Página inicial

Como atiçar a brasa

 


fevereiro 2010
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28            
Pesquise em
Como atiçar a brasa:

Arquivos:
As últimas:
 

fevereiro 9, 2010

Celebração ao visível por Carolina Santos, diariodepernambuco.com.br

Matéria de Carolina Santos originalmente publicada no diariodepernambuco.com.br, em 09 de fevereiro de 2010


Jeims Duarte é um artista que trabalha rápido. Em menos de 15 dias ele fez os desenhos e as instalações que compõem sua nova exposição, Crux. São trabalhos que continuam a explorar o tema urbano que marca a carreira desse artista paraibano de 34 anos. Em Crux, a urbanidade está mais presente que nunca: desenhos realistas de postes, fios, instalações de tapumes de construção.

Desenhos e instalações reunidos em Crux, nova coleção de Jeims Duarte, estão em exibição no Mamam no Pátio. Foto: Cecilia de Sa Pereira/DP/D.A Press
"A exposição é uma homenagem ao que eu vejo. Por mais banal, mais rotineiro que seja. É um reconhecimento da estima que tenho pelo que vejo no dia a dia. Uma celebração ao visível", conceitua o artista. A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h às 19h; e nos sábados, das 9h às 15h, no Mamam no Pátio (Pátio de São Pedro, casa 17). Nesta semana, devido ao carnaval, só funciona até a quinta-feira e reabre na quinta seguinte.

O artista foi convidado em janeiro para montar a exposição, a primeira do ano no espaço. "A partir dali comecei a pensar no tema que eu iria trabalhar. Ea imagem de um poste não saía da minha cabeça. Um objeto tão banal, mas que eu me reconhecia nele", explica o artista. Nas paredes do Mamam no Pátio, Jeims usou corretivo, grafite, tinta, caneta e outros materiais para desenhar três postes. O primeiro, com uma base com patas, mãos e garras; o segundo, com raízes e o terceiro com tudo que faz parte de um poste jogado na base, ficando erguida apenas uma cruz. "Mas não a cruz como símbolo e sim como forma. Somente uma horizontal e uma vertical. Livre de todos os excessos", explica. A construção dos desenhos não foi programada. "Vou desenhando direto na parede. Tenho apenas uma ideia vaga do que vou fazer", diz. Um esboço de um poste, há muito guardado numa gaveta, foi emoldurado e divide a outra parede com mais três desenhos de postes. "Quis valorizar esse esboço. É como uma lembrança de que o tema estava já presente há algum tempo", afirma.

Projetos - A exposição de Jeims Duarte marca o início de uma nova dinâmica do Mamam no Pátio. "O espaço nasceu para valorizar as residências artísticas e as performances. Mas a partir deste ano vamos também abrigar a produção local", afirma Cristiane Mabel, coordenadora do local. Para este ano serão selecionados três artistas para expor e duas performances. "O processo de escolha será simplificado, através de uma análise do portfólio dos artistas", explica Mabel. O programa de residência também sofreu alterações. Dois artistas pernambucanos vão ser escolhidos para passar dois meses no Centro Dr. José Lourenço, de Fortaleza, ou na Usina Cultural Energiza, de João Pessoa. Um processo de intercâmbio que também vai trazer artistas dessas duas capitais para o Recife. O processo de seleção dos artistas deverá ser aberto após o carnaval.

Publicado por Marília Sales às 2:42 PM | Comentários(0)


Exposição "Gordon Matta-Clark: desfazer o espaço" por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 05 de fevereiro de 2010

Confira a entrevista com as curadoras Tatiana Cuevas e Gabriela Rangel. Mostra entra em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo a partir de 12 de fevereiro


Em que medida, ao intervir em espaços urbanos abandonados e em edifícios com identidades históricas e culturais bem definidas (como os edifícios parisienses da área do Plateau Beaubourg) a atuação de Gordon Matta-Clark é também sobre a história, ou sobre os critérios de formação da história?

