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Como atiçar a brasa

 


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outubro 31, 2012

Marta Suplicy defende como prioridade no Congresso aprovação do Procultura por Eduardo Bresciani, O Estado de S. Paulo

Marta Suplicy defende como prioridade no Congresso aprovação do Procultura

Matéria de Eduardo Bresciani originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 31 de outubro de 2012.

Ministra também reclamou do orçamento baixo do Ministério da Cultura e pediu aos senadores a apresentação de emendas para reforçar o caixa da pasta

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, defendeu como prioridade no Congresso a aprovação do projeto que institui o Programa Nacional de Fomento à Cultura (Procultura), que irá substituir a Lei Rouanet aumentando os recursos de isenção fiscal para o financiamento de projetos na área. Para reforçar o lobby pelo projeto, a ministra defendeu na Comissão de Educação e Cultura do Senado a entrega da relatoria da proposta ao atual presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), por ter sido ele o responsável pela lei inicial, há mais de 20 anos, quando chefiava o Executivo.

O pedido por mais recursos não se restringiu à nova Lei Rouanet. Ela reclamou do orçamento baixo do ministério e pediu aos senadores a apresentação de emendas ao Orçamento para reforçar o caixa da pasta. Afirmou ainda que formou um grupo técnico para ajudar os municípios na elaboração de projetos para a liberação de recursos previstos.

Marta afirmou que a Lei Rouanet permitiu neste ano de 2012 a captação de R$ 1,6 bilhão. A intenção, segundo ela, é fazer com que no Procultura seja possível captar até 50% a mais aumentando a possibilidade de isenção fiscal para empresas que patrocinam atividades culturais de 4% para 6% do Imposto de Renda devido. Ela ressaltou o fato de a proposta ainda tramitar na Câmara, mas disse esperar a aprovação pelos deputados até o final deste ano. Na tentativa de aumentar o apoio foi que sugeriu a entrega da relatoria a Sarney, no Senado.

“Gostaria que os colegas propusessem em fevereiro que o atual presidente José Sarney seja o relator. Acho justo isso porque essa lei foi proposta quando ele era presidente da República. Pediria que os senadores pudessem conversar com ele. Seria uma homenagem a quem fez a lei”, disse a ministra.

Ainda no âmbito do Legislativo, a ministra pediu que seja abandonada a proposta em andamento no Congresso sobre a criação do Vale-Cultura por ter sido profundamente alterada no Congresso. Ela destacou ser o objetivo inicial permitir que as empresas pudessem oferecer, em troca de benefício fiscal, um vale de R$ 50,00 para os trabalhadores aplicarem em bens e serviços culturais. O projeto, porém, recebeu emendas incluindo aposentados e funcionários públicos entre os beneficiários, o que, segundo Marta, levaria a presidente Dilma Rousseff a ter de vetar a proposta. Ela pediu aos parlamentares a apresentação de um novo projeto retomando a proposta original.

Marta disse ainda estar em fase final de elaboração dentro do ministério o projeto que altera a legislação de direito autoral. Disse, porém, não querer se comprometer com data do envio da proposta ao Congresso. Em outro momento, ao falar sobre direito autoral, afirmou ser preciso uma legislação mais moderna para ampliar o acesso a obras culturais, sobretudo no mundo virtual. Destacou que a Biblioteca Nacional está digitalizando o acervo, mas está proibida de publicar as obras na internet.

“Temos esse grande desafio de como compensar autor na internet para que obra não seja explorada vilipendiada. Sou a favor do autor, mas percebo que estamos no século 21 e ele não tem volta. Ou a gente se adapta a internet ou não tem como ser”, afirmou.

Ela observou também serem a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 oportunidades para a promoção da cultura nacional para os turistas brasileiros e estrangeiros. Ressaltou a liberação de recursos pelo governo federal para a reforma de patrimônios históricos visando atender a este objetivo e disse que a pasta apresentará outras propostas para tentar aproveitar os eventos esportivos para ampliar a divulgação da cultura brasileira.

Posted by Cecília Bedê at 5:31 PM

Nove ex-gestores de museus de SP têm bens bloqueados por Mario Cesar Carvalho, Folha de S. Paulo

Nove ex-gestores de museus de SP têm bens bloqueados

Matéria de Mario Cesar Carvalho originalmente publicada no caderno Cotidiano do jornal Folha de S. Paulo em 31 de outubro de 2012.

A Justiça determinou o bloqueio de bens de nove antigos gestores do MIS (Museu da Imagem e do Som) e do MCB (Museu da Casa Brasileira). Eles são acusados de desvios de verbas públicas que somam R$ 2,16 milhões.

Foram atingidos pelo bloqueio de bens o ex-secretário de Cultura Ricardo Ohtake (1993-1994), o arquiteto Carlos Bratke, que dirigiu o Museu da Casa Brasileira, a curadora Adélia Borges e o crítico de cinema Amir Labaki, organizador da mostra de documentários É Tudo Verdade.

