|
|
novembro 12, 2009
Inauguração do novo espaço da galeria Novembro Arte Contemporânea em São Paulo
A galeria dirigida por Sandra Spritzer e Ronaldo Grossman foi fundada em 2005 no Rio de Janeiro.
A primeira exposição no novo espaço sera uma coletiva com os artistas representados pela galeria.
Joana Traub Csekö
Nasceu em Denver, Colorado (EUA), em 1978. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Será exibido o filme ‘HU’, dirigido por Joana Traub Csekö e Pedro Urano, que foi inteiramente filmado no edifício inacabado do Hospital Universitário da UFRJ, localizado no campus da Ilha do Fundão, Rio de Janeiro.
O filme é um ensaio audiovisual realizado nas duas metades do HU através da observação do dia-a-dia do hospital e da ocupação simbólica de sua metade abandonada. Uma investigação sobre o modus operandi do Estado brasileiro.
Graduada em Comunicação Social pela Escola de Comunicação da UFRJ e mestre em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Entre 2000 e 2004 foi aluna da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ).
Joana cria mecanismos intrínsecos ao funcionamento de suas imagens, como segredos, que atraem e comunicam, mas simultaneamente desarmam o olhar do espectador. Imagens dissonantes, que querem de nosso olhar o tempo de cismar, mirar, e não a atenção intermitente e fragmentada do cotidiano imagético em que vivemos imersos.
Na prática da artista, a fotografia torna-se uma forma possível de estar em contato com a sociedade contemporânea, de tornar visível, desvelar, através da captação e do subsequente engendramento do real, aspectos de nosso meio circundante tanto físico, quanto simbólico.
Laura Erber
Nasceu no Rio de Janeiro, 1979.
Para a mostra a artista apresentará a obra “Historia Antiga”, que interroga plasticamente o espaço de leitura intensificando as tensões entre texto e imagem. O livro aqui é abordado como espaço de experiências-limite, onde um corpo vivo se debate. O trabalho é ao mesmo tempo uma homenagem à poesia da argentina Alejandra Pizarnik e também um modo de romper a asfixia melancólica a que ela conduz o leitor.
A prática artistica de Laura se caracteriza pelo constante trânsito entre linguagens e pelo modo singular como a artista reconfigura as relações entre palavra, imagem e corpo. Suas obras vem sendo exibidas em diversos festivais internacionais de cinema e vídeo, alem de centros de arte no Brasil e na Europa como Le Plateau, Jeu de Paume, Casa Européia da Fotografia, Museu de Arte Contemporânea de Moscou, Museu de Arte Moderna de Paris, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Oi Futuro, entre outros. Realizou exposições individuais na Fundação Miró (Barcelona) e no Centro Internacional de Arte da Ilha de Vasssivière (França). Em 2006 foi contemplada com a bolsa do centro de intercambio Le Recollets (Franca) e em 2007, participou do projeto “Batiscafo de residência”, em Havana (Cuba). Publicou Insones (7Letras, 2002), Körper und tage (Merz-Solitude, 2006), Os Corpos e os dias (Editora de Cultura, 2008) e Vazados e Molambos (Editora da Casa, 2008). Foi uma das 10 selecionadas para o Prêmio Jabuti deste ano.
Chico Fernandes
Nasceu no Rio de Janeiro, 1984.
O projeto apresentado será “ampulheta de cem anos”. Projeto de uma imensa ampulheta virtual que se funde á paisagem ao mesmo tempo que não ocupa lugar algum.
http:/100anos.net
Entre 2002 e 2008 frequentou cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Desenvolve projetos multimídia usando principalmente performance, fotografia e vídeo. Seus trabalhos costumam ter uma atmosfera lúdica, seja criando espaços inusitados com o tratamento da fotografia, seja criando espaços virtuais com transmissões de vídeo ao vivo.
Participa de exposições individuais e coletivas, em museus, centros culturais e galerias como Funarte, Itaú Cultural, Paço Imperial, Museu Nacional de Belas Artes, Oi Futuro, entre outros.
Christine de la Garenne
Nasceu em Karlsruhe, Alemanha, 1973
Christine trabalha com vídeo-instalações que retratam uma ambivalência no contraste da tensão emocional e sensorial com a meditação presente na fragilidade do tempo. Através de suas observações e interpretações da realidade, a artista mostra diferentes pontos de vista a partir de pequenos detalhes, multiplicando, expandindo ou simplesmente mostrando como os acontecimentos ao nosso redor podem ser contemplados de maneira não usual.
Christine já expôs em diversos espaços, tais como: Angel Orensanz Foundation, Nova York (2009), Galerie Belle de Jour, Baden-Baden (2009), Festival d’Arte Contemporain, Nice (2009), Palais de Glace, Buenos Aires (2009), Galerie Spesshardt und Klein, Berlin ( 2008), Stuttgard21, Stuttgard (2008), Spazio Oberdan, Milão (2007), Museo Nacional Reina Sofia, Madrid (2007), Jardim da Bienal de Veneza, Veneza (2007), entre outros.
Fabiano Marques
Nasceu em Santos, São Paulo, 1970
O projeto apresentado consiste em, a partir do desenho original do Plano Piloto de Brasília (PPB), de Lucio Costa, construir um avião e faze-lo voar. O gesto de pegar o desenho da planta de uma cidade e com ele voar se assemelha ao gesto de marcar com um X o centro do país e ali construir uma nova capital. Dois gestos simples que implicam em processos complexos para que da idéia se faça realidade. E este ‘por a idéia a prova’ tem sido das ferramentas mais eficientes de que a arte tem se valido para refletir sobre e intervir na sociedade.
Propor uma interação entre arte e engenharia aeronáutica para a realização de um vôo, mais do que uma proposta interdisciplinar de arte e tecnologia, é construir uma reflexão sobre a atividade de projetar, porque voar é das metáforas mais fortes para a realização do desejo de superação da condição humana através do engenho e do passar da idéia a sua realização. Contribui para isso o fato de que o presente projeto se debruça, metalinguisticamente, sobre um documento fundamental na história do Brasil, o Plano Piloto de Brasília, que é ao mesmo tempo, projeto de construção de uma cidade; proposta de construção de identidade nacional; tentativa de inserção do Brasil na modernidade; e experimento em escala mundial do ideal moderno sem paralelo até então. Projetar é assunto de interesse para as artes, para a arquitetura, para a engenharia, para a política. Apropriar-se deste desenho e usa-lo para outro destino - o vôo já contido metaforicamente no projeto original - é propor uma análise do projeto em relação a essas diversas áreas do conhecimento sob o crivo dos critérios de eficiência da engenharia aeronáutica.
O aeromodelo, de 4 metros de envergadura, a ser exposto na galeria apresenta o estagio atual de desenvolvimento da pesquisa explorado em sua potencialidade poética. Esse protótipo de teste de voo é uma das variantes de volumetria pensada a partir do desenho bidimensional do PPB, que surge em resposta a definicao do tipo de aviao a ser construido: um planador acrobático, com seu voo que se assemelha ao de um desenho que decolasse direto da planta.
Além de servir para o estudo das relações entre peso e aerodinamica, este protótipo marca o lançamento do projeto que tem por objetivo a construção e voo de um aviao de 15 metros de envergadura, previsto para 2010, ano das comemoraçoes dos 50 anos da inauguração de Brasilia. Ao ser instalado no espaço expositivo, o prototipo também se apresenta como um campo de provas para a galeria que se inicia em nova localização, ativando o espaço expositivo como tunel de vento. A aeroave é ao mesmo tempo objeto de estudo e instrumento de testes do contexto em que está inserida.
