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outubro 14, 2019

MASP Loja apresenta peças de artesanato e design feitas por mulheres brasileiras

MASP Loja exibe produtos de artesãs do Vale do Jequitinhonha (MG) e do Instituto Acaia (SP)

Em consonância com o eixo temático do museu em 2019, Histórias das mulheres, histórias feministas, espaço apresenta peças de artesanato e design feitas por mulheres brasileiras

Na noite do próximo 16 de outubro, o MASP Loja faz o seu lançamento anual de produtos. As peças que serão apresentadas seguem a proposta curatorial do museu em 2019, quando o MASP se organiza em torno do eixo Histórias das mulheres, histórias feministas. O lançamento, que acontece no espaço da loja das 19h às 21h, dá sequência à edição realizada no ano passado dentro do ciclo Histórias afro-atlânticas, com artigos garimpados em Moçambique e no Brasil, sobretudo em comunidades quilombolas.

No evento, apenas produtos de mulheres estarão disponíveis no MASP Loja. Destaque especial para as cerâmicas da Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre, do Vale do Jequitinhonha, e para bordados das Artesãs da Linha Nove, grupo do Instituto Acaia, além de quebra-cabeças criados pelo Ateliescola Acaia, ligado à ONG paulistana.

As coletâneas de peças, tanto a de 2018 como a deste ano, são resultado do trabalho de Adélia Borges, curadora, professora de design e escritora que, desde 2016, é responsável pela curadoria da loja. Adélia estará presente para falar sobre o projeto, ao lado de Anísia Lima de Souza, da Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre, de representantes do Instituto Acaia e de Manuelle Ferraz, chef d’A Baianeira, o novo restaurante do museu. Manuelle contará como expressa as raízes mineira e baiana em sua comida.

“Estima-se que 85% dos artesãos brasileiros sejam mulheres. O artesanato surge como atividade doméstica, entre donas de casa, trabalhadoras rurais ou outras mulheres com ocupações mais humildes, e as auxilia na geração de renda. E nesses trabalhos entra também um componente muito importante: a auto-expressão como forma de manifestação legítima de seus mundos e suas ideias”, conta Adélia.

Segundo ela, de cerca de três décadas para cá, associações, cooperativas e coletivos de mulheres têm surgido e se fortalecido, elevando a qualidade do artesanato brasileiro. “O MASP tem em sua loja uma política de abrir espaço para todas essas manifestações artísticas que, ao nosso ver, estão em pé de igualdade com produtos feitos por designers formados fora do país. As peças são exibidas sem hierarquia”, diz a curadora. O pensamento vai ao encontro do posicionamento de Lina Bo e Pietro Maria Bardi, fundadores e primeiros dirigentes do museu.

A Associação dos Lavradores e Artesãos de Campo Alegre é formada majoritariamente por mulheres lavradoras e ceramistas. Do barro moldado por elas, nascem objetos utilitários para o dia a dia, como vasos, potes, pratos e vasilhas, além de peças de decoração, bonecas, animais e moringas antropomorfas.

Já o grupo Artesãs da Linha Nove, hoje composto por 50 mulheres, nasceu na oficina noturna de bordados do Instituto Acaia, inicialmente voltada para mães de crianças que frequentavam o ateliê infantil da organização. Dali saem aves, árvores, cenas de colheita e manifestações folclóricas do país ---que atravessam a vida e a cultura das bordadeiras. Enquanto isso, no Ateliescola Acaia, o foco é a criação de jogos infantis. O primeiro desenvolvido por eles é o quebra-cabeça que partiu de desenhos e pinturas feitos por crianças nas atividades do ateliê.

É importante enfatizar que vários dos objetos já à venda na loja são feitos por mulheres, muitas das quais trabalham com o conceito de Amazônia “em pé” ---isto é, lidam com subprodutos da floresta, sem precisar desmatar. Assim são feitos os acessórios de Rodney Paiva Ramos, da Biojoias Cores da Mata, Flávia Amadeu e Monica Carvalho.

