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julho 25, 2017

Lia Chaia na Vermelho, São Paulo

A Galeria Vermelho apresenta Pulso, individual de Lia Chaia, de 25 de julho a 26 de agosto de 2017. Paralelamente, a Sala Antonio de projeção exibe a Mostra Lia Chaia, com um conjunto de 18 vídeos de Chaia.

[scroll down for English version]

A produção de Lia Chaia, iniciada no final da década de 1990, é pontuada por sua constante experimentação em diferentes séries de trabalhos realizados nos mais variados suportes, mantendo em si um diálogo contínuo entre o corpo humano e suas relações com o entorno, em especial com a cidade. Suas experimentações com o próprio corpo iniciam-se ainda na faculdade de artes, quando começa a utilizar sua constituição em diversas performances, fotografias e vídeos. O corpo e a cidade – o natural e o construído –, na obra de Chaia, vivem em atrito e fusão. Esse amálgama é por vezes sereno e por outras revolto.

Lia Chaia

Em Pulso, sua sétima individual na Vermelho, Lia Chaia ressalta sua reflexão sobre o corpo humano, em especial, sob duas óticas: a situação do corpo frente às pressões originadas pela sociedade e o afastamento gradativo da relação homem- natureza. Embora tais tensões perpassem todos os trabalhos, a artista detém-se agora nas especificidades que compõem o organismo humano como sinal da vitalidade, enfatizando o aspecto pulsante do corpo.

Assim, em Pôster (2017), Lia Chaia parte de mapas de anatomia humana típicas de livros de medicina, nos quais o corpo é padronizado e estruturado dentro de uma fisiologia esquemática, e interfere sobre eles com elementos que lembram células sanguíneas ou órgãos humanos. As “células” escapam o traçado dos mapas, refletindo o imponderável da compreensão da morfologia humana.

Em Articulações (2017), as mesmas partículas sanguíneas surgem por cima de telas de nylon cinza, delimitando perímetros que evocam corpos humanos. Há aí um jogo de inversões; os glóbulos e plaquetas que se mantém no interior do corpo, percorrendo seu perímetro e estrutura se tornam superfície, e as telas de nylon (conhecidas como fachadeiras), comumente usadas para proteger edificações em construção - como peles - se tornam estrutura. A série faz referência ao corpo humano fragilizado e mutável da contemporaneidade.

Cabeças (2017) são cubos sobrepostos a bases que simulam o porte de Chaia. Os cubos, com seus emaranhados de cabos e fios elétricos, rompem com a perfeição esperada da forma geométrica. Os cabos pendentes sugerem veias expostas que escorrem até o chão.

O vídeo Faces (2016) enquadra um humano multifacetado. O recurso das máscaras que se sucedem aponta para o estado que é ao mesmo tempo alheado e atento na sociedade atual. Com Faces Lia Chaia volta a colocar o próprio corpo em performance para a câmera de vídeo e, junto a Mostra Lia Chaia 2000-2016, na Sala Antonio, a Vermelho exibe 19 vídeos de Chaia durante Pulso.

Pele (2017) é uma ação registrada em fotografia que situa o corpo no cenário da metrópole. No embate entre o urbano e o natural, a sobrevivência depende da permanência e proteção da pele feita do natural. Ou da capacidade e insistência em trocar a própria pele para suportar tal embate.

Em Camuflagem (2017), duas fotografias apresentam corpos fundidos com a paisagem natural. As imagens combinam o humano com o ambiente natural em uma unidade orgânica.

Ainda compõem a exposição as obras Tiras (2017) e Setas trançadas (2017), que tratam da circulação em um ambiente hibrido, natural e urbano ao mesmo tempo, assim como na instalação sonora Assobio (2017). No áudio, um som corriqueiro de rua marca um caminhar despretensioso. Trata-se de instalação que se esparrama pelo espaço da galeria.

Mostra Lia Chaia

A produção em vídeo de Lia Chaia inicia-se durante seus anos como estudante de artes plásticas na Fundação Armando Alvares Penteado, FAAP, (São Paulo, Brasil) e segue até hoje como uma constante em sua produção. Do robusto corpo de trabalhos da artista nessa mídia, a Vermelho apresenta aqui um recorte de 18 obras em sequência cronológica.

