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agosto 21, 2018

Mostra de Performances E eu não sou uma mulher? no Tomie Ohtake, São Paulo

Na ampla programação que integra a exposição Histórias Afro-atlânticas (em cartaz no Instituto Tomie Ohtake e no MASP até dia 21 de outubro), o Instituto Tomie Ohtake realiza uma série de atividades com artistas negras, entre as quais a Mostra de Performances E eu não sou uma mulher? que traz produções das artistas Luciane Ramos Silva, Michelle Mattiuzzi, Priscila Rezende e Renata Felinto, que dialogam com as questões da negritude feminina.

MOSTRA DE PERFORMANCES – E EU NÃO SOU UMA MULHER?

24 de agosto, sexta-feira, 19h
Sobre o papel branco (black process), com Michelle Mattiuzzi
Classificação indicativa 18 anos
Musa Michelle Mattiuzzi tornou-se devir musa em meados dos anos dois mil, numa cidade muito próspera localizada ao nordeste do Brasil: Salvador de Bahia. E foi daí que ela ganhou o mundo. Hoje vive sem pedir passagem. Agora está em Atenas mirando e desobedecendo com orgulho e graça, fazendo outro corpo em referência à música de um cantor carioca. Popular, foi premiada pela Instituição Prize Pipa na categoria online (2017). É uma garota grosseiramente fofa, gosta de desobediência, vive as luzes do fracasso. (Des)empoderada lidera o crime desorganizado da vida. Viva, corre o medo da morte. Em comunidade vive o patriarcado assolado pelo discurso coletivo. É preta, é mulher, e lésbica. Vive nas ruínas sob a paisagem da desordem do mundo.

25 de agosto, sábado, 17h
Como erguer baronatos, com Priscila Rezende
Classificação indicativa livre
Priscila Rezende é graduada em Artes Visuais. Dentre seus trabalhos destacam-se 1ª Mostra Perplexa de performances (2010); Outra Presença (2013); Limite Zero (2014); Projeto Raiz Forte (2015); The Incantation of the Disquieting Muse (2016); Perfura Ateliê de Performance (2017); Mostra Performatus #2 (2017); Festival Performe-se (2017); Negros Indícios (2017). Foi artista residente na instituição Central Saint Martins, Londres/2018.

25 de agosto, sábado, 19h
Axexê de A Negra ou o descanso das mulheres que mereciam serem amadas, com Renata Felinto
Classificação indicativa 18 anos
Renata Felinto é artista visual e professora. Doutora e mestra em Artes Visuais e especialista em Curadoria e Educação em Museus. Compôs o conselho editorial da revista O Menelick 2º Ato e é membro da Comissão Científica do Congresso CSO 2017-8 da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Coordenou o Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil. A arte produzida por mulheres e homens negros descendentes tem sido principal tema de pesquisa.

26 de agosto, domingo, 19h
E SE? Na fresta da certeza, o vermelho escuro, com Luciane Ramos-Silva e participação de Verônica Santos, Malu Avelar, Juliana Jesus e Keithy Alves
Classificação indicativa: livre
Luciane Ramos-Silva é antropóloga e artista da dança, doutora em Artes da Cena e mestra em Antropologia. É membro do conselho editorial da revista O Menelick 2º Ato, gestora de projetos do Acervo África e professora na Sala Crisantempo. Atua em parceria com diversos coletivos e instituições nas encruzilhadas das áreas de dança, pedagogia e crítica cultural. Sua tese abordou as noções de colonialidade, os currículos de graduação e a proposta pedagógica que intitula Corpo em Diáspora.

