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março 18, 2020

Nara Roesler na Art Basel Hong Kong

Para o Online Viewing Room da Art Basel Hong Kong 2020 (clique e role a página), a Galeria Nara Roesler tem o prazer de apresentar uma seleção de obras dos artistas históricos Abraham Palatnik, Tomie Ohtake e Antonio Dias, ao lado de obras dos artistas contemporâneos Vik Muniz e Artur Lescher. A apresentação irá explorar a maneiras com as quais a herança cultural estrangeira foi capaz de moldar práticas de artistas brasileiros e de influenciar a trajetória geral da arte brasileira.

Começando com peças históricas do artista brasileiro de ascendência ucraniana Abraham Palatnik, da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake e de Antonio Dias, que passou anos em viagens pela Itália, França e Nepal, a exposição online procurará destacar como cada um respondeu e canalizou a diversidade cultural. Tendo sido expostos ao Construtivismo Russo, Xinto-budismo e Arte Povera, respectivamente, tais artistas entrelaçaram esses manifestos conceituais em suas práticas fundamentalmente brasileiras.

Já Vik Muniz e Artur Lescher aparecem como exemplos de artistas contemporâneos que compartilham de preocupações semelhantes - frequentemente em diálogo com movimentos históricos dentro de uma estrutura brasileira -, sugerindo um segmento único que possa ligar artistas históricos e contemporâneos em suas abordagens e experiências de uma natureza multifacetada da herança brasileira.

Para acessar as salas de visualização on-line, crie um perfil de usuário da Art Basel.

Para ver nosso preview, clique aqui.

Publicado por Patricia Canetti às 1:06 PM


Fortes D’Aloia & Gabriel na Art Basel Hong Kong

A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de participar do primeiro "online viewing room" da Art Basel Hong Kong (clique e role a página).

Obras de arte podem funcionar como um portal para outra dimensão.
Podem refletir a realidade, mas também abrir janelas para aspectos diversos da realidade.
De esculturas reflexivas singulares a paisagens imaginativas, as obras selecionadas são um convite para uma viagem.

Nossa seleção reúne trabalhos de: Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Jac Leirner, Janaina Tschape, Leda Catunda, Luiz Zerbini, Rodrigo Matheus e Sergej Jensen.

Para acessar as salas de visualização on-line, crie um perfil de usuário da Art Basel.

Publicado por Patricia Canetti às 12:17 PM


março 13, 2020

COMUNICADO IMPORTANTE: Fechamentos e adiamentos em função da pandemia de Covid-19

Conforme formos recebendo os comunicados, este post será atualizado com as informações sobre eventos adiados e locais fechados temporariamente.

Eventos adiados e cancelados

34ª Bienal de São Paulo é adiada para 3 de outubro de 2020 - ler comunicado
Auditório Ibirapuera - todos os eventos cancelados
Campo Expandido, de Luiz Zerbini, no Oi Futuro, Rio de Janeiro
Escombros, peles, resíduos, de Jeane Terra, na Simone Cadinelli, Rio de Janeiro
Marcius Galan e Muntadas na Luisa Strina, São Paulo
SP-Arte 2020 é suspensa - ler comunicado oficial

Locais temporariamente fechados e/ou com alterações no atendimento

O governo do Estado do Rio de Janeiro decretou o fechamento de teatros, cinemas, museus e casas de show e outros espaços culturais onde haja aglomeração de pessoas por 15 dias, a partir desta sexta-feira, 13/03.

O governo do Estado de São Paulo anunciou em 15/03 o fechamento de museus, bibliotecas e centros culturais a partir de terça-feira (17) por 30 dias.

ESPÍRITO SANTO

Matias Brotas Arte Contemporânea - trabalho remoto, com visita mediante agendamento

MINAS GERAIS

IMS Poços - funciona também com restrição de acesso de público (até 50 pessoas por ambiente ao mesmo tempo)

PARANÁ

Galeria Ybakatu - trabalho remoto, com visita mediante agendamento

RIO DE JANEIRO

A Gentil Carioca - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Anita Schwartz Galeria de Arte - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Carpintaria - fechamento temporário mas conectados no modo usual, via email, celulares e redes sociais
EAV Parque Lage - suspensão temporária das atividades: acompanhe aqui
Galeria Athena - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Mercedes Viegas - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
IMS Rio - fechamento por prazo indeterminado
Instituto Casa Roberto Marinho - fechado por tempo indeterminado
Lurixs Arte Contemporânea - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
MAM Rio - fechado por tempo indeterminado
Silvia Cintra + Box4 - trabalho remoto, com visita mediante agendamento

