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maio 15, 2014
Dossiê: A venda da Coleção Adolpho Leirner para o museu de Houston
Publicações no Canal Contemporâneo - matérias, editoriais, comentários e posicionamentos de Adolpho Leirner e instituições brasileiras - sobre a venda da Coleção Adolpho Leirner para o Museum of Fine Arts, de Houston.
EUA compram coleção construtivista brasileira por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo - 18/03/2007
- Comentários de Ana Holck, Betty Leirner, Daniel Steegmann, Glória Ferreira, Jac Leirner, Ligia Canongia, Luiz Camillo Osorio, Renata Lucas, Vanda Klabin, entre outros
MFAH Adquire a Coleção Leirner de Arte Concreta, artdaily.org - 19/03/2007
Houston, we have a problem... / Houston, nós temos um problema..., por Patricia Canetti - 19/03/2007
Colecionar é uma busca, por Adolpho Leirner - 20/03/2007
Venda da coleção de Leirner gera protesto por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo - 21/03/2007
- Comentários de Patricia Canetti e Ricardo Resende
Simplesmente não se interessaram por Suzana Velasco, O Globo - 21/03/2007
Sururu nas artes plásticas por Marcos Augusto Gonçalves, Folha de S. Paulo - 22/03/2007
- Comentários de Cristina Pape, Patricia Canetti e Renata Lucas
Onde está a burguesia paulista ? em Houston II, por Paulo Henrique Amorim, Portal IG - 23/03/2007
Fui ver e realmente não gostei, por Ricardo Resende - 26/03/2007
Manutenção de acervos: a participação da sociedade brasileira? - 27/03/2007
Respostas das instituições culturais sobre a compra da Coleção Adolpho Leirner - 28/03/2007
"Arte em fuga" por Phydia de Athayde, Carta Capital - 03/04/2007
Correntes que prendem a arte por Suzana Velasco, O Globo - 10/04/2007
Houston, Texas, Brasil por Tereza Novaes, Folha de São Paulo - 25/05/2007
Colecionador ataca políticas públicas, entrevista de João Sattamini a Fabio Cypriano, Folha de São Paulo - 23/08/2007
Simpósio Internacional Concretismo e Neoconcretismo: Cinqüenta anos depois no Museum of Fine Arts Houston, EUA - 05/09/2007
Entrevista com Milú Villela - MAM 60 anos: Nosso papel é ser agente de mudanças sociais, Folha de São Paulo - 16/07/2008
Por um equilíbrio de forças por Luisa Duarte, O Globo - 21/09/2011
Febre por neoconcretos provoca hipervalorização em cascata por Silas Martí, Folha de S. Paulo - 07/11/2011
Obras modernistas estão no exterior ou em coleções privadas por Márcia Abos, Yahoo notícias - 09/02/2012
O Estado da arte por Antonio Gonçalves Filho e Jotabê Medeiros, Estado de S. Paulo - 03/11/2013
maio 14, 2014
Tamar Guimarães e Yuri Firmeza estarão na Bienal de São Paulo por Camila Molina, Estado de S. Paulo
Tamar Guimarães e Yuri Firmeza estarão na Bienal de São Paulo
Matéria de Camila Molina originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 6 de maio de 2014.
Enquanto a primeira propõe nova visão do espiritismo, o segundo explora uma cidade beckettiana no Maranhão
Mais dois artistas brasileiros acabam de ser confirmados para a 31.ª Bienal de São Paulo, que será aberta em setembro. De um lado, a mineira Tamar Guimarães prepara uma nova instalação da obra A Família do Capitão Gervásio, projeção de película em 16 mm exibida no ano passado na 55.ª Bienal de Veneza e criada com base nos registros em uma comunidade espírita do interior de Goiás. Já Yuri Firmeza, que vive em Fortaleza, vem fazendo um novo trabalho com as paisagens de ruínas da cidade de Alcântara, no Maranhão.