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 – Complexo Aché Cultural, Pinheiros, São Paulo
(Entrada pela Rua Coropés, 88)
Metrô mais próximo – Estação Faria Lima / Linha 4 – Amarela

Publicado por Patricia Canetti às 5:54 PM


Iran do Espírito Santo & Fred Sandback na Carpintaria, Rio de Janeiro

O artista brasileiro Iran do Espírito Santo (Mococa, 1963) exibe uma seleção de trabalhos inéditos ao lado de obras do norte-americano Fred Sandback (Bronxville, 1943 - Nova York, 2003) na Carpintaria, espaço da Fortes D’Aloia & Gabriel no Rio de Janeiro cuja vocação é a proposição de diálogos, encontros e exercícios de pensamento entre diferentes artistas, formas de expressão e linguagens. O dueto, Iran do Espírito Santo & Fred Sandback, realizado em conjunto com o Fred Sandback Estate e a David Zwirner Gallery, sublinha as afinidades criativas das vastas produções artísticas da dupla, ainda que suas trajetórias estejam separadas por intervalos geracionais e distâncias geográficas.

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Um dos principais nomes vinculados ao Minimalismo norte-americano, Fred Sandback tornou-se internacionalmente conhecido por suas esculturas de fio acrílico, em que delineia o espaço tridimensional e cria formas volumétricas a partir de recursos mínimos. Na década de 1960, nos Estados Unidos, o minimalismo emerge no campo das artes visuais como uma reação às manifestações artísticas do pós-guerra. Artistas como Sandback, Donald Judd, Sol Lewitt e Agnes Martin questionavam, em suas obras, os preceitos do Expressionismo Abstrato, considerados por eles acadêmicos e já obsoletos. Deste modo, distanciavam-se dos simbolismos e da carga dramática das pinturas expressionistas e privilegiavam a materialidade dos objetos e aparatos que empregavam em suas criações, frequentemente de origem industrial.

Iran do Espírito Santo inicia sua obra na década de 1980, em São Paulo, após graduar-se pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). Assim como na trajetória artística de Sandback, o momento inicial da carreira do artista é marcado pelo ímpeto em responder ao movimento artístico anterior – neste caso a pintura neoexpressionista, típica daquela década. Em seus desenhos, esculturas e instalações, Iran passa a questionar os códigos da representação visual, tensionando a relação entre o que é o visto e aquilo que é apreendido pela visão do espectador. É a questão que se apresenta, por exemplo, em Compressão horizontal (2018), pintura realizada diretamente na parede lateral direita da Carpintaria. Ao criar um gradiente de tons de branco, cinza e preto em uma parede com cerca de 15 metros de comprimento, o artista expande as possibilidades perceptivas do espaço expositivo.

A relação entre a obra e o ambiente em que esta se situa é questão fundamental também para as esculturas de Sandback. Ao esticar diferentes extensões de fio acrílico em disposições horizontais, verticais ou diagonais, o artista desenvolve uma sintaxe visual singular, criando planos pictóricos e volumes arquitetônicos capazes de subverter a experiência de determinado espaço. Em Untitled (Sculptural Study, Ten-part Vertical Construction) (c. 1991-2018), dez fios fixados precisamente do chão ao teto da sala expositiva desvelam uma prática artística que mescla rigor e simplicidade, exatidão e experimentação.

O interesse de ambos pela linha torna-se evidente na seleção de desenhos de cada um. Na série inédita UHT – sigla que designa “unidade de habitação temporária” – Iran desconstrói geometrias cúbicas ao desenhar extensiva e repetidamente linhas horizontais e verticais com grafite. Se para muitos artistas o desenho comumente ocupa o lugar de experimento e estudo anterior à confecção de esculturas ou pinturas, para essa dupla a prática do traço no papel revela-se como uma pesquisa das possibilidades intrínsecas do desenho enquanto plataforma em si. Empregando ora pastel ora lápis de cor, Sandback transcende o uso trivial do desenho enquanto esboço, projeto; busca, em contrapartida, transferir seu pensamento escultórico para o plano bidimensional.

