamento do Masp está em R$ 12 milhões? Quem paga essa soma? A verba vem de doações e patrocínios.

Com as questões do passado recente do museu, como a centralização do ex-presidente Júlio Neves, você acha que o Masp sofre preconceito?

Sim. Existe uma coisa chamada hábito cultural, que faz com que não se mude o modo de pensar uma coisa.
Certas coisas grudam e vão ficar. Se todo mundo tivesse mente aberta, seria possível mudar de opinião a respeito das coisas. Eu sabia de tudo isso quando entrei no Masp.
Por que aceitei?
Ou você fica na arquibancada xingando o juiz, e eu cansei de xingar, ou pega a camisa e vai jogar.
Eu escrevi em vários lugares, inclusive na Folha, que o problema do Masp era que ele não tinha curador.
Possivelmente por isso fui convidado. E o que eu podia responder? Seria muito acadêmico não aceitar, eu não sou acadêmico a esse ponto.

Mas, se a elite intelectual ainda descrê do Masp, a população o torna ainda um dos museus mais visitados. É meio esquizofrênico, não?

Parafraseando um político famoso, o público do museu quer ver arte e não está interessando em questões que interessam a outros.

NA INTERNET
Leia a íntegra da entrevista com Teixeira Coelho
folha.com/no1173114

Posted by Cecília Bedê at 11:18 AM

outubro 22, 2012

Mostra de Cinema exibe 'Hélio Oiticica' por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Mostra de Cinema exibe 'Hélio Oiticica'

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 22 de outubro de 2012.

Premiado documentário sobre o artista carioca, realizado por seu sobrinho, recupera imagens históricas e inéditas

A velocidade frenética das imagens de Hélio Oiticica, dirigido por César Oiticica Filho, é proposital. Premiado no último Festival do Rio como melhor documentário, o filme, que integra agora a programação da 36.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, apresenta vida e obra intensa do artista. "Hélio viveu pouco tempo, promoveu várias revoluções em 30 anos de trajetória", diz o diretor. Hélio Oiticica (1937-1980) é retratado, assim, como em "delírio" - ou em "Delirium Ambulatorium", para usar uma expressão que o próprio artista cunhou.

O criador referencial do neoconcretismo brasileiro é retratado no documentário por meio de sua voz, com destaque para seus depoimentos registrados em cerca de 12 filmes super-8 que Hélio mesmo realizou. Grande parte desse material é inédito, resgatado do acervo particular do artista, em posse de sua família. Como conta César Oiticica Filho, de 44 anos, seu tio já fazia "quase cinema" com seus super-8 e fotografias - o mais conhecido é Agrippina É Roma-Manhattan, de 1972, sem dizer as projeções da série Cosmococa, criadas com o cineasta Neville D'Almeida.

Mas é importante ressaltar que mais do que usar os super-8 de Hélio, o documentário recupera filmes importantes dos anos 1960-70 - como Mangue Bangue, de Neville D'Almeida, Câncer, de Glauber Rocha, o achado "sobrenatural" de Mitos Vadios, e Uma Vez Flamengo, que tem a participação de Hélio; traz imagens de arquivos - de Carlos Vergara, Jards Macalé e Jean Manzon, por exemplo -, apresentando o criador brasileiro e sua época por meio de uma cuidadosa e premiada pesquisa realizada pelo carioca Antônio Venâncio. O filme também utiliza imagens aceleradas feitas pelo diretor, fotógrafo e sobrinho do artista retratado; e coloca uma trilha sonora que tem como auge a gravação especial da música You Don't Know Me, de Caetano Veloso, por Jards Macalé.

Curador da obra de Hélio Oiticica e artista da "quarta geração" em sua família - geração artística que tem também como destaques o poeta e anarquista José Oiticica e o fotógrafo José Oiticica Filho -, César Oiticica Filho, prefere dizer que o filme que realizou é mais uma obra experimental do que um documentário sobre criador dos parangolés e das instalações penetráveis que visava a "uma vivência total do espectador" em sua obra. "Queria apresentá-lo no Brasil de uma maneira íntima, por meio de um discurso próximo. Ele fala da desintelectualização de sua obra", afirma o diretor do filme. Como vemos no documentário, Hélio Oiticica queria que "tudo fosse reduzido ao mais banal" - e no trajeto de sua "desmistificação", há passagens, até polêmicas, que se referem à relação natural do artista com as drogas e o sexo. "Toda cultura brasileira é underground", diz Hélio em um depoimento espontâneo captado em super-8.

O conhecido curta-metragem H.O. (1979), de Ivan Cardoso, é fonte recorrente do novo documentário sobre Oiticica, mas o filme quer com sua edição frenética - feita com o montador Vinicius Nascimento - e pela própria criação de César Oiticica Filho "colocar o espectador no olho do artista" e transformar "a câmera" em "ator", diz o diretor. "Hélio é sol, é o fogo de Hendricks, que ele sempre cita, é explosivo", completa César. "O documentário tem uma lógica cronológica", afirma o diretor, mas é de certa forma fragmentado, concebido por blocos - infância e rua; neoconcretismo; samba; Londres; Nova York (com sexo e drogas e Cosmococa); a volta ao Rio; mitificação e desmistificação; e final. Até o incêndio ocorrido em 2009 na casa de César Oiticica (pai do diretor do documentário), no Rio, residência que abrigava obras do artista plástico, é mencionado de uma maneira "positiva", como define o documentarista, ou discreta, poder-se-ia dizer - imagens deterioradas são colocadas no filme, entre elas, o registro de um homem que usa um parangolé no metrô de Nova York. Por enquanto, o premiado documentário não tem um distribuidor comercial, mas César Oiticica Filho está bem otimista quanto à participação de sua obra no próximo Festival de Cinema de Berlim.

HÉLIO OITICICA
Cinesesc – Nesta segunda-feira, 22, às 14 h
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca – Dia 29, às 13 h

Posted by Cecília Bedê at 5:20 PM