O uso da mídia por Chaia remonta ao inicio da videoarte no Brasil entre fins de 1960 e inicio dos anos 1970, quando o acesso a câmeras portáteis se iniciou no país com câmeras Portapak que eram trazidas do exterior. Essas câmeras eram alimentadas por baterias e podiam ser carregadas por apenas uma pessoa, ao contrário dos equipamentos então utilizados pela televisão, que eram grandes e, portanto, tinham sua mobilidade reduzida. A portabilidade introduzida pela Portapak permitia gravações externas a estúdios e, assim, permitiam menos planejamentos e mais experimentações. As câmeras também permitiam registro de performances contestadoras em situações privadas em um contexto aonde a ditadura militar e a censura predominavam.

A câmera de Lia Chaia é também testemunha das experiências com o (próprio) corpo realizadas pela artista. Seus planos são predominantemente estáticos e, ou, sequenciais, e reforçam a experiência vivida na situação registrada como dado principal dos trabalhos, tendo como antagonistas constantes sua própria constituição e o entorno. Corpo e entorno se traduzem em natureza e construção, primitivo e engenharia; uma oposição que está presente no próprio fazer, em um confronto entre Lia Chaia e o aparelho de gravar.

Ao confrontar os trabalhos cronologicamente, podemos perceber as influencias do rápido avanço tecnológico das filmadoras na produção de Chaia. Com o desenvolvimento dos equipamentos, a artista introduz preocupações formais na elaboração de seus planos, como podemos observar em 2010, com Glam, e em 2013 com Piscina e com Aleph. Em Aleph, temos a primeira ação não realizada pela própria artista registrada em um de seus vídeos. Dessa vez Chaia permanece por trás da câmera, gravando a ação executada por Fabíola Salles sob sua direção.

Lia Chaia em 2015 produz o vídeo Para GB, uma homenagem a Geraldo de Barros. Ali, Chaia retoma seu corpo como instrumento em uma ação registrada em contexto privado, aproximando-se da poética do homenageado e reaproximando-se de um dado primitivo de sua produção.

Bolas, de 2016, retoma outra característica da obra de Lia, registrando seu percurso pela cidade durante uma performance, como notou Priscyla Gomes em seu texto sobre a exposição É como dançar sobre a artquitetura, realizada por Chaia no Instituto Tomie Ohtake em 2016: “O vídeo Bolas (2016), registra o percurso do corpo da artista agigantado pelo acúmulo de bolas, remetendo a ações cômicas de um clown e devolvendo ao corpo-pedestre certa espontaneidade, humor e proteção.”

EXPOSIÇÃO
Lia Chaia – Pulso (salas 1 e 2)
Lia Chaia – Mostra Lia Chaia 2000-2016 (Sala Antonio)

Programa

Big Bang – 2000 / 2’45’’
Um.bigo – 2001 / 59’47’’
Ressonâncias – 2001 / 10’19’’
Desenho-corpo – 2001 / 49’51’’
Com a sorte dos que gozam – 2001 / 2’18’’
Circulando pinheiros – 2002 / 2’13’’
Cidade pictórica – 2003 / 33’52’’
Comendo paisagens – 2005 / 29’26’’
Minhocão – 2006 / 18’07’’
Ascensão – 2008 / 2’59’’
Argola – 2008 / 3’10’’
Rodopio – 2009 / 5’03’’
Skeleton Dance – 2010 / 5’23’’
Glam – 2010 / 10’14’’
Piscina – 2013 / 6’50’’
Aleph – 2013 / 2’53’’
Para GB – 2015 / 8’55’’
Bolas – 2016 / 4’14’’

Classificação: Livre
Capacidade: 30 Lugares


Galeria Vermelho is presenting Pulso [Pulse], a solo show by Lia Chaia, from July 25 through August 26, 2017. In parallel with this, the Sala Antonio screening room is showing Mostra Lia Chaia [Lia Chaia Screening], with a selection of 18 videos by Chaia.


Lia Chaia’s production, begun in the late 1990s, has involved constant experimentation in various series of works made in a wide range of media, maintaining a continuous dialogue between the human body and its relationships with its surroundings, especially with the city. Her experiments with her own body began when she was still a student of art, when she started using it in various performances, photographs and videos. In Chaia’s work, the body and the city – the natural and the constructed – live in a relation of clashing and fusion. This amalgam is sometimes serene, sometimes turbulent.

Lia Chaia

In Pulso, her seventh solo show at Galeria Vermelho, Lia Chaia highlights her reflection about the human body from two viewpoints: the situation of the body in relation to the pressures arising from society, and the gradual distancing in the human-nature relationship. Although these tensions have pervaded all her works, the artist is now focusing on the specificities that compose the human organism as a sign of vitality, emphasizing the body’s pulsing aspect.

