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agosto 20, 2019

Alexandre Sá na Reserva Cultural, Niterói

“Quando o homem encontra seu semelhante, rodeia-o com o olhar experimentando, nesse momento, a sua visão como uma tensão de caras e perfis. As caras para as quais palpita, e toda a sua palpitação, são-lhe devolvidas em espelho, num redemoinho de asas batentes.”
Jacques Lacan

Teu corpo//meu corpo é a primeira exposição individual de Alexandre Sá na cidade de Niterói. Trata-se de uma instalação que ocupará a Galeria do Reserva Cultural com apoio da Eixo Arte Contemporânea. O artista fará duas performances de longa duração nas quais recebe o público para um encontro, uma conversa e uma negociação sobre ações passíveis de serem realizadas e/ou utópicas para o momento atual. Tais ações são descritas em folhas de papel A4 e colocadas em exposição nas paredes. Teu corpo// meu corpo foi realizado em 2016 na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e de Brasília e agora, três anos depois, retorna a cidade de Niterói. As performances ocorrerão nos dias 24/08 e 14/09 a partir das 16h. Entrada franca.

Fernanda Pequeno, curadora da mostra, afirma: "Teu corpo // Meu corpo propõe a ação do corpo, o diálogo com o espectador e a escrita dele resultante como instauradores de cumplicidade. A partir da utilização de um mobiliário que facilita a instauração de um espaço de acolhimento, frases propositivas de ações realizáveis ou não, improváveis, utópicas ou mesmo impossíveis passam a integrar a mostra, que é ativada a cada nova realização da performance ou pela ação do público."

Alexandre Sá vive em Niterói. É artista, curador e crítico de arte. Pós-doutorando em Filosofia pelo PPGF-UFRJ sob supervisão de Rafael Haddock Lobo. Pós-doutor em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense sob supervisão de Tania Rivera. Doutor (2011) e mestre (2006) em Artes Visuais pela Escola de Belas-Artes da UFRJ, tendo sido orientado por Glória Ferreira. É atual diretor e professor do Instituto de Artes da UERJ, além de professor do Programa de Pós-graduação em Artes da mesma instituição. É um profissional híbrido que trabalha com diversas linguagens (performances, instalações, textos críticos e vídeo) e a particularidade de sua pesquisa plástico-teórica são as relações entre o texto, a imagem, a poesia, o corpo e a psicanálise.

Publicado por Patricia Canetti às 2:28 PM


Campo na EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

Como um ou mais campos físicos interagem com a matéria?

EAV Parque Lage abrirá coletiva com obras de Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto, Laura Lima e Luiz Zerbini, pensando a escola como um campo de forças dinâmicas

Um campo pode ser pensado como a atribuição de uma quantidade física em todos os pontos do espaço e do tempo. Pensar a escola como um campo de forças dinâmicas, por onde passam muitas pessoas, que afetam e são afetadas a partir do fluxo de encontros ali proporcionados, foi o ponto de partida do curador Ulisses Carrilho para criar a exposição “Campo”. A coletiva será aberta no dia 24 de agosto, às 19h, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com visitação pública a partir do dia 25. Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto, Laura Lima e Luiz Zerbini são os artistas e ex-alunos convidados a interpelar a noção de espaço em suas obras, a partir de diferentes campos.

Às 15h, no domingo, dia 25, acontecerá a apresentação Meu Querido, de Marcia Milhazes Companhia de Dança na instalação Gamboa II, de Beatriz Milhazes.

O geógrafo brasileiro Milton Santos define o espaço como uma acumulação desigual de tempos. A partir dessa perspectiva, Carrilho incluiu a noção de tempo na mostra, definindo-se aí o eixo temático que norteia a nova exposição.

A curadoria selecionou basicamente uma obra ou série de cada um dos seis grandes nomes já citados, que interpelam a noção de espaço e revelam a relação de seus autores com a EAV Parque Lage. A exposição “Campo” representa um retorno destes artistas à instituição que, de diferentes formas, atravessa suas trajetórias como um espaço relevante e singular, uma ordem de forças.

A EAV vem discutindo de forma constante e ativa a pedagogia de uma escola de arte. Quando o artista deixa de aprender? Como é o processo de aprendizagem? Qual a relevância dos espaços de formação para os artistas e para o pensamento deles? São os artistas que fazem a escola, ou a escola faz o artista?

