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Como atiçar a brasa

 


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novembro 25, 2019

Representantes de museus criam Frente pela Cultura para defender setor e atrair investimentos por Nelson Gobbi, O Globo

Representantes de museus criam Frente pela Cultura para defender setor e atrair investimentos

Matéria de Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 22 de novembro de 2019.

Proposta surgiu em reunião na casa de Fabio Szwarcwald, exonerado na última quinta da direção da EAV do Parque Lage

RIO — Uma reunião realizada na noite de quinta-feira, no apartamento do recém-exonerado diretor da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage,  Fabio Szwarcwald, no Leblon, definiu a criação da Frente pela Cultura, reunindo gestores de equipamentos, curadores, artistas, empresários e outros membros da sociedade civil.

Estavam presentes na reunião representantes do Museu de Arte do Rio (MAR), Museu de Arte Moderna (MAM), Museu Casa do Pontal, Museu do Amanhã, entre outras instituições. Um conselho, que deverá reunir, além de Szwarcwald, nomes como Evandro Salles, ex-diretor cultural do MAR , vai estabelecer diretrizes para a frente, que serão levadas ao poder público. A intenção é ampliar a articulação política, tanto com o poder público quanto com membros do legislativo, além de reforçar junto à população o valor da cultura e dos equipamentos.

— A proposta é definir estratégias para garantir o funcionamento destas instituições, desde buscar parcerias com a iniciativa privada até mostrar para a sociedade o quanto valem os museus e as coleções, quantos empregos geram e que retorno dão — diz Szwarcwald. — Além de sensibilizar os gestores públicos, queremos o apoio de vereadores, deputados, senadores. Vamos começar pelo Rio, que vem sofrendo com equipamentos fechados ou em risco de fechar, além da falta de investimentos em todos os níveis. Mas a ideia é criar um movimento nacional.

Desdobramentos : Após exoneração de diretor, Associação de Amigos da EAV deixa administração do Parque Lage

Para Evandro Salles, é fundamental unir diferentes pontos de vista em defesa da cultura, de artistas a empresários, passando por educadores e pensadores:

— É importante pensar a cultura e a arte como um projeto de muitas vozes, e não de uma instituição ou de um governo específico. E defender a cultura do Rio é defender a de todo o Brasil. Sem abraçar o setor não conseguiremos evoluir em nenhuma área, nem socialmente, nem na educação ou na economia.

Mesmo tendo como ponto de partida o setor de artes visuais, a proposta é abranger outras áreas, como cinema, música e teatro. Para Szwarcwald, é fundamental criar um clima de confiança nas gestões profissionais para atrair investimentos privados.

— A crise do setor não tem a ver com a qualidade do trabalho, muito pelo contrário. O MAR, a Casa do Pontal, a EAV, entre tantos outros, têm programas de excelência. Falta ao Estado reconhecer que a cultura é uma área prioritária, em que valha a pena investir — comenta. — Os recursos privados só virão se as empresas tiverem confiança no trabalho e na sua continuidade. E se estes espaços puderem cumprir livremente seu compromisso com o conhecimento e a diversidade.

Publicado por Patricia Canetti às 12:52 PM


Inspirado no Inhotim, centro cultural brota em antiga usina de açúcar em PE por Bruno Albertim, Folha de S. Paulo

Inspirado no Inhotim, centro cultural brota em antiga usina de açúcar em PE

Matéria de Bruno Albertim originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 22 de novembro de 2019.

Parque espalha obras de arte contemporânea em meio à paisagem canavieira da zona da mata

ÁGUA PRETA (PE) Protegido por um chapéu de palha, o cubano radicado em Madri Carlos Garaicoa examinava a paisagem entre montanhas sob o sol da zona da mata de Pernambuco.

Indicando onde deve ser erguida a instalação “Jardim Frágil”, parou à beira de um pequeno açude: “Aqui, o espelho d’água poderia ser visto através das paredes de vidro e integrado ao trabalho”.

Com obras espalhadas pelo mundo e incluído em listas de artistas contemporâneos mais influentes, Garaicoa passou a última semana no município pernambucano de Água Preta para planejar a instalação desta que deve ser a 21ª grande obra do parque artístico-botânico da usina Santa Terezinha.
 
