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Como atiçar a brasa

 


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julho 6, 2012

Pinheiro de volta por Fábio Marques, Diário do Nordeste

Pinheiro de volta

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 6 de julho de 2012.

Em entrevista exclusiva ao Caderno 3, Francisco Pinheiro aponta rumos da Secretaria, reconhece erros e rebate críticas

Após uma semana de protestos em frente à sede da Secretaria da Cultura, na Praça do Ferreira, e na internet (com a hashtag "#deCIDaPelaCULTURA" viralizada em manifestações nas redes sociais), fruto de mobilização que envolveu artistas de diversas linguagens, pela primeira vez, na última quarta-feira, o Governador Cid Gomes se pronunciou em relação a pasta.

Durante a cerimônia em que empossou pela terceira vez Francisco Pinheiro (PT), na manhã de quarta-feira, Cid reconheceu erros e prometeu mais atenção para a Cultura. No mesmo dia, à tarde, em entrevista exclusiva para o Caderno 3, foi a vez do já secretário Pinheiro reconhecer fragilidades em relação à Secult, respondendo ainda a críticas dos manifestantes e apontando prioridades de sua gestão. Pinheiro garantiu que, desta vez, fica na pasta, pelo menos, até 2014, quando deve precisar se desincompatibilizar para, ai sim, concorrer as eleições. "A perspectiva é de continuar normalmente como estávamos anteriormente. Estou tranquilo", disse o secretário em relação à volta.

Ele classificou como importante as declarações do governador no ato de sua posse, mas falou em tom diferente ao utilizado por Cid Gomes na ocasião, que chegou a falar em um novo projeto de gestão da Cultura. "Conversamos por duas vezes. Basicamente nós tentamos ver como avançar mais ainda o que vínhamos avançando em relação à Cultura", disse Pinheiro.

Críticas

Sobre as críticas que vem recebendo sua gestão, o secretário é político ao reconhecer a legitimidade dos protestos como uma ferramenta de debate democrático, mas denuncia que a intensidade das manifestações cresceu por razões eleitorais. "Normalmente no período eleitoral essas coisas se exacerbam. E coincidentemente exacerbou-se no período eleitoral, no momento da minha saída. Não havia nenhuma discussão antes de eu sair para essa desincompatibilização", questionou. E completa, "há pessoas interessadas em assumir a pasta da cultura. É um direito e o cargo é do Governador. Mas o Governador resolveu nos reconduzir".

Questionado se esse seria o único motivo para as críticas, Pinheiro é direto. "Não. Nós temos dificuldade de gestão. Reconhecemos e sempre dissemos isso. Mas já fizemos boas correções e vamos continuar fazendo".

Entre as críticas que considera injustas, ele aponta reclamações de falta de diálogo por parte da secretaria. "Nós recebemos todas as linguagens por diversas vezes. E, na maioria das vezes, nós encaminhamos as solicitações", rebate.

O secretário questiona ainda que as linguagens que criticam mais duramente a gestão são, segundo ele, também as que mais receberam recursos. "Se você levantar os dados do que nós investimos nestes setores, você vai ver que são os setores mais aquinhoados", diz, citando como exemplo a Dança e o Teatro.

Em números divulgados pela Secult, a execução orçamentária da pasta passou de uma média de R$28,6 milhões anuais de 2003 a 2006, para R$49,3 mi, na média da primeira gestão de Cid Gomes, de 2007 a 2010; e, de janeiro de 2011 a maio deste ano, R$60,9 milhões (um valor que, em projeção anual, representa, na verdade, uma redução em relação ao primeiro mandato de Cid, caindo para R$43 milhões/ano). "Em relação ao governo anterior, do governador Lúcio Alcântara, o nosso governo, da primeira e da segunda gestão, de longe está a frente do anterior", destacou Pinheiro.

O secretário citou como exemplo investimentos que considera significativos nas áreas de Audiovisual, Dança, dos festejos juninos e o próprio Edital de Incentivo as Artes, que engloba diversas linguagens. "Nós temos clareza que tem alguns setores que nós precisamos implementar, por exemplo, a área da Música. Estamos pensando para ela um projeto de grande monta para o Estado do Ceará como um todo, que está no processo de elaboração", adiantou.

Representação

Sobre o sucateamento da estrutura técnica da Secretaria da Cultura, um dos pontos levantados no abaixoassinado que circula entre os artistas, Pinheiro reconhece uma deficiência no quadro funcional, mas descarta a proposta colocada de agregar a este quadro um representante de cada linguagem. "A secretaria tem um quadro de funcionários que estão envelhecendo e estão em um processo de aposentadoria. Nós estamos discutindo com o Governador, já estamos repondo isso", e completa, "a grande discussão é que cada linguagem quer ter um representante dentro da Secretaria. Isso não é possível. A secretaria é um espaço técnico. Nós vamos estabelecer o contato com as linguagens, mas não necessariamente tem que ter um representante aqui". O secretário argumentou que este papel já é exercido pelo Conselho Estadual de Cultura. "É o ente que dialoga, em nome da sociedade civil, com todas as linguagens".

Formação

Durante a ausência de Pinheiro, na última segunda-feira, dia 2, um grupo de artistas foi recebido pela então secretária Maninha Moraes, que hoje está de volta ao cargo de secretaria adjunta. Entre os pontos colocados, estava a falta de investimento na formação nas diversas áreas. Hoje, apenas a dança possui um curso técnico mantido pelo Instituto de Arte e Cultura do Ceará. Na ocasião, chegou-se a cogitar a criação de cursos para as demais linguagens.

Pinheiro reafirmou que este é um ponto que será priorizado, mas ponderou sobre a necessidade de cursos para todas as linguagens. "Não podemos pensar na formação como era na década de 1980. Por quê? Na década de 1980, você não tinha praticamente nenhum curso de nível superior no Ceará ligado à cultura. Hoje você tem várias universidades com vários cursos ligados a área", argumentou, citando como exemplo a área da música, que possui cursos na UFC, UECE e IFCE. Para o secretário, uma das prioridades na área de formação será a capacitação de agentes culturais para a elaboração de projetos e prestação de contas. "Nós temos alguns projetos que eu chamo projetos infraestruturais da cultura", destacou o secretário sobre projetos que considera prioridade.

Dois deles, que pretende deixar como marca de sua gestão: a Pinacoteca do Estado, projeto que se arrasta desde a gestão passada, do Secretário Auto Filho, e investimentos relacionados à memória e documentação. "O governador já nos garantiu recurso nesta área. A cultura não é só feita de eventos. Ela tem que ter algo que seja a base dela. Então ela ter um bom sistema de documentação, arquivo e memória organizado, possibilita que as gerações futuras e mesma as gerações atuais possam planejar melhor as ações na área da cultura", justificou.