Se as forças são dinâmicas, entende-se que a Escola de Artes Visuais constituiu-se, com toda a sua potência, a partir dos artistas que por lá passaram. Partindo mais uma vez da Física, a determinação de uma força resulta da intensidade, direção e sentido que atuam sobre o objeto.

É nesse contexto de absoluta correlação de forças e afetos, que as obras serão exibidas. O trabalho de Ernesto Neto desafia o campo gravitacional e provoca os sentidos, exaltando tudo aquilo que excede. A série de piscinas de Adriana Varejão, que explora o conceito de força centrípeta, vai dialogar com a piscina do palacete, sem literalidades. Beatriz Milhazes trabalha com a verticalidade em rara instalação tridimensional. Luiz Zerbini traz a potência da floresta em série de 16 monotipias criada para ilustrar “Macunaíma”, de Mario de Andrade (o filme foi rodado no Parque Lage há exatos 50 anos). Tijolos feitos a partir de convites de exposições erguem a parede de Daniel Senise, exposta anteriormente na 29ª Bienal de SP (2010), questionando o próprio campo da arte. E a filosofia ornamental de Laura Lima ocupará a capela das cavalariças, com uma série de trabalhos/instaurações que tensionam o espaço da arte.

“Ao questionar a própria noção de espaço, a Escola de Artes Visuais bota em pauta o espaço de formação. A escolha de pensar o campo é uma maneira mais complexa de pensar a escola, colocando o aluno como protagonista: é ele quem dá os contornos. A história da EAV é contada a partir dos que alunos-artistas que por ela passaram. A partir de um reajuste das percepções de espaço, esperamos contribuir com aqueles que estão hoje na instituição, em formação e gerando os novos contornos”, afirma Ulisses Carrilho.

O programa público, que seguirá em paralelo à exposição, consiste em criar uma série de entrevistas com os seis artistas e críticos convidados, com quem trabalharam recentemente. As entrevistas serão produzidas ao vivo na EAV, abertas ao público, com interlocução. Além disso, será desenvolvida uma plataforma de conteúdo para a instituição, a partir da vivência com os artistas.

A exposição “Campo” é patrocinada pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, de forma independente, sem qualquer incentivo ou lei de isenção fiscal. Em agosto, o escritório de Direito completa 50 anos de atuação no Rio e seus sócios celebram a data financiando a mostra no Parque Lage.

Publicado por Patricia Canetti às 1:53 PM


Chão de Giz na Luisa Strina, São Paulo

Chão de Giz celebra os 45 anos da Galeria Luisa Strina, aniversário que se comemora, mais precisamente, no dia 17 de dezembro, quando a segunda exposição do ciclo comemorativo será inaugurada. Nessa primeira etapa, uma mostra coletiva revisita trabalhos icônicos originalmente exibidos na galeria no período de pouco mais de 20 anos, de 1974 a meados de 1990. Às obras históricas, somam-se outras de artistas que entraram para o time da galeria nos anos 2000, configurando um diálogo diacrônico em torno do tema curatorial: chão de giz.

[scroll down for English version]

Um chão de giz – que também poderia ser um chão de carvão – constitui um terreno instável, sobre o qual se transita com alguma hesitação inicialmente. O título da mostra alude, claro, à obra de Cildo Meireles, Cinza (1984/1986), artista cuja trajetória caminha junto com a da galeria, e vice-versa, há quatro décadas. Mas refere-se também ao contexto político e cultural dos anos 1970 no Brasil. Foi sobre um solo instável do ponto de vista da liberdade de expressão que a Galeria Luisa Strina abriu as portas em dezembro de 1974.

Antonio Dias, Caetano de Almeida, Cildo Meireles, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza, Fernanda Gomes, Ivens Machado, Leonilson, Luiz Paulo Baravelli, Marina Saleme, Milton Machado, Mira Schendel, Muntadas, Nelson Felix, Nelson Leirner, Tunga, Waltercio Caldas e Wesley Duke Lee são alguns dos artistas que participaram ativamente dos primeiros 20 e poucos anos desse percurso, que se funde com a própria história recente da arte brasileira, e cujos trabalhos estão reunidos na mostra.