SÃO PAULO

Carbono Galeria - fechada por tempo indeterminado
Casa Triângulo - fechada por tempo indeterminado
CCSP - programação cancelada por tempo indeterminado
FAMA Museu - fechado por tempo indeterminado
Fortes D'Aloia & Gabriel - fechamento temporário mas conectados no modo usual, via email, celulares e redes sociais
Galeria Estação - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Jaqueline Martins - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Leme - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Luisa Strina - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Marcelo Guarnieri São Paulo e Ribeirão Preto - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Marilia Razuk - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Nara Roesler - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Galeria Vermelho - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
IMS Paulista funciona em horário normal durante o fim de semana, com restrição de acesso de público (até 50 pessoas por ambiente ao mesmo tempo), válida também para o restaurante Balaio. Todas as sessões de cinema estão canceladas.
Instituto Itaú Cultural - fechamento a partir de 17/03, acompanhe a produção de podcasts, cursos de EAD e vídeos no site e redes sociais
Instituto Tomie Ohtake - fechado por tempo indeterminado
Janaina Torres Galeria - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
Luciana Brito Galeria - trabalho remoto, com visita mediante agendamento
MAB FAAP e Teatro FAAP - fechado por 30 dias a partir do dia 17/03
MASP - fechamento a partir de 17/03
Paço das Artes - fechado por 30 dias a partir do dia 17/03
Zipper Galeria - trabalho remoto, com visita mediante agendamento

Publicado por Patricia Canetti às 2:57 PM


Ricardo Siri na Janaina Torres, São Paulo

Organismo: sopro e expressão, na individual de Ricardo Siri. Artista sonoro e visual transforma impasse e imobilidade contemporâneos em obras de expressividade radical

Hélio Oiticica queria que a obra de arte nascesse “apenas de um toque na matéria”, a partir de um sopro que a transforma em expressão – “um sopro interior, de plenitude cósmica”.

A plenos pulmões se manifesta a produção recente de Ricardo Siri, artista carioca que inaugura a individual "Organismo", dia 19 de março, na Janaina Torres Galeria, em São Paulo.

Matéria e expressão ganham, com a mostra, uma plenitude inaudita no trabalho do artista. Nas obras de Organismo – esculturas, assemblages e um “ninho habitável”, feito de galhos de árvore, barro e som -, ecoam os gestos e registros do viver e do fazer artístico de Siri, em consonância e tensão com o momento da arte e do mundo atual. Siri sintetiza, em Organismo, uma trajetória singular na arte contemporânea brasileira. Artista sonoro e visual, cujo trabalho transita entre a escultura, performance, instalação, fotografia e vídeo, sua produção estética incorpora uma atuação premiada no universo musical, com cinco CDs lançados e trabalhos com nomes como Sivuca, Hermeto Pascoal e Roberto Menescal.

A partir do habitat, uma casa/ateliê em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, Siri se depara com o seu ambiente: folhagens, instrumentos, galinhas, abelhas, barro, ruídos, pássaros, o depósito, o jardim.

Percebe à sua volta, para além da matéria, a conexão “cósmica” com o universo e a urgência do agora; e produz obras como War, uma colmeia/tela na qual a solda do artista molda um mapa-múndi em cera queimada, criando um alerta de pertinência reveladora.

Já em Música Concreta, duas metades de um trompete são unidas, ou separadas, por um bloco de concreto. Em Música Barroca, é o barro que une/divide o instrumento musical. Em ambos os casos, o fluxo sonoro interrompido pela matéria gera outro, imaterial.

Em Colmeia, aglutina trompetes e trompas, que executam uma sinfonia a partir do silêncio e produzem timbres imaginados, que pairam no ar. O mesmo efeito, em que ultrapassa a fronteira do plástico e do sonoro, Siri obtém em Casulo 2, obra feita a partir da junção de uma concha do mar (da qual, como os polinésios, extrai sonoridade em suas performances) e a extremidade de um trompete.

Siri confere, assim, voz e potência a materiais como barro, conchas ou a cera de abelhas que, não por acaso, são registros da fratura, se não do colapso, do modelo insustentável de desenvolvimento atual.

Organismo apresenta um todo, composto de paradoxos e opostos comunicantes: som e silêncio; lar e universo; matéria e manifesto; cultura e natureza; aconchego e desconforto; o eu e o outro. Elementos e experiências que, certamente, encontram-se diante do impasse e da imobilidade contemporâneos, que o toque de Siri transforma em expressividade radical.