SAIBA MAIS

Em reunião realizada no final da tarde de quarta, no Theatro José de Alencar, o grupo "Movimento Arte e Resistência", que vem catalisando as manifestações em relação a política cultural do Estado, decidiu seguir com a mobilização. Cerca de 70 artistas de diversas linguagens estiveram na reunião onde foi acordada a elaboração de um documento detalhado demandas, a ser finalizado na próxima sexta-feira, 13, em outra reunião no TJA. "Os artistas estão se mobilizando para mais manifestações. A intenção é conseguir falar com o governador e conseguir propostas concretas para o Estado. Nos vamos anexar esse documento ao abaixoassinado que estamos circulando e queremos oficializá-lo com Casa Civil", detalhou o realizador Victor Furtado, que participa do movimento. Segundo ele, a ideia é, até lá, agregar o máximo de artistas e colher demandas dos setores culturais.

Posted by Cecília Bedê at 3:23 PM

Cultura depois da praça por Fabiano dos Santos, O Povo

Cultura depois da praça

Texto de Fabiano dos Santos originalmente publicado especial para o caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 6 de julho de 2012.

Tínhamos boas notícias de quando o governador Cid Gomes era prefeito de Sobral e Clodoveu Arruda seu secretário de cultura. Uma política cultural se fazia na cidade, sobretudo voltada para a criação e qualificação dos equipamentos públicos. As construções de uma biblioteca e de um museu nas margens do Rio Acaraú viraram símbolo de sua gestão. Talvez, venha daí a expectativa criada pelo setor cultural e as suas mais variadas linguagens e vertentes, quando Cid Gomes assumiu o governo em 2007. Mas até aqui, o resultado em torno da politica cultural para o estado tem ficado muito abaixo das expectativas. Não vou falar da gestão no campo da cultura nos seus primeiros quatro anos. Isso valeria um ensaio à parte. O fato é que desde então, o Estado carece de uma política pública para essa área. Não existe com clareza um plano nem uma agenda estratégica com programas, metas, investimentos, diagnósticos e avaliação de resultados definidos. Afinal, o que esperam o governador e a sociedade cearense como resultados e impactos no campo da cultura depois de oitos anos de governo?

Ao contrário do que aconteceu no primeiro mandato, onde os criadores, produtores e mediadores culturais permaneceram apáticos e sem qualquer coragem de fazer as críticas necessárias à Secult (dentre elas o controle descabido em torno do FEC), dessa vez se mobilizam em torno dessa agenda tão estratégica para o desenvolvimento do estado. Pois cultura é sinônimo de desenvolvimento sim. Cultura é capital social e uma política construída nessa perspectiva implica em impactos diretos nos indicadores de desenvolvimento humano e de inclusão social. Daí a importância da democratização do acesso aos bens e serviços culturais. Cultura é economia e um canal para o desenvolvimento não apenas das indústrias e fazeres criativos, mas da economia como um todo. Cultura é expressão simbólica e implica numa política não só de reconhecimento e valorização de identidades, mas a necessidade de programas sistemáticos para o fomento aos processos de criação, difusão e circulação das expressões simbólicas e de como essa diversidade pode ser vetor para o desenvolvimento sustentável. Afinal não podemos ficar mais prisioneiros de uma visão economicista de desenvolvimento atrelado apenas ao Produto Interno Bruto. A cultura é uma variável vital para o desenvolvimento social, econômico e humano. E grande parte da riqueza do Ceará e dos cearenses está na sua diversidade cultural e na potencialidade de sua economia criativa.

Nesse sentido, quero expressar minha alegria em ver (mesmo de longe) a Praça do Ferreira tomada por artistas, produtores culturais, fazedores e consumidores culturais estampando cartazes, lendo em voz alta e compartilhada seus manifestos, dançando cirandas ou reunidos em grupos para reuniões em torno do tema da cultura. E parece que ninguém está querendo derrubar secretário. O que se apresenta é uma agenda crítica/propositiva e a necessidade de um canal permanente de diálogo e de participação social. E para isso, não precisa inventar a roda, basta fortalecer o Conselho Estadual de Cultura, dando-lhe vitalidade por meio de sua instância maior e aos seus ambientes setoriais. Em termos bem práticos, pode ser convocada uma reunião extraordinária para debater o conteúdo da petição pública assinada por pessoas não apenas do setor, mas por cidadãos cearenses. O fato é que vale uma leitura (também crítica ou autocrítica) e respostas por parte do governo estadual e da sua pasta da cultura.

Outro aspecto importante é a definição da estruturação da equipe técnica para a Secretaria. E nesse aspecto o manifesto é claro no componente da capacidade técnica e de gestão no quadro da Secult. Vale salientar que não há nenhuma linha direta contra o professor Pinheiro. Por outro lado, torna-se fundamental a definição de como ele poderá conduzir a política cultural a partir desse momento e desse movimento. Todos nós reconhecemos a capacidade de diálogo do professor Pinheiro e que sua formação e atuação não estão distantes do campo cultural. Sendo assim, essa é uma decisão que não pode ser protelada por mais nenhum dia, seja por parte do Governador, de Pinheiro ou de seu partido, considerando o quadro político-eleitoral do momento.

O que vale nesse momento é uma posição do Governo do Estado sobre qual é agenda estratégica para a política cultural do Ceará. Como ela está articulada com o Plano Nacional de Cultura e com os programas federativos do Ministério da Cultura? E a nível local, como está integrada com a política de desenvolvimento econômico e social do Estado? Como a cultura está inserida e articulada com as politicas de infraestrutura, de ação social, de saúde, de educação ou de esportes? Aliás, alguém sabe me dizer qual é o programa estruturante de cultura para os temas da Copa do Mundo? Não vale dizer que estão pensando apenas em um show com o Fagner (que seria ótimo) e com Aviões do Forró. Mas antes que me respondam essa última pergunta, avisem-me primeiro sobre os resultados do manifesto e as respostas do Governador para os três pontos de pauta assinalados na petição pública.

Fabiano dos Santos Piúba é poeta do grupo Os internos do Pátio, doutor em Educação e mestre em História. Foi diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura (MinC) entre 2008 e 2011. Atualmente na direção de Leitura, Escrita e Bibliotecas do Cerlalc-Unesco - Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe, com sede em Bogotá, Colômbia.

