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Como atiçar a brasa

 


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dezembro 11, 2009

Sophie calle passeia pela exposição no mam: diversas interpretações para o famoso e-mail que termina com “Cuide-se” por Helena Celestino, O Globo

Materia de Helena Celestino originalmente publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo em 10 de dezembro de 2009.

Artista francesa traz ao Rio mostra criada a partir de famoso e-mail de ruptura

Depois de tanto tempo do tal e-mail de ruptura, não é meio cansativo continuar contando essa história e montando uma exposição em torno do assunto?

SOPHIE CALLE: Para mim, o tema não é mais a separação. Quando estava organizando a exposição, já não se tratava mais disso, a carta de rompimento já não tinha importância, era só um suporte. Não havia mais dor. De algumas dores é melhor rir: aos 18 anos, levam-se dois anos para superar uma separação; aos 55, uma semana. A ideia da exposição me veio muito rapidamente, quando conversei com uma amiga jornalista. Perguntei a mim mesma se o projeto era uma vingança e achei que não, que valia a pena, que era artisticamente interessante. Escolhi as mulheres entre as que têm, como trabalho, interpretar um texto: artistas, filósofas, psicanalistas, cada uma me levava a uma outra especialização profissional. Quando recebi a carta, não sabia o que devia fazer, se devia responder, se ele me abandonava de verdade. Então, fui perguntar à minha melhor amiga como ela lia aquele texto. E comecei a pedir a várias mulheres para responderem por mim, sempre do ponto de vista profissional. O interessante é a multiplicidade de visões e também a maluquice das muitas especializações existentes no mundo contemporâneo. Talvez a interpretação de que eu mais goste seja a da palhaça.


Mas, agora, qual é o prazer ao remontar a exposição?

SOPHIE: Agora, o prazer pode estar ligado ao lugar onde a exposição será montada. Estava empolgada por vir ao Rio; Salvador foi um sonho. Se estivesse levando essa exposição para oito cidades alemãs, não aguentaria mais. Vai ter uma hora em que isso vai parar, ou a exposição vai circular sem a minha presença. Não tem graça eu, já velha, numa cadeira de rodas, falando ainda desse e-mail.

Em Paraty, durante a Flip, você e Gregoire Bouillier criaram um certo frisson, ao se encontrarem publicamente pela primeira vez depois da sua exposição e do livro que ele escreveu sobre o assunto. Foi uma cena de teatro, um momento ridículo? Como você interpreta aquela cena?


SOPHIE: Era lógico a gente se encontrar. Fiz um projeto sobre ele, ele fez um livro sobre mim, nós dois fizemos um livro, os dois livros saíram em português, era natural que nos encontrássemos. É verdade que foi uma maneira de dizer o que precisava ser dito, e era muito mais fácil fazer isso em público. Não iríamos marcar um encontro para falar de nossa história, já tinha passado muito tempo e gostamos de aparentar que somos light. Mas faltava dar um fecho a esse assunto, e isso aconteceu em Paraty. Era o lugar certo, longe de casa, longe dos amigos. Se fizéssemos isso em Paris, seria ridículo. Nós dois estávamos com medo desse encontro: foi sincero, foi real e foi o fim.

Você já se dedicou a um novo projeto?

SOPHIE: Eu trabalhei com uma vidente, que também participa dessa exposição. Perguntei-lhe onde ela me via e segui suas visões, tentei ir em direção ao meu futuro, através da sua mediação. É uma regra do jogo como qualquer outra, é uma maneira de jogar com as visões, com o tempo, com a obediência. Eu gosto muito de obedecer. Obedecer e controlar. É um paradoxo, mas gosto muito de seguir as regras do jogo, os rituais. Nesse trabalho, existe um ritual que consiste em obedecer. Ela me vê em um lugar, eu vou, mando-lhe fotos de onde estou, telefono e pergunto se devo ir para o hotel da direita ou para o da esquerda. Ela joga as cartas e me responde. Comunicamo-nos por fotos e e-mails. Vou sozinha, sem produção. Eu mesma filmo e fotografo.

Esse material, naturalmente, já se transformou num trabalho de arte...