Sobre Ricardo Siri

Nasceu em 1974, no Rio de Janeiro (RJ), onde vive e trabalha. Percussionista por formação, graduou-se pela Los Angeles Music Academy, nos Estados Unidos, e aprofundou seus estudos de percussão indiana e africana na Sangeet World Music School (Pasadena/CA). Em 2011, é convidado pelo Comitê Olímpico de Londres para residir e produzir trabalhos no projeto Olímpico – Rio London Ocupation no Battersea Art Center, em Londres. Em 2013, foi convidado para a residência artística na Cité International des Arts, em Paris (França).

Realizou as individuais “Interfaces” (Galeria Portas Vilaseca, RJ 2019), “Habitáveis” (Centro Municipal Helio Oiticica, RJ, 2017), “Escalas Variáveis” (Galeria Mezanino, 2016), “Oroboro” (Espaço Movimento Contemporâneo Brasileiro, RJ) e “Distorções”, (Galeria Amarelo Negro, 2010). Entre as coletivas, destacam-se “Canção Enigmática” (MAM, RJ, 2019), “Monument in miniatura” (Nova York, 2018), “Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras” (Museu Bispo do Rosário, RJ, 2016); “Je Ma pele Siri” (Casa França Brasil, RJ, 2014); “Paisagem Sonora” (Casa Daros, RJ, 2014); “Liana Ampliathum” (Parque Lage, RJ, 2014); “Blank Page” (Victoria and Albert Museum, Londres, 2012). Realizou performances sonoras na “Nuit de la Philosophie” (UNESCO, Paris, 2018); Portikus (Frankfurt, 2013), NBK-Gallery (Berlim, 2013) e Museu Marino Marini (Florença, Itália, 2013), entre outras.

Publicado por Patricia Canetti às 12:46 PM


Histórias da dança: Hélio Oiticica no Masp, São Paulo

Exposição abre o ciclo Histórias da Dança e apresenta relação entre a produção do artista carioca e a dança, a música, o ritmo e a cultura popular brasileira

No mês que marca quarenta anos da morte de Hélio Oiticica (1937-1980), um dos mais importantes nomes da arte brasileira, o Museu de Arte de São Paulo realiza, pela primeira vez, uma exposição individual do artista. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Tomás Toledo, curador-chefe, Hélio Oiticica: a dança na minha experiência fica em cartaz entre 20 de março e 7 de junho.

A exposição é uma parceria com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), que receberá a mostra entre 4 de julho e 4 de outubro, e inaugura o ciclo “Histórias da dança”, que norteia a programação do MASP em 2020. Simultaneamente, o museu abre também Trisha Brown: coreografar a vida, sobre uma das coreógrafas e bailarinas mais influentes do século 20.

Inspirada pela produção de caráter experimental e inovador de Oiticica, a mostra traça um panorama da trajetória do artista, reunindo 126 trabalhos relacionados ao ritmo, à música e à cultura popular. “Meu interesse pela dança, pelo ritmo, no meu caso particular pelo samba, me veio de uma necessidade vital de desintelectualização, de desinibição intelectual, da necessidade de uma livre expressão”, escreveu Oiticica no texto “A dança na minha experiência”, de 1965, que inspirou o nome da exposição.

Hélio Oiticica: a dança na minha experiência apresentará uma ampla seleção de Parangolés, incluindo cópias de exposições que poderão ser usadas pelo público. Além disso, outros trabalhos serão reunidos sob a perspectiva da dança e do ritmo, apresentando uma trajetória que culminará no Parangolé, compondo uma espécie de genealogia deste trabalho radical com a apresentação de obras das séries Metaesquemas, Relevos espaciais, Núcleos e Bólides.

Nesta mostra serão exibidos trabalhos dos períodos de investigações geométricas, rítmicas e cromáticas, cada núcleo da exposição representando uma série do artista. Metaesquemas contará com cerca de 60 trabalhos, ilustrações em guache sobre papel cartão, que exploram formas e cores e resultam de seu envolvimento com o concretismo; Relevos espaciais, que dão a impressão de serem dobraduras expandidas, tem a ver, entre outras questões, com a materialização da cor; Núcleos, esculturas de proporções maiores e interativas, Penetráveis, instalações manipuláveis, e Bólides, nos quais Oiticica explora questões como a cor, a solidez, o vazio, o peso e a transparência.

O foco principal da mostra será a seleção de Parangolés, obras de Oiticica que possuem maior conexão com a dança e que demonstram a estreita relação que ele desenvolveu com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e com o samba durante sua vida. Os Parangolés são, segundo o artista, anti-obras de arte. Capas, faixas e bandeiras construídas com tecidos coloridos, às vezes com sentenças de natureza política ou poética, os Parangolés podem ser usados, transportados ou dançados pelo espectador que se torna participante, suporte e também intérprete do trabalho. Treze deles, aliás, serão reproduzidos para que os visitantes possam vesti-los, além de um Penetrável e três Bólides que também poderão ser experenciados.

