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Como atiçar a brasa

 


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junho 19, 2017

Documenta falha em ambição por Moacir dos Anjos, Valor Econômico

Documenta falha em ambição

Artigo de Moacir dos Anjos originalmente publicado no jornal Valor Econômico em 19 de maio de 2017.

A Documenta é a mostra de arte contemporânea mais aguardada por aqueles que trabalham no campo das artes visuais. Realizada a cada cinco anos na cidade de Kassel, a exposição foi criada em 1954 como parte do esforço do governo alemão em combater, no pós-Segunda Guerra, a violência do regime nazista no âmbito cultural.

Ao longo dos anos, contudo, a mostra se liberou de sua origem instrumental e se afirmou como plataforma para fazer-se, a cada quinquênio, um ajuste de contas com as representações de mundo que a produção artística é capaz de oferecer. Torna-se protagonista no embate de posições que a geopolítica contemporânea engendra e abre-se a contaminações pelo que vem de outras partes e a incursões, ainda que pontuais, a diferentes regiões do planeta.

Em sua 14ª edição, a Documenta é marcada pela agudização dessas tendências. Por um lado, quer despegar-se de Kassel como o centro simbólico a partir do qual a produção artística mundial é avaliada, posta em contato e exibida; por outro, quer revogar a prerrogativa de a cidade alemã ser o único ou principal território para a exibição das obras selecionadas.

Em movimento ousado, seu curador, o polonês Adam Szymczyk, decidiu dividir a exibição em duas partes, ambas contendo trabalhos dos 160 artistas escolhidos em lugares diversos do mundo. Enquanto a segunda delas, a ser inaugurada em junho, seguirá sendo realizada em Kassel, a primeira está já instalada e aberta à visitação em Atenas, na Grécia.

É inevitável que essa inédita mudança geográfica esteja no centro das expectativas de quem visita a mostra, fazendo com que se indague as razões que as explicam. Para seu curador, realizar a Documenta em Atenas se justificaria pelo fato de a dinâmica social, econômica e política da capital grega simbolizar, já há alguns anos, algumas das mais prementes questões que afetam o mundo: dívidas impagáveis, crise de refugiados, desemprego estrutural, xenofobia, nacionalismos extremados, racismo, homofobia, fim do Estado de bem-estar social, entre outras tantas.

Seria também justificável, entretanto, por Atenas igualmente simbolizar a capacidade de resistência a esse quadro de desmanche, sendo lugar de insurgência contra o receituário neoliberal de enfrentamento da crise e de invenção de projetos políticos mais inclusivos, em que discursos e aparatos normativos são desafiados.

Para Szymczyk, era necessário e urgente que a exposição - e, por extensão, também a própria instituição Documenta, originada em país que ocupa polo oposto ao da Grécia na geopolítica europeia - pudesse "aprender com Atenas"; que pudesse aprender a mover-se e a criar formas de vida em um ambiente quase cronicamente conflituado. E "Aprender com Atenas" de fato foi, ainda em 2013, divulgado como título provisório da Documenta 14.

A difícil tarefa autoimposta pelos curadores era, portanto, transformar essa complexa intenção em uma exposição de arte que estivesse à sua altura. Exercitar uma pedagogia de aprender com uma cidade em crise permanente. E não qualquer cidade, mas uma que representa, a despeito do desprezo que por ela nutrem os críticos conservadores da crise europeia, a origem de muito do que se conhece como distintamente europeu.

Foram várias as estratégias criadas pelo curador e sua equipe para "aprender com Atenas", embora sua face mais visível seja uma exposição espalhada em cerca de 40 localidades de Atenas, ainda que concentrada em quatro delas.

É importante mencionar, todavia, que, talvez em antecipação às previsíveis dificuldades de operacionalizar (ou submeter-se a) tal inversão de posições hierárquicas (quem ensina quem), o conceito de "aprender com Atenas" foi gradualmente substituído por outro, ainda mais ambicioso (mas menos comprometido em termos geopolíticos), chamado de "aneducation", ou, mal traduzindo, "deseducação".

Apoiada na ideia de que a Documenta deveria criticar os próprios poderes normativos de uma exposição, a curadoria terminou por subtrair, do âmbito da mostra, mesmo informações básicas sobre os trabalhos e os contextos onde foram criados. Embora Szymczyk sustente que o objetivo da mudança da exposição para Atenas tenha sido "desaprendermos o que sabemos", o que aconteceu, nesses casos, foi a sonegação de informações que poucos já detinham.