Os edifícios que tiveram intervenção de Matta-Clark não tinham identidades históricas ou culturais definidas, pois eram ruínas urbanas (ou suburbanas, no caso de “Splitting” ou “Bingo”), sem atributos nem valor estético. Daí a importância de seu gesto alegórico efetuado em lugares destinados, por sua função e história, à desaparição. Por outro lado, esse gesto desmantela as noções do que se considera e se valida como histórico e a idéia de monumento. Por isso, Matta-Clark nunca considerou intervir em um edifício de Le Corbusier ou Mies van der Rohe, mas sim mostrar as camadas invisíveis de formação histórica a partir de espaços anônimos, fantasmáticos e sem memória. Um excessão foi, sem dúvida, o Muro de Berlin, onde o artista realizou uma performance, na medida em que não pode intervir na estrutura, por razões óbivas; ou “Window Blow Out”, onde literalmente atentou contra o establishment da arquitetura ao disparar contra os vidros das janelas da sede do Instituto de Arquitetura e Estudos Urbanos de Nova York. Foram trabalhos mais explicitamente políticos e, não raro, relaizados no mesmo ano de 1976.

Matta-Clark já teve suas intervenções urbanas e arquitetônicas comparadas à land art e ao dada (a influência pode ter surgido depois dele ter trabalhado como assistente de Jan Dibbets, Hans Haacke, Dennis Oppenheim, Robert Smithson, entre outros, na montagem da exposição “Earth art”, em 1969). Mas é possível pensar sua obra hoje dentro do escopo da ecologia e de causas pro-sustentabilidade?

Comparar a obra de Matta-Clark com a land art oferece um marco conceitual impreciso e confuso, pois a problemática de suas intervenções alegóricas sobre edifícios se inscreve exclusivamente ao tecido urbano (ou suburbano, no caso de Humphrey St, New Jersey e Niagara Falls) e às interações sociais que ocorrem nele. A land art, ao contrario, concentrou seus esforços em ampliar a idéia de escultura inscrevendo-a na paisagem natural, mesmo que Robert Smithson tenha notavelmente estabelecido uma importante distinção teórica entre o site e o non-site, permitindo-o fundamentar a operação de deslocamento de elementos naturais à galeria de arte ou ao museu. Esse talvez seja um elemento que une a obra de Smithson à de Matta-Clark: o deslocamento de suas extrações arquitetônicas do edifício em ruínas ao museu ou galeria de arte.

Por outro lado, as preocupações de Matta-Clark sempre apontarm para uma busca de soluções auto-sustentáveis, desde “Garbage wall”, obra feita de resíduos e dejetos, até o projeto inacabado de “Loisaida”, com o qual ele obteve a bolsa Guggenheim e que propunha o treinamento de jovens de baixos recursos de Nova York em ofícios de alvenaria e tarefas de construção, o que permitia-os fabricar suas próprias vivendas ou melhorar suas condições de vida. A consciência ecológica também pode ser encontrada em seus escritos e em suas preocupações alquímicas (“Agar-Agar”, “Glass Brick”, “Lead pieces”) ou sobre a reciclagem (“Winter garden: mushroom and wastebottle recycloning cellar”), correspondentes ao período (em que viveu em) 112 Greene St, assim como durante a gestão das idéias sobre “anarquitectura”.

Um “Garbage wall” foi exposto na 27ª Bienal de São Paulo. Mas que intenção Matta-Clark tinha com esse projeto, ou com outros como as “Basket houses”: eram objetos escultóricos para ser exibidos em espaços expositivos ou eram projetos anti-institucionais, concebidos para terem aplicação prática em contextos urbanos dos Estados Unidos ou de outros países?

“Garbage wall” é um trabalho que recupera a idéia de reciclagem e pode ser realizado em qualquer lugar, seguindo as especificações do artista. “Basket houses”, ao contrario, foi um projeto utópico, ou seja, um projeto sem lugar, não realizado e, portanto, é difícil considerá-lo nesses termos.

A exposição vai trazer à tona a dimensão teórica de Matta-Clark, exibindo meditações filosóficas do artista?

Uma parte importante do trabalho de Matta-Clark é sua relação com a escritura, equiparável de alguma forma àquela que Helio Oiticica teve com a escritura (mesmo que menos desenvolvida no caso de Matta-Clark). Não é coincidência o artista ter estudado literatura na França nos anos 60, durante um Período fundamental para sua formação. Nesse sentido, a influencia do conceitualismo surgido nos anos 60 é considerável na recuperação da escritura como instrumento de inscrição e ao mesmo tempo como vetor lingüístico.

