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maio 18, 2018

Corpo a Corpo no IMS, Rio de Janeiro

IMS Rio inaugura mostra Corpo a Corpo, coletiva que discute o papel da imagem na sociedade contemporânea

A exposição Corpo a Corpo: a disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo chega à sede carioca do IMS em 24 de março. A mostra apresenta a nova produção contemporânea em fotografia e vídeo e reúne trabalhos dos artistas Bárbara Wagner, Jonathas de Andrade, Sofia Borges, Letícia Ramos e dos coletivos Mídia Ninja e Garapa. As obras foram desenvolvidas em conjunto com o curador da exposição, Thyago Nogueira, coordenador da área de fotografia contemporânea do IMS e editor da revista ZUM.

Para montar a exposição, que inaugurou o IMS Paulista, os artistas foram convidados a produzir trabalhos que tratassem das questões sociais que emergiram no Brasil nos últimos anos. O mote da exposição é o uso do corpo como um instrumento de atuação social e política – seja pela presença física e simbólica nos espaços públicos, seja como campo de expressão da identidade.

Bárbara Wagner, brasiliense radicada no Recife, apresenta a obra À procura do 5º elemento, uma galeria da fama com alguns dos 300 garotos que participaram de um reality show para escolher o novo MC de uma famosa produtora de funk em São Paulo. Composto por 52 fotografias e um vídeo com as apresentações, o trabalho retrata uma geração acostumada às selfies e às redes sociais, que sabe usar a pose e a performance de palco para falar de seus anseios e ascender socialmente.

Música e performance também aparecem no curta-metragem Terremoto santo, dirigido por Bárbara Wagner em colaboração com o artista alemão Benjamin de Burca. No filme musical gravado em Pernambuco, jovens cantores de música gospel encenam videoclipes com suas próprias composições, revelando aspectos sociais, econômicos e estéticos da prática pentecostal.

O alagoano Jonathas de Andrade, também radicado no Recife, exibe a instalação Eu, mestiço, obra baseada em uma pesquisa sobre raça e classe realizada no Brasil, nos anos 1950, pela Universidade de Columbia em parceira com a UNESCO. Com estranha metodologia, a pesquisa usava fotografias de pessoas com diferentes tons de pele como base de um questionário que pretendia avaliar quem parecia mais bonito, rico ou inteligente, entre outros atributos. No novo trabalho, Jonathas retrata pessoas de várias partes do país para expor e discutir os clichês da fotografia antropológica e da publicidade. O título faz referência a Eu, um negro, obra-prima do cineasta Jean Rouch.

O coletivo Mídia Ninja apresenta #Ao vivo, um arquivo de 90 transmissões ao vivo, na íntegra, feitas entre 2013 e 2017. A obra também permite que os mídia-ativistas transmitam ao vivo, nas salas expositivas, tudo o que estiverem cobrindo no país naquele momento. As transmissões oferecem um novo vocabulário visual, feito de imagens pixelizadas, locuções improvisadas e de duração variada, constituindo uma verdadeira contribuição estética e política.

A paulista Sofia Borges mostra a instalação A máscara, o gesto e o papel, resultado de uma viagem feita a Brasília em fevereiro de 2017 para fotografar o Congresso Nacional. Os dez quadros da instalação são compostos por duas faces: de um lado, mostram fotos de bocas extraídas das pinturas de ex-presidentes do Senado; de outro, gestos fotografados durante as sessões legislativas. Uma corda sustenta toda a instalação, que trata da atividade política e do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza os jogos de poder no Brasil e no mundo.

Em A resistência do corpo, a gaúcha Letícia Ramos, radicada em São Paulo, testa as reações de um corpo diante de atividades ligadas às manifestações de rua, como o arremesso de objetos, o impacto de jatos d’água e a comunicação por celulares. A obra mostra como as imagens – algumas quase abstratas – podem servir como forma de opressão real ou simbólica.