Cabeças de cerâmica da alagoana Irinéia Nunes da Silva e da pernambucana Cida Lima, acessórios produzidos pelas mulheres da Cooperativa de Artesanato do Trançado Tupinambá, bordados elaborados pelo grupo Crochê Fio da Vida, minibarcos de Celma Martins, anéis, pulseiras e colares feitos por Kátia e Tainah, mãe e filha à frente do empreendimento Da Tribu, e colares com escama de peixe produzidos pelas Sereias da Penha também se fazem presentes, entre outros produtos.

O lançamento da coletânea de produtos, não por acaso, coincide com as principais exposições do ano no MASP, as coletivas Histórias das mulheres: artistas até 1900 e Histórias feministas: artistas depois de 2000, em cartaz até 17 de novembro. A programação de 2019 inclui ainda exposições individuais de Djanira da Motta e Silva, Lina Bo Bardi, Tarsila do Amaral, Anna Bella Geiger, Gego e Leonor Antunes.

O MASP Loja segue com a venda de catálogos e antologias das mostras e produtos do MASP, além de livros sobre artes, design e arquitetura.

Publicado por Patricia Canetti às 8:13 PM


Conversa com curadoras e artistas à Eu estou aqui agora no MARGS, Porto Alegre

A Fundação Vera Chaves Barcellos promove um encontro integrando a programação da exposição Eu estou aqui agora, com as curadoras Elaine Tedesco e Luisa Kieffer e as artistas Camila Leichter e Fernanda Gassen. O objetivo do encontro é trazer apontamentos sobre o processo de curadoria e discutir sobre o tempo e a presença, dois eixos centrais da exposição.

16 de outubro de 2019, quarta-feira, às 18h30

MARGS - Auditório
Praça da Alfândega s/n, Centro Histórico, Porto Alegre, RS
Entrada gratuita, será fornecido certificado aos participantes

SOBRE AS ARTISTAS

Camila Leichter (Porto Alegre, RS, 1976)
Artista visual e doutoranda em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais - UFRGS, com a pesquisa Campo e Contracampo da Experiência, envolvendo os aspectos processuais, imersivos e performativos da prática audiovisual a partir do lugar da experiência, atualmente, uma antiga casa adjacente a um moinho em ruínas e seu entorno, na Picada 48 Baixa - RS.

Fernanda Gassen (São João do Polêsine, RS, 1982)
Artista Visual, vive e trabalha em Porto Alegre, sendo representada pela Galeria Mamute. Professora de Artes Visuais no Colégio de Aplicação da UFRGS. Doutora e Mestre em Artes Visuais pela UFRGS, Licenciada e Bacharel em Desenho e Plástica pela UFSM. Cursou Torreão entre 2006-2007. Em 2013 participou da 9ª Bienal do Mercosul e em 2011 foi contemplada com a Bolsa Iberê Camargo.

SOBRE AS CURADORAS

Elaine Tedesco (Porto Alegre, RS, 1963)
Artista plástica com produção em fotografia, instalação e videoperformance. É professora ligada aos cursos de graduação e pós-graduação do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando na área de fotografia e vídeo. Participou de diversas exposições coletivas, sendo as mais recentes: Apropriações, Variações e Neopalimpsestos, na FVCB, em Viamão/RS, em 2018. Em 2016, participou da Ocupação Coaty, em Salvador, Bahia, Das Meer/ The Sea e Medienwerkstatt zur Berliner Liste 2016, em Berlim, Alemanha. Possui obras em coleções públicas: MARGS | RS, MAC | RS, MAC | Paraná, MAM | Bahia, Museu de Arte de Brasília, Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires (MALBA), Casa das 11 Janelas e FVCB. Esteve presente na segunda e na quinta Bienal do Mercosul (1999 e 2005 respectivamente), realizada em Porto Alegre, RS. Em 2007, esteve presente na 52a. Esposizione Internazionale d’Arte, La Biennale di Venezia, curadoria Robert Storr, Veneza, Itália.