Sob curadoria de uma equipe formada pelo escocês Charles Esche, os espanhóis Nuria Enguita Mayo e Pablo Lafuente, os israelenses Galit Eilat e Oren Sagiv, e pelos curadores associados Luiza Proença e Benjamin Seroussi, a mostra, marcada para ocorrer entre 6 setembro e 9 de dezembro no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Ibirapuera, será mais do que uma edição política - será uma "bienal social".
É como Esche já definiu o projeto da exposição, intitulada Como Falar de Coisas Que Não Existem? -, mas o verbo da sentença é flexível. Centrada na situação de conflito que se vive em todo o mundo, trazendo questões como "o colapso do modo de representar a democracia, sonhos e aspirações" (em referência às manifestações populares), a coletividade, e ideias relacionadas a transformações - neste campo, tendo os motes transgressão, transcendência, transexualidade, entre outros; a concepção da mostra tem sido ainda tratada como "uma jornada".
"Talvez precisemos sair da política como tema-adjetivo e pensar a Bienal como ação-verbo", afirma Yuri Firmeza em entrevista ao Estado. "Bienais são políticas e a noção do que é política há de ser entendida num sentido amplo. Não são necessariamente reivindicações explícitas e protestos, mas formas capazes de alterar nossa forma de pensar, de sentir, de agir. Afinal, qual seria a opção contrária? Bienais que operassem simplesmente como antessalas do mercado de arte e mais nada?", opina Tamar Guimarães, que vive na Dinamarca.
Apostando em criadores de áreas diversas e não apenas nos das artes visuais; em participantes de um eixo para além de São Paulo e Rio - e em termos geográficos, há um olhar específico para o Oriente Médio -, os curadores anunciaram, em março, 32 projetos/nomes que estarão no evento, realizado com R$ 24 milhões. Do Brasil, Tamar Guimarães e Yuri Firmeza vêm se juntar aos artistas Tunga, Virginia de Medeiros, Ana Lira, Armando Queiroz, Graziela Kunsch, Romy Pocztaruk, a coreógrafa Lia Rodrigues, o coletivo paulistano Contrafilé e a historiadora Lilian L’Abbate Kelian, da USP. E outros ainda virão, já que a lista de integrantes nacionais e estrangeiros da edição ainda não estaria fechada.
Habituada a conceder entrevistas apenas por e-mail, a artista mineira Tamar Guimarães que vive desde 2002 em Copenhague, na Dinamarca, fala sobre a 31ª Bienal de São Paulo e sua obra, realizada com seu parceiro, Kasper Akhøj. A seguir, trechos de suas falas.
Sua participação se dará com a exibição de A Família do Capitão Gervásio, exibida na última Bienal de Veneza? A peça terá algum desdobramento especial para o evento brasileiro, já que tem como raiz A Man Called Love, seu trabalho sobre o espiritismo e Chico Xavier iniciado em 2006?
Mostraremos A Família do Capitão Gervásio, uma película em 16 mm produzida em 2013, que gira em torno de uma comunidade espírita no interior de Goiás. Segundo essa comunidade, os espíritos intervêm no mundo material, nos ensinam e nos transformam. Há nisso a noção do espiritismo como prática social. O subtexto do filme é também um indicativo de como essas práticas entraram em conflito com os movimentos oficiais de higiene mental e os códigos de sanidade e loucura infligidos pela modernidade. Estamos trabalhando em uma nova instalação para a Bienal de São Paulo e o projeto terá outros desdobramentos. Em 2015, vou produzir um filme mais extenso e também um pequeno livro.
Qual sua ideia sobre estar em uma "bienal social", como já declarou o curador Charles Esche?
A proposta da bienal como jornada é muito pertinente. Interessa-me mais ainda a noção de "falar de", de "viver com", e de coisas que não existem, visto que essas tais coisas articulam fatos sociais para os quais não há um lugar definido dentro da linguagem vigente.