Thus, in Pôster [Poster] (2017), Lia Chaia bases her work on the human anatomy charts typically found in medical books, in which the body is standardized and structured within a schematic physiology, and interferes on them with elements that resemble blood cells or human organs. The “cells” escape from the outlines of the charted bodies, reflecting the unfathomable aspects of the understanding of human morphology.

In Articulações [Articulations] (2017), the same blood particles arise on gray nylon screens, delimiting parameters that evoke human bodies. In a game of inversions, the globules and platelets normally confined to the body’s interior, running through its perimeter and structure, become a surface, and the nylon screens, normally used to envelop buildings under construction – like skins – become a structure. The series makes reference to the human body in its fragilized and mutating state in contemporaneity.

Cabeças [Heads] (2017) are cubes set atop bases that simulate Chaia’s height. The cubes, with their tangles of electrical wires and cables, rupture the expected perfection of the suggested geometric form. The hanging cables refer to exposed veins running down to the floor.

The video Faces (2016) features a multifaced human. The successive appearance of masks points to the simultaneously unaware and attentive state found in current society. With Faces Lia Chaia returns to placing her own body in the performance for the video camera and, together with the screening entitled Mostra Lia Chaia, in Sala Antonio, Galeria Vermelho is showing 19 videos by Chaia during Pulso.

Pele [Skin] (2017) is an action recorded in photography that situates the body within the scenario of the metropolis. In the clashing between the urban and the natural, survival depends on the permanence and protection of the skin made from the natural - or on the ability and insistence to exchange one’s own skin in order to endure that clashing.

In Camuflagem [Camouflage] (2017), two photographs present bodies fused with the natural landscape. The images combine the human with the natural environment in an organic unit.

The exhibition also features the artworks Tiras [Strips] (2017) and Setas trançadas [Braided Arrows] (2017), which deal with circulation in a hybrid, simultaneously natural and urban environment, as is also found in the sound installation Assobio [Whistle] (2017). In the audio, an everyday sound heard in the street marks an unpretentious walk. It is an installation that spreads through the space of the gallery.

Mostra Lia Chaia

Lia Chaia’s video production began during her years as an art student at Fundação Armando Alvares Penteado, FAAP, (São Paulo, Brazil) and has continued until today as a constant in her production. From the robust body of works by the artist in this media, Galeria Vermelho is presenting here a selection of 18 video works in chronological order

Chaia’s use of this media goes back to the beginning of video art in Brazil between the late 1960s and early 1970s, when access to portable cameras began in this country with the Portapak cameras that were brought from abroad. These were battery-powered cameras that could be carried by a single person, unlike the cameras used up to then by television, which were large and, therefore, had reduced mobility. The portability introduced by the Portapak allowed for recordings to be made outside of studios and therefore with less planning, thus permitting more experimentation. The cameras also allowed for the recording of contestation performance videos filmed in private situations within a context ruled by oppressive censoring and a military dictatorship.

Lia Chaia’s camera also witness experiments the artist carries out with the body (her own). She shoots her scenes with predominantly static and/or sequential takes that reinforce the experience lived within the situation recorded as a main content of the works, always with her own constitution in clashing with the surroundings. Body and surroundings are translated into nature and construction, the primitive and the engineered – an opposition that is present in her own artistic practice, in a confrontation between Lia Chaia and the recording device.

By comparing the works chronologically, we can perceive the influences of the rapid technological advance of the video cameras in Chaia’s production. With the development of the devices, the artist has introduced formal concerns in the elaboration of her footage, as we can observe in 2010, with Glam and in 2013 with Piscina [Pool] and Aleph. With Aleph, we have the first action not realized by the artist herself in one of her videos. This time Chaia remains behind the camera, recording the action executed by Fabíola Salles under her direction.

In 2015, Lia Chaia produced the video Para GB [For GB], an homage to Geraldo de Barros. There, Chaia once again takes her body as an instrument in an action recorded in a private context, approaching the poetics of the honored artist and re-approaching a primitive element of her production.

Bolas [Balls], from 2016, assumes another characteristic of Lia’s artwork, recording her walk through the city during a performance, as noted by Priscyla Gomes in her text on the exhibition É como dançar sobre a artquitetura, held by Chaia at Instituto Tomie Ohtake in 2016: “The video Bolas records the path of the artist’s body greatly enlarged by the accumulation of balls, referring to the comic actions of a clown and lending the body-pedestrian a certain spontaneity, humor and protection.”

