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Como atiçar a brasa

 


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setembro 3, 2009

Moacir dos Anjos quer Bienal política por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha S.Paulo, em 03 de setembro de 2009.

O curador da 29ª Bienal de São Paulo, prevista para começar em setembro de 2010, fala de seus planos para a mostra

Um evento político e capaz de mudar o modo como se experimenta o mundo. Essa é a pretensão da 29ª Bienal de São Paulo, de acordo com seu curador-geral, o pernambucano Moacir dos Anjos, 43. A mostra está marcada para ser aberta em setembro do ano que vem.
Sem considerar o projeto ambicioso demais, Anjos afirma que ele mesmo é um exemplo da capacidade de mudança promovida pela arte: "Esse é um "statement" curatorial absolutamente sincero, porque é a minha própria história".
Durante a realização de um doutorado em Londres, entre 1990 e 1994, Anjos, então economista, visitou frequentemente exposições e mostras.
O contato com a arte alterou o rumo de sua carreira, já que o até então funcionário do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, conseguiu ser transferido para uma recém-criada diretoria de arte na instituição, no ano de 1998.
Em dez anos, Anjos realizou uma carreira meteórica nas artes plásticas, culminando, há dois meses, com a indicação de curador da 29ª Bienal, a mostra de arte mais importante do país e uma das mais reconhecidas em todo o mundo.
Anteontem, pela primeira vez, Anjos começou a ocupar o pavilhão da Bienal. Ainda sem sala e tendo de se apresentar aos porteiros para poder entrar, ele recebeu a Folha para uma entrevista, que já tinha sido iniciada pela internet (leia a íntegra na Folha Online em www.folha.com.br/092452).
A questão política da mostra, contudo, não quer ser panfletária. A reação a um dos grandes impactos que Anjos teve com a arte, numa exposição do alemão Anselm Kiefer, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1998, aponta como o curador relaciona arte e estética.
"Não há texto ou elaboração discursiva quaisquer capazes de proporcionar o que senti naquela mostra, onde a dor da guerra era abordada de modo direto sem ser meramente ilustrativa e era, talvez até por isso, transformada em uma questão que importa a todos."
Essa abertura está presente no título da mostra, "Há Sempre um Copo de Mar para um Homem Navegar", que tem Agnaldo Farias como cocurador, anunciado anteontem.
"Esse é um verso do poeta Jorge de Lima que afirma como a dimensão utópica da arte está contida nela mesma e não no que está fora ou além dela", diz o curador.

Revisão da história da arte
Mesmo após tantas críticas ao modelo agigantado da Bienal, realizadas em seminários da última edição do evento, será mantido um grande número de artistas, cerca de 150, privilegiando a produção brasileira.
"Não será mostrar por mostrar, mas queremos reavaliar a história da arte brasileira, essa visão de que tivemos uma arte política nos anos 1960 e 1970, enquanto tudo depois seria descompromissado", avalia ele.
Para tanto, Anjos pretende apresentar trabalhos históricos de artistas brasileiros. Mesmo sem nomes definidos, o curador aponta a "Experiência nº 2", a performance de Flavio de Carvalho (1899-1973), feita em 1931, como um dos exemplos do que procura apresentar.
"É um paradigma da possibilidade de se pensar a relação entre arte e política de uma maneira mais ampla e relevante."
Dos anos 1980, o curador aponta Nuno Ramos e Rosângela Rennó como artistas que seguem a mesma linha.
"Mesmo quando não tematizam a política, [o trabalho deles] nos faz olhar o que está à nossa volta de um modo diferente; e se a arte faz isso, é evidente que ela faz política."

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 5:36 PM | Comentários (1)

Exposição conta com programa de residências, Estado de S. Paulo

Matéria originalmente publicada no Caderno 2 do Estado de S.Paulo, em 03 de setembro de 2009.

O mexicano Jose Dávila e o argentino Adrián Villar Rojas já criaram suas obras

Andando pelo bairro de Higienópolis, o mexicano Jose Dávila deu de encontro com alguns edifícios projetados pelo arquiteto Vilanova Artigas que ele não conhecia. "Minha ideia era viver a cidade, encontrar coisas evitando o olhar de turista", diz o artista, um dos nove estrangeiros convidados a participar do programa de residências do Panorama da Arte Brasileira deste ano do MAM. Dávila, que vive em Guadalajara, sempre se interessou por arquitetura, gostaria de tê-la em sua formação - e por isso, além de naturalmente ir aos museus da cidade, foi atrás do Copan e das obras de Niemeyer.