O pedido do bloqueio, conforme revelado ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo", foi feito pelo promotor Silvio Marques, o mesmo que investigou contas no exterior de Paulo Maluf (PP-SP). Na petição, a Promotoria acusa os museus de usarem caixa dois, notas frias e empresas fantasmas para o suposto desfalque.

O MIS teria sofrido desvio de R$ 1,04 milhão; o MCB, de R$ 1,12 milhão. Os envolvidos negam ter praticado irregularidades ou desvios. Labaki disse que nunca provocou prejuízos ao erário (leia ao lado).

A Promotoria afirma que os dois museus alugavam seus espaços para eventos privados, mas o recurso não ia para um fundo do Estado, como determina a lei. Revertia para o caixa da associação de amigos da entidade.

As associações de amigos foram usadas pelos museus entre 1991 e 2006 sem ter qualquer amparo legal, de acordo com a Promotoria. Na visão da Promotoria, as associações só se tornaram entidades legais quando foi aprovada a lei das OSs (organizações sociais), que estabelece regras para parcerias entre o Estado e entidades privadas.

Entre outros eventos privados, são citados um festival de filmes de surfe promovido pela Osklen no MIS e um encontro da Microsoft no Museu da Casa Brasileira.

Num e-mail de abril de 2004, reproduzido no pedido de bloqueio à Justiça, Adélia Borges, então diretora do MCB, escreve: "Veja com a Cecília que tipo de nota precisamos para providenciar isso. Se pode ser uma nota só ou precisa de duas notas".

A investigação do Ministério Público aponta que o Museu da Casa Brasileira obtinha as notas frias com um funcionário de uma gráfica, chamado Marcelo Muszkat. Ele ficava com 6% do valor da nota fiscal, de acordo com a apuração da Promotoria.

A investigação sobre as supostas irregularidades começou em 2006, a partir de informações de uma funcionária do MIS. Em 2008, a Justiça autorizou a quebra de sigilo bancário dos suspeitos.

A Promotoria fez auditorias nas contas dos museus e usou dados do Tribunal de Contas do Estado, a primeira instituição que apontou problemas nas parcerias dos museus com as associações.

O Tribunal de Contas concluiu que o MIS apresentou 136 notas fiscais frias entre 2004 e 2006. No mesmo período, o MCB é acusado de usar 99 notas inidôneas para justificar gastos.

Posted by Cecília Bedê at 2:34 PM

outubro 30, 2012

Espírito neoclassicista em vídeo por Mayara de Araújo, Diário do Nordeste

Espírito neoclassicista em vídeo

Matéria de Mayara de Araújo originalmente publicada no Caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 30 de outubro de 2012.

Centro Cultural Banco do Nordeste traz a Fortaleza a vídeoinsta- lação "O Legado da Coruja" de Chris Marker

Chris Marker - O Legado da Coruja, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza, CE - 01/11/2012 a 01/12/2012

Entre seis décadas de audiovisual, "O Legado da Coruja", do cineasta francês Chris Marker, foi um dos seus mais instigantes e menos conhecidos trabalhos. Originalmente exibido nas televisões francesa e inglesa, em 1989, como uma série de 13 episódios, os vídeos, que totalizam 5 horas e 30 minutos, foram filmados em cinco cidades em um período de dois anos e contam com 49 convidados.

A obra do francês Chris Marker é marcada pelo diálogo do cinema com as artes visuais

A proposta do vídeo é discutir conceitos e questões surgidas na Grécia Antiga que persistem como elementos organizadores do pensamento corrente no mundo ocidental. A coruja, animal que simboliza a busca por conhecimento, aparece como guia nessa jornada. Os temas abordados na série são: Simpósio, Olimpíadas, Democracia, Nostalgia, História, Matemática, Logomarca, Música, Cosmogonia, Mitologia, Misoginia, Tragédia e Filosofia.

A apresentação de "O Legado da Coruja" dá seguimento ao projeto Política da Arte, promovido em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco. Para o projeto, a arte não é só a difusão de imagens, ideias e textos, mas o desafio a consensos e a construção de relações políticas.

Cada episódio é conduzido pelas falas de reconhecidos pensadores e artistas, permeadas por imagens que Chris Marker filma ou seleciona das mais variadas fontes e edita de modo original.

Conjuntura

Ao contrário, no entanto, de uma apresentação linear das opiniões, o que se vê na produção é um campo de disputa de posições e de conceitos, onde há lugar para o contraditório.

Com curadoria do pesquisador Moacir dos Anjos, a apresentação da obra se justifica não apenas por seu ineditismo no Brasil, mas serve de subsídio para se pensar a situação econômica e política da Europa contemporânea. "Exibi-lo em um momento de grave crise financeira, social e política na Europa o reveste de interesse particular. E é justamente na articulação entre o trabalho do artista feito em 1989 e a situação corrente do mundo que ele buscava entender a partir do legado cultural grego que se ancora a presente exposição", explica Moacir em seu texto curatorial. E acrescenta, não sem perspicácia: "É irônico, senão paradoxal, que justamente o país cuja cultura mais contribuiu para a ideia de um mundo que se quer proteger do colapso esteja sendo culpabilizado pela crise que se abate sobre ele hoje. E que seja por meio da adoção de políticas que levam à redução do crescimento, ao desemprego e ao desmonte de políticas de amparo social que se busque preservar uma ideia de coesão econômica, social e política na Europa inteira".

