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agosto 19, 2018

Carolina Soares abre duas novas curadorias na Sem Título Arte, Fortaleza

Abertura: 30/08, às 18h, com a presença da curadora e dos artistas Marcelo Amorim, Anderson Morais, Henrique Viudez, Ingra Rabelo e Thomas Saunders

Corpos domesticados, normatizados, passivos, reprimidos. As duas exposições que abrem na Sem Título Arte, sob a curadoria de Carolina Soares, põem em questão a normatização dos corpos e da sexualidade. A primeira reúne trabalhos do artista e curador Marcelo Amorim. A segunda é uma coletiva de Anderson Morais, Henrique Viudez, Ingra Rabelo e Thomas Saunders.

“Se eu fosse você não me trataria como você”, individual de Marcelo Amorim, reúne trabalhos que problematizam formas de conduta masculinas normatizadas, o “status da masculinidade” como dado natural e um padrão evidente. É de modo sutil que o artista traz à discussão a repressão, a negociação, as contradições e as inconsistências presentes no universo da masculinidade. Como aponta Carolina Soares em seu texto curatorial, “o trabalho de Marcelo Amorim - com sua crítica tácita às construções em torno de um corpo masculino – autoriza-me pensá-lo como um valioso mecanismo de arte para reinventar a realidade. E mais, pensá-lo como um gesto que, em sua potência, se faz contrário a intolerâncias.”

“Se eu gritasse desencadearia a existência” é uma coletiva com trabalhos de Anderson Morais, Henrique Viudez, Ingra Rabelo, Thomas Saunders. Há na mostra um diálogo em que os padrões de conduta emergem como mola propulsora de um estado de repressão dos corpos. Corpos estes compreendidos socialmente como recipientes passivos de uma lei cultural inflexível. Cada artista, a seu modo, traz para o debate a possibilidade de pensar a representação do corpo não como um mero instrumento com o qual uma série de significados culturais é apenas externamente relacionada. Vão além. Buscam compreender principalmente as questões de gênero e sexualidade como base para uma identidade agora descolada de um ideal normativo e potencializada como característica descritiva de uma determinada experiência.

Vale ressaltar que, embora contrários a um sistema de gênero estável e binário, os trabalhos não investem esforços na ruptura utópica de um estado do corpo livre dos construtos heteronormativos. Eles reconhecem, porém, as noções de gênero e de sexualidade como mecanismos construídos culturalmente e, portanto, passíveis de reinvenções que permitam o reconhecimento do desejo como elemento fundamental no agir no mundo.

O que está em questão nesses trabalhos, primorosamente postos em relação sob a mediação de Carolina Soares, é uma ideia de sociedade para a qual o próprio existir requer normas. Nossos corpos parecem não serem nossos. Nossa forma de agir no mundo é então reduzida ao tabuleiro de um jogo com todos os movimentos previamente definidos, fugir ao regulamento é colocar-se fora do jogo. E como seria existir fora do tabuleiro? Ou, como existir para além das jogadas já mapeadas?

Programação paralela

No dia 22 de agosto, às 19 horas, Marcelo Amorim participa com Carolina Soares de uma conversa na Sem Título Arte. Os dois se conheceram em 2008 e de lá para cá mantém diálogos e trocas estreitas. Na Sem Título, o caminho é inverso. Primeiro a gente tem a chance de ouvi-los, conhecer a trajetória desse artista visual, curador independente e professor, nascido em Goiânia, no bate-papo “A Masculinidade Desmantelada”. Depois virá a abertura da exposição e o lançamento do catálogo que acompanha a individual de Marcelo Amorim.

Marcelo Amorim é artista visual, curador independente e professor. Entre 2009 e 2016 dirigiu o Ateliê397, espaço independente de arte, onde foi responsável pela concepção e realização de programas de exposições, publicações, debates e cursos voltados para o contexto da arte contemporânea. Pós-graduado em Mídias Interativas pelo Centro Universitário SENAC, é editor formado em Produção Editorial pela Universidade Anhembi Morumbi. Foi coordenador editorial do Paço das Artes, instituição da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, entre 2004 e 2008. É um dos orientadores do grupo de acompanhamento de processos artísticos Hermes Artes Visuais.