Em 1997, ele esteve aqui como turista para visitar São Paulo, o Rio e as Cataratas do Iguaçu. Agora, a partir de uma vivência diferenciada, vai produzir para o Panorama uma obra inspirada na série dos Núcleos, realizados entre 1959 e 1964 por Hélio Oiticica (1937-1980). "Vou fazer um trabalho mural, que também se refere à tradição mexicana, com planos que não têm cor, apenas linhas", conta Dávila, de 35 anos, que ficou hospedado durante sete semanas em loft no Edifício Lutetia. "Creio que a proposta deste Panorama é a Antropofagia ao inverso, a partir de fluxos e intercâmbios que existem no mundo", completa.

Sua obra, que teve como base especificamente um dos Núcleos de Oiticica feito com formas planares amarelas suspensas no espaço, se refere, duplamente, à questão da "arquiteturalização do desenho", como diz. "O neoconcretismo e a arquitetura é o que chegam ao exterior como legado brasileiro", afirma Dávila, que voltará em setembro para instalar sua criação, apenas em projeto.

Também já estava de partida, de volta para Buenos Aires, na semana passada, o argentino Adrián Villar Rojas, de 28 anos. Ele vai apresentar na mostra a instalação Nunca Esquecerei o Brasil, formada por prateleiras com cerca de 70 livros nos quais ele criou intervenções artísticas.

Pela primeira vez no País e em São Paulo, Adrián achou curioso a quantidade de sebos pela cidade, algo que, segundo ele, não acontece na Argentina. Foi neles que ele comprou a grande maioria dos livros, de todos os tipos, assuntos e épocas, para realizar seu trabalho para o Panorama.

A obra de Adrián, versão de trabalho anterior, tem um caráter mais poético e intimista. O artista utiliza principalmente as páginas iniciais das publicações, a parte da dedicatória, para nelas fazer desenhos, colagens, escritos e pinturas. Suas intervenções têm a ver com suas experiências na cidade, como a descoberta do edifício São Vito e a vista de tantas pichações, da obra de Aleijadinho, mas também assuntos brasileiros como a história de Tiradentes e o livro Macunaíma, de Mário de Andrade. "O Brasil tem tradição com a arte conceitual e eu quis utilizar a figuração", justifica o artista. É curioso que uma de suas referências mais fortes seja Portinari, brasileiro que ele conhecia há tempos - sobre a reprodução de uma de suas pinturas em um livro, o argentino fez uma intervenção para transformar a imagem em um "quarto de adolescente".

Além deles, integram o programa de residências o espanhol Juan Pérez Aguirregoia; o sueco-argentino Runo Lagomarsino; a dupla formada pelo irlandês James Tennant Thornhill e pela italiana Fulvia Carnevale; o colombiano Mateo López; o venezuelano Alessandro Balteo Yazbeck; e a dinamarquesa Tove Storch.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 5:23 PM

Artista do Brasil não entra por Camila Molina, Estado de S. Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 do Estado de S.Paulo, em 03 de setembro de 2009.

Outras matérias sobre o tema com debate no Canal:
Mostra de arte brasileira não terá artistas nacionais por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo, com 80 comentários postados
"Panorama estrangeiro" é atacado na web por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Adriano Pedrosa, curador da tradicional mostra do MAM, explica por que desta vez só estrangeiros

Uma polêmica surgiu em meados deste ano com o anúncio de que o próximo Panorama da Arte Brasileira, do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), marcado para 10 de outubro, seria feito apenas com obras de artistas estrangeiros. Ou seja: o tolhimento de mais um espaço para reflexão sobre a produção contemporânea brasileira? A proposta curatorial é de Adriano Pedrosa, convidado para fazer a edição de 2009 da mostra bienal e tradicional da instituição, criada em 1969.

Segundo ele, não é bem assim. A exposição vai apresentar trabalhos de cerca de 30 artistas, todos estrangeiros, sim, mas que têm a arte brasileira como referência, em especial o modernismo dos anos 1950 e o neoconcretismo nacionais.

