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Como atiçar a brasa

 


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abril 16, 2019

Governo anuncia Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa

Governo anuncia Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa

Notícia originalmente publicada no portal do Governo do Estado de São Paulo em 15 de abril de 2019.

Membros do órgão serão responsáveis por avaliar programas e estabelecer diretrizes para a política cultural do Estado de São Paulo

O Governador João Doria anunciou nesta segunda-feira (15) a composição do Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa, órgão integrante da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Sistema Nacional de Cultura, responsável por debater, propor diretrizes para a política cultural e para os programas e ações da Secretaria.

Os membros terão como missão monitorar e avaliar atividades, a fim de sugerir aprimoramentos, realizar diagnósticos e propor medidas de desenvolvimento; efetuar consultas públicas; e acompanhar o andamento do Plano Estadual de Cultura.

“Pela primeira vez na história se cria um conselho vinculado diretamente ao Governador do Estado. Nós temos já um Conselho de Gestão no Estado, mas que nada tem a ver diretamente com o Conselho que hoje se constitui”, ressaltou o Governador Joao Doria. “Ambos lutando pela cultura brasileira em São Paulo”, disse.

O Conselho, que constitui uma das instâncias do Sistema Estadual de Cultura, é ligado diretamente ao Governador e tem a responsabilidade de estabelecer diretrizes para a política cultural do Estado, além de avaliar o desempenho de programas e ações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Integram o Conselho 15 membros representantes do poder público e 15 membros representantes do setor cultural e criativo da sociedade civil.

“Como presidente teremos o Eduardo Saron, como vice-presidentes Fernanda Feitosa e Ismael Ivo, para mandato de um ano, renovável por mais dois anos”, comentou o Governador João Doria.

Com o propósito de manter discussões mais eficientes e reduzir gastos, o quórum terá menor número de integrantes e nenhum custo para o Estado. Com mais foco e eficácia, questões urgentes relacionadas às instituições, programas e serviços culturais terão agilidade nas decisões. O regimento do Conselho, a ser formulado, contemplará todos os segmentos da cultura e garantirá a participação popular.

Câmaras temáticas

Por meio das câmaras temáticas, o setor cultural e a sociedade participarão dos debates e propostas. Com a finalidade de analisar, debater e propor medidas que estimulam os diversos segmentos artístico-culturais e da economia criativa, as câmaras serão formadas observando a paridade entre membros do poder público e da sociedade civil que, por seus conhecimentos e experiência profissional, possam contribuir com as atividades desenvolvidas.

Composição do Conselho

Amilson Godoy – Maestro
André Sturm – Cineasta e ex-secretário de Cultura da prefeitura de SP
Caio Luiz de Carvalho – Diretor Geral do Canal Arte 1
Carlos Meceni – Presidente do Conselho Brasileiro de Entidades Culturais
Danilo Miranda – Diretor do Sesc
Eduardo Saron – Diretor do Itaú Cultural
Fabio Barbosa – Presidente do Conselho da Osesp
Fernanda Feitosa – Diretora Geral da SP Arte
Heitor Martins – Diretor Presidente do Masp
Ismael Ivo – Diretor do Balé da Cidade de São Paulo
João Carlos Martins – Maestro
Jose Gregori – Presidente da Associação Paulista dos amigos da Arte
José Olympio Pereira – Presidente da Bienal de São Paulo
Juca Oliveira – Ator e dramaturgo
Manuel Costa Pinto – Colunista da Folha de São Paulo
Marcelo Mattos Araujo – Presidente da Japan House e ex-secretário de Cultura do Estado de SP
Marcos Mendonça – Ex-secretário municipal e Estadual de Cultura e presidente da Fundação Padre Anchieta
Maria Ignez Mantovani – Diretora Geral da Expomus
Nizan Guanaes – Fundador da Agência África
Odilon Wagner – Ator, escritor diretor
Paulo Zuben – Diretor Artístico pedagógico da Santa Marcelina Cultura
Renata Almeida – Diretora da Mostra de Cinema de SP
Ricardo Ohtake – Diretor do Instituto Tomie Ohtake
Rodrigo Garcia – Vice-governador
Henrique Meirelles – Secretário da Fazenda e Planejamento
Sérgio Sá Leitão – Secretário da Cultura e Economia Criativa