Fabiano formou-se em Artes Plásticas na FAAP, e cursou mestrado em Poéticas Visuais na ECA/USP. Dentre suas exposições individuais, destacam-se: Programa de Exposições (2002), Centro Cultural São Paulo (prêmio aquisição) e Temporada de Projetos, Paço das Artes, São Paulo, (2003). Suas principais mostras coletivas são: Programa Rumos, Itaú Cultural, Belo Horizonte, Recife e São Paulo, (2002) , 26a Bienal Internacional de São Paulo, (2004), Lost in Paradize, no Palais de Tokio em Paris. Tem obras nos acervos do MAM, São Paulo e MAM, Rio de Janeiro , e Pinacoteca Municipal, São Paulo.
Regina de Paula
Nasceu em Curitiba, 1957. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Apresenta a série Não-habitável , desenvolvida desde 1999, Regina de Paula elabora a dimensão psicológica de espaços arquitetônicos de interior por meio de fotografia, desenho e vídeo. No trabalho apresentado - Não-habitável [SSCC] - existe uma conexão com a história e o contexto do Super Shopping Cidade de Copacabana, endereço anterior da Galeria Novembro Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. A obra, composta por fotografia e desenho, captura o interior do shopping e cria uma ressonância entre o antigo e o atual locus da galeria Novembro. A relação com a cidade, o espaço natural e o construído, é o centro do trabalho atual da artista.
Regina de Paula é doutora em Artes Visuais pela EBA/UFRJ, mestre em Artes pela Columbia University de Nova York e professora no Instituto de Artes/UERJ.
As últimas individuais realizadas pela artista foram O cubo paisagem (Cavalariças/ Escola de Artes Visuais do Parque Lage, RJ), 2009 e Não-habitável [SSCC] (Galeria Novembro Arte Contemporânea), 2006. Dentre suas últimas exposições coletivas destacam-se: O Museu como lugar (Museu Imperial, Petrópolis), 2007; ARCO Arte Contemporâneo 2007 / project room (Madri); Équipée Rio - São Paulo - Brest (Centre d’art Passerelle, Brest); Amalgames (Musée de l'Hotel Dieu, Mantes la Jolie); Coleção Joaquim Paiva (Théâtre de la Photographie et de l’Image Charles Nègre , Nice), 2005. Em Nova York expôs no The Bronx Museum of Arte, Art in General, 80 Washington Square East Galleries etc. Regina foi premiada com a Bolsa RioArte, Prêmio Brasília de Artes Visuais, Prêmio Uniarte/FAPERJ e VI Salão da Bahia.
Ivan Seal
Nasceu em Manchester, UK, 1973
Será mostrado a série de desenhos “Game Board”, uma série em andamento de desenhos de objetos dependurados, delineados por sombras. Apresentados juntos, estas cenas descrevem uma paisagem expandida de espaços fictícios. Estes espaços são ocupados por objetos em locais de sua atuação, onde os protagonistas estão ausentes mas a evidência de uma interação permanece.
Ivan trabalha com uma combinação de desenho, pintura e sons gerados por computador. A intenção é a de criar uma construção aquitetônica na mente do espectador formando uma série de desdobramentos, que vão se alterando continuamente ao longo do tempo.
Ivan Seal estudou na Sheffield Hallam University. Ele vive em Berlim desde 2004 e tem participado de inímeras performances e exposições pela Europa, tais como na Galerie Im Regierungsviertel, Basel (2009), Visite Ma Tente, Berlin (2009), Atelierhof Kreuzberg (2009) Julius Werner Galerie, Berlin (2008), Jet Gallerie, Berlin ( 2007), Bridewell Theatre, London (2005), entre outros.
Alberto Simon
Nasceu em São Paulo, 1961.
Será apresentado uma serie de trabalhos, que fizeram parte da exposição individual " Tradicional, Familiar e Apropriada: arte pobre conceitualóide e minimalística", que o artista apresentou na galeria no Rio de Janeiro.
Em 1980 muda-se para NY, aonde viveu até 1984, quando mudou-se para Berlim. De 1985 a 1990 estudou na Hochschule der Künste. Desde 2005 vive tambem em SP. Trabalha a partir 1993 tambem com fotografía, tendo realizado diversos projetos documentais (Moradias de beduínos nos desertos doNegev e Sinai ,1993/94; Along the Love Highway: o motel brasileiro,1996; Domingão: Plane Spotters in São Paulo, 1997; Tamanho M, 2005/6, entre outros. Em 1999 realizou o filme documentário Our Lady on the Rocks, em Butte-Montana, EUA. Tambem trabalha com o computador criando imagens que integram ficção e fatos como uma forma expandida de documentário (DH 106 comet, 1998; Salvattore Pippa`s Screens & Sticks, 2003; Em 2007, apresentou a exposição Arte e Cocaína, 1950-2000: uma sondagem no Paço das Artes.
Tem exibido seu trabalho em mostras individuais e coletivas e publicado ensaios em revistas como Kunstforum International, Daidalos e DIF.
Tiago Tebet
Nasceu em São Paulo em 1986
Tiago mostrará uma pintura geométrica que reproduz a fachada de um edificio na Av. da Consolação, muito próximo aonde a galeria esta instalada.
Formado pela FAAP e atualmente é assistente de ateliê de Leda Catunda. Participou do Grupo Anarcademia ( Dora Longo Bahia) na Bienal de Artes de São Paulo (2008) e foi premiado no 40ª Anual de Artes Plásticas F.A.A.P (2008).
Luisa Proença & Roberto Winter
Luiza Proença nasceu em são Paulo, 1985
Roberto Winter nasceu em São Paulo, 1983
Será mostrada o obra produzida para a 7ª Bienal do Mercosul, os artistas convidaram pessoas de todo o mundo para participar da obra sonora Listen & Repeat (Escute e Repita). Através de um website, os participantes gravavam suas vozes dizendo, em seus respectivos idiomas, o nome de um artista de sua nacionalidade, o próprio nome e a expressão “ponto com”.
Os websites correspondentes às gravações foram realmente criados, todos com um mesmo design: apenas um fundo branco e a contínua reprodução da gravação correspondente. O trabalho final conta com a colaboração de 50 pessoas, originárias de 39 países.
Luiza Proença é bacharel em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP-SP. Foi bolsista em História e Crítica de Arte na Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza, Argentina (2006) e da FAPESP (2008) com pesquisa sobre site-specific. Desde 2002, atua em diferentes instituições culturais. Atualmente desenvolve os projetos Temporada de Projetos na Temporada de Projetos, no Paço das Artes e projeto de residência para o 47o Salão de Artes Plásticas de Pernambuco.
Roberto Winter tem Bacharelado em Física pela Universidade de São Paulo (2004).Iniciou sua trajetória artística em 2005 e desde então já apresentou obras em diversos espaços e eventos. Foi membro em 2006, de projeto do Ministério da Cultura com pesquisa sobre software livres para a edição de material gráfico, produção de documentação e oficinas. Em 2009 participou do 13o Festival da Cultura Inglesa desenvolvendo o trabalho “One and three words”. Atualmente, desenvolve o projeto Temporada de Projetos na Temporada de Projetos, no Paço das Artes.
Residentes LABMIS + Workshops
MIS apresenta a Mostra LABMIS, primeira coletiva de resultados do programa de residência artística do seu laboratório de novas mídias
A primeira Mostra LABMIS apresenta os trabalhos dos artistas selecionados pelo edital Residência LABMIS, Anaisa Franco, Claudio Bueno, Guilherme Lunhani e da dupla Felipe Sztutman e Rodrigo Bellotto. Conta também com a participação de Caetano Dias, Alexandre Fenerich e Paulo Meira, artistas convidados em 2008 para o desenvolvimento de obras inéditas, marcando o início das atividades do LABMIS, primeiro laboratório de novas mídias instalado em um museu público brasileiro e também pioneiro na seleção por meio de edital em uma instituição pública. Workshops com artistas residentes integram a programação
Com abertura em 17 de novembro e visitação de 18 de novembro de 2009 a 03 de janeiro de 2010, o MIS recebe em seu espaço expositivo a primeira mostra coletiva com os sete trabalhos realizados por meio da Residência LABMIS entre dezembro de 2008 e novembro de 2009. Com obras voltadas às linguagens contemporâneas de caráter tecnológico, a Mostra LABMIS apresenta projetos selecionados por meio de edital. Realizados durante residências artísticas, alinha-se a formas de fomento, criação e pesquisa artística implementadas em várias instituições internacionais.
