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julho 25, 2013
Telepresença e Bioarte em português por Mariel Zasso, Select
Telepresença e Bioarte em português
Matéria de Mariel Zasso originalmente publicada na revista Select em 23 de julho de 2013.
Telepresença e Bioarte: Humanos, Coelhos & Robôs em Rede reúne textos publicados entre 1989 e 2009
Coletânea de textos do poeta e artista Eduardo Kac é publicada pela Edusp
Pioneiro em interações e cruzamentos da arte com ciências – sejam elas robóticas, digitais, biotecnológicas - e um dos dinamizadores da cena underground brasileira nos anos 1980, o brasileiro Eduardo Kac acaba de lançar mais um livro em português, Telepresença e Bioarte: Humanos, Coelhos & Robôs em Rede, uma coletânea de seus textos pela Editora Edusp. Uma primeira edição em inglês - Telepresence and Bio Art: Networking Humans, Rabbits, and Robots - havia sido lançada em 2005 pela University of Michigan Press.
Nome de destaque no cenário da arte contemporânea internacional,o polêmico e censurado explorador dos limites da arte exibe seus trabalhos regularmente em museus, bienais e galerias ao redor do mundo e tem obras publicadas em vários idiomas. Este livro reúne, em mais de 300 páginas, os textos escritos por Kac entre 1989 e 2009 que identificam e articulam teoricamente duas novas formas de arte que ele inventou e desenvolveu: a telepresença e a bioarte. O livro permite acompanhar a evolução do pensamento e de práticas radicais de Kac, desde suas primeiras obras com telecomunicações, realizadas antes da web, até obras que o projetaram internacionalmente, como Time Capsule, na qual implantou um microchip em si mesmo, com transmissão ao vivo pela televisão e pela internet, e, é claro, GFP Bunny, em que criou o primeiro mamífero transgênico da história da arte, a coelha verde fluorescente Alba.
TELEPRESENÇA E BIOARTE: Humanos, Coelhos & Robôs em Rede, de Eduardo Kac.
Editora EDUSP, 2013, 352 páginas
julho 24, 2013
Omar Salomão pesquisa relação entre palavra e imagem em nova mostra por Maurício Meireles, O Globo
Omar Salomão pesquisa relação entre palavra e imagem em nova mostra
Matéria de Maurício Meireles originalmente publicada no jornal O Globo em 24 de julho de 2013.
Artista abre nova exposição na galeria Mercedes Viegas
Oprocesso criativo de Omar Salomão vai por caminhos que nem ele sabe direito. Mas, se for preciso resumir em uma descrição breve sua exposição “O que eu pensei até agora e o que ainda falta pensar”, dá para dizer que ela traz um olhar poético sobre a realidade, promovendo, ao mesmo tempo, o encontro entre a palavra e a imagem. A mostra será aberta hoje, às 19h, para convidados, e amanhã para o público, na galeria Mercedes Viegas, na Gávea (que hoje também inaugura “Fabricio Lopez — Várzea”, com xilogravuras). São nove obras, em que Salomão apresenta fotografias, desenhos, cadernos, livros — e poesia.
— Eu sou poeta, meu pai (Waly Salomão) era poeta e, talvez por isso, vejo a arte pelo olhar do poeta. A poesia é uma relação de busca, de ter os olhos livres, ver as mesmas coisas com olhos diferentes — diz Salomão. — Ela traz uma delicadeza nas palavras, te permite dizer coisas com sutileza. É essa sutileza que eu tento trazer para a arte, por meio dos meus estranhamentos.
Homenagem a Ericson Pires
Não à toa, o título anterior da exposição, mais tarde trocado, era “Até as coisas mais singelas”. Segundo Salomão, ele tentou buscar, em elementos da vida — como a morte de um amigo e outras angústias —, “a fragilidade e a delicadeza das pequenas coisas”.
No texto de abertura da exposição, o filósofo e ensaísta Frederico Coelho identifica um elemento de ligação entre as nove obras: suas referências ao que é passageiro. “O transitório aqui é a própria condição de nossas vidas. Omar nos mostra que sua arte nos oferece uma ponte entre nossa vida bruta e o detalhe sempre potente dos breves belos que a compõe”, escreve Coelho.
Por isso, entram nuvens, gotas, cubos de gelo, voos de pássaros — e uma homenagem ao amigo e poeta Ericson Pires, morto há pouco mais de um ano. Ela está na obra “Obs”, em que Salomão colou o obituário do amigo publicado no jornal em um vidro úmido, sobre o qual o artista interferiu com desenhos e palavras, que foram deformadas pela umidade. Salomão teve dúvidas se devia expor a obra, por receio de ser um assunto pessoal demais.