Montagem

No Centro Cultural Banco do Nordeste, a exposição é dividida em duas partes. Na primeira, as mais de cinco horas de vídeo, dos 13 episódios, são exibidas em sequência. Na segunda, um ambiente de pesquisa e debate é criado para dispor ao público informações sobre o artista e a crise atual na Europa. O espaço é composto por jornais, revistas, livros e outros vídeos.

Além disso, profissionais de áreas diversas do conhecimento serão convidados a fazer parte desse ambiente refletindo sobre a obra. "A exposição possui, assim, duas camadas distintas que se articulam: o trabalho de Chris Marker e o contexto específico em que ele é aqui oferecido ao público. Sem pretender criar uma ligação imediata entre um e outro, o que a mostra quer é ativar a importância de (re)visitar ´O Legado da Coruja´ a partir do sentimento de urgência que a crise europeia desperta", completa dos Anjos.

Posted by Cecília Bedê at 11:34 AM

Bolsa artista prevê benefício mensal a criadores escolhidos por comissão por Plínio Fraga. O Globo

Bolsa artista prevê benefício mensal a criadores escolhidos por comissão

Materia de Plínio Fraga originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Globo em 30 de outubro de 2012.

Aprovado sem alarde pelo Senado em agosto, projeto polêmico será votado em novembro pela Câmara dos Deputados

RIO — Sem equacionar os problemas orçamentários de uma cultura em xeque, o Congresso Nacional está prestes a assinar um cheque em branco para o governo federal bancar criadores artísticos profissionais e amadores. Passada a eleição, entrará na pauta de votação da Câmara dos Deputados, em novembro, o programa Bolsa Artista.

Com valor de remuneração a ser regulamentado e previsão de desembolso mensal por até um ano, os beneficiados pelo Bolsa Artista serão escolhidos por uma comissão, sem composição clara, com integrantes indicados pela União e pela comunidade artística.

De acordo com o projeto, já aprovado no Senado, o programa Bolsa Artista é “destinado a proporcionar formação e aprimoramento de artistas amadores e profissionais” e “garantirá benefício financeiro conforme critérios e valores a serem fixados em regulamento”, no campo das “artes literárias, musicais, cênicas, visuais e audiovisuais, em suas variedades eruditas e populares”.

O senador Inácio Arruda (PC do B - CE), na proposição que originou o Bolsa Artista, lista como princípios do programa a “valorização da diversidade”, a “ênfase no pluralismo de ideias” e a “prioridade para o desenvolvimento das habilidades dos artistas, e não para projetos culturais específicos”.

O senador limita-se a dizer que “a seleção dos artistas a serem agraciados ficará a cargo de uma comissão cuja composição será definida em regulamento”, com a participação de representantes do governo federal e de “entidades vinculadas à comunidade artística nacional”. Os escolhidos podem ser amadores ou profissionais, bastando ter idade mínima de 14 anos e não serem beneficiários de qualquer outra iniciativa governamental de concessão de auxílio financeiro associado à formação cultural ou esportiva.

O Bolsa Artista foi aprovado pelo Senado, sem alarde, em agosto, e entrará agora na pauta de votação da Câmara. Nas duas casas, o projeto tramita em caráter terminativo. Ou seja, quando comissões técnicas, no caso a de Educação, Cultura e Esporte, com três dezenas de parlamentares, aprovam projetos sem necessidade de que sejam votados pela totalidade dos integrantes no plenário. Como o Bolsa Artista já passou no Senado, se aprovado na Câmara, vai à sanção da presidente Dilma Rousseff, que tem o poder de vetá-lo.

Classe dividida

O presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, Eduardo Barata, esteve recentemente em reunião com a ministra Marta Suplicy, discutindo financiamento cultural, em especial o Procultura, projeto no Congresso para substituir a Lei Rouanet, que disciplina a concessão de incentivos fiscais para as artes. Barata apresentou a Marta, semana passada em Brasília, a posição do setor teatral, para o qual seria melhor corrigir distorções da Lei Rouanet, sem que ela fosse simplesmente substituída pelo projeto em discussão no Congresso. Ao ser informado do Bolsa Artista, da forma como foi aprovado pelos senadores, Barata foi crítico:

— Acho um descalabro. É uma maneira pouco republicana de ver as coisas. Ao deixar para regulamentar os detalhes depois, permite que se faça tudo.

A artista plástica Kátia de Marco, presidente da Associação Brasileira de Gestão Cultural, da Universidade Candido Mendes, vê um caráter “holístico” no programa:

— A produção cultural tem de ser integrada. Há a necessidade da formação da audiência e da formação do artista. É uma medida complementar à discussão dos incentivos para formação da audiência. Acho uma medida positiva, sim. Cabe ao governo desenhar políticas públicas nesses dois sentidos.