Uma leitura alternativa do “chão de giz”, porém, é a do caminho vacilante das novas linguagens que estavam no auge da experimentação no momento em que Luisa Strina fundou a galeria, e que, até então, viviam e se reproduziam “deliberadamente na sombra”, para usar a expressão do editorial da publicação A Parte do Fogo (1980), editada por Cildo Meireles, João Moura Junior, Jose Resende, Paulo Sergio Duarte, Paulo Venancio Filho, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito, Tunga e Waltércio Caldas – e cujo fac-símile será exibido na exposição, junto de outros documentos, fotografias, publicações e registros do período.

“É preciso dizer que a retórica de Abertura pode recalcar eventuais linguagens de abertura. E, legitimando-se como Verdade Institucional, cumprirá este papel, com seu belo nome e tudo. O que se observa como sintoma é grave: não se fala em novas linguagens, não se indaga pelas novas linguagens, não se deseja novas linguagens. Ao que tudo indica, essas seriam pura e simplesmente aquelas que foram reprimidas pela censura oficial. E. entre elas, como a própria inteligência do Poder supunha, não existem diferenças. (…) Um Novo imediatamente inteligível é uma contradição nos termos. O momento ininteligível do Novo – a temporária suspensão das nossas certezas – não agrada à Consciência Dominante. Esta deseja a superfície clara e imóvel do espelho para contemplar-se, reconhecer-se, duplicar-se. Rejeita, repele a inquietude das pulsões inconscientes, dos impulsos que não domina. Por isto, o compromisso do velho-novo”, defendiam os editores de A Parte do Fogo em 1980.

Toda a programação deste ano celebra o aniversário, a começar pelas duas mostras inaugurais, de Anna Maria Maiolino e Beto Shwafaty, que simbolizam os principais valores defendidos por Strina desde que inaugurou a galeria: liberdade irrestrita de expressão aos artistas, para experimentarem e ousarem sempre, fosse na linguagem ou no conteúdo de suas obras. Os valores da liberdade e da experimentação deram forma e fama a um espaço pouco convencional, que fomentou e difundiu a arte conceitual – na contramão da mentalidade “velho-novo” – no calor do momento em que estava sendo inventada, reinventada e desconstruída.

Na SP-Arte 2019, a galeria apresentou pela primeira vez em seu estande obras de Robert Rauschenberg, além de trabalhos de Mona Hatoum, Alfredo Jaar, Muntadas e Leonor Antunes para marcar as comemorações dos 45 anos. Ainda no primeiro semestre, a galeria realizou individuais de Carlos Garaicoa, Miguel Rio Branco e Magdalena Jitrik, além de uma coletiva que reuniu obras de três grandes nomes do conceitualismo no mundo da arte: Jimmie Durham, Cildo Meireles e Pedro Cabrita Reis. Neste segundo semestre, as mostras comemorativas continuam com individuais de outras pratas da casa: Caetano de Almeida e Brian Griffiths [ambas de agosto a setembro]; Laura Lima e Matias Duville [ambas de final de setembro a início de novembro]. E a galeria encerra o ano fazendo jus à tradição de inovar, com exposição individual de uma jovem artista britânica, Caragh Thuring, a partir de 19 de novembro.

Mais longeva galeria brasileira dedicada exclusivamente à arte contemporânea, a Galeria Luisa Strina tem sua história atrelada à da internacionalização da arte brasileira, assim como à história da internacionalização das coleções de arte brasileiras. A presença pioneira na Art|Basel é uma das razões que explicam este fato incontestável. Outra delas é a postura que Luisa adotou, desde a criação da galeria, de apresentar em São Paulo exposições solo de artistas estrangeiros.

O pós-minimalista norte-americano Alan Shields, por exemplo, conhecido pelas pinturas coloridas sobre tecido sem chassi que questionam o grid modernista, realizou individuais na galeria em 1976 e 1978. O espanhol Antoni Muntadas, representado até hoje pela GLS, fez sua primeira individual na Luisa Strina em 1987. Neil Williams, outro norte-americano pioneiro em desconstruir materialmente o espaço pictórico, teve mostras solo em 1982 e 1988. O ultraconceitual Joan Rabascall, espanhol, apresentou, em 1989, a exposição La Leçon de Peinture, com curadoria de Pierre Restany.

