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maio 7, 2009

Hora de crescer - Vik Muniz, o digital e os novos modelos de negócios

Garbage_Vik.gif

Vik Muniz, Marat (Sebastião) da série Pictures of Garbage, 2008 - impressão digital, 129,5 x 101,6 cm / Jacques-Louis David, Marat assassiné, 1793 - óleo sobre tela, 165 x 128 cm ( Musees Royaux des Beau-Arts de Belgique Brussels)


Hora de crescer - Vik Muniz, o digital e os novos modelos de negócios

Após ver a exposição de Vik Muniz no MASP no domingo passado, conversava com um amigo artista e empresário sobre a produção de produtos e ele disse que o grande negócio na atualidade era “cópias e produção em grande escala”. Com esta frase ele acertou em cheio o ponto de meu interesse na obra de Vik Muniz.

Os artigos sobre Vik sempre contam que ele copiava telas dos grandes mestres para se sustentar antes da carreira artística. Juntando esta demanda existente à nossa eterna fome artística em desvelar as obras que nos marcam, Vik dedica sua carreira a esta obsessão de copiar e retrabalhar as grandes obras e, ao fazer isto, inventa para si um espaço até hoje restrito às "performing arts": a re-encenação dos clássicos. Como um diretor, ele escolhe e dirije os atores e os técnicos necessários para que sua produção atinja os resultados desejados.

Sempre me irritei muito com a ladainha proclamada a respeito do trabalho de Vik Muniz, quando esta se refere ao seu virtuosismo e a importância do fazer no seu trabalho. A partir destas falas, poderíamos considerar o trabalho de Vik um desserviço à arte contemporânea. Mas realmente não creio que esteja aí o X da questão, pois não importam a qualidade do desenho (e isso fica claro no traço quase infantil apresentado nos trabalhos) ou quem desenha, pinta, monta ou fotografa. Tampouco o original importa. Descolando-se aqui das "performing arts", as qualidades que deram origem à partitura inicial são descartadas, assim como o próprio original produzido e fotografado pelo artista. Ao tratar as obras utilizando novos materiais e linguagens, Vik busca procedimentos já utilizados por outros artistas em diferentes momentos da história da arte e, com isso, compõe um trabalho com camadas e camadas de cópias. Portanto, o que importa enfim é a imitação, a cópia, a reprodução em todo o seu esplendor.

Fim do original e início do digital

No momento em que a produção digital elimina a matéria original (ai, que aflição, não temos mais película!) e propaga na rede o trabalho colaborativo (web 2.0), também sofremos um outro vazio importante nos modos de produção: a falta de novos modelos de comercialização e remuneração de autor. Esta questão cara ao Canal Contemporâneo veio a tona no debate de Geert Lovink e Ronaldo Lemos na PUC-SP, promovido pelo grupo de pesquisas Net Art e agência Click (leia o relato de Ananda Carvalho). O debate pegou fogo com a colocação de Lovink de que deveríamos deixar de lado o "mantra da cultura livre" e tratar de pensar e desenvolver novos modelos de negócios. Ronaldo Lemos, como representante no Brasil do Creative Commons, respondeu dizendo que o CC era tão somente uma ferramenta jurídica para lidar com os desafios das novas mídias, rejeitando o rótulo de incentivador da produção livre.

Desde a minha primeira ida ao Festival Ars Electronica em 2004 - enviada pelo Nokiatrends juntamente com Ricardo Ruiz do Mídia Tática -, quando ouvi a representante da Fundação Rockefeller falar de "common knowledge" e assiti a palestra de Lawrence Lessig, criador do Creative Commons, e ao seu vídeo de apresentação com o ministro Gil de garoto propaganda, sinto este torturante vazio em relação aos novos modelos. Lessig apresentou o CC da mesma maneira que Ronaldo Lemos hoje, o que deixava à margem as questões em relação ao jogo econômico e de quem levaria a melhor fazendo uso desta ferramenta jurídica. Também não obtive resposta da representante da Fundação Rockefeller quando a argui sobre como deveríamos entender o sentido de "common" vindo de um país como os EUA que havia se negado a assinar o Protocolo de Quioto.

O fato é que passados cinco anos ainda não vislumbramos novos modelos. Estou falando de web, mas também de mercado de arte, que persiste em trabalhar no século XXI como se estivesse no XIX.

Suspensão

Devido ao excesso de trabalho e à falta de tempo, trabalharei este texto em processo aberto. Eis aqui o início que darei sequência pesquisando e trocando ideias na publicação de comentários aqui no Como atiçar a brasa.