A exposição também exibe o livro Postais para Charles Lynch, do coletivo Garapa. A partir do estudo de diversos vídeos de linchamentos brasileiros encontrados no YouTube, os integrantes do coletivo criaram um livro-manifesto, que reúne fotogramas manipulados, um roteiro de linchamento fictício e uma fita com todos os vídeos pesquisados.

Todos os artistas foram estimulados a explorar novos suportes e formas de instalação das obras, de maneira a envolver corporalmente o visitante. Ao longo da exposição, preciosas fotografias do século XIX, pertencentes ao acervo do IMS, lembram que algumas das questões sociais e visuais de hoje haviam sido delineadas há muitos anos. A mostra também conta com um catálogo completo e bilíngue, encadernado de seis maneiras diferentes.

Mais informações em: corpoacorpo.ims.com.br

Sobre os artistas

Bárbara Wagner (DF, 1980): Seu projeto Mestre de cerimônias foi contemplado pela Bolsa de Fotografia ZUM/IMS (2015) e exibido na 32a Bienal de São Paulo (2016). O musical Terremoto santo foi selecionado para o Festival de Berlim.

Garapa: Coletivo formado em 2008 por Leo Caobelli (RS, 1980), Paulo Fehlauer (PR, 1982) e Rodrigo Marcondes (SP, 1979). Contemplados pela Bolsa de Fotografia ZUM/IMS (2014) com Postais para Charles Lynch.

Jonathas de Andrade (AL, 1982): Expôs no New Museum, NY (2017), no MoMA (2017) e na Bienal de São Paulo (2010 e 2016).

Letícia Ramos (RS, 1976): Participou de exposições no Tate Modern, Londres (2007), e no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2014). Em 2013, seu projeto Microfilme foi contemplado pela Bolsa de Fotografia ZUM/IMS.

Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação): Rede de ativistas fundada em 2013. Figura entre as maiores iniciativas de mídia independente da América Latina e do mundo.

Sofia Borges (SP, 1984): Desenvolve projeto para a Bolsa de Fotografia ZUM/IMS 2018, e está em cartaz na exposição New Photography 2018, do MoMA. É uma das curadoras da próxima Bienal de São Paulo.

Publicado por Patricia Canetti às 9:02 AM


maio 17, 2018

Claudio Cretti na Casa Niemeyer, Brasília

Acaso a coisa a casa: um diálogo entre elementos

A Casa da Cultura da América Latina abre seu espaço para a mostra do artista visual Claudio Cretti com a exposição acaso a coisa a casa. Dia 22 de maio a Casa Niemeyer abre suas portas e cria um diálogo entre arte e arquitetura moderna. "É muito estimulante poder criar essa relação com a arquitetura de Brasília e meu trabalho", afirma o artista. acaso a coisa a casa conta com trabalhos que instigam uma nova sensibilidade. Lá a “obra/objeto” torna-se autônoma, na visão do artista, reunindo materiais de origens distintas a fim de criar um convívio, criar um novo corpo e sentido para aquilo que chama de “coisa”.

Segundo Cretti, a ideia da exposição é a de criar novas relações, instigar um pensamento livre sobre seu trabalho e de “deslocar coisas das coisas”, citando o poema de Carlos Drummond de Andrade. Aparentemente impossíveis de se relacionar, sua proposta para as obras apresentadas é a de proporcionar convívio. Nesse sentido, o artista cria reflexão sobre as diferenças no mundo e fala de apropriação com materiais que remetem a outros usos para além daqueles já conhecidos, provocando diversas possibilidades de convivência.

A exposição, uma instalação na sala da Casa Niemeyer, conta com esculturas e um desenho de grandes dimensões. A união das obras corrobora o discurso, estabelecido pelo artista, de convívio e presença num espaço que chama por interação.

