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Como atiçar a brasa

 


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abril 28, 2009

Aos interessados na elaboração de políticas públicas para as Artes Visuais por Tatiana Ferraz

Plano Nacional de Artes Visuais

Aos interessados na elaboração de políticas públicas para as Artes Visuais,

Recentemente fui procurada para retomar as deliberações ocorridas junto à Câmera Setorial de Artes Visuais sobre a formatação de diretrizes e linhas de ação que integrarão o Plano Nacional de Cultura (em cujo processo muitos de vocês colaboraram direta ou indiretamente).

Para quem não sabe, o processo foi ativado pelo próprio governo que deu abertura para que a sociedade civil e membros da classe artística reunissem um conjunto de idéias e reivindicações a serem encaminhadas por um representante eleito (em cada núcleo regional do pais onde se dessem as discussões) nas reuniões nacionais das Câmeras Setoriais. Após aproximadamente um ano de discussões no âmbito regional, os representantes trataram de reelaborar conjuntamente um documento que reunisse os principais pontos elencados pela sociedade civil e por agentes culturais (dentro do universo das Artes Visuais), ao longo de cerca de seis meses de trabalho com reuniões ocorridas na Funarte (RJ) e no MINC (Brasília). Obs.: Para quem se interessar, existe um breve histórico das CS no documento anexo.

O resultado do processo de trabalho junto às Câmeras Setoriais foi encaminhado ao MINC, ao que este ficou de reeditar o documento considerando sua adaptação a uma “linguagem técnica” que pudesse transformar futuramente as diretrizes em leis.

Eis que há uma semana o governo federal encaminhou uma minuta do Pré-Plano Nacional de Artes Visuais, elaborado a partir dos resultados obtidos na respectiva Câmara Setorial, e revisada pela equipe ministerial. Para que vocês tenham uma idéia dos resultados, anexo a minuta neste e-mail, contando com a apreciação e manifestação de todos. Peço que divulguem este documento para interessados.

Atualmente, o MINC dispõe de um novo coordenador, o qual convocou os representantes das CS para a Reunião do Colegiado Setorial de Artes Visuais em Brasília no início do mês de maio:

Gustavo Vidigal
Coordenador-Geral do CNPC (Conselho Nacional de Política Cultural)
Ministério da Cultura
61-3316-2237/2096 ou cnpc@cultura.gov.br

Infelizmente não poderei tomar parte nesta empreitada como representante temática da CSAV (tema da ”Assimilação social”), por motivos de saúde (atualmente gestante de 8 meses). Sendo assim, solicitei ao coordenador que disponibilizasse os resultados da próxima reunião no site do MINC, ao que me respondeu que podemos acompanhar pelo endereço: www.cultura.gov.br/cnpc

Espero que o governo tenha fôlego (e nós também) para levar a empreitada adiante!

Abs a todos,
Tatiana Ferraz

Clique aqui e baixe o arquivo com o Plano Nacional de Artes Visuais.

Posted by Ananda Carvalho at 7:54 PM | Comentários (3)

Debate da Folha sobre a Lei Rouanet no YouTube

Debate promovido pelo jornal Folha S. Paulo, originalmente publicado pela WebTV Cultura e Mercado no Youtube.

A Folha promoveu no dia 2 de abril um debate sobre a reforma da Lei Rouanet com a participação do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Também fizeram parte da mesa o secretário da Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, o diretor da Apetesp (Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de SP), Paulo Pélico, o superintendente de Atividades Culturais do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, e o consultor de patrocínio empresarial, diretor-geral da Significa e da Articultura, Yacoff Sarkovas.


Posted by Ananda Carvalho at 6:13 PM | Comentários (1)

Arte para toda parte por Beth Carvalho, Ivaldo Bertazzo e Lula Quiroga, Folha S. Paulo

Matéria de Beth Carvalho, Ivaldo Bertazzo e Lula Quiroga originalmete publicada na seção Opinião no jornal Folha S. Paulo, em 27 de abril de 2009.

Chegou finalmente a hora de colocar a cultura no centro do debate político e da discussão sobre qual país queremos construir

AS ARTES são o oxigênio da cultura de um país. No caso do Brasil, refletem a grande diversidade de nosso povo. Refletem as vivências no campo, nas metrópoles, nos periferias, na floresta, na caatinga, no cerrado e no pantanal. São também um de nossos principais produtos de exportação e, com o futebol, o que nos identifica em todo o mundo como um povo original e único.

Um patrimônio dessa qualidade precisa de um incentivo econômico à altura de sua importância. Precisa também estar na ordem do dia do debate público nacional e das definições estratégicas de nosso país. E deve ser visto como um elemento vital para nosso desenvolvimento como nação num mundo em que a produção simbólica e de conteúdo ganha importância econômica. Principalmente em um momento de crise financeira como o que vivemos agora -em que a produção cultural pode ser um dos elementos para alavancar o crescimento do país.

Uma política de Estado para as artes deve levar em conta tudo isso e, mais, garantir a valorização dos nossos artistas consagrados ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades para quem está começando. Nas periferias, nos centros urbanos e também no interior, em todos os cantos do Brasil surgem a cada dia novos talentos. E que, muitas vezes, não têm acesso aos recursos públicos de incentivo à cultura. Para dar oportunidade a todos esses artistas, chegou a hora de atualizar a Lei Rouanet. Precisamos de um instrumento legal que permita novas formas de fomento para a cultura, especialmente para as artes, que permitam uma gama maior de recursos para o setor.

A renúncia fiscal é um mecanismo importante, mas nitidamente insuficiente para dar conta da quantidade e diversidade de demandas culturais de nossos músicos, produtores, artesãos, dançarinos, atores, diretores, artistas circenses e de tantas formas de expressão de nossa diversidade de sermos brasileiros.
Em todo o país, o enorme volume de projetos aprovados no Ministério da Cultura e que não conseguem captar recursos é uma prova viva dessa insuficiência. É necessário, portanto, oferecer novas oportunidades de financiamento para todos os tipos de artista.

A proposta do governo federal para a reformulação da Lei Rouanet está aberta para consulta pública, numa grande e inédita convocação ao debate democrático.

O acesso aos recursos públicos precisa ser qualificado a partir de critérios de avaliação transparentes, específicos para cada setor e região de atividade cultural. Discutir esses critérios à luz do dia, como estão propondo o ministro Juca Ferreira e sua equipe em todas as suas aparições públicas, é um expediente democrático da maior importância para a saúde da República. E nós, artistas, estamos e continuaremos participando disso.

Outro avanço é a criação do Fundo Setorial das Artes, que deve fortalecer o financiamento de projetos de diferentes áreas, como música, dança, artes visuais, teatro e circo.

Assim como vem sendo feito pelo Fundo Setorial do Audiovisual. Mas esperamos que os projetos sejam avaliados por nós próprios, artistas, produtores e especialistas com vivência específica de cada linguagem artística.

Consideramos necessário, também, fortalecer o orçamento público da cultura no Brasil. Oxalá o Congresso Nacional seja sensível a essa necessidade e aprove a proposta de emenda constitucional 150, que exige dos governos federal, estaduais e municipais um mínimo de investimento em cultura.

A cultura sempre fez parte do dia a dia de todo cidadão brasileiro e vem ganhando cada vez mais peso na economia do país. Chegou finalmente a hora de colocá-la no centro do debate político e da discussão sobre qual país queremos construir. E essa conquista é uma missão de todos nós: artistas, público, produtores, trabalhadores da cultura, governo e patrocinadores.

A discussão da nova lei de fomento à cultura é a consagração desse esforço. Esperamos que a sua aprovação pelo Congresso Nacional também o seja.

BETH CARVALHO , 62, é cantora.
IVALDO BERTAZZO , 58, é coreógrafo e diretor.
LULA QUEIROGA , 48, é compositor e cantor.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Posted by Ananda Carvalho at 2:55 PM

Resposta do MinC ao artigo do secretário-geral da Fundação Roberto Marinho

Texto originalmente publicado no site do MinC, em 27 de abril de 2009.

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto, escreveu artigo em O Globo sobre a Nova Rouanet. A íntegra do texto foi publicada há dias na página do MinC.

Abaixo, seguem alguns trechos, também com a visão do MinC.

“A fricção provocada pelo calor de uma discussão pode gerar luz, mas também um incêndio de lamber o prédio inteiro. O bem-construído edifício da Lei Rouanet pede reformas, é certo, mas, na ânsia de discuti-las, ideias são misturadas, água é confundida com gasolina, boas soluções são apontadas como causas de problemas com os quais não têm ligação. Nessa hora, um mal-entendido pode ser a fagulha fatal, que destrói o prédio e paralisa a atividade cultural brasileira (história trágica, que vivemos no governo Collor, cujas feridas assopramos até hoje).”

Visão do MinC: Concordamos de partida em um ponto: “o bem-construído edifício da Lei Rouanet pede reformas”. O calor da discussão sobre a Nova Rouanet, no entanto, vem gerando mais luz que fogo. Além do mais, processo à luz do dia de consulta pública pela internet e a discussão que ainda virá no Congresso Nacional permitirão que nenhuma fagulha destrua esse prédio.

“Ao defender o seu projeto que visa a substituir a Lei Rouanet, o ministro da Cultura disse a uma plateia de produtores culturais no Rio: “Apenas 3% dos usuários da lei ficam com 50% dos recursos.” E em seguida: “Vejam os casos do Museu do Futebol e o da Língua Portuguesa: feitos com recursos públicos da lei de incentivo e divulgados como projetos privados.” Donde se conclui: os dois museus seriam usurpadores do dinheiro público.

Visão do MinC: Em seu contexto original, as duas declarações não têm ligação entre si. A visão do Ministério da Cultura não é de que os dois museus não são “usurpadores do dinheiro público”. No entanto, não há a percepção popular de que projetos e obras realizadas por meio da renúncia fiscal são fruto, sim, de dinheiro público.

“Há distorções no setor cultural brasileiro? Claro que há. A Lei Rouanet é a culpada? Claro que não. Talvez seja, senão uma rima, uma solução. A Lei Rouanet trabalha em duas dimensões: a do fomento e a da renúncia fiscal. Fomento é a aplicação direta de recursos via Fundo Nacional de Cultura. Renúncia é quando parte do Imposto de Renda, em vez de ir para o fisco, vai para um projeto aprovado pelo próprio MinC. Fomento serve para equalizar as distorções ou carências do mercado; renúncia serve para induzir o mercado a se interessar pelo setor. Ambos combinados, como na lei atual, e se bem calibrados pelo gestor, são a solução: este engenhoso mecanismo dinamiza o setor e, por sua pulverização, impede qualquer dirigismo por parte do governo vigente; já o fomento, controlado pelo Estado (governo mais sociedade civil), corrige distorções, estimula novas linguagens, a formação de talentos e a cultura popular. As ferramentas atuais possibilitam isso. Cabe indagar por que não ocorre, mesmo na área de fomento, apesar do forte desejo do ministro.”

Visão do MinC: A Lei Rouanet não é a causa inicial das desigualdades regionais do país. No entanto, não é papel de uma política pública reforçá-las. A aplicação de dinheiro público na cultura, via renúncia fiscal, é pior que a distribuição de renda.No caso do Fundo Nacional de Cultura, há realmente concentração. Mas ela não chega nem perto da concentração via renúncia.

