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janeiro 15, 2019

Angela Detanico & Rafael Lain no Porto Seguro, São Paulo

Dupla Detanico Lain apresenta mostra inédita no Espaço Cultural Porto Seguro: Casal de artistas toma a linguagem como objeto e muitas vezes como tema para a criação de seus trabalhos; mostra Meteorológica tem curadoria de Rodrigo Villela e estabelece íntimo diálogo com o espaço expositivo situado no centro de São Paulo

Tomar o mundo trabalhando a partir dos próprios códigos de percepção e compreensão. Apropriar-se dos códigos e linguagens que nos cercam e deslocá-los, até mesmo subvertê-los, atribuindo a eles novas camadas de significados. Escrever sua história de um modo um tanto particular, exigindo do outro um certo estranhamento, um instante de suspensão para compreendê-la e interpretá-la. Essas são algumas das características do trabalho da dupla Angela Detanico e Rafael Lain, artistas que adotam a linguagem como tema e objeto de sua obra. A partir de 19 de janeiro de 2019, o casal apresenta Meteorológica, mostra realizada no Espaço Cultural Porto Seguro, em São Paulo.

Com curadoria de Rodrigo Villela, a exposição apresenta ao público paulistano um conjunto de 14 trabalhos, a maior parte deles instalações inéditas, criadas a partir das mais variadas linguagens artísticas. Vídeos, textos, animações, objetos, esculturas e instalações se combinam, levando o visitante a refletir não apenas sobre temas diversos, mas sobre o processo mesmo de reflexão e constituição do conhecimento.

"Dotados de um formalismo rigoroso, a dupla Detanico Lain parte de uma pesquisa de representação para a criação de uma linguagem ao mesmo tempo rica de significados e repleta de poesia", afirma o curador. "Nesta exposição, muitos dos trabalhos dialogam diretamente com o nosso espaço. O percurso, por si só, possui uma narrativa própria. A mostra ganha corpo e reverbera na dimensão do aqui e agora", completa.

Em uma área do Espaço Cultural Porto Seguro que é ao mesmo tempo interna e externa, um trabalho site-specific já enuncia a mostra da dupla e instiga a curiosidade de quem passa pela rua. No corredor envidraçado e panorâmico que conecta dois dos pavimentos do centro cultural, colunas de larguras diversas em vinil preto sucedem umas às outras. A alternância entre transparência e opacidade traz ritmo à entrada da luz no espaço e também entre o dentro e o fora. As faixas de diferentes larguras são na verdade um alfabeto criado pelos artistas e apresentam ao público o título da exposição: Meteorológica.

"O nome da mostra vem de um tratado homônimo de Aristóteles, em que o filósofo grego fala das coisas físicas do mundo natural. São teorias criadas pela observação e descrição dos fenômenos físicos, materiais, do planeta. Essa é uma ideia que permeia toda a exposição", afirma Angela Detanico. "Nós tentamos criar nessa mostra um microcosmo. Nesse sentido, fazemos referência também ao Japão, adotando uma concepção japonesa do jardim, marcado por um espaço reduzido, mas que evoca a paisagem das montanhas, dos mares, do oceano", completa Rafael Lain.

Logo na entrada principal do espaço expositivo, sobre uma parede inclinada, a projeção de Cachoeira do céu (2018), vídeo que parte do procedimento de "alongar" verticalmente os pixels de uma fotografia digital do céu, desenhando sobre o suporte uma cachoeira de luz. Em seguida, o visitante se depara com Da luz ao paraíso (2018), escultura em aço patinável que traz um percurso gráfico entre os dois bairros paulistanos, configurado conforme sua topografia e seguindo um trajeto afetivo, opção de caminhada dos dois artistas, que já viveram em São Paulo, por lugares de que gostam ou guardam na memória. À frente, Analema (2015) poema escrito na forma de um calendário infinito, em que cada letra corresponde a um dos 365 dias do ano. O percurso da escrita na parede remete à figura que simboliza o infinito.

Na mesma sala, Ulysses (2017), uma animação construída com o texto do romance homônimo de James Joyce. As palavras se combinam e dão forma a uma silhueta humana, que parece caminhar, apesar de estar fixa em um ponto único. A história avança a cada passo do personagem - a sequência de passos revelando a sequência de frases. Uma jornada tal qual a de Leopold Bloom, protagonista do autor irlandês, que ao longo de 18 horas transita pelas ruas de Dublin de 1904.