O LABMIS, Laboratório de Novas Mídias do Museu da Imagem e do Som, é um espaço de reflexão, intercâmbio de conhecimento e experimentação em novas tecnologias. Atua na confluência entre arte, ciência e tecnologia, e oferece espaço para ações de difusão da cultura digital para artistas consagrados, emergentes, além de pesquisadores, estudantes e público não especializado.
A primeira edição da Residência LABMIS, realizada em 2009, contemplou Anaisa Franco, Claudio Bueno, Guilherme Lunhani e a dupla Felipe Sztutman e Rodrigo Bellotto. O júri dessa primeira edição contou com a participação da jornalista Juliana Monachesi e dos artistas Ruggero Ruschioni e Gisela Domschke na pré-seleção e da crítica Angélica de Moraes, da pesquisadora Priscila Arantes, da artista Rejane Cantoni e do músico Wilson Sukorski na seleção final. O LABMIS também convidou no início de suas atividades os artistas Caetano Dias, Alexandre Fenerich e Paulo Meira, cujas obras também serão expostas na Mostra LABMIS.
Ao longo dos três meses de residência no LABMIS, os artistas selecionados tiveram livre acesso à infraestrutura tecnológica do espaço. Também contaram com suporte de orientadores e técnicos especializados, para o aprofundamento de suas pesquisas. Além disso, receberam uma apreciação crítica de sua produção por parte de um especialista na área e participaram de encontros públicos de discussão dos projetos. Agora, as obras desenvolvidas na Residência LABMIS são exibidas nesta primeira Mostra LABMIS, que contará com a publicação de um catálogo da coleção MIS.
As obras
Anaisa Franco desenvolveu Realidade suspensa, instalação composta por um cilindro de acrílico, no qual está inserida uma máquina de fumaça programada. Sobre a fumaça que preenche seu interior, são projetados três vídeos sincronizados, acompanhados por um áudio. Nessa obra carregada de metáforas, a fumaça evoca uma nuvem trazida do céu. A artista busca colocar em evidência a posição do homem na sociedade, os seus objetos de consumo e a busca de ideias inatingíveis. A fim de transmutar espaços e limites, ela investiga projeções sobre esculturas imateriais, translúcidas e impalpáveis, e cria linguagem híbrida mesclando recursos virtuais ao suporte físico.
A residência artística de Claudio Bueno resultou em Estrelas Cadentes, uma instalação multimídia que parte de um “céu” composto por 150 pequenos balões pretos carregados com pó brilhante roxo. O público poderá enviar mensagens com supostos desejos para um celular específico. Ao receber a mensagem, o aparelho faz acender uma luz azul sobre um dos balões, que estoura, jorrando todo o pó contido dentro dele. Semelhante a uma estrela cadente, desaparece, deixando apenas um rastro de cor no chão do espaço expositivo, como vestígio das presenças, interações e desejos compartilhados pelos visitantes. Dentre outras aberturas, o trabalho reflete sobre a produção de espaços interativos a partir da utilização das chamadas mídias móveis.
Felipe Sztutman e Rodrigo Bellotto realizaram Objeto em forma de espaço, um ambiente imersivo com propriedades físicas controladas eletronicamente. No interior de um cubo negro suspenso no ar, dispositivos de luz, som e aroma criam uma experiência sensorial completa. Juntamente com o mecanismo luminoso, caixas acústicas e odorizantes são comandados por um banco de dados que cria variações múltiplas. Trata-se de uma colagem randômica de experiências combinadas e recombinadas que inserem o espectador em uma narrativa espacial. O visitante adentra um espaço imersivo singular, cujas informações visuais, sonoras e olfativas podem oferecer significações complexas, inesgotáveis.
Guilherme Lunhani apresenta Objeto - Partículas sonoras, obra que utiliza programação em PD (Pure-Data) SuperCollider e Processing. Compõe-se de uma mesa sensível ao toque sobre a qual serão projetadas pequenas circunferências, a representar visualmente objetos musicais em um espaço. O toque do público na mesa propicia interações físicas entre as circunferências, que são repassadas para o campo musical, possibilitando arrastar e "empurrar" os objetos musicais, modificando em tempo real as posições sonoras em um espaço imersivo. Partindo da investigação do funcionamento do controle da localização sonora em um determinado local, a obra busca mostrar que características físicas são capazes de determinar o caminho do próprio som.
O trabalho de Alexandre Fenerich, intitulado Sob chão móvel, é um cinema-documentário que representa a experiência de um passageiro em um trem, partilhada entre imagens e sons – à maneira do cinema de Dziga Vertov -, de modo a conduzir o espectador/viajante de um ambiente naturalista para uma situação mais livre deste tipo de representação. O trabalho conta com três projeções de imagem, posicionadas nas paredes laterais e na tela frontal do auditório do MIS, além de projeção sonora em cinco canais. O espetáculo conta, ainda, com quatro performers: três músicos (violoncelo, saxofone e eletrônica) e um VJ. Ao longo da apresentação, sua participação encaminha-se da estrutura naturalista e documental para uma situação musical, esfacelando a narrativa inicial.
Caetano Dias apresenta Mar, projeção sobre algodão de um vídeo 15’20” em looping. A obra, um livre experimento feito a partir de imagens gravadas num simulador de mar em tempestade, integra a série do artista composta por nove ensaios sobre a água. A partir deste elemento, Caetano investiga uma forma mais fluida de relação entre corpo e espaço, buscando um limite diluído que desaguaria em corpos instáveis e em sentidos desfeitos, chegando a um possível corpo etéreo, a sugerir uma memória em suspensão.
Paulo Meira desenvolveu o trabalho intitulado OMA – sessão 15 minutos no Jardim de Alice Coelho, em continuidade à pesquisa artística O Marco Amador, realizado desde 2003. Sua residência artística resultou em três obras, um vídeo de 21 minutos, uma videoinstalação e um vídeo interativo (game art), que envolvem uma mulher barbada, uma modelo de atirador de facas, um mágico e um autômato eqüino, num clima que mistura paixão, morte e repugnância pelo abjeto. As narrativas construídas imageticamente falam da corporeidade do homem contemporâneo em meio às múltiplas experiências que o envolve.
Integrando a programação, serão ministrados workshops pelos artistas residentes envolvendo a temática de seus projetos e o processo de criação. As inscrições podem ser feitas pelo site do MIS.
De 23 a 26 de novembro, das 14h às 19h, Anaisa Franco, a partir do processo de desenvolvimento conceitual e técnico de Realidade Suspensa, faz um recorte na produção contemporânea nas artes visuais, cinematográficas e arquitetônicas, abordando projetos que dialogam com a desconstrução do inconsciente por meio da produção de universos que hibridizam o físico e o digital no workshop A hibridização do físico e do digital: desconstrução do inconsciente.
A dupla Felipe Sztutman e Rodrigo Bellotto ministra o workshop O espaço como protagonista do discurso poético, discute as possibilidades do espaço enquanto suporte para um discurso poético. Em cada encontro, será apresentada uma instalação espacial realizada com video mapping buscando despertar a curiosidade e o interesse dos participantes para a realização de uma obra coletiva final. O workshop acontece nos dias 19, 20, 26 e 27 de novembro, das 14h às 18h, e no dia 29 de novembro, das 16h às 20h.