— Ele me levou física e mentalmente para tantos lugares. É bom quando você tem um amigo que te desafia e te coloca em dúvida. O Ericson era artista 24 horas por dia, uma pessoa intensa e generosa. A falta dele é gigante, por isso quis dedicar a ele uma parede especial na exposição — diz o artista.
Outra referência às formas transitórias está em “Mercador de nuvens”, considerada pelo artista seu terceiro livro. A obra é uma caixa de luz feita de acrílico, com desenhos, poemas e fotos. As páginas podem ser combinadas na parte da frente da caixa, formando capas diferentes para o livro.
Em “Gota”, uma série de quatro fotografias mostra uma gota escorrendo pelo vidro de uma janela em momentos diferentes. Uma frase escrita à mão une as quatro fotos:
— Não desenho a frase para explicar qualquer coisa. Seria um burocrata se fizesse isso. Quando associo texto e imagem, é para que eles remetam a um terceiro elemento. Em vez de enfatizar um ao outro, eles se somam para gerar outros sentidos. Quero criar novas camadas de compreensão.
Para Salomão, a mostra, a segunda na galeria, representa uma investigação “mais confiante” sobre a relação entre a palavra e as artes visuais.
— Acho que, agora, as amarras entre esses dois campos estão mais bem atadas — diz.
Análise: Pesquisa sobre mercado brasileiro de arte deve ser encarada como retrato parcial por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo
Análise: Pesquisa sobre mercado brasileiro de arte deve ser encarada como retrato parcial
Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 24 de julho de 2013.
Na última edição da feira SP-Arte, um galerista queria mostrar poder e pediu a um amigo colecionador que cedesse uma pintura de Alfredo Volpi ao seu estande.
O objetivo não era vender, apenas impressionar. Para convencer o colecionador, o galerista pediu que ele estipulasse um preço impraticável para a obra. Colocada à venda por US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões), a obra acabou saindo logo no primeiro dia do evento.
Acesse a matéria na Folha para ver o quadro "Expansão em números".
Essa venda não está retratada no relatório com a nova pesquisa sobre o mercado de arte brasileiro divulgada pelo projeto Latitude, pois trata-se de um caso de uma instituição do chamado mercado secundário, ou seja, de galerias que revendem obras.
Por isso, a pesquisa deve ser vista como um retrato parcial do mercado: ela diz respeito apenas às 44 galerias do mercado primário de arte contemporânea que responderam a um questionário, mas que não são as responsáveis pelas maiores movimentações nesse sistema.
Em março passado, a Fundação Europeia de Belas Artes (Tefaf) divulgou um relatório sobre o mercado brasileiro de arte que estimava em € 455 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão) as vendas em 2012.
Esse valor representa não só arte contemporânea, mas de antiguidade a arte moderna, ou seja, é uma estimativa bem plausível, tendo em vista a estimativa de cerca de R$ 200 milhões das 44 galerias na pesquisa Latitude.
Mesmo parcial em relação ao mercado, o mérito da pesquisa está em dar transparência ao segmento responsável pela inovação no sistema de arte e, segundo os dados, ele vem crescendo regularmente desde 2010, em cerca de 22% ao ano.
Esse valor é próximo ao crescimento das vendas de comércio eletrônico em 2012, que ficou em 24,2%, uma outra área de ponta.
Esses dados ficam mais consistentes em comparação com a economia brasileira, que cresceu apenas 0,9% no ano passado.
Falta agora uma pesquisa que dê conta da maior fatia do mercado de arte.
Estudo atesta pico de euforia no mercado brasileiro de arte por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Estudo atesta pico de euforia no mercado brasileiro de arte
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 24 de julho de 2013.
Novos números comprovam a sensação de euforia no mercado de arte brasileiro, que cresceu 22,5% em 2012, três vezes a média mundial, de 7%, segundo um último levantamento de dados. As galerias de arte contemporânea chegaram à arrecadação de R$ 250 milhões ao ano, enquanto preços de obras subiram em média 15%, bem acima da inflação do período.
Outro dado também surpreende. Segundo um relatório da secretaria paulista da Fazenda obtido pela Folha, a última edição da feira SP-Arte, em abril, declarou R$ 99 milhões em vendas, mais do que o dobro de 2012, quando registrou R$ 49 milhões.
Acesse a matéria na Folha para ver o quadro "Expansão em números".