No mezanino, Nuvens de são paulo (2018), vídeo projetado em uma das paredes que traz um poema de Memórias sentimentais de João Miramar, romance marco do modernismo brasileiro, obra-prima de autoria de Oswald de Andrade. Com diferentes graus de desfoque, as palavras flutuam no ar e e aos poucos esvanecem.

Ao seu lado, 28 luas (2014), vídeo de 28 minutos que traz o ciclo de 28 dias da lua formado por frases do livro Sidereus nuncius, livro do século XVII, de Galileu Galilei. A obra é considerada o primeiro tratado científico baseado em observações astronômicas realizadas com um telescópio, com uma descrição minuciosa da superfície da lua. As frases aparecem e desaparecem em um movimento de foco e desfoco, que recria a experiência da observação de um corpo celeste através de uma luneta.

Sob os céus, o mar. Formada com minúsculos grãos de sal, a instalação Onda (2010) apresenta a própria palavra que lhe dá título por meio de um alfabeto criado pela dupla. De forma metalinguística, a nova linguagem é caracterizada por ondas de diferentes comprimentos. No sistema inventado pelos artistas, a letra A, por exemplo, é uma onda curta, um pequeno suspiro. Já a letra Z, no fim do alfabeto, é uma onda larga, mais longilínea. No caso da obra, quatro curvas concretizam a palavra onda.

No subsolo do Espaço Cultural Porto Seguro, o visitante se depara com Quadrado branco, traduções visuais e em movimento de três poemas do japonês Kitasono Katue, um dos mais importantes poetas de vanguarda do Japão – Espaço monótono, Un autre poème e Gestalt do branco.

Mares da lua (2018) é uma videoinstalação em que os nomes como Mar da Tranquilidade, Mar da Chuva, Mar das Ilhas, e assim por diante, são projetados sobre o chão. Os termos designam planícies basálticas que, vistas da terra, formam manchas escuras na superfície da lua – onde, por algum tempo, pensou-se que houvesse água. Como gotas, pequenos feixes de luz mancham o piso em círculos de pedriscos brancos, que enunciam cada um dos "mares", pouco a pouco, quase como um sussurro, ao mesmo tempo em que remetem aos jardins japoneses da tradição zen budista.

Pintura mural sobre um fundo preto, Alguma coisa está fora da ordem (2018) traz a frase que dá título à obra escrita segundo o sistema "timezonetype". Criado em 1802 pelo astrônomo e físico norte-americano Nathaniel Bowditch, o sistema associa uma letra do alfabeto a cada uma das 24 divisões de fuso horário do globo. Na obra, o resultado é um novo mapa-múndi, mescla de familiaridade e estranhamento com a representação cartográfica do planeta Terra.

Não por acaso, logo ao lado, Ruído branco (2007), vídeo apresentado por Detanico Lain na Bienal de Veneza. A obra toma uma imagem fotográfica feita por satélite da floresta amazônica, que vai sendo apagada gradualmente. Aos poucos, a mata é tomada por pontos brancos, até desaparecer, ao mesmo tempo em que o aumenta o "ruído branco" da instalação – termo usado para designar sons que o ouvido humano não consegue distinguir como portadores de algum significado, ou cuja fonte não pode ser identificada.

Na última sala da exposição são apresentados os principais registros documentais da produção da dupla: vídeos especialmente desenvolvidos para a exposição e catálogos das principais exposições mundo afora, que acabam por dar a dimensão do trabalho, explorando as relações artísticas do casal com o Brasil.

Por fim, já no pátio externo, duas obras: Percurso (2018), escultura metálica construída mais uma vez por um dos códigos concebidos pela dupla. A palavra que a intitula ganha forma a partir de um sistema de equivalência entre barras metálicas e a ordem alfabética. Na fachada do prédio, Entre o ontem e o amanhã (2018) uma grande instalação de neon que chama a atenção para seu traçado irregular: é o registro gráfico, tridimensionalizado pela dupla, da linha de fuso horário que determina a mudança de data no calendário, passando de um determinado dia para o seguinte. No mesmo mundo, na mesma hora, nesta linha imaginária é possível que o ontem conviva com o amanhã.