Declaradamente inspirada no Inhotim, a antiga usina de açúcar, falida nos anos 1980, vai ressignificando a paisagem canavieira com arte contemporânea. A iniciativa é do casal de empresários Ricardo e Bruna Pessoa de Queiroz, herdeiros da propriedade. Há quatro anos, criaram a Usina de Arte.

“Quando conhecemos Inhotim, vimos que seria possível. Não sabíamos ainda como, mas resolvemos começar a implantar a ideia”, diz Ricardo. 

Há cerca de 6.000 pessoas vivendo nos entornos da Santa Terezinha. Desde a implantação do projeto, a comunidade criou seis pequenos restaurantes, serviços turísticos, uma pousada, uma associação com artesãos e ainda aluga casas durante o Festival Arte da Usina, realizado anualmente.

Uma das primeiras obras implantadas no parque, a Rádio Catimbó, de Paulo Meira, consiste numa instalação sonora e “viva”: é uma rádio comunitária montada numa antiga caldeira da usina.

“O parque botânico-artístico e o festival”, diz Bruna, “são apenas o lado mais evidente das ações de longo prazo”. Além de financiar residências de artistas e escritores, o projeto mantém uma biblioteca-escola centrada nas artes visuais e uma escola de música para os jovens da comunidade. Tudo é financiado com a venda de gado e de cana-de-açúcar, além do aporte de empresas.

No antigo hangar de aviões da usina, o artista paraibano José Rufino criou, há quatro anos, a primeira das mais de 20 obras. Batizado de “Scopolus”, o galpão foi convertido numa instalação com foices, estrovengas e outros instrumentos de trabalho dos antigos cortadores de cana. “A ideia é trazer a memória social por meio do trabalho”, diz Rufino.

Ao lado do artista Fábio Delduque, criador do festival paulista Arte na Serrinha, Rufino atua como curador da Usina de Arte. Numa área de cerca de 30 hectares, estão já instaladas obras de artistas como Paulo Bruscky, Marcelo Silveira, Frida Baranek, Joan Barrantes e Flávio Cerqueira.

No momento, a pernambucana Juliana Notari acompanha a execução de sua obra após uma residência de três meses. Intitulada “Diva”, consiste numa fenda de quase dez metros rasgando uma montanha numa alusão ao sexo feminino.

Ao contrário do Inhotim, a Usina de Arte não surgiu para abrigar grandes coleções previamente constituídas. “Felizmente, não temos um planejamento estático. As coisas vão acontecendo. Ou não teríamos feito metade do que fizemos”, afirma Ricardo. “Mas já temos necessidade de expandir. Há uma área maior que a atual sendo preparada.”

Carlos Garaicoa deve voltar no começo de 2020 para dar continuidade a “Jardim Frágil”. A obra traz elementos da poética recorrente do cubano —a reflexão sobre os hiatos e rupturas entre os projetos de modernidade e a falência na arquitetura das grandes cidades.

USINA DE ARTE
Onde Rod. PE 99, km 10, Água Preta, Pernambuco. Para visitar, entre em contato pelo site usinadearte.org

Publicado por Patricia Canetti às 12:46 PM


Após exoneração de diretor, Associação de Amigos da EAV deixa administração do Parque Lage por Nelson Gobbi, O Globo

Após exoneração de diretor, Associação de Amigos da EAV deixa administração do Parque Lage

Matéria de Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 22 de novembro de 2019.

Em nota, entidade afirma que Secretaria de Cultura não vem cumprindo 'com sua mínima obrigação contratual'. Estado não comenta

RIO — Em reunião na noite desta quinta-feira, após a publicação da exoneração de Fabio Szwarcwald da direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage , os integrantes do conselho da Ameav (Associação de Amigos da EAV) decidiram deixar a administração do equipamento.  Por contrato firmado com a secretaria estadual de Cultura, no ano passado, a associação ficou responsável pelas despesas de pessoal e atividades na escola, cabendo ao Estado cuidar da limpeza, jardinagem e segurança do local. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio (Secec) ainda não se pronunciou sobre o assunto.
 