"Vejo que as reações (ao projeto) têm em geral um caráter mais conservador, tipicamente territorialista e xenófobo. Se você pensar numa reação de esquerda, ela poderia dizer que se trata de um projeto expansionista, pois há uma 'ocupação brasileira' de territórios artísticos tidos como 'estrangeiros'", defende o curador. Para Pedrosa, a resposta ao debate que já se criou será a própria exposição, concebida, como diz, a partir de duas vertentes: a mostra em si, que ocupará todos os espaços do MAM, e o programa de residência artística feito em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e iniciado em julho. Nove artistas estrangeiros ficam no País durante oito semanas.Eles não têm como obrigação criar uma obra específica para o Panorama, mas estabelecer uma relação, mesmo que rápida, com o País. A reportagem do Estado esteve na semana passada com dois desses artistas residentes, o mexicano Jose Dávila e o argentino Adrián Villar Rojas, que já terminaram sua estada por aqui (leia mais ao lado). Hospedados no Edifício Lutetia, no centro de São Paulo e pertencente à Faap (leia também abaixo), os dois estrangeiros explicaram seus trabalhos para o Panorama num modo de entender melhor a mostra, feita com orçamento em torno de R$ 900 mil.

"Esse projeto responde a diversas avaliações minhas, uma delas é a de que nosso programa de exposições em São Paulo, de um modo geral, é excessivamente voltado para a arte brasileira ou, quando é internacional, vem muitas vezes através de agências de fomento cultural ou de coleções estrangeiras", diz Adriano Pedrosa. "Nossa carência é sobretudo em relação a mostras coletivas internacionais que sejam curadas e produzidas no Brasil. Isso, porém, custa caro."

A mostra Panorama da Arte Brasileira já teve uma série de diretrizes em sua história: começou com o propósito primeiro de promover aquisições para a formação da coleção do MAM com os prêmios de suas edições; depois, eram feitas edições estritamente ligadas a linguagens e gêneros (o desenho, a pintura, a escultura, etc.); e de 1995 para hoje passou a ter um curador convidado pela instituição com autonomia para criar seu próprio projeto (o primeiro foi o de Ivo Mesquita). Em 2003, o museu chamou pela primeira vez um estrangeiro, o cubano Gerardo Mosquera para fazer a curadoria da exposição: e ele fez o Panorama da Arte Brasileira (desarrumado), que mesclou obras de artistas nacionais e internacionais. Adriano Pedrosa afirma que não está agora inventando a roda, citando até mesmo a iniciativa de Mosquera como referência.

A questão da "problemática" entre território , geografia, nacionalidade e a arte não é nova, nem mesmo na trajetória de projetos de Pedrosa, como ele afirma. "Esse Panorama é um questionamento sobre a relação entre arte e nacionalidade e, nesse sentido, sobre a categoria arte brasileira", diz o curador. Segundo ele, sua opção foi se concentrar em artistas e obras que já trabalham de alguma forma com referências a arte e cultura brasileiras, "sobretudo, com modernismo brasileiro, do meio do século, tanto arquitetura quanto artes visuais", parte de uma certa tendência de alguns criadores que "tentam buscar histórias alternativas de modernismo" e também referências sobre o neoconcretismo, impulsionado pela explosão internacional, a partir dos anos 1990, das experimentações de Lygia Clark e Hélio Oiticica. "Não podemos dizer que Portinari, Tarsila e Guignard vão fazer parte da história da arte como Lygia Clark, Hélio Oiticica ou Lygia Pape", completa Pedrosa. "Desta vez, estou buscando artistas que se engajam mais com a arte e com a cultura brasileira, não apenas aquele viajante estrangeiro que vem até aqui e registra imagens."

São artistas basicamente latinos e europeus, de uma geração nascida nas décadas de 1960 e 70, que participam da mostra (Pedrosa também é de 1965). Além dos residentes - alguns deles nunca estiveram no Brasil -, o curador conta que estarão no Panorama: o alemão Franz Ackerman, a italiana Luisa Lambri, o mexicano Damián Ortega e o inglês Cerity Wyn Evans (este com um trabalho com explosivos e uma frase de Caetano Veloso), todos eles com forte relação com o País, e o argentino Nicolas Guagnini.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 2:00 PM | Comentários (3)

setembro 1, 2009

Restauro em tela no Masp revela pênis por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo, em 01 de setembro de 2009.