SOPHIE: Fiz três livros e uma exposição que se chama “Onde e quando”. A primeira exibição foi em Paris, na galeria Emmanuel Perrotin, e agora está em Londres, na Whitechapel.

E para onde o futuro levou você?

SOPHIE: Fui a Berk, no norte da França, uma estação de reeducação de pessoas com problemas motores. Depois, a vidente me mandou a Lourdes. Fui ver a Virgem, fiz o que ela mandou. Na verdade, comecei esse projeto por causa de Paul Auster.

Você é uma das personagens de “Leviatã”, o livro de Auster, mas, pelo que sei, ele se recusou a participar de um projeto seu...

SOPHIE: Já que ele se apropriou da minha vida, propus a ele inverter as coisas. Ele inventaria uma história, e eu transformaria a fantasia em realidade. Eu lhe daria um ano de minha vida, seguiria o seu roteiro. Ele não quis, porque achou perigoso. Se me mandasse ao México, por exemplo, eu poderia ser atacada, e ele seria responsável porque escreveu o script. Ele me deu só três ordens: sorrir, distribuir comida e ficar num lugar público e transformá-lo num espaço privado. Fui para uma cabine telefônica. Mas tudo isso me deixou frustrada, porque queria que Paul Auster me fizesse viver coisas que não viveria naturalmente. Eu queria me transformar em uma heroína de romance, literalmente. Foi aí que procurei a vidente.

Você gostou mais do “script” da vidente do que o de Paul Auster?

SOPHIE: Não, não gostei de nenhum dos dois. O que me agrada é não ter de pensar, é um pouco a mesma coisa de quando eu segui as pessoas em Veneza. Não tinha que pensar. Estava lá porque essa era a regra do jogo, e não é o caso de perguntar se é bom ou não. É só obedecer. Eu gosto de obedecer porque é um grande repouso, não há nada a decidir, é só seguir.


A sua biografia inclui muitas profissões. Em que momento você passou a se ver como artista?

SOPHIE: Eu andei pelo mundo, passei um ano nos EUA, um ano no México. Quando voltei a Paris, estava meio perdida. Então fui para Veneza e comecei a seguir as pessoas na rua, sem nenhum projeto específico, para me ocupar, para ver onde as pessoas iam. Não era artístico. Depois, numa espécie de jogo, chamei pessoas estranhas para dormirem na minha cama. Contei essa história a uma amiga, e o marido dela, que era crítico de arte, perguntou se eu não queria expor essas cenas numa galeria. Mas digamos que eu não era totalmente inocente. Meu pai era colecionador de arte contemporânea. A paredes da minha casa tinham obras de arte conceitual e pop art.

Para gostar do seu trabalho é preciso entrar no jogo, não perguntar se tudo isso é verdade ou mentira...

SOPHIE: É verdade e é mentira. Eu não invento, tudo aconteceu de verdade. Eu recebi a carta de rompimento, eu fui consultar a vidente, eu fui a Veneza. Tudo isso aconteceu, mas é uma ficção porque eu escolho o que vou contar, eu edito, corto, seleciono a imagem. Isso fica mais evidente no meu filme, “No sex last night “ (Sophie e o seu namorado americano filmam uma viagem em direção a Las Vegas). É sobre uma relação que durou dois anos, a viagem durou um mês, a montagem, um ano. Filmamos 60 horas e mostramos pouco menos de uma hora. Poderíamos contar 40 histórias, todas diferentes. É uma ficção, é um trabalho artístico. Aconteceu, mas não é minha vida, não é um diário íntimo. É a tentativa de fazer algo que seja poético e esteticamente forte.

Os trabalhos de arte contemporânea têm, com frequência, uma explicação teórica e dialogam com a História da arte. Como você olha para os seus próprios projetos?

SOPHIE: Não quero saber de nada disso. Eu faço e pronto. A teorização não está no meu vocabulário. Tomar distância, olhar de longe, analisar — não é meu vocabulário.

Quais são os artistas mais próximos de você?

SOPHIE: Daniel Buren faz um trabalho completamente oposto ao meu, mas está próximo. Os artistas de quem eu gosto, em geral, fazem coisas muito diferentes de mim.