Em nota emitida ontem, a Ameav detalhou as acusações de irregularidades contra a associação e o ex-diretor, ambos alvo de processo administrativo, após denúncias anônimas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O texto destaca que “diferentemente de outros equipamentos culturais do Estado, que se encontram notoriamente à míngua, graças à gestão da Ameav, a EAV tem hoje à sua disposição, em caixa, mais de R$ 1,2 milhão” e que a “secretaria de Cultura, por sua vez, não vem cumprindo regularmente com sua mínima obrigação contratual, qual seja, de prover a manutenção, segurança e limpeza do Parque Lage”.

O comunicado afirma que a pasta designa apenas dois vigilantes, no lugar dos 16 anteriores, e que foi preciso contratar funcionários autônomos para cuidar da limpeza. “Isso sim é uma irregularidade patente, que poderia dar ensejo a questionamentos quanto à probidade da gestão do senhor secretário de Cultura”. A nota também informa que uma assembleia dos associados será convocada para deliberar sobre a prestação de contas da atual gestão e a eleição de novos administradores para a Ameav.

— Queremos entregar a gestão com a prestação de contas finalizada e buscando a melhor solução para os funcionários — ressalta o advogado Marcelo Viveiros de Moura, presidente da associação. — Todas os integrantes do conselho são pessoas de reputação ilibada, que dedicavam seu tempo e esforços à Ameav por acreditarem no projeto. Foram feitas acusações gravíssimas, sem comprovação, e não queremos ter mais nossos nomes envolvidos neste tipo de situação.

Viveiros de Moura conta que chegou a falar com o secretário de Cultura, Ruan Lira, que discorda da forma como ele conduziu o processo que resultou na exoneração de Szwarcwald:

— Disse que ele tem todo o direito de ter na direção da EAV uma pessoa que seja de sua confiança, mas poderia ter agido de outra forma, sem atingir a reputação do Fabio e dos integrantes do conselho. Agora, a secretaria, que não estava cumprindo nem o mínimo acordado com a escola, terá que assumir a folha de 50 funcionários, a um custo de R$ 170 mil mensais. Espero apenas que a EAV não se transforme num novo Canecão.

Leia a nota da Ameav na íntegra

Tendo em vista as recentes notícias veiculadas pela imprensa sobre os motivos que levaram ao afastamento e posterior exoneração do diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV, Sr. Fabio Szwarcwald, pelo Sr. Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Ruan Lira, o Conselho e a Diretoria da AMEAV acharam por bem fazer publicar esta Nota de Esclarecimento ao público em geral em particular aos professores, estudantes, artistas, funcionários  e  todas as pessoas e instituições que doaram recursos ou de outra forma contribuíram para a AMEAV na nossa gestão.

1. - As supostas irregularidades que foram fruto de alegadas denúncias anônimas ao Tribunal de Contas do Estado, utilizadas como justificativa para o afastamento do Sr. Fabio Szwarcwald, referem-se, em quase sua totalidade, a atos de gestão de recursos da AMEAV, uma associação sem fins lucrativos de direito privado cuja totalidade das receitas é oriunda de doações e do aluguel de espaços no Parque Lage com o único fito de manter e desenvolver a EAV, a mais reconhecida escola de artes do Brasil, que formou alguns do nossos mais relevantes artistas contemporâneos.

2. – A AMEAV não recebe um centavo que seja de recursos públicos, sendo toda a sua receita advinda da captação de recursos junto a pessoas e entidades privadas. Não obstante, por gerir um espaço público com o fito de prestar um serviço de interesse público, qual seja, a manutenção e desenvolvimento no Parque Lage de uma escola de artes visuais, a AMEAV, no âmbito de seu Acordo de Cooperação com a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, mensalmente presta contas detalhadas de todas as suas receitas e de todos os seus gastos.