Publicado por Patricia Canetti às 10:02 AM


abril 15, 2019

Mostra de Rivane Neuenschwander traz para a política sanatório de Machado de Assis por Nelson Gobbi, O Globo

Mostra de Rivane Neuenschwander traz para a política sanatório de Machado de Assis

Matéria de Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 10 de abril de 2019.

Em São Paulo, artista mineira apresenta obras recentes na exposição 'O alienista'

SÃO PAULO — Publicada em 1882, a novela “O alienista” é constantemente aludida ao se abordar relações de poder, mesmo as que não remetam à realidade do Brasil oitocentista que deu base à obra de Machado de Assis. Mais de um século depois, a história do médico Simão Bacamarte, que interna todos os habitantes de uma cidade em um sanatório recém-construído (e por fim, ele próprio), segue como uma alegoria potente para momentos de insegurança institucional. A inquestionável autoridade médica da ficção, a quem cabia apontar os loucos e sãos, pode ser atribuída a personagens autoritários ou governos autocráticos, a partir do contexto em que o paralelo é feito.

Utilizando o título da obra machadiana, Rivane Neuenschwander inaugurou na galeria paulistana Fortes D’Aloia & Gabriel, no início do mês, uma individual com obras criadas nos últimos anos, sob o impacto do noticiário político no Brasil. A mostra reúne obras em técnicas variadas, como o vídeo “Enredo” (2016), feito em parceria com o seu irmão, o neurocientista Sergio Neuenschwander, ou as colchas de retalhos da série “O nome do medo”, feitas em oficinas com crianças na EAV do Parque Lage e expostas no Museu de Arte do Rio (MAR) em 2017. À pesquisa desenvolvida desde 2013 sobre medos infantis e suas representações, a artista somou as criações da série “O alienista” (2019), com 16 bonecos feitos de papel machê, tecido e garrafas de vidro, que podem representar (ou não) personagens da crônica política atual, dependendo da leitura do público.

— Acompanhei à distância os protestos de 2013, mas a coisa degringolou de vez em 2015, quando voltei de Londres para morar no Brasil. Então a pesquisa anterior começou a se relacionar mais com o contexto político, com as disputas de narrativa — comenta a mineira Rivane, que trocou Belo Horizonte por São Paulo, após voltar de um período de três anos na capital inglesa. — Na época, tentei retomar a questão da linguagem, e fiz etiquetas com as palavras que ganharam força naquele momento, para tentar entender o que estava em jogo em termos semânticos, o que foi capturado no meio do caminho.

Após a polarização e a radicalização dos discursos no período eleitoral, a artista começou a produzir os bonecos com cabeças de papel machê (muitas vezes feitas junto aos filhos, Theo e Hannah, de 11 e 9 anos, respectivamente), com feições que lembram animais ou plantas — nunca humanas. Os nomes dados a cada escultura, como “O Juiz de Fora”, “O Terraplanista”, “A Corte”, não explicitam as correlações com personagens da vida política nacional, mas alguns detalhes fazem o paralelo com eventos recentes, como notas de dólares presas às vestimentas ou uma diminuta panela nas mãos de uma das criaturas.

— Pensei muito no Paul Klee (1879-1940), que fez dezenas de fantoches para o filho, muitos dos quais foram queimados durante a Segunda Guerra. É impressionante pensar no processo histórico que um artista dessa magnitude viveu , a perseguição dos nazistas, a inclusão na mostra de arte degenerada. Os trabalhos foram ganhando muitas camadas de sentido, vi que teriam de ser ricos de detalhes — ressalta a artista. — Usei as garrafas de vinho e outras bebidas na base, já que muitas delas acompanharam debates acalorados que tivemos no ano passado.

