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Como atiçar a brasa

 


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abril 12, 2014

Masp aceita ampliar conselho para acolher nomes indicados por parceiros por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Masp aceita ampliar conselho para acolher nomes indicados por parceiros

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 10 de abril de 2014.

Em reunião na tarde desta quinta (10), a diretoria do Masp e alguns dos conselheiros do museu deram início ao que chamam de "processo de transição" na gestão do museu. Uma primeira decisão será aumentar o número de conselheiros da instituição, dos atuais 30 para 80 membros.

Essa é uma exigência dos novos parceiros do museu, entre eles o Itaú, para fazer um resgate financeiro da instituição, que acumula pelo menos R$ 8 milhões em dívidas. Os novos conselheiros seriam indicados por uma diretoria futura ainda em discussão, mas para que eles entrem nos quadros do museu é preciso que seja aprovada uma mudança em seu estatuto.

Um integrante da diretoria que estava na reunião disse à Folha que a mudança estatutária já foi discutida nessa reunião e um novo encontro do conselho será marcado para homologar a decisão, mas que "será rápida a convocação" e que a mudança "com certeza será aprovada".

Com essa aprovação e a escolha de novos conselheiros, a atual presidente, Beatriz Pimenta Camargo, que estava na reunião e conduz o processo de transição, deixaria seu cargo para ser substituída por um novo presidente. O nome mais cotado é Heitor Martins, ex-dirigente da Fundação Bienal de São Paulo.

Também ficou decidido que o Itaú, no que alguns integrantes da diretoria chamam de "gestão compartilhada", funcionaria como um "catalisador de recursos e de novos investidores e parceiros para gerir o museu".

De acordo com uma pessoa próxima à negociação no banco Itaú, no entanto, "gestão compartilhada" não é a melhor definição para a parceria. O banco deverá, no entanto, ajudar a angariar os recursos necessários para a operação e manutenção do museu, que custa cerca de R$ 1,5 milhão por mês.

Posted by Patricia Canetti at 4:11 PM

Masp confirma estudar 'novo modelo' para sua diretoria e parceria com Itaú por Mário César Carvalho e Silas Martí, Folha de S. Paulo

Masp confirma estudar 'novo modelo' para sua diretoria e parceria com Itaú

Matéria de Mário César Carvalho e Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 10 de abril de 2014.

O Masp informou que está construindo "um novo modelo para garantir sua sustentabilidade", confirmando reportagem desta quinta-feira da "Ilustrada".

Após uma primeira mensagem, segundo a qual não iria se manifestar, o Masp confirmou, por meio de sua assessoria, que "a revisão de sua governança, ampliação do quadro de conselheiros e renovação de sua diretoria" fazem parte do "novo modelo".

O empresário Heitor Martins, ex-presidente da Fundação Bienal de São Paulo, é cotado para substituir a atual presidente, Beatriz Pimenta Camargo, conforme diz a reportagem na "Ilustrada".

Sobre isso, o museu diz que Martins está "sendo considerado", mas que "Beatriz tem cumprido papel fundamental" e "qualquer alteração pressupõe a permanência dela entre as lideranças".

Sobre uma parceria com o Itaú, o museu diz na nota oficial que também procura outras empresas, mas que o banco "tem se mostrado sensível à causa do Masp".

O Itaú pode atuar como uma espécie de fiador das mudanças e ajudar a fornecer novas diretrizes. Um dos modelos que o Masp persegue para dar credibilidade a uma nova gestão é o do MAR (Museu de Arte do Rio), cujo presidente é Carlos Gradim.

O Masp não quis precisar o valor da sua dívida. Também disse desconhecer a decisão da Vivo de abandonar a parceria com o museu.

Segundo a Folha apurou, salários de funcionários estavam atrasados, mas a instituição nega. A nota oficial não comenta os projetos inadimplentes do museu junto ao Ministério da Cultura.

Caso a negociação para trocar a diretoria avance, será rompido um ciclo de 20 anos no comando do museu. Desde 1994, quando o arquiteto Júlio Neves assumiu a direção, ele e seus aliados se revezam no comando.

Em nota oficial, a Vivo afirma que "cumpriu e está cumprindo todas as suas obrigações com o Masp".

Posted by Patricia Canetti at 3:59 PM

Museu de Arte de São Paulo acumula dívidas e negocia troca de diretoria por Mário César Carvalho e Silas Martí, Folha de S. Paulo

Museu de Arte de São Paulo acumula dívidas e negocia troca de diretoria

Matéria de Mário César Carvalho e Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 10 de abril de 2014.