Luísa Kiefer (Porto Alegre, RS, 1986)
É doutora em História, Teoria e Crítica de Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS. Realizou estágio doutoral no departamento de fotografia da School of Media, Arts and Design da University of Westminster, Londres, Inglaterra. É Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pelo mesmo programa e jornalista formada pela PUCRS. Desde 2013, atua como curadora independente, tendo realizado exposições em diversos espaços de arte de Porto alegre, como Fundação Ecarta, Galeria Gestual, Espaço Cultural ESPM, Galeria Mamute, Sala Branca da Galeria Alice Floriano e Instituto Ling. Coordena o Atelier das Pedras, espaço que abriga o acervo da artista Gisela Waetge. Atualmente, é coordenadora e curadora do Linha (Espaço cultural independente). Vive e trabalha em Porto Alegre.

Publicado por Patricia Canetti às 7:52 PM


Leilão de parede em prol da Sociedade Viva Cazuza na Luciana Caravello, Rio de Janeiro

Toda a renda arrecadada será revertida para a instituição, que completa 29 anos no dia 17 de outubro

Nos dias 16 e 17 de outubro, Luciana Caravello Arte Contemporânea fará um leilão de parede beneficente para a Sociedade Viva Cazuza, com toda a renda revertida para a instituição criada em 1990 pelos pais de Cazuza, Maria Lúcia (Lucinha) e João Araújo. Serão apresentadas obras em diferentes suportes, como pintura, desenho, gravura, fotografia e escultura de importantes artistas, que doaram trabalhos para o projeto.

O leilão de parede caracteriza-se pela ausência da figura do leiloeiro, que normalmente faz a mediação entre os lances oferecidos e a venda final da obra. Nessa modalidade, o participante registra a sua oferta diretamente na parede, ao lado da obra. O lance mínimo será de R$1.000 (mil reais).

Realizado em um ambiente descontraído e informal, todos serão convidados a participar do leilão, bastando apenas preencher uma ficha de inscrição, que estará disponível na galeria no dia do evento. Os participantes podem deixar seus lances a qualquer momento, pessoalmente, por telefone ou internet, até às 21h da quinta-feira, dia 17. Neste mesmo dia, quando a Sociedade Viva Cazuza comemora 29 anos, haverá um coquetel às 18h na galeria.

ARTISTAS PARTICIPANTES
Adrianna Eu, Alan Fontes, Alexandre Mazza, Alexandre Sequeira, Almandrade, Angela Conte (apoio galeria Verve), Armando Queiroz, Bruno Miguel, Cabelo, Cela Luz, Cildo Meireles, Daniel Murgel, Delson Uchoa, Eduarda Freire, Eduardo Kac, Francisco Hurtz (apoio galeria Verve), Gisele Camargo, Gustava Speridião, José Roberto Bassul, Isabel Svoboda (apoio Mercedes Viegas), Luisa Malzoni (apoio galeria Verve), Marcelo Jácome, Marcelo Solá, Nazareno, Nino Cais, Pedro Varela, Renan Cepeda, Sergio Allevato, Ursula Tautz, Victor Arruda.

SOCIEDADE VIVA CAZUZA
A Sociedade Viva Cazuza foi criada em 1990 pelos pais de Cazuza, Maria Lúcia Araújo (Lucinha Araújo) e João Araújo, junto com amigos e médicos, com o intuito de dar apoio aos pacientes com AIDS/HIV, no início, do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, na Tijuca, zona norte do Rio. Cansada de ver várias crianças soropositivas serem abandonadas pelas famílias, Lucinha resolveu criar a Sociedade Viva Cazuza em 1994, e passou a dedicar todo o seu tempo e carinho de mãe – que antes era exclusivo para o seu único filho Cazuza, já morto pela doença – a meninos e meninas que passaram a viver na casa.

Entre os anos de 1990 a 1992, a Sociedade trabalhou junto ao Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, conseguindo aumentar o número de leitos destinados aos pacientes da AIDS, reformou enfermarias e berçário, forneceu remédios, exames e cestas básicas para os portadores da doença.