Você considera que foi escolhida para a 31ª Bienal pela via que faz a conjunção da política e do misticismo? Desde a 55ª Bienal de Veneza, como vê o misticismo refletido nestas duas últimas importantes mostras de arte?
Quando (a curadora) Luiza Proença me escreveu, ela contou que a 31ª Bienal está se construindo em torno de um processo de pesquisa e procura chamar atenção para coisas que o mundo moderno ignorou, muitas delas com propriedades mágicas, místicas, alquimísticas e espirituais. Animismo é o que teve que ser expelido para que a modernidade pudesse ser modernidade. É o seu lado de fora. Isso faz com que seja um motivo para investigação sociológica, filosófica e antropológica pós-moderna. Já faz alguns anos que é um tema importante nas artes plásticas. Por exemplo, a exposição Animismo, organizada por Anselm Franke, foi importante nesse sentido, argumentando que o animismo é o fantasma que ronda os limites bem mapeados e cientificamente organizados da modernidade. Não por acaso, esses limites se alinham com fronteiras geopolíticas e, também não por acaso, ecoam situações de subordinação frente a um eurocentrismo branco, masculino, colonizador.
Seu trabalho artístico traz muitas vezes documentos, numa forma de colocar o passado na criação de obras mistas entre a ficção e a realidade. Por outro lado, a 31ª Bienal propõe uma ruptura com o passado - com o modernismo especificamente, já afirmou Esche. Qual sua opinião sobre esta ideia?
Ao que parece, a 31ª Bienal não lida com o modernismo diretamente. Ele não seria nem um tema, nem um objeto de combate. A modernidade talvez sim, em certos aspectos. Parece-me que através da ideia das "coisas que não existem", pode-se considerar as muitas formas de entender o mundo que a modernidade ignorou ou com as quais não soube lidar. Nesse sentido, acho que A Família do Capitão Gervásio tenciona a existência de outras formas de pensar e viver dentro da cidade e da vida moderna. Não me parece que a proposta curatorial busca um rompimento com o passado. Falam de bienais como plantas que florescem a cada dois anos, cuja floração surge de uma continuidade em latência, e não de um vácuo.
Como se sente vivendo há tanto tempo fora do Brasil?
Interrogar a aparência de naturalidade da própria cultura e penteá-la a contrapelo é parte do trabalho que faço. Olhar com outros olhos o que se conhece bem por dentro e por fora é, afinal, a tarefa do artista.
Entre uma e outra viagem, Yuri Firmeza, que nasceu em São Paulo, em 1982, conta na entrevista a seguir que levará a questão da "multitemporalidade" à 31.ª Bienal com um trabalho inédito e a exibição da obra A Fortaleza, de 2010.
Como é seu trabalho novo para a 31ª Bienal?
O projeto em desenvolvimento, comissionado pela Bienal com apoio do Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, ocorre em uma cidade do interior do Maranhão, Alcântara. Esta cidade tem parte de sua paisagem marcada por ruínas. E, segundo uma de suas histórias, algumas dessas ruínas são decorrentes dos grandes palacetes construídos na expectativa de hospedarem o então imperador D. Pedro II. Porém, a suposta visita nunca aconteceu. A cidade foi geograficamente e economicamente muito importante no Brasil Colônia devido a suas ligações fluviais e a produção e exportação de arroz, açúcar, algodão. Sempre penso que Alcântara é uma cidade, por um lado, beckettiana, à espera de Godot-D.Pedro II. Como disse uma senhora alcantarense, neta de escravos, em Alcântara nada é – tudo foi ou será. Há, ainda, em Alcântara, uma festa tradicional de origem açoriana. Há também um grande número de comunidades remanescentes quilombolas com as quais eu pretendo desenvolver um projeto a longo prazo. É também lá que se localiza o Centro de Lançamento de Alcântara, um dos mais importantes locais de lançamento de satélites da América Latina.