A relação com a obra de Machado de Assis também inspira os personagens do que pode ser interpretado como um sanatório de proporções diminutas. Outra ligação está na parte inferior das paredes da galeria, pintadas de verde para remeter ao nome do manicômio criado por Simão Bacamarte no livro, a Casa Verde.

— De repente a gente se viu obrigado a rebater discursos sobre fatos que já tínhamos vivido, como a ditadura ou a “ameaça” do comunismo. Isso emerge como uma psoríase, um processo de negação da verdade que te obriga falar sobre Terra plana, é uma volta no tempo — diz Rivane. — E isso tem consequências imediatas. Basta pensar na questão ecológica, por exemplo. Se continuarmos assim, daqui a pouco estaremos presos numa realidade sem volta, da nossa Casa Verde só vão ficar as cinzas.

O alienista
Onde : Fortes D’Aloia & Gabriel — Rua Fradique Coutinho, 1500, Vila Madalena (11 3032-7066). Quando : Ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., de 10h às 18h. Quanto : Grátis. Classificação : Livre.

Publicado por Patricia Canetti às 10:58 AM


Adriana Varejão faz sua primeira exposição individual em Salvador por Ana Cristina Pereira, Correio

Adriana Varejão faz sua primeira exposição individual em Salvador

Matéria de Ana Cristina Pereira originalmente publicada no jornal Correio em 13 de abril de 2019.

A influente artista visual carioca expõe vinte trabalhos de várias fases no Museu de Arte Moderna a partir de terça (16)

Salvador sempre esteve no raio criativo da artista visual carioca Adriana Varejão, 55 anos. Ela já veio “diversas” vezes pesquisar e se inspirar pela atmosfera e herança barroca da cidade, como tem mostrado em trabalhos de diferentes fases, a partir dos anos 80.

Mesmo assim, Adriana, uma das artistas mais conhecidas do país e que já expôs em vários centros do mundo, nunca tinha feito uma exposição individual por aqui. “As instituições estão muito carentes de verbas. Nunca tinha recebido nenhum convite oficial”, resume.

A afirmação é apenas uma constatação, pois ela está “muito feliz” em apresentar a mostra Adriana Varejão - Por uma Retórica Canibal, no Museu de Arte Moderna, a partir de terça-feira (16). “Fazer esta exposição é como finalmente retornar à casa da mãe depois de uma longa viagem”, poetiza Adriana.

Com curadoria da crítica de arte carioca Luisa Duarte, a exposição reúne 20 trabalhos produzidos a partir de 1992, que percorrem três décadas, num esforço logístico complexo, já que as obras estão em coleções particulares de vários colecionadores.

“Não é fácil reunir os trabalhos, muitos colecionadores não ficam seguros”, pontua a artista, que não via alguns dos trabalhos desde 2013, quando fez retrospectivas nos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio .

Por isso, a mostra retrospectiva - uma iniciativa da Galeria Almeida e Dale - ganha ainda mais importância. É uma exposição, avalia a artista, para o público que ainda não conhece sua obra ter uma visão mais abrangente do conjunto. “São obras históricas, não necessariamente o que estou fazendo agora, mas que cobrem um grande período”, resume.

Devorações

É nas produções dos anos 90 que Adriana reflete com mais intensidade a força conceitual do Barroco. E as primeiras cidades em que ela pesquisou o tema foram Salvador e Cachoeira, seguidas de outras como Recife e Mariana, em Minas Gerais. Só muito depois, conta, foi a Portugal.

Ao beber na fonte estética do Barroco, com seus jogos retóricos e muitos excessos, Adriana diz que estava em busca das multiplicidades de referências que o período traz. “O Barroco foi o primeiro lugar de uma arte mestiça na América, uma arte com fortes referências locais. Este caráter múltiplo e mestiço é o que mais me atrai”, pontua, citando artistas referenciais do movimento no Brasil, como o artista mineiro Aleijadinho (1730-1814) e o poeta baiano Gregório de Matos (1636-1693).