EXHIBITION
Lia Chaia – Pulso (rooms 1 and 2)
Lia Chaia – Lia Chaia Video Screening (Sala Antonio)

Program

Big Bang – 2000 / 2’45’’
Um.bigo – 2001 / 59’47’’
Ressonâncias – 2001 / 10’19’’
Desenho-corpo – 2001 / 49’51’’
Com a sorte dos que gozam – 2001 / 2’18’’
Circulando pinheiros – 2002 / 2’13’’
Cidade pictórica – 2003 / 33’52’’
Comendo paisagens – 2005 / 29’26’’
Minhocão – 2006 / 18’07’’
Ascensão – 2008 / 2’59’’
Argola – 2008 / 3’10’’
Rodopio – 2009 / 5’03’’
Skeleton Dance – 2010 / 5’23’’
Glam – 2010 / 10’14’’
Piscina – 2013 / 6’50’’
Aleph – 2013 / 2’53’’
Para GB – 2015 / 8’55’’
Bolas – 2016 / 4’14’’

Rating: All ages
Seating capacity: 30

Publicado por Patricia Canetti às 12:04 AM


julho 24, 2017

Mats Hjelm no MAM, Rio de Janeiro

Em sua primeira individual no Brasil, o artista sueco Mats Hjelm mostra videoinstalação em que discute o Atlântico como lugar de passagem, diáspora, e pós-colonialismo.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro apresenta no dia 25 de julho de 2017, às 19h (para convidados) e no dia seguinte para o público a exposição A Outra Margem, uma videoinstalação do artista sueco Mats Hjelm, nascido em 1959 em Estocolmo, onde vive e trabalha, e com forte presença internacional. Esta é sua primeira individual no Brasil. Seu trabalho investiga a relação entre videoinstalação e cinema documental, tendo como temas recorrentes a relação da arte com movimentos de justiça social, e o entrelaçamento das pequenas historias particulares e das grandes narrativas globais. Em “A Outra Margem” (2017), especialmente concebida para o espaço do MAM, Mats Hjelm propõe uma reflexão sobre o Atlântico como lugar de passagem, e suas histórias de diáspora e colonização. O trabalho discute a busca de identidade no percurso de volta à terra-mãe, e o mistério da libertação através da navegação para “outro” lugar. O artista também tirou proveito do fato de o MAM estar localizado próximo ao mar, junto à Baía de Guanabara, aberta para o oceano Atlântico, que é o personagem principal da obra.

A videoinstalação em quatro canais, 45’, em loop, consiste em uma dupla projeção de sete metros de comprimento, em cada um dos dois lados de uma parede central do espaço expositivo. De um lado, o público verá imagens de água, mar, margens e costas de diversos pontos do Atlântico Norte e do Atlântico Sul. No outro lado, serão projetados ensaios visuais com depoimentos, imagens documentais, paisagens, textos, e música. Assim, a obra mistura cinema documental e narrativo em um trabalho de grande escala.

Mats Hjelm introduz uma meditação sobre o mar ao utilizar, por exemplo, a peça “As Cinzas”, de Samuel Beckett (1959), escrita para rádio, em que um homem idoso tem alucinações com memórias do pai e o mar, ao passo que se recusa a abrir a porta para uma visita em sua casa. Tomado por alucinações nostálgicas e momentos de euforia, o velho representa para Mats a velha Europa em declínio tentando se ater a uma grandeza que não existe mais.

Em suas incursões recentes pela África ocidental, o artista vem investigando o percurso de movimentos afro-americanos na região, e acompanhado a questão complexa da reconquista da identidade ancestral africana dentro de um contexto pós-colonial. Desde o início de sua trajetória, os direitos civis americanos são temas de seu interesse, e o trabalho mostrado no MAM se inscreve dentro do debate de resgate da memória da escravidão na atualidade. Outro tema latente de seus trabalhos é a relação de interdependência entre África e Europa, e música e imagem são elementos usados por Mats Hjelm nesta instalação para comentar o assunto. A Europa em delírio simbolizada por Beckett definha diante da vitalidade e jovialidade do novo mundo. Mats se interessa tanto pela África ancestral (como se vê na trilha musical do filme que usa música milenar do Mali, com o instrumento khora) tanto na nova África que surge após os movimentos de descolonização ou guerras civis, como no caso da Libéria. No filme, Mats revela algumas das contradições e as violências da colonialidade de forma poética. Isto sempre com o mar ao fundo, e a água como elemento comum.