Fala, internauta

“Não entendi. Quer dizer que ele reconhece o erro e mesmo assim chama de volta o professor Pinheiro???”
Paulo Cícero

“É, não há coerência em falar que a Cultura está abandonada e ainda manter o mesmo que era secretário...”
Roberto Leite

“Isso já sabemos. O que será feito quanto a isso é o que queremos saber.”
Jeanne Feijão

“Admitir é fácil, o difícil é fazer algo”

Guilherme Dias

“Ainda bem que ele tem essa humildade... realmente antigamente tinha mais incentivo a cultura...”
Joana Alves

As opiniões dos internautas se referem ao reconhecimento do governador Cid Gomes dos problemas na gestão da Secult, admitindo “erros e omissões”, conforme publicado ontem no Vida & Arte.

As falas foram retiradas da página do O POVO On Line no Facebook.

Posted by Cecília Bedê at 3:01 PM

julho 5, 2012

Artistas ainda esperam diálogo por Danilo Castro, O Povo

Artistas ainda esperam diálogo

Matéria de Danilo Castro originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 5 de julho de 2012.

Após a confirmação do retorno de Pinheiro à Secult, a bailarina e coreógrafa Silvia Moura, não se surpreendeu. “A gente já sabia que ele ia voltar. O problema não é o Pinheiro, é a forma como a secretaria vem sendo lesada pela atual gestão”. Silvia garante que as manifestações vão continuar, e reafirma que o movimento quer uma reunião com o governador, que ainda não sinalizou nada a respeito. “Ele não escutou professores, mal escutou policiais, não sei se vai escutar artistas”, critica.

Com o reconhecimento de Cid às falhas em relação à área e o anúncio de um plano cultural, o realizador em audiovisual Pedro Diógenes disse que “o lado bom disso é que a reivindicação chegou aos ouvidos do governador, mas só acredito no plano quando eu o ver pronto não só no papel, mas na prática”. Sobre Pinheiro, ele diz que a volta do professor só reafirma o quadro atual. “Eu já tive um encontro com o secretário e ele se mostrou despreparado”, conclui.

Segundo a produtora musical Thais Andrade, há dois anos, ela teve um projeto de formação aprovado na Secult, mas até agora não recebeu o valor porque precisa passar pelo veredicto do governador. “O Cid precisa falar menos e fazer mais. Não adianta ter um novo plano, se a secretaria não tiver autonomia”, finaliza.

Posted by Cecília Bedê at 4:33 PM

Então: Pinheiro voltou por Raphaelle Batista, O Povo

Então: Pinheiro voltou

Matéria de Raphaelle Batista originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 5 de julho de 2012.

Pela terceira vez em um ano e meio, Francisco Pinheiro retoma a gestão da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult). Governador Cid Gomes admite "erros" e "omissões" na pasta e promete plano de virada cultural para o Estado

Como esperado, o Professor Pinheiro (PT) retornou ao cargo de secretário da Cultura do Estado. Anunciada desde a semana passada, a volta só foi oficializada ontem pela manhã em solenidade no Palácio da Abolição. Além dele, outros dois petistas retomaram seus postos à frente de secretarias estaduais: Nelson Martins (Desenvolvimento Agrário) e Camilo Santana (Cidades). A novidade está nas críticas do próprio governador Cid Gomes à pasta da Cultura, que volta a ser comandada por Pinheiro pela terceira vez em um ano e meio.

Diferentemente das outras duas secretarias, cujas gestões foram elogiadas pelo governador, ao anunciar o regresso de Pinheiro à Secult, Cid reconheceu que esta é uma área em que é preciso “ter humildade no sentido de identificar problemas, erros, omissões”.

A partir desse reconhecimento, Cid se comprometeu a formular “um grande plano de virada cultural para o Estado do Ceará”. De acordo com o governador, o plano será anunciado em breve e será feito “a seis mãos”. “Eu quero pessoalmente participar”, enfatizou antes de anunciar Pinheiro como o principal líder desse movimento. As outras duas mãos, porém, Cid não disse de quem seriam. Apesar das críticas, o governador ressaltou a confiança que tem nas “qualidades, nas habilidades e nos pré-requisitos” de Pinheiro.

Artistas e produtores culturais da cidade, organizados no chamado Movimento Arte e Resistência (MAR), organizaram protestos no Twitter e no Facebook, além de uma vigília em frente à sede da Secult (na Praça do Ferreira), desde o dia 27, contra a atual gestão cultural do Governo do Estado.

Esperando a volta de Pinheiro ao trabalho, na última segunda-feira, 2, a classe artística amanheceu em frente à Secult. Como Pinheiro não apareceu, representantes de diferentes linguagens artísticas foram recebidos pela então secretária-executiva da pasta, Maninha Morais, que prometeu intermediar uma audiência da classe artística com o governador. Cid, porém, não mencionou esse encontro.

Sem palavras
Após as assinaturas de posse dos cargos, Cid e os outros secretários eram esperados pela imprensa. No entanto, apenas Nelson Martins atendeu aos jornalistas. Pinheiro saiu à francesa, sem falar com ninguém, por uma porta lateral da sala onde a solenidade ocorreu.

Para tentar ouvir Pinheiro, O POVO esperou o secretário na saída principal, por onde ele teria de passar. Abordado pela reportagem, Pinheiro disse que não se pronunciaria e que Nelson Martins (Desenvolvimento Agrário) falaria por todos os secretários. Por sua vez, Nelson se recusou a falar sobre a pasta da Cultura, por ser uma matéria muito específica, e repetiu o que o governador já havia dito.

A assessoria da Secult informou que, na retomada das atividades, Pinheiro fará reuniões com os responsáveis por cada área da secretaria, mas não soube dizer se os encontros já tratarão do plano prometido por Cid.