Entre as curadorias que realizou destacam-se: Contraprova (Paço das Artes, 2015), Lusco Fusco - Karlla Girotto (Ateliê397, 2015), Pintar a China Agora, - Brody & Paetau (Ateliê397, 2015), É fluido mas é legível (Oficina Oswald de Andrade, 2014); Vá em frente, volte pra casa! - Júnior Pimenta (Sem Título Arte, 2018). Em sua obra artística, Marcelo Amorim coleciona e apropria-se de imagens para a partir delas produzir principalmente desenho, pintura e vídeo. Retiradas de acervos particulares, manuais, livros didáticos, mídias sociais, as imagens tem procedências diversas e parecem ser de um passado distante. Através de montagens e transposições o artista liberta intenções, particularidades e gestos contidos nas imagens com o intuito de revelar seu papel de conformadoras de comportamentos e levantar questões sobre os valores culturais históricos e sua evolução ao longo do tempo. Realizou exposições individuais no Ateliê397, Centro Cultural Elefante, Centro Cultural São Paulo, Galeria Zipper, Galeria Jaqueline Martins, Galeria Oscar Cruz, Museu de Arte de Ribeirão Preto, Paço das Artes, além de ter participado de coletivas na Caixa Cultural, Instituto Figueiredo Ferraz, Memorial da América Latina, Paço das Artes e Sesc, entre outros.

SERVIÇO

22 de agosto, às 19h
“A Masculinidade Desmantelada”
Conversa com Marcelo Amorim e Carolina Soares

30 de agosto, às 18h
“Se eu fosse você não me trataria como você”
Individual de Marcelo Amorim

“Se eu gritasse desencadearia a existência”
Coletiva com trabalhos de Anderson Morais, Henrique Viudez, Ingra Rabelo, Thomas Saunders.

Sem Título Arte
Rua João Carvalho 66, Aldeota, Fortaleza, CE

Publicado por Patricia Canetti às 7:47 PM


Santídio Pereira na Galeria Estação, São Paulo

Depois de realizar, em 2016, a primeira individual de Santídio Pereira (Piauí, 1996), a Galeria Estação traz uma nova exposição do artista que, aos 9 anos já brincava de desenhar e pintar nas paredes de madeira da casa precária que dividia com mãe na Favela do 9, na região do Ceasa. O jovem, que chamou a atenção do crítico Rodrigo Naves, curador de sua mostra de estreia, iniciou na gravura aos 14 anos, sob orientação de Fabrício Lopez e Flávio Castellan, quando frequentava o Instituto Acaia,

Agora, sob curadoria de Luisa Duarte, em O olhar da memória, o artista exibe 14 xilogravuras inéditas, realizadas entre 2017 e 2018. Como aponta Duarte, o conjunto de trabalhos reunido apresenta, em sua maior parte, imagens de pássaros da caatinga piauiense, região na qual o artista viveu até os 8 anos de idade. “São impressões de grande escala, nas quais sobreposições de cores e formas nos dão a ver caburés, garrinchas, lambus, juritis - diferentes espécies de aves que povoam sua terra natal. Em meio a essa fauna, outras gravuras, de caráter menos figurativo, aludem, sutilmente, a plantas da paisagem local”.

Além de acessar a memória, a obra de Santídio sugere ao olhar do observador um tempo estendido para que as várias camadas possam se revelar. O artista costuma destacar a diferença entre ver e enxergar. O enxergar que ele evoca vai de encontro ao ver, condição de velocidade imposta ao mundo contemporâneo, exaltada pelo teórico tcheco Villem Flusser com a expressão “estamos surdos oticamente” (citado por Duarte em seu texto sobre a exposição). “Seus trabalhos [de Santídio] solicitam um olhar dilatado e são realizados tendo como motor justamente os registros mnemônicos, tão rarefeitos no presente”, diz a curadora que ressalta, ainda, como a própria gravura, um método milenar de reprodução, traz consigo esse outro tempo, muito distante deste que impera, próprio das imagens digitais reverberadas ao milhões em cada aparelho de celular. “E há ainda, aqui, a imaginação. O artista não faz um documento fiel daquilo que lembra, obviamente. Estamos diante de transfigurações, muito singulares, de uma paisagem vivida”, completa a curadora.