Foi neste primeiro período também que aconteceram exposições hoje célebres, como Cinza, de Cildo Meireles, em 1986, que ocupou a sala principal da galeria com uma instalação que desafiava a percepção visual e física do visitante, convidado a entrar nas duas salas em forma de cubo, constituídas por cinco painéis de lona pintados com tinta acrílica. No lado interno dos cinco painéis de uma sala, as telas pintadas de preto são rabiscadas com giz branco, restando apenas, no centro dos painéis, uma imagem preta que é a projeção de um bastão de giz. O chão está totalmente coberto de giz. Nos cinco painéis da sala adjacente, o carvão vegetal é aplicado sobre as telas pintadas de branco. No centro de cada painel aparece uma imagem branca que é a projeção nas quatro paredes e no teto de um pedaço de carvão. O chão está coberto de pedaços de carvão vegetal. Branco e preto se misturavam pela ação dos espectadores participantes.

Na exposição Chão de Giz, para abordar esse marco histórico, incluem-se duas pinturas de Meireles que foram exibidas na individual de 1986. A instalação Cinza (1984-1986) está entre as obras que foram selecionadas pelos curadores Júlia Rebouças e Diego Matos para a retrospectiva de Cildo Meireles, intitulada Entrevendo, que será inaugurada no final de setembro no Sesc Pompeia.

No início dos anos 2000, a GLS incorporou dois outros pisos do edifício da Rua Oscar Freire, para ampliar seu programa de exposições, passando a realizar duas ou mesmo três mostras concomitantes no espaço. O experimentalismo que sempre foi marca-registrada da galeria e de seus artistas se espraiou para o térreo e o terraço – que sediou memoráveis projetos site-specific. Antes mesmo de dispor de mais espaço físico, já havia o fomento do caráter público da arte contemporânea por parte da Galeria Luisa Strina, faceta que ganhou notoriedade com a intervenção de Félix González-Torres no outdoor que havia na fachada do prédio. Em 2004, Renata Lucas realizou o histórico Cruzamento no encontro das ruas Padre João Manuel e Oscar Freire.

Também nos anos 2000, além dos nomes internacionais que já figuravam no time de artistas, como Muntadas e Alfredo Jaar, ou dos grandes nomes que já tinham feito mostras individuais aqui, como Julião Sarmento (1992), Anish Kapoor (1996), Win Delvoye (1997), e Jenny Holzer (2000), outra inovação capitaneada por Strina iria transformar, mais uma vez, a cena: o início de um diálogo mais estreito com latino-americanos. Jorge Macchi e Carlos Garaicoa passam a ser representados no Brasil pela GLS. Em dez anos, o intercâmbio com a América Latina cresceu. Hoje, a galeria representa artistas da Argentina (Pablo Accinelli, Eduardo Basualdo, Matias Duville, Magdalena Jitrik, Macchi e Adrián Villar Rojas); Chile (Jaar); Colômbia (Mateo López, Bernardo Ortiz, Nicolás Paris e Gabriel Sierra); Costa Rica (Federico Herrero); Cuba (Garaicoa); México (Pedro Reyes); e Venezuela (Juan Araujo e Alessandro Balteo-Yazbeck).

São 16 artistas, o que significa – quando somados aos demais estrangeiros representados – um perfil de fato internacional para a galeria, com 50% de artistas brasileiros e 50% de fora do país. Grande diferencial dos dez anos mais recentes na história da Galeria Luisa Strina, o fomento do intercâmbio com os países vizinhos mudou a cara do mercado de arte em São Paulo e das grandes coleções, que se abriram para uma narrativa da arte brasileira em diálogo com o contexto maior do continente, tornando-as mais complexas e mais completas, e inserindo, por consequência, a produção nacional no contexto maior da realidade política e social latino-americana. Neste período, outro marco foi a galeria se tornar representante de Robert Rauschenberg na América Latina.


Chão de Giz [Chalk Floor] salutes the 45th anniversary of Galeria Luisa Strina, which is celebrated more precisely on December 17, date when the second exhibition of the commemorative cycle will be inaugurated. In this first stage, a group show revisits iconic works originally exhibited at the gallery over a period that spans from 1974 to the mid-1990s. To the historical works are added other pieces by artists who joined the gallery’s cast in the 2000s, setting up a diachronic dialogue around the curatorial theme: chalk floor.

A chalk floor – which could also be a charcoal floor – constitutes an unstable ground, on which one moves with some hesitation initially. The show’s title, of course, alludes to Cildo Meireles’ work ‘Cinza’ (1984/1986) – an artist whose career goes hand in hand with that of the gallery, and vice versa, during the last four decades. It also refers to the political and cultural context of the 70s in Brazil. It was on unstable ground from the point of view of freedom of expression that Galeria Luisa Strina opened its doors in December 1974.

