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fevereiro 2, 2012

Exposição "Instável" no Paço das Artes em SP, Metrópolis

Exposição "Instável" no Paço das Artes em SP

Matéria originalmente publicada na seção do programa Metrópolis da TV Uol em 31 de janeiro de 2012.

Publicado por Cecília Bedê às 3:41 PM | Comentários(0)


Museu de Arte Contemporânea é reaberto no parque do Ibirapuera por Augusto Gomes, portal iG São Paulo

Museu de Arte Contemporânea é reaberto no parque do Ibirapuera

Matéria de Augusto Gomes originalmente publicada no caderno de cultura do portal IG São Paulo em 28 de janeiro de 2012.

Térreo do antigo Detran recebe exposição com 18 esculturas; até outubro, restante do prédio será ocupado

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC) inaugura neste sábado (dia 28) sua nova sede. O edifício fica em frente ao parque do Ibirapuera e, até 2009, era ocupado pelo Departamento de Trânsito do Estado (Detran).

Por enquanto, apenas o piso térreo estará aberto à visitação. O espaço receberá a exposição "O Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia", que reúne 18 esculturas produzidas entre 1947 e 1997.

Ao longo do ano, o restante do edifício será ocupado. "Devemos inaugurar mais três mostras no final de abril ou começo de maio. Depois, mais três em julho, duas em agosto e duas em outubro", explica ao iG o diretor do MAC, Tadeu Chiarelli.

Até então, o museu se dividia em duas sedes: um espaço no terceiro andar do prédio da Bienal, no parque do Ibirapuera, e um edifício no campus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã.

Segundo Chiarelli, a área no prédio da Bienal será desocupada. "Esperamos transferir algumas das obras para a USP e para cá até o final desse ano ou começo do ano que vem", diz.

A área será então devolvido à Prefeitura de São Paulo, que é a proprietária do prédio e cede o espaço ao MAC e à Fundação Bienal. "Acredito que a Bienal ocupe aquele espaço", afirma Chiarelli.

Depois, será a vez de a sede na USP passar por uma reforma, prevista para 2013 ou 2014. "O MAC é um museu universitário. Ou seja, os curadores são docentes também. Por isso, estamos chamando o prédio da USP de MAC acadêmico", explica.

"Na Cidade Universitária ficarão arquivo, biblioteca e salas de aula para as atividades acadêmicas", diz. "Aqui no Ibirapuera vamos concentrar acervo, exposições, debates, os cursos voltados para a população mais ampla."

Segundo o governo de São Paulo, a reforma do prédio custou R$ 76 milhões. O custo foi bancado pela Secretaria de Estado da Cultura. Mas, a partir da inauguração, a responsabilidade ficará a cargo da Universidade de São Paulo.

Por ser a primeira mostra da nova sede, "O Tridimensional no Acervo do MAC" funciona como uma introdução ao acervo do museu. "Nós temos uma coleção importante de arte moderna, mas somos um museu de arte contemporânea", ressalta.

"Existe um preconceito em relação à arte contemporânea. Esse discurso de 'isso eu não entendo'", afirma. "Então a ideia é fazer uma exposição em que as questões que definem arte contemporânea sejam apresentadas por meio de poucas obras."

"Não queremos que o museu seja simplesmente um espaço de lazer. Essa exposição não é qualquer exposição", diz. "Ela tem uma lógica interna, que tentamos traduzir de uma maneira que as pessoas possam entender."

"Agora, o exercício de compreensão da arte é também um esforço do espectador. Não é de mão beijada", afirma Chiarelli. "Se você quer aprender matemática, tem que estudar, não é? Se quer entender um fenômeno cultural, também tem que ter disposição."

Raridade

Entre as obras desta primeira exposição, Chiarelli destaca algumas "pela raridade". É o caso de "Figura Reclinada em Duas Peças: Pontos", do britânico Henry Moore.

Ele conta que o MAC conseguiu a obra por meio de uma troca com a Tate Gallery, de Londres. "Eles eram loucos por uma escultura do artista italiano Umberto Boccioni que nós temos", conta.

O MAC tem não apenas um exemplar em bronze da obra, como também a matriz em gesso que permite a produção de cópias. A Tate, em compensação, tinha a matriz da escultura de Moore.