Ler também: Masp confirma estudar 'novo modelo' para sua diretoria e parceria com Itaú

Nunca uma crise tão grave atingiu o Masp. Com dívidas de pelo menos R$ 8 milhões, atrasos nos pagamentos dos funcionários e pendências no Ministério da Cultura, o maior museu da América Latina enfrenta restrições para captar recursos por leis de incentivo.

Por isso, está pedindo a ajuda de grandes empresas.

Uma negociação entre a cúpula do museu e empresários está em curso para iniciar um resgate e trocar o comando da instituição —exigência de eventuais parceiros.

O nome em discussão para liderar uma nova diretoria é o do empresário e consultor financeiro Heitor Martins, ex-dirigente da Fundação Bienal de São Paulo, responsável por tirar a entidade da crise.

Um trunfo dele é ter atraído o apoio financeiro do Itaú.

Martins pode substituir a atual presidente, Beatriz Pimenta Camargo, na função há um ano, ou ocupar outro cargo no museu —o Masp é uma associação privada que recebe recursos das três esferas de governo, mas não aceita que representantes delas participem de sua gestão.

"Não posso falar nada ainda, além do fato de que eu gostaria de contribuir", diz Martins à Folha. "O Masp é um ícone, uma instituição incrível e sempre tivemos discussões sobre o museu. Mas não há nada de concreto."

A crise não é nova. O Masp já enfrentou corte de luz e telefone em 2006 e, no ano seguinte, foi invadido por ladrões que levaram quadros de Picasso e Portinari —a porta por onde eles entraram está corroída na base até hoje.

Com problemas na prestação de contas de cinco projetos ao Ministério da Cultura, o Masp sofre para realizar novas exposições neste ano, já que terá dificuldades de captar recursos por mecanismos federais de incentivo.

O anexo do museu já está descartado. Uma parceria feita com a Vivo no prédio ao lado tem obras paralisadas desde 2012, quando o prédio deveria ter sido inaugurado.

No final do ano passado, a empresa de telefonia cobrou do museu a devolução do patrocínio ao prédio, entregue em 2006 —R$ 23 milhões em valores atualizados.

Enquanto isso, Heitor Martins vem se reunindo desde novembro com a direção do Masp e já sondou profissionais para sua eventual diretoria, como o advogado Alexandre Bertoldi, o professor e colecionador Miguel Chaia e o empresário Nilo Cecco.

"Ele [Heitor Martins] me perguntou se eu participaria do grupo", afirma Cecco. "Não tive contato maior ainda com o Heitor, mas acho fantástica essa ideia dele."

Um integrante da diretoria do Masp afirma que uma troca de comando chegou a ser discutida em outubro numa reunião dos sócios do museu, o grupo de membros vitalícios com maior poder de decisão.

Outra reunião, que pode ocorrer neste mês ou no mês que vem, deverá ter na pauta a mudança de estatuto da instituição, para permitir uma reforma de sua diretoria.

Embora Martins já tenha travado longas conversas com o Masp e desenhado um time próprio, ele ainda precisa arregimentar parceiros.

Mesmo tendo manifestado interesse, o banco Itaú aguarda confirmação de outras empresas, entre elas o Bradesco, que, segundo negociadores, estuda entrar na iniciativa. O banco não confirma.

Os governos municipal e estadual apoiam a mudança, já que esperam, com isso, participar da gestão do museu.

Por meio de sua assessoria, o Masp informou que estuda "um novo modelo para garantir sua sustentabilidade.

Posted by Patricia Canetti at 3:50 PM

abril 8, 2014

Bienal do Barro aporta em Caruaru para discutir arte feita no Agreste por Vitor Tavares, G1

Bienal do Barro aporta em Caruaru para discutir arte feita no Agreste

Matéria de Vitor Tavares originalmente publicada no portal G1 em 2 de abril de 2014.

Organizadores dizem que é o 1º evento do tipo a ser realizado no Brasil. Bienal acontece em três espaços da cidade, de 12 a 19 de maio.

I Bienal do Barro do Brasil, Caruaru, PE - 13/04/2014 a 19/05/2014
Núcleo contemporâneo, Espaço Cultural Tancredo Neves
Núcleo histórico, Sesc Caruaru

Para discutir e questionar a produção artística feita em barro, nada mais natural do que o centro das atenções se voltar para Caruaru, no Agreste de Pernambuco.Terra de artistas-chave sobre o assunto, como Mestre Vitalino, a cidade vai ter a oportunidade de ser envolvida por uma arte contemporânea que utiliza o material como matéria-prima, durante a I Bienal do Barro do Brasil. O evento vai reunir, de 12 de abril a 19 de maio, artistas brasileiros que irão expor suas obras, além de levantar questões importantes, como a preservação artística da região.