3. – A AMEAV, da mesma forma, como associação de direito privado que é não está sujeita em suas contratações às exigências impostas pela lei 8.666/93, que rege as licitações públicas, mas apenas, nos termos do Acordo de Cooperação firmado com a Secretaria de Cultura, a seguir os princípios constitucionais da imparcialidade, eficiência e economicidade, garantindo que está, sempre, fazendo o melhor uso dos recursos que dispõe com o único objetivo de manter e desenvolver a EAV como polo de cultura e das artes. E assim sempre foi feito.

4. –  As supostas irregularidades encontradas (e alegadamente denunciadas anonimamente) depois de quase três anos de gestão da AMEAV são as seguintes:

(i) A primeira refere-se ao pagamento de vale-transporte e vale-refeição aos funcionários da Secretaria de Cultura locados na EAV. De fato, fizemos isso. Os funcionários, a grande maioria de renda modesta, ficaram sem receber seus salários do Estado do Rio de Janeiro por quatro meses, como fartamente noticiado à época, devido à crise fiscal pela qual passava (e ainda passa!) o Estado. A gestão da AMEAV, num gesto de preservação da dignidade humana e com o objetivo único de permitir o funcionamento da EAV normalmente, forneceu durante esse período vale-transporte e vale-refeição a esses funcionários, para que pudessem permanecer trabalhando. Essa questão está totalmente superada, na medida em que, nos termos do Acordo de Cooperação, tais funcionários foram totalmente absorvidos pela AMEAV e hoje recebem seus salários absolutamente em dia.

(ii) Uma outra suposta irregularidade teria sido o fato de termos feito um adiantamento de salário a uma funcionária que precisava de recursos emergencialmente, pois o filho estava enfermo, internado em um hospital. De fato, adiantamos à nossa funcionária o valor de R$ 2.800,00, que foi descontado de seu salário e encontra-se totalmente quitado. Mais uma vez, trata-se de ato humanitário, de gestão de pessoal e que em nada fere os princípios acordados com a Secretaria de Cultura em nosso Acordo de Cooperação.

(iii) A terceira suposta irregularidade diz respeito à renovação da concessão do bistrot que funciona dentro do Parque Lage. O atual concessionário é o mesmo que já estava lá quando celebramos o Acordo de Cooperação com a Secretaria de Cultura e reclamava uma dívida de R$ 180 mil da gestora anterior, relativa ao período em que havia estado fechado durante as Olimpíadas, quando o Parque Lage foi cedido à delegação da Grã-Bretanha. Essa dívida, vale dizer, origina-se da falta de pagamento pela Secretaria de Cultura de suas obrigações contratuais para com a antiga gestora. Numa negociação árdua, conseguimos do concessionário o perdão da dívida da antiga gestora e o aumento do valor da concessão de R$ 18.000,00 para R$ 30.000,00. Apenas a título de comparação, o Jardim Botânico está fazendo uma chamada de preços para o seu bistrot que usa por referência o valor de R$ 12.500,00. Não há dúvidas de que foram atendidos os princípios da transparência, eficiência e economicidade na renovação desse contrato.

(iv) Há ainda uma discussão sobre a ausência de anuência da Secretaria de Cultura para o funcionamento de uma loja de souvenires dentro do espaço do Parque Lage. Em primeiro lugar, o Sr. Fabio Szwarcwald era o funcionário da Secretaria lotado na EAV e não só anuiu como foi um entusiasta do projeto e, portanto, não há que se falar em falta de anuência. Ademais, o Acordo de Cooperação firmado com a Secretaria de Cultura não requer anuência para qualquer utilização de espaço no Parque Lage, mas apenas que tal utilização tenha por fim gerar recursos para a manutenção e desenvolvimento da EAV, o que é rigorosamente o caso.

(v) Finalmente, há um incômodo com certos contratos pequenos, do dia-a-dia da escola, como para compra de material de papelaria, firmados sem licitação ou procedimento análogo à mesma. Naturalmente, desde que a contratação obedeça aos princípios constitucionais estabelecidos no Acordo de Cooperação, como dito acima, não há qualquer irregularidade em uma associação privada comprar seus insumos de dia-a-dia e selecionar e contratar seus fornecedores de serviços diretamente, já que exatamente não está sujeita às normas da Lei 8.666/93, nem mesmo por analogia, como quer a Secretaria.