Riscando o ar e as paredes, os trabalhos de Iran e Sandback adentram o campo da imaterialidade, transcendendo a fragilidade de seus materiais e tornando a luz e o espaço entrelinhas os agentes ativos do trabalho, elementos de alta solidez visual. Relacionando-se em uma situação instalativa no espaço da Carpintaria, as obras da dupla forjam não apenas uma correspondência ativa como instauram um estado de contaminação positiva entre si. Circunstâncias históricas e hiatos temporais à parte, trata-se do encontro de duas práticas artísticas que convergem no delicado território da precisão conceitual, da meticulosidade técnica e do rigor formal.


Brazilian artist Iran do Espírito Santo (Mococa, 1963) shows a selection of original works next to pieces by American Fred Sandback (Bronxville, 1943 – New York, 2003) at Carpintaria, Fortes D’Aloia & Gabriel’s venue in Rio de Janeiro, whose mission is to propose dialogues, meetings and think tanks, of various artists, expressions and discourses. The duet, Iran do Espírito Santo & Fred Sandback, performed in conjunction with the Fred Sandback Estate and David Zwirner Gallery, highlights the creative affinities of the duo’s vast artistic productions, even though their trajectories are separated by generational and geographical gaps.

One of the main names linked to American minimalism, Fred Sandback became internationally known by his acrylic yarn sculptures, with which he outlines three-dimensional space and creates volumetric shapes with minimal resource employment. In the US from the 60’s, minimalism emerges as a reaction to post-war artistic expressions in visual arts. Artists like Donald Judd, Sol LeWitt and Agnes Martin used their work to question the principles of Abstract Expressionism, which they considered scholarly and already obsolete. Therefore, they would keep away from the expressionist paintings symbolism and drama charge, and highlight the material aspect of the often industrially sourced objects and devices employed in their works.

Iran do Espírito Santo initiates his career in the 80’s, in São Paulo, after graduating at FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). Like Sandback’s artistic journey, the artist’s career starting point is marked by the urge to respond to the previous art movement – in this case neoexpressionist painting, typical from the 80’s. In his drawings, sculptures and installations, Iran starts to question visual representation codes, tightening the relationship between what is seen and what is understood by the viewer’s sight. That’s the question that is presented, for example, in Compressão Horizontal [Horizontal Compression] (2018), a painting made straight over Carpintaria’s side wall. When creating a gradient of white, grey and black shades on a 50 feet wide wall, the artist broadens the exhibition room’s perceptive possibilities.

The relationship between work and the environment it occupies is a fundamental question for Sandback’s sculptures. While stretching various lengths of acrylic yarn in vertical, horizontal, and diagonal ways, the artist develops a unique visual syntax, creating pictorial planes and architectural volumes capable of subverting a certain space’s experience. In Untitled (Sculptural Study, Ten-part Vertical Construction) (c. 1991-2018), ten threads precisely pinned from floor to ceiling reveal an artistic practice that merges accuracy and simplicity, precision and experimentation.

Their interest in the line becomes clear with the selection of drawings by each one of them. In the original series UHT – acronym for “unidade de habitação temporária” [“temporary housing unit”] – Iran deconstructs cubic geometry while extensively and repeatedly drawing horizontal and vertical lines with a pencil. If, for many artists, drawing tends to occupy a place of experimentation and sketching prior to sculpture or painting production, for this duo the practice of tracing on paper seems to be a research of the inner possibilities of drawing as a platform itself. Sometimes using pastel, sometimes colored pencils, Sandback transcends the trivial use of drawing as a sketch, as a project; he seeks, instead, to transfer his sculptural mindset to a two-dimensional plane.

Streaking the air and the walls, Iran and Sandback’s pieces enter the immateriality field, transcending the frailty of its materials and making the light and the space between lines into elements of high visual solidity. Engaging in an installation-like situation at Carpintaria’s gallery, the duo’s pieces not only forge an active correspondence, but also establish a state of positive contamination between them. Apart from the historical conditions and time gaps, here is a meeting of two art practices that converge into the delicate area of conceptual precision, technical meticulousness and formal accuracy.