Um outro conceito por fim adotado pelos curadores para estruturar a mostra foi o de "continuum", tomado emprestado do compositor grego Jani Christou. Tal conceito se refere a uma forma aberta de criação coletiva para atividades que podem ocorrer ao longo de um tempo dado, engajando diferentes pessoas e suas contribuições singulares sem a obediência a um roteiro pré-estabelecido.

O que a Documenta 14 propunha a partir dessa ideia era transformar organizadores, artistas e visitantes da mostra em integrantes de um processo de aprendizado partilhado, em que desaprender o que é já sabido seria o objetivo. Uma aposta para testar o poder emancipatório da arte e, em particular, de exposições artísticas de grandes dimensões.

Uma visita à mostra em Atenas sugere, porém, que essa ambição curatorial talvez tenha sido desmedida, mesmo que o teste final - a porção da Documenta a ser realizada em Kassel - ainda esteja por vir. Desmedido que se evidencia quando a mostra é confrontada com os condicionamentos longamente estabelecidos sobre o que é arte e sobre como se relacionar com ela em ambientes expositivos, impossíveis de serem desfeitos a golpes rápidos e superficiais como o que foram propostos em Atenas.

A impressão que fica, a despeito da inteligência formal e pertinência política de muitas das obras expostas - sobre as quais não há aqui espaço para falar -, é a de existir um imenso golfo entre as boas intenções do projeto e aquilo que dele de fato resultou. Em muitas ocasiões, a ideia de continuum se torna apenas motivo para justificar projetos que envolvem música, sem que de fato desfaçam distâncias entre obra, artistas e público. Em outras vezes, a falta de informações e de contexto sobre o que é exposto leva ao simples desinteresse por um trabalho que, fosse o projeto mais generoso com o visitante, poderia despertar nele associações insuspeitadas.

Por fim, há uma questão que atravessa e antecede todos esses conceitos e que embasa muito do pensamento da equipe curatorial da Documenta 14. É a ideia de falar a partir do Sul, ou de ter o Sul político como "estado de espírito" ou bússola organizadora da mostra. "South as a State of Mind" é o título de um projeto editorial composto por quatro revistas que, publicadas entre 2016 e 2017, reúnem textos sobre o imaginário violento e desconcertante do mundo contemporâneo, dialogando com o projeto curatorial da Documenta 14.

A despeito da excelência das contribuições incluídas nessas edições, talvez o mais interessante e revelador a destacar seja o fato de elas serem números especiais de revista de mesmo nome publicada desde 2012 em Atenas. Por dois anos, Adam Szymczyk e seu editor convidado, Quinn Latimer, tomaram emprestada a revista "South as a State of Mind" e assumiram sua direção editorial. É revelador que quem define a fala do Sul na revista e quem fala a partir dessa região imaginária, ou mesmo quem define o que significa o Sul nesse contexto, não são os artistas, curadores, editores e escritores de Atenas, mas a equipe curatorial que vem do Norte e que está ali de passagem. Norte que aqui é posição geográfica e também política.

Tomando esse projeto editorial como metáfora do que de fato resultou de um projeto que se propunha a aprender com o Sul, talvez seja possível fazer uma provocação e dizer que, nesta Documenta, a Alemanha terminou por assumir, simbolicamente, o controle da Grécia. E isso, no contexto político europeu atual, não é pouca coisa. Não há de ter sido por nada, afinal, que os primeiros dias de exposição foram marcados por protestos de artistas, curadores e educadores gregos acerca do que consideram um projeto pouco atento ao ambiente local, usado, de seu ponto de vista, mais como cenário político do que como lugar a ser efetivamente enfrentado. Viajar até o Sul, nos tempos de agora, é mesmo complicado.

Esse paradoxo ficou claro àqueles que compareceram, ao fim do dia de inauguração da Documenta, à festa promovida pela Prefeitura de Atenas para os curadores e convidados da mostra. Dentro de um cercadinho vigiado por guardas, uma das principais praças da cidade abrigava gente bem vestida, comida e bebida típicas da Grécia e uma banda de música que ficaria bem, talvez, em um filme ruim de Woody Allen que viesse a ser filmado em Atenas. Do lado de fora da cerca, algumas faces dos muitos moradores de rua de Atenas olhavam desconfiados para aquilo tudo, sabedores de que aquela festa, como tantas outras, não era mesmo para eles. Viajar até o Sul é complicado mesmo.