A Sociedade Viva Cazuza encerra a cooperação com o Hospital Gaffrée em 1992, e começa a operar independentemente. Em 1994, foi inaugurada a primeira Casa de Apoio Pediátrico do município do Rio de Janeiro, com imóvel cedido pelo governo do município.

A Sociedade Viva Cazuza atende crianças e adolescentes portadores do HIV/AIDS. Além dos pacientes adultos com a doença, que na sua maioria são analfabetos, e são cadastrados para receberem mensalmente cesta básica e apoio no tratamento. O Programa de Adesão e Tratamento da ONG acompanha 140 pessoas que têm dificuldades para ler e compreender a prescrição médica. Um cartão colorido é distribuído pela instituição e ajuda os pacientes analfabetos a identificar os remédios e os respectivos horários que devem ser tomados durante todo o tratamento. A disciplina é fundamental para o controle da doença.

Nesses anos de atuação a Viva Cazuza recebeu alguns prêmios como: Diploma de Responsabilidade Social - Associação de Imprensa (2011), Prêmio UNESCO (2004), Certificado da Organização Pan America de Saúde (2002), IX Jornada Científica de Fisioterapia Ocupacional (2001) e Filantropia 400 – Kanitz (2001).

LUCIANA CARAVELLO ARTE CONTEMPORÂNEA
O principal objetivo da Luciana Caravello Arte Contemporânea, fundada em 2011, é reunir artistas com trajetórias, conceitos e poéticas variadas, refletindo assim o poder da diversidade na Arte Contemporânea. Evidenciando tanto artistas emergentes quanto estabelecidos desde seu período como marchand, Luciana Caravello procura agregar experimentações e técnicas em suportes diversos, sempre em busca do talento, sem discriminações de idade, nacionalidade ou gênero.

Publicado por Patricia Canetti às 6:51 PM


Projeto Respiração: Opavivará! na Eva Klabin, Rio de Janeiro

Opavivará! ocupa Casa Museu Eva Klabin em comemoração aos 15 anos do Respiração com obra inédita

Coletivo apresenta “Panis et Circenses” pela primeira vez ao público. A 24ª edição do Respiração, com curadoria de Marcio Doctors

A Casa Museu Eva Klabin recebe o coletivo Opavivará! para a edição comemorativa de 15 anos do Respiração. A exposição, com curadoria de Marcio Doctors, inaugura no dia 14 de setembro, e além de obras já conhecidas, traz a inédita Panis et Circenses, criada especialmente para a ocasião. O Respiração, que faz parte do circuito vip da ArtRio, foi idealizado para levar um frescor ao importante acervo de arte clássica da Casa Museu Eva Klabin, ao criar uma ponte entre a arte consagrada do passado e a arte contemporânea.

“A escolha do Opavivará! se deu por três razões. A primeira foi que eu queria trazer uma experiência de coletivo. A segunda, que estamos comemorando 15 anos do Respiração e é uma edição festiva. E ninguém melhor do que o Opavivará! para fazer uma festa. Ele tem alegria, humor, transgressão e irreverência. É sério sem ser sisudo e toca em questões importantes. A terceira razão foi porque eu acho que estamos atravessando um momento muito difícil na cidade do Rio de Janeiro e trazê-lo seria uma maneira de ajudar a levantar o astral do carioca”, explica Marcio Doctors, curador da Casa Museu Eva Klabin e do Respiração.

E como em toda boa festa não se pode faltar comida, o Opavivará! apresenta a obra inédita Panis et Circenses, uma bolha qual o público poderá comer e beber dentro da Casa Museu Eva Klabin. A intervenção ficará na Sala de Jantar e promete ser o grande destaque da exposição com um espaço criado pelo ar que é insuflado dentro dela e, como o pulmão, pulsa num movimento de inspiração e expiração, tal como uma respiração.