"Foi um escambo. O MAC permitiu que fosse feito um exemplar do Umberto Boccioni para eles e eles fizeram um exemplar do Henry Moore para a gente", revela Chiarelli.

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Publicado por Cecília Bedê às 3:09 PM | Comentários(0)


Espírito do tempo por Nina Gazire, Istoé

Espírito do tempo

Nomadismos tecnológicos - Jorge La Ferla e Giselle Beiguelman (org.)/ Editora Senac / R$ 59

Em Buenos Aires, no ano de 2009, artistas e teóricos se reuniram em um simpósio, realizado pela Fundación Telefónica e pelo Instituto Sergio Motta de São Paulo, para discutir a presença das mídias móveis nos mais diversos setores da sociedade. Agora, os resultados dos debates podem ser conhecidos com a leitura do livro “Nomadismos Tecnológicos”. Organizada pelo curador e professor titular da Universidade de Buenos Aires Jorge La Ferla e pela artista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Giselle Beiguelman, a publicação reúne artigos de estudiosos e artistas ligados a importantes universidades e instituições de diferentes partes do mundo. Os textos abordam as mudanças do conceito de mobilidade através dos tempos, o impacto da chegada das mídias móveis sobre a sociabilidade e, principalmente, o uso das tecnologias móveis como ­suporte artístico. Nesse contexto, destaca-se o artigo do artista Lucas ­Bambozzi, que realiza uma abordagem crítica sobre a constante apropriação de novas tecnologias por artistas, argumentando que em geral eles a fazem sem a reflexão e o aprofundamento necessários. Já Wolfgang Schäffer, importante pesquisador sobre a história da ciência da Universidade de Humboldt, em Berlim, afirma que ao mesmo tempo que as tecnologias se tornaram massificadas e padronizadas, sua popularização resulta em novos paradigmas, principalmente no que diz respeito ao campo das imagens. Para Schäffer, a explosão do consumo de celulares com câmeras implicou no surgimento de um novo modo de produção audiovisual que se tornou referência para a produção de imagens na atualidade.

Publicado por Cecília Bedê às 1:54 PM | Comentários(0)


Um artista da fome por Paula Alzugaray, Istoé

Um artista da fome

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 27 de janeiro de 2012.

Inspirado em conto de Franz Kafka, artista belga monta castelo de alimentos industrializados e junk food em galeria paulistana

Enquanto o Carnaval não chega e o ano não começa de verdade no Brasil, a Galeria Luisa Strina aproveita o recesso prolongado com um projeto bastante original. Desde 16 de janeiro, o artista belga Trudo Engels ocupa a galeria montando a instalação “Le Chatêau”, em processo aberto ao público. “A instalação é de fato uma performance, na qual participam nove artistas, que na realidade são ele mesmo”, explica a curadora Catherine Bompuis. Em uma espécie de exposição coletiva com vários artistas, Engels trabalha na montagem de um castelo fictício, cuja mobília é composta por balas, salgadinhos, refrigerantes e alimentos com altos índices de gordura transgênica. “Uso só alimentos mortais”, declara Engels.

O artista conta que sua ideia original era alugar um apartamento em São Paulo, passar seis semanas comprando comida em casas de alimentação baratas e, no entanto, ficar sem comer nada. “Depois, achei que seria mais forte deslocar a exposição para dentro de uma galeria comercial”, conta Engels, que manteve o projeto de jejuar durante um mês. Com isso, ele pretende colocar em questão “a relação entre o sistema comercial da arte e a fome”.

O projeto é inspirado no conto “Um Artista da Fome”, de Franz Kafka, que aborda a perda de interesse público em vítimas de greves de fome. Um tema bastante oportuno, a considerar a morte recente do preso político cubano Wilman Villar Mendoza, em 19 de janeiro, após uma greve de fome que durou 56 dias.

Até 16 de fevereiro, quando “Le Chatêau” ganhará um vernissage para oficializar sua abertura, Engels manterá o jejum. “O estado de abstinência enfraquece o corpo, mas reforça mentalmente sua ação. Essa é uma forma de purificar o trabalho”, afirma. Até a abertura oficial, Engels e seus nove colaboradores representados por ele mesmo (os “vários artistas” citados no título da mostra) recebem o público todas as quintas-feiras para uma série de workshops e discussões sobre a indústria de produtos de consumo.