Inédita no Brasil, a Bienal irá ocupar espaços antes negligenciados em relação ao uso artístico, como a Fábrica Caroá, no Pátio de Eventos da cidade. A ideia de presentear Caruaru com o evento vem sendo fomentada, desde 2006, pelo artista plástico Carlos Mélo, natural de Riacho das Almas, mas considerado caruaruense. Em coletiva de imprensa realizada no Recife, nesta quarta-feira (2), ele revelou que o trabalho desenvolvido é para perpetuar o barro como uma marca cultural do Agreste e que, como tal, possa ser reinventado.

Com a curadoria do carioca Raphael Fonseca, a primeira Bienal de Barro Brasileira surge com o tema "água mole, pedra dura" e se concentra nas atividades de 16 artistas - entre eles, a alagoana residente em Caruaru Presciliana Nobre, José Rufino e Daniel Murgel. "A cidade sempre teve uma cena cultural muito interessante, com nomes da música, teatro, mas sentia que faltava algo para as artes visuais. E a ideia da bienal surge não para vender e levantar peças, promover o artesanto, mas discutir a produção e até a ocupação de espaços como o Alto do Moura", comentou Carlos.

Para abrigar todas as ações, a Bienal será dividida entre o Núcleo Contemporâneo (na Fábrica Caroá, com a exposição dos artistas) e o Núcleo Histórico (que ocupará o Sesc Caruaru, com instalações e oficinas). Um ciclo de atividades que Carlos Mélo vem realizando, como exposições em Belo Jardim e em Caruaru, sempre ligadas ao barro, foi o embrião da Bienal. Agora, ampliando a discussão, espera-se que a cidade realmente seja incorporada ao mundo das artes visuais de forma diferente, em variados suportes, sem ser apenas através da já tradicional arte figurativa.

Produção artística
"A gente procurou pessoas que trabalham de forma diferente, que tivessem discutindo questões interessantes para a Bienal e que pudessem lançar uma luz sobre a cena cultural do Agreste", comentou Carlos Mélo, que, além de idealizador, é co-curador do evento.

Todos os artistas que irão expor seus trabalhos na Bienal passaram por uma espécie de residência artística no Alto do Moura, para poderem produzir um material mais íntimo com a região. Eles também buscaram a matéria-prima - o barro - no Vale do Ipojuca.

Dentre as intervenções presentes, está a de Presciliana Nobre, que irá produzir uma garrafa do seu tamanho, durante os dias do evento. Já o artista José Paulo irá utilizar 13 mil tijolos para produzir sua obra. A todo tempo, a promessa é de que os visitantes consigam interagir com o ambiente da Bienal.

No Núcleo Histórico, também haverá a exposição de fotografias de Pierre Verger, que fotografou artistas do Alto do Moura em 1947. É a primeira vez que a mostra chega em Caruaru, com 21 imagens selecionadas por Carlos Mélo.

A intenção dos organizadores também é perpetuar a Bienal pelos próximos anos, para que a discussão sobre a produção artísitca do Agreste não se acabe. Além disso, Carlos Mélo pretende realizar exposições sobre o barro durante todo ano. "Queremos que seja um evento que deixe uma herança grande para o povo de Caruaru, que não se acabe em si mesmo, porque há muitas questões de serem tratadas", finalizou Melo. No dia de abertura do evento, toda a família do Mestre Vitalino estará presente para prestigiar.

Posted by Patricia Canetti at 7:49 PM

Referência da arte contemporânea, Christian Boltanski cria instalação para São Paulo por Camila Molina, Estado de S. Paulo

Referência da arte contemporânea, Christian Boltanski cria instalação para São Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 8 de abril de 2014.

'Sou minimalista sentimental', diz o artista francês, que abre mostra no Sesc Pompeia

Christian Boltanski - Boltanski 19.924.458 +/-, SESC Pompeia, São Paulo, SP - 09/04/2014 a 29/06/2014

"Sou um minimalista sentimental", diz o artista francês Christian Boltanski. Em 2012, quando exibiu Chance na Casa França-Brasil do Rio, a obra, que o havia representado na Bienal de Veneza de 2011, tratava de uma engrenagem sobre destino e acaso. Agora, em São Paulo, ele coloca outra questão essencial de suas criações, o tema da vida e morte na instalação inédita 19.924.458 +/-, que será inaugurada hoje à noite no Sesc Pompeia.

No espaço de convivência da instituição, 950 torres feitas de papelão e listas telefônicas traduzem a metrópole e sua população. Entre os milhares de nomes impressos, já não sabemos quem vive e quem já deixou de existir. Mais ainda, um flash de luz a cada dois minutos e 40 segundos indica que uma pessoa nasceu na cidade e um apagão a cada seis minutos expressa que alguém morreu em São Paulo. Depoimentos de imigrantes, projetados de 25 das torres da instalação, como totens sonoros, completam a obra.