Posted by Cecília Bedê at 4:23 PM

julho 4, 2012

9o A Dança se Move: Manifesto de Repúdio e Boicote ao Processo de Eleição para a nova composição dos Colegiados Setoriais

9o A Dança se Move
Manifesto de Repúdio e Boicote ao Processo de Eleição para a nova composição dos Colegiados Setoriais

Os profissionais da Dança Paulistana reunidos no dia 23 de junho de 2012 na FUNARTE/SP por ocasião da 9ª reunião ‘A DANÇA SE MOVE’ * expressam neste MANIFESTO sua posição de REPÚDIO em relação ao Processo de Renovação dos Colegiados Setoriais - através da realização de Fóruns Setoriais Estaduais (virtuais ou presenciais) e de um Fórum Setorial Nacional, para a nova composição do Colegiado Setorial de Dança, conforme publicado pela Portaria nº 51 da Ministra de Estado da Cultura - anunciando sua decisão de BOICOTAR o processo e convidando a todos os profissionais do país que estiverem de acordo a realizar atos semelhantes. Acreditamos que este processo é inócuo na medida em que a atual gestão do MinC não demonstra real disposição de diálogo e de uma construção participativa nas políticas culturais, desconhecendo as decisões expressas pelo CNPC, o que descaracterizaria suas funções. Também em relação ao trabalho realizado anteriormente, o MinC estaria desprezando diversos consensos construídos ao longo de um processo que demandou esforços de articulação e notórios recursos públicos e privados.

* Inicialmente pensados como Seminários para discutir políticas públicas, “A Dança se Move” é um movimento criado pela Cooperativa Paulista de Dança, pelo Mobilização Dança e pela participação espontânea de artistas e profissionais de atuação na Dança no Estado de São Paulo . O 10o encontro ocorrerá em 21 de julho.

Para que seguir falando se não há ouvidos para escutar?

Histórico: o Colegiado Setorial de Dança, inicialmente articulado como Câmara Setorial de Dança, surgiu de um esforço conjunto entre poder público e sociedade civil, desempenhando papel importante na articulação das estruturas participativas de Dança no Brasil.

Este coletivo agregou representantes dos diversos estados da federação e, por meio de reuniões presenciais e virtuais aprofundou-se nas discussões sobre a cadeia produtiva do setor, apontando caminhos para a elaboração de diretrizes e ações para o seu pleno desenvolvimento. Os temas discutidos passaram por formação, difusão, consumo, gestão, articulação e diversidade regional, leis trabalhistas e tributárias, metodologia de elaboração do Plano Nacional de Cultura, mudanças na Lei Federal de Incentivo à Cultura. O resultado desse trabalho intenso foi a sistematização de diretrizes e linhas de ação que constituíram posteriormente o Plano Nacional de Dança.

A instalação do CNPC, em dezembro de 2007, consolidou a transição do modelo das Câmaras, mais focadas nos aspectos econômicos das artes e no aprimoramento das cadeias produtivas das linguagens, para os Colegiados, voltados para a formulação e elaboração de políticas públicas mais amplas para cada setor. A partir de 2008, as Câmaras foram retomadas como Colegiados e passaram a integrar a estrutura do CNPC. No Biênio 2010-2012, o Colegiado discutiu temas importantes para a política setorial e para a política cultural como um todo, tais como: análise das políticas implementadas no biênio anterior; novo formato do FNC: competências do Colegiado Setorial de Dança; eleição do representante do Colegiado no Plenário do CNPC; eleição do representante do Colegiado para o Comitê dos Fundos Setoriais; proposta de estruturação do Fundo de Artes Cênicas; formulação de diretrizes no campo da cultura e educação; deliberações sobre o Plano Setorial de Dança; plano e programas de trabalho do Centro de Artes Cênicas da Funarte; implementação do Plano Nacional de Cultura; Relatório de Atividades 2005-2010 da Câmara e Colegiado Setorial de Dança; metas do Plano Nacional de Cultura; Fundo Nacional e Comitês; Plano Setorial de Dança; Mais Educação; Publicação do Procultura; renovação dos Colegiados Setoriais em 2012.

Assinam este Manifesto:SSINAM ESTE MANIFESTO
9o A Dança se Move
Cooperativa Paulista de Dança
Movimento Mobilização Dança

E os profissionais presentes:
Carlos Freitas, Marina Hohne, João Carlos Ferreira da Silva, José Maria C. Ferreira, Angela Nolf, Fernando Lee, Larissa Miwako, Gabriela Neves, Vera Sala, Lívia Imperio, Sandro Borelli, Isabela Pessotti, Suzana Bayona, Fernanda Perniciotti, Ana Catarina Vieira, Ellen Gonsalez, Natalia Fernandes, Valeska Figueiredo, Shayanny de Sá, Juliana do Nascimento, Djalma Moura, Renato Cruz, Natália Mendonça , Marcos L. Moraes, Fábio Farias, Alex Merino, Solange Borelli

Convidamos os que estiverem de acordo a replicar esta mensagem, assinando-a e dando divulgação à mesma.

Posted by Patricia Canetti at 12:23 PM

Documenta de Kassel reflete sobre o que se vê e o que se sente por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Documenta de Kassel reflete sobre o que se vê e o que se sente

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 4 de julho de 2012.

A 13ª edição da Documenta de Kassel, na Alemanha, aberta ao público no início do mês passado, revela-se uma das mostras mais sofisticadas da história.

Sua diretora artística, Carolyn Christov-Bakargiev, conseguiu reunir obras contundentes, que abordam os dramas contemporâneos, ao mesmo tempo em que produz uma reflexão refinada sobre o significado de expor.

A primeira obra da mostra, no Fridericianum, é apenas uma sensação: o sentimento de uma leve brisa, provocada pelo artista inglês Ryan Gander, com "I Need Some Meaning I Can Memorize [The Invisible Pull]" (eu preciso de algum sentido que possa me lembrar [o puxão invisível]).

Bakargiev aponta, aí, como na arte não interessa apenas o que se vê, mas sim o que se pode sentir quando se está atento.

Isso ocorre ainda, por exemplo, com a performance de Tino Sehgal, realizada nos fundos de uma casa no centro de Kassel.

O ambiente é escurecido, e os visitantes se localizam apenas pelo som das vozes dos vários intérpretes dispostos pelo aposento.

Eles cantam, dançam de forma coreografada, dão depoimentos. A sensação de insegurança, de quando se entra na obra, se transforma, rapidamente, em aconchego, cumplicidade. É justamente essa relação íntima, entre público e obra, que torna essa Documenta tão especial.

ANTIESPETÁCULO

A cumplicidade existe ainda quando Bakargiev expõe artistas que fizeram pesquisas em Cabul (Afeganistão), um dos locais para onde a mostra se expandiu.

Ela aborda o colapso da guerra, um dos eixos da Documenta, mas não apresenta obras que tratam do assunto de forma leviana. A diretora apresenta as obras tanto em Kassel como em Cabul numa sinalização de respeito.

São detalhes como esses que tornam a imensa exposição, espalhada ao menos por 20 locais da cidade, algo que contradiz a noção de espetáculo que normalmente permeia o setor atual.