Moacir dos Anjos é pesquisador e curador da Fundação Joaquim Nabuco e viajou a Atenas a convite do Centro Cultural Brasil Alemanha, Recife.

Publicado por Patricia Canetti às 12:28 PM


O Sul é uma abstração por Cristiana Tejo, seLecT

O Sul é uma abstração

Artigo de Cristiana Tejo originalmente publicado na revista seLecT em 5 de junho de 2017.

A tímida presença numérica de artistas da América Latina e da África Subsaariana nos faz questionar a qual Sul se refere o conceito curatorial

O sociólogo Zygmunt Bauman, na abertura de seu livro Modernidade Líquida, dividia a humanidade globalizada em dois segmentos: um grupo que vive no tempo e outro que vive no espaço. A parcela da população que vive no tempo é a que se preocupa apenas com que seu voo transatlântico não atrase, para que seu compromisso de trabalho ou de lazer não seja prejudicado, já que seu trânsito pelo mundo do consumo global é autorizado e praticamente “sem fronteiras”. A outra parcela vive dolorosamente a concretude do espaço incorporado em muros, fronteiras minadas, polícias de imigração irascíveis, cujo deslocamento é cerceado e, em parte das vezes, mortífero. Essas condições em muitos casos não são imutáveis, variando em contextos históricos. Essa forma de enxergar a realidade do movimento dos corpos sociais pelo mundo, que poderia soar simplista, há dez anos parece tomar novos contornos no momento de novas incertezas geopolíticas, quando direitos de circulação são perdidos do dia para a noite, afetando populações inteiras que por algumas décadas assentaram-se como privilegiadas e “seguras”.

Essa citação de Bauman veio-me à cabeça na coletiva de imprensa da Documenta 14, ocorrida em 6/4, data que marcava o 76o aniversário da invasão nazista à Grécia. Muito foi dito e performado nas mais de duas horas de apresentação da primeira Documenta a acontecer massivamente fora da Alemanha, mas algumas colocações se sobressaíram como um contraste entre as várias colocações do time curatorial e a realidade que gritava fora do anfiteatro lotado por pessoas que muito provavelmente não tiveram sobressaltos para chegar em Atenas. Uma delas foi que o Sul é uma abstração, não uma geografia fixa.

Sob o ponto de vista conceitual, essa afirmação é compartilhada por pessoas de pensamento mais progressista, mas quase todas privilegiadas de alguma forma. A noção de Sul pode até ser relacional, ou seja, a subalternidade muitas vezes é uma questão do que ou quem está em relação ao que ou quem. Entretanto, quando a declaração parte de um agente social legitimado pelo mais alto grau institucional da arte contemporânea mundial num evento que escolheu se inserir num contexto tão complexo como a Grécia atual, numa clara relação de assimetria de poder, as boas intenções podem soar como cinismo. O choque entre as pessoas que vivem no espaço e as que vivem no tempo nunca ficou tão evidente na Documenta como nesta edição em Atenas.

Se o projeto não se apoiasse nas prerrogativas da decolonialidade e no desejo de “aprender com Atenas” e desaprender o que se sabe, talvez pudéssemos transitar com menos incômodo pela exposição que se estende por vários espaços culturais e pontos da capital grega. Entretanto, muitas perguntas nos perseguem nesse percurso. Se a desconstrução almejada pelo decolonial é estrutural, por que notamos que a via traçada pelos curadores é de mão única? A revista grega South as a State of Mind virou a publicação oficial da Documenta desde 2015, mas nenhuma revista alemã virou a publicação oficial de pensadores e críticos gregos, por exemplo. A tímida presença numérica de artistas da América Latina e da África Subsaariana nos faz questionar a qual Sul se refere o conceito curatorial. O que significa desaprender para a elite do mundo da arte? Propositalmente há poucas informações sobre os artistas nas fichas técnicas e isso obriga os visitantes a pesquisarem por si próprios o que lhes interesse: onde nasceu, se ainda está vivo, onde mora, qual o contexto da extensa pesquisa que está sendo apresentada na mostra. A ausência dessas informações que contextualizam os artistas baseia-se no interesse de tornar esse processo de construção do conhecimento ativo ou de “desinfantilizar o público”, ou ainda de potencializar “subjetividades radicais” em contraposição ao antigo mundo em que se encontrava arraigado “nos conceitos de pertencimento, identidade e enraizamento”, nas palavras do curador-geral, Adam Scwymczyk. Como muitos dos trabalhos são novos, não há como conseguir mais detalhes de alguns dos processos artísticos sem consultar o site da Documenta, tarefa possível apenas para aqueles que possuem internet em seus celulares. Além disso, a má sinalização também causa confusão na hora de saber de quem são os trabalhos. O que significa então aprender e desaprender para o público não especializado da mostra?