Publicado por Patricia Canetti às 4:35 PM


agosto 20, 2018

Raquel Nava na Alfinete, Brasília

Parceria entre a artista Raquel Nava e o taxidermista César Leão, a exposição Apresuntados ficará aberta ao público de 25 de agosto a 5 de setembro na Galera Alfinete. A mostra reúne três séries fotográficas produzidas com material do acervo do Museu de Anatomia Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), assim como objetos criados a partir de apropriações e técnicas aprendidas pela artista no período de sua residência artística no local.

O trabalho, realizado a partir de estudos, pesquisas, vivências e propostas artísticas, apresenta um diálogo entre arte e ciência, tanto em âmbito espacial (o museu e o laboratório), quanto em âmbito estético e conceitual (pesquisas e obras concebidas).

Na exposição, fruto do projeto “Taxidermia Contemporânea: transformações e apropriações de Pesquisa e Residência Artística”, contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), a artista investiga o ciclo da matéria orgânica e inorgânica em relação aos desejos e hábitos culturais, usando, para compor suas instalações, a taxidermia e os restos biológicos de animais justapostos à materiais industrializados. A variação cromática com a qual trabalha nos objetos e fotografias apresentados se aproxima da paleta utilizada na produção de pintura da artista.

O resultado da pesquisa e da residência artística está disponível em publicação on-line, no site do projeto (www.animalia.art.br). Após a exposição, parte das obras da artista vão compor o acervo do Museu de Veterinária da UnB, acessíveis para consultas, aprendizagens futuras e apropriações.

Ineditismo

O projeto tem caráter inédito e, por isso, é de relevância para a pesquisa em arte e ciência por trabalhar processos de construção e apropriação que serão observados no laboratório e no âmbito artístico. O ressurgimento da taxidermia na arte contemporânea constitui um fenômeno cultural que aponta para complexas camadas da nossa interação com os animais e com a natureza frente a crises capitalistas e ambientalistas.

Os produtos gerados na pesquisa impactam o cenário artístico e científico de Brasília ao trazer à luz estudos interdisciplinares, frutos de um labor técnico, científico, artístico e cultural.

Visitas Guiadas

Escolas interessadas em fazer visitas guiadas para conhecer o trabalho da artista em exposição na Galeria Alfinete e o acervo do Museu de Anatomia Veterinária podem fazer agendamento por meio do telefone 61-99222-2106.

Raquel Nava formou-se em artes visuais pela Universidade de Brasília, obteve título de mestre em Poéticas Contemporâneas pela mesma instituição (bolsa Capes) e foi aluna da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires. Trabalhou como professora de licenciatura em Artes Visuais da Universidade Aberta do Brasil - UAB/UnB (2010-2017).

Expõe com regularidade desde 2006, tendo realizado mostras individuais em Brasília, no Rio de Janeiro, em Lima e em Paris. Entre suas exposições recentes estão as individuais Besta Fera Pop Fauna na Alfinete Galeria - Brasília (2017), Suturas com curadoria de Raphael Fonseca na Portas Vilaseca Galeria - Rio de Janeiro (2017) e Proyecto Nazca com curadoria de Manuel Neves na Galeria El Paseo – Lima (2015).

Participou de mostras coletivas em espaços como Grosvenor Gallery Manchester School of Art - Inglaterra, La Ira de Dios - Buenos Aires, Instituto Tomie Othake – São Paulo, Museu Oscar Niemeyer/MON - Curitiba, Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães/MAMAM- Recife, Galeria de Arte UFF – Rio de Janeiro, Funarte - Brasília, entre outros.

Recebeu prêmio no 19º Salão Anapolino de Arte, além de participar de residência artística em Buenos Aires (Argentina) e Berlim (Alemanha). Possuí obras no acervo do Museu Nacional da República de Brasília, no Centro Cultural Universidade Federal de Goiás/UFG, na Casa da América Latina/CAL-Universidade de Brasília/UnB e na Fundação Boghossian em Bruxelas (Bélgica).