“Reduzir a atratividade do mecenato e, portanto, o interesse das empresas pelo mercado cultural só interessa a quem acredita que cultura não precisa de mercado. Ou talvez ao Leão. Mas este tem presas mais suculentas, pois a Cultura consome menos de 1,5% de toda a renúncia fiscal do país. É uma opção ideológica, mas é preciso saber se os brasileiros que trabalham no setor, hoje um dos mais dinâmicos do país, concordam.”

Visão do MinC: Não há opção ideológica. O governo federal tem interesse em estimular o investimento privado em cultura. Mas, para isso, é necessário que haja investimento privado. Aplicação com 100% de renúncia não se justifica.

“Imaginem se, no lugar deste, um governo autoritário venha a gerir a vida cultural do país, passando a ter o direito de definir o que é arte e quais projetos teriam “relevância cultural”. Nesse incêndio morreríamos todos. Asfixiados.”

Visão do MinC: Num hipotético e futuro “governo autoritário”, a lei garante que as Comissões Nacionais de Incentivo à Cultura terão espaço paritário para representantes de artistas e empresários para fiscalizar a aplicação de recursos.

Posted by Ananda Carvalho at 2:04 PM | Comentários (1)

Controle cultural socialista por Ipojuca Pontes, O Estado S. Paulo

Matéria de Ipojuca Pontes originalmente publicada na sessão Opinão no jornal O Estado S. Paulo, em 27 de abril de 2009.

Conforme determina cláusula pétrea, um dos primeiros passos de Lenin na rota da "construção do socialismo" dentro da URSS foi estabelecer o controle dos "meios sociais de produção", nele incluído, óbvio, o completo domínio sobre os veículos de comunicação, os estabelecimentos de ensino e a produção cultural. Mas antes de adotar qualquer medida, demonstrando grande senso de objetividade, logo depois de desfechar seguro golpe sobre o governo provisório de Kerensky, o mentor da "ditadura do proletariado" tomou a iniciativa de mandar um bando armado se apossar das chaves do cofre do banco do Estado russo. Ele queria, desde logo, o controle da grana.

(Só a título de ilustração, o historiador inglês Orlando Figes, no seu bem documentado livro sobre a Revolução Russa, A Tragédia de um Povo - Record, Rio, 1999 -, relata episódio, considerado a um só tempo grotesco e brutal, do infeliz diretor do banco oficial que, ao negar a entrega das chaves da caixa-forte ao bando revolucionário, levou um tiro na nuca depois de perder parte da mão, arrancada por uma dentada.)

Ao impor o seu sistema de governo, de caráter totalitário, Lenin, amparado no poder dissuasório da coerção e da violência, tinha por objetivo a tomada (e a destruição) dos "meios de produção e expressão do pensamento burguês" (em russo, burzhooi), tidos historicamente como ultrapassados. Caberia à ordem emergente estabelecer os padrões de supremacia dos valores do pensamento proletário e fazer dos meios de comunicação e da produção cultural instrumentos ideológicos a serviço da propaganda e das metas revolucionárias sob o controle burocrático do Partido Bolchevique (leia-se comunista).

O modelo de "organização da cultura" imposto por Lenin nos primeiros anos do regime, embasados na censura e no patrocínio estatal, só atingiu o patamar da excelência na era Stalin, univocamente voltada para a expansão da ideologia comunista no seio da sociedade. Para consolidar tal projeto e manter o ativo controle do aparato burocrático sobre a difusão das ideias e da criação artística Joseph Stalin, então considerado "Guia Genial dos Povos", não precisou chafurdar muito: ele tinha ao seu dispor, alojado no Comitê Central do Partido Comunista (PC), a figura de Andrei Aleksandrovich Jdanov, o estrategista da política cultural do regime e mentor do "realismo socialista", o preceito estético, de "valor universal", que tinha como princípio comprometer a criação artística - notadamente no cinema, teatro, na literatura, música e pintura - com "a transformação ideológica e a educação do proletariado para a formação do novo homem socialista".

Desde logo, com as chaves do cofre nas mãos, Jdanov disse a que veio: fiel intérprete do espírito revolucionário, deixou a entender que dali em diante a atividade cultural seria uma empresa voltada para a implantação do socialismo. Dentro deste escopo, Jdanov selecionou artistas e burocratas afiliados ao PC e estabeleceu as novas regras para obtenção dos financiamentos oficiais no terreno das artes. Para avalizar os projetos culturais (ou censurá-los) e distribuir as benesses ele fixou critérios, organizou comissões e conselhos e, no controle seletivo da produção cultural, em vez de arte, criou a mais formidável máquina de propaganda jamais imaginada, capaz de fazer o mundo acreditar que Stalin era Deus e que o povo russo, submetido a eternas cotas de racionamento, vivia no paraíso terrestre.

Pensadores e artistas genuínos pagaram caro pelo processo cultural acionado pelo stalinismo, decerto mantido até hoje em várias partes do mundo (vide Cuba, China e adjacências). A partir da "seletividade" imposta por Jdanov no campo da produção cultural, centenas de criadores foram marginalizados da atividade artística. Outros foram presos ou ficaram loucos. Outros tantos foram cortados da lista de distribuição de benesses oficiais e segregados como "formalistas", "reacionários", "cosmopolitas" e "inimigos do povo".

No reino discricionário da cultura oficial soviética, por exemplo, a notável poetisa Anna Akhmátova (para Jdanov, "meio freira, meio meretriz") foi levada à miséria; Maiakovski, ao suicídio; Soljenitsyn e Boris Pasternak, aos campos de concentração. Dostoievski, por sua vez, foi banido das bibliotecas públicas. O próprio Serguei Eisenstein, o inventivo cineasta da propaganda stalinista, amargou o diabo depois que exibiu para o crivo crítico de Stalin a sua versão de Ivan, o Terrível (parte dois), morrendo em seguida.

Em tempos recentes, depois da morte de Stalin, aos preceitos do jdanovismo foram adicionados, no campo da "organização da cultura" socialista, os ensinamentos de Antonio Gramsci (Il Gobbo), teórico comunista italiano, criador da estratégica "revolução passiva". O modelo traçado por Gramsci para a construção do socialismo, em vez do apelo ao mito da força proletária, privilegia o papel da cultura e o poder multiplicador dos meios de comunicação, fundamental para a difusão de um novo "senso comum" no seio da sociedade. Sem a "revolução do espírito", diz Gramsci, "a ser disseminada pelo intelectual orgânico, não se pode destruir o Estado burguês" (leia-se democrata).

No Brasil, ao assenhorear-se do poder, Lula e seus agentes passaram a laborar, dia e noite, aberta ou veladamente, na "construção do socialismo". Para consolidar tal projeto se faz necessária, como o presidente-sindicalista já deixou claro, a expansão do "Estado Forte", em que ao indivíduo cabe pouco mais do que o papel de burro de carga, a alimentar uma colossal e dispendiosa estrutura burocrática.

Na esfera da cultura, desde a proposta de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), em 2004, o governo, sempre tentando o controle total sobre os recursos tomados à sociedade, busca a ingerência direta no processo da criação artística. Nada leva a crer que a atual investida na revisão da Lei Rouanet tenha outro objetivo. Caberia ao Congresso ficar atento a essa ameaça totalitária.

Ipojuca Pontes, cineasta e jornalista, é autor do livro Politicamente Corretíssimos

Posted by Ananda Carvalho at 1:55 PM

abril 27, 2009

Vik Muniz e sua pesquisa sobre a imagem interativa por Camila Molina, O Estado S. Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 no jornal O Estado S. Paulo, em 23 de abril de 2009.

Artista apresenta no Masp sua retrospectiva de 20 anos de trajetória, que evidencia a relação da fotografia com o desenho por meio de mais de 130 obras

Depois de passar pelos EUA, Canadá e México, a mostra retrospectiva de 20 anos de carreira de Vik Muniz chegou ao Brasil. Primeiro, a exposição foi apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio e, a partir de hoje, é exibida em São Paulo, no Masp, onde será inaugurada para convidados e amanhã para o público. A relação da fotografia com o desenho é o mote principal da mostra, como diz o artista. "Quero mexer com a ideia de imagem como interação", diz Vik Muniz, celebrado criador que é ao mesmo tempo bem-sucedido comercialmente e em termos de público.

Ver que ele criou a imagem, fotográfica, de um menino a partir de grãos de açúcar, da atriz Elizabeth Taylor com diamantes, de uma criança, com soldadinhos de brinquedo ou uma versão de O Nascimento de Vênus de Botticelli com sucata incita uma curiosidade direta nos espectadores. Aliás, o artista reforça que faz essencialmente suas obras para o espectador não-específico. "Se a relação da arte continuar a ser incestuosa, só entre seus pares, ela para de existir", diz o artista, de 47 anos, que vive nos EUA, mas também tem ateliê no Rio. Ele escolheu até mesmo colocar como título da exposição apenas seu primeiro nome, Vik. "Algo informal para que seja um convite."

São 131 obras, todas fotografias, mas não do gênero fotográfico puro, deve-se dizer, perpassando criações de desde 1988 até os dias atuais. Vik Muniz explora propositalmente um caráter híbrido e ambíguo da imagem, o que torna suas obras sedutoras. "Enfatizo o diálogo entre material (os objetos simples que ele usa para fazer as composições) e imagem, destilo a ideia do desenho com coisas muito práticas, ou a natureza da arte mesmo. Sou ambicioso, mostro esse processo", diz Vik. Ele se refere ao fato de querer desmistificar "uma arte muito ligada a deuses" e aliar sua vontade de fazer o espectador questionar a imagem a partir das camadas de significados que propõe em seus trabalhos, sempre feitos a partir de "ícones, estereótipos, arquétipos digeridos".

A exposição Vik, realizada pela Aprazível Edições e Arte, de Leonel Kaz e Nigge Loddi - a mostra é acompanhada de livro -, não abarca todas as séries do artista, mas pontua a relação da fotografia e do desenho com conjuntos temáticos precisos, alguns deles, inéditos, como Imagens de Papel (a partir de fotografias p&b) e Quebra-Cabeças. Vik começa com as primeiras obras de sua trajetória em torno da imagem, desenhos que fez a partir de fotos que via na revista Life e que fotografou. A partir daí, vemos sua pesquisa se problematizando cada vez mais, expandindo, inclusive, em escala.

Posted by Ananda Carvalho at 5:41 PM

"Precisamos dialogar sempre" por João Luiz Sampaio, O Estado S. Paulo

Matéria de João Luiz Sampaio originalmente publicada no Caderno 2 no jornal O Estado S. Paulo, em 27 de abril de 2009.

Cláudia Toni fala de congresso que vai reunir profissionais de 35 países para discutir papel do gestor cultural

De 10 a 13 de junho, São Paulo será o palco do 23º Congresso Internacional da ISPA - International Society for the Performing Arts. Sob o tema Brasil: Imersão na Diversidade, cerca de 350 profissionais de 35 países vão se reunir em debates, palestras e seminários para discutir a gestão de instituições culturais. Representantes de instituições como a Filarmônica de Londres, o Concertgebouw de Amsterdã, o Lincoln Center de Nova York ou o Conselho de Arte da Coreia já confirmaram presença.

A responsável pela iniciativa - patrocinada pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com o Sesc e o Centro Cultural Banco do Brasil, entre outras instituições - é a brasileira Claudia Toni. Ela entrou para a ISPA em 2001, quando era diretora executiva da Osesp, cargo que deixou por divergências com o então diretor artístico John Neschling. Hoje, atua como assessora especial do secretário de Estado da Cultura João Sayad. Seu trabalho se dá nos bastidores, onde se afirma que foi a responsável por mudanças recentes na vida musical paulistana como a troca de comando na Osesp ou no Festival de Campos do Jordão. No posto de assessora, Claudia não fala. Como anfitriã do congresso, explica, em entrevista exclusiva ao Estado, os objetivos da iniciativa - e cutuca produtores culturais e sua incapacidade de dialogar entre si.