Apesar de ser uma edição muito menos empolgante do que a anterior, a primeira etapa da Documenta tira por vezes bom partido dos espaços existentes na cidade e cruzar ruas, adentrar em bairros e se deparar com a vida urbana acontecendo é a parte forte do projeto. Talvez o lugar expositivo mais potente seja o Conservatório de Atenas, onde estão localizadas pesquisas que costuram incríveis experimentações entre música e artes visuais em vários momentos do século 20, a exemplo dos objetos sonoros e das pinturas musicais de Guillermo Galindo, das proposições de deep listening da recém-falecida compositora Pauline Oliveros e dos móveis sonoros da artista Nevin Aladag ativados na abertura da mostra. Numa outra parte do Odeom encontra-se a comovente instalação sonora de Emeka Ogboh, em que cantos de lamentos ecoam numa espécie de anfiteatro, enquanto um painel em néon mostra em tempo real a Bolsa de NY.

No Benaki Museum, a mostra entra no espaço cubo branco e seu vigor arrefece. Justamente no local onde se poderia questionar as disciplinas e agentes que contribuíram para a máquina da colonialidade encontramos poucos trabalhos que problematizam essa engrenagem, a exemplo da instalação Biafra Time Capsule, de Olu Oguibe, em que um vasto arquivo material sobre o conflito em Biafra é disposto em vitrines. No térreo, a instalação/performance de Beau Dick, artista indígena da etnia Kwakwaka’wakw do Canadá, recém-falecido, conecta-se com uma série de fotografias feitas do antropólogo Franz Boas reencenando o ritual do Hamat’sa da mesma tribo, que se situa no primeiro andar. Aqui, objeto de estudo e sujeito contrapõem-se e dialogam numa espécie de continuum. O vídeo Tripoli Cancelled, de Naeem Mohaiemen, é um tocante e envolvente experimento cinematográfico filmado no antigo aeroporto de Atenas, desativado há mais de 15 anos. Um homem vagueia por semanas pelas ruínas do edifício abandonado, forjando um cotidiano e fazendo de casa o que de fato foi um lugar de passagem. Na Escola de Artes, encontra-se outro núcleo cativante de trabalhos, onde se destacam Bouchra Khalili, Angelo Plessas, Amar Kanwar, Alan Sekula e Anna Kay/Lawrence Halprin.

Serviço
Documenta 14
Atenas, de 8/4 até 16/7
Kassel, 10/6 até 17/9
www.documenta14.de/en

Publicado por Patricia Canetti às 12:21 PM


junho 14, 2017

O grupo Corpos Informáticos celebra 25 anos em dose dupla por Renato Acha, Acha Brasília

O grupo Corpos Informáticos celebra 25 anos em dose dupla

Matéria de Renato Acha originalmente publicada no site Acha Brasília em 5 de junho de 2017.

Museu da República e Galeria Alfinete

O grupo Corpos Informáticos é referencial quando se trata de Performance em Brasília e no Brasil. Para marcar o Jubileu de Prata, o coletivo coordenado por Bia Medeiros promove duas ações na cidade. A mostra Bia Medeiros: per-fura, per-muta, per-verte abre na Galeria Alfinete (103 norte) no sábado (10 de junho), às 18 horas. Já a exposição Corpos Informáticos: 25 anos tem abertura no Museu da República na quarta (14 de junho) às 19 horas. A noite ainda conta com o lançamento do catálogo “Corpos Informáticos: produção recente”

A exposição Bia Medeiros: per-fura, per-muta, per-verte, na Galeria Alfinete, traz um substrato da obra de Bia Medeiros. Nos anos 80 e 90 da gravura (per-fura) à performance (per-forma: intensidade e movimento do corpo que forma), nos anos 2000, coordenadora do Corpos Informáticos, da performance, agora realizada com e no grupo, ao desenho íntimo (per-muta). Recentemente Bia Medeiros traz séries eróticas que vertem.

Bia Medeiros começa a fazer gravuras e composições urbanas a partir do Parque Lage, RJ. Nos anos cinza, se muda para Paris, intensifica essa produção e passa a realizar performances com Suzete Venturelli. Em 1990, se muda para Brasília onde forma o grupo de pesquisa Corpos Informáticos: videoarte, webarte, performances, composições urbanas. O grupo tem enormes proporções na sua vida artística mas seu trabalho individual per-segue. Em todo o per-curso, um sutil erótico per-fura, per-muta, per-verte.