Serão exibidos também três filmes de Ivan Cardoso: “H.O.”, “Heliorama” e “Helioframes”, este último produzido junto com Oiticica.

Nascido no Rio de Janeiro em 1937, Hélio Oiticica iniciou seus estudos no MAM Rio com Ivan Serpa, em 1954. A princípio, suas obras dialogavam com as experiências concretistas da época. O artista participou do Grupo Frente, entre 1955 e 1956, e foi um dos fundadores do Grupo Neoconcreto, em 1959. A partir daí, Oiticica estabeleceu o corpo como motor de sua obra, que se abriu também para o contexto da rua e do cotidiano, apontando para uma relação entre arte e vida. Para ele, o espectador era, na verdade, um participador colocado para circular e vivenciar o espaço, deixando de lado a postura contemplativa diante da obra de arte. Nesse período, o artista criou alguns de seus trabalhos mais importantes, como os Bilaterais, Relevos Espaciais, Núcleos, Penetráveis e Bólides.

Em 1964, Oiticica passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, onde se tornou passista – um divisor de águas na vida e na obra do artista. A atividade o fez aprofundar suas reflexões sobre experiências estéticas para além das artes visuais, bem como das artes plásticas tradicionais, incorporando relações corporais e sensíveis ao seu trabalho através da dança e do ritmo.

Em 1965, Oiticica participou da exposição Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, considerada um marco na história da arte brasileira. Foi a primeira vez que ele apresentou os Parangolés. As capas foram usadas pelo artista e por sambistas e instrumentistas da Mangueira, que chegaram ao MAM Rio em uma espécie de “procissão-festiva”. Impedidos de entrar, realizaram a “obra festa” na parte externa do museu. Dois anos depois, em 1967, Oiticica voltou ao MAM Rio na exposição “Nova Objetividade Brasileira” e apresentou o penetrável Tropicália cujo percurso, segundo o artista, lembrava muito as caminhadas pelo morro. Experimental e crítica, a obra inspirou o nome do disco de Caetano Veloso e Gilberto Gil de 1968 e do importante movimento artístico e cultural liderado pelos baianos.

Naquele mesmo ano, no período mais duro da ditadura militar no Brasil, Caetano exibiu a bandeira “Seja marginal seja herói”, de autoria de Oiticica, em um show na boate Sucata, no Rio de Janeiro. A bandeira foi apreendida e o espetáculo interditado pela Polícia Federal. Em 1969, o artista teve sua primeira inserção internacional: uma exposição individual Whitechapel experience na Galeria Whitechapel em Londres, com curadoria do crítico Guy Brett. Nos anos seguintes ele expôs também no Museu de Arte Moderna de Nova York, na Rhode Island University e no evento coletivo Latin American Fair of Opinion, na Saint Clement’s Church de Nova York.

Na década de 1970, Hélio Oiticica viveu a maior parte do tempo em Nova York, onde foi bolsista da Fundação Guggenheim. Nesse período, fez experiências com filmes em super-8 e dezenas de projetos ambientais, como as Cosmococas, em parceria com Neville D’Almeida. Essas criações faziam parte do que o artista chamou de “quasi-cinema”, levando o corpo a uma situação de imersão na imagem. Oiticica retornou ao Brasil em 1978, quando dedicou-se a alguns eventos coletivos e exposições. O artista morreu em março de 1980 após sofrer um acidente vascular cerebral.

Em 1992 foi realizada uma retrospectiva no Witte de With Center for Contemporary Art, em Rotterdã (Holanda), que itinerou por Paris, Barcelona, Lisboa, Mineápolis e Rio de Janeiro. A mostra foi um marco na consolidação do nome de Oiticica como um dos nomes brasileiros de maior projeção internacional nas artes visuais, tornando-se quase como uma chave obrigatória de leitura e legitimação da arte brasileira, pela crítica, o mercado e os artistas.

CATÁLOGO

Editado pelos curadores Adriano Pedrosa e Tomás Toledo, o catálogo ilustrado terá ensaios Adrian Anagnost, André Lepecki, Cristina Ricupero, Evan Moffitt, Fernanda Lopes, Fernando Cocchiarale, Sergio Delgado Moya, Tania Rivera e Vivian Crockett, além de Pedrosa e Toledo. A publicação inclui ainda nota biográfica de Fernanda Lopes e um extenso material documental, entre fotografias e escritos do artista, que tinha o hábito de registrar suas reflexões sobre a arte e sua produção.

Publicado por Patricia Canetti às 8:24 AM