A NECESSIDADE DE UM FÓRUM

"A ISPA reúne não quem trabalha no comando artístico das instituições mas, sim, os responsáveis pela gestão. Por que isso é importante? O que eu mais aprendi com meus colegas da sociedade é que no Brasil falta disciplina. Cerca de 95% dos membros da ISPA são de países muito ricos - e todos trabalham de maneira cooperada, assumem projetos juntos, se reúnem para discutir problemas. E o Brasil, tão cheio de carências, não consegue fazer o mesmo. Se não mudarmos isso, não vamos crescer. Não há aqui, no entanto, um fórum para discutirmos nossas questões. O congresso é um início de caminho. O que é um produtor? É o cara que concebe uma programação ou aquele que vai comprar sanduíche para os artistas? Questões como essa não são discutidas por aqui. E precisam ser. Ao mesmo tempo, os estrangeiros que virão ao País terão a chance de conhecer a produção cultural brasileira de maneira mais concreta, contrária ao exotismo e à ênfase na cultura popular comercial."

DOIS TEMAS

"De cara, há dois temas específicos que surgiram nas discussões que tivemos para formar a grade do congresso. O primeiro deles é a formação de público,campo no qual estamos atrasados. Há iniciativas, como as da Osesp, dos grupos de teatro e de dança, mas estamos engatinhando. A questão da educação musical é polêmica, já ouvi artistas comentando: ?Fulano não é músico, trabalha com educação musical?. A outra diz respeito ao agenciamento artístico e a necessidade de um debate sobre esse aspecto da produção artística. Da mesma forma, poderemos mostrar campos em que somos pioneiros, como a inclusão social por meio da arte. Mas o fundamental é propor o diálogo. A cultura tem que deixar de ser o patinho feio da vida do País. Eu nunca me candidatei a dirigir um hospital. No entanto, todo mundo acha que pode gerir uma instituição cultural. Precisamos formar profissionais específicos para isso."

PAPEL HIGIÊNICO E MÚSICA NOVA

"Qual a cara de um teatro? O que há de interessante na busca pela integração de várias linguagens no processo de criação? Quais os grandes projetos educativos? Como avaliamos a reação do público? São questões que apontam para o futuro. E conversar com quem está lá fora é importante. Eles estão mais adiantados? Sim, mas então vamos aprender com eles e pular etapas. Se eu não discutir com o diretor do Barbican Center, de Londres, o melhor centro cultural do mundo, o mais provocante e ousado, se eu não entendo como ele pensa, não entendo meu lugar no mundo. Não vou copiar o que eles fazem, nem temos dinheiro para isso. Mas quero ser contaminada pela provocação do trabalho dele no que diz respeito, por exemplo, ao fomento da música nova. Há um certo conformismo em todas as instituições brasileiras com a música que estamos produzindo. O que é a música do século 21? Para onde vamos? Estamos passando ao largo dessas questões. Os diretores de teatro reagem a isso dizendo: ?Não temos nem verba para papel higiênico, como vou pensar nisso??. Criar um projeto consistente e relevante nos ajuda a comprar o papel higiênico. As programações se parecem demais, os artistas se repetem, as propostas são as mesmas. É tudo muito óbvio, uma mesmice."

LEI ROUANET

"A necessidade de profissionalização fica clara quando vemos as discussões em torno da Lei Rouanet, por exemplo. Tem diversos temas que aparecem ali, mas nada tem a ver com a lei, que vira a panaceia universal porque não temos outro fórum, que deveria ser o fórum do gestor cultural. Essa profissão é recente, eu sei, mas a inexistência de um fórum precisa ser resolvida para que as discussões sejam mais proveitosas. Veja, por exemplo, o conceito de marketing cultural. Entendê-lo no contexto da lei e do patrocinador é uma estupidez. Marketing cultural deve ser a busca por planos para vender ingresso. Estamos discutindo tudo errado. Por que temos vergonha de falar disso? Tenho sim que pensar em como chegar ao público e atraí-lo para o teatro."

E POR QUE NÃO DIALOGAMOS?

"Eu não acho que seja uma questão exclusiva da música e das orquestras. É algo mais amplo, que tem a ver com o mundo latino. Temos uma enorme dificuldade em nos juntar, somos pouco democráticos. Esse aspecto é muito importante no protestantismo, a ideia de que as pessoas precisam se unir em torno de objetivos comuns, dividindo tarefas, verbas. Mas acho que esse espírito está começando a nos contaminar. Fora da área cultural, por exemplo, há sociedades como a de cardiologistas, por exemplo. As profissões antigas já se deram conta da necessidade de união. Na área cultural, estamos engatinhando, apesar de iniciativas como a criação da Sociedade Brasileira de Etnomusicologia. Mas ainda falta reflexão, autoanálise. Em certo momento, décadas atrás, quando comecei nessa profissão, ninguém se juntava por ter medo de compartilhar ideias e perder o lugar. Hoje, o mercado é mais amplo, comporta múltiplas propostas. Os gringos já entenderam que ninguém consegue ser onipresente, que é necessário se associar. É daí que vem a força do mercado. Não adianta ter apenas uma boa orquestra em São Paulo, precisamos de várias. É a existência de diversas iniciativas consistentes que fortalecem essa faixa do mercado."

Frases

"Cerca de 95% dos membros da ISPA são de países muito ricos - e todos trabalham de maneira cooperada, assumem projetos juntos, se reúnem para discutir. E o Brasil, tão cheio de carências, não
consegue fazer o mesmo. Se não mudarmos isso, não vamos crescer. Não há aqui, no entanto, um fórum para discutirmos nossas questões."

"O que é a música do século 21? Para onde vamos? Estamos passando ao largo dessas questões. As programações se parecem demais, os artistas se repetem, as propostas são as mesmas. É tudo muito óbvio, uma mesmice."

"Não adianta ter apenas uma boa orquestra em São Paulo, precisamos de várias. É a existência de diversas iniciativas consistentes que fortalecem essa faixa do mercado."

CLÁUDIA TONI

Posted by Ananda Carvalho at 5:23 PM

A Escolha de Sophie por Teté Ribeiro, Folha S. Paulo

Matéria de Teté Ribeiro originalmente publicada na Serafina no jornal Folha S. Paulo, em 26 de abril de 2009.

Ela é a artista francesa contemporânea mais pop do mundo. Estava apaixonada por um escritor também francês, autor de um livro dedicado a ela. Ele rompeu o romance por e-mail. Ela transformou o fora em arte. O resultado? É a exposição "Cuide de Você", em cartaz em Nova York e que chega ao Brasil em julho, junto com sua autora

"Recebi uma carta de rompimento. E não soube respondê-la. Era como se ela não me fosse destinada. Terminava com as seguintes palavras: Cuide de você. Levei essa recomendação ao pé da letra. Pedi a 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão, para interpretar a carta do ponto de vista profissional.Analisá-la, comentá-la,dançá-la, cantá-la. Esgotá-la. Entendê-la em meu lugar. Responder por mim. Uma maneira de ganhar tempo antes de romper. Uma maneira de me cuidar."

(texto de apresentação da exposição "Cuide de Você", em cartaz em Nova York, que chega a São Paulo em julho)

Tudo começou assim: ela estava em Berlim e ouviu o bipe do celular avisando que tinha uma nova mensagem. Era um e-mail do namorado, amante, parceiro ou como você preferir se referir a um casal adulto que se relaciona romanticamente sem morar junto. Abriu para ler e descobriu que estava tudo acabado. Tinha sido trocada por outras. Sim, outras, no plural. Ah, mas ele a amava muito e só fazia isso porque ela havia imposto uma regra pouco razoável, do ponto de vista dele, segundo a qual não era permitido procurar outras mulheres enquanto os dois estivessem juntos. Como já havia procurado outras, e como ela era tão pouco flexível, sentia-se obrigado a romper o romance daquela maneira, apesar de sofrer muito com isso.

Se os sujeitos dessa história fossem pessoas comuns, talvez o desdobramento seria uma cena mais ou menos assim: crise de choro, desabafo com os amigos, bebedeira, telefonemas furiosos/tristes/chantagistas para o autor do e-mail, ressaca e uma depressãozinha que inevitavelmente passaria algum tempo depois. E fim.

Mas ela é Sophie Calle. E o pé na bunda virou a exposição "Cuide de Você", em que 107 mulheres interpretam, cada uma de acordo com sua profissão, o e-mail do rompimento. A maioria é desconhecida do público, foram escolhidas por suas profissões. Há filósofas, uma especialista em gramática, delegada, psicóloga, bailarina, uma atiradora de elite, uma taróloga, uma assistente social, uma criança de nove anos e uma carta escrita à mão por sua mãe, na qual ela diz "uma mulher linda, famosa e inteligente como você logo vai encontrar alguém melhor" -além de dois fantoches e de uma cracatua.

Mas tem gente famosa também, como as atrizes Jeanne Moreau, Maria de Medeiros e Victoria Abril, a compositora Laurie Anderson e a DJ Miss Kittin. Cada mulher - ou cracatua- foi fotografada ou filmada fazendo sua interpretação da carta. A exposição é cômica e dramática, catártica e exaustiva.

"Não fiz isso pensando em vingança", conta em entrevista à Serafina, em Nova York, no dia seguinte à abertura da exposição na cidade, há duas semanas. "Ao contrário, quando resolvi fazer um projeto artístico a partir do e-mail quis ter certeza de que o motivo por trás disso não era me vingar. Se a ideia não fosse artisticamente interessante não teria motivação suficiente para me dedicar tanto assim", afirmou, parecendo convicta.

Escrevo "parecendo" convicta porque Sophie Calle não se incomoda com o fato de ser algo contraditória. Ela diz coisas como: "meu maior medo é o de ser rejeitada, vivo esse pavor o tempo inteiro". Pouco depois, entra no estúdio improvisado na galeria pelos fotógrafos onde serão feitas as fotos que acompanham este texto e troca de roupa na frente de pelo menos quatro desconhecidos. Então me pergunta: "acha que eu preciso de maquiagem"

O jeito despojado dela me pega de surpresa. Quando aceitou o pedido de entrevista, tinha duas condições: uma, que eu visse a exposição antes de falar com ela. A segunda, que não queria ser fotografada. Logo Sophie, uma artista cuja obra é conhecida pela combinação de fotos e textos. Segundo sua assistente, ela gosta de ter controle sobre sua imagem e não estaria muito em paz com a aparência. Outra contradição, já que, aos 55 anos, mantém um jeito de menina e o corpo muito em forma -como eu, a dona da galeria, seu assistente, a diretora de arte e o fotógrafo pudemos ver. Várias vezes.

SE CUIDA

Sophie chegou para a foto com um vestido bege de seda emaranhado sob um suéter de lã, bota, meia-calça e um casaco de chuva, mas levava duas outras trocas de roupa dentro da bolsa, além de um sapato de salto. E trocou de figurino pelo menos quatro vezes no segundo andar da galeria, sem pedir privacidade nem ao menos checar em um espelho se o cabelo continuava em ordem.