Tela do francês Nicolas Poussin havia sofrido retoques para esconder falo de Príapo, deus da fertilidade

Foi descoberto um pênis ereto no quadro de Nicolas Poussin que acaba de ser restaurado pelo Masp. Depois de remover sucessivas camadas de tinta aplicadas ao longo dos últimos 300 anos, a restauradora Regina Pinto Moreira conseguiu revelar o detalhe camuflado.
"Esconderam o falo do Príapo", diz Moreira. "É o que a gente chama de repinte de pudor; não é nada incomum."
A tela "Himeneu Travestido Assistindo a uma Dança em Honra de Príapo" mostra o deus grego do casamento vestido de mulher numa dança para Príapo, o deus da fertilidade, que costuma ser representado com o falo em perpétua ereção.
Era esperado que Poussin pintasse esse deus da mesma forma, já que seguia a maneira do italiano Vincenzo Cartari, que retratou todo o panteão grego num livro do século 16, inclusive um Príapo excitado.
Feito entre 1634 e 1638, o quadro de Poussin, um dos mestres da pintura francesa, pertenceu à família real espanhola. É provável que a intervenção "de pudor" tenha ocorrido no século 18, ainda sob a guarda da Espanha católica.
Com as guerras napoleônicas, o quadro caiu nas mãos de aristocratas ingleses e foi vendido depois ao marchand francês Georges Wildenstein, que repassou a tela a Assis Chateaubriand em 1953. Não houve retoques na tela desde então.
Num processo de seis meses, Moreira, restauradora do Louvre que veio a São Paulo trabalhar sobre a tela de Poussin, tentou restituir os aspectos originais do quadro. Havia rasgos e furos na tela e retoques que descaracterizaram a obra.
"Foram restaurações abusivas, com solventes improvisados", afirma Moreira. "Havia acidentes, lacunas, zonas desgastadas. Fiz uma limpeza e a retirada do verniz amarelado."
Nesse processo, diz não ter se surpreendido com o falo ereto de Príapo. Segundo ela, era provável que estivesse pintado e recoberto, mas poderia também ter sido raspado da tela.
Agora com o falo à mostra, a tela de Poussin será exibida no Masp com análises científicas em exposição aberta ao público no dia 9 de setembro.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:51 PM

Amazônia cearense por Marcos Sampaio, O Povo

Matéria de Alan Santiago originalmente publicada na seção Vida e Arte do O Povo, em 31 de agosto de 2009.

Aos 80 anos, Sérvulo Esmeraldo inaugura, em Rio Branco, no Acre, monumento em homenagem à revolução acreana e aos cearenses que migraram para a Amazônia

É impossível esquecer a importância do Ceará na formação do Acre. Tudo começa nos anos 1940, quando milhares de cearenses saíram daqui em busca de borracha. Eles foram motivados por um alistamento compulsório promovido pelo então presidente Getúlio Vargas, que, desta forma, não só conseguiu formar seu “exército da borracha”, como tirou mais de 50 mil nordestinos da seca que assolava a região. Boa parte dessa história foi recontada no último dia 6, quando foi inaugurada na Avenida Ceará, principal via de Rio Branco, capital do Acre, o monumento intitulado Jangadas, em homenagem aos 107 anos da Revolução Acreana, momento que incorporou definitivamente o território ao Brasil.

O autor da obra que mede seis metros, feita em aço SAC-50 (cuja principal característica é ser resistente à ferrugem), é o artista plástico Sérvulo Esmeraldo que, aos 16 anos, deixou o Crato para conquistar o mundo com suas cores e formas. Formado por três triângulos, como velas, Jangadas faz alusão a um dos principais ícones da cultura local. Entre as palavras gravadas na placa que fica em frente à escultura, “Quando os nordestinos empreendiam a longa jornada do sertão até a mais distante floresta da Amazônia, velas ao mar eram o último aceno da terra natal para gerações de cearenses”.

“Não sei quando comecei a me interessar por arte. Só sei que comecei”, diz Sérvulo que, já na infância, dividida entre o engenho do pai e a escola, gostava de desenhar os parentes e explicar como o desenho foi feito. Numa longa conversa que passeou por vários cômodos da sua casa, ele conta que daí até se encaminhar para a profissionalização, precisou de um pequeno empurrão do acaso. “Fui expulso do ginásio do Crato, aos 13 anos, porque dei uma entrevista na rádio falando mal dos integralistas e fiz um cartaz para o partido comunista”. Por conta deste incidente, ele veio para Fortaleza estudar no Liceu.

Trajetória
Já na capital, aos 18 anos, foi visitar o 5º Salão de Abril onde conheceu muitos artistas da Sociedade Cearense de Artes Plásticas como Ademir Martins e Antonio Bandeira. “Nessa época, eu ainda não pensava em ser artista. Meu pai queria que eu fosse diplomata no Rio de Janeiro e pensava em fazer arquitetura, porque parecia com arte”. Mesmo assim, seguia várias tardes para a lagoa da Messejana ou para a praia para pintar com seus novos amigos. Em seguida parte para São Paulo e expõe suas xilogravuras no Instituto dos Arquitetos. Lá ele conhece o adido cultural da França que o convida para estudar em Paris.