No sábado à tarde, com vista para o mar de prédios da metrópole, no Terraço Itália, o artista afirmou que não quis reproduzir São Paulo na instalação, mas criar um retrato da "fragilidade da vida". Abaixo, trechos da entrevista com o artista, que hoje, às 19 h, realiza palestra no Sesc Pompeia.

Quando o senhor teve as primeiras ideias para desenvolver esta obra?

Já estive em São Paulo tempos atrás, mas há dois anos passei um dia inteiro na cidade, o que me deu uma grande impressão, pensei: Quantas pessoas aqui. Sou um interessado pelas pessoas comuns. E em São Paulo, mais do que outro lugar, há tantas vidas. A beleza da cidade é essa diversidade de pessoas. Primeiro, foi importante para mim escolher o Sesc Pompeia porque essa peça seria totalmente diferente se apresentada em um museu. É um espaço público, com visitantes que, muitas vezes, não sabem nada sobre arte. Para mim, fazer arte é fazer perguntas e dar emoção. Quero tocar pessoas que não sabem nada de arte. Se uma pessoa sabe, cria um rótulo, e a obra deixa de ser tocante. Pode parecer uma brincadeira, mas se alguém vai a uma mostra minha e diz que Boltanski é um bom artista pós-conceitual do século 20, então penso que minha arte é muito ruim. Com esse trabalho, queria fazer algo minimalista e, ao mesmo tempo, sentimental. É ridículo dizer, mas sou um minimalista sentimental. É uma peça sobre as pessoas de São Paulo, mas também sobre como a vida é curta. E por isso a obra parece um cemitério.

A instalação parece uma espécie de monumento e faz lembrar, de certa forma, o Memorial do Holocausto, na Alemanha. O senhor concorda?

Sim. Quando disse que o trabalho se parece com um cemitério, é quase como dizer que é um monumento. Mas, ao mesmo tempo, é como uma cidade. São páginas de listas telefônicas - e não há mais delas em São Paulo -, tivemos de procurá-las em outro lugar (em Jundiaí, conta o curador Marcello Dantas). Algumas das pessoas cujos nomes estão na lista estão na cidade e outras, não mais. Há todos esses nomes, mas alguns já nos faltam. É uma peça minimalista. E você pode ficar perdido dentro dela. O Memorial do Holocausto é completamente sólido, e em meu trabalho, as torres não são de bronze ou pedra, são de papel, muito frágeis e, claro, falam da fragilidade da vida. Depois, serão destruídas indicando que nada é para sempre.

O senhor já disse não ser um artista político. Que seu trabalho é moral.

Não, isso seria muito pretensioso. Não sou um artista político. Faço perguntas como qualquer pessoa faz. E não acredito que exista um artista moderno. A arte faz as mesmas perguntas há anos. Na arte moderna, na Idade Média. E para algumas não há respostas. É uma obra sobre vida e morte, sobre estarmos só. São as mídias que mudam. Mas alguém poderia perguntar: Há progresso na arte? Não, não há. A arte não é melhor hoje do que há 20 anos. A pergunta é sempre a mesma, mas a linguagem é diferente. Não sou um artista político. Não sei nada sobre São Paulo ou sobre o Brasil. A instalação é uma obra sobre pessoas.

E como foi o processo criativo da obra, feita especialmente para São Paulo?

Foi lento. Primeiro, não queria usar papelão, mas apenas listas telefônicas. Não foi possível porque necessitaríamos de milhares de listas telefônicas. E, minha primeira ideia foi também colocar uma máquina para destruí-las. A peça ficaria vazia até o final da exposição. Construo obras grandes e já fiz criações para ópera, por exemplo, trabalhos para apenas uma semana. Já Chance, que estava na Bienal de Veneza, está sendo agora apresentada na Austrália numa versão muito maior. Penso, então, minha obra como uma partitura musical. Agora, toco minha própria música, mas quando estiver morto, gostaria que as pessoas tocassem a minha música. O trabalho vai mudar com o tempo. Agora, o que faço são grandes projetos ou projetos permanentes, como em Teshima (no Japão), na Tanzânia - vendi minha vida a um homem da Tanzânia.

Ao mesmo tempo, seu projeto 'Arquivos do Coração' também será realizado em São Paulo. Poderia contar algo sobre ele?

Criei esse projeto há mais ou menos sete anos. É uma máquina simples, com um estetoscópio e um computador para coletar batimentos cardíacos. No Japão, em minha fundação em uma ilha, Teshima, há um arquivo de batimentos cardíacos para qualquer um ouvir. A obra é o arquivo. Vamos capturar batimentos em São Paulo também. Por um dólar a pessoa tem seu batimento gravado e isso vai para o Japão.