“Panis et Circenses é quando o coletivo manifesta o sentido mais transgressor de suas ações e que melhor contribui para oxigenar a casa-museu e o Respiração”, conta Marcio Doctors. “A mesa da Sala de Jantar, onde não acontecem mais os jantares para os quais o ambiente foi destinado, por uma questão de preservação da coleção, evitando a entrada de alimentos em área protegida do museu, com a bolha de ar receberá um salvo-conduto para que alimentos e bebidas voltem a ser consumidos no interior do museu. O ato mais primário da vida – o de alimentar-se – retorna dando vida ao ambiente só que agora musealizado. Dentro da obra nos tornamos objetos de apreciação da coleção que nos observa, fazendo-nos prisioneiros de nossa própria armadilha, como se tivéssemos sido capturados pela imagem do espelho”, explica. Depois da abertura, Panis et Circenses será usada para as atividades do programa educativo da Casa Museu, insuflando uma nova vida para o espaço da Sala de Jantar.

Entre as obras do coletivo que estarão presentes no Respiração estão ainda Pornorama, na Sala Renascença, Sofáraokê e Espreguiçadeiras multi. Apesar de já serem conhecidas do público, todas terão um novo contexto ao serem apresentadas na Casa Museu Eva Klabin. Levando vida ao espaço que fica intacto o ano inteiro, indicando que cada obra adquire um novo sentido, dependendo das relações e configurações espaciais do local onde acontecem.

O projeto Respiração, iniciado em 2004 pelo curador Marcio Doctors, é um programa de longa duração, que une o acervo de arte clássica da Casa Museu Eva Klabin à produção contemporânea. Ao longo dos últimos 15 anos, com a participação de artistas renomados, tornou-se referência cultural no Brasil, e hoje é uma marca da instituição. O projeto, inusitado e singular, tem como proposta trazer uma nova respiração para o museu, com o intuito de atrair novos públicos, criando um olhar diferenciado sobre o espaço e sua coleção. Saiba mais em www.evaklabin.org.br/projeto-respiracao.

Leia os textos de Marcio Doctors sobre Respiração #15 anos e Opavivará! Boca a Boca.

Publicado por Patricia Canetti às 6:15 PM


Glauco Rodrigues na Danielian Galeria, Rio de Janeiro

Danielian Galeria abre as portas na Gávea com individual de Glauco Rodrigues, com mais de 45 obras, e realiza lançamento de livro sobre o a genialidade do artista

Dono de um estilo único que faz uma junção de personagens e situações históricas de diferentes tempos, Glauco Rodrigues sempre mostrou em sua arte um grande potencial crítico. Apesar de sútil, o artista – a partir da inspiração no movimento antropofágico – exibe em suas obras inspirações altamente atuais como a questão indígena, a vida urbana e o carnaval, além da repreensão à ditadura militar criando obras que possuem um tom satírico às mazelas do Brasil, mesmo após 15 anos de sua morte.

Com curadoria de Denise Mattar, a mostra Crônicas anacrônicas - e sempre atuais – do Brasil reúne mais de 45 obras de diversas séries do artista, como “Pau-Brasil” (1974), “São Sebastião”(1980), “Madona Brasileira” (1982), “A Sambista” (1979) e “Árvores” (1991). São telas com foco ácido e bem-humorado de Glauco, outra característica do mesmo, que nunca mostrou um caráter dramático em suas peças.

Denise define suas composições como verdadeiras encenações, mesclando imagens de amigos, referências à Eckhout, Debret, Theodore De Bry, Almeida Jr ou Pedro Américo, numa carnavalização canibal desfilando sobre telas brancas, pintadas com requintes de precisão.