Antonio Dias, Caetano de Almeida, Carlos Fajardo, Cildo Meireles, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza, Fernanda Gomes, Ivens Machado, Jorge Guinle, Leonilson, Luiz Paulo Baravelli, Marina Saleme, Milton Machado, Mira Schendel, Muntadas, Nelson Felix, Nelson Leirner, Regina Silveira, Tunga, Waltercio Caldas and Wesley Duke Lee are some of the artists who actively participated in the first 20 years or so of this journey that merges itself with the recent history of Brazilian art, and whose works are gathered in this exhibition.

An alternative reading of the “chalk floor”, however, accounts for the wobbly path of the new languages that were at the height of experimentation when Luisa Strina founded the gallery, which until then lived and reproduced “deliberately in shadow”. Even with redemocratization, the “opening rhetoric” did not encourage “opening languages” – to use expressions from the early 80s debate of ideas. The condition of the new that experimental art proposed did not please the dominant culture of the time, that kept “the old-new commitment.”

This year’s entire program celebrates the anniversary, beginning with its two inaugural shows, by Anna Maria Maiolino and Beto Shwafaty, which symbolize Strina’s core vision since opening its doors in late 1974: unrestricted freedom of expression for artists, to experience and dare always, whether in language or in content of their works. The values of freedom and experimentation gave shape and fame to an unconventional space that fostered and diffused conceptual art at the heat of the moment it was being invented, reinvented, and deconstructed.

For the 2019 edition of SP-Arte, the gallery included in its booth, for the first time, works of the forerunner of American pop, Robert Rauschenberg. Other highlights of this year’s GLS stand were works by Mona Hatoum, Alfredo Jaar, Cildo Meireles, Muntadas, and Leonor Antunes to mark the 45th anniversary.

In the course of the first semester, the gallery also held solo shows by Carlos Garaicoa, Miguel Rio Branco and Magdalena Jitrik, as well as a group show that brought together works by three great names of conceptualism in the art world: Jimmie Durham, Cildo Meireles and Pedro Cabrita Reis. This second semester, the commemorative shows continue with solo exhibitions by other longtime partners: Caetano de Almeida and Brian Griffiths [both shows from August to September]; Laura Lima and Matias Duville [from late September to early November]. And to live up to its tradition of innovating, the gallery closes the year with an exhibition by a young British artist, Caragh Thuring, starting on November 19th.

As the first Brazilian gallery dedicated exclusively to contemporary art, Galeria Luisa Strina has its history linked to the internationalization of Brazilian art, as well as to the history of the internationalization of Brazilian art collections. The pioneering presence in Art | Basel is one of the reasons that explain this indisputable fact. Another is the standpoint that Luisa Strina has since the creation of her gallery to present solo shows by foreign artists in São Paulo.

It was during this early stage that nowadays celebrated exhibitions were held, such as Cildo Meireles’s Cinza (1986) that occupied the main exhibition room of the gallery with an installation that challenged the visual and physical perception of the visitor, invited to enter two rooms in the shape of a cube, consisted of five canvas panels painted with acrylic paint. The inner side of the five panels of one room, the black-painted canvases are scribbled with white chalk, leaving only a black image at the center of the panels, which was the projection of a chalk stick. Its floor is completely covered in chalk. On the five panels of the adjoining room, charcoal is applied to the white painted canvas. At the center of each panel there’s a white image that is the projection on the four walls and on the ceiling of a piece of coal. The floor is covered with pieces of charcoal. White and black were mixed by the action of the participating spectators.

Chão de Giz, to address this historic milestone, includes two paintings by Meireles that were exhibited at the 1986 solo show. The installation Cinza [Gray] (1984/1986) is among the works that were selected by curators Julia Rebouças and Diego Matos for Cildo Meireles’ retrospective ‘Entrevendo’, which opens in the end of September at Sesc Pompeia.

In the early 2000s, GLS incorporated two other floors of the Oscar Freire Street building to expand its exhibition program to two or even three concurrent exhibitions in the space. The experimentalism that has always been a hallmark of the gallery and its artists was stretched to the ground floor and to the terrace – which hosted memorable site-specific projects. Even before having more physical space, there was already the promotion of the public ethos of contemporary art by Galeria Luisa Strina, a facet that gained notoriety with the intervention of Félix González-Torres on the billboard on the facade of the building. In 2004, Renata Lucas performed the historic Crossing at the intersection of Padre João Manuel and Oscar Freire streets.