Às vésperas de sua demissão, a então ministra da Cultura, Ana de Hollanda, escreveu uma carta ao Ministério do Planejamento expondo as dificuldades orçamentárias de seu setor. Dizia que “as instituições culturais estavam em risco” por falta de recursos. A carta de Ana foi entregue em agosto e, no mês seguinte, a presidente Dilma Rousseff decidiu substituí-la pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), em meio a uma ruidosa negociação para que se empenhasse na campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

Marta assumiu o ministério com a missão de usar seu bom relacionamento com líderes no Congresso Nacional para desemperrar projetos tidos como prioritários para o setor cultural. Entre eles estão a aprovação do Vale Cultura (benefício de R$ 50 para gastos culturais a ser pago a quem ganha até cinco salários mínimos) e a reforma da Lei Rouanet por meio do Procultura, com objetivo forçar patrocinadores a aumentar sua contrapartida à renúncia fiscal da qual se beneficiam.

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT - RS), encontrou-se com Marta e prometeu colocar em votação o Vale Cultura neste ano, o que permitiria sua apreciação no Senado ano que vem. “Vai ser muito bom contar com o Vale Cultura na Copa. É o momento do Brasil, da Cultura e de a gente se expor”, disse Marta, após o encontro com Maia.

O problema hoje do Vale Cultura é seu custo de financiamento. O antropólogo Frederico Barbosa, coordenador da área de Políticas Culturais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elaborou um estudo sobre o financiamento público da cultura, publicado no último Boletim de Políticas Sociais do órgão, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Barbosa diz não ter opinião formada sobre o Bolsa Artista, por desconhecer detalhes, mas acha a ideia “interessante”. No seu estudo, ele demonstra que os gastos globais no financiamento do setor cultural têm aumentado. Em 1995, o orçamento do Ministério da Cultura era responsável por 92% dos recursos da área. Em 2010, 53,5% dos recursos vinham de incentivos fiscais, demonstrando mudança de padrão da origem do dinheiro. Naquele ano, o orçamento do ministério atingiu 1,427 bilhão.

O problema é que apenas cerca de R$ 100 milhões, o equivalente a 8,9% do dinheiro que as empresas colocaram no setor cultural, eram recursos próprios delas; 91,1% vinham de incentivos fiscais, ou seja, gastos públicos indiretos, porque foram impostos que deixaram de ser arrecadados. Essa é a equação em discussão no Congresso no Procultura: qual a medida dos incentivos, como regulá-los e a quem beneficiar.

Dez projetos prioritários

No caso do Vale Cultura, o projeto original estabelecia que seria fornecido somente ao trabalhador que recebe até cinco salários mínimos. Uma emenda na Câmara incluiu aposentados, servidores públicos federais e estagiários entre os beneficiários, tornando o custo insustentável, na visão do governo. O ministério estabeleceu teto de R$ 2,5 bilhões nos gastos do Vale Cultura.

Nos cálculos do antropólogo Frederico Barbosa, esses recursos permitiriam o acesso ao benefício por 4 milhões de trabalhadores, mas seriam elegíveis ao sistema quase 18 milhões de empregados formais que estão na faixa de renda determinada pela lei. Outros 30 milhões de aposentados também teriam direito ao Vale Cultura, se mantida a lei como está, o que a tornaria inaplicável, pois o custo passaria de R$ 18 bilhões, só nessa categoria.

Em termos comparativos, o governo gastou, em 2011, R$ 17 bilhões com o Bolsa Família, beneficiando 13,4 milhões de famílias. Todos os gastos da chamada área social somam, por ano, R$ 640 bilhões. Como retirar aposentados, servidores e estagiários do projeto de lei em período eleitoral era tido como medida impopular, a votação foi postergada.

O Bolsa Artista foi uma iniciativa que cresceu no Congresso, após ser abraçada pela chamada Frente Parlamentar da Cultura. Está entre uma dezena de projetos que os parlamentares se comprometeram a votar, assim como o Vale Cultura e o Procultura. Da forma como foi aprovado, o projeto não tem nem sequer uma estimativa de custo. Diz apenas: “As despesas decorrentes decorrerão à conta dos recursos orçamentários da União.”

Posted by Cecília Bedê at 10:50 AM

Pinacoteca do Estado traça planos para os próximos anos por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Pinacoteca do Estado traça planos para os próximos anos

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 29 de outubro de 2012.

Instituição prepara dois espaços e investe em parcerias para criar cronograma com atividades previstas até 2016

Desde os anos 1970, os museus se tornaram populares e, com seu sucesso, são hoje parte da indústria cultural, como diz o diretor técnico da Pinacoteca do Estado, Ivo Mesquita. “É extremamente positiva essa popularidade que trouxe recursos para as instituições museológicas”, continua Mesquita, que em abril deste ano deixou o cargo de curador-chefe da Pinacoteca para dirigir o museu, considerado um dos principais do País. Com um orçamento de R$ 26 milhões previstos para 2012 e um cronograma de exposições e projetos em parceria com a Tate de Londres e MoMA de Nova York, entre outros, já definidos para até 2016, a instituição se prepara para aumentar ainda mais suas ações.