Patricia Canetti
Artista e criadora do Canal Contemporâneo


HORA DE CRESCER
Programa de assinaturas semestrais para a sustentabilidade do Canal Contemporâneo

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Posted by Patricia Canetti at 12:31 PM | Comentários (8)

maio 6, 2009

"Panorama estrangeiro" é atacado na web por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha S. Paulo, em 4 de maio de 2009.

Tradicional mostra bienal sobre arte brasileira, agora curada por Adriano Pedrosa, gera polêmica por só ter estrangeiros

"Que presunção, que vaidade, que egocentrismo", diz artista Artur Barrio; ideia também tem defensores, que a Ilustrada ouviu

Em vez de "Panorama da Arte Brasileira", "Brazilian Art Landscape" é como o artista Alex Cabral propõe que seja denominada a mostra com curadoria de Adriano Pedrosa, a ser inaugurada em outubro, no MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo).

Já a artista Ligia Borba sugere "Panorama da Arte Brasilianista". O sarcasmo faz parte da maior parte das 58 mensagens já postadas (até o fechamento desta edição) no site Canal Contemporâneo, a partir da proposta de Pedrosa de não incluir artistas brasileiros na exposição com caráter bienal, criada há 40 anos.

No blog do Canal Contemporâneo -uma comunidade digital organizada pela artista Patrícia Canetti-, a grande parte dos comentários à proposta de Pedrosa, após reportagem publicada na Folha, é marcada por reações bastante violentas (http://www.canalcontemporaneo.art.br/
brasa/archives/002119.html
).

Um dos exemplos é como o artista Artur Barrio contesta Pedrosa: "Que presunção, que vaidade, que egocentrismo, que exclusão, que ignorância".

"Sabia que a proposta geraria polêmica, e o formato de blog propicia reações violentas. Como a curadoria é uma prática que exclui muito mais do que inclui, pois o conjunto incluso é sempre infinitamente menor do que o excluído, quanto mais reputada a mostra curada, maior o número de potencialmente frustrados ou irados em relação a ela", diz Pedrosa.

Opiniões favoráveis

A Folha ouviu outros 13 artistas e curadores (leia íntegra dos depoimentos em www.folha.com.br/091221) e a maioria, ao contrário do que ocorre no Canal Contemporâneo, posicionou-se a favor do projeto de Pedrosa. De todos, apenas a artista Carmela Gross e o curador Paulo Venancio Filho foram contrários à proposta.

A favor manifestaram-se os artistas Jac Leirner, Rivane Neuenschwander, Rosângela Rennó, Sandra Cinto e Ricardo Basbaum, além dos curadores Agnaldo Farias, Lisette Lagnado, Daniela Labra, Rodrigo Moura, Cristiana Tejo e Felipe Chaimovich.

Curador do MAM-SP, Chaimovich coloca a instituição em defesa de Pedrosa: "O "Panorama" caracteriza-se pelo questionamento regular da natureza da arte brasileira e o debate gerado pela proposta curatorial de 2009 mostra a relevância de uma reflexão renovada a cada edição, quebrando expectativas e apontando interpretações inesperadas, como cabe a um museu de arte moderna".

No entanto, nem todos são a favor da ideia de forma integral, apresentando algumas ressalvas, como o artista e curador Ricardo Basbaum.

"Parece que somente os curadores são capazes hoje de provocar polêmicas; antes estas eram produzidas pelas obras, pelos artistas. Se pensarmos na 28ª Bienal, a discussão que mobilizou a opinião pública foi provocada pelos curadores e não por qualquer artista ou obra da mostra", diz ele.

"Isso me preocupa: obras e artistas não estão sendo mais percebidos enquanto agentes provocadores, e sim os curadores", completa Basbaum, que está em cartaz em São Paulo, na galeria Luciana Brito.

A polêmica, contudo, está ajudando o curador a redefinir sua própria exposição.

"A princípio, eu tinha pensado em fazer uma exposição mais esparsa, com um número menor de artistas, mas agora estou considerando incluir mais obras, mais exemplos de "arte brasileira feita por estrangeiros", sem querer esgotar o assunto, mas tornando o argumento mais claro", diz Pedrosa.

Mostra é tradicional coletiva por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha S. Paulo, em 4 de maio de 2009.

O "Panorama da Arte Brasileira" foi criado pela Comissão de Arte do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), em 1969, portanto alguns anos após o desmonte do museu, ocorrido em 1962, quando seu fundador, Ciccillo Matarazzo, doou à Universidade de São Paulo toda a coleção do museu, o que deu origem à criação do Museu de Arte Contemporânea da USP.

Sem acervo, o MAM criou então o Panorama como estratégia para se recriar e reorientar: o foco da coleção passaria a ser a produção contemporânea nacional, o que de fato é o perfil do museu, traindo em parte a denominação "de arte moderna".