5. – O fato é que, diferentemente de outros equipamentos culturais do Estado, que se encontram notoriamente à míngua, graças à gestão da AMEAV, a EAV tem hoje à sua disposição, em caixa, mais de R$ 1,2 milhão. Além de manutenção da escola, compra de equipamentos de última geração e material de ensino de primeira qualidade, esse caixa  vinha sendo utilizado em bolsas de estudo, exposições gratuitas, ciclos de palestras, visitas de escolas públicas às exposições, apresentações e tantas outras atividades que transformaram o Parque Lage em um dos espaços culturais mais vibrantes da Cidade. Apenas como exemplo, a exposição “Campo”, que apresentou trabalhos de ex-alunos consagrados da escola, recentemente encerrada, foi inteiramente patrocinada por um parceiro privado, sem qualquer custo para o erário e foi franqueada ao público gratuitamente. Foram mais de 40.000 visitantes à essa exposição, inclusive diversas excursões de escolas públicas. 

6. – Quando assumimos a AMEAV, em plena crise fiscal do Estado do Rio de Janeiro, o Parque Lage ameaçava tornar-se a “cracolândia” mais bonita do Brasil, um novo Canecão. Hoje, as cavalariças estão reformadas e recebendo exposições de relevância internacional, temos um projeto pronto e aprovado de restauro do casarão e mais de R$ 1,2 milhão em caixa. É essa a gestão que está sendo questionada!

7. – A Secretaria de Cultura, por sua vez, não vem cumprindo regularmente com sua mínima obrigação contratual, qual seja, de prover a manutenção, segurança e limpeza do Parque Lage. Hoje, para toda a área do Parque Lage temos apenas dois vigilantes (eram 16!) e não fossem funcionários autônomos contratados pela AMEAV, não teríamos mais serviços de limpeza. Isso sim é uma irregularidade patente, que poderia dar ensejo a questionamentos quanto à probidade da gestão do senhor Secretário de Cultura.

8. – O Conselho e a Diretoria da AMEAV são formados por pessoas de indiscutível sucesso profissional em suas áreas de atuação e reputação absolutamente irrepreensível. São cariocas que, por puro diletantismo,  dedicaram seu pouco tempo disponível para fazer com que um lugar tão icônico do Rio de Janeiro continuasse a formar os melhores artistas contemporâneos do Brasil e a ser um polo vibrante de cultura e de arte. Deveriam ganhar uma medalha por isso e não terem seu nome associado a supostas irregularidades, que não existem.

9. - O ataque público a reputações por questões políticas é um subterfúgio baixo. Se o Sr. Secretário quer assumir a gestão do Parque Lage (e, com  isso, o caixa da AMEAV) que  o faça, mas não dessa maneira.

10. – Nesse contexto, é com pesar que comunicamos aos artistas, professores, estudantes, doadores, funcionários e ao público em geral que iremos convocar uma assembleia dos associados da AMEAV para deliberar sobre: (i) a prestação de contas da atual gestão; e (ii) a eleição de novos administradores para a AMEAV.

Rio de Janeiro, 21 de Novembro de 2019

Conselho:
Marcelo Viveiros de Moura
Nelson Eizirik
Eugenio Pacelli Pires dos Santos
Gustavo Martins de Almeida
Alvaro Piquet Pessoa
George Kornis

Diretoria:
Marcelo Viveiros de Moura
George Kornis

Publicado por Patricia Canetti às 12:38 PM


Fabio Szwarcwald é exonerado da direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage por Jan Niklas e Nelson Gobbi, O Globo

Fabio Szwarcwald é exonerado da direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage

Matéria de Jan Niklas e Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 21 de novembro de 2019.

Diretor diz que recebeu com surpresa decisão; Associação de Amigos da EAV vai definir se mantém parceria com o Estado

RIO — O diretor da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, Fabio Szwarcwald, foi exonerado do cargo nesta quinta-feira. Ele estava suspenso de forma preventiva desde o fim de outubro, para que fossem apuradas supostas irregularidades em sua gestão . A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro .
 