O artista residente Guilherme Lunhani organiza o workshop Introdução ao SuperCollider, nos dias 27 e 28 de novembro e 02, 09, 11 e 12 de dezembro, das 15h às 18h30. A oficina apresentará os conceitos básicos de linguagem, servidor/cliente, síntese sonora e sampleamento no SuperCollider, uma poderosa ferramenta para síntese sonora em tempo real e composição algorítmica.
No workshop O processo de criação em Arte e Meios Tecnológicos, Claudio Bueno trata do processo de construção da obra Estrelas Cadentes. Abordando os aspectos técnicos da construção de interfaces mecânicas, levanta temas como mobilidade, controle, computação pervasiva, virtualidade, fisicalidade, ruído, tensão, fragilidade, rigidez e celular. Como exercício prático, pretende-se que cada participante tenha um projeto pessoal em Arte e Tecnologia, formatado e editado para possível aplicação em editais como o do próprio LABMIS. O workshop acontece no mês de dezembro, nos dias 08 a 11, das 18h às 22h, e no dia 12, das 14h às 18h.
Centro de intersecção entre arte, ciência, sociedade e tecnologia, o LABMIS é o primeiro laboratório de novas mídias instalado em um museu público brasileiro e pioneiro na seleção por meio de edital em uma instituição pública. Fundado em 09 de agosto de 2008, foi concebido pela atual diretoria da instituição, com base na consultoria de um corpo de artistas, críticos e pensadores. Está instalado no 2º pavimento do MIS, em uma área dividida em sala de workshop, oficina de interfaces, sala de pós-produção, estúdio de som, um lounge (com acesso gratuito à internet sem fio) e auditório. Seu espaço é voltado para experimentação, pesquisa e produção artísticas. Além da realização de residências artísticas, conta com um programa de comissionamento artístico e oferece cursos, palestras e workshops para os mais diversos públicos.
Sobre o programa Residência LABMIS
O programa inspira-se na tendência mundial de fomentar o desenvolvimento artístico no campo das novas tecnologias. A primeira edição do programa, em 2008, contou com três residentes convidados – Caetano Dias, Paulo Meira e Alexandre Fenerich. Na segunda edição, o LABMIS lançou edital público para a seleção de artistas interessados em desenvolver seus projetos no espaço. Os autores dos quatro projetos contemplados – Anaisa Franco, Claudio Bueno, Guilherme Lunhani e a dupla Felipe Sztutman e Rodrigo Bellotto – têm acesso livre à infraestrutura tecnológica do LABMIS, além de contar com o suporte da sua equipe de orientadores e técnicos especializados. Após a conclusão dos trabalhos, os artistas têm um texto crítico sobre suas obras (escrito por um profissional designado pelo MIS), participam de uma mesa redonda e da Mostra LABMIS, coletiva de resultados da Residência.
Alexandre Fenerich é formado em Música e mestre em composição musical. Compositor, flautista e professor, trabalha com música eletroacústica e atua também junto ao teatro, ao cinema e às artes plásticas. Teve obras executadas no Brasil, na América do Sul, na França (GMEB – Marselhe; Futura 2005 - Festival Internacional d'art acousmatique - Ville de Crest), nos Estados Unidos (Darthmouth College) e na Alemanha (Festival Maerz Musik - Berlim). Recebeu o Prêmio Funarte pela obra A Escada Infinita.
Anaisa Franco é artista, transitando entre o Brasil e a Europa. Em 2008, desenvolveu a escultura interativa Expanded Eye durante o Interactivos, no MediaLab Prado, Madrid. Em 2007/2008, foi premiada com a bolsa Proyecto Expansion Digital do MECAD (Barcelona), para desenvolver a obra Connected Memories. Em 2006, enquanto fazia seu mestrado em Digital Art and Technology na Universidade de Plymouth (Inglaterra), contemplada pela bolsa Alban, desenvolveu o projeto Controlled Dream Machine no MediaLab Madrid, na Espanha. Além disso, a artista tem participado de diversas exposições no Brasil e no exterior.
Caetano Dias é graduado em Letras. Sua obra trata do sagrado e do profano, do íntimo e do público, em um jogo de significações. Realizou individual na Temporada de Projetos (Paço das Artes, São Paulo, 2002) e participou do 7° Salão MAM-Bahia de Artes Plásticas, ocasião em que recebeu prêmio (MAM, Salvador, 2000). Vive e trabalha em Salvador.
Claudio Bueno é artista multimídia e mestrando em Artes Visuais na ECA/USP. Seus trabalhos atuam principalmente em torno da arte em mídias móveis, locativas, interfaces, net art e vídeo. Em 2009, exibiu seus trabalhos nas exposições Grau Zero no Paço das Artes, Demasiada Presença na Escola São Paulo e Connecting Urban Spaces nas Filipinas. Além da Residência LABMIS 2009, foi contemplado com o Rumos de Arte Cibernética do Itaú Cultural e foi indicado ao prêmio Sérgio Motta, entre outros.
Felipe Sztutman cursa graduação em Design na FAU/USP. Interessado em vídeo, fez seu primeiro trabalho nesta plataforma logo no primeiro semestre do curso, aprimorando desde então as questões teóricas e técnicas. Ingressou no estúdio BijaRi e também atua como Visual Jockey. Tem como interesse de pesquisa a psicologia da percepção e ensaia maneiras de extrapolar a tela em seus trabalhos como VJ.
Guilherme Lunhani iniciou estudos musicais a partir do cravo. Ao ingressar na Unicamp em 2003, interessou-se por composição, onde começou a produzir música de forma algorítimica, establecendo pequenas regras e compondo de maneira improvisada a partir delas. O contato com tecnologias musicais na universidade, principalmente softwares como PD e SuperCollider, ampliou o processo para a produção eletroacústica. O interesse por visualidades na música iniciou-se com a residência artística no LABMIS em 2009, onde começou uma pesquisa interdisciplinar, retratando um lado menos processual e mais sensitivo.
Paulo Meira trabalha desde o início da década de 90 com videoperformance, fotografia, instalação e pintura. Sua obra é carregada de simbolismos e habitada por criaturas bizarras que referenciam personagens retratados na obra de pintores históricos como Velazquez e Brueghel.
Rodrigo Bellotto, ex-aluno da FAU-USP, migrou do projeto arquitetônico para os projetos de interfaces de comunicação. Vídeo, web, novas mídias e arte tecnológica são focos de seu estudo e trabalho. Trabalhou com Rafic Farah, BijaRi e Ruth Slinger, e hoje faz parte do grupo de Vjs New York, New York.
novembro 11, 2009
FUNARTE informa - convocatória pré-conferência setorial: calendário de reuniões regionais de Artes Visuais
Mobilização Pré-Conferência Setorial de Artes Visuais
Tendo em vista o início do processo de escolha de delegados regionais para participação na Pré-Conferência Setorial de Artes Visuais, a se realizar em Brasília nos dias 26 e 27 de janeiro de 2010, a Funarte convida a todos para comparecerem às reuniões regionais listadas no calendário abaixo.
A Pré-Conferência terá por objetivos a eleição de delegados e propostas para a II Conferência Nacional de Cultura, assim como a eleição dos novos representantes do Colegiado Setorial das Artes Visuais.
Ricardo Resende, diretor do Centro de Artes Visuais da Funarte, reforça a importância das reuniões, objeto desta convocatória, cuja finalidade é traçar estratégias,
em cada região do país, para a escolha dos 3 delegados de cada estado que terão assento na Pré-Conferência das Artes Visuais. Nelas, estarão presentes Ricardo
Resende e os representantes regionais atuais do Colegiado Setorial.
A participação dos interessados é fundamental para a legitimidade das estratégias adotadas e boa representatividade do setor nas instâncias subsequentes.