São muitos os desafios para o futuro da Pinacoteca do Estado, mesmo que seja um museu com estrutura estável, com programa de aquisições e que sempre “aparece bem na fotografia”, como brinca Ivo Mesquita. Mantendo três espaços - o prédio central na Praça da Luz e a Estação Pinacoteca no Largo General Osório, que também abriga o Memorial da Resistência de São Paulo -; a instituição está trabalhando na criação de uma filial em Botucatu, no interior do Estado paulista. Há três anos a prefeitura da cidade teve a iniciativa de fazer uma parceria com a Pinacoteca e criar um espaço museológico em um de seus prédios, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O local será reformado e vai abrigar exposições de longa duração com obras do acervo do museu de São Paulo. “A Pinacoteca viu com bons olhos a possibilidade de mostrar sua coleção lá”, afirma Mesquita.

A instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e administrada pela organização social Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), terá também como “prioridade para os próximos cinco anos” construir outro edifício, na cidade de São Paulo, para exibir apenas suas obras de arte contemporânea (desde 2007, foram adquiridos cerca de 2 mil trabalhos). É um projeto que vem se arrastando há tempos - o museu apresenta, como um todo, menos de 10% de sua coleção. “Ainda não está definido um lugar, mas sem dúvida não queremos sair desta região (da Luz), que tem potencial e espaço”, diz Ivo Mesquita. “Existe a história de que o novo prédio possa ser no espaço da escola (Prudente de Moraes), que pertence à Prefeitura, mas é necessário que ocorra a transferência dela para um outro edifício a ser reformado. É uma coisa complexa, a ser feita com a Secretaria de Educação da cidade, e você conhece o país em que vive, não é?”, continua.

Mudanças. A Pinacoteca vem reestruturando sua diretoria e corpo administrativo desde abril, quando Marcelo Araujo, que dirigia o museu desde 2002, deixou o cargo para se tornar secretário de Estado da Cultura. Optando por um modelo de continuidade, a Apac transformou Ivo Mesquita, de 61 anos, de curador-chefe da instituição (desde 2007) em seu diretor técnico; manteve Miguel Gutierrez, de 60 anos, como responsável pela área financeira, e nomeou, no dia 15, Paulo Vicelli, de 32 anos, que trabalhava no Itaú Cultural, para o cargo de diretor de relações institucionais e captação de patrocínio. “As coisas foram crescendo de tal forma na Pinacoteca que minha vinda vem para fortalecer as relações com os patrocinadores e comecem a ser perenes”, afirma Vicelli. Valéria Piccoli tornou-se curadora-chefe do museu.

A Pinacoteca realiza 33 exposições por ano, mas Mesquita quer desacelerar essa produção e incrementar parcerias com instituições estrangeiras “numa parte mais complexa”, a de “troca de técnicos”, como a que foi firmada com a Tate, há dois meses. “Eles estavam interessados no nosso setor educativo e nós na sua área de conservação”, lembra. “A Tate mesmo, supermuseu, faz 12 exposições anuais; o MoMA, 16 mostras; e a gente faz 33. É muita loucura, quero fazer pelo menos 20 por ano”, compara o diretor. “O William Kentridge (artista) veio ver o espaço onde será sua exposição e quando olhou o trabalho do Artur Lescher (no octógono), perguntou se a obra ficaria ali por um ano. Disse que não, que ficaria exposta por 92 dias”, conta Mesquita.

Em 2013, ainda não será possível diminuir o número de exposições e aumentar a duração das exibições, mas a Pinacoteca se prepara para fazer isso em 2014. “O desafio é sustentar todas essas estratégias, entre elas, ampliar o programa de patronos do museu. Para você ter ideia, soube que o MoMA tem 566 brasileiros como sócios. Desculpa, e na Pinacoteca?”, pergunta Mesquita.

Posted by Cecília Bedê at 9:18 AM

outubro 29, 2012

Pinacoteca prepara dois espaços e investe em parcerias, O Estado de S. Paulo

Pinacoteca prepara dois espaços e investe em parcerias

Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 29 de outubro de 2012.

Desde os anos 1970, os museus se tornaram populares e, com seu sucesso, são hoje parte da indústria cultural, como diz o diretor técnico da Pinacoteca do Estado, Ivo Mesquita. "É extremamente positiva essa popularidade que trouxe recursos para as instituições museológicas", continua Mesquita, que em abril deste ano deixou o cargo de curador-chefe da Pinacoteca para dirigir o museu, considerado um dos principais do País. Com um orçamento de R$ 26 milhões previstos para 2012 e um cronograma de exposições e projetos em parceria com a Tate de Londres e MoMA de Nova York, entre outros, já definidos para até 2016, a instituição se prepara para aumentar ainda mais suas ações.