O agora ex-diretor da EAV diz ter recebido com surpresa a notícia da exoneração. Ele foi notificado na segunda-feira por uma funcionária do RH da secretaria de Cultura e Economia Criativa do estado do Rio (Secec) e não ouviu qualquer explicação sobre a decisão por parte da pasta.

— Não vou recorrer. Eu não trabalho mais com esse secretário de Cultura (Ruan Lira) — afirmou Szwarcwald — Quando fui afastado, eu me reuni com ele e apresentamos todas as explicações sobre as denúncias. Mesmo assim ele tomou essa decisão sem motivo nenhum, de forma esdrúxula.

O afastamento havia sido decretado pelo secretário, Ruan Lira, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) encaminhar à pasta cinco denúncias anônimas feitas contra a gestão de Szwarcwald.

O ex-diretor disse que todas as questões levantadas pelo TCE eram relacionadas à Ameav (Associação de Amigos da EAV), responsável pela gestão do espaço. Ele deveria responder apenas pela alegação de duplicidade no ressarcimento de uma nota de passagem aérea, que ele teria se prontificado a devolver quando soube do equívoco.

Em nota, a Secec diz que concluiu que “não houve má-fé por parte do servidor”, e pediu a devolução da verba recebida em duplicidade. O texto, no entanto, informa que Lira decidiu pela exoneração por entender que a por sua exoneração por entender “que a relação de parceria e comunicação entre o servidor e a Secec tornou-se irremediável e sem sintonia, no momento em que a direção da EAV do Parque Lage é um cargo de confiança”. No comunicado, a Secretaria indica que “as atividades atuais do Parque Lage e da Escola de Artes Visuais serão mantidas” e que “não há, por hora, a necessidade de nomeação de um novo diretor”.

Projeto prejudicado

Szwarcwald afirmou que seus advogados não tiveram acesso aos autos do processo, mesmo entrando com vários pedidos.

— Nem na época da ditadura aconteceu isso — acusa o ex-diretor.

Entre as possíveis irregularidades que deveriam ser apuradas estavam a falta de licitação para renovação do contrato do bistrô que atende o local; o pagamento de vale-transporte e tíquete-refeição a funcionários do estado que estavam com salários atrasados; e empréstimo a um funcionário, que também estava com salário atrasado.

Ele afirmou ainda que o projeto para reformar o palacete, que estava tocando, agora será paralisado. Szwarcwald disse que já havia avançado em negociações para conseguir recursos via Lei Rouanet e com o Iphan para as obras que se iniciariam no ano que vem, quando a escola completará cem anos.

— Vários patrocinadores já me ligaram dizendo que não vão renovar com a escola após essa decisão acontecer dessa forma — afirmou.

Há duas semanas, artistas fizeram um manifesto a favor da gestão da Ameav e pela permanência do diretor da escola. Um dos signatários do abaixo-assinado, Vik Muniz diz que a preocupação vai além da defesa de uma determinada gestão ou do que a classe deseja para o espaço.

— É um absurdo que a exoneração seja decidida sem qualquer indício de irregularidade, só por motivação política e ideológica. Na época da montagem da "Queermuseu", disse ao Fábio que tinha medo da repercussão, porque grupos políticos conservadores sempre tentam usar a polêmica contra o que condenam — comenta Vik, sobre a coletiva censurada em 2017 no Sul e remontada na EAV no ano passado. — Somente quando for divulgado o nome do novo diretor é que vamos saber as verdadeiras intenções por trás desta exoneração.

A Ameav, que até o momento não se manifestou sobre a exoneração de Szwarcwald, terá uma reunião hoje para decidir se mantém ou rescinde o contrato firmado com a Secretaria, durante a gestão anterior, na qual a Associação assumiria toda a folha de pagamento, ficando o Estado responsável apenas pelas despesas com limpeza, jardinagem e segunrança. Um dos imbróglios envolvendo o contrato é o destino do R$ 1,2 milhão que a escola tem em caixa hoje, proveniente de doações e campanhas realizadas recentemente. Em caso de rescisão de contrato, este valor iria para a Secretaria.

Outra questão é o destino dos funcionários e professores, já que todos são contratados pela Ameav, sem vínculo com o Estado. Há a preocupação por parte do corpo docente que todos possam ser dispensados com as mudanças na instituição.