NORDESTE
18 de novembro, quarta-feira, 14h
Usina Cultural Energiza
Rua Juarez Távora 243, Torre, João Pessoa
SUL
20 de novembro, sexta-feira, 14h
Solar do Barão (Sala Scabi)
Rua Carlos Cavalcanti 533, Centro, Curitiba
SUDESTE
23 de novembro, segunda-feira, 14h
Espaço 104
Praça Rui Barbosa 104, Centro, Belo Horizonte
NORTE
1º de dezembro, terça-feira, 15-20h
Galeria de Arte Graça Landeira
Universidade da Amazônia - Campus Alcindo Cassela
Avenida Alcindo Cassela 287, Belém
CENTRO-OESTE
4 de dezembro, sexta-feira, 14h
Galeria Funarte
Eixo Monumental - Setor de Divulgação Cultural - Lote 2, Brasília
Mais informações sobre o Colegiado de Artes Visuais, visite as páginas do CNPC: http://www.cultura.gov.br/cnpc/colegiados-setoriais/artes-visuais/
Fundação Nacional de Arte - Funarte
Rua da Imprensa 16, 13º andar - Centro
Rio de Janeiro, RJ, 20030-120
21-2279-8113 ou cavisuais@funarte.gov.br
maio 11, 2009
Mostra Filmes e Vídeos da Coleção Goetz no Itaú Cultural, São Paulo
Alexander Birchler, Ann-Sofi Sidén, David Weiss, Jochen Kuhn, Laurie Simmons, Mark Leckey, Matthew Barney, Matthias Müller, Peter Fischli, Sharon Lockhart, Teresa Hubbard, Tracey Moffatt, Ulrike Ottinger, William Kentridge
Curadoria de Susanne Touw
12 a 17 de maio de 2009
Itaú Cultural
Avenida Paulista 149, Paraíso, São Paulo - SP
11- 2168-1776/1777 ou atendimento@itaucultural.org.br
www.itaucultural.org.br
247 vagas
Programação:
12 de maio, terça-feira, 20h
Palestra de abertura com a curadora Susanne Touw e o artista Alexander Birchler e exibição dos vídeos:
Single Wide
Alexander Birchler e Teresa Hubbard, 2002, vídeo, 6min07s
Em um movimento contínuo, a câmera registra o interior e o exterior de uma casa de campo. Aparentemente perturbada e carregando uma mala com o que pode ser os pertences de uma jovem garota, uma mulher sai da residência, caminha em direção à caminhonete estacionada no lado de fora e bate intencionalmente o carro na fachada da casa. Vista de dentro do imóvel, a cabine do veículo funde-se com a arquitetura do local, como se fosse um novo aposento. Entrelaçando as noções de “interior e exterior”, “entrada e saída” e “antes e depois”, o vídeo encontra na desconstrução do cenário seu potencial narrativo.
House with Pool
Alexander Birchler e Teresa Hubbard, 2004, vídeo, 20min39s
A festa chega ao fim e, depois que os convidados se vão, uma mulher caminha pensativa por entre copos vazios e restos de aperitivos espalhados pela casa. Simultaneamente, uma garota mais jovem percorre a cidade – e, sem que a mulher mais velha perceba, acaba entrando na residência. A relação entre as duas é incerta; e, ainda que se movam constantemente pelo local, elas nunca se cruzam. Em determinado momento, um jardineiro entra na propriedade e “vê” coisas que, ao que parece, nenhuma das duas havia percebido.
Eight
Alexander Birchler e Teresa Hubbard, 2001, vídeo, 3min35s
Em seu aniversário de oito anos, uma garota caminha pelos aposentos de sua casa. Seguindo-a em um movimento contínuo, a câmera revela que os aposentos da residência são de fato um espaço aberto, como um quintal num dia chuvoso. A seguir, a situação se inverte – e o que víamos como um ambiente externo volta a parecer um quarto da casa. Dessa maneira, o vídeo entrelaça as noções de interior e exterior e discute a ideia de abrigo. O nome da obra faz referência à idade da protagonista – que está deixando para trás a segurança da infância e caminhando em direção à adolescência – e à própria figura do número 8, que não apresenta começo nem fim.
13 de maio, quarta-feira, 20h
Cremaster 1
Matthew Barney, 1995-96, 35mm, 42min40s
Neste musical – o primeiro de uma série de cinco trabalhos –, dois dirigíveis da Goodyear sobrevoam um campo de futebol americano, em Idaho, Estados Unidos. Dentro de cada um deles, estão quatro mulheres que cultuam uma escultura de vaselina cercada por cachos de uva. Uma criatura chamada Goodyear habita simultaneamente um compartimento nos dois dirigíveis. Ela pega as frutas e, com elas, compõe figuras que fazem referência às estruturas celulares dos seis primeiros meses do desenvolvimento fetal. A composição das figuras rege a coreografia de bailarinas que estão no campo.
Cremaster 5
Matthew Barney, 1997, 35mm, 54min30s
O ciclo de filmes Cremaster termina com uma ópera, que se passa em Budapeste, no século XIX. Por meio de metáforas e referências da biologia, é contada a trágica história de amor e sacrifício entre as personagens da Rainha e do Mágico.
14 de maio, quinta-feira, 20h
Bedevil
Tracey Moffatt, 1993, 35mm transferido para vídeo, 86min22s
Dividido em três episódios, o filme apresenta histórias fantasmagóricas em imagens intensamente coloridas, que revelam abertamente sua artificialidade e potencializam as características estereotipadas da paisagem australiana. Em Mr. Chuck, dois homens recordam experiências vividas em um pântano assombrado pelo espírito de um soldado americano. Choo, Choo, Choo, Choo trata de um trem fantasma e Lovin’ the Spin I’m In, por sua vez, mostra um casal de espectros que habita um armazém.
15 de maio, sexta-feira, 20h
QM, I Think I Call Her QM
Ann-Sofi Sidén, 1997, 35mm, 28 min
Além de elementos do vídeo, da performance e da instalação, o filme – sobre uma psiquiatra nova-iorquina que, após acordar de um sonho, encontra uma estranha criatura coberta de lama embaixo de sua cama – une características de diferentes gêneros cinematográficos. É um drama de relacionamento entre mãe e filha e, ao mesmo tempo, um filme de mistério, que apresenta um enigma a ser resolvido. O trabalho conta com elementos do cinema de terror e da obra de Alfred Hitchcock, uma vez que o verdadeiro cenário da história são as obscuras profundezas da alma humana.
The Music of Regret
Laurie Simmons, 2005-2006, 35mm transferido para vídeo, 40 min
Antigos bonecos infantis expressam a dor e o pesar existentes entre duas famílias rivais; uma ventríloqua canta sobre problemas de relacionamentos afetivos; e objetos ambulantes, como uma arma, uma casa e um relógio de bolso, dançam para ser notados. Inspirado em diferentes momentos da obra fotográfica de Simmons, este pequeno musical dividido em três atos conta com a participação da atriz Meryl Streep e do compositor Adam Guettel.
Parade
Mark Leckey, 2003, vídeo, 31min30s
Nas palavras do diretor, o filme “é sobre se sentir perdido no começo do século XXI”. O clima de vaidade, que evoca o glamour de antigas divas, contrasta com uma atmosfera outonal, em que as coisas começam a ficar pálidas, sem luz, tal qual um cigarro que vai lentamente se apagando. Leckey faz uma referência ao esvaziamento da vida: “Há algo perdido na vida de cada um. As pessoas tentam preencher essas lacunas com imagens. É disso que trata o filme – eu estou doente de imagens”.
16 de maio, sábado, 15h
Night Cries – A Rural Tragedy
Tracey Moffatt, 1989, vídeo, 16min34s
Em imagens artificiais, o vídeo descreve a relação ambivalente entre uma senhora branca e a jovem aborígene que cuida de sua saúde.