A 13ª Documenta comprova que é possível fazer arte para o grande público e, ao mesmo tempo, manter o respeito à arte.

DOCUMENTA DE KASSEL
AVALIAÇÃO ótimo

Posted by Cecília Bedê at 10:43 AM

julho 3, 2012

Nome próprio da cultura por Vladimir Safatle, Folha.com

Nome próprio da cultura

Texto de Vladimir Safatle originalmente publicado na seção de colunistas da Folha.com em 3 de julho de 2012.

No Brasil, os debates sobre ação cultural normalmente pecam pelo medo de afirmar as exigências da cultura em voz alta.

De um lado, há aqueles para quem os investimentos em cultura se justificam por permitir o desenvolvimento da "economia criativa". Nessa visão, cultura é bom porque gera empregos, turismo e desenvolvimento econômico.

De outro, há os que veem a cultura como ponta de lança de serviços de assistência e integração social. Mais música e menos violência --é o que alguns gostam de dizer, como se houvesse alguma forma de relação direita possível. O que abre um perigoso flanco: se o índice de violência não baixar, o investimento em música parece perder o sentido.

Por fim, há os que compreendem cultura como um mero complemento para a educação. Todas as ações culturais devem estar integradas em um projeto educacional pedagógico.

Há de lembrar a tais pes- soas que a cultura ocidental construiu seu lugar exatamente por meio da recusa dessas três tutelas. Platão e Rousseau, por mais que enunciassem pensamentos distintos, tinham ao menos a similitude de ver a arte como uma pedagogia para o bem-viver em sociedade. Não por outra razão, um expulsou os artistas de sua cidade ideal e o outro brigava para não abrirem um teatro em Genebra. Afinal, Dostoiévski, Francis Bacon, John Cage e Paul Celan não são exatamente companheiros na arte da descoberta do bem-viver. A arte serve mais para desestabilizar visões de mundo do que para referendá-las.

Já a subsunção das discussões culturais aos imperativos da nova "economia criativa" é só mais uma maneira de justificar a lógica de mercador de certos administradores culturais. Assim, eles podem financiar o que circula mais, já que a alta circulação é o critério fundamental para a avaliação dos processos de produção econômica.

Como Britney Spears sempre circulará mais do que Anton Webern, fica justificada a transformação do Estado em departamento de desenvolvimento de subprodutos culturais para a indústria. Daqui a pouco, teremos baile funk pago pela Secretaria da Cultura (ainda por cima, com a desculpa de que se trata de manifestação popular).

Mas o Brasil mereceria um debate cultural que não precisasse de muletas para se justificar e que não tentasse perpetuar falsos dilemas --como cultura elitista x cultura popular, cultura dos países dominantes x cultura da periferia e outros absurdos do gênero.

Aqueles que acreditam que a cultura serve, sobretudo, para desestabilizar visões de mundo e compreender a força crítica das formas estéticas deveriam parar de falar em voz baixa.

Vladimir Safatle escreve às terças-feiras nesta coluna.

Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às terças na Página A2 da versão impressa.

Posted by Cecília Bedê at 2:56 PM | Comentários (1)

Petrobras nega que Graça Foster vai rever patrocínios concedidos, O Globo

Petrobras nega que Graça Foster vai rever patrocínios concedidos

Matéria originalmente publicada no caderno de Economia do jornal O Globo em 3 de julho de 2012.

Decisão atingiria eventos, congressos, publicações, filmes, projetos culturais e conferências

RIO - A Petrobras divulgou nota na tarde deste domingo negando a informação publicada na coluna Panorama Político do jornal O Globo de que a estatal havia decidido segurar e rever todos os patrocínios concedidos pela empresa. De acordo com a nota do jornalista Ilimar Franco, a decisão de Graça Foster, presidente da empresa, atingiria eventos, congressos, publicações, filmes, projetos culturais e conferências setoriais e temáticas promovidas pelo governo federal, e que tinham patrocínio estatal.

A coluna cita ainda que marqueteiros petistas teriam ficado atônitos e irritados com a iniciativa da presidente da Petrobras:

"Quem essa Graça Foster pensa que é? A Dilma da Dilma?".

Leia abaixo a íntegra da nota enviada pela Petrobras:

“Com relação à nota "Fim da farra", a Petrobras esclarece que não é verdadeira a informação de que a presidente da Companhia, Maria das Graças Silva Foster, "decidiu segurar e rever todos os patrocínios concedidos pela empresa". A Petrobras reafirma que, tanto os novos projetos que receberão patrocínio, como aqueles em análise para renovação, seguem os mesmos padrões que sempre foram aplicados pela empresa”.

Posted by Cecília Bedê at 2:25 PM

Terceiro retorno de Francisco Pinheiro deve ser anunciado por Adriana Martins, Diário do Nordeste

Terceiro retorno de Francisco Pinheiro deve ser anunciado

Matéria de Adriana Martins originalmente publicada no Caderno 3 do jornal Diário do Nordeste em 3 de julho de 2012.

Manifestante confeccionando cartaz em protesto da classe artística na última quinta-feira (28): vigília no Centro encerrou-se ontem

O retorno oficial do deputado estadual Francisco Pinheiro (PT) ao cargo de secretário da cultura do Ceará - o terceiro no período de um ano e meio - deve ser anunciado hoje, segundo informações da Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Desde o dia 12 de junho, quando o também deputado estadual Antônio Carlos deixou a gestão da pasta, após substituir Pinheiro por seis dias, a Secult encontra-se sob comando da secretária adjunta Maninha Morais.

Ainda de acordo com a Secretaria, Pinheiro não se pronunciará sobre o retorno até o mesmo ser oficializado (publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará). Manifestações contra a volta do deputado para a pasta começaram a se multiplicar ontem em redes sociais digitais como o Facebook.

O revezamento de nomes na pasta da cultura gerou desgaste não apenas para a figura de Pinheiro e sua equipe, mas para a do próprio governador Cid Gomes, cuja gestão é avaliada pela classe artística cearense como centralizadora e indiferente às demandas do setor da cultura. É o que consta na carta-manifesto elaborada na semana passada por integrantes e representantes de fóruns de diferentes linguagens artísticas, que formaram o MAR - Movimento Arte e Resistência.

No texto, artistas, produtores e outros profissionais salientam que a Secult "tem sido usada para negociatas político-partidárias, ao invés de cumprir sua função como agenciadora, catalisadora e propulsora de ações que fortaleçam, desenvolvam e instiguem políticas públicas de cultura no Ceará". Acompanha a carta um abaixoassinado, atualmente com mais de 1.200 assinaturas. A carta foi entregue ontem à Maninha Morais, durante nova manifestação em frente à sede da Secult, no prédio do Cine São Luiz. A ação reuniu cerca de 200 pessoas e deu continuidade à vigília empreendida pelos artistas desde a última quarta-feira (27), na Praça do Ferreira.