Em 2016, teve o projeto “Taxidermia Contemporânea: transformações e apropriações de Pesquisa e Residência Artística” contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura/DF- Brasília. Indicada ao Prêmio Pipa 2018, foi selecionada para Prêmio Transborda 2015 e 2018 – Caixa Cultural Brasília. Vive e trabalha em Brasília.

Publicado por Patricia Canetti às 3:04 PM


Berna Reale na Nara Roesler, São Paulo

Em sua primeira individual em São Paulo, com curadoria de Agnaldo Farias, Berna Reale aprofunda sua investigação sobre a violência. Suas performances, que renderam vídeos, fotografias e instalações, tornaram-na conhecida nacional e internacionalmente, do que é exemplo o convite para representar o Brasil na Bienal de Veneza de 2015. Tudo isso aconteceu em poucos anos. É que Berna chegou com uma obra madura, toda ela focada nesse que é um dos aspectos mais sensíveis do nosso país. Fixada em Belém, lá, como em qualquer outra grande cidade brasileira, os jornais trazem cadernos policiais cada vez mais minuciosos; os noticiários televisivos transformaram-se em relatórios de barbaridades; fome, assassinatos e as insurreições fazem parte do cotidiano; as pessoas compartilham imagens de violência pelas redes sociais. Perita Criminal, a artista testemunha intestinamente a naturalização crescente, exponencial, da violência na vida das pessoas.

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Protagonizadas por ela mesma, suas performances tocam abertamente nesses temas e problemas afins, mas de um modo capaz de renovar nossa indignação, medo e tristeza. Em Gula, sua primeira exposição na Galeria Nara Roesler, Berna Reale, mantendo o mesmo eixo de questionamentos, mudou de direção, tornou-se menos explícita, menos literal, exigindo do espectador a decifração de signos mais sutis.

Composta por seis séries fotográficas e uma instalação, a artista abre a exposição com um conjunto de imagens (Sobremesa) nas quais policiais devidamente paramentados, atacam com voracidade pedaços de bolos enfeitados, um desses bolos de festa, decorados por grossas camadas de cobertura. O uniforme de policiais são, como é de lei, como os assistimos ostensivamente desfilando nas nossas ruas, camuflados. Apenas mais um símbolo da guerra civil na qual nos metemos, mas que hesitamos em assumir. Os signos se chocam. O eventual riso do inusitado da cena, rapidamente cede espaço a uma pergunta: a que se refere a gana com que comem, esse devoramento ávido?

Sim, tem algo a ver com a marcha incessante do entredevoramento entre camadas sociais, o canibalismo mútuo, respingado de sangue, de que faz parte a arrogância dos responsáveis pela ordem que, mesmo do alto de suas baixas patentes, não hesitam em atirar no meio de comunidades, acertando inocentes, a voluptuosa repressão da legião de desvalidos, as revistas humilhantes aos membros da ralé, essa classe tratada como se não fosse gente, a qual, a maior parte deles, policiais, pertence.

O perigo de armar o poder decorre do prazer que isso gera. Uma ânsia que rapidamente se converte em sadismo mais ou menos explícito, como os que aplicam alguns daqueles que se colocam como porta vozes das divindades, os funcionários de igrejas responsáveis pelo comprometimento da infância (Comida batizada), como as meninas imberbes que são entregues a homens adultos (Comida caseira), como os que miram as mulheres como pedaços de carne (Comida de lobo), como os que atacam os travestis movidos pelo ódio, crentes de que esses não merecem existir, porque sequer são gente (Comida de Leão).