Vendo esta vista da cidade, a sua obra pode até parecer um pouco claustrofóbica.

É tão populosa a cidade. Mas a obra não é uma cópia de São Paulo. Nem apenas relacionada a ela. Temos som, textos, tem depoimentos de imigrantes sobre seu primeiro contato com a cidade. É um retrato humano.

Posted by Patricia Canetti at 7:34 PM

Hugo Segawa é oficialmente indicado para direção do MAC-USP por Camila Molina, Estado de S. Paulo

Hugo Segawa é oficialmente indicado para direção do MAC-USP

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 7 de abril de 2014.

Gestão de Tadeu Chiarelli na direção do museu está marcada para terminar no dia 29 deste mês

Em reunião realizada nesta segunda-feira, 7, pela manhã, o conselho do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP indicou oficialmente Hugo Sewaga, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da universidade, para ser o próximo diretor da instituição. A gestão de Tadeu Chiarelli na direção do museu está marcada para terminar no dia 29 deste mês. Segawa foi o único candidato apresentado pelos conselheiros do MAC, recebendo nove votos (apenas um foi nulo). Não existe um prazo para que o reitor da USP, Marco Antonio Zago, decida sobre a indicação, mas o museu pediu brevidade de decisão para que Chiarelli possa ele próprio fazer a transição dos cargos.

Uma portaria aprovada em fevereiro pela USP decidiu pelo fim da criação de uma lista tríplice para a escolha de diretores e vice-diretores das Unidades de Ensino e Pesquisa, Museus e Institutos Especializados. "O Diretor, com mandato de quatro anos, vedada a recondução, será designado pelo Reitor, se tiver obtido maioria absoluta de votos, em primeiro turno, votado pelo Conselho Deliberativo", diz ainda o documento.

Procurado pela reportagem do Estado na última sexta-feira, Hugo Segawa não quis comentar sobre o MAC-USP. "É um projeto institucional e não pessoal, prefiro esperar a eleição", afirmou o professor da FAU. "Prefiro conversar antes com o reitor pois a USP passa neste momento por exames de sua situação, há prioridades, questões", completou Segawa.

O conselho do MAC que indicou o professor da FAU foi formado por Tadeu Chiarelli, Cristina Freire, Helouise Costa, Ana Magalhães, Katia Canton, Carmen Aranha, Vera Filinto, Eugênia Vilhena, Geórgia Kyriakakis e Eduardo Morettin.

Posted by Patricia Canetti at 7:24 PM

Dados parciais atestam crescimento de 59% do faturamento da SP-Arte por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Dados parciais atestam crescimento de 59% do faturamento da SP-Arte

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 7 de abril de 2014.

SP Arte 2014, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP - 03/04/2014 a 06/04/2014

Um balanço parcial de vendas da SP-Arte, encerrada no último domingo (6), mostra que o faturamento da feira aumentou cerca de 59%, saltando de R$ 99 milhões no ano passado para R$ 157 milhões na atual edição.

Esse montante, compilado pela Fazenda estadual, corresponde apenas às transações que tiveram benefício fiscal, ou seja, isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias. Só vendas de obras importadas para colecionadores que moram no Estado de São Paulo têm esse desconto.

Isso significa que o faturamento total da feira pode ter sido muito maior, mas um número preciso é quase impossível de calcular, já que galerias não são obrigadas a divulgar seus balanços de venda e muitas delas omitem esses dados.

SP-Arte 2014 - ver imagens na Folha

Esse crescimento de 59% no faturamento parcial, no entanto, já serve de termômetro para o mercado e acalma os ânimos de quem apostava num esfriamento do mercado.

Mas também é um indício de que obras estrangeiras tiveram saída melhor, ou pelo menos mais rápida, que obras nacionais, já que peças mais caras das galerias locais ficaram encalhadas nos estandes, com preços altos demais.

É o caso de uma tela de Tarsila do Amaral, que estava à venda por R$ 17 milhões, um relevo de Sérgio Camargo de R$ 7 milhões e uma instalação de Hélio Oiticica de R$ 3,36 milhões.

Enquanto isso, casas estrangeiras, como a italiana Cardi, venderam obras mais um pouco mais baratas, como uma tela do argentino Lucio Fontana por R$ 3,09 milhões. Outra pintura do alemão Georg Baselitz saiu por R$ 1,47 milhão na galeria francesa Thaddaeus Ropac.

Posted by Patricia Canetti at 7:16 PM

SP-Arte chega à 10ª edição ameaçada por alta de preços e economia frágil por Silas Martí, Folha de S. Paulo

SP-Arte chega à 10ª edição ameaçada por alta de preços e economia frágil

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 31 de março de 2014.