Não foi tão desencanada com a tradução do título de sua primeira exposição individual a vir para o Brasil, primeiro no Sesc Pompeia, em São Paulo, entre 10 de julho e 7 de setembro, depois no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. "Ela contratou um tradutor para ter certeza de que o título seria fiel ao 'Prenez Soin de Vous', a última frase do e-mail original", conta a curadora Solange Farkas, da associação cultural Videobrasil, que realiza a turnê brasileira da exposição com o Sesc. Ficou "Cuide de Você", um pouco mais formal e mais carinhoso do que "se cuida".

A frase é fundamental na concepção do trabalho. "O e-mail não é nada especial, é um texto banal de uma pessoa que quer sair de uma relação, mas não sabe como dizer isso", diz Sophie. "Mas a frase final, 'cuide de você', é violenta, definitiva", continua. "E era exatamente o que eu tinha que fazer, cuidar de mim. E trocar o sofrimento por um projeto foi o meu jeito de me distanciar daquela dor", completa.

Misturar o que é público e o que é privado, assim como o observador e o observado, o autor e a obra, são marcas fundamentais no trabalho da artista. A sobreposição de textos e imagens é a forma que ela escolhe para apresentar seus pontos de vista, que mudam a cada trabalho, mas que acabam revelando uma proposta ousada de como se colocar no mundo, como musa e voyeur de sua própria obra. Até hoje, só teve problemas com os objetos de seus trabalhos mais anônimos uma vez, em 1983, quando encontrou uma agenda de telefones em uma rua de Paris.

Devolveu assim que pode para o dono, mas tirou cópia dos números e começou a ligar para as pessoas listadas na agenda e entrevistá-las a fim de construir um perfil daquele desconhecido sem falar com ele. Publicou as conversas em capítulos no jornal francês "Libération". O dono da agenda não gostou, processou a artista, que contra-atacou com a proposta de um acordo de paz. O homem disse que a única retratação possível seria ela publicar uma foto dela mesma, nua, no mesmo jornal. Sophie cumpriu sua parte, feliz da vida.

A NOBREZA IMPERA

A visita ao Brasil promete testar ainda mais seus limites artísticos e pessoais. No começo de "Cuide de Você", decidiu que iria proteger a identidade do autor do e-mail e em todas as fotos da exposição a mensagem termina sem assinatura, com um X no lugar do nome. Mas o segredo de Sophie foi tão preservado quanto sua decisão de não ser fotografada para esta revista. É que sua obra anterior é dedicada ao escritor francês Grégoire Bouillier, autor de dois livros. O último, um romance autobiográfico chamado "The Mistery Guest", lançado em 2006 e dedicado a ela, narra como começou o romance dos dois.

Grégoire Bouillier, 48, é um dos escritores convidados da próxima Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontece entre os dias 1º e 5 de julho. Assim como Sophie Calle. E lá os dois vão se encontrar pessoalmente pela primeira vez desde que o romance acabou. Mas, sendo ela quem é, um simples encontro privado não seria suficiente. Como a vida dela inspira sua arte, que por sua vez reflete a própria vida, Sophie e Grégoire vão participar de um debate aberto ao público. Tudo muito civilizado, com mediador, hora marcada, ingressos limitados e tradução simultânea para o português. Tudo muito nobre.

Vai ver é isso o que os franceses queriam dizer com "noblesse oblige".

Posted by Ananda Carvalho at 5:09 PM | Comentários (1)

Coleção suíça recruta trabalhos de 22 videoartistas latinos por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Matéria de Fabio Cupriano originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha S. Paulo em 27 de abril de 2009.

Exposição seleciona a brasileira Lenora de Barros e o argentino Jorge Macchi

Inaugurada no sábado passado, a exposição "For You/Para Usted" (para você), título retirado de um trabalho da artista argentina Liliana Porter, reúne 35 vídeos de 22 artistas latino-americanos na Daros Exhibitions, em Zurique, na Suíça.

A coleção Daros foi composta nos anos 1980 principalmente a partir de obras de artistas norte-americanos (pop, expressionismo abstrato e minimalista) e foi herdada pelo empresário suíço Stephan Schmidheiny. Desde 2000, sua mulher, Ruth, decidiu ampliar a coleção com uma vertente latino-americana, de onde saem todas as obras para esta mostra.

"O espaço limitado não permite que sejam exibidos todos os trabalhos em vídeo da Coleção Daros Latinoamerica e tampouco podemos dizer que seja uma pesquisa enciclopédica da produção em vídeo da América Latina, mas ao menos um olhar criterioso da pouco vista cena artística desse continente", diz o curador alemão Hans-Michael Herzog.

Entre os selecionados, participam da mostra a brasileira Lenora de Barros, o argentino Jorge Macchi, os colombianos Oscar Muñoz e Miguel Angel Rios, o uruguaio Martin Sastre e as mexicanas Ximena Cuevas e Claudia Fernandes.

A entrada para a exposição, que fica em cartaz até 6 setembro, custo 8 francos suíços (R$ 15), mas a renda será revertida para apoiar a Escola de Fotógrafos Populares, um programa educacional desenvolvido na Favela da Maré, no Rio.

Em 2010, a Daros irá abrir uma filial na cidade, num casarão de 12 mil m2 do século 19, reforma a cargo dos arquitetos Pedro e Paulo Mendes da Rocha. Segundo a assessoria de imprensa da Daros, é possível que "For You/Para Usted" seja exibida no novo espaço.

Posted by Ananda Carvalho at 4:55 PM

Abaixo-assinado: Queremos implantar Organizações Sociais (OS) no estado do Rio de Janeiro, petitiononline.com

Assinaturas atuais

No PetitionOnline: leia o texto e participe do abaixo-assinado a favor das OSs no Estado do Rio de Janeiro: www.petitiononline.com/OSnoRJ/petition.html


Veja as primeiras 500 assinaturas válidas colocadas em ordem alfabética:

1; Ada Chaseliov; rio de janeiro
2; Adailton de Souza Medeiros; Rio de Janeiro
3; Adeilton Bairral; Rio de Janeiro / RJ
4; Adriana Gomes do Nascimento; rio de janeiro
5; Adriano Carneiro de Mendonça; Rio de Janeiro
6; Afonso Carlos Tostes Lima; Rio de Janeiro
7; Afonso Tostes; RIO DE JANEIRO. RJ.
8; Ailton Franco Jr.; Rio de Janeiro/RJ
9; Akemi Ono; Rio de Janeiro/RJ
10; Alberto Frega; Rio de Janeiro
11; alberto renault; Rio de Janeiro
12; Alda Porto Santos; Rio de Janeiro
13; ALessandra Vaghi; Rio de Janeiro
14; Alexandre Arraes; RJ/RJ
15; Alice Viveiros de Castro; Rio Claro RJ
16; Aline Brum; Niteroi / RJ
17; Amanda Barbosa Vilela; Niterói
18; Amaury de Souza; Rio de Janeiro - RJ
19; Ana Bonelli; Rio de Janeiro/RJ
20; ana carolina goulart de andrade; Rio de janeiro/ R.J.
21; Ana Cristina Mota; Rio de Janeiro
22; ana cristina nadruz; rio de janeiro rj
23; Ana Elisa Cohen Chaves; Rio de Janeiro
24; ana holck; rio de janeiro
25; Ana lucia de Abreu; RJ
26; Ana Lucia Torre Rodrigues; Rio de Janeiro
27; Ana Madureira de Pinho; Rio de Janeiro
28; ana maria murta; rio de janeiro
29; Ana Paula Corrêa; RIO DE JANEIRO
30; Ana Paula Macedo; NITEROI
31; Ana Paula Rocha; Rio de Janeiro
32; ana rosa viveiros de castro; rio de janeiro/RJ
33; Anatula da Silva Axiotelis; Rio de Janeiro/RJ
34; Andre De Athayde Quelhas; Niteroi / RJ
35; André de Queiroz Brunelli; rio de janeiro/ rj
36; andré leite de moraes senna; Sao Paulo
37; André Lopes Brandão Paraizo; Rio de Janeiro / RJ
38; André Urani; Rio de Janeiro/RJ
39; Andrea Alvim Corrêa; Rio de Janeiro/RJ
40; Andrea Fasanello; Rio de Janeiro
41; Andrea Gouvêa Vieira; RJ
42; Angela Delphim; RJ
43; Ângela Fatorelli; Rio de Janeiro
44; Angela Maria Carauta Serrano; Rio de Janeiro
45; Angela Pia Manfroni; Rio de Janeiro - RJ
46; Angela Ricciardi; Paty do Alferes / RJ
47; Angela Santos; São Paulo
48; Angelo Defanti; Niterói / RJ
49; Angelo Venosa; rio de janeiro
50; Aniela Jordan; RJ
51; anna helena moussatché; RJ
52; Anna Maria Niemeyer; Rio de Janeiro
53; anna paula sampaio da silva martins (Anna Dantes); rio de janeiro (RJ)
54; Antonio Adolfo; Rio
55; Antonio Alexandre Dutra; Petrópolis(RJ
56; Antônio Cãndido Daguer Moreira; Rio de Janeiro
57; Antonio Dias; Rio de Janeiro RJ
58; Arlete Lima; Rio de Janeiro
59; Arnaldo Jabor; Rio de Janeiro
60; Ary Fontoura; Rio
61; Augusto martins; Rio de Janeiro
62; Beatriz Caiado; Rio de Janeiro
63; Beatriz da Luz B. Lobo; Rio de Janeiro. RJ
64; Beatriz Ferreira Lessa; Rio de Janeiro
65; Beatriz P. S. Junqueira (Bia Junqueira); Rio de Janeiro
66; Beatriz Pinheiro de Andrade; Rio de janeiro/ RJ
67; Beatriz Sion; RJ
68; Berenice Xavier; Rio de Janeiro - RJ
69; Bernardo Curvelano Freire; Rio de Janeiro
70; bernardo mortimer; rio de janeiro/rj
71; Bernardo Sorj ; RJ
72; Bianca De Felippes; Rio De Janeiro
73; Brígida Moreira; Rio de Janeiro/RJ
74; Caio Mario Mutz; Rio de Janeiro - RJ
75; Camila Lucciola; Rio de janeiro-RJ
76; Carla Branco; Rio de Janeiro
77; Carla Camurati; Rj
78; Carla Faour; RJ
79; carla guagliardi; Rio de Janeiro
80; Carlos (Cacá) de Carvalho; Rio de Janeiro/RJ
81; Carlos Alberto de Mattos; Rio de Janeiro / RJ
82; Carlos Diegues; Rio de Janeiro
83; Carlos Eduardo Alvarenga Bezerra; Rio de Janeiro / RJ
84; Carlos Guimaraes; Rio de Janeiro
85; Carlos Henrique Juvêncio; Rio de Janeiro / RJ
86; Carlos Leonam; Rio
87; Carlos Maximiano Mafra De Laet; RIO DE JANEIRO
88; Carlos Townsend; Rio de Janeiro
89; Carmen Gonçalves Mangabeira; Rio de Janeiro/RJ
90; carmen luz; rio de janeiro
91; Carolina Sporleder Cortes; rio de janeiro
92; Cassia Maria Franco Arcoverde; Brasília/DF
93; Cecilia Modesto; rio de janeiro
94; Cecy Castro; Rio de Janeiro
95; Cesar Augusto de Macedo; RJ
96; César Balbi; Rio de Janeiro
97; Cesar Coelho; Rio de Janeiro
98; Charles Rossi; RIO DE JANEIRO
99; Cheyenne Pereira de Souza Melo; Rio de Janeiro
100; Chica Granchi; Rio de Janeiro
101; Clara Medeiros; Rio de Janeiro -RJ
102; Clarissa de C. H. Pimentel; Niterói / RJ
103; Clarissa Oliveira Nanchery; Niterói/ RJ
104; Clarisse Bokel Da Motta; RIO DE JANEIRO
105; Claudia Costin; Rio de Janeiro
106; Claudia Oliveira; Rio de Janeiro
107; Claudia Rocha de Almeida; Niteroi / RJ
108; Claudia Saldanha; Rio de Janeiro
109; Claudio Botelho; Rio de Janeiro
110; claudio coutinho; rio de janeiro/rj
111; Claudio Luiz Nogueira; Rio de Janeiro/RJ
112; Conceição Diniz; RJ
113; Concyr Formiga Bernardes; Rio de janeiro/RJ
114; Cristiane Maria Pinto Tavares ; Rio de Janeiro
115; Cristina Adam Salgado Guimarães (Cristina salgado); Rio de Janeiro
116; cristina bokel becker; rio de janeiro - rj
117; Cristina Felix; Rio de Janeira
118; Dado Amaral; Rio de Janeiro - RJ
119; Daisy Cabral Nogueira; Rio de Janeiro
120; Dalal Achcar; Rio de Janeiro
121; Daniel Becker; Rio de Janeiro RJ
122; daniel luz; rio de janeiro / RJ
123; Daniel Plá; Rio
124; Daniel Senise; Rio de Janeiro RJ
125; Daniel Zandonadi; Rio de Janeiro / RJ
126; Daniela Beigler; Rio de Janeiro/RJ
127; Daniela Gueiros; Rj
128; Daniela Mattos; Rio de Janeiro
129; Danielle Lacerda Reimao; Rio de Janeiro
130; Danillo Padua; Rio de Janeiro
131; danuzza sartori; rio de janeiro
132; David Zylbersztajn; Rio de Janeiro/RJ
133; Delphine Cordelia Fourneau De Mello Mourão; Rio de Janeiro RJ
134; Denise Mattar; Rio de Janeiro RJ
135; Denise Trindade; RJ
136; Diler Trindade; Rio de Janeiro / RJ
137; Domingos José Soares de Oliveira; RJ
138; Dora Pellegrino; Rio de Janeiro-RJ
139; Dora Silveira; niterói
140; Dr.Ricardo Barradas avaliadordearte; Rio de Janeiro - RJ - Brasil
141; Edson Luiz de Paula Pinto; RJ
142; eduardo ainbinder; rio de janeiro
143; Eduardo Amado; Rio de Janeiro
144; Eduardo Coimbra Simões; Rio de Janeiro
145; Eduardo Coimbra Simões ; Rio de Janeiro
146; Eduardo Rieche; Rio de Janeiro
147; Eduardo Roly; RJ
148; Elano Junior; Rio de Janeiro/RJ
149; Eleazar de Carvalho Filho; Rio de janeiro
150; Elena Guimarães; Petrópolis
151; Eliane Baptista de Souza; Rio de Janeiro/RJ
152; Elisabete Fidelis; Rio de janeiro
153; Elizabeth Jobim; Rio de Janeiro - RJ
154; Ellen Cristina Mendes Conceição; Rio de Janeiro
155; Emanuel De Melo Vieira; rio de janeiro
156; Emmanuelle Boudier; Rio de Janeiro/RJ
157; Erika Riba; rio de janeiro/RJ
158; ernesto neto; rio de janeiro
159; Estevão Ciavatta; Rio de Janeiro - RJ
160; Eva Doris Rosental; rio de janeiro
161; evangelina; rio de janeiro
162; Everardo Miranda; Rio de Janeiro
163; fabiana éboli santos; rio de janeiro rj
164; Fábio Freitas Buechem; Rio de Janeiro/RJ
165; Fabio Melo; Uppsala / Suécia
166; Fátima Araújo; rio de janeiro
167; Fatima Cristina Gonçalves; Niterói/RJ
168; fatima santiago; rj
169; Fátima Valença; Rio de Janeiro - RJ
170; Felipe Abdala; Rio de Janeiro / RJ
171; Felipe Augusto Dias; Rio de Janeiro/RJ
172; Fernanda Abreu; Rio de Janeiro
173; Fernanda Carvalho; Sao Paulo
174; fernanda Duclos Carisio; Rio de Janeiro - RJ
175; Fernanda torres; Rio de janeiro
176; Fernando Benites Molinari; Rio de JaneiroJ/RJ
177; Fernando Tranjan; Rio de Janeiro
178; flavia torres; Rio de Janeiro
179; flávio Ramos Tambellini; rio de Janeiro/RJ
180; francisco fabiano neto; Rio deJaneiro-RJ
181; Francisco Fortunato Montenegro Moreira; Rio de Janeiro/RJ
182; Francisco Saboya; RECIFE-PE
183; Franz Manata; Rio de Janeiro - RJ
184; Gabriel Rebello Esteves Areal; Rio de Janeiro/RJ
185; Gabriela Alcofra; Rio de Janeiro
186; Gabriela Dias Bevilacqua; Rio de Janeiro
187; Gabriela Fróes; RJ/RJ
188; Gabriele Ilse Leib; Rio de Janeiro - RJ
189; Gamaliel Borges Carreiro; Rio de Janeiro
190; gilberto leal; rio de janeiro
191; Gisele Mendonça do Nascimento; Rio de Janeiro / RJ
192; gleicel lemos; Rio de Janeiro
193; glicia de figueiredo; rio de janeiro
194; Gloria Blauth; Niterói - RJ
195; Gloria Calvente; Rio de Janeiro/ RJ
196; Gloria Ferreira; RJ
197; Glória Moog; RJ
198; Gloria Regina Salles de Oliveira; Niteroi
199; Guilherme de Souza Coelho Turqueto; Rio de Janeiro / RJ
200; Guilherme Fiuza; Rio de Janeiro - RJ
201; Gustavo Ariani; Rio de Janeiro
202; Gustavo da Rocha Lima; Rio de Janeiro/RJ
203; Hariom Porto Da Silveira Cavalcante; NITERÓI/RJ
204; Haroldo Costa; Rio de Janeiro / RJ
205; Helena Mourão; Belo Horizonte
206; Helena Vieira; Rio de Janeiro
207; Heloisa Buarque de Hollanda; RJ
208; Herbert Hasselmann; Rio de Janeiro
209; humberto leon baranek; rio de janeiro / RJ
210; Ida Vicenzia; RIO DE JANEIRO / RJ
211; Ilana Strozenberg; Rio deJaneiro
212; Inez Schachter - Pauta Produções; Rio de Janeiro
213; Irineu R. Frare; Rio de Janeiro / RJ
214; isabela santiago; rio de janeiro/rj
215; Isabele Delgado; Rio de Janeiro
216; Isis Proenca; rio
217; Ismael Batista de Oliveira; Duque de Caxias
218; Ivan Sugahara Pinheiro; Rio de Janeiro / RJ
219; Ivana Menna Barreto; Rio de Janeiro - RJ
220; jaíra josé farias; Rio de Janeiro - RJ
221; Janderson Carreiro Vilar; RJ/Rio de Janeiro
222; Janilza Borges Carreiro Vilar; São Gonçalo/Rio de Janeiro
223; Janine Carreiro Vilar; Itaborai/Rio de Janeiro
224; Jaqueline Vojta; Rio de Janeiro
225; Jeronymo Machado; RIO DE JANEIRO
226; Joana da Costa Martins Monteiro; Rio de Janeiro/RJ
227; Joana Stallivieri Neves; Rio de Janeiro/ RJ
228; João César Lima; Rio de Janeiro
229; Joao Fernando Moura Viana; rio de janeiro
230; João Guilherme Ripper; Rio de Janeiro/RJ
231; João Jardim; rio de janeiro
232; João Luiz Vieira; Rio de Janeiro
233; João Mauro Fonseca Senise; Rio de Janeiro - RJ
234; João Modé; Rio de Janeiro/RJ
235; Joao Paulo Tavares Coelho de Freitas ; Rio de Janeiro - RJ
236; João Vargas Penna; Rio de Janeiro
237; João Viotti Saldanha; Rio de Janeiro/RJ
238; Joaquim Assis; Rio de Janeiro - RJ
239; Joelson Gusson; Rio de Janeiro/RJ
240; Jorge Gustavo de Figueiredo Ciríaco; Rio de Janeiro
241; Jorge José Lopes Machado Ramos; Miguel Pereira - Rio de Janeiro
242; Jorge Luiz José Maria (DJ Jorge Lz); Rio de Janeiro
243; Jorge Maranhão; Rio de Janeiro/RJ
244; Jorge Vellos Borges Leão Teixeira - Barrão; Rio de Janeiro, RJ
245; Jorge ZLM Ramos; Rio de Janeiro/RJ
246; José AntonioAmeijeiras; Rio RJ
247; José Augusto Nepomuceno; Rio de Janeiro / RG
248; José Barros; Rio de Janeiro, RJ
249; José Damasceno; Rio de janeiro RJ
250; José Eduardo Castello Branco; Rio de Janeiro - RJ
251; José Emilio Rondeau; Rio de Janeiro - RJ
252; José Luiz Rinaldi; Rio de Janeiro