Olhando alguns dos álbuns de recortes de jornal que trazem notícias suas (ele tem mais de uma dezena), Sérvulo ainda se surpreende com o que encontra. “Isso aqui é a minha vida”, diz, emocionado. Ainda desarrumando as malas que trouxe da sua última visita ao Acre, ele diz que a obra Jangadas foi muito importante principalmente por conta de toda a importância que o Ceará tem na fundação do Acre. “O Secretário de Cultura do Acre dizendo que queria uma obra minha na nova avenida que fosse parecida com a que tem aqui, próximo ao mercado de peixes da beira mar”.

“O Sérvulo foi escolhido tanto em virtude dos atributos estéticos de sua obra quanto pelo fato de ser cearense, conterrâneo de nossos antepassados”, explica Daniel Sant’Ana, diretor-presidente da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour-Acre. “A obra é importante, pois simboliza, com suas formas, as embarcações nas quais os migrantes eram transportados. O resultado não poderia ser melhor.”

Com 80 anos completados no último 27 de fevereiro, Sérvulo continua atento às novas gerações de artistas plásticos. Citando João Bosco Lisboa e Carlos Macedo, ambos de Juazeiro do Norte, e Francisco Zanazanan, ele diz que são muitos os nomes no Ceará que continuam produzindo trabalhos interessantes. E, entre seus próprios trabalhos, ele conta que passou a última noite trabalhando num medalhão de prata que está fazendo para uma coleção de joias que pretende lançar ainda este ano. Outro projeto, para o próximo ano, são duas exposições que passeiam pela sua história, uma na Pinacoteca de São Paulo e outra na França. Certamente, não vão faltar traços e desenhos para a história do menino do engenho que saiu do Crato para enfeitar o mundo.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:24 PM

Os abrigos de Diego por Alan Santiago, O Povo

Matéria de Alan Santiago originalmente publicada na seção Vida e Arte do O Povo, em 01 de setembro de 2009.

Arranha-verso, exposição que tem abertura hoje às 19 horas no Centro Cultural BNB, investiga os abrigos. Com uma técnica simples de desenho, os trabalhos são a busca do artista por um lugar possível no mundo

As criações de Diego de Santos são frutos de uma pesquisa que explora a simplicidade das esferográficas e o papel sulfite (Divulgação)
Diego de Santos vive num lugar incerto - nem em Caucaia, onde nasceu e tem casa fincada no chão, nem muito menos em Fortaleza, que é lugar do seu trabalho no Sobrado José Lourenço e dos estudos no curso de Artes Plásticas do IFCE, antigo Cefet. Antes, o artista plástico reside num pêndulo imaginário que o coloca em trânsito eterno entre as duas cidades, uma deslocalização “muito pessoal”, como ele me diz na manhã da última sexta-feira (28), e que parece ter sido o leitmotiv para a exposição Arranha-Verso, que ganha o Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) hoje, às 19 horas, e segue até o final de setembro. Os cerca de 20 trabalhos, frutos de uma pesquisa que já se estende desde 2007, se dedicam a investigar, com a tinta da caneta esferográfica e o papel sulfite, os abrigos – ou a ausência deles.

Mas, por aqui, não seria possível definir esses ditos abrigos e casas como lugares de refúgio contra a intempérie. Na verdade, as séries de desenhos, que tentam fazer uma interseção com o ato de pintar e não propriamente com a pintura, expõem esses espaços, até então sinônimos de proteção e calmaria, a uma tensão. Os abrigos de Diego são construídos de silêncio e solidão, como explica Maíra Ortins, a também artista plástica e curadora. “O homem teme essa casa feita de concreto e grades. Contudo, ainda se avista pela janela o azul, promessa de felicidade”, escreve ela. “Acima da casa, não se vê céu, vê-se tempo, corroído, em cor fosca e cinza. Papel gasto e cansado do atrito da caneta”, refere-se ela à técnica que acabou originando o título desse conjunto de obras.

É Arranha-Verso, porque, no lugar de tentar atingir o céu como o fazem os edifícios altíssimos que invadiram a orla da Capital e se espalham pelos bairros, a intenção é que a força da caneta alcance o outro lado da folha de papel, tão fina quanto as A4 geralmente usadas para impressões nos computadores. “Uso elementos muito delicados com coisas bruscas como o risco forte. Isso gera uma ameaça sobre essa delicadeza”, analisa.