Cindy Sherman é próxima? Você circula no meio artístico ou fica à distância?

SOPHIE: Eu adoro Cindy Sherman. Nós nos conhecemos mas nunca trabalhamos juntas. Eu circulo entre artistas, porque adoro sair, gosto bem da vida parisiense, adoro as grandes metrópoles. Mas, quando tenho tempo livre, tento ficar longe, não sou obsessiva em relação ao meio artístico. Tento ter outras vidas, além da vida de artista.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 6:33 PM

Tunga surpreende e cria aquarelas delicadas em nova exposição em SP por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 10 de dezembro de 2009.

Escala monumental e materialidade são algumas das características recorrentes na obra de Tunga. Pesadas tranças feitas com metal, imensos caldeirões, tacapes repletos de pequenos ímãs são alguns trabalhos conhecidos do artista, que usa a força da gravidade como um dos elementos fundamentais de sua criação. "Quase Aurora", nova mostra de Tunga, em cartaz na galeria Millan, aparentemente contradiz tudo o que se conhece do artista. A exposição é composta basicamente por uma série de quase 50 aquarelas, desenhos etéreos, indefinidos, quase em suspensão, no sentido inverso dos objetos pesados que evidenciam sua obra. Nas aquarelas observam-se figuras evanescentes, como se seus corpos se dilatassem em gases que se expandem, às vezes transformando-se em palmeiras, às vezes misturando-se com outros corpos, às vezes simplesmente desaparecendo.

Alquimia

A sugestão de complexos processos de mutação, contudo, é que esteve sempre em suas obras, sempre marcadas por forte sugestão alquímica.

É só se lembrar de "Laminadas Almas", performance realizada na galeria Millan, em 2004, e depois no Rio, em 2006, onde a metamorfose era o tema central. Na ação, tomavam parte milhares de moscas e rãs reais junto com bailarinos e artistas, que incorporavam (simbolicamente, é claro), parte desses animais.

Sem dúvida, a simplicidade das aquarelas surpreende, mas a quase invisibilidade de seus desenhos também está presente nos campos energéticos de ímãs que Tunga usa em muitos de seus trabalhos, apontando aí outra convergência entre obras anteriores e a nova mostra.

Na produção contemporânea, há muita expectativa e pressão pela renovação da criação, pois a repetição é muitas vezes vista com desdém, e se espera que o artista consiga manter a capacidade de surpreender o tempo todo.

Em "Quase Aurora", no entanto, Tunga consegue reinventar sua própria obra, mas a partir de desdobramentos de sua linguagem, ampliando seu vocabulário sem buscar o novo pelo novo.
A surpresa, que de fato se tem, é frente à sua coerência: ele não precisou apelar a nada externo ao que já vinha realizando para se renovar por completo.

Serviço
Tunga - Quase Aurora - Desenhos inéditos

18 de novembro a 19 de dezembro de 2009

Galeria Millan
Rua Fradique Coutinho 1360, Pinheiros, São Paulo - SP
11-3031-6007
www.galeriamillan.com.br
Segunda a sexta, 10-19h; sábado 11-15h

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 5:48 PM

dezembro 7, 2009

Hotel desativado no centro de São Paulo torna-se centro de artes multimídia por Márcia Abos, O Globo

Matéria de Márcia Abos originalmente publicada no Segundo Caderno do Jornal O Globo em 6 de dezembro de 2009

Artistas brasileiros e estrangeiros trabalham nos quartos há 25 dias

Uma usina de arte contemporânea dá vida a um prédio histórico do centro antigo de São Paulo. Desde o dia 11 de novembro, dez artistas de sete nacionalidades diferentes instalaram seus ateliês em um hotel projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo em 1916, na Avenida São João, número 288, que está desativado desde 2005. Com a curadoria de Lucas Bambozzi e Maria Montero, a produção desses artistas, que inclui performances, instalações sonoras, escultura, videoarte e pintura, está sendo mostrada ao público desde ontem e ficará até o próximo domingo, com entrada franca. Não apenas as obras criadas durante a residência ocupam os quatro andares do antigo edifício. Serão preservados e apresentados aos visitantes os quartos onde os artistas trabalharam.