253; José Maria Rendeiro Correa Braga; Rio de Janeiro
254; Jose Reimao; Rio de Janeiro
255; José Roberto Afonso; Rio de Janeiro
256; José Wenceslau Caminha Aguiar Junior; Belo Horizonte
257; Julia Levy; Rio de Janeiro/ RJ
258; Juliana Bernardo Dias; Rio de Janeiro
259; Juliana Carapeba; Rio de Janeiro
260; Julio Calasso Junior; São Paulo
261; Julio Césrar Barroso; Rio de Janeiro
262; katia adler; Rio de Janeiro
263; Katia Guimarães Prado de Souza; São Paulo -SP
264; Keyna Mendonça dos Santos Van de Beuque; Rio de Janeiro
265; Laura Ribeiro Ferreira; RJ
266; Laura Samy de Castro; Rio de Janeiro/RJ
267; Lauro Lima dos Santos Filho; Rio de Janeiro
268; Leandro Luiz De Maman; Miguel Pereira / RJ
269; Leandro Raphael; Rio de Janeiro
270; Leidiane Carvalho; Rio de Janeiro / RJ
271; Leo Ayres; Rio de Janeiro / RJ
272; Leonardo Capper; Rio de Janeiro
273; Leonardo Correa do Carmo; Rio de Janeiro
274; Leonardo Feijó Sampaio; Rio de Janeiro
275; Leonardo Ferreira Gomes dos Santos; rio de janeiro
276; Leonardo Hallal Carvalhal; Rio de Janeiro
277; Leonardo Machado; Rio de Janeiro - RJ
278; Leonardo Monteiro de Barros; Rio de Janeiro / RJ
279; Leonardo Rosendo da Silva; Rio de Janeiro - RJ
280; Leonor de Souza Azevedo; Rio de Janeiro
281; Leticia Monte; rio de janeiro
282; leticia tandeta; rj
283; Lianna Codina; Rio de Janeiro
284; Lica Cecato; Rio de Janeiro
285; Lilian Vaz; Rio de Janeiro
286; Luìs Henrique; Rio de Janeiro
287; Lucas Ciavatta; Rio de Janeiro / RJ
288; Lucas Santtana; rio de janeiro (RJ)
289; Lucia Helena Vidal Mutzenbecher; Rio de Janeiro
290; Lucia Nascimento; Rio de Janeiro
291; Lucia Prado; Rio de Janeiro
292; lucia seabra; são paulo
293; Luciana Gonçalves; Cabo Frio-RJ
294; Luciana Luz; Rio de Janeiro/ RJ
295; Lucio Edi Chaves; Rio de Janeiro/RJ
296; ludmila rosa; rj
297; Luis Marcelo Mendes de Siqueira; Rio de Janeiro
298; Luiz Antonio S. L. de Macedo Junior; Rio de Janeiro
299; luiz aquila; rio de janeiro rj
300; Luiz Camillo Osorio; Rio de Janeiro
301; Luiz Claudio Prezia de Paiva; Rio de Janeiro
302; Luiz Eduardo Indio da Costa; Rio de Janeiro
303; Luiz Fernando de Carvalho Bastos; Rio de Janeiro
304; Luiz Fernando Zugliani; Rio de Janeiro
305; Luiz Henrique Cal Gonçalez; Rio de Janeiro/ RJ
306; Luiz Stein; Rio de Janeiro
307; luiz zerbini; rio de janeiro RJ
308; Luiza Mello; Rio de Janeiro
309; Lygia Marina Pires de Moraes; Rio de Janeiro RJ
310; Madalena Vaz Pinto; Rio de Janeiro
311; Malu Galli; Rio de Janeiro. RJ
312; Manoel A. de Almeida e Silva; Rio de Janeiro, RJ
313; Manoela Gonçalves Ramos; Cabo Frio
314; Manuel Thedim; rio de janeiro / rj
315; Manuela Berardo; Rio/RJ
316; Marcela Levi; Rio de Janeiro
317; Marcelina Silva; Rio de Janeiro
318; Marcelo Zavareze; Rio de Janeiro
319; Marcia Casturino; rio de janeiro
320; Marcia dos Santos Mermelstein; Rio de Janeiro, RJ
321; Marcia Eltz; Niteroi RJ
322; Marcia Florencio; Rio de Janeiro
323; Marcia Rubin; Rio de Janeiro
324; Márcia Silveira Bibiani; RJ
325; Marcio Debellian; Rio de Janeiro
326; Marcondi Marques; Rio de Janeiro / RJ
327; Marcos André R. Carvalho; Rio de Janeiro
328; Marcos Guimarães Sanches; Rio de Janeiro - RJ
329; Marcos Paulo Passos; Rio de Janeiro
330; Marcos Tavares; Rio de Janeiro
331; Marcos Tenenbaum; Rio de Janeiro / RJ
332; Marcos Torres da Silva Junior; rio de janeiro
333; marcosmendonca; são paulo
334; Marcus Paullus Guimarães Passos; Rio de Janeiro/RJ
335; Maria Angela Pecego Caetano; Rio de Janeiro
336; maria christina monteiro de castro; rio de janeiro - RJ
337; maria da gloria afflalo; rio de janeiro
338; Maria Izabel da Silveira Lobo Magalhães de Oliveira; Rio de Janeiro
339; maria juçá guimarães; rio de janeiro
340; Maria Luisa Noronha Krahl; Rio de Janeiro
341; Maria Luiza Lessa; Rio de Janeiro
342; Maria Ramos; Cabo Frio
343; Maria Regina Sales; Rio de Janeiro
344; Maria Rosa Ferreira de Freitas; Rio de janeiro
345; maria silvia bastos marques; rio de janeiro/rj
346; Mariana Varzea; Rio
347; Marilda Samico ; RJ
348; marina cunha de magalhaes couto; rio de janeiro RJ
349; Mario Cunha; Rio de Janeiro
350; Marisa Guaranys; Rio de Janeiro
351; Marlene Nunes de Oliveira; Rio de Janeiro-RJ
352; Martha Pagy; Rio de Janeiro
353; matilde sliachticas; rio de janeiro
354; Maura Marzocchi; Rio de Janeiro- RJ
355; Mauricio Blanco Cossío; Rio de Janeiro/RJ
356; Mauricio Junqueira; Rio de Janeiro
357; Mauro Bandeira de Mello; Rio de Janeiro/RJ
358; Max Robert; Rio de Janeiro
359; Maysa Britto; Niterói/RJ
360; Melissa Abla; Rio de Janeiro
361; Mercedes Lachmann; RJ
362; Michel Melamed; Rio de Janeiro
363; Michele Barzilai; Petropolis - RJ
364; Micheline Torres; RJ
365; Miguel N.Foguel; Rio de Janeiro
366; Mila Chaseliov Pereira dos Santos; Rio de Janeiro / RJ
367; Mislene Viana; BM
368; Morena Paiva; Rio de Janeiro
369; Murilo Rocha; Rio de Janeiro / RJ
370; Myrthes Martins Ferreira; Rio de Janeiro
371; nadia basto; rio de janeiro
372; nelson krumholz; rio de janeiro rj
373; Nelson Motta; Rio de Janeiro
374; Nelson Ricardo Ferreira da Costa; Petrópolis
375; Ney Sant'Anna Pereira dos Santos; Rio de Janeiro
376; Nina Becker Nunes; Rio de Janeiro
377; Nirda Portella da Silva; Rio de Janeiro / RJ
378; Norbert Glatt; Rio de Janeiro / RJ
379; olga maria esteves campista; rio de janeiro
380; Oscar José; Rio de Janeiro
381; oscar felipe gonçalves; rio de janeiro
382; oseas brito; Rio de Janeiro
383; Osíris Pereira Melo; São Paulo- SP
384; Pablo Benetti; Rio de Janeiro
385; Pablo Martin Seddon Markwald; Rio de Janeiro/RJ
386; Pablo Matos; Rio de Janeiro /rj
387; Paolo Giordino; Rio de Janeiro
388; Patricia Amelia Tomei; rio de janeiro
389; Patricia Canetti; Rio de Janeiro / RJ
390; Patricia Chueke; Rio de Janeiro
391; Patrícia dos Santos Quintão; Rio de Janeiro
392; Patrícia Koslinski; Rio de Janeiro
393; Paula Azem; Rio de Janeiro
394; paula canella; RJ
395; Paula Faour de Oliveira Rocha; Rio de Janeiro
396; paulo albert weyland vieira; rio de janeiro - rio de janeiro
397; Paulo Bicalho; Rio de Janeiro / RJ
398; Paulo de Azambuja Rodrigues; Rio de Janeiro/RJ
399; paulo henrique cardoso; RJ
400; Paulo Henrique Siqueira Born; Rio de Janeiro/RJ
401; Paulo Manoel Lenz Cesar Protasio; Rio de Janeiro/ RJ
402; Paulo Pinheiro de Andrade; Rio de Janeiro, RJ
403; Paulo Sergio Duarte; Rio de Janeiro - RJ
404; Pedro Bulcão; Rio de Janeiro / RJ
405; Pedro Coelho Camará Martins; RIo de Janerio
406; Pedro Damasceno França; Rio de Janeiro / RJ
407; Pedro Köptcke Daudt de Lima Brandão; Belo Horizonte
408; Pedro Paulo Domingues; Rio de Janeiro
409; Pedro Saboya burgos; Rio de Janeiro/RJ
410; Pedro Victor Brandão; Rio de Janeiro
411; Perla Larsen; São Paulo
412; Priscila dos Santos Silva Marques; RJ
413; Priscilla Rozenbaum; RJ
414; Rachel Carneiro; RIO DE JANEIRO
415; rachel korman; rio de janeiro
416; Rafael Medeiros; RJ
417; Rafael Pinto Correia; Rio de Janeiro
418; Rafael Soares de Aquino; Rio de Janeiro, RJ
419; Ramon Mello; Rio de Janeiro
420; Raphael Alcides Cardoso da Silva; Niteroi / RJ
421; Raquel Amaral; RIO DE JANEIRO
422; Raquel Couto; Rio e Janeiro
423; Raul Mourão; Rio de Janeiro
424; Renata Monteiro de Souza; Rio de Janeiro
425; Renato Dantas; Rio de Janeiro
426; Renato Reder; Rio de Janeiro
427; Renée Amazonas Castelo Branco; Rio de janeiro
428; Reynaldo Mello; Rio de janeiro - RJ
429; Ribeiro artur; Rio de janeiro
430; ricardo de carvalho duarte; rio de janeiro
431; Ricardo Mendes P. de Vasconcellos; Rio de Janeiro / RJ
432; Ricardo Pessanha; Rio de JAneiro-RJ
433; Ricardo Schmitt Leal; Rio de Janeiro, RJ
434; Ricardo Simões; São Paulo
435; Ricardo Tacuchian; Rio de Janeiro, RJ
436; Rita de Cássia de Araújo Cunha; Niterói
437; Rita Mateus; Rio de Janeiro
438; Roberta da Cruz Vieira; Rio de Janeiro
439; Roberto Ainbinder; RJ
440; Roberto Cabot; Rio de Janeiro / RJ
441; Roberto Darze; Rio de Janeiro?RJ
442; Roberto Farias; Rio de Janeiro
443; Roberto Frota; rio de janeiro
444; Roberto Minczuk; Rio de Janeiro
445; Roberto Monsores; Mangaratiba
446; Rodrigo de Mello Vidal; Rio de Janeiro/RJ
447; Rodrigo Nunes; Rio de Janeiro
448; Ronaldo do Rego Macedo; Rio de Janeiro
449; Rosa Maria Barboza de Araujo; Rio de Janeiro / RJ
450; Rossine Antonio de Freitas; Rio de Janeiro
451; Rudi Rocha; Rio de Janeiro
452; Ruth Chindler; RIO DE JANEIRO
453; Sabrina Fidalgo; Rio de Janeiro
454; salvino jose de campos; rio de janeiro
455; Samuel SImões Oliveira Franco; Rio de Janeiro/ RJ
456; Sandra Maria Carreira Polónia Rios; Rio de Janeiro/RJ
457; Sandra Schechtman; Rio de Janeiro
458; Sergio Cavina Boanada; Rio de Janeiro
459; Sergio Laks; Rio de Janeiro/RJ
460; Sérgio Sá Leitão; Rio de Janeiro/RJ
461; sergio vilar lindemann; Rio de Janeiro
462; Sergio Voronoff; Rio de Janeiro/RJ
463; severo augusto fontes neves; belo horizonte
464; Silvia Fucs; Rio de Janeiro/RJ
465; Silvio Viegas; Rio de Janeiro
466; Simon Schwartzman; Rio de Janeiro
467; Simone Guimaraes; Rio de Janeiro
468; Simone Michelin; Rio de Janeiro
469; Sophie Bernard; Rio de Janeiro, RJ
470; soraia jorge; Rio de Janeiro / RJ
471; Suzan Guimarães Prado de Souza; São Paulo
472; Suzana Machado D'Oliveira; Rio de Janeiro, RJ
473; Suzana Villas Boas; São Paulo
474; Tainá Martins da Costa Gonçalves; Rio de Janeiro
475; Tania Andrade; Rio de Janeiro
476; Tania de Queiroz Grillo; Rio de Janeiro
477; Tatiana Vereza; RJ
478; Tatiana Vieira Assumpção Richard; Niterói/Rj
479; Teresa Karabtchevsky; RJ
480; Teresa Souza; Rio de Janeiro
481; Thabata Fernanda ; Cabo Frio
482; Thalis Guedes ; Cabo Frio
483; Thelma Maria Albuquerque Ono; Rio de Janeiro
484; Thereza Magalhaes; Rio de Janeiro
485; Tiago Baltar Simões; Rio de Janeiro
486; Tony Piccolo; Rio de Janeiro / RJ
487; Vandre Brilhante; Rio de janeiro
488; Vanessa Rosa; Rio de Janeiro
489; Vania Gomes Ferreira; Rio de Janeiro - RJ
490; Vania Petrucia Oliveira da Silva; Duque de Caxias
491; vera saboya ribeiro dos santos; rio de janeiro
492; Verônica Oliveira da Cunha; Rio de Janeiro
493; Vicente Bastos Ribeiro; Rio de Janeiro RJ
494; vicente viola ( vicente estevam); rio de janeiro
495; Victor D`Almeida ; Rio de Janeiro /RJ
496; viviane matesco; RJ
497; Wagner Oliveira Mattos; Niteroi-RJ
498; Walter Stephan Riedweg; Rio de Janeiro
499; Wellington Luiz Teles Ferreira da Silva; Rio de Janeiro
500; Ynaiá Dawson; Rio de Janeiro - RJ