Na ocasião, trechos da carta foram lidos em voz alta pelos protestantes, em meio aos transeuntes e aos funcionários da Secult que entravam no prédio. "Encerramos a vigília hoje (ontem) no fim da manhã, quando entregamos a carta e procuramos o apoio da Secult para conseguir uma audiência com o governador", explicou, por telefone, Leandro Guimarães, integrante do Fórum Cearense de Circo e do MAR. Ainda segundo o jovem, a carta será protocolada na Casa Civil no início da próxima semana. O abaixoassinado continua disponível na internet. Hoje o Fórum de Linguagens deve se reunir para decidir outras ações do MAR.

Mais informações

Site do abaixo-assinado do MAR: http://peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N26147


Posted by Cecília Bedê at 2:11 PM

Artistas seguem com protestos por Pedro Rocha, O Povo

Artistas seguem com protestos

Matéria de Pedro Rocha originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 3 de julho de 2012.

Artistas amanheceram ontem em frente à entrada da Secretaria da Cultura do Ceará, no Centro, para recepcionar o deputado estadual Professor Pinheiro (PT) em seu possível retorno ao cargo de titular da pasta, o que não aconteceu até o fim da manhã.

Entre os protestos, os manifestantes pregaram cartazes com críticas à gestão cultural do governo de Cid Gomes na fachada da Secult. Dezenas de artistas também protocolaram no órgão o documento que reúne as críticas e demandas dos manifestantes.

No meio da manhã, representantes das diferentes linguagens artísticas foram recebidos pela secretária-adjunta Maninha Morais. Segundo a diretora de teatro Herê Aquino, a secretária interina ouviu as demandas e se comprometeu em intermediar audiência com o governador.

Uma nova manifestação está marcada para amanhã, no Theatro José de Alencar, quando o movimento deve apresentar documento final com propostas para a política cultural do Estado.

Desde a madrugada da última quinta-feira em vigília em frente ao órgão, o intitulado Movimento Arte e Resistência (MAR) cobra mudanças na gestão da Secult como autonomia política e nomeação de quadros técnicos especializados na área cultural.

Abaixo assinado: Carta de Repúdio ao descaso do Governo do Estado do Ceará com a Cultura

Posted by Cecília Bedê at 2:04 PM

No Rio, Ernesto Neto celebra sua obra com festa em ateliê por Silas Martí, Folha de S. Paulo

No Rio, Ernesto Neto celebra sua obra com festa em ateliê

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de julho de 2012.

De camisa fúcsia, calça alaranjada e microfone na mão, Ernesto Neto sobe numa cadeira no meio de seu ateliê.

"Aí, rapaziada, eu preciso que vocês me ajudem a carregar essas pedras moles", diz o artista, falando de suas esculturas de crochê e bolinhas de plástico. "Vamos levar as pedras lá para cima."

Era o momento de desmontar a maior parte da exposição, cedendo lugar à festa que celebraria sua obra.

Depois que a "alta casta, de salto agulha", nas palavras da sua galerista, Marcia Fortes, havia visto as peças montadas, a ordem era apagar a luz e ligar a música.

Então um enxame de artistas, galeristas, críticos e colunistas sociais lotou o ateliê de Neto na zona portuária do Rio, concentrando boa parte do PIB da arte nacional em dois galpões contíguos cheio de instalações.

As duas salas simulavam, na mesma disposição, a forma como suas obras serão mostradas em São Paulo a partir da semana que vem.

No Rio, porém, as peças serviam de mobiliário -colorido e caro (uma delas, confeccionada por costureiras do bairro, ostentava o valor de US$ 250 mil) e colorido- para convidados que se esbaldavam nas pistas de dança.

"Isso é para o público vivenciar a obra em seu berço original, no seu habitat", observa Marcia Fortes, enquanto três rapazes se agitam dentro de uma estrutura gigante de crochê.

"Olha isso, essa passagem sutil de cores, parece Cézanne", completa a marchande, agachando-se para tirar dali uns tênis esquecidos.

Neto, um dos artistas mais renomados do país, é famoso também pelas festas épicas que faz no Rio. Decidiu então juntar a balada em si ao aspecto festivo da obra.

"Festa é coisa cultural, é uma loucura", diz Neto, entre goles de cerveja.

"Todo mundo quer festa. Quero gente andando no gasoso, na atmosfera, num estado de suspensão, e a festa leva as pessoas a esse lugar grupal. Pode ser rico, pobre, classe média. A festa é onde você pode encontrar e estar feliz com todos os amigos."

No caso, amigos, trabalhadores e funcionários do ateliê e da galeria paulistana.

Na manhã da festa, a Fortes Vilaça lotou um ônibus em São Paulo e levou os funcionários, entre porteiros, seguranças e montadores da galeria, para acompanhar a abertura.

Depois de perder o botão da calça numa das esculturas, Afonso Luz, crítico de arte e ex-assessor do Ministério da Cultura, contemplava o alvoroço dos convidados em torno das esculturas.

"Olha isso, você devia entrar lá", diz Luz à reportagem. "O Rio virou mesmo um paraíso, uma terra da fantasia."

O jornalista SILAS MARTÍ viajou a convite da galeria Fortes Vilaça

Posted by Cecília Bedê at 1:45 PM

Setor cultural vê preocupação com possíveis cortes por Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Setor cultural vê preocupação com possíveis cortes

Matéria de Matheus Magenta originalmente publicada na ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de julho de 2012.

Produtores culturais demonstraram preocupação com a possibilidade de cortes ou revisões nos patrocínios concedidos pela Petrobras para a área.

Em retração no país, o segmento de festivais de cinema teme que a estatal não lance neste ano a edição anual do Programa Petrobras Cultural.

No ano passado, o programa contemplou 16 festivais de cinema com até R$ 300 mil para cada um.

"A gente está muito preocupado com essa situação. Há festivais que estão realizando edições emergenciais com um quinto dos recursos necessários só para não descontinuar o evento", disse Francisco Cesar Filho, presidente do Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais Audiovisuais Brasileiros.

Patrocinado pela Petrobras pelo forma direta (sem seleção pública), o grupo teatral mineiro Galpão diz não temer a suspensão do patrocínio atual, de R$ 1,5 milhão.