SP Arte 2014, Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP - 03/04/2014 a 06/04/2014

Do mezanino do pavilhão da Bienal, Fernanda Feitosa olhava os operários erguendo as paredes da SP-Arte. "Parece que tudo começou ontem", dizia a diretora do evento, com um leve suspiro.

Mas a maior feira de arte abaixo da linha do Equador abre depois de amanhã as portas de sua 10ª edição, fechando um ciclo de expansão que viu o número de galerias no país saltar de oito, nos anos 1990, para mais de 50 delas em atividade agora.

Enquanto a SP-Arte faz dez anos, as galerias Luisa Strina e Raquel Arnaud chegam aos 40 e a Casa Triângulo completa 25, o mercado parece ter atingido sua maturidade. E com ela, vem a preocupação.

Em parte por este ser um ano atípico, de Carnaval tardio, que retardou o início das vendas, e com Copa do Mundo e eleições a caminho.

Isso tudo na ressaca do rebaixamento da nota da economia brasileira por agências de classificação de risco.

"É um momento tenso", diz Ricardo Trevisan, da Casa Triângulo. "Muitas galerias abriram e já fecharam. Só as melhores vão ficar. A SP-Arte vai ser um grande teste."

Desde que começou, em 2005, a feira mais do que quadruplicou de tamanho físico e saltou de 41 galerias na primeira edição para 136 agora.

Só no ano passado, as cinco maiores casas do mundo -as americanas Gagosian, Pace e David Zwirner, a suíça Hauser & Wirth e a britânica White Cube- bateram ponto no Ibirapuera, uma reunião inédita na América Latina.

Mas depois do pico eufórico, a situação agora é outra.

"Está havendo uma retração no mercado", diz Luisa Strina, no escritório de sua galeria nos Jardins. Mas os motivos vão além da tensão no quadro macroeconômico.

No meio da entrevista, toca o telefone. "Ele quer 1 milhão? Jura? Dois milhões? Acho caro", dizia a galerista, equilibrando uma caneta sobre os dedos da mão. "Muito caro. Não tem condições."

De fato, preços estão em alta acelerada desde que comprar arte virou moda e fortunas se constroem e se desmancham no ritmo frenético do mercado financeiro.

Enquanto obras de estrangeiros que já custavam caro continuam no mesmo patamar, artistas brasileiros acompanham a ascensão do mercado global, batendo recordes em leilões.

Mas com o receio de uma estagnação econômica, a seleção de artistas nesta SP-Arte sofreu ajustes. Enquanto as obras no ano passado chegavam a custar R$ 14 milhões, agora a expectativa é de um pico em torno de R$ 5 milhões.

Victoria Gelfand, diretora de vendas da Gagosian, em Nova York, adiantou à Folha que o foco da galeria nesta edição da feira serão os artistas contemporâneos, mais baratos do que grifes modernas, como Pablo Picasso, que trouxe em anos anteriores.

"Mesmo que o mercado pareça robusto, as pessoas estão preocupadas", diz Alex Logsdail, diretor da galeria Lisson, em Londres. "Colecionadores estão cautelosos."

No alto escalão do mercado, galerias como a nova-iorquina Van de Weghe, que já trouxe à feira obras de Gerhard Richter, o artista vivo mais caro do mundo, com uma pintura leiloada por
R$ 83,5 milhões, também já estão bem mais comedidas.

Fantasmas à espreita

Outros dois fantasmas rondam a feira. Um deles é o problema dos altos impostos praticados no país, que chegam a 50% do valor de uma obra.
Mesmo com a isenção de parte deles assegurada pela feira em negociação com a Fazenda, galerias estrangeiras, tributadas pela importação das peças, sofrem com a burocracia e a falta de clareza.

Só as vendas de obras importadas para colecionadores do Estado de São Paulo têm o benefício fiscal, um dado que estrangeiros diziam ignorar.

"Foi um pesadelo no ano passado", diz Marc Payot, da galeria suíça Hauser & Wirth, uma das maiores do mundo, que desistiu de vir à SP-Arte. "É complicado demais. E não vamos mais voltar até que resolvam toda essa situação."

Na esfera nacional, o recente decreto do Instituto Brasileiro de Museus, órgão do Ministério da Cultura, que dá ao governo a prerrogativa de declarar como bens de interesse público obras em poder de colecionadores privados, preocupa os galeristas.

"É uma coisa muito séria, que vai abalar o mercado", diz Strina. "Esse decreto ainda precisa ser conversado."

No caso, o receio é de que obras mais raras deixem de vir ao mercado ou até mesmo emprestadas para exposições pelo medo dos colecionadores em ter uma peça declarada de interesse nacional, o que levaria a restrições à sua venda e até mesmo a seu monitoramento pelo governo.