No filme alternam-se imagens da Europa, Libéria, Detroit, e as praias do Rio de Janeiro – lugares que Mats Hjelm tem percorrido nos últimos anos com seus projetos de arte e documentário. Ouvimos, por exemplo, o depoimento de Preston Jackson, o personagem principal de um documentário que vem fazendo desde 2012 na Libéria, contar sobre o momento em que viu o Atlântico pela primeira vez. Não tendo visto o horizonte antes, ainda menino acreditou ingenuamente na história contada por seu tio que o mar era um infinito campo de futebol. Da mesma Libéria vemos imagens do luxuoso Ducor Hotel da capital Monróvia em ruínas, construído para sediar a conferência pan-africana nos anos 1970 que visava a uma unificação maior dos países africanos, e, posteriormente destruído durante a sangrenta guerra civil que terminou em 2002. Desde então o país encontra-se em lenta reconstrução, evidenciado em outras imagens.

Em outro momento, conhecemos Kojo, um americano que viaja com a missão religiosa de sua igreja pan-africana em Detroit para a Libéria, refletindo sobre a função da religião em sua vida, e da África como a terra-mãe. Em seguida, um ensaio poético lembrando o mito sebastianista lusobrasileiro – o rei que surge das águas para libertar o povo cativo – é falado por uma mulher com imagens da costa africana e brasileira em alternância. O texto lembra a descoberta do mar por Preston, quando diz que o mar tem o gosto inusitado de sal para quem nunca sentiu.

Mats Hjelm é artista visual e documentarista. Nasceu em 1959 em Estocolmo, onde vive e trabalha. Seu trabalho investiga a relação entre videoinstalação e cinema documental, tendo como temas recorrentes a relação da arte com movimentos de justiça social, e o entrelaçamento de histórias particulares e narrativas da política global. Há mais de vinte anos trabalha na Europa, Estados Unidos e África Ocidental, África do Sul, e mais recentemente no Brasil. É escultor formado pela Konstfack University na Suécia, assim como em Cranbrook Academy of Fine Art nos Estados Unidos.

O trabalho de Mats Hjelm já foi exibido em mostras individuais e coletivas no Moderna Museet em Estocolmo; Museum of African American History, Detroit, EUA; Biennale Africaine de la Photographie, Bamako, Mali; Dubai International Film Festival; Museum of Contemporary Art, Chicago; Walker Art Center, Minneapolis; Bienal de Veneza; Yokohama Triennale, entre outros. Tem obras nas coleções do Moderna Museet, Malmö Art Museum, Uppsala Art Museum e The National Public Arts Council Sweden. As atividades de Mats Hjelm incluem cursos em vídeo e cinema dentro da arte contemporânea. Hjelm é também cinegrafista, colorista, programador e especialista em videoinstalações para diversos fins.

Publicado por Patricia Canetti às 3:15 PM


José Bechara no MAM, Rio de Janeiro

Exposição no Salão Monumental do MAM Rio, com trabalhos inéditos, celebra os 60 anos do artista, e sua trajetória iniciada em 1992

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 25 de julho de 2017 a exposição Fluxo Bruto, com trabalhos inéditos do artista José Bechara (1957, Rio de Janeiro), que celebra seus 60 anos e sua trajetória iniciada em 1992. A curadoria é de Beate Reifenscheid, curadora e diretora do Ludwig Museum, Koblenz, Alemanha.

A mostra reúne trabalhos tridimensionais em grande escala, realizados em alumínio, mármore, madeira e vidros planos, além de pinturas sobre lona. O conjunto é formado por trabalhos inéditos, alguns deles desenvolvidos a partir de obras anteriores, que ganharam “novas ativações, contaminados pelas demais peças e pelo espaço arquitetônico”, comenta o artista.

José Bechara diz que “Fluxo Bruto” propõe uma “mirada para trabalhos em permanente alteração. Em estado bruto, esses trabalhos movimentam-se no curso da produção, e devem se concluir na obra a seguir”.

“Com exceção das pinturas, todos os demais trabalhos serão ‘construídos’ no espaço expositivo durante os dias de montagem, a partir de escolhas frente às relações espaciais e de vizinhança entre as obras”, explica o artista. Na grande parede branca do Salão Monumental, com trinta metros de comprimento, estarão três diferentes trabalhos com vidros planos, pertencentes ao que o artista chama de “pesquisa recente”.