E como seria a obra?
Pretendo que seja um filme não localizável no tempo e espacialmente não situável. Um lugar insólito, fugidio. Lugar do curto-circuito dos tempos verbais, foi no futuro, será no passado. Filme não exatamente sobre a cidade de Alcântara, mas a partir desse emaranhado temporal não linear, não cronológico, não determinista.
E poderia comentar a obra A Fortaleza?
A Fortaleza consiste em duas fotografias feitas no mesmo lugar, mas com o intervalo temporal de uma década entre ambas. Em uma das fotos apareço, quando criança, fazendo força nos bíceps e tendo a paisagem de fundo uma vista de Fortaleza. Na segunda foto, apareço já adulto replicando a mesma pose da foto anterior no mesmo lugar que foi registrada a primeira foto. No entanto, na paisagem percebemos a verticalização da cidade de Fortaleza onde, diferentemente da primeira foto, já não temos horizonte, mas um bloco maciço de prédios.
Na sua opinião, as bienais devem ser políticas?
O entendimento de política já não é mais o limitado campo das representações dos partidos, agremiações, sindicatos. Assumir a Bienal como "jornada" já me parece um gesto político no modo de pensar o papel da Bienal hoje. Talvez precisemos sair da política como tema adjetivo e pensá-la como ação-verbo e, quem sabe, o esgotamento, diferentemente do cansaço, seja esta potência ativa do que hoje entendo por política. / C.M.
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Coletivo Etcétera...
Lygia Clark, o encontro em meio ao abandono por Tonica Chagas, Estado de S. Paulo
Lygia Clark, o encontro em meio ao abandono
Matéria de Tonica Chagas originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 4 de maio de 2014.
Museu de Arte Moderna de Nova York dedica mostra à artista brasileira
Mais de meio século depois que a primeira série de Bichos foi premiada pelo júri internacional da 6.ª Bienal de São Paulo, em 1961, como melhor escultura de um artista brasileiro, aquelas mesmas estruturas de múltiplas configurações e os trabalhos anteriores e posteriores a elas produzidos por Lygia Clark (1920- 1988) começam a ser vistos, nos Estados Unidos, como um marco na arte contemporânea ocidental. Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988, que o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York abre ao público no dia 10, apresenta a obra de Lygia como a de uma pesquisadora consistente que delimita uma fronteira entre contemplação e imersão, entre arte e terapia, entre a arte e a não-arte.
"O incrível legado de Lygia Clark é o de ela ter quebrado mitos e reposicionado a arte como uma relação de experiências e não o objetivo máximo do processo artístico", diz o venezuelano Luis Pérez-Oramas, chefe do Departamento de Arte Latino-americana do MoMA. Curador da 30.ª Bienal de São Paulo, em 2012, Oramas organizou a retrospectiva em parceria com a americana Connie Butler, curadora-chefe do Hammer Museum, de Los Angeles, que até o ano passado era curadora-chefe do setor de desenhos do MoMA.
Primeira retrospectiva da artista brasileira nos EUA, a exposição traz ao museu nova-iorquino cerca de 300 trabalhos de Lygia e mais uma série extensa de programas educativos e eventos paralelos que prosseguem até seu encerramento, em 24 de agosto. Com uma espinha cronológica, as obras foram agrupadas pela curadoria em três temas pontuais - abstracionismo, neoconcretismo e o abandono da arte, fase que dá título à exposição e se refere ao período que Lygia dedicou a aplicar suas experiências como preparação de pacientes para psicanálise.
Esses três capítulos, no entanto, se justapõem no espaço quase totalmente aberto entre as galerias onde a exposição está instalada, passando a sensação de fluidez e continuidade que os curadores encontraram ao longo de toda a carreira de Lygia. "O 'abandono' apresentado na última parte já pode ser notado desde as primeiras pinturas dela", aponta Connie.