Os prêmios de aquisição do "Panorama", que ocorrem desde sua primeira edição, foram uma importante forma de constituição do acervo da instituição e das poucas ações permanentes para tal fim num museu paulistano.

Em 1995, pela primeira vez, o "Panorama" foi organizado por um curador, no caso Ivo Mesquita, que rompeu com o formato tradicional da mostra por suportes, inspirado no espetáculo "O Livro de Jó", do Teatro da Vertigem.

Em 2003, sob a designação "Desarrumado", o "Panorama" apresentou pela primeira vez artistas estrangeiros, com curadoria do cubano Gerardo Mosquera. Além de 16 brasileiros, o curador apresentou o belga Wim Delvoye, o argentino Jorge Macchi e a chinesa Kan Xuan. Também pela primeira vez, o "Panorama" foi visto no exterior, em itinerância na Espanha.

Em 2005, organizado por Felipe Chaimovich, atual curador do MAM, o "Panorama" gerou polêmica ao comparar a produção contemporânea aos gêneros da pintura clássica. (FC)

Leia depoimentos sobre as mudanças do "Panorama da Arte Brasileira", Folha S. Paulo

Depoimentos originalmente publicados na Folha Online, em 4 de maio de 2009.

Leia a íntegra dos depoimentos dados à Folha opinando sobre as mudanças no próximo "Panorama da Arte Brasileira" propostas pelo curador Adriano Pedrosa.

CONTRA

"O sr. Adriano Pedrosa que se cuide! A sua estrangeirice é tamanha que um dia ele ainda vai ser deglutido pelos canibais de plantão!"

Carmela Gross, artista

"Será que não há no MAM uma mente lúcida para se opor a tamanha arrogância ridícula?"

Paulo Venancio Filho, curador

A FAVOR

"Um 'Panorama' com 'trabalhos nacionais de artistas estrangeiros' é, obviamente, fruto de uma ação que inverte e questiona territórios concretos e políticos. Frente à quantidade de exposições voltadas à produção nacional em 'n' instituições paulistas, a ideia para esse 'Panorama' do MAM me parece bem humorada, antiterritorialista e pertinente. O tratamento especial reservado à produção dos trabalhos e aos artistas deveria ser praxe em quaisquer instituições, só nos resta ver a qualidade da arte que se apresenta, apesar da resistência do meio local."

Jac Leirner, artista

"A ideia parece-me muito interessante. É sempre bom lembrar que a cultura sempre ultrapassou os limites fixados pela geopolítica. Por conta disso é que se pode dizer que o Brasil não é obra exclusiva daqueles que nasceram aqui. Já não foi dito que a literatura latino-americana começou na escrita do primeiro europeu impactado pelo que viu? E alguém aí discute que o Sergio Leone não é norte-americano e que depois dele o faroeste mudou um bocado? Embora brasileiros, temos lá nossa parcela de norte-americanos, franceses, ingleses, alemães..."

Agnaldo Farias, curador

"A proposta aponta para um esgotamento: depois do 'Antarctica Artes com a Folha', hoje o 'Rumos' cumpre a missão de mapear a arte feita no Brasil. A identidade das mostras muda. A 'Paralela' virou um 'Panorama' e o último 'Panorama' teve calibre de Bienal. Por ser uma mostra autoral, deve formular algo a partir de uma falta. Adriano é um dos embaixadores da arte brasileira no exterior, já tendo inserido Sandra Cinto, Marcelo Cidade e Marcellvs L. em mostras importantes."

Lisette Lagnado, curadora

"Existem muitas mostras deste tipo no mundo todo, e a premissa de que um artista tenha de pertencer a um lugar específico como justificativa para a sua participação já não é mais o suficiente (vide o fim das representações nacionais na 27ª Bienal de São Paulo). Além disto, acho válido (re)pensar o nosso país como um lugar que assimile diversas culturas, gerando assim discussões mais abrangentes inclusive e sobretudo sobre nossa própria identidade."

Rivane Neuenschwander, artista

"Não conheço todos os argumentos de Adriano Pedrosa, mas acredito que sua proposta pode indicar uma questão interessante, a de se permitir indagar o que faz de uma arte brasileira _se é a nacionalidade de seu autor, o país onde ele cria, a temática de sua obra, entre outros. Porém, a proposta corre o risco de se concretizar numa mostra repleta de clichês: a miséria, o carnaval, o sensual, a luta de classes, o precário, o exuberante etc, são aspectos facilmente encontrados em leituras estrangeiras superficiais sobre o Brasil. Acredito, contudo, que Pedrosa é bastante hábil para se desviar desse risco e se quiser, poderá levar a cabo uma discussão eficaz sobre o panorama da arte (e do circuito de arte) brasileira."