Em pinturas como Língua com Padrão Sinuoso e Pele Tatuada à Moda de Azulejaria - que ilustram esta página - estão imagens do Barroco, relidas de forma pertubadora, com referências ao corpo humano e que parecem sangrar da tela. “A questão do canibalismo é uma metáfora, pois a ideia é subverter o padrão branco e eurocêntrico. Comer aquilo e devolver de uma outra forma. É isso que me interessa no Barroco”, diz.

Azulejos

Um dos elementos que chamam atenção no conjunto é a recorrente presença dos azulejos - tão marcante na cultura portuguesa e em suas colônias. Tanto nos trabalhos mais antigos quanto no mais recente da exposição, a pintura sobre gesso batizada de Azulejão (Neo-concreto), de 2016.

Adriana conta que tem um acervo de mais de seis mil imagens de azulejos, que vem fotografando desde 1988. “Trabalho em cima desse repertório de imagens”, explica a artista , que tem uma sala inteira dedicada a eles no Instituto Inhotim, em Minas Gerais. O quadro Azulejão, diz, é como se fosse um recorte dessa sala no museu a céu aberto de Minas Gerais.

Além das pinturas em telas e outros suportes como madeira, alumínio, fibra de vibro e resina, a mostra inclui a videoinstalação Transbarroco (2014). Nela, Adriana apresenta quatro filmes produzidos nas cidades de Rio de Janeiro, Ouro Preto, Mariana e Salvador.

Ou seja, a Bahia está muito presente em Por Uma Retórica Canibal. Por isso, diz Adriana, está mais feliz em expor no Solar do Unhão do que “em qualquer museu do mundo”. E olhe que ela já teve seu trabalho exibido em grandes instituições internacionais como MoMA (Nova York), Fundação Cartier (Paris), Centro Cultural de Belém (Lisboa), Hara Museum (Tóquio) e The Institute of Contemporary Art (Boston).

Bate-papo

Além da visitação , a mostra Adriana Varejão - Por uma Retórica Canibal terá uma programação educativa paralela, atendendo a um pedido da própria artista. O que inclui uma publicação com texto para cada obra e a uma conversa sobre o universo criativo exposto, que acontece terça, às 16h, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória.

Participam do encontro gratuito Adriana Varejão, o artista visual baiano Ayrson Heráclito, a antropóloga e escritora paulista Lilia Schwarcz e a curadora Luisa Duarte. Entre os últimos trabalhos assinados por Luisa, que também é professora, está os programas públicos da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc-Videobrasil, que estreia em outubro em São Paulo.

Também pesquisador e professor, Ayrson Heráclito aborda com frequência em sua produção artística elementos da cultura afro-brasileira e faz uma reflexão crítica sobre o Brasil Colônia.

Já Lilia Schwarcz é uma das mais importantes históriadoras e antropólogas do país sobre o período da escravidão. Um de seus últimos livros lançados é Dicionário da Escravidão e Liberdade (Companhia das Letras), organizado por ela em parceria com Flávio dos Santos Gomes.

Depois de Salvador, a mostra segue para outras capitais fora do eixo Rio-São Paulo, que nunca tinham tido o prazer de receber uma mostra de Adriana Varejão.

FICHA
Exposição: Adriana Varejão - Por Uma Retórica Canibal
Artista: Adriana Varejão
Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (Solar do Unhão/ Av. Contorno)
Abertura: terça-feira (16), às 19h30
Visitação: de terça a sábado, das 13h às 18h, até 15 de junho. Gratuita

Publicado por Patricia Canetti às 10:33 AM


abril 3, 2019

MAM-SP divulga lista de artistas do 36º Panorama de Arte Brasileira por Clara Balbi, Folha de S. Paulo

MAM divulga lista de artistas do 36º Panorama de Arte Brasileira

Matéria de Clara Balbi originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 1 de abril de 2019.

Com curadoria de Júlia Rebouças, a exposição este ano tem o sertão como tema

O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) anunciou, nesta segunda (1º), os nomes que farão parte do 36º Panorama da Arte Brasileira, com abertura marcada para 17 de agosto no museu.