— Desde que foi criada Rubens Gerchman, há 45 anos, a escola mantém essa dinâmica, em que os professores são pagos proporcionalmente pelo número de mensalidades dos seus cursos. Só assim a EAV consegue ter artistas, críticos e curadores atuantres no mercado como professores — observa Suzana Queiroga, que dá aulas na EAV desde 1985. — Tudo aconteceu sem nenhum comunicado aos professores, da mesma forma que não conseguimos nos reunir com ninguém da Secretaria. O que está acontecendo agora vai além da administração do Fábio, o modelo de ensino consagrado pela EAV pode ruir.

A partir do afastamento do ex-diretor, uma equipe da Secretaria vem acompanhando todo o trabalho da área administrativa da EAV em tempo integral. Uma fonte da escola, que não quis se identificar, disse que o clima é de "intervenção e caça às bruxas" e que os funcionários estariam "constrangidos e com medo".

Szwarcwald estava à frente da EAV desde março de 2017. Em julho de 2018, ele chegou a ser exonerado pelo então secretário estadual de Cultura, Leandro Monteiro, que apontou como motivação discordâncias administrativas e seu perfil alinhado mais à iniciativa privada do que à gestão de equipamentos públicos. Monteiro, no entanto, voltou atrás  no dia seguinte.

Leia a nota da Secec na íntegra:

O servidor Fábio Szwarcwald,  afastado até então da direção do Parque Lage, foi exonerado após conclusão da comissão do processo administrativo, onde foi constatado que não houve má-fé por parte do servidor, mas a decisão conclui pela devolução à SECEC da verba recebida em duplicidade.

Com sua exoneração, e conclusão da comissão, seu processo é finalizado. Também, os demais objetos de verificação da apuração se dão por finalizados,  já que um novo processo se encontra em andamento sobre as prestações de contas da AMEAV — atual parceira da EAV.

O Secretário de Estado de Cultura e Economia, Ruan Lira, decidiu por sua exoneração por entender que a relação de parceria e comunicação entre o servidor e a SECEC tornou-se irremediável e sem sintonia, no momento em que a direção da EAV do Parque Lage é um cargo de confiança.

As atividades atuais do Parque Lage e da Escola de Artes Visuais serão mantidas. Desde o afastamento, uma equipe robusta da Secretaria está à frente da gestão do Parque Lage e não há, por ora, a necessidade de nomeação de um novo diretor.

Ruan deseja sorte e faz questão de agradecer pelo ótimo trabalho desempenhado por Fábio ao longo desse tempo à frente do equipamento.

Publicado por Patricia Canetti às 12:31 PM


novembro 14, 2019

Masp e Pinacoteca recebem prêmio de R$ 1 mi da casa de leilões Sotheby's, Folha de S. Paulo

Masp e Pinacoteca recebem prêmio de R$ 1 mi da casa de leilões Sotheby's

Matéria originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 8 de novembro de 2019.

Premiação apoia trabalho de instituições que exploram áreas negligenciadas ou pouco representadas da história da arte

O júri da premiação Sotheby's 2019 escolheu duas iniciativas brasileiras para receber o prêmio de US$ 250 mil (R$ 1,03 milhão).

Um deles é o projeto OPY,—iniciativa da Pinacoteca, da Casa do Povo e do centro cultural Kalipety—, exposição que investiga a cultura indígena no Brasil, prevista para julho de 2020. O projeto pretende destacar a ausência de arte indígena em coleções de museus e abordar questões de preservação.

O Masp (Museu de Arte de São Paulo) compartilha o prêmio. A iniciativa premiada é uma exposição, prevista para outubro de 2021, que apresentará arte e cultura visual de histórias indígenas do mundo inteiro, do século 16 ao 21. O projeto tem entre os curadores Lilia Moritz Schwarcz e pesquisadores da Austrália e Nova Zelândia. 
 
O prêmio tem o objetivo de apoiar o trabalho de instituições que exploraram áreas negligenciadas ou pouco representadas da história da arte.

Publicado por Patricia Canetti às 4:16 PM