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Como atiçar a brasa

 


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outubro 20, 2009

Busca nas cinzas por Inês Amorim e Miguel Conde, O Globo

Matéria de Inês Amorim e Miguel Conde originalmente publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo em 19 de outubro de 2009.

Família de Hélio Oiticica vasculha escombros do incêndio à procura de obras.

Com as mãos sujas de fuligem, César Oiticica Filho levanta um papel escurecido pelo fogo, que esconde diversos metaesquemas, inacreditavelmente preservados do fogo que destruiu, na noite de sexta-feira, boa parte do acervo de Hélio Oiticica, no Jardim Botânico. Passado o choque inicial, é hora de tentar resgatar das cinzas, literalmente, o que restou da obra do artista.

Inicialmente, a família estimou que 90% do acervo havia sido destruído.

- Olhando tudo queimado, parecia que não tinha sobrado nada, mas vimos que é possível recuperar algumas obras. Há uns bilaterais que estão chamuscados, mas que podem ser restaurados, assim como alguns bólides, que estão com o vidro rachado, mas podemos fazer outro - conta Oiticica Filho, curador do projeto Hélio Oiticica e sobrinho do artista.

Além dos penetráveis que estão na reserva técnica do Centro de Artes Hélio Oiticica, instalações e maquetes que estavam guardadas na garagem da casa de César Oiticica, irmão do artista, também foram preservadas.

- São peças de madeira crua, náilon, por isso estavam lá enquanto não fazíamos a obra para ampliação da reserva técnica. Além disso, há caixas na sala onde aconteceu o incêndio que ainda não foram abertas, e pode haver algo, embaixo, em bom estado. Uma técnica do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) esteve aqui ontem (sábado) e nos deu algumas boas orientações. Uma delas é não mexer muito nas coisas ainda - afirma Oiticica Filho.

Ele explica que boa parte do material já estava digitalizado, e que, como muitas obras são criadas com base nos projetos, podem ser recriadas. Entre trabalhos conservados está a série “Cosmococas”, cinco projeções feitas em parceria com o cineasta Neville de Almeida, que ganharão ambiente especial no Centro Inhotim, em Minas Gerais.

- O fundamental é que as proporções, as plantas e os projetos foram preservados. Está tudo digitalizado, e é isso que vai perpetuar a obra. O pensamento do Hélio é a parte mais importante de seu trabalho, e isso está preservado - argumenta Oiticica Filho.

Tragédia é incomparável, afirma diretor do MAM

Ainda abalado, o curador alerta que a arte brasileira está relegada a segundo plano.

- Se esta tragédia servir para alguma coisa, que seja para abrir os olhos do poder público para a necessidade de olhar para os acervos inestimáveis dos artistas brasileiros que não estão recebendo a devida atenção - diz o curador.

- A secretária (de Cultura, Jandira Feghali) nunca fez a proposta de comodato, como afirmou à imprensa. Acho deselegante, de muito mau gosto, ela falar isso num momento de luto da arte brasileira.

A diretora do Centro Hélio Oiticica, Ana Durães, reafirmou ontem que há cerca de dois meses, numa reunião com a família do artista, sugeriu o comodato, que teria sido rejeitado. Luiz Camillo Osório, diretor do Museu de Arte Moderna (MAM) - atingido em 1978 por um incêndio que devastou seu acervo - diz que não há na história da arte brasileira tragédia comparável à perda das obras de Oiticica.

- É como se de uma hora para outra se implodisse o Pão de Açúcar. Desapareceu um símbolo marcante da Cultura brasileira. A perda é incomensurável, particularmente dos bólides.

Eles têm uma presença plástica que se perde em qualquer tipo de réplica. Temos que repensar tanto o financiamento público quanto a participação da própria sociedade nos museus. Isso tudo mostra o descaso da sociedade brasileira com seu patrimônio.

O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, admite que são muitos os artistas brasileiros contemporâneos que armazenam suas obras no próprio ateliê, por falta de espaços adequados. Em janeiro, reportagem do Segundo Caderno mostrou a luta dos herdeiros de Franz Weissman para preservar o acervo do escultor, hoje guardado precariamente num galpão em Ramos. O governo, diz Manevy, tem tido conversas preliminares com a família de Oiticica e outras para criar um museu dedicado à arte contemporânea do país.

- O ministro espera receber a família em breve para uma conversa, podemos buscar recuperar parte do que foi destruído.

Posted by Cecília Bedê at 2:54 PM