São muitos os desafios para o futuro da Pinacoteca do Estado, mesmo que seja um museu com estrutura estável, com programa de aquisições e que sempre "aparece bem na fotografia", como brinca Ivo Mesquita. Mantendo três espaços - o prédio central na Praça da Luz e a Estação Pinacoteca no Largo General Osório, que também abriga o Memorial da Resistência de São Paulo -; a instituição está trabalhando na criação de uma filial em Botucatu, no interior do Estado paulista. Há três anos a prefeitura da cidade teve a iniciativa de fazer uma parceria com a Pinacoteca e criar um espaço museológico em um de seus prédios, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O local será reformado e vai abrigar exposições de longa duração com obras do acervo do museu de São Paulo. "A Pinacoteca viu com bons olhos a possibilidade de mostrar sua coleção lá", afirma Mesquita.

A instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e administrada pela organização social Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), terá também como "prioridade para os próximos cinco anos" construir outro edifício, na cidade de São Paulo, para exibir apenas suas obras de arte contemporânea (desde 2007, foram adquiridos cerca de 2 mil trabalhos). É um projeto que vem se arrastando há tempos - o museu apresenta, como um todo, menos de 10% de sua coleção. "Ainda não está definido um lugar, mas sem dúvida não queremos sair desta região (da Luz), que tem potencial e espaço", diz Ivo Mesquita. "Existe a história de que o novo prédio possa ser no espaço da escola (Prudente de Moraes), que pertence à Prefeitura, mas é necessário que ocorra a transferência dela para um outro edifício a ser reformado. É uma coisa complexa, a ser feita com a Secretaria de Educação da cidade, e você conhece o país em que vive, não é?", continua.

A Pinacoteca vem reestruturando sua diretoria e corpo administrativo desde abril, quando Marcelo Araujo, que dirigia o museu desde 2002, deixou o cargo para se tornar secretário de Estado da Cultura. Optando por um modelo de continuidade, a Apac transformou Ivo Mesquita, de 61 anos, de curador-chefe da instituição (desde 2007) em seu diretor técnico; manteve Miguel Gutierrez, de 60 anos, como responsável pela área financeira, e nomeou, no dia 15, Paulo Vicelli, de 32 anos, que trabalhava no Itaú Cultural, para o cargo de diretor de relações institucionais e captação de patrocínio. "As coisas foram crescendo de tal forma na Pinacoteca que minha vinda vem para fortalecer as relações com os patrocinadores e comecem a ser perenes", afirma Vicelli. Valéria Piccoli tornou-se curadora-chefe do museu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Posted by Cecília Bedê at 11:53 AM

Mudança turbulenta por Iracema Sales, Diário do Nordeste

Mudança turbulenta

Matéria de Iracema Sales originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal Diário do Nordeste em 29 de outubro de 2012.

Saída do CCBNB-Fortaleza do Edifício Raul Barbosa, no Centro, gera incertezas em artistas e frequentadores

Durante este mês, o processo de transferência do Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB (que vem se arrastando há pelo menos um ano e permanece indefinido), começou a tomar corpo. No último dia 4 de outubro, artistas participantes da exposição "Perambular, experimentar e correr perigo", em cartaz no térreo do Edifício Raul Barbosa, desde o dia 14 do último mês de setembro, foram chamados pela gerência do centro cultural para antecipar sua desmontagem.

O terceiro andar do prédio, que por muitos anos abrigou a biblioteca do equipamento, foi requisitado pela Justiça Federal do Ceará, que, desde 2001, ocupa a maioria dos 15 andares do prédio. Assim, o espaço de exposições foi desativado para dar lugar ao acervo.

"Nossa exposição ficaria até o dia 20 de outubro, mas acabou sendo desmontada na segunda semana. É uma interrupção no processo de construção não só da arte, mas da cidade", destaca Júlia Lopes, uma das participantes do curso de 10 meses do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza, que resultou na exposição. A insatisfação levou o grupo a organizar um debate em torno da situação do CCBNB-Fortaleza, que acontece na terça-feira (leia matéria abaixo).

Ruptura

Para alguns artistas, a falta de informações sobre a mudança é uma demonstração de descaso. "O pior é não saber do andamento das coisas. A sensação é de que não querem resolver. Não falta dinheiro, mas prioridade", opina o músico Amaudson Ximenes, presidente da Associação Cearense de Rock, que organiza há seis anos, em parceria com o CCBNB, o Rock Cordel.

Para ele, não se deve perder a dimensão do centro cultural como uma conquista importante para os fortalezenses. "É mais um equipamento que se perde. Não um lugar qualquer. Vários programas foram conquistados com o apoio do CCBNB, o próprio Rock Cordel, que dá espaço para bandas veteranas e novatas, os festivais de Música Instrumental, o Ponto.CE, o Forcaos, a Feira da Música.", avalia.

"Pensando sobre os equipamentos e as políticas culturais de Fortaleza hoje, que são tão precárias, dá pra ver que a perda desse espaço é, sim, significativa, e gera insegurança em todos", concorda Júlia.