Paralelamente à exposição de Bia Medeiros, o Corpos Informáticos abre no dia 14 de junho, a retrospectiva de seus 25 anos no Museu da República. O coletivo tem uma trajetória de 25 anos de trabalho artístico: são as Kombis da L4 a faixa de pedestres em frente ao BB do Campus Darcy Ribeiro (UnB), a árvore plantada no Esplanada; dados pendurados (406 Norte). O Vimeo do grupo possui cerca de 150 vídeos. O coletivo movimenta o site performancecorpopolitica.net considerado o maior site de performance feito a partir do Brasil, entre outros.

Corpos Informáticos trabalha a partir da Universidade de Brasília tendo formado mais de 50 artistas, pesquisadores em artes e professores. Seus tentáculos se estendem para fora do Brasil e para Barbalha (CE), Aparecida de Goiânia, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro.

Exposição: Bia Medeiros: per-fura, per-muta, per-verte
Local: Galeria Alfinete (CLN 103 Bloco B)
Abertura: 10 de junho (sábado) às 18 horas
Acesso livre

Exposição: Corpos Informáticos: 25 anos
Local: Museu da República (Setor Cultural Sul)
Abertura: 14 de junho (quarta) às 19 horas
Acesso livre.

Publicado por Patricia Canetti às 10:42 AM


junho 9, 2017

A rainha da fuleragem. Bia Medeiros faz de Brasília uma cidade-menina por Sérgio Maggio, Metrópoles

A rainha da fuleragem. Bia Medeiros faz de Brasília uma cidade-menina

Matéria de Sérgio Maggio originalmente publicada no site Metrópoles em 8 de junho de 2017.

Fuleragem é uma gíria deliciosa e divertida que quer dizer “sacanagem das boas”. Reunir um monte de gente bacana e criativa para rir desse mundo careta que não deu certo é um exemplo magnífico de fuleragem. A performer Bia Medeiros tem pós-doutorado no assunto. Há 25 anos, com o coletivo Corpos Informáticos, tem ajudado a distrair Brasília dessa sina de ser uma capital do poder. Espalhou carcaças de kombis coloridas pela cidade, botou um monte de gente pelada para brincar no CCBB e passou até enceradeira no piso da Esplanada.

"Vinte e cinco anos é muita história. Não cabe nesse teclado de celular. Houve momentos extraordinários: em 1996, o balanço na Rodoviária é inesquecível. Balançar em um balanço com raio de 10 metros! Uau!"
Bia Medeiros

O Corpos Informáticos tem um forte elemento lúdico. Remete a brincadeiras da meninada. É comum encontrá-los quebrando o cotidiano de ir e vir com ações que tiram as pessoas da seriedade de viver. Outro dia, estavam no Setor Comercial Sul empurrando brincando artesanais de rodinhas bem na hora do almoço. Esse aspecto remete ao jeito moleca de Bia Medeiros.

Minha infância foi muito divertida. Tenho quatro irmãos homens. Brinquei com eles de boneca (já que sou a segunda filha), joguei futebol (até os 18). Vivemos há 300 metros da praia: pegamos muita onda (jacaré). Meu irmão, o terceiro é, até hoje, um palhaço. Sempre rimos muito em família

Com uma pesquisa ampla em videoarte e performance, Corpos Informáticos é uma referência nacional em arte contemporânea. O agrupamento de artistas faz um cruzamento híbrido de linguagens a partir de vertentes de ideias que refletem os eixos cidade, política, corpo e coletivo.

O Corpos, em geral, tem cerca de 10 pessoas. Agora, acho que somos 12. Mas, na real, somos 50. Quase todos que passaram pelo Corpos estão sempre disponíveis para ser Corpos quando necessário. Por exemplo, Camila Soato, nosso braço em São Paulo, e Carla Rocha, nossa perna estadunidense.

Professora de artes da UnB, Bia se aposentou neste ano e está morando no Rio. Mas o Corpos é mundão, como ela costuma dizer. Tem gente em Goiânia, Barbalha (CE), Estados Unidos, São Paulo e Bahia.