Essa é apenas uma fração do total dos negócios da feira, já que só as comercializações com isenção de impostos estaduais --no caso, as vendas de algumas obras importadas-- precisam ser declaradas dessa forma. O faturamento total pode ter superado R$ 300 milhões porque essas transações respondem por pouco menos de um terço do total das galerias.
Números do estudo mais recente do projeto Latitude, que reúne a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e a Associação Brasileira de Arte Contemporânea, obtidos com exclusividade pela Folha, também mostram que o mercado brasileiro está mais internacional, com artistas estrangeiros representando 22,5% dos times das maiores galerias nacionais.
Mas galeristas e agentes de mercado relutam em estourar garrafas de champanhe.
"As vendas têm sido bem firmes, mas é fato que o gelo da festa acabou", diz Marcia Fortes, sócia da galeria Fortes Vilaça. "Artistas jovens no Brasil custam muito caro, então a tendência é estabilizar."
Ou seja, após atingir um pico, o mercado está mais maduro, com crescimento "consistente e linear", segundo Ana Letícia Fialho, do projeto Latitude. Mas galeristas preveem uma desaceleração.
COMPASSO DE ESPERA
Num cenário político e macroeconômico conturbado, com o dólar em disparada, manifestações nas ruas e debandada de investimentos estrangeiros, colecionadores têm ficado mais reticentes.
"Existe um compasso de espera agora", diz André Millan, um dos donos da galeria Millan. "É lógico que as vendas estão caindo. As pessoas estavam comprando trabalhos como se fossem caixas de Bis. Agora há um tom de reclamação entre as galerias, não a euforia sem sentido."
Mas se o Brasil desacelera, uma saída é o mercado estrangeiro. Segundo dados do Latitude, que serão divulgados na quinta-feira (25), só 11,5% dos clientes das galerias do país são estrangeiros, mas 50% dessas casas participam de feiras no exterior e 30% têm parcerias com casas de fora.
"Galerias estão vendo a internacionalização como estratégia de sobrevivência, para quando o mercado interno não estiver tão dinâmico", diz Monica Esmanhotto, gerente executiva do Latitude. "Estava todo mundo acomodado, e agora vemos as galerias saírem da zona de conforto."
Outros agentes de mercado também devem se mexer.
Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, a maior casa de leilões do Brasil, afirma que o setor não deve sofrer uma queda brusca nas vendas, mas precisa lidar agora com a escassez de obras-primas na praça, as chamadas "blue chip", que são vendidas com facilidade mesmo em momentos mais turbulentos.
Um exemplo é uma tela de Adriana Varejão leiloada neste mês --com lance inicial de R$ 700 mil, a peça foi arrematada depois por R$ 1,5 milhão.
"Uma obra-prima tem liquidez imediata, é fácil vender", diz a consultora de arte Cecília Ribeiro. "Mas o problema, agora, é que não estão aparecendo essas coisas excepcionais no mercado."
Advogados querem fundar 'Ecad' das artes visuais por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Advogados querem fundar 'Ecad' das artes visuais
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 24 de julho de 2013.
Num cenário de hipervalorização das obras de arte, advogados querem tentar fazer valer o direito de sequência, ou seja, o repasse de 5% do lucro sobre a peça para o artista ou seus herdeiros a cada vez que ela trocar de mãos.
Essa é uma medida já prevista na legislação, o artigo 38 da lei de Direito Autoral, mas é quase impossível de ser respeitada porque o mercado de arte não tem um controle sobre todas as vendas. Muitas vezes, transações se dão entre colecionadores privados e nem vêm a público.
"Queremos controlar a cadeia de propriedade da obra", diz Leonardo Cançado, fundador do Instituto de Propriedade Artística Visual, uma espécie de Ecad das artes plásticas que ainda está sendo implementado. "É parecido com o direito de reprodução da música. A única obrigação do artista é vender a obra só se o comprador se registrar."
Com uma base de dados listando obra e proprietário, o grupo poderia então fiscalizar cada transação e repassar parte do lucro ao autor. Mas agentes de mercado dizem ser "impossível" esse tipo de controle, já que muitas vezes obras são vendidas sem qualquer comprovação de seu valor na última venda.
"Do jeito que está a lei, isso é impraticável", diz Jones Bergamin, da Bolsa de Arte. "É uma coisa descabida, porque não tenho como reter 5% de um lucro se eu não sei por quanto a pessoa comprou. Não tenho esse poder fiscal."
Cançado, por enquanto, diz que vai confiar na "boa fé" dos colecionadores. "Vamos incomodar quem passar a perna no artista."