As gotículas de delicadeza são as portas pequenas, às vezes minúsculas, e singelas, que ele deixa escapulir no meio dos ambientes áridos, que ferem. “É a busca por um lugar, seja ele estranho ou não, mas um lugar possível. Não se sabe muito sobre esse lugar, mas a porta é convidativa, porque traz um pouco de mistério, sugere que se vá a esses lugares para saber se são dotados de conforto ou não. É um percurso por esses vários abrigos”, sintetiza.

Ainda assim, são imagens com um gosto de indefinido, como o próprio refúgio do artista. É trabalho abstrato, mas não se exime do figurativo. Entretanto, nessas ocasiões, o que se vê são, por exemplo, homens cuja cabeça está fora do espaço do desenho como se eles estivessem “sufocados por aquilo”, na solidão da cor da tinta preta, afundados numa imensidão branca, silenciosa, como o tempo. “O artista habita a terceira margem entre o espaço e o tempo, entre a cor e o branco, silencioso e calmo, nem triste, nem exato, nada preciso, pouco a ser dito e muito a ser visto”, conclui a curadora.

Arranha Verso
Diego dos Santos

2 a 30 de setembro de 2009

Centro Cultural Banco do Nordeste - Fortaleza
Rua Floriano Peixoto 941, Centro, Fortaleza - CE
85-3464-3108
Terça a sábado, 10-20h; domigo 10-18h
Exposição até 30 de setembro

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:02 PM

agosto 31, 2009

Alegria de viver por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 2 de setembro de 2009.

A primeira retrospectiva no Brasil do pintor Henri Matisse comprova que ele fez de sua arte uma celebração da luz, da cor e da vida

Libertário

Incansável inventor de técnicas e modos de pintar, Matisse (1869-1954) marcou o século XX com escândalos e paixões

Quem vê Henri Matisse retratado por Henri Cartier-Bresson, Man Ray e outros grandes fotógrafos, não diz que ele foi o pintor da luz, dos contrastes e da paleta de cores fortes, que escandalizaram os salões do começo do século passado. O semblante grave não exprime o real talento deste que está entre os maiores pintores do século XX: a expressividade

Em sua primeira exposição retrospectiva no Brasil, "Matisse Hoje", concebida especialmente para a Pinacoteca do Estado de São Paulo e para o Ano da França no Brasil, o público brasileiro conhecerá os caminhos que o levaram a ser conhecido como o pintor da alegria de viver. A trajetória delineada nesta exposição começa em uma sala de paisagens, entre as quais se encontra a tela "Côte Sauvage, Belle-Île-en-Mer" (1896). A tela é importante porque foi pintada durante uma viagem que Matisse, ainda estudante da Escola de Belas Artes de Paris, fez à costa da Bretanha, onde descobriu a luminosidade das cores primárias.

"Voltei para Paris livre da influência do Louvre", escreveria ele, comemorando a superação da paleta de cores dos mestres antigos. O espírito da "costa selvagem" da Bretanha se desdobraria em pinturas sucessivamente rejeitadas em salões de arte. O tratamento indiferenciado entre fundo e figura e a deformação das anatomias em manchas de cores chapadas - atitudes nunca antes vistas na história da arte - levaram-no a uma pintura considerada turbulenta e lhe renderiam o titulo de "fauve" (fera) pelo critico de arte Louis Vauxcelles.

Infelizmente, a mostra "Matisse Hoje" não contempla o período do fauvismo. "Não vejo agressividade no fauvismo, vejo sim uma liberdade que realmente influenciou toda a produção posterior", diz Emilie Ovaere, curadora adjunta do Museé Matisse, em Le Cateau-Cambrésis, na França. Agressivas ou não, é certo que as primeiras obras tiveram uma recepção hostil que, aos poucos, se dissipou.

Passados os anos "fauves", o que era turbulência virou alegria e a obra de Matisse passou a ser associada a um elogio à beleza, ao deleite visual, à aparência. O próprio artista escreveria que "expressão e decoração são uma só coisa". Não raro, foi criticado por nunca ter se referido às tragédias do século.

A explosão do elemento sensual e decorativo - ao qual seria sempre fiel - aconteceria ao mudar-se para Nice, nos anos 20, e dedicar-se a pintar o Mediterrâneo, suas mulheres, sua cultura visual: ele pintou uma horda de odaliscas, representadas na mostra por exemplar único, "Odalisque à la Culotte Rouge" (1921).