Merece destaque as duas imagens que compõem a série Comida de rua: três garotos (homens?), um branco, um negro, um mulato, vestidos apenas com calções, todos eles com o rosto voltado para a parede, mãos espalmadas para o alto, de costas, impossibilitados de encarar as faces de quem os constrangem. Um detalhe não deve escapar: cada um dos calções está decorado com uma estampa: pipoca, o branco, cachorro quente, o negro, batata frita, o mulato. Pipoca, cachorro quente e batata frita, três das comidas vulgares, rápidas e baratas com que se alimentam os desfavorecidos. Três exemplos da assim chamada junk food, própria para o saciamento rápido, como também são os rapazes que cometem o crime de serem pobres, aos olhos dos profissionais da ordem que, em suas batidas rápidas, frequentemente os arrocham pelo simples desejo de saborear seu doce poder.

Por fim, na última sala, a instalação Gula, um agrupamento de cinco caixões pequenos, destinados a crianças, semelhantes a um velório desbaratado. Trágico não fosse o fato de todos eles serem laqueados e ornamentados com confeitos, a matéria doce com que a infância se delicia.

Berna Reale é uma das artistas mulheres mais importantes no atual cenário contemporâneo do Brasil, sendo reconhecida internacionalmente como uma das principais praticantes da performance no país. Atuando entre as artes visuais e a perícia criminal, sua produção, composta por performances, fotografias, vídeos e instalações, é marcada pela abordagem crítica sobre os aspectos materiais e simbólicos da violência e os processos de silenciamento presentes nas mais diversas instâncias da sociedade.

Berna Reale nasceu em Belém do Pará/PA, Brasil, 1965, onde vive e trabalha. Formou-se em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém. Principais individuais e coletivas recentes incluem: Brazil. Knife in the Flesh, coletiva no Padiglione d'Arte Contemporanea Milano (PAC-Milano), Milão, Itália (2018), na qual apresentou Camuflagem (2018), sua primeira performance realizada fora de sua cidade natal; Lecture/Performance & Screenings: Berna Reale, individual no Miami Dade College Museum of Art + Design (MDC MOAD), Miami/FL, EUA (2017); Video Art in Latin America, coletiva no LAXART, West Hollywood/LA, EUA, parte do II Pacific Standard Time: LA/LA (2017); e Vão, individual no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), São Paulo/SP, Brasil (2017. Foi uma das representantes do Brasil na 56ª La Biennale di Venezia, Veneza, Itália (2015), participando também do 34º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo/SP, Brasil (2015), da Bienal de Fotografia de Liège, Liège, Bélgica (2006) e da 13ª Bienal de Arte de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal (2005). Recebeu as seguintes premiações: 5ª Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, Brasil (2015); Prêmio PIPA Online 2012, Rio de Janeiro/RJ, Brasil (2012); e Grande Prêmio do Salão Arte Pará, Belém/PA, Brasil (2009). Suas obras fazem parte de coleções institucionais, como: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo/SP, Brasil; Museu de Arte de Belém, Belém/PA, Brasil; e Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro/RJ, Brasil.


Galeria Nara Roesler | São Paulo is pleased to present Gula, Berna Reale’s first solo exhibition at the gallery, which deepens the artist’s research into violence. Her performances, which render videos, photographs and installations have allured national and international interest, exemplified by the invitation for the artist to represent Brazil in the 2015 Venice Biennale. This all happened very quickly. It’s because Berna entered the art scene with mature works, focusing on one of Brazil’s most sensitive and overpowering social issues violence. Mostly set in Belém do Pará, where like in any other large Brazilian city, newspaper crime sections have become increasingly detailed and television news shows are plagued by barbarities; hunger, murder and insurrections are part of daily life; and people share images of violence on social media, the artist is witness to an exponential increase in the naturalisation of violence in people’s lives.

Self-starred, her performances touch on these issues and others in a way that renews the viewer’s indignation, fear and sadness. In GULA (GLUTONY), Berna Reale maintains the same line of questioning from her previous research; however, her manner is less explicit and literal, pusing the viewer to decipher subtler signs.