A exposição tem curadoria de Ana Avelar, professora da Universidade de Brasília / UnB e curadora da Casa de Cultura da América Latina da UnB. “Os trabalhos atuais de Claudio Cretti articulam-se por encaixes; uma coisa entra na outra, esta entra naquela. Há um jogo de solucionar problemas resultando na construção de um todo por meio da junção de partes que não provêm – aparentemente – de uma mesma origem, uma vez que os materiais variam de natureza, espessura, cor”, afirma Ana Avelar.

Claudio Cretti é artista e professor. Nasceu em Belém-PA em 1964 e vive e trabalha em São Paulo. Em 1983 forma-se no IADE, Instituto de Arte e Decoração, São Paulo. Em 1984 entra na Faculdade Delas Artes de São Paulo, abandonando o curso no ano seguinte. Dedica-se ao teatro – Grupo Ponkã, Grupo Dramaticus – e a performance. Realiza cursos livres com Tadeu Chiarelli, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito. Fez acompanhamento de trabalho com Carlos Fajardo, Ivo Mesquita, Alberto Tassinari, Sonia Salztein e Rodrigo Andrade. Desde 1990 mostra regularmente seu trabalho. Desde 1988 exerce atividades como arte-educador. Realizou exposições em diversos locais, como: MAM-SP, MAC USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Tomie Ohtake, Paço das Artes, Centro Cultural São Paulo, Oficina Oswald de Andrade, Palácio das Artes-BH, Centro Cultural da Caixa - RJ, entre outros.

PROGRAMAÇÃO

Exposição: acaso a coisa a casa
Abertura: 22/05, às 20h
Visita mediada e conversa aberta com o artista, no dia da abertura, às 19h
Período de visitação: 23/05 às 20/07, das 8h às 18h
Local: Casa Niemeyer (SMPW Qd 26, conj 3, Casa 7, EPIA Sul, Brasília – DF)

Oficina com o artista
Dias 17 e 18/05, das 17h às 20h
Local: sala 201 da CAL (SCS Qd 4, Ed. Anápolis, Brasília – DF)
Inscrições gratuitas, vagas limitadas

Publicado por Patricia Canetti às 1:28 PM


Angelo Venosa no Museu Vale, Vila Velha

A inquietude das esculturas de Angelo Venosa celebra os 20 anos do Museu Vale

Ousadas angulações, sólidos retorcidos e infinitas combinações que transitam do orgânico ao espetacular compõem Penumbra, mostra inédita do artista, com curadoria de Vanda Klabin

Novos horizontes de investigação e pesquisas estéticas do escultor Angelo Venosa serão exibidos ao público pela primeira vez, a partir de 23 de maio no Museu Vale, Vila Velha – ES. Na exposição Penumbra, que comemora os 20 anos da instituição, o artista apresentará esculturas incorporadas às próprias sombras, conferindo um instigante universo poético ao espaço. Seis das esculturas foram criadas especialmente para a mostra.

Madeira, alumínio, acrílico, parafina, vidro, aço, ossos são alguns dos materiais que compõem as esculturas de Venosa e a singularidade de seu fazer artístico, desenvolvido a partir de sua experiência vinda de trabalhos artesanais (herdou do pai o conhecimento do trato com a madeira, o design). De natureza expansiva, desenvolveu atalhos históricos e tornou-se um dos maiores expoentes do cenário cultural contemporâneo. Sintonizado com novas tecnologias, passou a trabalhar também com impressões em 3D, imprimindo às suas esculturas infinitas possibilidades combinatórias.

– Inquietas e interrogativas, as obras de Angelo Venosa problematizam a visão do espectador – diz Vanda Klabin, ao revelar que o artista irá explorar no Museu Vale a equivalência entre as áreas cheias e vazias, através da projeção de sombras nas superfícies arquitetônicas da instituição. – Na medida em que esses trabalhos são desenvolvidos, as formas emergem e adquirem uma plasticidade inesperada. Toda uma noção de movimento se faz presente nessas sombras movediças, onde brotam as formas mais variadas e ambíguas e essas zonas de indeterminação adquirem uma presença plástica que se constrói e se experimenta no próprio espaço – conclui a curadora.