Ainda segundo a curadora, no “mis en place” de Glauco Rodrigues estão: a carne substanciosa da arte engajada, cortada com a precisão do hiperrealismo; as flores da pop-art, aromatizadas com a pimenta da sensualidade; os frutos da academia, picados com a faca do sarcasmo; as folhas da pesquisa, rasgadas com a mão. Feita a preparação, ele unta tudo com muita inteligência; tempera com emoção, leva ao forno da ditadura e finaliza com pitadas de ironia. É um artista desconcertante, o melhor cronista da “geleia” geral brasileira, capaz de mostrar o pior e o melhor de nosso país, com o claro entendimento de que essas polaridades ocorrem simultaneamente”

Os fundos brancos, presentes até o fim da ditadura nas obras de Glauco, dão lugar ao estilo tropical em uma nova fase da sua carreira. O Rio de Janeiro continua a ser constantemente celebrado pelo artista com o uso de mais personagens como banhistas e passistas agora abusando da cor mas ainda com seu sarcasmo peculiar. Ele inclui nas peças bananas, mangas, abacaxis e cajus, além de São Sebastião, padroeiro de sua cidade natal (Bagé - RS) e também do Rio. A exposição enfatiza ainda a grande importância deste artista brasileiro que também faz parte com mais de 130 obras da coleção de Gilberto Chateaubriand, um dos maiores colecionadores de arte do país.

Simultaneamente com o Rio, o artista é homenageado na Turquia

Na mesma data a XVI Bienal de Istambul também homenageia Glauco Rodrigues: com curadoria de Nicolas Bourriaud, um dos mais respeitados críticos internacionais da atualidade, uma Sala Especial dedicada à Glauco será apresentada no evento este mês. O curador já havia demonstrado interesse na obra do artista. Em 2013 ele apresentou um significativo conjunto de obras dele na exposição L’Ange de L’Histoire, na École de Beaux-Arts de Paris.

Livro sobre Glauco Rodrigues reforça a grandiosidade do artista

Destacando a genialidade de Glauco Rodrigues, no dia 21 de setembro, a Danielian Galeria faz ainda o lançamento do livro que homenageia a vida e a obra de Glauco Rodrigues. O livro faz uma revisitação histórica do artista, apresentando a importância e relevância atemporal de sua obra pictórica. Além de textos de época como os de Roberto Pontual (1978) e Frederico Morais (1986), a publicação apresenta dois textos contemporâneos da autora do livro, Denise Mattar, e uma entrevista com o crítico francês Nicolas Bourriaud, feita por José Teixeira de Brito. O livro apresenta duas importantes séries feitas por Glauco nos anos 1970: A carta de Pero Vaz de Caminha e A Lenda do Coati-Puru. O intenso trabalho de pesquisa contou com a assessoria de Norma de Stellita Pessoa, viúva de Glauco. Em 16 de outubro é a vez da badalada Livraria da Vila em São Paulo receber o lançamento do livro.

Sobre o artista

Falecido em 2004, Glauco Rodrigues é natural de Bagé, Rio Grande do Sul, mas passa a viver no Rio em 1958 e se encanta com a cidade. Considerado um dos mais importantes pintores da arte brasileira, Glauco começou seu trabalho em 1940 na gravura. Já na década de 1960, ele passa uma temporada de três anos em Roma e volta para o Brasil já com uma forte influência no movimento antropofágico brasileiro.

Durante o Regime Militar, o artista encontra no Rio a criatividade que precisa para tornar sua crítica sutil, tanto que nunca foi censurado na época da Ditadura.

Fora do Brasil Glauco participou de importantes mostras internacionais como a Bienal de Paris em 1961 e a XXXII Bienal de Veneza, em 1963 . Em Roma, ainda em 1963, expôs na Galeria d'Arte della Casa do Brasil. Realizou exposições individuais em Munique, Stuttgart e Frankfurt. No Brasil foi premiado em 1967 na IX Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Em 2011, houve a redescoberta do artista com a exposição O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues, apresentada pela Caixa Cultural, nas unidades de Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Outro componente importante desse fluxo foi o lançamento, em 2015, do filme Glauco do Brasil, dirigido por José Teixeira de Brito. O documentário traça, de forma precisa e calorosa, o percurso do artista, desde o início de sua carreira, até a abertura da mostra L’Ange de L’Histoire, na França.

Publicado por Patricia Canetti às 2:05 PM