É fato, no entanto, que isso tem maior potencial de atingir obras modernas e não peças contemporâneas, que são o grosso do mercado.

"Não sinto os colecionadores tão apavorados", diz a galerista Raquel Arnaud. "Também não sou uma pessoa apavorada. Acho difícil que esse decreto passe a funcionar."

Medos à parte, algumas galerias dizem não ter alterado seus planos para refletir o delicado momento econômico.

Diretores de duas das maiores do mundo, David Zwirner e Pace, contam que suas seleções serão como no passado, ou seja, caras e robustas.

Na mesma linha, a Marian Goodman, casa nova-iorquina que representa estrelas contemporâneas como Steve McQueen e Tino Sehgal, estreia agora na SP-Arte sem sinais de estresse.

Isso porque, na opinião de Feitosa, esse mercado é movido a "emoção e paixão".

Posted by Patricia Canetti at 7:03 PM

abril 6, 2014

Justiça autoriza venda de duas obras da coleção de Edemar Cid Ferreira por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Justiça autoriza venda de duas obras da coleção de Edemar Cid Ferreira

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 1 de abril de 2014.

Uma decisão judicial autorizou a venda de duas telas, de Roy Lichtenstein e Joaquín Torres-García, que pertenciam à coleção do banqueiro Edemar Cid Ferreira. As telas estão sob a guarda do Museu de Arte Contemporânea da USP junto de outras peças confiscadas após a quebra do Banco Santos há dez anos.

São obras de dois mestres do século 20. Uma delas é "Modern Painting With Yellow Interweave", tela do americano Lichtenstein (1923-1997), uma das figuras centrais da arte pop, e a outra é "Figures Dans Une Structure", do artista uruguaio Torres-García (1874-1949), crucial para o surgimento da arte concretista no continente.

Ambas estão expostas agora no MAC e deverão ser leiloadas na Sotheby's em Nova York, em data indefinida, para ajudar a saldar as dívidas do Banco Santos, um rombo de R$ 2,2 bilhões.

De acordo com a sentença judicial —de fevereiro, mas que só veio a público nesta terça (1º)—, o preço médio para a venda da tela de Lichtenstein será de R$ 3,9 milhões, enquanto a tela de Torres-García valeria R$ 452 mil.

Credores do banco vêm pressionando a Justiça para localizar e vender as obras de Cid Ferreira ainda não encontradas para que sejam leiloadas, conforme a Folha noticiou em novembro passado.

No caso das duas telas do MAC, o Instituto Brasileiro de Museus, órgão do Ministério da Cultura, já manifestou à Justiça o desejo de ter preferência na compra dos quadros, ou seja, estaria disposto a cobrir o valor que essas telas atingirem em leilão.

A decisão do juiz Caio Marcelo Mendes de Oliveira, da 2ª Vara de Falência e Recuperações Judiciais, vai contra o desejo do governo federal de manter obras dessa importância no país, em especial depois de elas já estarem expostas em museus públicos.

Desde 2005, as 12 mil obras da coleção de Cid Ferreira estão sob a guarda de instituições públicas no país, mas uma parte delas, cerca de 800 peças, ainda está na antiga residência do banqueiro.

Essas duas telas em questão haviam sido vendidas para colecionadores estrangeiros e só foram repatriadas em 2010, depois de uma extensa investigação policial envolvendo o FBI, a polícia federal norte-americana, e a Interpol.

Edemar Cid Ferreira afirmou à Folha que vendeu as telas antes da quebra do Banco Santos, mas a Justiça dos EUA, onde as obras foram encontradas, disse que a venda das peças era ilegal porque aconteceu depois da falência do banco, em 2004, foram compradas com dinheiro desviado do banco e entraram no país com documentos falsos.

Enquanto as 12 mil obras do banqueiro permanecem protegidas por uma liminar na Justiça, que impede que as obras sejam vendidas até que o caso seja julgado em última instância, essas duas telas poderão ir a leilão agora porque não estavam no acervo na época da apreensão.

Segundo Tadeu Chiarelli, diretor do MAC, um representante da massa falida do banco e um agente da casa de leilões Sotheby's estiveram no MAC avaliando as telas.

"Esse é um motivo de muita preocupação e de consternação para o museu", diz Chiarelli. "Essas obras são muito significativas. Será uma tristeza pedir desculpas porque elas foram vendidas."

Posted by Patricia Canetti at 7:10 PM

Adriana Varejão investiga matizes do racismo em novas obras e livro por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Adriana Varejão investiga matizes do racismo em novas obras e livro

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 4 de abril de 2014.

Adriana Varejão - Polvo, Galpão Fortes Vilaça, São Paulo, SP - 08/04/2014 a 17/05/2014

Branca-melada, branquiça, encerada, morena-canelada, retinta e rosa. Essas, entre muitas outras, são cores de pele declaradas por entrevistados em pesquisa feita nos anos 1970 pelo governo.