Beate Reifenscheid afirma que “José Bechara é um dos artistas mais interessantes da cena de arte contemporânea brasileira. Iniciou a carreira como pintor, com uma forma de linguagem radicalmente reduzida, compromissada, ainda hoje, com a arte concreta no sentido mais amplo da palavra. São a sua noção e o seu entendimento profundos das estruturas construtivas que formam o esqueleto interno de suas pinturas, que modulam cores num tipo de espaço flutuante, ilimitado”. Ela observa que “fica claro também que o foco do artista está sempre em penetrar o espaço e compreender suas dimensões em percepção. O concreto e o não concreto estão fundamentados diretamente no nível das perspectivas possíveis”. A curadora destaca que “na arte contemporânea, o vidro é um material recém-explorado e artistas famosos, como Pierre Soulages, Gerhard Richter e Ai Weiwei, fizeram experiências com ele. As obras em vidro de José Bechara salientam a percepção conceitual do construtivismo brasileiro e a transferem para uma abordagem contemporânea”.

O primeiro, “Rabiscada”, utilizará cerca de dez placas – transparentes e leitosas – algumas suspensas e outras apoiadas no piso com cerca de 3,5m de altura e 10m de largura. Em meio às placas, uma linha geométrica formada por cerca de 20 varas finas, com 2m cada, na cor laranja percorrerá toda a extensão do trabalho desenhando por vezes à frente, por trás e também suspensas ou apoiadas na parede.

O segundo trabalho em vidro, “Sobre brancos”, abrange quatro placas de vidro suspensas contra a parede branca principal do Salão monumental. A obra contém outros elementos de “variados tons de branco, incluindo papel vegetal e finas lâmpadas brancas de neon também na cor branca”.

O terceiro trabalho em vidro, com o título provisório “Ângelas”, é o que exigirá maior logística na montagem, e demandará um guindaste para içar ao local expositivo três esferas maciças de diferentes mármores, pesando a maior cerca de 1,6 tonelada e as duas menores 250 kg cada, aproximadamente. Todos os elementos (vidros e esferas) estarão suspensos a alturas entre 2 metros e 30 cm do piso.

Na grande parede de concreto, ao fundo do Salão monumental, estará uma nova versão da peça “Miss Lu Super-Super (2009-2017)”, que terá sua volumetria ampliada e ganhará elementos “intrusos” também em alumínio, chegando ao tamanho aproximado de 10m X 10m X 3m.

Na parede que faz face ao terraço, estarão três pinturas inéditas de aproximadamente 1,7m0 X 3,30m cada, além de um díptico “Visto de frente é infinito“, de cerca de 1,80m X 5m, pertencente à coleção Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz, e outras duas pinturas da coleção Gilberto Chateaubriand/MAM Rio.

Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, curadores do MAM, observam no texto que acompanha a exposição, que os trabalhos de José Bechara, em alumínio, mármore, madeira, placas de vidro, tinta e oxidação de emulsões de cobre e ferro, são “tridimensionais que se confundem com pinturas, bidimensionais que se aproximam de esculturas”. “Trabalhos inéditos por estarem, de fato, sendo vistos pela primeira vez ou por reunirem peças realizadas em anos anteriores em outros arranjos, como a ampliação da volumetria original ou a adição de elementos intrusos, pensados a partir da relação com o espaço arquitetônico ou do diálogo com o conjunto da exposição”, comentam.

CONVERSA EM TORNO DA EXPOSIÇÃO
No próximo dia 27 de julho, das 15h às 18h, haverá uma conversa gratuita e aberta ao público, com o artista José Bechara e os curadores Beate Reifenscheid, Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, curadores do MAM Rio. A distribuição de senhas será feita a partir das 14h, na bilheteria do Museu. A palestra será ministrada em língua inglesa, sem tradução. Capacidade 50 pessoas.

TRAJETÓRIA
José Bechara iniciou sua trajetória com uma exposição individual no Centro Cultural Candido Mendes, no Rio de Janeiro, em 1992, mesmo ano em que integrou as coletivas “Gravidade e Aparência”, e “Diferenças”, ambas no Museu Nacional de Belas Artes, e “9X6”, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, todas no Rio de Janeiro.