Santídio Pereira (nasceu em Curral Comprido – Piauí, em 1996, vive desde os 8 anos e trabalha em São Paulo), a partir de sua primeira individual na Galeria Estação, vem participando de coletivas. Fez parte da exposição dos 10 selecionados do 5º Prêmio EDP nas Artes, no Instituto Tomie Ohtake, em 2016, quando foi convidado a ministrar cursos sobre xilogravura na programação da edição. No ano passado, participou da programação de abertura do Sesc 24 de maio, apresentando ao público o seu processo criativo em xilos de grandes formatos. Recentemente, foi selecionado e participa da 1 ª Mostra do Programa de Exposições 2018 do Centro Cultural São Paulo, onde também ministrou curso sobre a sua prática. No ano que vem, em 2019, já tem garantida uma residência seguida de exposição em Nova York.

Publicado por Patricia Canetti às 5:07 PM


Melvin Edwards no MASP, São Paulo

Mostra reúne 37 esculturas de sua renomada série Fragmentos Linchados e abrange mais de cinco décadas de produção

Parte do ciclo de histórias afro-atlânticas, eixo curatorial ao qual o MASP se dedica neste ano, o museu exibe, a partir de 23 de agosto, a mais abrangente mostra dedicada à série Lynch Fragments fora dos Estados Unidos. Melvin Edwards é um artista e representante fundamental da arte afro-americana —e, aos 81 anos, estará presente na abertura da exposição.

Nascido em 1937, em Houston, no Texas, Edwards surgiu na cena artística de Los Angeles nos anos 1960, cidade onde fez sua formação como artista. No mesmo ano, ganhou sua primeira mostra no Museu de Arte de Santa Bárbara, que o lançou profissionalmente. Em 1967, mudou-se para Nova York e, em 1970, tornou-se o primeiro escultor afro-americano a expor individualmente no Whitney Museum of American Art.

“Trata-se da maior apresentação de sua obra feita fora dos Estados Unidos, focando na série que é de fato o centro da sua produção, os Lynch Fragments. Essa exposição se relaciona com iniciativas globais de disseminação da obra de Melvin Edwards, que chega aos 80 anos como um dos principais escultores em atividade no mundo. Embora conhecida nos Estados Unidos, com exposições em diversos museus, sua obra só recentemente atingiu o reconhecimento internacional merecido”, afirma Rodrigo Moura, curador-adjunto de arte brasileira do MASP e desta exposição.

Edwards cresceu no ambiente racista dos Estados Unidos segregacionistas e, insatisfeito com o mundo majoritariamente branco e elitista da arte, reflete em suas obras o seu engajamento e militância acerca de temas como raça, direitos civis, violência e diáspora africana.

As 37 obras que compõe a mostra no MASP têm relação direta com todas essas questões e com eventos que o marcaram. Pás, machados, ancinhos e ferraduras evocam o contexto rural do sul dos Estados Unidos, local onde o artista passou parte da infância, na casa de sua avó, no Fifth Ward em Houston, Texas, uma comunidade formada por afrodescendentes e imigrantes latinos.

Os Fragmentos exibidos são esculturas de parede de pequena escala que utilizam objetos existentes de metal —como ferramentas, facas, ganchos e peças de máquina— soldados uns aos outros, criando obras que se situam na fronteira entre a abstração e figuração. Elas realizam uma síntese cultural singular, entre a escultura de solda modernista e o reducionismo minimalista, fazendo menção também às tradições memoriais da escultura africana.