Mesmo que Matta-Clark não tenha deixado escritos teóricos extensos, sua escritura fragmentária, quase aforística, anotada em cartões e cadernos, e suas meditações sobre os projetos que ia desenvolvendo, dão conta de sua importância na consolidação de uma poética própria. Por outro lado, os títulos irônicos que dava aos seus trabalhos (às vezes vários para uma só obra) evidenciam o peso da escritura.

E como será explorada na exposição a dimensão coletiva de seu trabalho, promovida, entre outros momentos, no restaurante “Food”, que ele abriu com amigos, em 1971, no SoHo novaiorquino e era considerado um trabalho artístico?

“Food” será apresentado dentro do contexto das investigações alquímicas de Matta-Clark. A dimensão coletiva desse projeto será mostrada através de vídeos, fotografias e documentação disponível sobre o restaurante, que serão dispostos em ordem cronológica, em relação a obras performáticas como “Tree dance”, “Open house” e “Fresh air cart”, ou mesmo à série de fotografias de “Anarquitetura”, que foram feitas coletivamente por Matta-Clark e um grupo de amigos, colocando em questão a idéia de autor. Nesse sentido, “Anarquitetura” é um conceito que Matta-Clark foi desenvolvendo através de um conjunto de opiniões residualmente formadas por um coletivo – o mesmo que colaborou em “Food” e que foi se desmembrando à medida em que o artista começou a fazer intervenções em edifícios.

Publicado por Marília Sales às 2:20 PM | Comentários(0)


fevereiro 8, 2010

Visões de um anarquiteto por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 05 de fevereiro de 2010

Primeira retrospectiva de Gordon Matta-Clark na América do Sul revela uma obra com consciência ecológica e soluções autossustentáveis

Quando Nova York vivia seu boom imobiliário e financeiro, fruto do crescimento econômico que consolidou os Estados Unidos como potência mundial, Gordon Matta-Clark (1943-1978) formava-se em arquitetura. Naquele final de década de 60, no entanto, o jovem arquiteto interessava-se menos por torres que escalavam os céus do que por estruturas abandonadas da periferia e por sistemas subterrâneos da cidade. Em vez de construir, seu projeto era “cortar” edifícios, ou “desfazer espaços”, como diz o título de sua exposição retrospectiva itinerante, que chega a São Paulo depois de passar por Santiago do Chile e antes de seguir para Lima. Matta-Clark interessava-se pela situação paradoxal de um contexto urbano em que conviviam modernização e abandono. Em 1971, quando Wall Street investia na construção das torres gêmeas do World Trade Center para estimular o crescimento econômico do sul da ilha, Matta-Clark documentava a miséria das pessoas que viviam na região, no filme “Fire Child”. Foi quando começou seus projetos de perfurações de edifícios condenados ao desaparecimento e a gestar suas ideias de “anarquitetura”. “Como estes edifícios existiam fora da sociedade e não se inseriam dentro dos objetivos de proteção da propriedade, estavam aí para quem quisesse. Os cães selvagens, os drogados e eu utilizamos estes espaços para resolver algum problema vital; no meu caso, a falta de um lugar de trabalho socialmente aceitável”, declarou o artista em entrevista, em 1977.

Seus primeiros cortes foram subversivos, já que não conseguia permissão oficial para projetos de intervenção urbana. Mas o artista não tardou a ter o trabalho reconhecido pelo sistema de arte internacional. Em 1975, ele foi convidado pela Bienal de Paris a cortar dois edifícios do século 17, que seriam demolidos na área do Plateau Beaubourg, próximo ao novo edifício do Centro Pompidou – que, por sinal, foi construído debaixo de muita polêmica. Hoje, as imagens documentais de “Conical Intersect” integram o acervo do museu francês, constituindo uma espécie de memória de sua pré-história. Para combater a monumentalidade da arquitetura moderna, Matta-Clark inventou o conceito do “no nument” (algo como não monumento). “As preocupações de Matta- Clark sempre apontaram para uma busca de soluções autossustentáveis, desde ‘Garbage Wall’, feita de resíduos e dejetos, até o projeto não concluído em que propunha o treinamento de jovens de baixos recursos de Nova York em ofícios de alvenaria e construção”, afirmam por e-mail as curadoras Tatiana Cuevas e Gabriela Rangel.