– A mostra de Angelo Venosa nas comemorações dos 20 anos do Museu Vale reitera o compromisso da instituição de promover a arte e a cultura como fenômeno de transformação e de formação dos jovens, diz Ronaldo Barbosa, diretor do Museu. Para Ronaldo, Venosa é um artista que caminha em paralelo com o seu tempo, sempre dedicado ao experimento de novos materiais, tecnologias e seus desdobramentos no seu processo criativo. – No Museu Vale, diz, o escultor irá surpreender ao exibir uma nova possibilidade de se perceber os seus trabalhos.

Após o período de exposição no Museu Vale, Penumbra segue para o Memorial Minas Gerais Vale, em Belo Horizonte, como parte do Programa de Itinerância Cultural. O programa prevê a troca de conteúdo artístico e cultural entre os quatro espaços culturais patrocinados pela Vale, localizados em quatro das cinco regiões brasileiras, além de ações de valorização da identidade cultural em munícipios pelo interior do país.

Angelo Venosa (São Paulo, 1954. Vive e trabalha no Rio de Janeiro) surgiu na cena artística brasileira na década de 1980, tornando-se um dos expoentes dessa geração. Desde esse período, Venosa lançou as bases de uma trajetória que se consolidou no circuito nacional e internacional, incluindo passagens pela Bienal de Veneza (1993), Bienal de São Paulo (1987) e Bienal do Mercosul (2005).

Hoje, o artista tem esculturas públicas instaladas no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Jardim do Ibirapuera); na Pinacoteca de São Paulo (Jardim da Luz); na praia de Copacabana / Leme, no Rio de Janeiro; em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul e no Parque José Ermírio de Moraes, em Curitiba. Possui trabalhos em importantes coleções brasileiras e estrangeiras, além de um livro panorâmico da obra, publicado pela Cosac Naify, em 2008.

Publicado por Patricia Canetti às 12:41 PM


maio 16, 2018

Ismaïl Bahri no Porto Seguro, São Paulo

Apresentada pela primeira vez no Jeu de Paume, de Paris, exposição Instrumentos traz seleção de nove vídeos do artista visual franco-tunisiano

Tomar o particular para refletir sobre o todo. Voltar-se para uma gotícula de água sobre a pele e chamar atenção para o tempo que nos cerca. Tomá-la como uma ferramenta de auscultação, que revela e amplia a força vital pulsante para, no fim, explicitar o desejo por um ritmo orgânico, avesso à agitação do mundo contemporâneo e da vida nas grandes metrópoles. É este o norte de Ligne [Linha], obra que sintetiza e abre Instrumentos, exposição do franco-tunisiano Ismaïl Bahri que o Espaço Cultural Porto Seguro recebe entre 22 de maio e 22 de julho.

Assinada por Marie Bertran, curadora independente, e por Marta Gili, diretora do Jeu de Paume, de Paris, a exposição reúne nove videoinstalações do artista visual, a maior parte delas apresentada no centro de arte contemporânea parisiense entre junho e setembro de 2017. Em São Paulo, a mostra - primeira individual do artista na América Latina – conta com a correalização de Expomus Exposições, Museus, Projetos Culturais Ltda.

Os vídeos da exposição voltam-se para movimentos e elementos singelos: a veia pulsa, a linha separa, a mão amassa, o vento sopra, o fogo queima. Água, papel e tinta transformam-se de objetos a sujeitos protagonistas. “Na maioria das obras de Ismaïl Bahri, os instrumentos atuam como meio de intersecção entre o mundo físico e o mundo das ideias, liberando sutilmente uma série de hipóteses, cujos vereditos parecem ser indefinidamente adiados”, afirma Marta Gili.

Os trabalhos ganham força pelo enredo que se estabelece entre eles – diálogos acerca de temas como memória, território, pertencimento e envolvimento, sempre mediante a exploração de uma cartografia afetiva pessoal. A sobriedade da exposição surpreende o interlocutor e pode causar certo estranhamento. “Um dos pontos fortes de seu trabalho é que ele prende a atenção. O olho procura por pistas ou sinais e se esforça para encontrar uma maneira de compreender a imagem, enxerga-a como um enigma a ser resolvido”, diz Marie Bertran.