“Os Lynch Fragments compõem um extenso painel de histórias africanas e afro-americanas, destacando noções de memória e autobiografia. Inicialmente, as obras fazem referência aos episódios de tensão racial no marco do Movimento dos Direitos Civis, nos anos 1960, e depois mergulham num diálogo com diversas culturas africanas, algo que coincide com a própria presença cada vez maior do artista no continente, e culmina na abertura de seu ateliê em Dacar, no Senegal, nos anos 2000”, complementa Rodrigo.

O estopim para o começo da série, em 1963, foram os inúmeros casos de violência racial nos EUA. O título faz menção aos linchamentos que, historicamente, perseguiram e exterminaram a população afrodescendente após a abolição da escravidão. O primeiro Fragment produzido por ele, intitulado Some Bright Morning [Numa clara manhã], (1963), evoca uma história de violência racial envolvendo uma família na Flórida. Suas formas são agressivas e o encontro dos elementos é marcado por rebarbas de metal derretido, conferindo um caráter inacabado ao material.

Outros acontecimentos históricos que tomaram o ano de 1963 são importantes para entender o contexto de produção de Edwards. Entre os fatos emblemáticos, está o discurso icônico de Martin Luther King Jr., que reuniu mais de 300 mil pessoas em Washington, conhecido sobretudo pela passagem I have a dream [Eu tenho um sonho]. A chamada Marcha por Empregos e Liberdade marcou o ápice do movimento por direitos civis da população afrodescendente e transformou a luta contra a discriminação em uma causa nacional (e não mais restrita ao sul do país). Vivendo em Los Angeles, Edwards também foi marcado pelos riots no bairro de Watts, que representaram um momento de acirramento da violência policial direcionada à população afro-americana.

Em 1973, o artista retornou à série, criando novas obras em torno dos conflitos raciais que experenciou enquanto viveu em Nova York e durante a Guerra do Vietnã. O ano de 1978 marca o início da última fase do trabalho. Nessa etapa, os Fragments passam a se relacionar cada vez mais com referência africanas, incluindo línguas, regiões, personagens e acontecimentos, e a abranger situações específicas da diáspora africana nas Américas. Suas visitas ao Brasil nos anos 1980 o inspiraram a fazer a obra Palmares (1988), que menciona o lendário quilombo no ano do centenário da abolição da escravidão no país.

Desde 2000, ele mantém um ateliê em Dacar, no Senegal, onde tem produzido esculturas em parceria com manufaturas e artesãos locais. Edwards também ensinou a solda de metais em diversos países, ministrando oficinas e orientando uma geração mais nova de escultores africanos.

Histórias afro-atlânticas

A exposição ocorre em um ano inteiro dedicado às trocas culturais em torno do Atlântico, envolvendo África, Europa e Américas ---que inclui mostras individuais de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Maria Auxiliadora e Emanoel Araujo, que ocorreram no primeiro semestre, e Rubem Valentim, Sonia Gomes, Lucia Laguna e Pedro Figari, programadas para o segundo semestre. Na sala de vídeo também serão apresentados, ao longo de 2018, autores de diferentes nacionalidades, gerações e origens capazes de contar outras histórias da diáspora negra. Os artistas que participam do programa são: Ayrson Heráclito (19/4 a 17/6), John Akomfrah (28/6 a 12/8), Kahlil Joseph (23/8 a 30/9), Kader Attia, (11/10 a 25/11), Catarina Simão (13/12 a 27/01/19), Jenn Nkiru (08/02 a 24/03/19) e Akosua Adoma (14/6 a 18/7/2019).

Melvin Edwards: Fragmentos linchados acontece simultaneamente à grande coletiva Histórias Afro-atlânticas, com a qual se associa diretamente. As múltiplas histórias narradas nas obras de Edwards, com seus títulos evocativos da geografia e da história africana e da diáspora, relacionam-se com o contexto geral da exposição: o impacto cultural do tráfico de escravizados.

