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maio 13, 2010
Dasartes - Anuário 2010
Dasartes - Anuário 2010
Preço: R$ 14,90 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 14 x 21cm
Nº páginas: 148 páginas
Impressão: Em cores
Peso: 271 g
Edição: Editora Selo
Editor- Chefe: Guilherme Bueno
Colaboradores: Alessandra Modiano, Fernanda Lopes, Joaquim Paiva
Sumário
15. 5 Artistas Destaques
Nuno Ramos, Waltercio Caldas, Antonio Dias, Vik Muniz e Vera Chaves Barcellos
25. Artistas Revelação
Ana Prata, Felipe Cohen, Lucas Arruda, Marina Weffort e Rodrigo Bivar
33. 5 Exposições Nacionais
Andy Wahrol, Tangled Alphabets, Gordon Matta-Clark, Arte do Islã e Sandra Cinto
41. Calendário de Exposições Nacionais
55. 5 Exposições Internacionais
Lucien Freud, Rivane Neuenschwander, Marina Abramovic, Fra Angelico to Leonardo e Henry Moore
63. Calendário de Exposições Internacionais
67. 5 Bienais
75ª Whitne y Biennial, 29ª Bienal de São Paulo, 13º FotoFest, 6ª Bienal de Liverpool e 17ª Bienal de Sidney
75. Calendário de Bienais
77. 5 Feiras de Arte
The Armory Show, SP Arte, Artrio, Frieze e Art Basel Miami
83. Calendário de Feiras de Arte
85. Instituições Culturais e Galerias
115. Artistas
128 Endereços
Apresentação
Você tem em mãos a primeira edição do primeiro anuário de artes do Brasil. Agora os brasileiros também vão poder saber, já no início do ano, quais surpresas o mundo da arte lhes reserva, e terão informações e contatos das principais galerias e instituições culturais.
O anuário também traz uma retrospectiva de 2009, com a seleção Dasartes dos cinco artistas que mais se destacaram e cinco jovens revelações. A escolha é feita por meio de consulta a profissionais do mundo da arte, considerando exposições ocorridas em 2009, sua importância, seu público e a opinião da crítica.
Aproveitamos para indicar dez eventos que o amante antenado da arte não pode perder, cinco exposições nacionais e cinco internacionais. A seleção é feita pela nossa equipe editorial, considerando os eventos já confirmados, e baseando-se no tamanho da exposição, no ineditismo e na importância dos artistas e das obras expostas. A seleção também inclui as cinco bienais e cinco feiras de arte cuja proposta para este ano chamaram atenção, buscando variedade geográfica e de temas.
A partir de agosto, recolheremos sugestões em nosso website para o anuário de 2011. Indique seu artista destaque ou revelação em www.dasartes.com.
março 8, 2010
A filosofia de Andy Warhol - De A a B e de volta a A, de Andy Warhol

A filosofia de Andy Warhol - de A a B e de volta a A
Andy Warhol
Preço:R$ 43 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 13,5 x 20 cm
Nº páginas: 268
Capa: brochura
Impressão: preto e branco
Peso: 304 g
Edição: Cobogó, 2008
Realização: Editora de Livros Cobogó
Sinopse
"Em 1975, dentro do braço editorial da Andy Warhol Enterprise, publicou a Afilosofia de Andy Warhol, um livro sobre vida, sexo, dinheiro, arte e fama. Munido de gravadores e de assistentes que transcreviam suas falas, Warhol, com seu costumeiro olhar crítico e distanciado, escreveu uma filosofia-de-telefone sobre uma sociedade em busca da eterna juventude, do consumo, do individualismo e da forma. O resultado - uma escrita instantânea e confessional - antecipa a obsessão contemporânea pela vida em tempo real e pela invasão da intimidade alheia, que vemos na internet e na televisão.
A filosofia de Andy Warhol é uma das mais agudas leituras de uma geração e de uma época, por um artista que soubecomo poucos compreendê-las."