Posted by Patricia Canetti at 9:50 AM

Participação brasileira na Bienal de Veneza está em risco por Maurício Moraes, Folha de S. Paulo

Matéria de Maurício Moraes originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha de S. Paulo, em 24 de abril de 2009

Afundada em dívidas e em uma crise política, Fundação Bienal ainda não garantiu produção da tradicional mostra que acontece a partir de junho na Itália

O vazio que marcou a última edição da Bienal de São Paulo pode chegar ao pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, o evento mais importante das artes plásticas no mundo. Até o momento, a Fundação Bienal não garante a produção da mostra, orçada em R$ 350 mil. Afundada em dívidas que ultrapassam R$ 4 milhões e em meio a uma crise política, a instituição pode esvaziar a representação artística e do Estado brasileiro em Veneza, já que o pavilhão é considerado território diplomático do país.

Para levantar fundos, a Bienal entrou às pressas com pedido no Ministério da Cultura para captação de recursos via lei Rouanet, mas não deve haver tempo hábil para os trâmites.

"Não aparecer em Veneza é lamentável, uma perda incrível para o circuito brasileiro", diz Ivo Mesquita, curador da representação brasileira e responsável pela última edição da Bienal de São Paulo. "Os reis escandinavos, por exemplo, vão representar seus países. É um dano na imagem do Brasil."

Os artistas selecionados para o pavilhão brasileiro são o fotógrafo paraense Luiz Braga e o pintor alagoano Delson Uchôa. Ambos seguem produzindo normalmente, apesar da incerteza sobre a mostra.

Segundo apurou a Folha, a Fundação Bienal protocolou em 17 de março um projeto de captação de fundos via lei Rouanet para custeio da representação brasileira em Veneza. O pedido está sob analise técnica e, na melhor das hipóteses, poderá ser votado apenas em maio, quando acontece a próxima reunião do Conselho Nacional de Incentivo à Cultura.

Somente a partir daí, a fundação estaria apta a buscar um patrocinador e fazer a captação. As obras, no entanto, deveriam ser despachadas no dia 5 de maio, para a produção da mostra, que será inaugurada no dia 7 de junho.

Sem decisão

O presidente da Fundação Bienal, Manoel Pires da Costa, que deve deixar o cargo em breve, reconhece que "por enquanto não há nenhuma decisão" sobre o pavilhão do Brasil em Veneza. "Não posso tomar a decisão do próximo presidente", esquiva-se. A Bienal procura há cinco meses um novo nome para substituir Pires da Costa, que está à frente da fundação há três mandatos.

O mais cotado para assumir é Andrea Matarazzo, secretário paulistano das Subprefeituras. Segundo o presidente do conselho da fundação, o arquiteto Miguel Alves Pereira "o Manoel [Pires da Costa] já não decide mais nada". Ele crê que haverá representação, mas não dá garantias nem sabe de onde poderia vir o dinheiro.

O Itamaraty, responsável pela manutenção do pavilhão do Brasil em Veneza, disse por meio de sua assessoria que trabalha com a possibilidade da representação brasileira.

Em nota, o Ministério da Cultura diz que desde outubro "vem buscando o entendimento com as instituições brasileiras e italianas para resolver esta situação extremamente delicada que se abriu com a crise administrativa da Fundação Bienal de São Paulo e o vazio institucional então decorrente". Segundo o comunicado, o ministério "não pode resolver de forma unilateral a questão, nem substituir administrativamente a instituição responsável".

Posted by Patricia Canetti at 9:01 AM | Comentários (4)

Debate da Folha sobre reforma da Lei Rouanet: Ferreira e Sayad polarizam debate, Folha de S. Paulo

Matéria publicada originalmente no jornal Folha de S. Paulo, em 4 de abril de 2009

Ferreira e Sayad polarizam debate

Em evento na Folha, ministro da Cultura e secretário de Estado de SP defendem visões opostas sobre a Lei Rouanet Sayad classifica de inoportuna proposta do governo para mudar a lei; ministro diz que imobilismo teria efeito "nefasto"

DICA CANAL: procure por Lei Rouanet no www.youtube.com e veja trechos do debate.

"Fiz uma verdadeira ioga durante sua fala, para ficar calado. É preciso fazer esse esforço."
Assim, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, desautorizou um aparte do diretor da Apetesp (Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de SP), Paulo Pélico, cujas críticas Ferreira replicava.

Era um entre os muitos momentos de exaltação -e alguma comicidade- produzidos pelo embate de visões antagônicas sobre a proposta do MinC (Ministério da Cultura) para reformular a Lei Rouanet, em evento promovido pela Folha, na noite de quinta, em SP.

A lei canaliza cerca de R$ 1 bilhão por ano para a produção cultural, por meio de renúncia fiscal. Mediado pelo editor da Ilustrada, Marcos Augusto Gonçalves, o debate entre Ferreira, Pélico, o secretário de Estado da Cultura de SP, João Sayad, o superintendente de Atividades Culturais do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, e o consultor de patrocínio empresarial, diretor-geral da Significa e da Articultura, Yacoff Sarkovas, levou três horas e teve acalorada reação da plateia.

No centro do duelo entre Ferreira e Pélico estava o bumba-meu-boi, manifestação de arte popular, tomada como símbolo das distintas opiniões sobre a função da Lei Rouanet no financiamento da cultura.

"Não podemos demonizar o incentivo fiscal porque o bumba-meu-boi está sem apoio", disse Pélico, sobre análise de Ferreira de que, nos moldes atuais, a Lei Rouanet concentra recursos em projetos do Sudeste e em artistas consagrados.

"[Citar dessa forma o] Bumba-meu-boi é uma discussão pejorativa. Vocês vão acabar atraindo a antipatia do Brasil para São Paulo", reagiu Ferreira. O ministro disse que "quem tem acesso [à lei] evidentemente não quer perdê-lo. Não quer ter critério público. Não quer critério nenhum" e seguiu: "Qualquer brasileiro tem direito de acesso à cultura. Todos os brasileiros, inclusive os do Piauí", no que foi aplaudido.

Mas a plateia aplaudiu e gritou "bravo!" também quando Sayad expressou sua visão, contrária à reforma da lei, e questionou o senso de oportunidade do MinC ao sugerir a mudança. O secretário paulista polarizou o debate com o ministro.

"No momento em que temos expectativa de redução brutal do lucro das empresas, vamos adicionar uma incerteza a um setor com uma infinidade de pessoas? Elas vão ter que, além de viver a crise, viver uma mudança não conhecida na Lei Rouanet? Discordamos do projeto de lei. Achamos que é dirigista. Discordamos sobre a oportunidade e discordamos da estratégia [do MinC] para a cultura", afirmou Sayad.

A aura de insegurança que toma parte do setor cultural em relação ao projeto não escapou ao ministro. "É o velho medo. Nada de medo. Diante do medo, devemos ter compaixão e solidariedade. Mas, diante da mistificação para gerar medo, não tenho nenhum respeito".

Para reduzir temores de que a reforma leve à redução de recursos para os produtores culturais e ao aumento do financiamento de projetos governamentais, o ministro se comprometeu a alterar o projeto:

"Vamos deixar claro que, através do Fundo [Nacional de Cultura] não haverá captação nem para o governo federal, nem os estaduais, nem os municipais. Vamos nos comprometer agora com isso".
Além da defesa da reforma da lei (por Ferreira) e da avaliação de que ela é desnecessária (por Sayad), uma terceira opinião despontou no debate, com Sarkovas: "Acho que as leis de incentivo deveriam ser extintas, porque elas têm problemas estruturais impossíveis de ser corrigidos com ajustes". Para ele, é preciso estimular o mercado e deixar ao Estado a tarefa de investir de acordo com uma política cultural pública.

A seguir, os principais trechos do debate, cuja íntegra está disponível no endereço: www.folha.com.br/090931.

DIRIGISMO
Juca Ferreira - Na segunda etapa [do funcionamento da lei] tem dirigismo. Quem, em última instância, define o que é meritório para receber esses recursos são os departamentos de marketing das empresas. O Estado faz dirigismo. E o mercado faz dirigismo. Basta que a sociedade permita que o Estado faça dirigismo e que o mercado faça dirigismo.

João Sayad - Na medida em que existe grande propósito de aumentar recursos do Fundo Nacional de Cultura, em detrimento dos outros, e intenção legítima do ministério de ter mais poder de decisão dos recursos destinados à cultura, não há nada de errado, mas é efetivamente modificação discricionária.
Yacoff Sarkovas - Quem não teme dirigismo, censura, apadrinhamento? Estabelecer critério público não pode ser, a priori, chamado de dirigismo. Temos herança de um Estado corrupto, apadrinhador de interesses de pequenos grupos. É difícil aceitar a ideia de que recursos possam ser distribuídos com lisura na esfera pública. Ou a gente desiste da república ou enfrenta essa questão.

Paulo Pélico - Ao transferir para um decreto todos os poderes para montar as regras que iriam nortear esse processo [de seleção de projetos na Lei Rouanet], [o governo] cria grande brecha para o dirigismo cultural. Em mãos erradas, isso pode ser instrumento poderoso do alinhamento político e ideológico, na lógica do torrão de açúcar. Temos que nos precaver para que isso não venha a acontecer. Se tem que entrar no mérito [artístico dos projetos aspirantes ao patrocínio], de que jeito e para quem?

VERBA CONCENTRADA
Ferreira - Aponto como uma dificuldade que nem todos os produtores culturais, independentemente de onde estão localizados territorialmente têm acesso à renúncia fiscal em todo o território nacional. Temos concentração em certas regiões. Mas é falso chamar essa discussão para uma discussão puramente territorial. A desigualdade de acesso à cultura é enorme e boa parte da população está alijada.

Sayad - As informações que o senhor [Ferreira] apresenta sobre concentração [de recursos da Lei Rouanet] misturam muitas coisas e não são um diagnóstico correto. Já se confunde proponente [de projeto cultural] com artista. Não concordo com suas análises sobre a concentração. A arte paulista só é acessível aos paulistas? Se o proponente é a Natura ou o Itaú Cultural não quer dizer que ele vai financiar um artista só ou um artista da região Sudeste. Há confusão [de conceitos] sobre artista local e bem estadual. Se a Natura ou o Bradesco financiarem a Ivete Sangalo, onde o sr. vai colocar esse resultado? Se for um artista baiano, nós, paulistas, poderemos ouvi-lo? Esses índices são problemáticos. Não indicam a concentração que o sr. gostaria de apontar na lei.