— Museus e galerias não dão conta de uma relação mais humana entre artistas e público. Acredito que não há outra maneira de o homem conhecer a si mesmo que não seja através da arte. O projeto é uma forma de abrir portas, derrubar o muro que divide artista e público — avalia a curadora Maria Montero.

Moradores de rua inspiram artista alemão
Pela primeira vez no Brasil, o alemão El Bocho já deixou sua marca em alguns muros da capital paulista. Acostumado a criar grafites que dialogam com suas criações nas galerias, ele criou uma obra audaciosa: telas pintadas com pedaços de papelão e uma instalação formada por casulos interligados. A inspiração, segundo El Bocho, veio dos moradores de rua, que usam o papelão como casa, cobertor, guarda-chuva...

— Fiquei muito impressionado com as fachadas em ruínas de prédios antigos da cidade. Os moradores de rua também atraíram a minha atenção. E vi pela primeira vez um prédio sem janelas. Minha obra costuma tratar de pessoas que vivem em grandes cidades, seus sentimentos e problemas — explicou o artista, influenciado por suas caminhadas noturnas por São Paulo.

Já a videoartista argentina Gabriela Golber quer explorar a memória do hotel desativado. Ela convocou voluntários, artistas e escritores para ocupar quartos vazios. Eles vão ler trechos de livros ou escritos inéditos sobre histórias de amor em quartos de hotel. Os diálogos se relacionam com imagens do hotel vazio captadas pela artista.

— É como se as paredes falassem e pudessem nos contar o que aconteceu aqui — imagina Gabriela.

A brasileira Alessandra Cestac, que desde 2005 espalha pelas ruas fotos suas nua, em tamanho real, resolveu inverter os papéis. Voluntários poderão se desnudar para ela em um dos quartos do hotel: Alessandra passa de fotografada a fotógrafa. Antes, as pessoas passarão por um quarto branco, chamado pela artista de clínica, e responderão a um questionário sobre nudez. Depois subirão a escadaria do hotel até um quarto no terceiro piso, onde poderão se desnudar e posar.

— Quis mudar o meu ponto de vista e fazer as pessoas entrarem em meu universo — explica Alessandra.

Pinturas a partir de imagens de câmeras de segurança
Já a pintora brasileira Regina Parra criou pinturas a óleo sobre papel a partir de cenas captadas por câmeras de segurança em fronteiras.

— Quis tratar de um lugar que é terra de ninguém e do estado de ser estrangeiro — adianta Regina.

O americano Grant Davis criou uma instalação interativa. São duas projeções: a silhueta de um homem na janela que observa uma mulher deitada na cama de um quarto do hotel. A mulher projetada na cama se movimenta conforme o toque do público. Ela está deitada em um lado da cama, como se convidasse um parceiro. Mas, quando alguém tenta deitar-se ao seu lado, ela se levanta.

O português Rui Gato criou duas esculturas sonoras interativas. Uma delas é um pau de chuva, e a outra, uma sala com quatro redes. Ao lado delas, vasilhas cheias de água. O público poderá jogar objetos na água, gerando sons que, amplificados, ocuparão o espaço.

— Quero levar as pessoas a um estado contemplativo, diferente do ritmo acelerado de São Paulo — conta Gato.

O sul-africano Zander Bloom (instalação), o japonês Hiraku Suzuki (escultura e instalação) e os brasileiros Rodrigo Garcia Dutra (videoinstalação) e Claudio Bueno (multimídia) também fazem parte da experiência.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 5:18 PM | Comentários (1)

Som, Prosa & Imagem por Paula Alzugaray com colaboração de Fernanda Assef, Istoé

Coluna de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 7 de dezembro de 2009.