Sumário
B e Eu:
Como Andy assume seu Warhol
Não se pode discutir com o próprio caderno de rascunho
1
Amor (Puberdade)
Creser na Tchecoslováquia. Empregos de verão. sentir-se de fora. Compartilhar problemas. Pegar problemas. Meu problema. Colegas de quarto. O psiquiatra nunca telefonou de volta. Minha primeira televisão. Minha primeira cena. Minha primeira Superstar. Minha primeira fita de gravação.
2
Amor (Auge)
A queda e ascensão de minha garota favorita dos anos 1960.
3
Amor (Sensibilidade)
Aprender os fatos da vida aos 40 anos. Minha esposa ideal. Minha garota de sonho por telefone. Ciúme. Luz baixa e espelhos mágicos. Sexo e nostalgia. Drag queens. Romance é difícil, mas sexo é mais difícil. Frigidez.
4
Beleza
Meu auto-retrato. Problemas de beleza permanentes, problemas de beleza temporários: que fazer com eles. Beleza limpa. O bom look simples. Conservar a aparência. Bela monotipia.
5
Fama
Minha aura. Magia televisiva. a pessoa errada para o papel certo. Fãs e fanáticos. Elizabeth Taylor.
6
Trabalho
Arte empresarial vs. Empresa artística. Meus primeiros filmes. Por que adoro restos. Viver é trabalho. Sexo é trabalho. Como olhar nos olhos de uma empregada. Um quarto cheio de doces.
7
Tempo
Tempo nas minhas mãos. O tempo entre os tempos. Esperar na fila. Tempo de rua. Tempo de avião. Carência de substâncias químicas. Por que tento ficar tão feio. Manter compromissos. Elizabeth Taylor.
8
Morte
Tudo a respeito.
9
Economia
A hihstória dos Rothschild. Farmácias 24 horas. Comprar amigos. O talão de cheques de mesa. Pennies, pennies, pennies. Os pennies de Gina Lollobrigida.
10
Clima
espaços vazios. Arte como lixo. As 4 mil obras primas de Picasso. Minha técnica de colorir. O fim da minha arte. O renascimento da minha arte. Espaço perfume. Uma boa vida no campo e por que não posso assumir isso. Uma árvore tenta crescer em Manhattan. Um bom e simples refeitório americano. O Andymat.
11
Sucesso
As estrelas nas escadarias. Porque todo mundo precisa de pelo menos um cabeleireiro. Poptarts. Ursula Andress. Elizabeth Taylor.
12
Arte
O Grand Prix. Arte nova. Fatiar um salame. Riscos glamorosos. Noli me tangere. Frieza.
13
Títulos
Casamento continental. damas de companhia. Quem está caçando quem. Queixos de champagne e barrigas de cerveja.
14
Tinindo
Como limpar à maneira americana.
15
O poder da cueca
O que eu faço no sábado quando minha filosofia se esgota.
Apresentação
Andy Warhol era famoso pelas pintura em série, pelos filmes sem corte, pelas festas no seu estúdio Factory, e por ter sobrevivido a três tiros num atentado que quase o matou. Em 1968, ela já era uma figura cult. Foi então que criou a Andy Warhol Enterprise e assumiu a persona do artista-empresário. A produtora de cinema Andy Warhol films , dirigida por Paul Morrissey, lançou os clássicos Flesh (1968), Trash (1970), Heat (1972). Na Factory, dirigida por Fred Hughes, Warhol pintava retratos por encomenda para todas as celebridades estabelecidas ou em ascensão, tornando-se o maior retratista ne Nova York da época. Por fim, criou a revista Interview, em que as conversas com celebridades - retratos-falados - eram publicadassem edição, com todos os ruídos anotados no texto.
A Interviewera também um veículo que atraía as celebridades para o seu negócio de retratos. Na década de 70 Andy Warhol acreditava que "ganhar dinheiro é uma arte e trabalhar é arte e bons negócios são a melhor arte".