De fato, no diálogo com os artistas, fica latente esta dúvida: até que ponto a mudança da estrutura pode significar o fim do centro enquanto instituição apoiadora de projetos? De todo modo, a expectativa entre eles é de que o equipamento não apenas continue existindo, mas que permaneça no Centro de Fortaleza.

Local

Mário Nogueira, 70 anos, é um frequentador assíduo do centro cultural. Ele se diz bastante preocupado com os rumos do projeto. "Ali no CCBNB, sou um dos usuários mais recentes da biblioteca, porque tenho amigos, também aposentados, que a frequentam há cinco ou seis anos. O local é praticamente um refúgio para essas pessoas, já que nós sabemos que Fortaleza não dá muitas opções de entretenimento para quem tem mais idade. Se ele for para um local no Centro, é uma boa. Mas depois da Praça do Ferreira, já não dá mais. Ali depois das 18h e nas imediações do Museu do Ceará é muito perigoso, embaixo do Cine São Luiz já virou uma favela", opina o aposentado.

Amaudson reforça o ponto de vista de Mário: "Se fosse confirmada a ida do CCBNB para o entorno do Dragão, entendo que o espaço ia ficar mais forte, criaria um circuito, dialogando com o outro equipamento, mas acho que ele devia ficar no Centro da cidade mesmo. O CCBNB é a cultura do pessoal que trabalha no Centro, que estuda por ali. Na hora do almoço ou depois do trabalho, sempre tem um show, uma exposição, um espetáculo, ali ao lado. Essas pessoas não vão poder se deslocar se for longe". E acrescenta: "O Centro de Fortaleza já está ficando mais pobre de cultura".

Outro incômodo que o processo tem causado aos usuários é a forma brusca como a mudança tem ocorrido. Ainda que o contrato de compra assinado pela Justiça Federal e pelo banco tenha estabelecido uma mudança gradual da estrutura, artistas e usuários do espaço afirmam o contrário.

"Foi, de certa forma, do dia pra noite mesmo, porque nos comunicaram na quinta-feira e, de sexta para sábado, tivemos que desmontar a mostra", revela Júlia Lopes.

Mário Nogueira concorda. "Está sendo muito rápido e aquele espaço de exposição é muito precário para abrigar a biblioteca, que, aliás, já merecia um lugar melhor do que o que tinha no terceiro andar. Aquele acervo tem raridades que não existem nem na Biblioteca Nacional. Como é que pode transferir tudo aquilo em 10 ou 15 dias? E se perdem alguma coisa numa mudança dessas?", questiona.

Artistas debatem indefinição do centro cultural

Na próxima terça-feira, dia 30 de outubro, os integrantes do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza, autores da exposição "Perambular, experimentar e correr perigo", convidam a classe artística para um debate sobre a situação do CCBNB-Fortaleza.

Mostra "Perambular, experimentar e correr perigo": desmontagem antecipada no CCBNB

Segundo o coordenador do Programa de Pesquisa, Enrico Rocha, o debate tem como tema central a relação das produções artísticas com as instituições. "Não queremos fazer esta conversa apenas para avaliar a desmontagem da nossa exposição. Pelo contrário: queremos estender o debate para a sociedade, para pensarmos sobre o lugar da arte na construção da cidade e onde e como ela tem sido difundida", explica o coordenador. Para ele, as instituições culturais e escolas de formação que assim se intitulam possuem uma responsabilidade muito maior com o produto cultural do que simplesmente ceder um espaço. "Não se trata apenas de espaço físico ou de recurso financeiro. É lógico que sem essas coisas não há produto artístico, mas o que se espera das instituições é muito mais do que o físico, é o comprometimento. Então, o que vamos debater é esse grau de compromisso", ressalta Enrico.

Convidados

Entre os convidados para a conversa estão Silvia Bessa, coordenadora da Vila das Artes; Jacqueline Medeiros, coordenadora de artes visuais e gerente interina do Centro Cultural Banco do Nordeste; o cineasta Alexandre Veras, do Alpendre; Beatriz Furtado, professora da Graduação em Cinema e Audiovisual da UFC e ex-titular da Secultfor; e o artista Moacir dos Anjos, ligado à Fundação Joaquim Nabuco.

Posted by Cecília Bedê at 11:39 AM

BNB garante continuar com centro cultural por Fábio Marques, Diário do Nordeste

BNB garante continuar com centro cultural

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal Diário do Nordeste em 29 de outubro de 2012.

Após a venda de sua sede, o destino do equipamento continua incerto. Parte do prédio já foi desocupada

Exatamente um ano após a venda da parte do Edifício Raul Barbosa que (ainda) abriga o Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) em Fortaleza, o destino do equipamento continua incerto. Adquirido por R$10 milhões pela Justiça Federal, os quatro andares pertencentes ao Centro Cultural já começaram a ser entregues, tendo sido desocupado no início do mês o terceiro andar, onde funcionava sua biblioteca.