Heaven
Tracey Moffatt, 1997, vídeo, 28min44s
Surfistas se vestem em meio a carros estacionados. Alguns tentam, desajeitadamente, colocar as roupas sem tirar a toalha de banho presa à cintura, outros se expõem abertamente. Escondida, a mulher com a câmera os observa e, depois, confronta-os, provocando diferentes reações – da vergonha à agressão.
Nice Colored Girls
Tracey Moffatt, 1987, vídeo, 17min07s
Cenas dos primeiros encontros entre as aborígenes e os colonizadores brancos são intercaladas com imagens de mulheres que tentam reverter as relações de exploração da atual vida noturna metropolitana. O sucesso delas, entretanto, é apenas parcial, já que a narração da obra é marcada pela voz dos colonizadores.
Lip
Tracey Moffatt, 1999, vídeo, 9min45s
Por muito tempo, nos filmes de Hollywood, atrizes negras só podiam desempenhar papéis secundários, quase sempre interpretando empregadas em confronto com seus patrões. Neste vídeo, Moffatt reúne cenas de diversas dessas produções e, assim, inverte a situação – transformando aquelas atrizes coadjuvantes em protagonistas.
Artist
Tracey Moffatt, 1999, vídeo, 9min50s
Colagem satírica de cenas de filmes hollywoodianos que retratam a criação artística como um simples impulso de criatividade.
17h
Goshogaoka
Sharon Lockhart, 1997, 16mm, 63 min
Estática, a câmera registra uma equipe de estudantes japonesas em seu treino de coreografias para os jogos de basquete do colégio. Sem levar em consideração as entrevistas e as legendas inseridas no vídeo, o trabalho assemelha-se a uma performance filmada.
Nô
Sharon Lockhart, 2003, 16mm, 32min30s
A câmera estática de Lockhart registra as meticulosas e metódicas tarefas diárias de um casal japonês de fazendeiros – comparando-as à prática do ikebana, método oriental de arranjo de flores. Como em suas outras obras, a diretora utiliza a iluminação, as cores da paisagem, o ângulo da câmera e as ações dos personagens para investigar os princípios e as relações entre as imagens fotográfica e cinematográfica.
19h
Drawing Restraint 9
Matthew Barney, 2005, 35mm, 135 min
Um caminhão repleto de vaselina parte de uma refinaria de petróleo em direção ao porto, até chegar a um baleeiro. A bordo do navio, na baía de Nagasaki, Japão, um homem e uma mulher ocidentais participam de uma cerimônia religiosa. Eles vestem trajes de casamento, segundo a tradição shinto. Ópera musical estrelada pelo próprio Matthew Barney e pela cantora Björk.
17 de maio, domingo, 15h
Neulich 4
Jochen Kuhn, 2003, 35mm transferido para vídeo, 13min30s
Quarta parte de uma série de curtas sobre eventos cotidianos, retrata imagens de um sonho.
Die Beichte
Jochen Kuhn, 1990, 35mm transferido para vídeo, 10min03s
O papa e Erich Honecker, ex-presidente da República Democrática Alemã, trocam confissões.
Robert Langner, Biografie
Jochen Kuhn, 1988, 35mm transferido para vídeo, 25min09s
A trajetória de um talentoso intérprete de papeis secundários.
Hotel Acapulco
Jochen Kuhn, 1987, 35mm transferido para vídeo, 12min06s
Dedicado a todas as garçonetes de hotéis da costa do Mar Adriático (que banha a Itália e a península balcânica), o filme concentra-se em um estranho quarto de uma grande e quase deserta hospedaria.
Zeno Writing
William Kentridge, 2002, 16mm transferido para vídeo, 11min16s
Animação baseada no romance A Consciência de Zeno, de Italo Svevo. A história ocorre durante o desenvolvimento industrial do século XX e conta a trajetória de Zeno, um indivíduo frustrado que fracassou na vida.
Tide Table
William Kentridge, 2003-2004, 35mm transferido para vídeo, 8 min
Desenhado com carvão em uma única página, na qual as imagens vão se sobrepondo, a animação apresenta questões éticas e morais pelas quais passou a África do Sul durante o desenvolvimento de sua nação.
17h
Der Geringste Widerstand (The Least Resistance)
David Weiss e Peter Fischli, 1981, 16mm transferido para vídeo, 30 min – © T&C Film
Em seu primeiro filme, Fischli e Weiss se fantasiam de guaxinim e de rato e partem para uma pequena viagem educativa pelo mundo da arte. Parodiando uma história de detetive, o conto alterna momentos de sabedoria e de banalidade.
Der Lauf der Dinge (The Course of Things)
David Weiss e Peter Fischli, 1986-1987, 16mm transferido para vídeo, 30 min – © T&C Film
Causa e efeito, mecanismo e arte, improbabilidade e precisão são discutidos neste bem-humorado trabalho. Uma precária estrutura de mais de 20 metros de altura é construída em um armazém. Ela é composta de diversos objetos e, quando colocada em movimento, abre espaço para as leis da gravidade e da química – e dá início a uma reação em cadeia.
Alpsee
Matthias Müller, 1994-2002, 16mm transferido para vídeo, 13min55s
A entrada de um rapaz na maioridade. A difícil passagem da infância para a maturidade.
19h
Usinimage
Ulrike Ottinger, 2006, 35mm, 10 min
Uma análise das locações usadas por Ottinger em sua trilogia sobre Berlin – composta pelos filmes Picture of a Female Drinker (1979), Freak Orlando (1981) e Dorian Gray Mirrored by the Popular Press (1984). Registradas mais uma vez, agora seguindo um estilo mais documental, as paisagens são apresentadas em alternância com cenas dos três filmes de ficção – ganhando, assim, um novo sentido. Exploração da arquitetura urbana, o vídeo trata as locações não apenas como cenário, mas também como o próprio conteúdo da obra.
Ester – Ein Purimspiel in Berlin
Ulrike Ottinger, 2002, vídeo, 31min30s
Parábola sobre a coragem de se mudar para um país desconhecido. O vídeo, que conta com a participação de imigrantes que vivem em Berlin, é apresentado na forma de uma peça tradicionalmente encenada na festa judaica de Purim (que celebra a vitória sobre os inimigos do Império Persa, que planejavam massacrar o povo judeu).
Superbia – Der Stolz
Ulrike Ottinger, 1986, 35mm, 15 min
A iconografia cristã utiliza figuras femininas para representar os sete pecados capitais (cobiça, luxúria, gula, preguiça, ira, inveja e soberba). Neste vídeo, Ottinger cria a personagem Luciphera Superbia (ou soberba, em latim), mostrando-a em uma procissão a caminho de seu casamento com o mundo.
Sobre a Mostra
De 12 a 17 de maio, o Itaú Cultural apresenta a mostra Filmes e Vídeos da Coleção Goetz: 29 curtas, médias e longas-metragens integram o acervo do museu Sammlung Goetz, em Munique, Alemanha, de filmes e vídeos que misturam as linguagens do cinema e das artes visuais. A convite do instituto brasileiro, a curadora da coleção Susanne Touw selecionou obras que podem ser exibidas nas salas de cinema, e não somente em espaços expositivos. Ela escolheu 14 artistas de oito países: Alemanha (Jochen Kuhn, Matthias Müller e Ulrike Ottinger); África do Sul (William Kentridge); Austrália (Tracey Moffatt); Estados Unidos (Laurie Simmons, Matthew Barney e Sharon Lockhart); Inglaterra (Mark Leckey); Irlanda (Teresa Hubbard); Suécia (Ann-Sofi Sidén); e Suíça (Alexander Birchler, David Weiss e Peter Fischli).