“Só me lembro dessa coisa de 25 anos de trabalho quando alguém me pergunta. Como todos os dias acontece alguma coisa nova, tem sempre um ‘acidente’ novo no ateliê, eu não penso nisso. Dou mais atenção ao que pode acontecer do que o que aconteceu. Todo dia se parece com o primeiro dia. Quanto à idade, é a mesma coisa, já que todo dia tenho um novo plano. Estou sempre pensando em fazer alguma coisa que precisa de tempo pra ser feita, então acho que não tenho muito interesse em idade. Tenho uma leve obsessão pelo porvir. Ainda”, diz o artista.

José Bechara se programa para participar, em setembro, da Bienalsur, em Buenos Aires, em outubro, da Bienal de Beijing, e em dezembro apresentará uma individual na galeria norte-americana Diana Lowenstein, por ocasião da Art Basel Miami. Em fevereiro de 2018, fará um projeto especial para a galeria XF Projects, em Madri.

O artista expôs este ano em Portugal, com curadoria de Miguel Sousa Ribeiro, no Espaço Adães Bermudes, em Alvito, no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, e no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra. Esteve presente na ARCO 2017 (Feira de Arte Contemporânea), em Madri, nos espaços da galeria espanhola XF Projects (Palma de Maiorca e Madri), e das galerias portuguesas Mario Sequeira, na cidade de Braga, e Carlos Carvalho, em Lisboa. Em 2016, integrou a exposição “(In) Mobiliario”, na Galeria Habana, em Havana; “The agony and the ecstasy – Latin American art in the collections of Mallorca; A review based on contemporaneity”, no Museo d’Art Modern i Contemporani de Palma, em Palma de Mallorca, Espanha; “Este lugar lembra-te algum sítio? – 1º momento”, no Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura, Guimarães, Portugal; e a premiada “Em polvorosa – Panorama das Coleções MAM Rio”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em novembro de 2015, o Ludwig Museum fez uma grande individual do artista, com curadoria de Beate Reifenscheid.

José Bechara nasceu no Rio de Janeiro em 1957, onde trabalha e reside. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), localizada na mesma cidade. Participou da 25ª Bienal Internacional de São Paulo; 29ª Panorama da Arte Brasileira; 5ª Bienal Internacional do MERCOSUL; Trienal de Arquitetura de Lisboa de 2011 e das mostras “Caminhos do Contemporâneo” e “Os 90” no Paço Imperial–RJ. Realizou exposições individuais e coletivas em instituições como Fundação Eva Klabin–BR; Culturgest–PT; Instituto Figueiredo Ferraz–BR; Fundação Iberê Camargo–BR; MEIAC–ES; Instituto Valenciano de Arte Moderna–ES; MAM Rio de Janeiro–BR; MAC Paraná–BR; MAM Bahia–BR; MAC Niterói–BR; Instituto Tomie Ohtake–BR; Museu Vale–BR; Ludwig Museum (Koblenz)–DE; Haus der Kilturen der Welt–DE; Ludwig Forum Fur Intl Kunst–DE; Kunst Museum–DE; Museu Brasileiro da Escultura (MuBE)-BR; Centro Cultural São Paulo–BR; ASU Art Museum–USA; Museo Patio Herreriano (Museo de Arte Contemporáneo Español)–ES; MARCO de Vigo–ES; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma–ES; Carpe Diem Arte e Pesquisa–PT; CAAA–PT; Musee Bozar–BE; Museu Casa das Onze Janelas–BR; Casa de Vidro/Instituto Lina Bo e P.M. Bardi–BR; Museu Oscar Niemeyer–BR; Centro de Arte Contemporáneo de Málaga (CAC Málaga)–ES; Museu Casal Solleric–ES; Fundação Calouste Gulbenkian–PT; entre outras. Possui obras integrando coleções públicas e privadas, a exemplo de MAM Rio de Janeiro – coleção Gilberto Chateaubriand–BR; Pinacoteca do Estado de São Paulo–BR; Museu Oscar Niemeyer-BR; Centre Pompidou-FR; Es Baluard Museu d’Art Modern i Contemporani de Palma–ES; Instituto Figueiredo Ferraz–BR; MAC Niterói – Coleção João Sattamini–BR; Instituto Itaú Cultural–BR; MAM Bahia–BR; MAC Paraná–BR; Ludwig Museum (Koblenz)–DE; Culturgest–PT; Benetton Foundation-IT; CAC Málaga-ES; ASU Art Museum USA; MOLAA–USA; Ella Fontanal Cisneros–USA; Universidade Cândido Mendes–BR; MARCO de Vigo–ES; Brasilea Stiftung–CH; Fundo BGA–BR, entre outras. Para saber mais sobre o artista, visite o site http://josebechara.com.