Para Rodrigo Villela, curador da mostra, "a poética da dupla se dá tanto pela abordagem frontal como pelas temáticas contundentes – ao tratar de questões universais de maneira tão peculiar, os artistas transformam conceitos muitas vezes eruditos em obras de uma força visual potente, que dialogam com diferentes tempos, geografias, histórias e literaturas. Vem daí muito da força e do interesse que despertam", aponta.

SOBRE A DUPLA

Angela Detanico e Rafael Lain trabalham juntos desde 1996. Semiologista e designer gráfico, nascidos respectivamente em 1974 e 1973, em Caxias do Sul (RS), moram e atuam em Paris. Seus trabalhos, em grande parte conceituais, mesclam gráficos, textos, sons e vídeos, quase sempre imbuídos de referências científicas, matemáticas e literárias.

"A gente só diz que um trabalho acontece quando os dois se apropriam muito de determinado processo, e isso passa por diálogos e discussões muito intensos. É uma pesquisa que nasce da curiosidade pelo mundo. Pesquisamos para tentar dar conta do mundo em que a gente vive por meio da arte", afirma Detanico. "Mesmo que seja uma prática artística, o percurso é realmente filosófico", completa Lain.

Em 2002, a dupla participou de uma residência artística na capital francesa, no Palais de Tokyo. Dois anos depois, venceu o Nam June Paik, um dos mais prestigiados prêmios internacionais. No mesmo ano, em 2004, Angela e Rafael participam da Bienal de São Paulo, feito que se repete nas duas edições seguintes, em 2006 e 2008. Nesse meio tempo, em 2007, representaram o Brasil na 52ª Bienal de Arte de Veneza.

Ainda em Paris, a dupla deu início a um projeto de colaboração com dois coreógrafos de Quioto, o que rendeu ao casal algumas temporadas no Japão, e, consequentemente, a participação em bienais e exposições pelo país asiático, dotando-os de certa intimidade com a cultura japonesa, algo hoje refletido em sua produção e, mais especificamente, na mostra Meteorológica.

"A exposição começou a ganhar forma depois de nossa visita ao espaço. Os desníveis, que para muitos poderiam soar como um desafio, nos permitiram diferentes pontos de vistas e sugeriram uma topografia para a ideia que tínhamos em mente, a de construção de uma paisagem artificial, da racionalização do ambiente natural, tal qual um jardim japonês", afirma Lain.

No Brasil, o casal já participou de uma série de exposições coletivas, a exemplo de Ready Made in Brasil (2017), no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo; e Manifesto Gráfico (2017), no próprio Espaço Cultural Porto Seguro. Entre as individuais, uma série delas na Galeria Vermelho, que os representa; e Alfabeto Infinito (2013), realizada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

Publicado por Patricia Canetti às 1:38 PM


janeiro 11, 2019

Palavras Somam no MAB FAAP, São Paulo

Mostra abre ao público em 17 de janeiro, com obras do acervo do museu e de artistas convidados, em uma homenagem à arte e à resistência dos artistas no exercício de sua liberdade e força política

O MAB FAAP joga luz sobre a presença e a potência da palavra nas artes visuais com a exposição de longa duração Palavras Somam, que inaugura a programação de 2019. A partir do dia 17 de janeiro, o público poderá conferir cerca de 80 obras que compõem o acervo do museu, além de produções de artistas contemporâneos convidados.

Ainda dentro da proposta curatorial, haverá um núcleo temporário que contará com obras de artistas que irão se revezar ao longo do ano, como forma de incentivar as discussões, as relações e a dinâmica entre as obras. Walmor Corrêa e Beth Moysés, no primeiro semestre, apresentam trabalhos que subvertem a dor de mulheres que sofreram algum tipo de violência e transformaram o sentimento em arte; Regina Parra e Rosana Paulino, no segundo semestre, expõem obras que discutem o lugar da mulher na sociedade.

A exposição tem curadoria de Laura Suzana Rodríguez e retrata um amplo período da história da arte brasileira - desde a década de 1940 até os dias atuais. "A palavra sempre está presente na obra, mesmo que seja no título, para somar outros sentidos e possibilitar outras leituras", explica a curadora. Isso pode ocorrer também a partir de uma interferência poética, na crítica ferrenha ao status quo, na criação de uma grafia própria e indecifrável que instiga o observador ou nos textos que ampliam o sentido da obra.

"A palavra é usada também como forma de registrar a presença dessas obras na coleção. As obras penduradas em painéis de acrílico têm a função de exibir o seu verso com as inscrições originais feitas pelo artista que codificam as informações sobre a obra", explica Laura.