Susanne e o suíço Alexander Birchler, abrem a programação, na terça-feira, 12, a partir das 20h, com palestras sobre seus trabalhos. Em seguida, são exibidas três obras de Birchler, realizadas em parceria com a irlandesa Teresa Hubbard. A primeira é Single Wide, em um registro contínuo do interior e do exterior de um casa de campo, propondo o entrelaçamento de noções entre dentro e fora, entrada e saída ao desconstruir o cenário do lugar. Em seguida, House With Pool, mostra uma situação de final de festa em uma casa, onde duas mulheres estão no mesmo lugar, mas não se encontram, quando o jardineiro entra na propriedade e nota coisas que, supostamente, nenhuma das duas tinha percebido. Novamente tendo uma casa como um dos protagonistas, Eight, da mesma dupla de diretores, acompanha a transição da infância de uma garotinha que acaba de fazer oito anos, enquanto ela percorre os aposentos do seu lar.
Três trabalhos do diretor americano Matthew Barney, escultor, fotógrafo, desenhista e um dos artistas mais brilhantes de sua geração. Ele já expôs trabalhos seus na Documenta de Kassel, em 1992, na Alemanha, um dos mais importantes eventos do calendário artístico mundiais; no Museu Guggenheim de Nova York e no Museu de Arte Moderna de Paris. Os seus filmes são repletos de referências simbólicas a faunos, rituais de sacrifício, body art, ópera e danças. Na mostra no Itaú Cultural, os dois primeiros, Cremaster 1 e Cremaster 5, são exibidos na quarta-feira, 13, também a partir de 20h. Aclamados pela crítica especializada, integram a famosa série Cremaster Cycle, criada em 1994, cujo nome é uma alusão ao músculo que mantém a temperatura dos testículos. Já Drawing Restraint 9, terceira obra do artista a ser exibida na mostra, no sábado, 16, às 19h, traz trilha sonora da cantora islandesa Björk, sua esposa.
Seis filmes da fotógrafa e cineasta australiana Tracey Moffatt são exibidos ao longo da mostra. O primeiro, Bedevil, programado para o dia 14, quinta-feira, às 20h, é um longa-metragem selecionado oficialmente para o Festival de Cannes. Dividido em três episódios, apresenta histórias fantasmagóricas sobre paisagens estereotipadas de seu país. O curta Night Cries – A Rural Tragedy, ganhou atenção da crítica internacional, em 1990, ao participar do festival francês e pode ser visto na mostra no sábado, 16, às 15h. Neste mesmo dia são apresentados os demais filmes dela selecionados para esta mostra.
Depois de Night Cries, é exibido Heaven, de 1997, no mesmo sábado. A obra traz imagens feitas em câmera escondida de surfistas se trocando, alguns escondendo as partes íntimas, outros não, e suas reações ao notarem que estão sendo filmados. Na seqüência, Nice Colored Girls, curta de 1987, mostra cenas do encontro entre aborígenes e colonizadores brancos; Lip, de 1999, coloca atrizes negras no centro da cena, invertendo o estereótipo hollywoodiano, que vigorou por muito tempo, de que elas só poderiam desempenhar papéis menos relevantes.
Ainda no mesmo dia 16, é exibido o último filme desta artista selecionado para a mostra: Artist, o qual também mexe com a indústria do cinema americano ao fazer uma sátira das imagens de filmes que retratam a criação artística como um simples impulso de criatividade. Também neste dia, mas às 17h, acontece a exibição de duas obras da americana Sharon Lockhart: Goshogaoka e Nô. Esta artista trabalha com uma forte influência da fotografia e sua câmera estática dá o tom nestes filmes.
A investigação de temas ligados à psicologia e à identidade humanas, dá o tom dos filmes da sueca Ann-Sofi Sidén. Na sexta-feira, 15, a partir de 20h, é exibido QM, I Think I Call Her QM, ela alia elementos do vídeo, performance e instalação em uma história sobre uma psiquiatra nova-iorquina que encontra, após acordar de um sonho, uma criatura estranha coberta de lama embaixo da sua cama.
The Music of Regret, da americana Laurie Simmons, conta com a participação especial da atriz Meryl Streep e do compositor Adam Guettel e é exibido na seqüência de QM. Trata-se de um pequeno musical dividido em três atos, nos quais a diretora mistura o uso de antigos bonecos infantis com o canto de uma ventríloqua. Último filme exibido neste dia é Parade, do inglês Mark Leckey, artista vencedor do Turner Prize do ano passado, um dos principais prêmios de arte contemporânea dado pela Tate Britain. O filme trata do esvaziamento do ser humano contemporâneo e da busca pelo preenchimento por meio de imagens.
No último dia da mostra, domingo, 17, são apresentados doze curtas-metragens. A pintura animada do alemão Jochen Kuhn sobre a vida cotidiana será exibida em quatro filmes: Neulich 4, com imagens de um sonho; Die Beichte, com confissões entre o papa e o ex-presidente da República Democrática Alemã, Erich Honecker; Robert Langner, Biografie, mostra a trajetória de um talentoso intérprete de papeis secundários, e Hotel Acapulco, dedicado a todas as garçonetes de hotéis da costa do mar Adriático. Outro artista ligado ao desenho em animação é o sul-africano William Kentridge, que tem duas obras exibidas neste dia: Zeno Writing, baseado no romance A Consciência de Zeno, do italiano Italo Svevo, e Tide Table, animação em preto e branco desenhada em carvão em uma única página, onde as imagens se sobrepõem. O filme trata de questões éticas e morais do país de origem do artista.
A partir das 17h, os suíços David Weiss e Peter Fischli, que trabalham há 30 anos juntos em diversos suportes como filme, fotografia, escultura e instalações multimídia, tem dois filmes em exibição: Der Geringste Widerstand (The Least Resistance) e Der Lauf der Dinge (The Course of Things). No primeiro, os bem-humorados artistas se fantasiam de guaxinim e de rato e partem para uma viagem educativa pelo mundo da arte. No segundo, a dupla cria uma engenhoca de 20 metros de altura em que pneus, latas e sacos de lixo se movimentam e produzem uma reação em cadeia. Com um currículo que inclui passagens pelos festivais de cinema de Berlim, Cannes e Veneza, o alemão Matthias Müller, exibe Alpsee, do alemão Matthias Müller, diretor com um currículo que inclui passagens pelos festivais de cinema de Berlim, Cannes e Veneza, é apresentado em seguida. Ele trata da difícil passagem da infância para a maturidade. A programação é fechada com três filmes de uma das mais provocativas artistas contemporâneas da Alemanha. A seqüência de projeções de suas obras começa às 19h, com Usinimage – uma exploração da arquitetura urbana de Berlim feita a partir da análise de locações usadas pela diretora em sua trilogia pela cidade, composta pelos filmes Picture of a Female Drinker (1979), Freak Orlando (1981) e Dorian Gray Mirrored by the Popular Press (1984). O segundo filme é Ester – Ein Purimspiel in Berlin, uma parábola sobre a coragem de se mudar para um país desconhecido. Por fim, Superbia – Der Stolz, filme de Ulrike Ottinger sobre a personagem Luciphera Superbia (ou soberba, em latim), que segue em uma procissão a caminho de seu casamento com o mundo.
O acervo Goetz
A Coleção Goetz reúne desenhos, gravuras, pinturas, fotografias, esculturas, instalações, filmes e obras de videoarte monitorados por cientistas, restauradores e técnicos. O acervo foi iniciado no final da década de 1960 e hoje integra o espaço do museu Sammlung Goetz (em Munique, Alemanha), fundado em 1993 por Ingvild Goetz – uma das primeiras colecionadoras particulares a demonstrar interesse pela videoarte – com a intenção de mostrar ao público os trabalhos reunidos ao longo dos anos.