Beate Reifenscheid é historiadora da arte, crítica de arte e curadora, especializada em arte contemporânea e do século 20, e nas relações artísticas entre Europa e China, e no papel dos museus e suas exposições. Ela estudou História da Arte, Estudos Alemães, Jornalismo e Comunicação na Ruhr-University, em Bochum, Alemanha, e na Universidade de Madri. Em 1985 se tornou mestre em arte, e em 1988 recebeu seu PhD em história da arte, pela Ruhr-University Bochum. De 1989 a 1991 ela integrou a equipe do Saarland Museum, em Saarbrücken, Alemanha, onde chefiou, de 1991 a 1997, o Departamento de Pinturas e Desenhos, e também o de Comunicação. Desde 1997 é diretora do Ludwig Museum, em Koblenz, Alemanha, e desde 2000 ele dá conferências em diversas instituições, e desde 2013 é professora honorária na Universidade de Koblenz-Landau, na Alemanha. Preside o ICOM (Comitê Internacional de Museus) da Alemanha.

Publicado por Patricia Canetti às 1:58 PM


julho 19, 2017

Botner & Pedro na Gentil Carioca, Rio de Janeiro

Colcha de retalhos é costura, restos tecidos por uma ou mais pessoas enquanto a memória conversa.

O cinema sempre foi montagem, tesoura, corte e cola na tentativa de implicar a memória do espectador em fios narrativos. “A memória é como uma ilha de edição” (Wally Salomão).

Como no cinema dos primeiros tempos, Marcio Botner e Pedro Agilson sempre fixaram o fragmento de um filme expandindo o efeito de movimento na fotografia entre planos intermitentes.

Na instalação Abrigo os artistas celebram o cinema como acolhimento.

Abrigo, como em Gimme Shelter dos Rolling Stones, hospeda os medos, as fantasias e os conflitos do visitante. E nós cada vez mais editados como Frankensteins permanecemos suspensos nas asas de nossos desejos.

O olho do artista funciona como o nó de uma rede de relações de um plano acentrado em que o sentido das imagens se multiplicam envolvendo o espectador nas várias superfícies de imagens estendidas.

00 olhar
01 amor e sexo
02 celebração
03 conflitos
04 medos e fantasmas
05 ser ou não ser
06 sonhos e fantasias
07 viver

O olho sempre no centro como marca daquele que vê e que é visto e que sobretudo vigia todos os filmes que passaram, que passarão, enquanto estamos ao abrigo da duração suspensa a nos acolher. Como em uma colcha de retalhos de memórias do cinema projetadas no escuro das salas iluminadas por um fio de luz que insiste em passar uma imagem de cada vez.

Publicado por Patricia Canetti às 9:18 PM


Visita Dialogada em Do Abismo e Outras Distâncias na Mamute, Porto Alegre

Visita Dialogada com a curadora Bruna Fetter e artistas da mostra coletiva do "abismo e outras distâncias"

A Galeria de Arte Mamute promove, dia 20 de julho, a partir das 19h, Visita Dialogada com a curadora Bruna Fetter e artistas representados da Mamute, na mostra coletiva Do Abismo e outras distâncias. O evento propõe estabelecer, através de trocas descontraídas e um passeio entre as obras da exposição "Do Abismo e outras distâncias", um diálogo reflexivo a respeito das questões exploradas pela curadoria e poéticas dos artistas. A atividade integra a exposição coletiva "Do Abismo e Outras Distâncias", que comemora os cinco (5) anos da Galeria de Arte Mamute e exibe obras inéditas dos seus dezoito (18) artistas representados.

Na visita, a curadora da mostra Bruna Fetter conduzirá o público entre as obras, e juntamente com os artistas participantes - Antônio Augusto Bueno, Bruno Borne, Claudia Barbisan, Claudia Hamerski, Clovis Martins Costa, Dione Veiga Vieira, Emanuel Monteiro, Fernanda Gassen, Frantz, Hélio Fervenza, Hugo Fortes, Grupo Ío, Letícia Lampert, Marília Bianchini, Mariza Carpes, Pablo Ferretti, Patrícia Francisco e Sandra Rey – trarão a público o processo curatorial, o conceito de construção da mostra, bem como o processo de criação dos artistas para produção das obras expostas.

Publicado por Patricia Canetti às 9:00 PM