Publicado por Cecília Bedê às 1:50 PM | Comentários(0)


fevereiro 1, 2012

Questões burocráticas ameaçam a 30.ª edição da Bienal de São Paulo por Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

Questões burocráticas ameaçam a 30.ª edição da Bienal de São Paulo

Matéria de Maria Eugênia de Menezes originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Pauo em 1 de fevereiro de 2012.

Em 2008, mostra deixou segundo andar vazio como protesto contra o mercado das artes

Problemas na prestação de contas de 1999 a 2006 colocam em risco a realização da 30ª edição da Bienal de São Paulo, marcada para setembro. Desde o início do mês, a Fundação Bienal foi incluída na lista de inadimplentes do Ministério da Cultura. A inclusão significa que todo o dinheiro que a entidade tinha em caixa, cerca de R$ 12 milhões, fica congelado - assim como os recursos incentivados, via Lei Rouanet, que ainda estavam em fase de captação. "Se a situação não for resolvida dentro de no máximo um mês não teremos como manter a data da Bienal", observa o presidente da Fundação, Heitor Martins. "Por conta do passado, eles estão inviabilizando o presente da instituição."

Na segunda, o nome de Martins como pessoa física, e também de todos os outros seis diretores da instituição, foram incluídos no Cadin, cadastro federal de inadimplentes, órgão ligado ao Banco Central. Para resolver a situação e tentar viabilizar a mostra, a Bienal entrou na justiça: pede arbítrio jurídico para a questão e solicita que não seja considerada inadimplente enquanto a prestação de contas está sob análise. A expectativa é de que o judiciário se manifeste até a próxima semana.

"Todas as vezes em que foi solicitada uma informação ou uma defesa nós atendemos. Não temos nada contra o processo de prestação de contas. Queremos prestar contas. Mas não podemos fechar a Fundação enquanto eles analisam tudo", diz Martins. "É preciso achar um caminho para a instituição seguir funcionando enquanto essas coisas estão sendo discutidas." Em nota, divulgada na sexta-feira, o Minc limita-se a dizer que busca um entendimento com a Bienal. "A direção do MinC tem mantido contato aberto para que não haja prejuízo à realização do evento." Informalmente, a ministra Ana de Hollanda tem dito que não há perseguição por parte do ministério à Bienal.

É constante e estreita a relação da instituição com o governo federal. A Bienal sempre dependeu de vínculos com o MinC para viabilizar seus eventos: seja por meio de convênios seja por meio de Lei Rouanet. Nos últimos 12 anos foram cerca de 30 instrumentos dessa natureza. O alvo de questionamento pela CGU (Controladoria Geral da União) é um grupo específico de 13 convênios, celebrados entre 1999 e 2006. São repasses que totalizam R$ 32 milhões e foram utilizados para realizar diversas atividades: as bienais que ocorreram no período, reformas do prédio e as participações brasileiras nas bienais de Veneza. Segundo a CGU, "parte dos gastos realizados com o projeto não estão suportados por documentação comprobatória hábil ou não tem pertinência com o objeto estabelecido no termo de convênio".

Diálogo entrecortado. Após cada um desses convênios é necessário que se faça uma prestação de contas. Dos 13 convênios que são agora questionados, cinco já haviam sido aprovados. Os outros ficaram em análise. Pedidos de informações complementares, diz Martins, foram atendidos.

Heitor Martins assumiu em maio de 2009 e foi reeleito em dezembro de 2010. "Assim que tomei posse, recebemos 13 pedidos de informações relacionadas a esses projetos. Inclusive dos já aprovados, que foram reabertos", observa. Em um relatório de mais de 200 páginas, a CGU questionava os convênios e apontava uma série de irregularidades, como, por exemplo, despesas feitas fora do período de contrato e falta de licitação. "Todos os esclarecimentos solicitados foram enviados dentro do prazo. Depois, não tivemos notícias. Até outubro do ano passado." Foi então que a Fundação descobriu que havia sido incluída no cadastro de inadimplentes. De acordo com o diretor, não houve nenhuma notificação anterior, nenhum pedido de informação que não tivesse sido atendido.