O insucesso das negociações que até hoje foram divulgadas e a falta de informações mais concretas por parte da diretoria sobre novas soluções vem fomentando boatos e especulações, que chegam a apontar prédios que estariam sendo negociados, sugerir possíveis destinos e até mesmo cogitar o encerramento das atividades. A diretoria do banco respondeu perguntas do Diário do Nordeste, por e-mail, e foi taxativo em afirmar: "Não há possibilidade do Centro Cultural Banco do Nordeste deixar de funcionar. O Banco do Nordeste vai continuar apoiando a cultura, por entender que cultura também é um fator de desenvolvimento".

O prazo para desocupação total encerra-se em março de 2013. Cinco meses são, portanto, o prazo que o Centro Cultural tem para negociar, adquirir, preparar e mudar-se para a nova sede sem que suas atividades sejam interrompidas. O banco garante que as negociações estão em andamento, mas opta por não revelar detalhes nem dos possíveis locais, nem do valor estipulado para a compra da nova sede.

O presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares, defende a mudança do Centro Cultural BNB para o entorno da instituição, na Praia de Iracema. Para ele, uma ação que fortaleceria o potencial cultural e criativo da área.

Rumores

Entre os possíveis endereços cogitados, está o de um prédio situado no cruzamento das ruas São Paulo com Major Facundo, que já está sendo reformado. Segundo foi apurado, o prédio na realidade receberá apenas a agência do banco, que hoje funciona no quarto andar no Edifício Raul Barbosa. As obras no local não têm prazo de conclusão.

O andar onde hoje funciona a agência deveria ter sido entregue à Justiça Federal no início deste mês. Como o novo endereço não está pronto, para não descumprir o acordo, o banco cedeu à Justiça o terceiro andar, onde funcionava sua biblioteca, que foi transferida para o térreo.

Uma outra opção de mudança foi cogitada pelo presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares. O sociólogo defende que o entorno do Dragão do Mar dispõe de prédios aptos a receber o equipamento e destaca os ganhos para a área com uma possível instalação do CCBNB.

"Eu acho que essa região tende a se tornar um distrito criativo e a gente vai trabalhá-la neste sentido, com a criação da Escola Porto Iracema, a recém-inaugurada Caixa Cultural, o Sesc-Senac. A vinda do CCBNB, essa energia dos equipamentos juntos, criaria uma energia comum muito importante do ponto de vista urbanístico", argumenta. Segundo Linhares, a sugestão não foi passada oficialmente ao banco, mas já chegou a sondar um possível endereço, cujo prédio teria capacidade para abrigar o CCBNB. "Não vou revelar onde é, para evitar especulação imobiliária", despista.

Realidade

Por meio da assessoria de comunicação, o BNB confirma que não há nenhuma negociação em curso quanto a ocupação de prédio no entorno do Dragão do Mar. O banco se furta a comentar a possibilidade de, caso não apronte a nova sede até março, sua programação ser mantida em parceria com outros equipamentos. Sobre o assunto, responde apenas que "faz parte da tradição do Centro Cultural Banco do Nordeste realizar ou apoiar atividades fora de sua sede. Temos projetos desenvolvidos em diversos outros espaços culturais da cidade".

Sobre o recente episódio de desocupação do segundo andar, que levou a suspensão, por falta de espaço, da exposição "Perambular, Experimentar e Correr Perigo" - produzida pela primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza e que estava em cartaz no térreo, onde foi instalada a biblioteca - o banco afirma que, até o prazo final, em março, nenhuma outra área será desocupada. Apesar da indefinição de quando e onde, a assessoria garante que uma nova sede será adquirida e que todo o equipamento técnico disponível atualmente no Centro Cultural será utilizado no novo espaço. O planejamento orçamentário para 2013, também não ainda está definido.

"A agência deveria estar saindo ainda em outubro"

Antônio Carlos Marques
Diretor da Secretaria Administrativa da Justiça Federal do Ceará

Desde quando vinha sendo negociada a compra do prédio?

As tratativas iniciais foram realizadas entre 2005 e 2007, mas foi em meados de 2010 que foram retomadas as negociações. Em 2011, finalizou-se o processo de compra com assinatura de contrato entre as partes envolvidas, bem como um contrato de concessão de uso entre a União Federal - através da Justiça Federal - e o Banco do Nordeste.

No início do mês, o segundo pavimento já foi desocupado pelo Centro Cultural. Qual o calendário de mudança?

Até o presente momento, a JFCE já ocupou o subsolo, onde fez uma reforma, e a metade do 2º andar, onde fez algumas adaptações. Entre 6 e 7 de novembro, será iniciada a reforma.

A mudança está sendo cumprida de acordo com o planejado?

A agência bancária deveria estar saindo ainda em outubro de 2012, mas está sendo assinado um aditivo prorrogando a concessão até março de 2013, quando sairá do prédio, juntamente com o CCBNB-Fortaleza.

Posted by Cecília Bedê at 11:33 AM