Muitas vezes tênues e efêmeros, os fenômenos observados sob as lentes de Ismaïl nos obrigam a ajustar nossa percepção e o alcance do olhar. A ausência de som em muitos dos trabalhos reforça a densidade do conjunto: levam o visitante a uma jornada interior, pelo reconhecimento de si e de todos em uma ação aparentemente banal.

“Valorizo em meu trabalho a busca pela simplicidade. O desafio está em, justamente, arranjar uma maneira de como expor uma questão pessoal para tratar um problema que é de todos”, afirma o artista. Nesta empreitada, Ismaïl dispõe-se a investigar, de modo extenuante, objetos, escalas, ângulos e linguagens.

Ao longo dos trabalhos, o artista percorre um caminho crescente: o plano, que no início toma como foco uma gota de não mais que dois, três milímetros, vai se alargando até compreender uma paisagem inteira dentro dos limites da projeção. O mesmo ocorre com o conteúdo, material e mais figurativo em um primeiro momento, fluído e mais abstrato ao final.

Para o crítico e curador François Piron, a impermanência está no cerne do trabalho de Ismaïl. “O artista se posiciona como um observador, anda por aí e fala de miopia em relação ao seu trabalho. Ele então configura o que ele chama de dispositivo de captura para esses gestos, geralmente usando vídeo, mas também fotografia e som, sem distinção. É muitas vezes fora do quadro da imagem que o significado emerge, na presença perceptível do mundo circundante, que de repente é revelado”, afirma.

“A obra de Ismaïl Bahri tem uma atuação potente e transformadora. Ela opera a partir de elementos muito sutis, mas que em seus trabalhos, passam a ser instrumentos de conexões inesperadas”, afirma Rodrigo Villela, diretor executivo do Espaço Cultural Porto Seguro.

Sobre o artista

Ismaïl Bahri nasceu em 1978, em Túnis, capital da Tunísia. Atualmente, vive e trabalha entre sua cidade natal e as francesas Paris e Lyon. O vídeo ocupa um lugar importante em seu trabalho, embora o artista crie também desenhos, fotografias e instalações. Sua obra volta-se a elementos simples da vida cotidiana, sobre os quais desenvolve processos e atribui questões universais.

Participou da 13ª Bienal de Sharjah, nos Emirados Árabes, e expôs em instituições culturais como o Centro de Arte Contemporânea La Criée, em Rennes; no Jeu de Paume, em Paris; Les Églises, em Chelles; e no museu alemão Staatliche Kunsthalle, em Karlsruhe.

Seus vídeos já foram exibidos nos festivais internacionais de cinema de Toronto, Nova York, Roterdam e Marselha; e a obra “Filme em branco” fez parte da exposição Levantes, de Georges Didi-Huberman, no Sesc Pinheiros (2017). Seus trabalhos apresentam relações profundas com a obra de artistas como o chileno Alfredo Jaar (com quem dividiu mesa na abertura da Paris Photo em 2017), o albanês Anri Sala, o belga Francis Alÿs ou o brasileiro Jonathas de Andrade, com os quais participou da Bienal de Sarjah (2013).

Confira mais detalhes sobre cada um dos trabalhos apresentados na mostra:

1. Ligne [Linha] | 1’
Ligne dá conta de uma observação íntima de um corpo. Aqui, apenas a água é usada como ferramenta de exploração, reagindo às batidas do coração. Devido às suas propriedades ampliadoras, reluzentes e vibratórias, atua como um meio sensível às menores intensidades que atravessam o corpo. A gota permanece na superfície, mas sonda, por capilaridade, uma interioridade subterrânea.