Mas, disse Beto Franco, coordenador-geral do Galpão, "preocupação sobre o futuro sempre existe". "Nosso patrocínio é renovado a cada ano."

Segundo ele, o grupo não foi comunicado pela Petrobras sobre possíveis mudanças no patrocínio.

Paulo Pederneiras, diretor do grupo de dança contemporânea Corpo, se mostrou confiante na continuidade do patrocínio direto. Foram R$ 3,9 milhões no ano passado.

"Fui pego de surpresa pela notícia, mas não estamos preocupados, nosso contrato com eles vence no final de 2013", afirmou.

Os mais preocupados com as possíveis mudanças não são receptores de patrocínios diretos como o dos grupos Galpão e Corpo. Elas afetariam sobretudo os produtores culturais cujos projetos dependem de aprovação em seleções públicas por edital.

Posted by Cecília Bedê at 1:37 PM

Petrobras vai rever patrocínio cultural por Denise Luna, Pedro Soares e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Petrobras vai rever patrocínio cultural

Matéria de Denise Luna, Pedro Soares e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 3 de julho de 2012.

Suspensão para a avaliação atinge projetos do Programa Petrobras Cultural, mas poupa outros auxílios financeiros

Gerente que era tida como "ministra paralela da Cultura" saiu em reformulação feita por Graça Foster

A Petrobras suspendeu para avaliação o processo de escolha de projetos culturais do Programa Petrobras Cultural, como vem fazendo com várias de suas outras iniciativas de patrocínio.

Normalmente lançada entre março e abril, a seleção de projetos entrou em compasso de espera enquanto a nova presidente da companhia, Graça Foster, decide os próximos passos do programa.

Em janeiro, um pouco antes de Graça tomar posse, a Folha já havia solicitado à empresa informações sobre o programa em 2012.

Na época, a estatal afirmou que seria lançado "em breve" e que "estava ciente do seu papel e importância no patrocínio à cultura".

Passados seis meses, não há indicação de quando o programa será lançado. Empresas terceirizadas que faziam a seleção dos projetos foram dispensadas e, segundo uma fonte que acompanhou processos anteriores, uma nova licitação estaria sendo preparada para escolher novas empresas, mas sem data definida.

Graça assumiu a Petrobras em fevereiro deste ano, no lugar de José Sergio Gabrielli. E, na dança das cadeiras que promoveu, tirou o cargo da então gerente de patrocínios Eliane Costa, considerada pelo setor uma "ministra paralela da Cultura", graças ao orçamento que comandava.

No seu lugar foi empossado Sérgio Bandeira de Melo, que ocupava a cadeira em 2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

FORA DE RISCO

Além do Programa Petrobras Cultural, a estatal tem patrocínios classificados como de continuidade e que não correm risco, como os grupos Corpo e Galpão e parte da programação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros.

Já os projetos que dependem de seleções públicas do Programa Petrobras Cultural, que incluem festivais de cinema, permanecem em observação na estatal.

Sem patrocínio, o Cine Fest Petrobras, de Nova York, cancelou em junho a sua décima edição. No Brasil, grupos já temem uma descontinuidade dos eventos com a nova gestão.

SEM TERCEIRIZADAS

Entre os motivos para a suspensão do programa, segundo fontes da companhia, estaria a intenção de Graça de manter a seleção de projetos dentro da Petrobras, sem a participação de empresas terceirizadas, e em tempos de cinto apertado, a vontade de encontrar novas maneiras de financiamento.

O benefício fiscal usado para financiar a cultura, que inclui o programa e os patrocínios de continuidade, despencou de R$ 169 milhões em 2006 para R$ 108 milhões em 2009 e para R$ 63 milhões em 2010. A empresa não soube informar o benefício de 2011.

Em nota, a Petrobras informou "que, tanto os novos projetos que receberão patrocínio, como aqueles em análise para renovação, seguem os mesmos padrões que sempre foram aplicados pela empresa".

Frase

"A gente está muito preocupado com a situação. Há festivais [de cinema] que estão realizando edições com um quinto dos recursos necessários para não descontinuar o evento"

FRANCISCO CESAR FILHO
presidente do Fórum Nacional dos Organizadores de Festivais Audiovisuais Brasileiros

Posted by Cecília Bedê at 1:29 PM

julho 2, 2012

Correspondência artística por Nina Gazire, Istoé

Correspondência artística

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na Istoé em 29 de junho de 2012.

Exposição reúne obras trocadas via correio por artistas da América Latina e Europa Oriental durante os anos de chumbo da ditadura

Redes Alternativas / Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo até 30/09

A arte postal, também conhecida como mail art, surgiu em meados dos anos 1960 movida por um espírito libertário. Suas obras seriam consumidas e trocadas por artistas que usariam os correios para fazer circular a sua produção longe das imposições do mercado de arte e do espaço estanque das galerias e instituições oficiais. Essa prática artística, no entanto, vai muito além da troca de experiências e uma ótima oportunidade de repensar o seu papel acontece com a exposição “Redes Alternativas”, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea da USP, em São Paulo.

Se na Europa Ocidental e na América do Norte essa produção visava liberar a própria arte de suas amarras institucionais, nos países latino-americanos, que viviam sob regimes ditatoriais, ela era uma arma contra o sufocamento cultural. Foi por meio dos correios que durante as décadas de 1960 e 1970, período em que os efeitos da Guerra Fria também asfixiavam nações do Leste Europeu, importantes nomes do Brasil, Argentina, Polônia, Alemanha Oriental e Hungria, entre outros, iniciaram uma correspondência prolífica, não só de trabalhos, mas principalmente de ideias. “O correio foi um lugar seguro para essa troca que escapava da censura e acabou por encontrar acolhimento em um lugar neutro, como foi o caso do Museu de Arte Contemporânea da USP”, comenta Cristina Freire, curadora da mostra que reúne o intercâmbio de obras entre a América do Sul e o Leste da Europa.