Nas paredes do mezanino, onde formam duas longas linhas, os relevos do artista estão em diálogo com um vigoroso conjunto de obras da tradição escultórica afro-brasileira do século 20 e relacionam-se com escultores como Agnaldo Manoel dos Santos e Mestre Didi —cujas obras estão logo abaixo, no segundo subsolo, na exposição Histórias Afro-atlânticas.

Também faz parte desse movimento um catálogo (com versões em português e inglês), a maior publicação já produzida sobre a série, organizado por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Rodrigo Moura. Ao todo, serão 97 obras reproduzidas e ensaios de Hamid Irbouh, Rebecca Wolff e Renata Bittencourt.

No dia 25 de agosto, em decorrência de sua vinda a São Paulo, Edwards participará de um bate-papo no auditório do Museu Afro Brasil. O evento, que ocorre das 11h às 13h, terá mediação de Rodrigo Moura. O Museu Afro Brasil é a instituição que mantém em exposição o trabalho do artista no país e por isso o espaço é simbólico para receber o debate. Na atividade, serão abordados temas relacionados à sua trajetória, seu processo de produção artística, a recepção de sua obra e os impactos da exposição do seu trabalho no Brasil. O evento é gratuito e aberto ao público e terá tradução simultânea e em libras. Ingressos devem ser retirados com duas horas de antecedência.

Publicado por Patricia Canetti às 4:16 PM


Irmãos Campana na Multiarte, Fortaleza

Ceará recebe, pela primeira vez, mostra com as peças mais emblemáticas da dupla

Fundado em 1983, em São Paulo, pelos irmãos Fernando (1961) e Humberto Campana (1953), o Estudio Campana se tornou famoso pelo design de mobiliário, por criações de peças intrigantes – como as poltronas Vermelha e Favela – e, também, por ter crescido nas áreas de Design de Interiores, Arquitetura, Paisagismo, Cenografia, Moda, entre outras.

O trabalho dos Campana incorpora a ideia de transformação, reinvenção e integração do artesanato na produção em massa; tornando preciosos os materiais do dia a dia, pobres ou comuns, que carregam não só a criatividade em seu design, mas também características bem brasileiras – as cores, as misturas, o caos criativo e o triunfo de soluções simples.

“O trabalho dos irmãos Campana se antecipa à moda de tal forma que podemos encontrar sua influência por toda parte. Mas a forma humilde e humana de apresentar seus trabalhos deve ser imitada, e sua vanguarda respeitada”, diz Stephan Hamel, em seu texto para o catálogo.

A exposição, que abre no próximo dia 16 de agosto com a presença dos artistas, apresenta uma seleção primorosa, com 33 peças e uma montagem ousada e divertida.

Segundo Max Perlingeiro, diretor da Multiarte e curador da mostra “eleger as obras para compor a exposição foi o grande desafio – seriam necessários muitos metros quadrados mais, para abrigar a primeira seleção. Por fim, optamos por um “concerto de câmara”, mas não tão silencioso, porque todos os espaços disponíveis da Galeria serão contemplados: do estacionamento ao jardim.

Mas, talvez, um dos trabalhos mais impressionantes desta mostra seja permanente. Fernando e Humberto criaram para a Galeria Multiarte uma fachada-objeto-design com a conjugação de 1304 cobogós “Mão”.

Impressionados pelo desastre ambiental na cidade de Mariana, MG e em apoio a iniciativa coletiva chamada Brado Mariana, resolveram criar um tijolo de cobogó, cujo desenho interno representa o formato de uma mão, como um simbólico manifesto às tragédias causadas no estado.

O cobogó Mão, resulta em uma alquimia de materiais naturais, em que são utilizados três diferentes tipos de argila, gerando maior resistência à peça. A intenção era que a lama de Mariana fosse integrada a massa, mas não foi possível pois interferiria na qualidade do produto, deixando-o quebradiço. Sua produção foi possível graças a uma parceria do Instituto Campana com a Divina Terra, Turmalina, MG.