Lançamentos trazem boas histórias, entrevistas, ensaios e deleite visual


Livro
Corpos codificados
MARCA DOS / Cláudia Andujar / Editora Cosac Naify / R$ 79

O título do livro faz referência às imagens de índios ianomâmis na Amazônia identificados por placas numeradas, mas também à história da fotógrafa Cláudia Andujar, que, aos 13 anos, assistiu seus familiares e seu primeiro namorado terem suas roupas marcadas pelo partido nazista com uma estrela de Davi. A fotógrafa reconhece a semelhança estética dessa imagem com a dos ianomâmis: eles também foram marcados, mas pelo governo brasileiro, a fim de ganhar tratamento contra doenças dos brancos. Os registros de Cláudia, a princípio, não tinham uma intenção artística ou mesmo fotojornalística. Mas a partir da convivência com o povo ianomâmi surgiu a vontade de conhecer sua cultura e transmiti-la. Selecionadas entre 50 mil imagens feitas nos anos 1980, as fotografias deste livro foram expostas na 27ª Bienal de São Paulo e na galeria Vermelho.


Livro
Nova York para amantes da arte
Manhattan – Arte contemporânea e algo a mais / Nessia Leonzini / BEI / R$ 39

Em viagem a Nova York, quando passear pelas galerias do Chelsea, não se esqueça de olhar para cima: em Midtown, preste atenção, por exemplo, à arquitetura de vidro branco leitoso de Frank Gehry para o edifício do IAC Headquarters. Depois, quando descer ao New Museum, em downtown, lembre-se que você está em outro marco arquitetônico da cidade, projeto da dupla japonesa Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa/SANAA . Com um olho na arquitetura e outro na arte, Nessia Leonzini oferece inúmeras possibilidades de roteiro para ver, ouvir, comer, consumir e comprar arte em Nova York.


DVD
Todo ouvidos
Chelpa ferro / Carlos Nader / Associação Cultural Videobrasil / Todo ouvidos / R$ 25

O grande mérito do grupo carioca Chelpa Ferro é provar que o som também faz parte da cultura visual. Afinal, o que os artistas plásticos Barrão e Luis Zerbini e o editor de som Sergio Mekler fazem, por mais estranha que possa parecer essa definição, é “plástica do som”. Se as instalações do Chelpa Ferro – apresentadas na Bienal de Veneza, na Bienal de São Paulo, entre diversos museus do mundo – são tão visuais quanto sonoras, então a mídia ideal para veicular o trabalho é mesmo o documentário. Dirigido pelo videoartista Carlos Nader, o vídeo é o sexto documentário da série Videobrasil Coleção de Autores.


Livros
Prosas de um supercurador
Entrevistas Vol. 1 e Vol. 2 / Hans Ulrich Obrist / Editora Cobogó e Instituto Inhotim / R$ 32

Arte, encabeçando a lista dos 100 mais poderosos da revista “art review”, o curador suíço hans Ulrich obrist já fez mais de 150 exposições e hoje é codiretor da serpentine gallery, de londres. além de ser “o mais próximo de uma estrela de rock que um curador pode chegar” – segundo um crítico novaiorquino , obrist também é um apaixonado por entrevistas. “acho mais interessante ler entrevistas com artistas do que longos textos”, disse para o ilustrador robert crumb, em conversa reproduzida em “entrevistas”. publicadas em dois volumes, as conversas abrangem personalidades da arte, das ciências naturais e humanas. o poeta augusto de campos, o compositor Brian eno e o inventor do lsD, albert hofmann, estão entre as boas prosas deste “supercurador”.


Multimidia
Livre improvisação
Arte Brasileira Contemporânea: Um prelúdio / Paulo Sérgio Duarte / Silvia Roesler Edições de Arte / R$ 150

Para o contato com as artes visuais, nada melhor do que, simplesmente, olhar. É assim, propiciando um mergulho visual nas obras de 21 artistas brasileiros, que o cineasta Murilo salles convida o espectador a entrar no complexo, plural e nada evidente universo da arte contemporânea. com belíssimas imagens e sem narração, o vídeo integra o projeto multimídia “arte Brasileira contemporânea: Um prelúdio”, editado em livro, DVD e cD-roM e organizado pelo crítico paulo sergio Duarte. no livro, a cobertura salta para 80 artistas, que ganham verbetes biográficos, e o cD-roM traz a íntegra de entrevistas com 15 críticos de arte. os três produtos organizam os conteúdos na forma de arquivos, o que favorece a consulta de acordo com o interesse do leitor e privilegia a pesquisa individualizada.