A exposição é o resultado de uma pesquisa feita dentro do acervo do MAC-USP, que a partir de 1963, sob a direção do professor Walter Zanini, procurou dar abrigo a uma produção de resistência, como é o caso da arte postal. Está centrada, principalmente, no uso da fotografia como registro de performances que depois eram trocadas entre os artistas, acompanhadas de textos descritivos. Tal experiência gerou uma série de proposições que funcionaram como estratégias de sobrevivência. A ironia dá o tom, por exemplo, da obra “Veículo”, do polonês Krysztof Wodiczko. O artista criou uma espécie de esteira rolante móvel que se desloca com o caminhar do usuário. “Na estrada do progresso, na rodovia para um futuro melhor, o intelectual precisa contribuir para o processo racional”, escreveu Wodiczko no texto ao lado das fotografias que foram enviadas ao museu em 1973. Em “Sequela”, de Fernando Cocchiarale, o artista registra as marcas deixadas em seu braço por uma corda apertada. “Representantes de ambas as regiões fizeram amplo uso da fotografia por ser um meio de reprodução acessível que ficava longe de um controle oficial”, explica Cristina, cuja pesquisa teve origem em uma curadoria anterior, realizada em 2009, para uma exposição na Alemanha, denominada “Práticas Subversivas”.

Posted by Cecília Bedê at 5:05 PM

Revolução e arte por Paula Alzugaray

Revolução e arte

Matéira de Paula Alzugaray originalmente publicada na Istoé em 29 de junho de 2012.

Hervé Fischer - Arte Sociológica e Conexões, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, SP - 09/05/2012 a 30/12/2012

Um dos primeiros grupos que se orientaram pela ideia de coletivo artístico foi criado em 1974 pelo francês Hervé Fischer. Denominado Coletivo de Arte Sociológica, o grupo fundamentava suas ações em torno de manifestos que defendiam uma “arte sociológica”: uma prática que pensasse e refletisse a arte sempre a partir de seu referencial social. No mesmo ano da fundação do coletivo, Fischer enviou um postal ao Museu de Arte Contemporânea da USP que continha uma imagem de uma placa de trânsito com a frase “Arte: o que você tem a declarar?” (foto). Um ano depois, o artista veio ao Brasil a convite do museu e realizou uma intervenção ousada na Praça da República, em São Paulo. Em “Farmácia”, como foi denominada a ação, Fischer escutava as histórias dos transeuntes e distribuía “pílulas” de acordo com o diagnóstico. Entre os medicamentos, havia um comprimido que permitia o voto e a democracia, ato arriscado em pleno regime militar. Na mostra “Hervé Fischer – Arte Sociológica e Conexões”, também em cartaz no MAC, é possível ver os diversos manifestos produzidos pelo Coletivo de Arte Sociológica e os registros de suas ações, além de fotografias e obras doadas pelo artista ao museu. Vale ressaltar que durante as décadas de 1960 e 1970 a instituição foi uma das poucas na América Latina a funcionar como um território neutro para a existência de uma arte politicamente engajada.

Posted by Cecília Bedê at 4:57 PM

Três vezes secretário por Pedro Rocha, O Povo

Três vezes secretário

Matéria de Pedro Rocha originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 2 de julho de 2012.

Cogitado para reassumir hoje a Secretaria da Cultura, o deputado estadual Professor Pinheiro deve ser recebido na porta por protestos de artistas

A semana promete ser movimentada para a gestão da Cultura no Ceará. Depois de sua segunda saída temporária, o deputado estadual Professor Pinheiro (PT) pode assumir pela terceira vez em um ano e meio a Secretaria da Cultura do Estado (Secult), agora em meio a uma série de protestos da classe artística.

A vigília que teve início na última quarta-feira, na qual vários artistas vararam a noite na Praça do Ferreira, em frente à atual sede da Secult – que se mudou do Palácio da Abolição para o prédio do Cine São Luís –, está prevista para acabar hoje pela manhã, quando os manifestantes pretendem recepcionar Francisco Pinheiro e protocolar o manifesto do movimento.

O documento, que contabiliza mais de 1.200 assinaturas no abaixo-assinado disponível na Internet, critica “o evidente descaso dado à Cultura pela atual gestão do Governo do Estado do Ceará, sob a administração de Cid Gomes”. Para eles, a Secult “tem sido usada para negociatas político-partidárias, ao invés de cumprir sua função como agenciador, catalisadora e propulsora de ações que fortaleçam, desenvolvam e instiguem políticas públicas de cultura no Ceará”.

No texto, os artistas reclamam também da “delegação de cargos e responsabilidades, em toda a hierarquia relativa à gestão da Pasta da Cultura, a gestores/interlocutores que, em sua maioria, desconhecem as problemáticas e contextos artísticos, não tendo histórico que os habilite a ocupar as funções que lhe são delegadas”.

Apesar de ser criticado pelo aparelhamento da Secult com a nomeação de pessoas sem experiência na área para cargos de primeiro escalão, Pinheiro não está no centro das reivindicações. A principal questão apontada pelos documentos e por integrantes do movimento é a gestão centralizadora do governador, que precisa aprovar qualquer projeto antes da liberação dos recursos pela secretaria.

“Tem parte do movimento que não quer que ele (Pinheiro) volte por causa desse vai-e-vem, que pra gente significa uma falta de compromisso com a secretaria. Mas a gente nem quer levantar essa questão agora, o que a gente quer mesmo é mudar o quadro em que a secretaria se encontra”, explica a coreógrafa Sílvia Moura, integrante do Fórum de Dança e uma das líderes do movimento.

Movimento

Desde a manhã de quinta-feira, com o protesto que reuniu cerca de 100 pessoas na Praça do Ferreira, a gestão estadual da cultura passa por uma série de protestos.

Na tarde de quinta ainda, durante audiência pública na Assembleia Legislativa convocada pelo próprio deputado Professor Pinheiro para discutir a “Lei do Mecenato” – forma de financiamento de projeto culturais através de renúncia fiscal –, os artistas intervieram no debate e leram o seu manifesto. O que aconteceu também à noite, em evento no Theatro José de Alencar que contou novamente com a presença de Pinheiro.

Maninha Morais, secretária-adjunta e titular interina da pasta, disse que tinha interesse em ler o documento e pediu aos manifestantes que o encaminhassem à secretaria.

Um dia depois, na sexta, foi a vez da hashtag #deCIDapela cultura chegar ao topo dos trendtopics do Ceará no Twiter. A mobilização ganhou também o Facebook, onde artistas cearenses em várias cidades do Brasil e do mundo publicaram fotos segurando cartazes em solidariedade ao movimento.

“A nossa principal meta é uma audiência com o governador. A nossa questão é um modelo de gestão da secretaria, principalmente a centralização dos projetos que acontecem, os prazos vão sendo estourados e um quadro técnico que não tem o conhecimento específico do campo cultura”, afirma o ator Gyl Giffony.

Abaixo assinado: Carta de Repúdio ao descaso do Governo do Estado do Ceará com a Cultura

Posted by Cecília Bedê at 4:36 PM