"Nas odaliscas, ele peca pelo excesso na utilização do elemento decorativo", opina a curadora Emilie, que, interessada na influência do pintor nas novas gerações, agregou trabalhos de cinco artistas contemporâneos franceses à exposição com 80 obras de Matisse. "Em diálogo com as suas odaliscas, há qualquer coisa de exagerado na obra de Phillipe Richard, beirando o mau gosto", diz a curadora.

De qualidade irregular, os trabalhos contemporâneos estão instalados frente a frente com Matisse, em uma atitude curatorial bastante ousada. "Reconheço que colocá-lo diante da arte contemporânea é pouco ortodoxo. Mas Matisse já foi exaustivamente exibido de maneira clássica. Acho que o público está pronto para isso." Ousado mesmo é Emilie considerar que o público brasileiro, em seu primeiro contato com a obra do mestre francês, poderá assimilar a inovação. Isso sim é que é "fauve".


Saiba Mais

Tema e variações

Há dois livros no mercado editorial que iluminam as idéias de Matisse. Em "Imaginação/ Erotismo/ Visão Decorativa" (CosacNaify), lançado na abertura da mostra na Pinacoteca, o mestre francês é cercado por 11 autores brasileiros e internacionais, que discutem diversos aspectos de sua obra.Organizada pela critica Sônia Salzstein, a coletânea de ensaios alinha passado e presente, em textos contemporâneos e clássicos. Entre os colaboradores brasileiros, figuram o pintor Paulo Pasta e a artista Iole de Freitas, que discorre sobre os vitrais de Matisse na capela de Vence, em Nice.O conceituado crítico americano T.J. Clark examina longamente a tela fauvista "A Mulher com Chapéu" (1905). Entre os textos "históricos", escritos no calor da hora em que Matisse criava, há preciosidades do escritor Louis Aragon e análises de Alfred Barr, ex-curador do MoMA. Organizado pelo critico francês Dominique Fourcade, "Escritos e Reflexões sobre Arte" (CosacNaify) foi lançado no Brasil em 2007 e traz os escritos em que Matisse expôs com clareza as ideias que orientaram sua obra. Estão reunidas no livro as célebres "Notas de um Pintor", de 1908, além de entrevistas, transcrições de aulas, depoimentos e cartas. Um repertório que percorre os 85 anos da vida de Matisse.

Colaborou Fernanda Assef

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:04 PM

No país das maravilhas por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 26 de agosto de 2009.

Curiosidades e fantasias sobre o corpo humano aproximam as poéticas de Fernanda Chieco e de Laura Lima ao espírito surrealista

Visitar as exposições individuais de Fernanda Chieco e de Laura Lima é como penetrar em dois gabinetes de curiosidades sobre o corpo humano. Em "Os Catamoscas", a paulista Fernanda Chieco desfia sua dupla verve de enciclopedista e ficcionista ao criar uma série de desenhos que representam indivíduos cujas línguas se prolongam para o infinito.

"Foram apelidados catamoscas por apresentarem características semelhantes a suportes para fitas pega-moscas, quando agrupados em duplas", escreve a artista em um texto que integra a exposição na Galeria Leme, em São Paulo. Em cada um dos desenhos, ela desenvolve uma nova situação coletiva envolvendo o uso das línguas. Projetadas de corpos humanos nus, as línguas criam teias, campos magnéticos e outros vínculos.

A "ficção" de Fernanda parte de informações científicas "reais": "Existem estudos que apontam a língua como o músculo mais forte e flexível do corpo humano. É um órgão que se regenera muito rapidamente. Quando morremos, naturalmente recolhemos a língua. E numa morte súbita essa língua se desconecta do corpo. Enfim, dá para se criar muita coisa em cima dessas informações reais", diz. No gabinete de curiosidades de Laura Lima, na Galeria Laura Alvim, no Rio de Janeiro, quatro salas expõem objetos e imagens que parecem saídos de um mundo à parte, digno de Lewis Carrol, Magritte ou do grupo surrealista de André Breton.

Oito homens e mulheres colaboram na exposição, oferecendo mãos e braços que atravessam as paredes, segurando objetos. Em uma das salas, fotomontagens apresentam imagens de monólitos em levitação, pinturas voadoras e esculturas de fumaça. Na sala anexa, uma incrível coleção de esculturas em forma de cachimbos, cigarros e charutos.