"Volto agora para Brasília. Dia 10.06, tem exposição com meu trabalho na Galeria Alfinete, Dia 14/6, abre mostra dos 25 anos de Corpos Informáticos, no Museu da República, com lançamento de catálogo"
Bia Medeiros

Bia começou a se enveredar pela arte ainda menina. Aos 13 anos, fez um desenho que a impressionou. Na mesma hora, decidiu: “Vou ser artista”. Aos 17, descobriu a gravura. Queria que sua arte fosse compartilhada sem restrições. Passou então a colar as gravuras nos pontos de ônibus da Lapa, no Rio.

Estávamos em plena ditadura. Quando fui para a França (com bolsa do governo francês) continuei a fazer gravura e colar nas rua. Mas lá tinha muito cartaz publicitário que as engolia. Daí me juntei com a Suzete Venturelli e começamos a rasgar esses cartazes, que logo viraram roupa e performance.

Publicado por Patricia Canetti às 9:54 AM


A rainha da fuleragem. Bia Medeiros faz de Brasília uma cidade-menina por Sérgio Maggio, Metrópoles

A rainha da fuleragem. Bia Medeiros faz de Brasília uma cidade-menina

Matéria de Sérgio Maggio originalmente publicada no site Metrópoles em 8 de junho de 2017.

Fuleragem é uma gíria deliciosa e divertida que quer dizer “sacanagem das boas”. Reunir um monte de gente bacana e criativa para rir desse mundo careta que não deu certo é um exemplo magnífico de fuleragem. A performer Bia Medeiros tem pós-doutorado no assunto. Há 25 anos, com o coletivo Corpos Informáticos, tem ajudado a distrair Brasília dessa sina de ser uma capital do poder. Espalhou carcaças de kombis coloridas pela cidade, botou um monte de gente pelada para brincar no CCBB e passou até enceradeira no piso da Esplanada.

"Vinte e cinco anos é muita história. Não cabe nesse teclado de celular. Houve momentos extraordinários: em 1996, o balanço na Rodoviária é inesquecível. Balançar em um balanço com raio de 10 metros! Uau!"
Bia Medeiros

O Corpos Informáticos tem um forte elemento lúdico. Remete a brincadeiras da meninada. É comum encontrá-los quebrando o cotidiano de ir e vir com ações que tiram as pessoas da seriedade de viver. Outro dia, estavam no Setor Comercial Sul empurrando brincando artesanais de rodinhas bem na hora do almoço. Esse aspecto remete ao jeito moleca de Bia Medeiros.

Minha infância foi muito divertida. Tenho quatro irmãos homens. Brinquei com eles de boneca (já que sou a segunda filha), joguei futebol (até os 18). Vivemos há 300 metros da praia: pegamos muita onda (jacaré). Meu irmão, o terceiro é, até hoje, um palhaço. Sempre rimos muito em família

Com uma pesquisa ampla em videoarte e performance, Corpos Informáticos é uma referência nacional em arte contemporânea. O agrupamento de artistas faz um cruzamento híbrido de linguagens a partir de vertentes de ideias que refletem os eixos cidade, política, corpo e coletivo.

O Corpos, em geral, tem cerca de 10 pessoas. Agora, acho que somos 12. Mas, na real, somos 50. Quase todos que passaram pelo Corpos estão sempre disponíveis para ser Corpos quando necessário. Por exemplo, Camila Soato, nosso braço em São Paulo, e Carla Rocha, nossa perna estadunidense.

Professora de artes da UnB, Bia se aposentou neste ano e está morando no Rio. Mas o Corpos é mundão, como ela costuma dizer. Tem gente em Goiânia, Barbalha (CE), Estados Unidos, São Paulo e Bahia.

"Volto agora para Brasília. Dia 10.06, tem exposição com meu trabalho na Galeria Alfinete, Dia 14/6, abre mostra dos 25 anos de Corpos Informáticos, no Museu da República, com lançamento de catálogo"
Bia Medeiros

Bia começou a se enveredar pela arte ainda menina. Aos 13 anos, fez um desenho que a impressionou. Na mesma hora, decidiu: “Vou ser artista”. Aos 17, descobriu a gravura. Queria que sua arte fosse compartilhada sem restrições. Passou então a colar as gravuras nos pontos de ônibus da Lapa, no Rio.

Estávamos em plena ditadura. Quando fui para a França (com bolsa do governo francês) continuei a fazer gravura e colar nas rua. Mas lá tinha muito cartaz publicitário que as engolia. Daí me juntei com a Suzete Venturelli e começamos a rasgar esses cartazes, que logo viraram roupa e performance.

Publicado por Patricia Canetti às 9:54 AM