Publicado por Patricia Canetti às 1:14 PM


Ana Teixeira no Maria Antonia, São Paulo

Maria Antonia da USP inaugura a individual da artista Ana Teixeira que traz a conversa como procedimento de criação e ação política

O Centro Universitário Maria Antonia da USP recebe, a partir de 23 de agosto, a exposição É tarde, mas ainda temos tempo. A mostra individual da artista Ana Teixeira traz para o ambiente expositivo registros e desdobramentos de algumas ações feitas por ela em espaços públicos de diferentes lugares. A curadoria é de Galciani Neves (ler texto curatorial).

A mostra configura-se como uma panorâmica de seus 20 anos de trajetória, celebrados recentemente em um livro lançado em dezembro de 2018, cujo título “Para que algo aconteça” reafirma seu interesse por uma arte que propicie encontros -- sejam eles efêmeros, amorosos, incômodos ou mesmo inconvenientes. Encontros que podem ser, antes de tudo, enfrentamentos entre os sujeitos participantes de suas ações e eles próprios.

Para a artista, importam os acontecimentos e suas possíveis repercussões nos participantes. Teixeira tem como referência artistas que também experimentaram gestos de troca com o público, como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape. “Para mim, é a possibilidade de abrir-se para o que se apresenta, a um ser ou a algo, a uma situação, a uma obra de arte, ou a si mesmo. E a entrega é, antes de tudo, um ato de coragem”, salienta.

A exposição conta, ainda, com novos trabalhos. Um deles é Cala a boca já morreu, uma série de desenhos em tamanho natural, feitos diretamente em uma das paredes da sala, de 43 mulheres com quem a artista conversou no entorno do Centro Maria Antonia durante o mês de março de 2019, perguntando-lhes o que elas não querem mais calar. Segundo a artista, o trabalho dialoga diretamente com o momento atual, principalmente no Brasil -- mas não apenas no país. “Vivenciamos a derrocada das democracias e o fortalecimento de movimentos de direita, que ameaçam as liberdades individuais e coletivas. Esta ação de dar voz às mulheres, indistintamente, em ruas e outros espaços públicos, é um ato de luta e resistência”, enfatiza.

As ações Outra Identidade e Escute! serão realizadas pela artista algumas vezes durante o período da mostra. O título incita os visitantes a pensar nas dificuldades atuais como possíveis de serem superadas. ”É tarde, mas ainda temos tempo para rever, reverter, provocar, desafiar, estimular o senso crítico, propor trocas, exercitar a tolerância, encontrar-se, ofertar-se, fortalecer-se e fortalecer o outro, ver o outro, ouvir o outro, dar espaço ao outro. Ainda temos tempo para acontecer”, analisa Teixeira.

No dia 28 de agosto, às 19 horas, a artista e a curadora participam do programa Conversa na exposição, e convidam o público a refletir em conjunto sobre as obras expostas.

Publicado por Patricia Canetti às 11:11 AM


agosto 19, 2019

Anna Maria Maiolino expõe vídeos no Masp, São Paulo

MASP faz retrospectiva em vídeo de Anna Maria Maiolino: Museu expõe nove vídeos da artista, um dos principais nomes da cena contemporânea brasileira

Um dos nomes mais importantes da cena contemporânea brasileira, a artista multimídia Anna Maria Maiolino (Scalea, Itália, 1942 - vive em São Paulo) ganha uma retrospectiva de sua obra no MASP. A Sala de Vídeo: Anna Maria Maiolino, com nove trabalhos da artista, abre ao público no dia 23 de agosto, ao lado das coletivas Histórias das mulheres e Histórias feministas, ligadas ao eixo curatorial que pauta a programação do museu neste ano, Histórias das mulheres, histórias feministas.

Com curadoria de Horrana de Kássia Santoz, assistente curatorial do MASP, a mostra apresenta os nove títulos selecionados em três telas: duas laterais, com trabalhos dos anos 1970-1980, e uma central, com trabalhos dos anos 2000, criando uma espiral de acontecimentos. Os trabalhos dos anos 1970 têm em comum o Super 8, formato adotado por diversos artistas da época, porque, além de permitir maior experimentação, cria diálogos com o cinema e a fotografia, entre outras linguagens. “Eu fiz uso do Super-8 porque tinha necessidade de experimentar”, diz a artista Anna Maria Maiolino.