Livro
História do grafite
A Arte de Jaime Prades / Editora Olhares / R$ 80

Na história da recente arte brasileira, os anos 80 ficaram conhecidos como a década do “retorno à pintura” e ao prazer da visualidade, depois de muita arte conceitual. Jovens pintores surgiram em bienais, galerias, museus. na rua, não foi diferente: um grupo reinventou a pintura no espaço urbano, fazendo-a acontecer em projetos de intervenção urbana e de instalação ambiental. o grupo tupinãodá atuou de 1983 a 1991. “Diz a lenda que foi o primeiro coletivo de arte urbana do Brasil”, conta Jaime prates, que integrou o grupo ao lado de Zé carratu e carlos Delfino, entre 1984 e 1989. essa história está contada em “a arte de Jaime prades”, edição bilíngue que percorre 20 anos de carreira do artista paulistano.


Livro
O mundo transformado em imagem
A Fotografia – entre Documento e arte contemporânea / André Rouille / Editora Senac / R$ 85

Redator-chefe de “la recherche photographique”, publicação francesa destinada à reflexão e à pesquisa no campo fotográfico, andré rouille apresenta neste livro uma pesquisa de fôlego sobre a fotografia documental – desde sua utilização como instrumento de expedições militares, no século XiX, até sua recente apropriação pela arte contemporânea. a hegemonia do fotojornalismo, a fotografia como enunciado da verdade e a fotografia como ferramenta da arte estão entre os temas detalhadamente perscrutados pela lente obtusa deste autor.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 3:21 PM

A poesia do experimental no papel por Camila Molina, Estado de S. Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 5 de dezembro de 2009.

Arnaldo Pedroso d"Horta (1914-1973) tinha uma "certeza da mão" que o compositor Paulo Vanzolini não via em ninguém. Artista, crítico de arte, ensaísta, jornalista e colaborador do Estado, foi premiado na Bienal de Veneza, em 1954, assim como na Bienal de São Paulo. Tratava o desenho como uma arte de "alta precisão", como define outro de seus amigos, o artista e fotógrafo Fernando Lemos. "Para devolver ao mundo os restos da matéria que absorveu, para que essas emanações incolores se tornem legíveis, para que sua fala sem língua se faça audível, para que sua dança recenda perfume - dai à mão uma caneta com pena. Os cinco rios secos para esta irão confluir, e por ela despejar-se no mar de papel", escreveu Pedroso d"Horta em 1956, justamente em texto intitulado Desenho da Mão. Tamanha ligação com a arte gráfica pode ficar esquecida, daí a importância do resgate feito pela mostra que a Pinacoteca do Estado inaugura hoje, com mais de 150 obras, perpassando toda a vida e produção do artista, também em documentos e escritos.

É uma retrospectiva especial, feita pela curadoria da crítica e historiadora Vera d"Horta, filha de Arnaldo. "Essa mostra é uma surpresa porque havia tendências diferentes naquela época (década de 1950). Era um tempo em que as utopias e as crenças das próprias ideias tinham espaço, inclusive para as individuais", diz Vera, rechaçando a simplificação que faz com que se pense ser aquele período apenas o da arte concreta. Mas a arte de Arnaldo tem a poesia e a experimentação de técnicas que a colocam além dos rótulos. O desenho, que sempre tratou como prática de "alta precisão", é valorizado como campo autônomo, não o primeiro passo para outros voos.

Como se pode ver na exposição, Pedroso d"Horta não apenas se utilizou da "caneta com pena", mas criou obras em papéis recortados a bisturi, cortiças e couro, como também gravuras e painéis de cerâmica. "Tinha um certo prazer no artesanato", diz a curadora sobre a ética do trabalho de seu pai. Nas obras, ainda ressalta, o artista deixava o gesto (sofisticado, inventivo, paciente, concentrado) conduzir as formas orgânicas, abstratas, figuras de animais, de pássaros, etc., que se entrelaçam nos desenhos - mas que são leves, como feitas "no silêncio do segredo", diz o artista Fernando Lemos em documentário presente na mostra.