Além das exposições coletivas e individuais apresentadas em sua sede, o museu realiza projetos em parceria com instituições da Alemanha e de outros países. Segundo Susanne Touw, a curadora da coleção desde 2006, a seleção feita para a mostra do Itaú Cultural é emblemática do quanto Ingvild Goetz apoia continuamente a produção de artistas – caso de Ulrike Ottinger, representada com os filmes Superbia – Der Stolz, de 1986, Ester – Ein Purimspiel in Berlin, de 2002, e Usinimage, de 2006. Outra peça de destaque na Coleção é Cremaster Cycle, ciclo dividido em cinco partes realizado por Matthew Barney – presente com dois filmes da série (Cremaster 1, de 1995-1996, e Cremaster 5, de 1997) e com a obra Drawing Restraint 9, de 2005.
março 23, 2009
Arte em trânsito e em todos os sentidos por Cristiana Tejo
Texto curatorial para a Sala especial Paulo Bruscky na Bienal de Havana
Em seu trabalho feito especialmente para a Feira ARCO 2008, em Madri, Paulo Bruscky desenvolve um múltiplo no qual a frase Poema para voar. Arte em trânsito e em todos os sentidos – Hoje a Arte é este comunicado encontra-se ao lado do carimbo de um avião que a aponta para direções opostas. A junção destes signos sintetiza perfeitamente sua trajetória artística de 40 anos, pautada pela liberdade de expressão, adesão ao humor e à ironia de raras coerências, fluidez no trânsito entre linguagens e diálogo com outros artistas espalhados pelo mundo por meio da Arte Postal. Bruscky é um artista que escapa de definições apressadas. Trata-se de um artista muito pernambucano (Nordeste do Brasil), mas seu trabalho extrapola uma circunscrição localista. É um artista que surgiu nos anos 1970, mas carrega ainda o frescor e o entusiasmo como se agora iniciasse seu caminho. Ainda faz arte de qualquer forma, a partir de qualquer meio para materializar uma idéia. Resumindo: trata-se de um artista sem geração e sem território geográfico muito preciso.
Outro dado importante para compreendermos a rota de Paulo Bruscky é o fato da ARCO 2008 ter sido sua primeira participação em uma feira de arte comercial. Durante muitos anos, trabalhou como funcionário público em instituições de saúde de Pernambuco, valendo-se disso como uma estratégia de sobrevivência da sua família e de sua sensibilidade. Aderir ao mercado em meio ao período mais duro da Ditadura Militar no Brasil era corroborar com um regime que afugentava qualquer possibilidade de crítica e reflexão, e virar mais uma peça do sistema capitalista. O lugar de Bruscky na Arte Brasileira foi sempre um pouco incerto, quase marginal. Ao mesmo tempo em que buscava ser independente do Mercado, seu posicionamento crítico o impedia de entrar em vários eventos, instituições e ações institucionais de sua cidade, pois era visto como um artista exótico, picareta e subversivo. Seu trabalho conceitualista destoava ainda da produção artística da época, voltada em especial para a pintura e com temas regionalistas. Paulo Bruscky era um ruído, uma voz dissonante, um lembrete incômodo do experimentalismo que tomava conta do mundo e que contestava velhas estruturas sociais, artísticas, políticas e econômicas. Fazer parte da primeira grande rede de trocas e de colaboração como a Arte Postal (Mail Art) proporcionava, nos anos 1970, uma forma de furar um bloqueio não apenas da repressão do Estado e da situação de estar na periferia do Capital, mas também de um cerco local. Por meio da Arte Postal, Bruscky tomava conhecimento das questões discutidas no mundo da arte internacional e confrontava suas idéias com pares espalhados pelo mundo, além de ser inserido em mostras internacionais e travar diálogo com vários artistas exponenciais da Arte Contemporânea, tais como Dick Higgins, Robert Rehfedt, Shozo Shimamoto (Gutai), Ken Friedman e Dick Higgins (Fluxus), Antonio Ferró (Happening) Cavellini, Vigo, Zabala, Romano Peli, Damaso Ogaz, Mirella Bentivoglio e Robin Crozier, entre outros. Influenciado pela proposta do pensar/agir de movimentos como Grupo Gutai (Japão), Grupo Fluxus, Dadaísmo e outras correntes de Vanguarda do início e meados do século XX, bem como pelo pensamento de artistas como Marcel Duchamp, Man Ray e René Magritte, Bruscky partiu sempre do princípio de que o pavimento por onde trafega a arte é a vida e que ela permeia qualquer estratégia artística. “A multiplicação, desmaterialização/rematerialização e dessacralização da 'obra de arte' e do 'artista' é fundamental para que passe a existir uma só coisa em tudo isso: vida”, costuma afirmar. Talvez pudéssemos adotar o termo infiltração para compreender a estratégia artística engendrada por ele. Os classificados dos jornais de grande circulação também eram um suporte viável para tornar públicas as propostas quase impossíveis do artista.
Além da busca pela livre circulação da arte, podemos encontrar ainda quatro linhas de força no trabalho de Paulo Bruscky: a experimentação em multimeios (tais como fotocópias, vídeos e filmes em vários formatos, livros de artista e áudio), intervenções urbanas, poesia visual e o arquivo. A primeira linha nos faz perceber que o artista buscava explorar poeticamente máquinas e testar as singularidades de cada técnica, entre a crítica e a adesão a seus potenciais. A partir de 1970, Bruscky inicia pioneiramente no Brasil experiências em copyart, apelidadas de Xerox arte . Este meio mostra-se ideal para a extensa sede criativa do artista, que pode manipular os resultados plásticos de inúmeras maneiras (seja adicionando cor com tinha ou voltando a fotocopiar, ou fazendo intervenções com objetos colocados na máquina). Encanta-o neste jogo entre homem e máquina a tensão entre acaso e lógica, o transbordamento da intenção. A temporada passada em Nova York, em 1982, graças a uma bolsa da Guggenheim Memorial Foundation, oferece condições de aprofundar sua pesquisa com a Xerox arte. Tendo todo o suporte para a experimentação com este meio, inclusive uma máquina exclusiva para suas experiências, Paulo Bruscky aprimora seus trabalhos em xerofilmes (filmes produzidos a partir de imagens xerográficas), na sede da empresa Xerox. Aliás, filmes e vídeos de artista ocupam parte significativa de sua trajetória. Interessa novamente ao artista tirar proveito das potencialidades poéticas da técnica com ironia e humor. Em Poema (1979), trabalho em super-8, Bruscky emenda pontas de rolos de filme. O que era o final transforma-se no meio. Em Via Crúcis (1979), de autoria de Paulo Bruscky, Leonhard Frank Duch e Ulisses Carrion, a câmera acompanha um ofegante narrador que declama os nomes próprios inscritos em cada um das centenas de degraus de uma longa escadaria.
Em parceria com Daniel Santiago, Paulo Bruscky inicia a partir de 1970 uma seqüência de intervenções urbanas em que a cidade é suporte poético e político. Em Exponáutica e Expogente (1970), objetos e freqüentadores da praia de Boa Viagem viram itens de exposição. Em Artexpocorponte(1971), a dupla Bruscky & Santiago convida amigos que se posicionam em duas pontes no centro do Recife para trocarem sinais. Em Arte/Pare, Bruscky interdita o tráfego de carros na ponte da Boa Vista por vários minutos com uma fita e reinaugura-a, 340 anos depois. Para o artista o mundo é poesia.
Apesar de uma extensa produção, apenas nos anos 2000 o seu trabalho passou a ser reconhecido nacionalmente. Sua primeira participação efetiva em um evento de prestígio em território nacional ocorreu em 2004, quando foi convidado para sala especial da XXV Bienal de Arte de São Paulo. Ironicamente, o arquivista que guarda milhares de documentos da efêmera Arte Contemporânea recebe sua primeira publicação de fôlego apenas em 2006, com o livro Paulo Bruscky: Arte, Arquivo e Utopia, de Cristina Freire.