A seleção da curadora Júlia Rebouças reúne 29 artistas de diversas partes do país. Entre eles, estão nomes como Ana Vaz, Antonio Obá, Cristiano Lenhardt, Dalton Paula, Paul Setúbal e Regina Parra.

O tema que guia esta edição, comemorativa dos 50 anos da mostra, é sertão.

A curadora busca, no entanto, afastar-se do estereótipo de aridez e infertilidade da região. Ao contrário, propõe a recusa das promessas de fartura do modelo extrativista que marcam o sertão desde os tempos de colônia para convidar os artistas a recontarem, à sua maneira, a história do Brasil.

A proposta está por trás do convite a projetos de comunicação comunitária, como a Rádio Yandê, carioca, cuja programação é voltada para os povos indígenas, e o Coletivo Fulni-ô de Cinema, de Pernambuco, cujos filmes discutem a disputa pela terra.

A última edição do Panorama, em 2017, foi marcada por polêmicas. Apresentada na abertura da exposição, a performance “La Bête” , de Wagner Schwartz, foi acusada de incitação à pedofilia depois da divulgação de um vídeo em que uma menina tocava seu corpo nu.

Rebouças, que escalou diversos artistas especializados no suporte nesta edição, ainda não sabe se haverá performances ao vivo durante a mostra.

Diz, contudo, que não houve nenhum tipo de restrição à sua curadoria, e que é importante que o museu tome a dianteira em discussões sobre censura. "Hoje há um movimento de criminalização da arte e da cultura", afirma.

Veja a lista completa dos artistas que participam do 36º Panorama da Arte Brasileira:

1. Ana Lira
2. Ana Pi
3. Ana Vaz
4. Antonio Obá
5. Coletivo Fulni-ô de Cinema
6. Cristiano Lenhardt
7. Dalton Paula
8. Daniel Albuquerque
9. Desali
10. Gabi Bresola e Mariana Berta
11. Gê Viana
12. Gervane de Paula
13. Lise Lobato
14. Luciana Magno
15. Mabe Bethônico
16. Maré de Matos
17. Maxim Malhado
18. Maxwell Alexandre
19. Michel Zózimo
20. Paul Setúbal
21. Radio Yandê
22. Randolpho Lamounier
23. Raphael Escobar
24. Raquel Versieux
25. Regina Parra
26. Rosa Luz
27. Santídio Pereira
28. Vânia Medeiros
29. Vulcanica PokaRopa

Publicado por Patricia Canetti às 2:20 PM


março 31, 2019

A memória artística da ditadura por Raisa Pina, Le Monde Diplomatique Brasil

A memória artística da ditadura

Matéria de Raisa Pina originalmente publicada no jornal Le Monde Diplomatique Brasil em 8 de novembro de 2018.

Pinturas, gravuras, performances e happenings tensionaram a todo momento o autoritarismo e denunciaram os crimes contra a humanidade cometidos pelos militares, às vezes com imagens hiper-realistas, às vezes com um mero conceito lançado no ar, às vezes com intervenções urbanas que escrachavam o que era empurrado para debaixo do tapete social simbólico

Quando se fala em resistência à ditadura civil-militar brasileira da segunda metade do século XX, uma das primeiras coisas que me vêm à cabeça são os artistas da época: ousados, corajosos que não se deixaram calar mesmo com a censura, as ameaças e a tortura correndo soltas. Primeiro, lembro-me de Gal Costa e Nara Leão; penso em Rita Lee e nos Mutantes; abraço em imaginação Gil, Caetano, Chico, Milton, Tom Zé, Rogério Duprat e toda a Tropicália. Depois do fatídico domingo de resultado das eleições, o que me trouxe à consciência da tarefa histórica que minha geração terá pela frente – e me fez abafar o choro que queria vir – foi a voz de Gal ecoando Divino Maravilho. “É preciso estar atenta e forte, não temos tempo de temer a morte”.