Nos últimos anos, os Campana exploraram o cobogó em seus mobiliários e, posteriormente, em projetos de arquitetura. Elemento totalmente brasileiro, criado por três engenheiros (Amadeu Coimbra, Ernest Boeckmann e Antônio de Góis) que intitularam a peça através das iniciais de seus sobrenomes, o cobogó pode ser utilizado em diferentes escalas e contextos, valorizando, principalmente, a difusão de luz e passagem de ar.

“A modernidade de nosso trabalho está também em mostrar que com os refugos do passado se constrói não apenas a contemporaneidade, mas também o futuro”.

Além de suas notórias criações de design o público terá a oportunidade de conhecer os processos artísticos dos Campana em desenhos, pinturas, esculturas e fotografias.

As peças Campana fazem parte de coleções permanentes de renomadas instituições culturais como MoMa, em Nova York; Centre Georges Pompidou, em Paris; Vitra Design Museum, em Weil am Rhein; Museu de Arte Moderna de São Paulo e, também, Musée Les Arts Décoratifs, em Paris. Os irmãos foram homenageados com o prêmio “Designer do Ano” pela Design Miami,em 2008 e os “Designers do Ano” pela Maison & Objet, em 2012. Neste mesmo ano, eles foram selecionados para o Prêmio Comité Colbert, em Paris; homenageados pela Design Week, em Pequim; receberam a “Ordem do Mérito Cultural”, em Brasília, e foram condecorados com a “Ordem de Artes e Letras” pelo Ministério da Cultura da França. Em 2013, eles foram listados pela revista Forbes entre as 100 personalidades brasileiras mais influentes. Em 2014 e 2015 a Wallpaper os classificou, respectivamente, entre os 100 mais importantes e 200 maiores profissionais do design.

Publicado por Patricia Canetti às 3:47 PM


agosto 17, 2018

Você sonha com o quê? na Luisa Strina, São Paulo

-Mmmmmm… Medalla! Você sonha com o quê?
-Eu sonho com o dia em que eu vou criar esculturas que respiram, suam, tossem, riem, bocejam, sorriem, piscam, suspiram, dançam, andam, rastejam… e se movem entre pessoas como sombras se movem ao redor de pessoas… Esculturas que preservam as dimensões secretas de uma sombra, não seu comportamento servil… Esculturas sem esperança, com horas de vigília e horas de sono… Esculturas que migram em massa para o Pólo Norte em determinadas estações. Esculturas como um espelho translúcido sem a translucidez do espellho!
David Medalla, “Manifesto MMMMM…” (1965)

[scroll down for English version]

Esta é uma exposição - Você sonha com o quê? A Flor Mohole e outras fábulas - no presente do indicativo; uma exposição sobre devaneios e pesadelos inquietantes, sobre visões domésticas e fantasias tecnológicas. É um exercício de indagar como a arrogância do progresso pode ser neutralizada pela empatia criativa da natureza; de explorar os mundos visível e invisível; de revelar os limiares de percepção que conectam luz e sombra, espaço interior e sideral; um exercício de apontar para a criação de novos ambientes que permitem o desenvolvimento de novas histórias.

Centrais para a concepção da exposição são os trabalhos A Flor Mohole (1964), de David Medalla, e os Espaços Virtuais, de Cildo Meireles. A escultura animada de David Medalla faz referência ao Projeto Mohole, iniciado em 1957 e interrompido em 1966, que consistia em escavar no sentido do centro da Terra para extrair um fragmento de sua crosta; o trabalho era para ser plantado no centro da Terra, a fim de ressurgir “com pétalas rolando como a crista de uma onda chegando à costa”, em diferentes formas e em locais variados do planeta. Já os Espaços Virtuais de Meireles foram desenvolvidos no final da década de 1960, a partir de uma visão infantil do artista, referenciada no trabalho A Penteadeira (1967), que eventualmente o levou a questionar a geometria euclidiana e a explorar as características mutantes da paisagem, da narrativa e da escultura.