A exposição é arrematada pela instalação "Fumoir", autêntico fumódromo, em que o visitante é convidado a fumar cigarrilhas enroladas por braços que saem da parede. "Além da fumaça produzir um estado inebriante, estão sendo discutidas também as noções de escultura e de concretude. Como a fumaça, a arte tem momentos de concretude e de dissipação", diz Laura, que concebeu a mostra "Nuvem" antes de o cigarro ter sido banido do convívio social pela lei antifumo que entrou em vigor em São Paulo e depois foi aprovada no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

"Há muito tempo não se pode fumar no interior de uma galeria. Com a exposição, faço uma citação aos estados de comportamento que não são totalitários", diz. Dentro da obra de Laura, é impossível esquecer a célebre pintura "Ceci n'est pas une pipe" (1929), de Renné Magritte, e todo seu efeito de implosão sobre os padrões de comportamento e de representação artística do mundo.

Mas, muito além de Magritte, ambas as exposições guardam forte relação com os traços literários, oníricos, subversivos e sexuais do surrealismo. Diria-se que ambas são estimuladas por um impulso surrealista que se dissipa tão rapidamente quanto nasce.

Roteiros

Tamanho não é documento OBRA MENOR/ Ateliê 397, SP/até 1º/9

Como o título anuncia, a ideia dessa exposição coletiva é reunir "obras-miniaturas", ou seja, em formatos pequenos, mas também obras em suportes e linguagens pouco experimentados por seus autores. Albano Afonso, que tradicionalmente trabalha com fotografia e instalações luminosas, investiga aqui um suporte pouco explorado anteriormente: o vídeo. Na coletiva "Obra Menor", ele apresenta uma videoinstalação com diversos canais comunicantes. Já Paulo Almeida ocupa o espaço com um trabalho quase imperceptível. São pinturas instaladas nos cantos superiores da sala e que simulam espelhos. Espalhados pelo Ateliê 397, as obras dialogam entre si, mas também com os diferentes cômodos da casa. Lucas Arruda, por exemplo, ocupa a cozinha com pinturas. A coletiva serve aos objetivos do Ateliê 397, que são favorecer a experimentação e permitir a troca entre artistas consagrados e aqueles que ainda não frequentam o circuito das galerias. Ao lado de obras de veteranos como Sérgio Sister (foto) aparecem jovens recém-formadas como Patricia Brandstatter e Paula Coelho. "Essa convivência faz o Ateliê virar um ponto em que o artista se sente super à vontade para discutir o próprio trabalho. Ele pode experimentar e até testar um trabalho para depois desenvolver a ideia e levá-la para uma galeria com mais segurança", explica a artista Sílvia Jábali, uma das idealizadoras do espaço.

Fernanda Assef

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 3:22 PM

Mostra "Sinais de Fumaça" aborda circulação de objetos do cotidiano, Folha de S. Paulo

Matéria originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo, em 31 de agosto de 2009.

Exposição no Centro Cultural São Paulo usa itens como cópias xerox e postais

Cartões telefônicos prontos para o uso, mas desprovidos de inscrições publicitárias. Papéis de embrulho que podem ser levados para casa. Cópias xerox e cartas de baralho.
Objetos artísticos pouco usuais como esses são a marca de "Sinais de Fumaça", exposição coletiva que ocupa o Centro Cultural São Paulo.

Parte da programação do Ano da França no Brasil, "Sinais..." investe na arte precária e de duração efêmera.

Cerca de 200 peças pertencem ao Cnae (Centro Nacional da Estampa e da Arte Impressa), instituição francesa que abriga livros de artistas, cartazes, folhetos e uma infinidade de peças feitas em suportes que, em geral, não são idealizados para objetos artísticos (como cartões postais, cópias xerox e cartas de baralho).

"Tentamos fazer uma colagem, unindo os objetos vindos da França e as obras desse gênero que fazem parte dos nossos acervos", explica Fernanda Albuquerque, 31, uma das curadoras da mostra, que conta com 50 trabalhos do CCSP.

Jovens artistas também fizeram peças especialmente para "Sinais...", como o paulistano radicado no Rio Cadu, 31, que espalhou cartões telefônicos prontos para o uso e sem logotipos pelo espaço expositivo.
"É um ação pequena, que tem a ver com a circulação pretendida na exposição", conta ele, participante da próxima Bienal do Mercosul, que começa em outubro, em Porto Alegre.

Outros deslocamentos são pretendidos por artistas, como a paulistana Ana Luiza Dias Batista, que fez com papel de embrulho uma grande bobina ilustrada. Pedaços podem ser recortados e levados pelo público.

Artistas veteranos, como Alex Flemming, Amelia Toledo e Hudinilson Jr., também têm obras na mostra.
(Mario Gioia)


Posted by Ana Elisa Carramaschi at 2:46 PM