Os vídeos dos anos 1970 também têm em comum a ditadura militar como pano de fundo. A repressão, o silenciamento, a tensão, bem como o conflito e o clima de guerra -- que Anna Maria viveu na infância, na Itália -- perpassam a obra da artista. Em In-Out (Antropofagia), o primeiro filme da mostra, uma câmera focaliza duas bocas alternadamente. O vídeo, feito entre 1973 e 1974, inicia com uma boca tapada como um gesto de censura. Em X (1974), um olho coberto com renda preta ocupa toda a tela. Em outro recorte, veem-se tesouras e gotas de sangue pelo chão branco.

Outros vídeos, como Um tempo (uma vez), feito entre 2009 e 2012, e Aos quatro ventos, produzido entre 2001 e 2011, revelam outra característica da criação da artista: o peso maior dado ao processo do que à obra em si. Maiolino não tem pressa de terminar um vídeo, pode levar anos para concluir um trabalho. ”Posso começar um vídeo e pausar o trabalho, à espera de algo. A arte é, para mim, um meio de obter autoconhecimento”, conta a artista, que por vezes trabalha a partir de escritos poéticos de próprio punho.

Para a curadora da mostra, é notável como a palavra, o tempo e o silêncio se tornaram matéria-prima para Maiolino. “Boa parte dos filmes e vídeos recorrem ao enquadramento em close up de partes do corpo, como as mãos, os olhos, a boca, que enfatizam a narrativa política e histórica, reforçado por um elaborado trabalho de edição, seus cortes, montagens e trilhas”, diz Horrana de Kássia Santoz.

Trajetória da artista

Filha de pai italiano e mãe equatoriana, Anna Maria Maiolino nasceu em 20 de maio de 1942, em Scalea, Calábria, na Itália. Caçula entre dez filhos, Maiolino sempre foi um corpo em movimento. Em 1943, sua família se refugiou no interior do país fugindo dos bombardeamentos em Scalea, durante a Segunda Guerra Mundial. Duas bombas atingiram a casa dos Maiolino. Em 1954, a família emigrou para a Venezuela devido à escassez do pós-guerra. Entre 1958 e 1960, Maiolino passou a estudar no curso de Arte Pura, na Escola Nacional Cristóbal Rojas, em Caracas.

Aos 18 anos, chegou ao Brasil e se instalou no Rio, onde começou a fazer cursos livres de pintura e xilogravura na Escola Nacional de Belas Artes. Foi aluna de Adir Botelho e assistente do ilustrador e desenhista Oswaldo Goeldi. Participou da Nova Figuração, movimento de reação à abstração e tomada de posição frente à ditadura militar que se impunha no Brasil. Na mesma época, Maiolino conheceu Rubens Gerchman, com quem se casou em 1963 e teve dois filhos: Micael e Verônica.

Para artista, a década de 1970 foi significativa à experimentação e à utilização de diversas mídias como a poesia escrita, a utilização de filmes Super 8 — suporte de filmagem utilizado em alguns dos filmes apresentados no MASP —, performance e fotografia; além de continuar a utilizar o desenho, a pintura e a escultura como recursos para o seu ofício.

“Eu me esforçava para realizar meu trabalho de arte, ser esposa, mãe e cidadã. Percebia que me encontrava num momento rico da arte brasileira, apesar da sombra obscura da ditadura, que se anunciava”, conta.

Histórias das mulheres, histórias feministas

Todos os anos, a programação do MASP é guiada por um eixo temático pensado em torno de histórias, elaboradas a partir de diferentes perspectivas, incluindo narrativas reais, ficcionais, pessoais e documentais, vários suportes e distintas temporalidades e territórios — em 2016, foram as Histórias da infância, em 2017 as Histórias da sexualidade e em 2018, as Histórias afro-atlânticas. As histórias inauguram sempre uma grande coletiva e também pautam exposições individuais, oficinas, seminários, cursos e palestras ao longo do ano. Em 2019, o eixo Histórias das mulheres, histórias feministas destaca a produção de mulheres artistas, de diferentes nacionalidades, gerações e origens, com o objetivo de promover discussões sobre feminismos e representatividade nas artes.