Daniela Labra, curadora

"A ideia de uma bienal nacional, que, de dois em dois anos, dê conta da totalidade da produção emergente, está esgotada há muito tempo. A verdade é que não dá tempo de fazer um update neste período, o que gera exposições muito parecidas umas com as outras. Com a proposta do Pedrosa, o MAM deixa claro que pensa o 'Panorama' como uma exposição que pode questionar seu formato até limites radicais. A ideia de pensar arte brasileira através dos óculos do estrangeiro é, em si, questionável, mas acho que faz sentido propor um formato radicalmente diferente a cada edição do 'Panorama', já que sua essência e origem não têm mais relevância no panorama de hoje."

Rodrigo Moura, curador do Instituto Cultural Inhotim

"Cada vez mais artistas brasileiros são convidados a desenvolver trabalhos específicos em exposições internacionais e, do lado oposto, várias obras são produzidas, no Brasil, por artistas estrangeiros e muitas vezes não podemos usufruí-las. Essas trocas são saudáveis e devem ser prestigiadas. Além do mais, gosto muito da idéia de desvincular o 'brasileiro' do 'nacionalista', como disse o Adriano Pedrosa. O 'Panorama' não precisa ser encarado como mais uma coletiva de arte brasileira que acontece de dois em dois anos, com um curador diferente (aliás, pelo que me consta, a 'Paralela' também adotou esse perfil). Particularmente não vejo problema algum, de vez em quando, vermos um 'Panorama' diferente, como aconteceu quando o Gerardo Mosquera convidou estrangeiros pra integrarem a mostra curada por ele, em 2003; se o ponto de vista for bom, e a arte for boa e feita no Brasil, não pode ser feita por estrangeiro?

Rosângela Rennó, artista

"É interessante notar como cada 'Panorama' responde a seus antecedentes, seja para negá-los ou reafirmá-los ou partir de nortes anteriormente abertos. O foco do evento parece ter se cristalizado em sua própria história e na afirmação e/ou desconstrução de uma estética nacional do que firmar posicionamentos críticos diante de uma produção artística de uma época inscrita num lugar chamado Brasil.

Eu achava que a discussão literal em torno da identidade e do pertencimento nacional já tivesse vivido seu esgotamento e migrado para pontuações de poéticas provenientes de vários 'lugares', mas pelo visto ela ainda suscita malabarismos curatorais e reações nacionalistas acaloradas."

Cristiana Tejo, curadora da Fundação Joaquim Nabuco (PE)

"O 'Panorama da Arte Brasileira' do Museu de Arte Moderna de São Paulo caracteriza-se pelo questionamento regular da natureza da arte brasileira. O debate gerado pela proposta curatorial de 2009 mostra a relevância de uma reflexão sempre renovada a cada edição do 'Panorama', quebrando expectativas e apontando interpretações inesperadas, como cabe a um museu de arte moderna."

Felipe Chaimovich, curador do MAM-SP

"Acho a provocação do Adriano Pedrosa interessante. Mas o curador terá de ser capaz de reunir trabalhos que realmente provoquem uma reflexão sobre o tema - e não simplesmente figurar slogans superficiais. É preciso sair de provincianismos nacionalistas - resquício da ditadura militar - e atuar politicamente no mundo, internacionalmente. Muitas vezes somente ligações políticas internacionais podem provocar a renegociação de impasses políticos locais. Muitas instituições brasileiras são provincianas e se esquivam do debate global da arte contemporânea, assim como dos debates locais. Os dois pólos não estão tão distantes e reverberam um no outro.

Mas uma coisa me intriga principalmente, e para mim é o ponto que me chama mais a atenção: parece que somente os curadores são capazes hoje de provocar polêmicas; antes estas eram produzidas pelas obras, pelos artistas. Se pensarmos na 28ª Bienal, a discussão que mobilizou a opinião pública foi provocada pelos curadores e não por qualquer artista ou obra da mostra. Isso me preocupa: obras e artistas não estão sendo mais percebidos enquanto agentes provocadores, e sim os curadores. Entretanto, acredito que os principais agentes provocadores são de fato as obras. O curador teria que re-aprender a recolocar o conflito 'obra x sociedade', e não apenas 'evento x sociedade', 'exposição x sociedade' - e assim sair do centro da cena."

Ricardo Basbaum, artista e curador

"Eu penso que o 'Panorama da Arte Brasileira' que propõe um olhar sobre a influência da mesma na produção internacional é um projeto que vai além de uma mostra coletiva. Constatar que a arte brasileira deixou de ser periférica, que é uma referência no contexto internacional é algo que só a fortalece. Nós, artistas brasileiros, estaremos representados sim, de uma maneira muito mais profunda. 'Panorama' significa uma visão ampla, em todas as direções, sem obstáculos."

Sandra Cinto, artista

Posted by Ananda Carvalho at 2:30 PM