Se a música, assim como a literatura e o teatro, é uma fonte rica de elementos sobre o que de fato foi o período dos militares no poder, gostaria de acrescentar ao pacote de referências poético-históricas uma linguagem artística por vezes deixada de escanteio nas análises políticas e que muito revela o lado apagado dos livros didáticos: as artes plásticas. Pinturas, gravuras, performances e happenings tensionaram a todo momento o autoritarismo e denunciaram os crimes contra a humanidade cometidos pelos militares, às vezes com imagens hiper-realistas, às vezes com um mero conceito lançado no ar, às vezes com intervenções urbanas que escrachavam o que era empurrado para debaixo do tapete social simbólico.

Numa manhã de uma segunda-feira qualquer, no ano de 1970, catorze trouxas ensanguentadas, cheias de ossos e carne em putrefação, emergiram no rio Arrudas, em Belo Horizonte. Pareciam ser corpos de desaparecidos políticos. Só podia ser. Rapidamente a polícia foi acionada. Quando conseguiram retirar as trouxas da água, para a surpresa de todos, não se tratavam de restos humanos, mas de Situações, intervenção feita por Arthur Barrio para expor o elefante branco no meio da sala: existiam mortos desaparecidos e uma cena daquela era completamente verossímil. Uma vez, em uma entrevista, perguntaram a Barrio de onde vinha a palavra “Situações”; ele respondeu que vinha “do dia a dia comum, uma coisa banal”. A banalidade da década de 1970 era sangue e carcaça.

Que nos lembremos da exposição Sala Escura da Tortura, realizada primeiramente em Paris, em 1973, pelo Grupo Denúncia e pelo Coletivo Anti-Fascista, depois refeita no Brasil em 2011, como uma iniciativa do Instituto Frei Tito, Ministério da Justiça e Anistia Internacional. Faziam parte do Denúncia quatro artistas, dos quais três eram sul-americanos exilados na França para fugir de governos ditatoriais: Julio Le Parc (Argentina), Gontran Guanaes Netto (Brasil), José Gamarra (Uruguai) e Alejandro Marcos (Espanha). Eles se basearam nos depoimentos de Frei Tito sobre a tortura, fizeram entre eles uma performance de reconstrução das sessões de absurdos, fotografaram as cenas de terror e depois as transformaram em pinturas hiper-realistas. Afogamento, choques, amarrações e suspensões foram algumas ferramentas de violência usadas pelo governo para punição e perseguição.

Em 1975, Letícia Parente deu sua contribuição potente com a vídeo-performance Marca Registrada, em que a artista, ao longo de aproximadamente dez minutos, borda a frase “Made in Brazil”. O bordado, diminuído historicamente como ofício doméstico das mulheres, é aqui ressignificado como demonstração de força e resistência tendo-se em vista o que se costura: a sola do pé da própria artista. As imagens causam angústia e é esta a intenção. Em apenas um vídeo aparentemente simples, Parente explicita muitas questões complexas: fala da dor de ser brasileira naquele momento, da entrega do país ao mercado internacional, da necessidade de lastro, de sua própria raiz e da sua condição de mulher no meio do furacão. Ao costurar seu próprio pé com a frase que marca sua origem, Letícia Parente nos fala de coragem. “A vida é feita de coragem”.

Na mesma década do trabalho de Parente, Alex Fleming se usou do hiper-realismo para revelar o não dito que existia por trás da defesa da família, da moral e dos bons costumes. Na série de gravuras Natureza-morta, o artista se apropria de um dos gêneros mais tradicionais das artes plásticas, geralmente decorativo, para expor os crimes cometidos pelos militares de bem. Se o conceito teórico de “natureza-morta” nas artes inclui “elementos inanimados” e “objetos imóveis”, no trabalho de Fleming as composições se revelam como cadáveres humanos eletrocutados, alvejados, sufocados, baleados, enforcados. Tudo bem explícito para que as famílias burguesas pudessem emoldurar e pendurar na sala de jantar, enquanto se ocupam de nascer e morrer.