A retrospectiva começa com obras nos anos 1950. Depois, inclui pinturas a óleo que Pedroso d"Horta realizou em 1949; gravuras (as matrizes foram doadas à Pinacoteca); projetos, ilustrações (para o Suplemento Feminino do Estado) e, com destaque, os desenhos.

Serviço
Arnaldo Pedroso D"Horta

Estação Pinacoteca
Lgo. Gal. Osório 66, Luz, São Paulo - SP
3337-0185
Terça a sábado,10-18h
Exposição até 14 de março de 2010

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 2:57 PM

dezembro 6, 2009

Quase R$30 milhões para projetos do MinC por Alessandra Duarte, O Globo

Quase R$30 milhões para projetos do MinC

Matéria de Alessandra Duarte originalmente publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo em 5 de dezembro de 2009.

Verba vem de renúncia fiscal da Petrobras

JUCA FERREIRA: incentivo a projetos como programas de rádio

Unindo o dinheiro de renúncia fiscal da Petrobras à seleção de projetos do Ministério da Cultura (MinC), a estatal vai destinar R$29,3 milhões, por meio da Lei Rouanet, para dez editais e cinco projetos do MinC, como o Conexão Artes Visuais, que terá cerca de R$2 milhões. O anúncio foi feito anteontem pelo ministro Juca Ferreira e pela gerente de patrocínio da empresa, Eliane Costa.

Parte das ações conjuntas entre MinC e Petrobras, que ocorrem desde 2005, a verba não vem do Programa Petrobras Cultural, o programa de patrocínio cultural da estatal — cujo resultado de editais como o de produção de longas está atrasado. Esperado para o segundo semestre, a última previsão da estatal dava conta de que ele sairia em novembro; agora, foi adiado para fim de fevereiro, por razões como a CPI da Petrobras e a crise internacional, segundo Eliane Costa. A edição 2010 do Petrobras Cultural será lançada em abril.

Dentro da ação com o MinC, o projeto que receberá mais recursos da estatal é o Brasiliana USP, a implantação de um centro de conservação e restauro de livros na USP, com R$5 milhões. O segundo Programa de Restauro de Filmes vem em seguida, com R$3,5 milhões.

A terceira edição do Prêmio Cultura Viva recebeu R$2,5 milhões. A Feira Música Brasil, que começa semana que vem em Recife, levou R$2,4 milhões. O quarto Revelando os Brasis, que filma em vídeo digital histórias de cidades de até 20 mil habitantes, terá R$2,1 milhões.

Uma novidade destacada por Juca Ferreira é o primeiro concurso para produção de programas de rádio, com R$974 mil. Há ainda, entre outros projetos, a produção de versões para deficientes visuais e auditivos de filmes nacionais, com R$450 mil.


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Posted by Patricia Canetti at 9:38 AM

Juca Ferreira quer fundo para museus ainda no governo Lula por Suzana Velasco, O Globo

Juca Ferreira quer fundo para museus ainda no governo Lula

Matéria de Suzana Velasco originalmente publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo em 5 de dezembro de 2009.

Ministro da Cultura diz que levará proposta ao Congresso até o fim de 2010

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse anteontem que pretende submeter à aprovação do Congresso, em um ano, um fundo público de desenvolvimento dos museus brasileiros, que começa agora a ter seus contornos delineados. Segundo o ministro, um percentual dos recursos desse fundo será destinado à aquisição de obras, tema de um encontro anteontem entre Juca Ferreira, o diretor do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José Nascimento Júnior, e dezenas de diretores de museus brasileiros, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio. Apesar de o tema proposto ser pontual, a conversa se estendeu para assuntos como a possibilidade de criação de um acervo nacional itinerante e mudanças na legislação brasileira no que diz respeito a direitos autorais e regulamentação do mercado de arte.