É difícil entender como esses questionamentos foram encaminhados dentro do Ministério da Cultura; segundo revelou o Estadão.com.br em matéria do dia 28 de janeiro, embora alertada há pelo menos quatro anos pela CGU sobre as contas da Fundação Bienal, a pasta adiou a abertura de investigações contra a entidade - ao menos desde 2007, o órgão de auditoria do governo vem emitindo notas técnicas sobre supostas irregularidades. Parecer de setembro de 2011, da Diretoria de Gestão Interna, vinculada à Secretaria Executiva do MinC, sugeria ao secretário Vitor Ortiz a investigação de um prejuízo de R$ 7 milhões, pretensamente causado na execução do convênio 167/2003, para pré-produzir a 26ª Bienal.

Os recursos da Fundação já haviam sido bloqueados no final de 2011, em meio à exposição Em Nome dos Artistas, que comemorava os 60 anos da Bienal de São Paulo. "Era uma exposição com obras que valiam centenas de milhares de dólares e ficamos sem dinheiro até para enviar as obras de volta", conta Martins. Naquele momento, o processo específico responsável pelo status de inadimplente da fundação datava de 1999 e se referia aos recursos destinados pelo Ministério da Cultura para a reforma do telhado do prédio, que ruiu durante a realização da 24ª Bienal.

Para ter suas contas desbloqueadas, a Fundação concordou em devolver todo o dinheiro recebido à época - com juros, correção monetária e multa. "Poderíamos contestar na justiça. Todo o dinheiro foi, de fato, gasto na reforma do telhado. Não houve prejuízo do Estado", diz Martins. "Só que na hora que somos colocados na inadimplência, eles matam a gente. É quase uma coação: ou vocês pagam ou ficam sem dinheiro nenhum. A gente perde a chance de debater."

Regularizada essa situação, a entidade foi retirada da situação de inadimplente. Na sequência, porém, apareceram outros 12 processos semelhantes. E, em 2 de janeiro, a Bienal voltou a ser incluída na listagem de devedores do governo federal. "Foi por isso que agora entramos com a ação. Não poderíamos aceitar o mesmo tipo de acordo para todos os convênios. Vamos à justiça para nos defender", argumenta Salo Kibrit, um dos diretores da fundação.

Outro ponto questionado pela Bienal é o prazo dado pelo MinC para que os novos questionamentos sobre os antigos convênios sejam respondidos. A partir da primeira semana de novembro, começaram a chegar os pedidos de esclarecimentos. O último deles é de 23 de dezembro. Toda a documentação requisitada, contudo, deveria ser entregue até o dia 31 de dezembro. Sem direito a prorrogação de prazo. "É um emaranhado de prestação de contas super complexo. Precisamos de um prazo maior. Esses pedidos geram um fluxo que paralisa a instituição inteira", diz Martins.

CRONOLOGIA

Teto do prédio da Bienal desaba em 1999, durante a 24ª edição da mostra

Em 2000, evento é adiado por duas vezes. O curador Ivo Mesquita é demitido. O empresário Manoel Francisco Pires da Costa é eleito presidente da Fundação.

Em 2007, Pires da Costa é reeleito presidente pela terceira vez e se torna alvo de investigações do Ministério Público, que questiona o fato de ele ter contratado sua própria empresa como prestadora de serviços. O Conselho Fiscal da entidade reprova as contas; o então presidente faz um acordo com o MP e renuncia ao recebimento de R$ 840 mil.

A crise provoca o adiamento da Bienal de 2008. Em seu lugar, Ivo Mesquita, de volta ao posto de curador, propõe uma "reflexão sobre o vazio".

Em 2009, eleito presidente, Heitor Martins é chamado a dar esclarecimentos ao MP mesmo antes de tomar posse. Marcada para 4 de setembro, a próxima Bienal (30ª) tem curadoria do venezuelano Luis Pérez-Oramas, curador licenciado do MoMA/NY

Publicado por Cecília Bedê às 3:53 PM | Comentários(0)