Quatro décadas depois, a artista Adriana Varejão criou uma tinta para cada um desses 33 tons e se autorretratou numa série de telas com intervenções que refletem essa gama espontânea de raças.

Esse panorama, que será exposto agora na galeria Fortes Vilaça, é também uma espécie de ponto de chegada de um processo de cinco anos, em que Varejão e a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz passaram investigando a obra e referências históricas uma da outra.

"É uma síntese de ideias que estavam pairando no ar. Minha ideia era que ela escrevesse um livro de história tendo a minha obra como bússola", diz Varejão. "A história não é um monolito estático do passado. Estamos reconstruindo o passado no presente, arejando as coisas."

Nesse ponto, o livro reflete a lógica interna da obra plástica de Varejão, que sempre atravessou tempos históricos, incorporando a azulejaria barroca, a violência da escravidão ou relatos exagerados do canibalismo tribal.

Mas também esbarra nos métodos da historiografia contemporânea, tanto que Moritz Schwarcz se diz agora "canibalizada" pela artista.

"Ela é uma detonadora de histórias", diz Moritz Schwarcz. "Tem um anacronismo muito bonito no trabalho dela. Talvez estejamos num momento distinto, de perceber como a história é uma construção sempre voltada às indagações do presente."

E poucos temas têm aflorado com tanta força agora na indústria cultural quanto as questões raciais. Enquanto acadêmicos fazem uma revisão histórica da escravidão, artistas investigam esse assunto com certa inquietação.

"Eu comecei esse trabalho contra e terminei a favor das cotas raciais", diz Varejão. "Sempre me perguntavam se o Brasil não era o paraíso do povo cordial, mas digo que não. Esses nomes das cores são maneiras de ludibriar, de não dizer negro para falar baiano, queimado. É sintomático de um país racista."

Posted by Patricia Canetti at 7:04 PM

Guerra e paz das imagens por Paula Alzugaray, Istoé

Guerra e paz das imagens

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé em 28 de março de 2014.

Pintor argentino Fabian Marcaccio cria uma pintura informacional para a era da internet e a multiplicidade da vida contemporânea

Fabian Marcaccio - Paintant Stories, Casa Daros, Rio de Janeiro, RJ - 29/03/2014 a 10/08/2014

Da pintura histórica ao banner de rua; de Foucault a Godard. Citações à história da arte, publicidade, sociologia, filosofia e cinema estão canalizadas nas cenas que compõem os 14 metros de comprimento da pintura “Paintant Stories”, em exibição na Casa Daros, no Rio. “Quando comecei a trabalhar com pintura, nos anos 1990, ela estava em desuso. Me interessou trabalhar em meio a essa crise e propulsionar uma pintura que estabelecesse um nova relação com a guerra de imagens que acontece nessas esferas”, conta o artista à ISTOÉ.

Realizada em 2001, envolvendo um complexo processo de digitalização de imagens somado a uma pintura densa à base de resinas e silicones, “Paintant Stories” foi uma das primeiras aquisições da coleção Daros Latinamerica, fundada em 2000 na Suíça. “Essa pintura foi concebida no começo do milênio, quando a internet entrava em cena, e traz com ela o entusiasmo explosivo que sentimos ao final do século cruel que passamos”, diz Marcaccio diante de imagens de guerra, sangue, violência, orquestradas em uma composição de grande impacto visual.

“A pintura sempre pediu um espaço de contemplação estática, mas gosto de contrariar isso e criar uma espécie de ‘pintura de ação comunal’, que não seja apenas um trabalho teórico, mental ou conceitual”, continua. “A arte conceitual produz questionamentos interessantes, mas deixa que o cinema de Hollywood e a propaganda de rua invadam tudo, e acaba perdendo essa guerra.”

O duelo que Marcaccio trava com o poder da imagem midiática marca o início de uma temporada de pintura na Casa Daros. Entre abril e agosto, a coleção suíça traz à sua sede no Rio obras recentes de Luiz Zerbini, Guillermo Kuitca, Eduardo Berliner, Vânia Mignone e René Francisco, a fim de expor a amplitude da pintura contemporânea. “Quero mostrar facetas bem diferentes do mundo das artes latino-americanas e sempre surpreender o público com coisas nunca vistas antes”, diz o curador Hans-Michael Herzog, que inaugurou a Casa Daros em março de 2013 com obras de artistas colombianos nunca antes exibidos no Brasil. “Marcaccio traz uma obra em pintura sem paralelo na história da arte e no presente. É a pintura do século XXI.”

Posted by Patricia Canetti at 6:58 PM