Em vez de aderir a programas oficiais de renovação – que previam a demolição de áreas históricas deterioradas –, o artista tinha ideias para melhorar a qualidade de vida de populações excluídas dos planos especulativos de Wall Street. Entre essas populações, incluíam-se também povos do Equador, Chile, Peru, Haiti, México e Guatemala. Filho do artista surrealista Roberto Matta, de origem chilena e residente nos EUA e na Europa, Gordon Matta-Clark conhecera o Chile ainda menino.

Publicado por Marília Sales às 4:01 PM | Comentários(0)


Catálogo apresenta todas as instalações de Waltercio Caldas por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fábio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 6 de fevereiro de 2010

Livro sobre exibição no Museu Vale, em Vila Velha (ES), organiza obras do artista compondo uma nova exposição

Catálogos de exposição costumam restringir-se apenas às obras expostas ou, no máximo, a usar outras obras como referência. Mas "Salas e Abismo" é muito mais que um catálogo normal. O livro será lançado até o fim deste mês, por ocasião da mostra de Waltercio Caldas, com o mesmo nome da publicação, no Museu Vale, em Vila Velha, no Espírito Santo.

Além de imagens das nove instalações de Caldas no museu, o catálogo apresenta todas as instalações já realizadas pelo artista, num total de 25, em importantes mostras, como a Bienal de Veneza e a Documenta de Kassel (Alemanha).

Algumas delas são inéditas no Brasil, como "Quarteto Amarelo" e "Quarteto Azul", ambas de 1999, expostas no Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela (Espanha). O livro traz ainda três textos críticos: de Paulo Venâncio Filho, curador da mostra em Vila Velha, Paulo Sérgio Duarte e Sonia Salzstein.

Caldas, num dos típicos procedimentos da arte contemporânea, costuma realizar um intenso diálogo com a história da arte, sem, contudo, gerar uma mera ilustração dessa temática.

É assim, por exemplo, que ocorre com "Maçãs Falsas" (2008), exposta na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, na qual maçãs são dispostas em mesas com vidros entre elas, multiplicando suas imagens, num debate sobre a natureza-morta como gênero da pintura.

Já na série "Veneza", exposta na Bienal de Veneza de 1997, as referências se tornam mais explícitas. Em fios metálicos, que criam formas como vasos e copos, Caldas cola pequenos apêndices com nomes de artistas como Picasso, Renoir, Duchamp e Bosch. Em seu texto, Salzstein detém-se na análise dessa mescla entre palavra e imagem: "Esse trânsito desimpedido entre "ler" e "ver", que faz pensar na provável afinidade do artista com a tradição das correspondências sinestésicas da poesia simbolista e com os jogos entre signos gráficos e visuais tão ao gosto de Mallarmé, por certo influi no modo peculiar como "bidimensionalidade" e "tridimensionalidade" se comutam livremente em seu trabalho."

Nesse trecho, pode-se perceber uma das questões centrais na obra de Caldas, que é a discussão sobre representação, muitas vezes criando, com suas instalações, simples desenhos no espaço, como ocorre em "Próximos", de 2005. No livro, as obras não seguem uma ordem cronológica, mas foram organizadas a criar uma sequência que aproxima a publicação de uma nova exposição. Catálogos assim deveriam se tornar mais comuns.

Publicado por Marília Sales às 3:40 PM | Comentários(0)


Brinquedo simula mercado de arte por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 7 de fevereiro de 2010.

Galeristas ficam por último e curadora vence partida do jogo de tabuleiro que simula vendas de obras em leilões e galerias

"O jogo inteiro é baseado em sorte, não na inteligência", avalia Márcia Fortes, da Fortes Vilaça, que jogou Mercado de Arte a convite da Folha

Numa tarde ensolarada, dois curadores, duas galeristas e dois artistas se juntaram numa briga para ver quem sai ganhando no mercado de arte.