2. Orientations [Orientações] | 22’’
O vídeo “Orientations” é feito de um plano-sequência filmado por uma câmera subjetiva que apresenta uma caminhada pela cidade de Túnis. O que está fora de campo, refletido em um copo cheio de tinta, serve de bússola, espécie de boia ilusória para um caminhar funambulesco. Neste instrumento óptico bastante simples, a aparição de fragmentos da cidade orienta, tende a um horizonte. O vídeo mostra um caminhar míope, uma colheita de imagens no limite do transbordamento e do delírio dos sentidos.

3. Revers [Reverso/Inverso/Avesso] | 56’48
Através do processo simples e repetitivo de amassar e desamassar uma página de revista, o vídeo traz à tona noções de desintegração, reprodução, transmutação e, centralmente, impermanência. Em um movimento cíclico incessante, a imagem desaparece pouco a pouco: liberta-se do papel, transforma-se em pó e marca as mãos do artista – resultado do contato repetitivo e da acumulação residual de calor e informação.

4. Dénouement[Desenlace] | 8’
Um quadro branco é dividido por um traço preto que vibra. O espaço, a princípio indecifrável, manifesta progressivamente suas qualidades, a partir do momento em que um corpo aparece ao fundo da tela, ligado à câmera por um longo e delgado fio que se tensiona e se relaxa alternadamente. Percebemos que estamos em uma paisagem nevada, dividida por este fio que parece correr o risco de se romper a qualquer momento. A própria paisagem é progressivamente captada, apreendida por este dispositivo. Ela também irá desaparecer pouco a pouco, absorvida pelo emaranhado do fio. A imagem do novelo que ocupa por fim o quadro inteiro é importante, porque indica, em sentido inverso, que toda demonstração traz em si uma dimensão oculta e que ver consiste precisamente em buscar o que está distante, depositado no fundo das formas e dos detalhes que habitam nossa proximidade, por mais insignificantes que sejam à primeira vista.

5. Source [Fonte] | 8’25’’
Duas mãos seguram uma folha de papel. Gradualmente, no centro, surge uma mancha escura, logo convertida em furo, resultado do fogo que lentamente consome a superfície branca. A duração do vídeo é exatamente o tempo que o fogo leva para consumir o papel, com seu belo círculo vermelho em expansão, até chegar às mãos que o mantinham.

6. Esquisse [Esboço] | 5’18”
Plano sequência de cinco minutos que mostra uma bandeira agitada por ventos violentos. Em uma imagem superexposta, ora apresenta-se branca, ora negra – sempre lisa, sem estampas, sem nação, tal como o artista, um sujeito do mundo com raízes múltiplas. Não por acaso, a bandeira é instalada em uma praia do Mar Mediterrâneo, à frente de um trecho que separa a Tunísia da Europa. Sensível às menores variações de luz, a paisagem só é revelada ao interlocutor quando o sol é escondido pelas nuvens que pairam sobre a cena.

7. Foyer [Lareira/Foco] | 31’23’’
No início, Foyer parece ser uma projeção sem filme, onde a única coisa visível é uma tela branca, acompanhada por vozes diversas. Elas são enunciadas por pessoas que se aproximam do cinegrafista, questionando-o sobre o que ele está fazendo. Entre elas, aproximam-se um fotógrafo amador, um transeunte curioso, um policial e um grupo de jovens. À medida que a situação se desenvolve, as discussões revelam os princípios de uma experiência cinematográfica em andamento. A câmera faz as vezes de uma lareira, em torno da qual as pessoas se reúnem, falam, discutem e escutam. Inicialmente centradas na câmera, tais conversas logo revelam pontos de vista singulares, que traçam as formas de uma certa paisagem social e política. São falas que permitem entrever o contexto no qual se desdobra a experiência de um trabalho que tateia em busca de um caminho em um mundo que se agita.

8. Sondes [Sondas] | 15’55”
Obra que mostra a formação quase imperceptível de um montículo sobre a palma da mão de alguém. A princípio, é difícil reconhecer a natureza exata desse monte. Algo escapa. Mas o que tal experiência ativa no corpo que a retém?