Composed of six photographic series and one installation, the artist opens the exhibition with a set of images (Sobremesa - Dessert) in which trained policemen, voraciously attack decorated cakes layered with thick icing. The uniform-clad men ostensibly parade down the street, camouflaged. The scene is symbolic of the unaddressed civil war that has ensued in the country. The occasional laughter generated from the oddity of this scene gives way to the larger question: what is the avidity, this unbridled gluttony with which they eat about?

Yes, it is something to do with the incessant march in which social strata devour one another, the blood-splattered, arrogant canibalism of those tasked with securing order whom, despite their low ranks, do not hesitate to open fire amid communities, victimizing the innocent; their voluptuous crackdown on the underprivileged legions; the humiliating body searches they conduct upon the penniless; this class who get treated like they are not human, the same class most of the policemen themselves belong to.

The danger of giving weapons to those in power stems from the pleasure it brings. An eagerness which quickly turns into more or less explicit sadism, as in the case of those who tout themselves as spokespersons for divinities, the church staff who compromise childhood (Comida batizada), the pre-pubescent girls given over to grown men (Comida caseira), those who ogle women like pieces of meat (Comida de lobo), those who attack transvestites driven by hate and because they believe these people don’t deserve to exist, or that they are not even people to begin with (Comida de Leão).

It is worth mentioning the two images from the Comida de rua series: three boys (men?), one white, one black, one mixed, clad only in shorts, all of them facing the wall, their hands splayed upwards, unable to look at the faces of those berating them. Each of the boys’ shorts are adorned with a different print: popcorn for the white boy, hotdog for the black boy, and French fries for the mixed-race boy. Popcorn, hotdog and French fries; three of the vulgar, fast, cheap foods that the underprivileged feed upon. Three examples of so-called junk food, designed to bring about quick satiation, as are the kids whose crime is being poor, in the eyes of the professionals tasked with maintaining order, and whose quick pat downs will often harass them out of simple desire to savor their sweet power.

Finally, in the last room of the show is GULA, an installation composed of five small coffins, intended for children, forming something like an empty wake. Tragic, weren’t it for the fact that they are all lacquered and adorned with candy, the sweet matter that childhood delights in.

Text and curation: Agnaldo Farias

Publicado por Patricia Canetti às 12:52 PM


Artur Lescher na Nara Roesler, São Paulo

Depois de ser apresentada no México, a Galeria Nara Roesler traz a São Paulo a produção recente de Artur Lescher, em Asterismos. O substantivo plural, que dá título à exposição, designa um padrão proeminente ou conjunto de estrelas que, visto da Terra, remete a formas geométricas e figuras reconhecíveis. Ao contrário de uma constelação, no entanto, o termo não tem reconhecimento oficial pela comunidade científica. As cerca de dez esculturas e uma instalação reunidas transformam o cubo branco em um novo espaço cósmico inspirado na ideia de “asterismo”, esse lugar indecifrável pela ciência.

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Além da leveza que já atribuía a suas obras em metal ou madeira, nesta nova série de trabalhos, Artur Lescher (1962, São Paulo, Brasil) evidencia a transparência ao utilizar fios de multifilamento em algumas de suas esculturas e, principalmente, na instalação pensada especialmente para o espaço da Galeria. Desde o começo de sua produção, aos 22 anos de idade, o artista tem permanente interesse pela síntese, pela tensão e pela instabilidade no território das formas e do espaço, como meio de construção de paisagens incomuns.

A instalação, ao fundir várias formas geométricas, cilindros e cones feitos de latão, fios de multifilamento e aço inoxidável, dissolve as peculiaridades de cada elemento e forja algo que não se limita aos cânones da geometria e da arquitetura. Segundo Lescher, os materiais são atores, com inclinações e potências próprias que, combinadas, compõem um diálogo entre si e com o espaço circundante.

A exposição na Galeria Nara Roesler SP contará com texto de autoria de Juliano Pessanha, autor convidado da Flip 2018 e ganhador do prêmio APCA pelo livro Testemunho Transiente (Cosac Naify, 2015).