Eduardo Saron - Faltam instrumentos que possam medir o impacto [da Lei Rouanet] na economia da cultura. Me parece fundamental que o ministério tenha um organismo nesse campo. Cada real empregado na cultura quanto gera na cadeia produtiva brasileira? Os dados são ainda muito pontuais e restritos a um universo. Temos que avançar nesse sentido, para ter ideias mais precisas sobre as injeções de verba na cultura. O desequilíbrio precisa ser equalizado não pela diminuição do mecenato.

A (NÃO) MUDANÇA
Sayad - A opinião pública, irritada com o governo, com os bancos, confunde os financiadores da cultura com os bancos ou as empresas associadas a ele. A lei de renúncia fiscal, do ponto de vista político pode ser facilmente criticada, como o caso do Cirque du Soleil [autorizado a captar R$ 9,4 milhões]. Esses erros, que ocorreram há muito tempo, não requerem mudança da lei, mas mudança do gerenciamento da lei, que está congestionada, como o sr. reconhece.

Ferreira - Assumam a responsabilidade sobre essa proposta, porque ela tem consequência desastrosa para a área cultural. Estamos vivendo uma dificuldade objetiva, que é a crise econômica que chegou ao Brasil. Desde outubro passado há retração de adesão à Lei Rouanet. As empresas recuaram. Essa proposta imobilista é nefasta. Dá aparente segurança, mas é o desastre da área cultural. É um erro, e eu estou denunciando aqui.

A FAVOR
A atriz Maria Alice Vergueiro, 74, concorda com o ministro Juca Ferreira: "A lei beneficia um círculo vicioso das empresas, que usam a verba para projetar a sua imagem. O resultado são produções raquíticas, que ficam apenas dois meses em cartaz, enquanto peças experimentais e grupos que fazem pesquisa não têm vez", disse. "E foi pejorativo o que se falou sobre o Bumba Meu Boi. Sinto-me uma Bumba Minha Vaca, pois não tenho oportunidade."

CONTRA
Para o ator e produtor Odilon Wagner, 54, há uma má gestão do Fundo Nacional de Cultura (FNC) e o ministro tem confrontado "os setores da cultura entre si, enquanto o confronto deveria ser com os ministérios da Fazenda e do Planejamento para obter orçamento maior". Já a atriz Beatriz Segall, 82, disse que há, sim, dirigismo nas propostas de mudança. "Como ele pode propor transparência se ele mesmo não aceita o diálogo e não aceita as críticas?"

Posted by Patricia Canetti at 8:51 AM

Em entrevista, Temporão defende a criação das fundações estatais por Luciana Abade, Jornal do Brasil

Em entrevista, Temporão defende a criação das fundações estatais

Matéria de Luciana Abade publicada originalmente em País no Jornal do Brasil, em 22 de março de 2009

BRASÍLIA - Está pronto para ser votado em plenário o Projeto de Lei Complementar 92/07, que cria as fundações estatais de direito privado. De autoria do Poder Executivo, a proposta possibilita a criação de instituições nos âmbitos federal, estadual e municipal que possam concorrer com a iniciativa privada nas áreas de saúde, assistência social, cultura, esporte, ciência e tecnologia, meio ambiente, comunicação social, turismo e previdência complementar do serviço público. Do ponto de vista jurídico, a principal novidade é que esses órgãos terão personalidade jurídica de direito privado.

Na última quinta-feira, os ministros da Saúde, José Gomes Temporão, da Educação, Fernando Haddad, do Turismo, Luiz Barretto e da Cultura, Juca Ferreira foram à Câmara dos Deputados pedirem prioridade na aprovação do projeto. O presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), garantiu que se o Supremo Tribunal Federal (STF) acatar seu pedido para que as medidas provisórias não tranquem, necessariamente, a pauta, a votação do projeto será breve.

O Ministério do Planejamento coordena a discussão do PL desde 2005 sob a alegação de que o novo modelo vai dotar o governo de agilidade porque a atual estrutura do serviço público conta com uma série de entidades, como as autarquias, que não possuem autonomia orçamentária. O projeto original recebeu substitutivo nas comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público; e Constituição e Justiça e Cidadania da Câmara que torna obrigatória a realização de concursos públicos para os quadros de funcionários.

O projeto é polêmico porque muitos o veem como a privatização dos serviços públicos. Na saúde, a proposta divide opiniões. Os profissionais da área não recebem de bom grado a possibilidade de serem contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Temporão garantiu que esse é um temor equivocado e que a população só tem a ganhar com um sistema que prezará pelas “competência dos gestores”, que serão responsabilizados pelas suas ações, ao contrário do que ocorre atualmente.

Quais as vantagens que as fundações podem trazer para o sistema de saúde pública brasileiro?

É uma mudança radical de paradigma da gestão, no meu caso, de hospitais. Você hoje tem o modelo de administração dos hospitais públicos no Brasil que continuam baseados em princípios da administração pública de 40, 50 anos atrás. Não houve nenhum tipo de atualização. Em alguns países do mundo como Inglaterra, Espanha e Portugal os governos testaram e adotaram modelos alternativos. Muitos países estabeleceram parcerias público privadas, outros encaminharam pelos caminhos da privatização, da terceirização e nós optamos por um caminho diferente, buscar dentro da estrutura do Estado, um modelo que fosse mais flexível no sentido da datação e remuneração dos profissionais de saúde, um modelo que profissionalize a gestão. Os gestores dessas unidades terão que ter qualificação para exercer essa função. E um modelo que inove também atuando com base em contratualização. Com estabelecimento de metas, indicadores de desempenho. Essa é a essência da proposta.

As fundações representam a privatização do serviço público de saúde?

Ao contrário do que alguns críticos dizem, não há nada de privatização nisso. A fundação é estatal, então ela pertence ao Estado, o orçamento vai estar no SIAF (Sistema Integrado de Administração Financeira), ela será controlada por órgãos como TCU (Tribunal de Contas da União), CGU (Controladoria-Geral da União). Mas as regras de contratação do seus funcionários passam a ser regidas pelos direito privado, ou seja CLT.

Os funcionários da saúde criticam o novo modelo porque ele põe fim a estabilidade proporcionada pelo regime jurídico único do servidor público?

Provavelmente. Mas me parece que é uma crítica descabida. Hoje grande parte do funcionamento do sistema único de saúde se dá com base em hospitais filantrópicos, conveniados todas as relações contratuais dos profissionais são distintas do RJU. Nós temos vários exemplos de hospitais públicos de qualidade como o instituto do coração em São Paulo, ou a Rede Sarah onde os médicos e enfermeiros trabalham regidos pela CLT e eu não conheço nenhum indício de que esse serviço tenha algum tipo de desempenho aquém ou de pior qualidade do que o hospital público padrão. Exatamente o contrário. Onde nós percebemos mudanças de modelo e introdução de novos mecanismos que exigência de desempenho, pagando melhor a quem produz mais, introduzindo critérios de monitoramento desse desempenho, é onde a população reconhece uma medicina e um atendimento de melhor qualidade.

Como ficará a situação dos atuais funcionários caso os hospitais em que trabalham migrem para o novo modelo?

Você vai ter uma carreira em extinção, composta pelos atuais servidores e uma nova carreira através de concurso público. Os que migrarem poderão receber uma complementação salarial dentro desse novo modelo. Os salários serão aumentados através de um cumprimento de jornadas e uma série e de indicadores.

Como será feito o repasse de recursos?

Por meio de um contrato de gestão. E isso é uma grande mudança. Hoje os hospitais públicos já tem o orçamento pré-definido, trabalhem bem, funcionem bem ou funcionem mal, o mesmo dinheiro vai para lá. Agora você vai fazer uma contratualização com essa fundação. Ela vai ser obrigada a dizer para o governo o que ela vai fazer. Quantas atividades, quais as atividades, com que qualidade, se vai fazer atividades de pesquisa, de formação de recursos humanos e ela vai ser obrigada a prestar contas dos recursos que ela vai receber para desenvolver essas atividades. Além disso, nós vamos ter o conselho de gestão e nós podemos até inovar. Esse conselho pode ter participação dos funcionários, do governo, dos usuários. Enfim, é um modelo muito mais transparente e, com certeza, muito mais eficiente.

O que acontecerá se os gestores não atingirem as metas?

Com certeza vamos introduzir punições. A visão hoje é que nada acontece. Se o hospital funciona bem ou funciona mal, nada acontece com os diretores e com os profissionais. Essa é a mudança importante. A partir de agora, o grau de responsabilização dos gestores e dos funcionários muda radicalmente. Eles assumem o compromisso de cumprir metas e hoje nada disso existe. Se o hospital público hoje deixar de fazer exame, se o equipamento quebrou e ele não cumpriu determinadas demandas da população, a pessoa pode até reclamar, a imprensa denuncia e tudo continua na mesma. Esse modelo que nós estamos propondo muda essas relações e a cultura institucional, essa é a questão central porque hoje a cultura institucional é uma cultura de apatia, de resignação. É um pouco assim: o governo finge que me paga e eu finjo que trabalho. É isso que queremos romper. É uma coisa lamentável, mas é isso que acontece hoje cotidianamente na maioria dos hospitais públicos brasileiros.

Como será feita a escolha dos gestores?

Por currículo, competência, cursos de especialização em gestão. Terá que ser especialista em administração hospital. E aí a gente vai superar também muitas vezes o fisiologismo e indicações que nada tem a ver com a finalidade da sociedade. Nós vamos privilegiar o mérito, a capacidade e a competência.

Se o PL for aprovado, como será feita a transferência dos hospitais paras as fundações?

Para cada nova fundação a ser proposta nós temos que ter um projeto de lei específico. Esse projeto de lei aprovado passa a autorizar a existência de fundações estatais. Para cada fundação estatal que a União, se for o caso, quiser criar, terá que ter um projeto de lei. O MEC, por exemplo, tem 48 hospitais universitários, então, em princípio, serão 48 projetos de lei. Eu tenho vários hospitais no Rio e mais um em Porto Alegre. Eu vou ter que encaminhar projetos de lei específicos para o Congresso Nacional. No caso de governadores e prefeitos, essas propostas também deverão ser aprovadas pelas câmara legislativas e de vereadores.

Então o processo não é possível a curto prazo?

O importante é que esse ano nós aprovemos esse projeto de lei no Congresso. Essa aprovação vai sinalizar para todo o país a possibilidade de que os governos de todos os estados e as prefeituras que administram hospitais de médio e grande porte possam aderir imediatamente e entrar nesse processo e, no caso do governo federal, o problema é meu e do MEC, por causa da administração dos hospitais universitários e o ministério da saúde tem uma rede própria no rio de janeiro e no rio grande do sul. Mas quero chamar atenção que alguns governos já tomaram iniciativas próprias adotadas por leis estaduais, como Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Sergipe.

Qual a principal diferença entre as fundações propostas e o modelo adotado por São Paulo de organizações sociais?

As organizações sociais são entidades privadas, que passam a ser gerenciadas por instituições privadas e estabelecem também um contrato de gestão com o estado. A filosofia é muito parecida. Mas o modelo jurídico-institucional é bastante distinto. O modelo que nós estamos propondo é um modelo público, embora gerido pelo direito privado. Já as organizações sociais são entidades privadas que fazem um contrato com o estado.

O novo modelo resolverá os problemas da saúde pública no Brasil?

Seria muita pretensão que nós pudéssemos mudar a saúde pública num passe de mágicas, mas, com certeza, o padrão de funcionamento dos hospitais públicos que migrem para o novo modelo, vai mudar radicalmente.

Posted by Patricia Canetti at 8:45 AM