Arte Postal

No conjunto de obras do acervo apresentadas na exposição haverá ainda um núcleo de arte postal das décadas de 1970 e 1980 de artistas atuantes durante a ditadura, além de obras mais recentes puramente textuais ou nas quais a linguagem e a comunicação são parte fundamental no processo artístico.

Grande parte dos trabalhos expostos foram enviados (por correio) ou doados pelos artistas ao MAB FAAP por ocasião da exposição Arte Novos Meios/Multimeios - Brasil 70/80, realizada em 1985 pela curadora e docente Daisy Peccinini.

Também chamada de Mail Art ou Arte Correio, a prática artística internacional ganhou projeção entre as décadas de 1970 e 1980 no Brasil, quando diversos artistas passaram a se valer dos correios e outros sistemas de circulação em seus trabalhos. "Enviadas para todo o mundo, por vezes ganhando intervenções a cada novo destinatário e por outras retornando ao seu próprio remetente, as obras criaram uma rede comunicativa de informações e afetos entre seus autores", finaliza a curadora.

Gratuita, a exposição fica em cartaz até 15 de dezembro de 2019.

Publicado por Patricia Canetti às 10:13 AM


janeiro 10, 2019

Leila Danziger na Caixa Cultural, São Paulo

A exposição individual Navio de Emigrantes de Leila Danziger, em cartaz na Caixa Cultural São Paulo de 15 de janeiro a 31 de março de 2019, com curadoria de Raphael Fonseca e produção de Anderson Eleotério, convida o visitante a uma experiência expandida do espaço do arquivo e tem como ponto de partida memórias da família da artista, ampliando-se na construção de narrativas da memória coletiva e reconfigurações geopolíticas.

A mostra reúne duas grandes séries, intituladas “Navio de Emigrantes” e “Mediterrâneo”. A primeira série parte das listas de passageiros de quatro navios que chegaram ao porto do Rio de Janeiro entre 1935 e 1939, trazendo refugiados do nazismo. O levantamento dos documentos foi desencadeado por lembranças afetivas da artista (o pai e avós de Leila escaparam da Alemanha nazista a bordo do navio Aurigny). A segunda série parte de material encontrado na internet acerca daqueles que nos últimos anos tentam fugir do Oriente Médio e da África, atravessando o Mar Mediterrâneo.

“A pintura ‘Navio de Emigrantes’, de Lasar Segall (c. 1939/41, óleo s/ tela, 230 x 275 cm) que retrata a viagem de famílias ou solitários fugindo, num navio, da guerra, fome e miséria de sua terra natal, é crucial neste projeto”, destaca Raphael Fonseca. “A obra, uma das referências do modernismo, orienta os dois eixos da exposição: um que diz respeito à sobrevivência, o início de uma nova vida em um novo país; e o outro à incerteza, uma vez que os refugiados retratados na pintura encontraram um navio, mas não sabemos se encontrarão um porto”, explica o curador.

Em torno desses eixos, são apresentadas séries de imagens realizadas a partir de operações de apropriação, transferência, deslocamento e ressignificação dos documentos. Segundo a artista, “na exposição busquei construir uma cartografia sensível, a partir da memória dos sobreviventes, assim como, dos vestígios dos náufragos e desaparecidos”.

“Ao se apropriar, deslocar e ressignificar imagens e textos oriundos de arquivos de história, da história da arte e da mídia em geral, a exposição contribui decisivamente para a elaboração de novas narrativas históricas, baseadas em horizontes locais, mas pensadas a partir da nova configuração geopolítica internacional”, avalia o curador.

Apresentando a produção mais recente de Leila Danziger, em diálogo com a obra de Lasar Segall, a mostra "Navio de Emigrantes" atesta a atualidade do artista (falecido em agosto de 1957), evidenciando e rendendo homenagem aos 60 anos de sua morte. Em seu processo de trabalho, Leila desenvolve ações de inscrição e apagamento, tendo a página impressa e o documento histórico no centro de sua produção artística, orientada pela interface entre arte e história desde a década de 1990. Com 25 anos de produção ininterrupta, a artista assume a escrita da história, consciente de que esta tarefa não cabe apenas ao historiador, mas também ao artista.