A morte é tema central de diversos trabalhos plásticos feitos nas décadas de 1960 e, especialmente, de 1970. Carlos Zilio, por exemplo, tem dois autorretratos simples mas com uma potência que dói. Em Autorretrato aos 26 anos, o artista desenha o que seria uma foto sua em 3×4, primeiro com o rosto encarando o observador, depois de perfil, ambas com um número de fichamento feito pela polícia. Abaixo dessas duas imagens, uma cela se abre para um rapaz sair. Sem camisa, ele revela no peito o único ponto de cor da obra: o coração vermelho. Na base do papel, as dez digitais de Zilio, registro mais puro de sua identidade.

Três anos depois, Carlos Zilio se retratou novamente. A simplicidade desta obra é inversamente proporcional ao impacto: sobre um papel branco, no centro, a palavra “auto-retrato” aparece grafada em tipografia maquinal, manchada com uma única gota de sangue. Não existe mais nada no trabalho, nenhuma figura humana, apenas o rastro de algo que não existe mais, apenas o vestígio de um destino violento, sequestrado. Quanto Zilio escreve “autorretrato” em sua obra, ele cria espaço que deveria ser habitado por um homem; a ausência de uma figura humana leva a questionamentos do que se sucedeu, e a resposta vem com sangue. A ausência é consequência da violência.

Em 1978, Paulo Brusky também se apropriou do gênero de autorretrato e fez sua própria versão: a composição inclui duas radiografias de crânio humano, feitas para reconhecimento da arcada dentária em cadáveres não identificados; abaixo das duas imagens, um retrato de rosto do artista coberto por uma tarja preta onde se lê “Protetor de identidade”. Em época de assassinatos, esconder-se não é covardia, é sobrevivência.

Impossível não mencionar Cildo Meireles e suas Inserções em Circuitos Ideológicos, uma série de intervenções urbanas com críticas explícitas à violência dos militares e à política econômica liberal colocada em prática. Se eu disse no início que, ao falar de ditadura, as primeiras imagens que me vêm à cabeça são dos artistas resistentes, talvez a segunda referência imagética que tenho do período militar é a do assassinato cruel do jornalista Vladimir Herzog. Lembro-me da primeira vez que vi a foto daquele suicídio encenado. Com dez anos de idade, eu já sabia que não era possível alguém se enforcar daquele jeito. No final da década de 1970, Cildo Meireles carimbou notas de dinheiro cobrando respostas e justiça para o jornalista. “Quem matou Herzog?” gritava nas cédulas que circulavam pelas cidades.

Precisaremos de muitos carimbos, pinturas, intervenções urbanas, graffiti, performances, happenings e todas as técnicas das artes plásticas para enfrentarmos e sobrevivermos ao período Bolsonaro. Precisamos delas como registro histórico e como formas de revolução. Obviamente que tentarão calar a todos, primeiro com o fechamento do Ministério da Cultura, depois com a criminalização de práticas artísticas, poéticas, obras etc. Nos últimos tempos já quiseram censurar as artes – lembrem-se do Queermuseu e da performance de Wagner Schwartz – mas elas resistiram e sempre resistirão.

A lista de artistas e trabalhos contestadores das práticas desumanas da ditadura civil-militar no Brasil é infinita e, com certeza, esse esforço aqui diz muito mais sobre meu esquecimento do que sobre minha lembrança. Peço desculpas desde já pela possível injustiça que cometi por der deixado de fora outros tantos nomes. De toda forma, o que trago é uma tentativa pequenina de contribuir com a restauração da força e da coragem da juventude para os próximos anos que virão, especialmente dos artistas, para que nunca aceitem se calar e que entendam que ser artista significa carregar consigo uma função social das mais importantes: a de transformação do nosso tempo e espaço em expressões que suscitarão a reflexão, o pensamento e a compreensão da nossa sócio-política.

Raisa Pina é jornalista e pesquisadora em artes, cultura e política, doutoranda em História da Arte pela Universidade de Brasília.

Publicado por Patricia Canetti às 3:46 PM