Encarnando peões coloridos num tabuleiro, onde lances de dados decidem os rumos, Márcia Fortes, sócia da Fortes Vilaça; Eliana Finkelstein, dona da galeria Vermelho; Felipe Chaimovich, curador do Museu de Arte Moderna; Fernanda Lopes, do Centro Cultural São Paulo; e os artistas Claudio Bueno e Gui Mohallem simularam a luta a convite da Folha.

Jogaram uma partida do recém-lançado Mercado de Arte, brinquedo que tenta imitar os mandos e desmandos do dinheiro sobre a criação artística.

Isso tudo numa escala reduzida, é claro. Não tem obras de Cildo Meireles, Beatriz Milhazes ou Nuno Ramos. Não tem Sotheby's ou Christie's. Muito menos o Masp ou a Pinacoteca. O jogo se ancora na figura de uma única -e quase desconhecida- artista chamada Sônia Menna Barreto, suas obras de arte e até sua produção de xícaras, pôsteres e objetos afins.

Preside sobre a sorte dos jogadores a ira ou a benevolência do banco Menna Barreto, que distribui dinheiro, determina o valor das obras e aplica multas aos que blefam nos leilões.
"Esse banco é terrível", exclama Felipe Chaimovich, a certa altura do jogo, vítima de um desfalque financeiro. Passado um tempo, já detentor de uma loja de xícaras e da tela "Cinderela", ele controla a grana: "É verdinho em cima de verdinho, é assim que se faz".

No placar final, o curador do MAM não foi bem. Escolhas duvidosas acabaram deixando Chaimovich com um patrimônio tímido e pouco dinheiro no banco, mas ainda bem à frente de sua rival Márcia Fortes.
Na vida real, ela é sócia da galeria mais poderosa do país e representa os reais e muito conhecidos Nuno Ramos, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão, para citar alguns. No jogo, Fortes não comprou quase nada, rejeitou boa parte das obras, que achou de "estilo duvidoso", e incitou a concorrência entre os outros participantes.

"Esse jogo só vai prestar para a reavaliação de rumos", desabafa ela, em tom jocoso. "Quer um emprego como diretor de galeria de arte? Tem várias viagens internacionais, champanhe", oferece aos adversários.
Nesse momento, disputava com o artista Gui Mohallem uma tela que estava nas mãos de Eliana Finkelstein. Mohallem, jovem artista na vida real, dominava o jogo, com o maior volume de obras e dinheiro em caixa. Finkelstein, também não muito capitalizada na ficção, esperava aumentar as ofertas para decidir o destino da obra.

"A gente não pode fazer um "deal'? Você me dá sua obra e eu dou a minha, um "business'", pedia Finkelstein. "O negócio é esperar a hora em que o cara está mal de grana para comprar o que você quer", ensina.

"A Eliana está se revelando uma loba", disse Fortes, depois de perder a longa disputa. "Não é à toa que faço análise."

Artistas e banqueiros
Mas os conselhos do terapeuta não evitaram que a marchand bem-sucedida terminasse o jogo em penúltimo lugar. "O jogo inteiro é baseado em sorte, não na inteligência", avalia. "Eu sempre disse que tinha que sair desse negócio."

No fim das contas, Mohallem, artista, terminou em segundo lugar, atrás de Fernanda Lopes, curadora do CCSP. Se a ficção imita a realidade, faz sentido, já que o poder dos curadores, acima de galeristas e artistas, está mais do que consolidado no circuito global.

Não é nem preciso lembrar que Hans Ulrich Obrist, curador da Serpentine Gallery, em Londres, foi eleito número um da lista das cem pessoas mais influentes no mundo das artes plásticas pela revista "Art Review". Lopes tem menos fama, mas arrasou no tabuleiro.

Em sintonia com artistas de sua geração, acostumados com um mercado vigoroso e valores avantajados, Mohallem chegou ao fim da disputa com uma fortuna em mãos. "Quando quero falar de arte, eu ligo para um banqueiro", resume Fortes. "Quando quero falar de dinheiro, ligo para um artista."

Publicado por Marília Sales às 3:33 PM | Comentários(0)