Linha orgânica. Casada e mãe de três filhos, a mineira Lygia Clark vai para o Rio de Janeiro em 1947 e começa a estudar arte com o paisagista Burle Marx. Por duas vezes ela muda para Paris: a primeira entre 1950 e 1952, quando estuda com Fernand Léger, e a segunda entre 1970 e 1976, quando leciona na Sorbonne e faz análise com o freudiano Pierre Fédida. É na França que ela se inclina para as possibilidades terapêuticas da arte sensorial.
Entre esses dois intervalos, ela desenvolve no Brasil uma obra inovadora, como integrante do Grupo Frente e também uma das fundadoras do Grupo Neoconcreto. Com uma geração de artistas empurrando a ideia de pintura para novas direções, a arte brasileira entra num ritmo de grande produtividade e a de Lygia se singulariza com a descoberta do que ela chama de linha orgânica.
"Vendo a linha não como uma realidade gráfica mas como separação", conforme analisa Oramas, ela começa a estruturar as pinturas como multipartes, não com linhas desenhadas, mas pelo encontro entre superfícies diferentes que se modulam. O curador lembra que, para Lygia, a fim de modular uma superfície inteira, "o artista também pode investigar linhas que funcionem como portas, como conexões entre materiais". Na galeria de quadros do período final dos anos 40 até obras do fim dos 50, há cópias de maquetes para demonstrar que é por meio da arquitetura que Lygia pensa a sua pintura.
'Caminhando'. Das pinturas passa-se para a fase neoconcreta, dominada pelos Bichos e os Trepantes de Lygia. Durante os cinco anos dedicados à produção da retrospectiva, os curadores entenderam que o público deveria manipular as obras a fim de percebe-las na intenção para a qual foram criadas. "O tempo todo pedimos aos frequentadores de museus que não toquem nas obras de arte e agora fazemos o contrário", comenta Connie Butler.
Nas últimas semanas, foram treinados grupos de pessoas para oferecer e facilitar ao público o manuseio e uso de réplicas de várias criações da artista brasileira. Tesouras e papel, por exemplo, são o material básico para repetir a experiência de Caminhando, trabalho de 1963 feito a partir de uma Faixa de Moebius. Essa figura, que parece o número oito na horizontal, é obtida pela junção das duas extremidades de uma fita, dando-se meia volta em uma delas.
"Ao cortar a faixa seguindo seu traçado da direita para a esquerda, da esquerda para a direita até o pedaço de papel ficar tão fino que não dá mais para cortar, Lygia conclui que a obra é o ato e o autor é o espectador, neste caso aquele que corta o papel", diz Oramas, salientando ser este um momento tão importante na obra dela quanto o da linha orgânica. E é daí que parte o trabalho relacional desenvolvido por Lygia, que deixa de se considerar artista para ajudar pacientes com problemas psiquiátricos.
Terapia. As "proposições", como as chamava sua autora, demandam a imersão do espectador. Mas isso impõe ao museu, com frequência diária em torno de 11 mil pessoas, o desafio de permitir a noção de terapia. "Queremos respeitar Lygia e não dar um aspecto de espetáculo para esses trabalhos", sublinha Connie Butler. Por isso, a reprodução das experiências sensoriais, como a de Baba Antropofágica, será realizada apenas algumas vezes por semana. Por ser de imersão total em seu interior, a instalação A Casa é o Corpo, produzida para a Bienal de Veneza de 1968 e que deve funcionar como rememorização do processo de nascimento, ocupa um espaço exclusivo dois andares abaixo do corpo principal da retrospectiva.
Todas as fases da exposição, desde a pré-montagem à abertura ao público, estão sendo registradas em vídeo para a produção de um documentário. Com direção de Daniela Thomas, o filme terá em torno de 30 minutos e deve estrear, ainda este ano, no Brasil e na Inglaterra.
