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Como atiçar a brasa

 


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julho 4, 2011

Performance em alto-mar por Nina Gazire, Istoé

Performance em alto-mar

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada no caderno Cultura da revista Istoé em 1 de julho de 2011.

Com exposições em Fortaleza e São Paulo, a artista pernambucana Amanda Melo apresenta sua visão do litoral brasileiro

AMANDA MELO - ÁGUA VIVA/ Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza/ até 31/7 ESPLENDOR/ Galeria Moura Marsiaj, SP/ até 30/7

No livro “Água Viva”, publicado em 1971, a escritora Clarice Lispector se queixou sobre essa restrição que temos em vida de “não podermos andar nus nem de corpo e nem de espírito”. Clarice sugere que sejamos como a água, fluida e transparente, e é a partir desse preceito que a artista pernambucana Amanda Melo vem realizando uma série de ações performáticas que têm como pano de fundo as diferentes paisagens litorâneas brasileiras.

O resultado desta navegação artística pode ser conferido em duas exposições simultâneas em cartaz na Galeria Moura Marsiaj, em São Paulo, e no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza.

Tudo começou em 2007, com a ação registrada no vídeo “Enquanto Tudo Passa”. Nesta performance, a artista usa um salto alto e se equilibra em cima de uma pedra na praia de Boa Viagem, no Recife, recebendo em seu corpo o choque das ondas na arrebentação. Em 2009, quando ganhou uma bolsa do Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, decidiu dar continuidade ao projeto. Realizou uma viagem de um ano pelo litoral brasileiro, partindo da Barra do Chuí, no Rio Grande do Sul. Amanda percorreu diversas cidades, registrando, por meio de desenhos, fotografias e vídeos, as diferentes orlas marítimas do País até Calçoene, no Amapá, a cidade litorânea mais ao norte do Brasil. “As imagens dessa vivência são como os registros de uma performance de longa duração”, diz ela.

Na exposição “Água Viva”, em Fortaleza, com curadoria de Bitu Cassundé, se concentram os trabalhos fotográficos em que foram retratadas três meninas deitadas em um recife, em referência às ninfas mitológicas. Já “Em Paragens”, cujo título faz menção ao termo usado por navegadores quando estão ancorados, a artista aparece flutuando como uma água-viva à deriva em um conjunto de imagens subaquáticas. Ao contrário do título, as fotos sugerem movimento e instabilidade.

Na segunda exposição, “Esplendor”, em São Paulo, estão reunidos os vídeos e a série de desenhos “Sal é Mar”, um apanhado dos registros feitos das praias brasileiras. Entre os vídeos está a videoperformance que dá nome à exposição. Nessa obra, a artista criou uma fantasia em parceria com a Associação dos Destaques das Escolas de Samba Paulistanas, feita de espelhos e objetos brilhantes. De volta à praia de Boa Viagem, seu ponto de partida, a artista realiza uma ação vestida com a fantasia, despindo-se de seus adereços e amarrando-os em uma corrente que, aos poucos, é jogada no mar. Ao final, Amanda fica nua sobre o rochedo e livre como a água-viva sugerida por Clarice Lispector.

Posted by Gilberto Vieira at 1:55 PM