— A situação brasileira é muito precária, não há um sistema que dê conta não só de aspectos elementares, como a preservação física das obras, mas que garanta plenamente a visibilidade da obra de arte. Os museus não podem ser um sarcófago de obras — disse o ministro, acrescentando, ao fim do encontro de quatro horas, que o governo tem tempo suficiente para aprovar a criação do fundo. — Criou-se um consenso de que o Estado não trabalha em ano eleitoral. Mas o fim do governo é em dezembro de 2010.

Proposta de acervos de arte itinerantes pelo país

O ministro disse que há tempos queria se reunir para discutir políticas de aquisição de acervos, mas admitiu que o incêndio da coleção de Hélio Oiticica, em outubro, acelerou o encontro. Mesmo antes do incêndio, o meio de artes já vinha debatendo com alguma regularidade o problema da dependência dos museus à doação de obras. Esse foi um dos problemas discutidos, por exemplo, em abril deste ano, num encontro no Museu da Chácara do Céu, com críticos, artistas e o diretor do então recém-criado Ibram — que, segundo Nascimento, terá um orçamento de R$70 milhões em 2010, contra R$45 milhões neste ano.

— As sugestões e opiniões vão e voltam, há anos são as mesmas. Como vamos resolver isso agora, no fim do governo? Precisamos de uma proposta que tenha continuidade — afirmou o artista plástico Xico Chaves, assessor da presidência da Funarte. — Onde estão as propostas dos críticos e artistas? Onde está essa documentação toda?

Segundo o ministro, os museus não podem ser dependentes de doações. O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), por exemplo, aceita 90% das doações, mas sua diretora, Mônica Xexéo, diz que não pode pedir recursos para adquirir obras sem que o prédio tenha condições de recebê-las (a instituição está em reforma desde 2006).

— O museu tem que pagar sempre ao artista, não pode ficar pedindo ou com expectativa de doação — disse o fotógrafo Wilton Montenegro, apoiado por outros artistas.

Juca Ferreira disse que pretende propor, junto com o fundo, uma “rede de reservas técnicas” de arte brasileira, que possa circular por instituições do país. A criação de uma coleção representativa da história da arte brasileira, itinerante, foi uma das principais reivindicações dos presentes ao encontro. O artista plástico Carlos Vergara sugeriu a criação de um espaço em Brasília —“um galpão, sem arquitetura do Niemeyer” — que possa emprestar peças de seu acervo e ser um parâmetro para curadores internacionais que desejem conhecer a arte brasileira. Mas o ministro disse que não pretende que essa coleção fique em Brasília, mas que esteja espalhada por diversos pontos do país.

“A Funarte tem que definir sua identidade”, diz ministro

Juca Ferreira ressaltou que o fundo público para os museus estaria vinculado à nova Lei Rouanet — atualmente em análise na Casa Civil —, desviando o foco atual de privilegiar eventos pontuais, subordinados aos diretores de marketing das empresas patrocinadoras. Mas ainda não há qualquer previsão de montante e formato do fundo, nem o percentual destinado a cada setor dos museus.

— O governo federal ainda não é capaz de financiar a parte estruturante dos museus, ficamos só no eventual. Com a atual Lei Rouanet, a renúncia fiscal é responsável por 80% do dinheiro do ministério. Estamos mudando todo o sistema de financiamento de cultura, para não dependermos do marketing das empresas — disse o ministro, acrescentando que a legislação sobre direitos autorais e de taxas e impostos de obras de arte dificilmente será aprovada no governo Lula.

O ministro afirmou ainda que o papel da Fundação Nacional de Artes (Funarte) precisa ser repensado.

— Em certo momento, achava-se que o Estado não era necessário para estimular as artes, que o mercado faria isso. A recomposição desse papel tem que ser feita com muita delicadeza — disse ele, acrescentando que esse processo está sendo mais difícil na área de artes visuais. — Faltou uma repercussão do nosso trabalho dentro da Funarte, uma concentração na formulação de políticas públicas nas artes visuais. A Funarte tem que definir sua identidade.

Diante das reclamações sobre a falta de recursos, constantes durante todo o encontro, Juca Ferreira afirmou que a formulação de políticas públicas convida os investimentos, mas reconheceu:

— As políticas culturais brasileiras não dão para o gasto para que os museus cumpram seu papel social.


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