"Navio de Emigrantes", ao propor o cruzamento entre presente e passado, reforça a dimensão histórica dos fatos recentes e contribui para que o visitante seja especialmente sensibilizado para uma importante reflexão sobre as políticas da memória na contemporaneidade e contribui para o conhecimento da história da arte no Brasil.

Com patrocínio integral da Caixa e produção da Adupla Produção Cultural, a exposição apresenta um conjunto inédito de obras gráficas e vídeos construindo uma narrativa visual em que imagem e palavra (escrita e sonora) problematizam-se mutuamente. A exposição conta também com duas gravuras da série “Emigrantes” de Lasar Segall, reimpressas pelo Museu Lasar Segall, São Paulo, reforçando o diálogo da artista com a obra do modernista lituano-brasileiro.

SOBRE A ARTISTA

Leila Danziger – Artista visual, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisadora do CNPq. Graduou-se em Artes pelo Institut d’Arts Visuels, Orléans, França. Doutora em História, PUC-Rio, com pós-doutorado na Bezalel Academy of Arts and Design Jerusalém, Israel. Ultimas mostras: “Ao sul do futuro” (individual), Museu Lasar Segall, São Paulo (2018); “Hiatus”, Memorial da Resistência, São Paulo (2017); “Livres uniks, Topographie de l’art”, Paris (2017); “Mémoire des livres”, Galerie Dix9, Paris (2016); “ComPosições Políticas”, Centro de Arte Hélio Oiticica, RJ (2016); “Asas a raízes”, CAIXA Cultural Rio de Janeiro (2015); “Há escolas que são gaiolas e há escolas são asas”, MAR, RJ (2014); “O que desaparece, o que resiste” (individual), Funarte BH (2014).

Publicado por Patricia Canetti às 4:24 PM


Celina Portella na Caixa Cultural, São Paulo

A Caixa Cultural São Paulo inaugura na terça-feira, dia 15 de janeiro de 2019, às 19 horas, a mostra individual Reunião – Celina Portella. A mostra com patrocínio integral da Caixa, tem curadoria de Daniela Labra e apresenta uma seleção de vídeos e fotografias dos últimos 10 anos da artista, evidenciando a forma original e inusitada como ela vem operando no ambíguo campo chamado multimídia.

Dentre o conjunto de obras que serão apresentadas, destacamos a videoinstalação “Derrube” (2009), em que Celina interage com seu duplo em escala real e o tríptico de vídeos “Deságua” (2014). A série “Quadros Cortados” (2015), com fotografias do corpo emolduradas em formatos irregulares, por sua vez, adentra o campo da escultura. Já nas fotografias da série “Dobras” (2017), cujo tema, entre outras coisas, aborda as articulações do corpo, a artista estabelece relações formais com o espaço expositivo, tomando partido da arquitetura da sala para sua instalação. Na série “Puxa” (2015–2016), Celina também extrapola o campo visual da moldura ou o limite visual determinado por ela, criando tensão entre as cordas representadas nas fotografias e aquelas que, de fato, ocupam o espaço real e se conectam materialmente ao espaço. Na foto-instalação “Fotonovela da opressão” (2018), Celina parte da experimentação e interação entre pintura e imagem para criar uma narrativa com seis fotografias em que sua retórica corporal parece reagir ao avanço da tinta sobre o vidro dos quadros.

Segundo Daniela Labra, Celina cria roteiros para o corpo nos espaços e tempos inventados por si mesma, procedimento relacionado ao âmbito da dança, meio por onde ainda transita. Para a curadora, as ideias da artista se materializam nas galerias de arte e museus numa pesquisa híbrida, sendo esta exposição uma grande oportunidade para adentrarmos em seu universo de diversas narrativas ficcionais feitas de imagem, movimento, objetualidade, gesto e performance.

“Embora as maiores referências da Celina venham de situações observadas na rua e da vivência coreográfica, sua pesquisa se aproxima à de artistas conceituais e performáticos como Bruce Nauman e Dan Graham, que experimentaram o esgarçamento e sobreposição do tempo e imagem na vídeoarte dos anos 1960-70”, escreve Daniela Labra em texto de apresentação da mostra.

SOBRE A ARTISTA

Celina permeia o universo das artes plásticas e da dança, estabelecendo diálogos entre arquitetura, cinema, performance e ultimamente escultura. Utilizando frequentemente o próprio corpo como objeto de experimentações, caracteriza sua pesquisa nos campos da representação do corpo e sua relação com o espaço. A artista combina práticas quase artesanais em vídeos e fotografias que desafiam características de cada suporte e a percepção por parte do observador.