9. Film [Filme] |2’30”
O trabalho agrupa uma série de vídeos curtos com base em um mesmo procedimento: um trecho do jornal do dia é cortado, enrolado e posto sobre uma superfície de tinta preta. Ao contato com a tinta, o rolo de papel se desdobra, libertando-se do gesto que o modelou. O objeto ganha vida, ao mesmo tempo em que revela, em um movimento cinemático precário, um conteúdo imprevisto: os índices de uma atualidade que não cessa de fugir. Ao mesmo tempo que explora uma espécie de arqueologia do cinema, tal dispositivo remete ao tempo que passa, em que a tinta, seja líquida ou impressa, é o registro da história humana em curso.

Publicado por Patricia Canetti às 3:03 PM


André Parente no Sesc, Sorocaba

Figuras na Paisagem é o nome da exposição que estará sediada no Sesc Sorocaba entre os dias 04 de maio e 29 de julho. O artista que realizou as obras expostas é André Parente, que é também teórico do cinema e das novas mídias. A exposição é composta por três obras: “Circuladô”, “A Bela e a Fera” e “O Vento Sopra Onde Quer”. A visitação à exposição é gratuita e aberta ao público, de terças a sextas, às 9h às 21h30 e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30, no Espaço de Exposições.

Nos três trabalhos se opera uma síntese das passagens entre corpo e paisagem, entre imagem e som, imagem e dispositivo, que convidam o espectador experimentar uma verdadeira aventura audiovisual.

A obra “Circuladô” faz referência à circularidade própria aos dispositivos de linguagem cinematográfica, trata-se ao mesmo tempo de um projeto de instalação de zoetropes, um vídeo de curta-metragem, um livro, uma vídeo-instalação multicanal e interativa de grandes dimensões.

Já a obra “O Vento Sopra Onde Quer” é uma vídeo-instalação, na qual o espectador se depara com um dispositivo interativo que possui doze canais e um teclado, onde cada uma das doze teclas da escala cromática aciona uma das doze séries de imagens projetadas de close-ups de mãos presentes no cinema de Robert Bresson.

“A Bela e a Fera” é uma obra que sintetiza videoinstalação e filme-ensaio, tentando provocar uma sensação de estranhamento no espectador, por meio de projeções das imagens de pessoas em tamanho real e do Rio de Janeiro enquanto cidade mítica, cidade-corpo em decomposição e cidade de manifestações e por meio de sons de vozes e respirações, para produzir um clima de terror e de ironia, de erotismo e hipnose.

André Parente é Doutor pela Universidade de Paris 8, sob a orientação de Gilles Deleuze. Em 1991, fundou o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre 1977 e 2017, realizou inúmeros vídeos, filmes, instalações e performances sonoras nos quais predominam a dimensão experimental e conceitual. Seus trabalhos foram apresentados no Brasil e no exterior, Alemanha, França, Espanha, Suécia, Espanha, México, Canadá, Argentina, Colômbia, China, entre outros.

O artista também é autor de vários livros, como: Imagem-máquina. A era das tecnologias dovirtual (1993), Sobre o cinema do simulacro (1998), O virtual e o hipertextual(1999), Narrativa e modernidade (2000), Tramas da rede (2004), Cinema et narrativité (L’Harmattan, 2005), Preparações e tarefas (2007), Cinema emtrânsito (2012), Cinemáticos (2013), Cinema/Deleuze (2013), Passagens entre Fotografia e Cinema na Arte Brasileira (2015), entre outros.

Nos últimos anos obteve vários prêmios: Prêmio Rumos do Itaú Cultural, Prêmio Petrobrás de Novas Mídias, Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, Prêmio Petrobrás de Memória das artes, Prêmio Oi Cultural, Prêmio da Caixa Cultural Brasília, Prêmio Funarte de Artes Visuais, Prêmio Oi Cultural, Prêmio Marc Ferrez.

Publicado por Patricia Canetti às 1:50 PM