Há mais de trinta anos, Lescher apresenta um sólido trabalho como escultor, resultado de uma pesquisa em torno da articulação de matérias, pensamentos e formas. Neste sentido, o artista tem no diálogo singular, ininterrupto e preciso com o espaço arquitetônico e o design, e na escolha dos materiais, que passam pelo metal, pedra, madeira, feltro, sais, latão e cobre, elementos fundamentais para reforçar a potência deste discurso.

Ao mesmo tempo que o trabalho de Lescher está atrelado fortemente a processos industriais, atingindo requinte e rigor extremos, sua produção não tem por fim único a forma, está para além dela. Essa contradição abre espaço para o mito e a imaginação, ingredientes essenciais para a construção da sua Paisagem mínima [Galeria Nara Roesler, 2006].

Ao escolher nomear obras como Rio Máquina, Metamérico ou Inabsência (Projeto Octógono Arte Contemporânea, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2012), Lescher propõe uma extensão do trabalho, sugerindo uma narrativa, por vezes contraditória ou provocativa, que coloca o espectador em um hiato, em um estado de suspensão.

Artur Lescher nasceu em São Paulo, Brasil, 1962, onde vive e trabalha. Participou das 19ª e 25ª edições da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil (1987 e 2002), e da 5ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre/RS, Brasil (2005). Expôs em diversas coletivas na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos, além de duas mostras individuais, a primeira no Instituto Tomie Ohtake (ITO), São Paulo/ SP, Brasil (2006), e a segunda no Palais d’Iéna, Paris, França (2017).


Galeria Nara Roesler is pleased to present Asterismos (Asterisms), a presentation of Artur Lescher’s latest works and an iteration of a presentation at Mexico’s OMR Gallery. The show’s title, Asterisms means a prominent pattern or set of stars which, as seen from the Earth, are reminiscent of recognizable geometric shapes or figures. Unlike constellations, however, the term is not officially recognized by the scientific community. The exhibition, composed of fourteen sculptures and one installation, converts the the gallery into a new cosmic space, which when inspired by the notion of “asterism,” becomes indecipherable and undefinable by science.

Besides the levity imparted by his earlier metal and wood pieces, Lescher’s newest series explores transparency by using multifilament wires in some of the sculptures, but mostly in the installation specially designed for the gallery space. Since the beginning of his career, at age 22, Lescher has highlighted his interest in ideas of synthesis, tension and instability when it comes to shapes and space as a means of constructing uncommon landscapes.

The fusion of various geometric shapes, cylinders and cones built from tin, multifilament wire and stainless steel, the installation dissolves the nuances in each element as it forges something that isn’t restrained to the canons of geometry and architecture. According to Lescher, the materials are forces unto themselves, with their own inclinations and potencies, which convere with each other and the surrounding space.

The exhibition at Galeria Nara Roesler | São Paulo will feature a text by Juliano Pessanha, a guest author for Flip 2018 and the winner of the APCA prize for his book Testemunho Transiente (Transient Testimony, Cosac Naify, 2015).

Artur Lescher’s work investigates the tangible qualities of objects and their interaction with architecture. His preference for single volumes, suspended and subjected to the force of gravity creates a unique tension between the proportions of the space and the object. At the core of his practice is a focus on perceived boundaries, between, for example, reality and its represen- tation. This is further intensified by the use of materials such as metal, stone, wood, brass and copper, which have been removed from their usual functions and rearranged. Lescher gained broader recognition after his participation in the 19th Bienal de São Paulo (1987). He was also featured in the 2002 edition of the São Paulo Biennial and the 2005 Mercosul Biennial. The artist has been the subject of solo exhibitions in Latin America, Europe and the United States, includ- ing two exhibitions at the Tomie Ohtake Institute in São Paulo (2006) and, more recently, a solo exhibition at the Palais d’léna in Paris (2017).

Publicado por Patricia Canetti às 12:46 PM