Recebeu indicação aos prêmios ICCO/SP-Arte 2016; EFG Bank & Art-Nexus, na SP-Arte 2015 e Pipa 2013 e 2017. Foi premiada na XX Bienal Internacional de Artes Visuales de Santa Cruz, na Bolívia, em 2016, e no II Concurso de Videoarte da Fundaj, em Recife, 2008. Foi contemplada pela Bolsa do Programa de Estímulo à Criação SEC + Faperj, em 2016; pelo I Programa de Fomento a Cultura Carioca, 2013 e com a Bolsa de Apoio a Criação da SEC/RJ, 2012. Participou das residências artísticas Bag Factory Artists’ Studios em Joanesburgo, Centre Récollets em Paris, LABMIS em São Paulo, entre outras.

De participações em mostras coletivas, destacam-se a Frestas Trienal de Artes, no Sesc Sorocaba, 2017; III Mostra do Programa de Exposições CCSP, 2012 e Nova arte nova, no CCBB-RJ e SP, 2009. Como bailarina e cocriadora trabalhou com os coreógrafos Lia Rodrigues e João Saldanha.

Celina é carioca e vive atualmente em São Paulo. Estudou design na PUC-Rio e se formou em artes plásticas na Université Paris VIII.

Publicado por Patricia Canetti às 4:20 PM


dezembro 26, 2018

10º Salão dos Artistas sem Galeria na Zipper + Sancovsky, São Paulo

10º Salão dos Artistas sem Galeria exibe obras dos 10 selecionados nas Galerias Zipper e Sancovsky

A 10ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo impresso e portal Mapa das Artes (www.mapadasartes.com.br), realiza, a partir de 15/01/2019 (Zipper Galeria) e 17/01/2019 (Galeria Sancovsky) as duas exposições simultâneas com obras dos 10 artistas selecionados em diferentes técnicas e formatos, como pinturas, instalações, vídeos, colagens e fotografias.

Participam obras de Adriana Amaral (SP), Aline Moreno (SP), André Souza (BA), Carol Peso (MG), Coletivo Lâmina (Gabriela De Laurentiis e João Mascaro; SP), Edu Silva (SP), Fernanda Zgouridi (PR/SP), Iago Gouvêa (MG), Stella Margarita (Uruguai/RJ) e Xikão Xikão (MG). Os artistas foram escolhidos pelo júri formado por Andrés Inocente Martín Hernández (curador e diretor do espaço Subsolo - Laboratório de Arte, em Campinas), José Armando Pereira da Silva (jornalista, escritor, pesquisador e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte) e Luciana Nemes (educadora, produtora e coordenadora do Museu da Energia de São Paulo). Depois de serem exibidas em São Paulo, a mostra segue para a Galeria Orlando Lemos, em Nova Lima (MG), entre 16/3 e 18/4/19.

A 10ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria recebeu 299 inscrições provenientes de 13 Estados mais o Distrito Federal. São Paulo compareceu com 179 artistas, sendo 138 da capital, 34 do interior, 6 da Grande São Paulo e um do litoral. Rio de Janeiro enviou 59 inscrições (47 da capital e 12 de Niterói e interior do Estado). Em seguida, vieram Minas Gerais (16 inscrições, 15 de BH e uma do interior), Goiás (12, sendo oito de Goiânia), Rio Grande do Sul (nove, sendo seis de Porto Alegre), Paraná (oito, todas de Curitiba), Santa Catarina (quatro, sendo dois de Florianópolis), Distrito Federal (três), Bahia (dois, sendo um de Salvador), Pernambuco (dois de Recife), Espírito Santo, dois, sendo um de Vitória), Ceará (um de Fortaleza), Piauí (um de Teresina) e Mato Grosso do Sul (um de Campo Grande).

O Salão dos Artistas Sem Galeria tem como objetivo avaliar, exibir, documentar e divulgar a produção de artistas plásticos que não tenham contratos verbais ou formais (representação) com qualquer galeria de arte na cidade de São Paulo. O Salão tradicionalmente abre o calendário de artes em São Paulo e é uma porta de entrada para os artistas selecionados no mundo das artes.

Publicado por Patricia Canetti às 11:13 AM