Como uma fita de Moebius, que produz um plano espelhado que nunca é idêntico a si mesmo, a exposição explorará a sombra que se desprende de seu corpo original; a superfície refletora que adquire vida própria; a máscara que não se conforma com a anatomia escondida – ou o contrário. Criaturas fantásticas e matéria orgânica criarão um ambiente de espaços deslizantes e escalas variáveis, onde compatibilidade e dissidência poderiam realocar as portas entre a vida contemporânea e as civilizações extintas.

Artistas na exposição: Pierre Huyghe, Laura Lima, Marie Lund, David Medalla, Cildo Meireles, Theo Michael, Gabriel Sierra e Pablo Vargas Lugo.

Magali Arriola é crítica de arte e curadora independente que vive na Cidade do México. Atualmente é a curadora principal de América Latina para a Kadist. Foi curadora-chefe da Fundación Jumex Arte Contemporáneo e do Museo Tamayo, ambos na Cidade do México. Arriola escreveu extensivamente para livros e catálogos e contribuiu para publicações como Art Forum, Curare, Frieze, Mousse, Manifesta Journal e The Exhibitionist, entre outras.


-Mmmmmm… Medalla! What do you dream of?
-I dream of the day when I shall create sculptures that breath, sweat, cough, laugh, yawn, smile, wink, gasp, dance, walk, crawl… and move among people like shadows move among people… Sculptures that preserve the secret dimensions of a shadow not its servile behavior… Sculptures without hope, with hours of wakefulness and hours of sleep… Sculptures that at certain seasons migrate en masse to the North Pole. Sculptures as a translucent mirror without the mirror’s translucency!
David Medalla, “MMMMM…. Manifesto” (1965)

This is an exhibition - Você sonha com o quê? A Flor Mohole e outras fábulas [What do you dream of? The Mohole Flower and other tales] in the present tense; an exhibition about daydreams and uncanny nightmares, about domestic visions and technological fantasies. This is an exercise in inquiring how the arrogance of progress can be counteracted by nature’s creative empathy; in exploring the visible and invisible worlds; in revealing the perceptual thresholds that connect light and shade, inner and outer space; an exercise in pointing to the creation of new environments that allow different histories to develop.

At the exhibition’s core are David Medalla’s The Mohole Flower and Cildo Meireles’s “virtual spaces”. Medalla’s 1964 animated sculpture references the Mohole Project, a project started in 1957 and aborted in 1966, that consisted of digging to the core of our planet in order to extract a fragment of its crust; Medalla’s work was meant to be planted at the center of the earth in order to resurface “with rolling petals like the crest of a tidal wave reaching the shore”, in different shapes and at different locations. Meireles’s “virtual spaces” developed in the late 1960’s out of a childhood vision of the artist referenced in the work A Penteadeira (1967) that eventually lead him to question Euclidian geometry, and to explore the mutating features of landscape, narrative and sculpture.

Like a Moebius strip that produces a mirrored plane that is never identical to itself, this exhibition will explore the shadow that detaches itself from its originating body; the reflecting surface that acquires a life of its own; the mask that won’t conform to its concealed anatomy—or the other way around. Fantastic creatures and organic matter will create an environment of sliding spaces and shifting scales where compatibility and dissent might relocate the doorways between contemporary life and extinct civilizations.

Artists in the exhibition: Marcel Duchamp, Pierre Huyghe, Laura Lima and Zé Carlos Garcia, Marie Lund, David Medalla, Cildo Meireles, Theo Michael, and Gabriel Sierra.

Magali Arriola is an art critic and independent curator currently living in Mexico City. She is currently Kadist Lead Curator for Latin America. She was Chief Curator at Fundación Jumex Arte Contemporáneo and at Museo Tamayo. Arriola has extensively written for books, and catalogues and has contributed to publications such as Art Forum, Curare, Frieze, Mousse, Manifesta Journal, and The Exhibitionist, among others.

Publicado por Patricia Canetti às 11:26 AM