SINOPSES DOS VÍDEOS
(pela ordem de exibição na sala)

In-Out (Antropofagia), 1973-74, 8’17”, Super 8, transcrito em vídeo em 2000
Roteiro, direção e montagem: Anna Maria Maiolino
Música: Laura Clayton
Fotografia: Sigmund Zehr (18 imagens por segundo, colorido)
Participação especial: João Eduardo Osório

A câmara focaliza alternadamente a boca de um homem e a de uma mulher, em um diálogo/não diálogo. O filme não possui história linear. Muda a mensagem, e a cor dos lábios. Figuram signos: o fio, os dentes, a boca tapada com esparadrapo, a impossibilidade da fala, a censura. O último suspiro.

X, 1974, 3’06”, Super 8, transcrito em vídeo em 2000
Roteiro, direção e montagem: Anna Maria Maiolino
Música: Vania Dantas Leite
Fotografia: Max Nauenberg (18 imagens por segundo, colorido)

A câmera focaliza um olho, que ocupa toda a tela. A câmera parada, fora da cena, é o outro olho, que observa desde fora. O outro elemento é o perigo — a tesoura cortante — e os traços de sangue.

Um Tempo (uma vez), 2009/2012, 7’34”, filmado em câmera digital
Música: Anna Maria Maiolino e Mateus Pires
Fotografia: Anna Maria Maiolino
Edição: Anna Maria Maiolino e Rafael Costa
Participação especial: Gabriel Gerchman, Verônica Gerchman e João Araújo

O interior de um carro em uma viagem por carreteiras.

Y, 1974, 2’23”, Super 8, transcrito em vídeo em 2000
Roteiro, direção e montagem: Anna Maria Maiolino
Música: Vânia Dantas Leite
Fotografia: Max Nauenberg (18 imagens por segundo, preto e branco)

Um grito e os olhos vendados de uma personagem se sucedem a espaços negros no tempo. Registro do momento presente, a repressão militar.

Um dia, 1976/2015, 4’, Super 8, transcrito e editado em 2015
Fotografia: Mônica Barbosa
Som e edição: Anna Maria Maiolino e Mateus Pires

Registro realizado em visita à Quinta da Boavista, no Rio, antiga fazenda particular, depois residência imperial e hoje sede do Museu Nacional e do zoológico da cidade. Ao seu lado, fica a caserna de um batalhão do Exército. Sons obtidos por pios artesanais de Tânia Piffer compõem a trilha.

09, da série LOG (Apresentações), 2013, 6’54”, vídeo digital
Roteiro, direção e fotografia: Anna Maria Maiolino
Edição: Anna Maria Maiolino e Mateus Pires

A série reúne autorretratos sonoros ou autodocumentários sobre experiências de vida. A voz da artista é o espelho da memória de realidades e fantasias. A narrativa tem linguagem híbrida, devido às sobreposições de fatos e emoções. A série de obras é uma e é múltipla, parte de um projeto maior de instalação visual e sonora, Sine Die [Sem Data], iniciado em 2003 e nunca exposto na totalidade.

+ - = - (mais menos: igual a menos), 1976, 3’23”, Super 8, transcrito em vídeo em 2000
Roteiro, direção e montagem: Anna Maria Maiolino
Fotografia: Maria do Carmo Secco (18 imagens por segundo, preto e branco)
Participação Especial: Paulo Herkenhoff e Bruno Tauz

Dois jogadores disputam uma partida de ovos sobre uma mesa. Os ovos rolam pelos campos adversários sob o risco de cair e quebrar. O filme não aponta o vencedor.

Ad Hoc, 1982/2000, 3’41”, sonorizado e transcrito em vídeo em 2000
Roteiro e direção: Anna Maria Maiolino
Música: Paulo Humberto Moreira
Fotografia: Regina Vater
Participação Especial: Paulo Bruscky

Ad Hoc; a propósito em latim. As mãos, sem o corpo do homem, aparecem sobre o fundo preto da blusa. A trilha traz trechos da obra de Antonin Artaud, ainda atuais por nossos problemas sociais.

Aos Quatro Ventos, 2001/2011, 4’32”, filmado em H8 e transcrito em digital em 2001
Argumento, edição e fotografia: Anna Maria Maiolino
Atriz: Marilena Bibas
Voz: Verônica Gerchman

O personagem principal e motivador dessa obra é uma mulher que caminha no parque do Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro e fala com um personagem invisível.

Publicado por Patricia Canetti às 2:16 PM