Sobre o autor
O escritor Andy Wahrol era pintor, escultor, artista gráfico, cieasta, produtor da famosa banda Velvet Underground, editor da revista Interview e consagrou-se como llíder do movimento pop dos anos 60 e 70. Em suas telas de cores vibrantes, imortalizou as latas de sopa Campbell, além da imagens de Marilyn Monroe e de jackie Onassis, unindo o estilo de vida americano à arte. Artista plástico famoso por seu trabalho revolucionário, como também pelo envolvimento com as celebridades de sua época, Warhol foi um visionário ao prever que todo mundo seria famoso por, pelo menos, quinze minutos.
março 3, 2010
O Olhar Repetido - Reprodutibilidade e Arte Contemporânea, de Monica Mansur
O Olhar Repetido - Reprodutibilidade e Arte Contemporânea
Monica Mansur
Preço: R$25 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 15cm x 21cm
Nº páginas: 157
Capa: brochura
Impressão: preto e branco
Tiragem: 1500 exemplares
Peso: 234g
Edição: Binóculo, 2008
Realização: Monica Mansur e Binóculo Produção e Editora
Sinopse
A intenção do trabalho é traçar o esboço para uma teoria sobre como a reprodutibilidade mecânica (leia-se repetição da imagem) determina uma ação, uma presença intelectual, em grande parte das artes plásticas (visuais) produzidas em nossos dias. E, consequentemente, estabelece um padrão advindo da experiência do modo de olhar do homem ocidental, a um só tempo detectado, evidenciado e reforçado pelo aparecimento dos meios mecânicos de reprodução.
Sumário
Prefácio da 1ª Edição
Apresentação
Introdução
A dimensão essencial do olhar: a reinvestida da aura
Conceitos e ações para a teoria da reprodutibilidade
Depois da pop art: a consciência de uma irredutível reprodutibilidade
Conclusão
Referências Bibliográficas
Lista de Ilustrações
Apresentação
O texto foi escrito, inicialmente, como minha dissertação para obtenção do título de Mestre no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A orientação foi de Glória Ferreira e banca de defesa de tese composta por Luiz Camillo Osório e Paulo Venâncio Filho.
Dois anos mais tarde, resolvi transformá-lo num formato e linguagem mais palatáveis, imaginando que poderia contribuir para aumentar o interesse sobre a arte contemporânea junto a um público mais amplo. Reescrevi o texto em um ano e meio e levei mais alguns até conseguir publicá-lo. Neste meio tempo, meu trabalho como artista se modificou, na verdade ampliou-se, mas nunca deixou de lidar com as questões que apresento aqui. Então, se a fotografia e os meios digitais passaram a integrar de forma mais contundente o leque de procedimentos no meu trabalho, isto só fez somar-se aos meios de impressão que materializam o meu processo e pensamento artísticos. Ela também (a fotografia) se solidificou como o ponto básico nas discussões apresentadas neste texto, como ferramenta fundamental tanto no fazer como no pensar arte, hoje.
Assim, na visualidade contemporânea, já há muito se entende que a repetição da imagem, seja através do que seja, continua crescendo de tal forma que a percepção da própria repetição é tão tênue quanto a percepção da imagem...(Monica Mansur)
Sobre o autor
Monica Mansur nasceu no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Graduada pela FAU/UFRJ em 1980, freqüentou a EAV/Parque Lage por alguns anos, onde iniciou sua carreira como gravadora com o desaparecido mestre José Lima, em cujo atelier passou a trabalhar desde final do ano de 1989 até 1992. Começou a expor individualmente neste mesmo ano (1989), quando também foi Novíssimos do IBEU. Nos anos 90, participou de inúmeros salões no Brasil e no exterior e continuou a expor individual e coletivamente, com destaque para exposições nos EUA, Espanha, Áustria, Colômbia, São Paulo, Curitiba, Florianópolis. Cursou a pós-graduação em História da Arte e Arquitetura no Brasil da PUC/RJ e obteve o título de Mestre pelo PPGAV/EBA/UFRJ em 2000. Atua em diversos coletivos, concebeu e coordena vários projetos em grupo, dentre eles o Projeto Dialeto (desde 1996 até hoje), o Atelier Rio Comprido (encerrou em 2005), o Coletivo Buraco de Fotografia, o Espaço Figura. É representada, com exclusividade em São Paulo, pela Valu Oria Galeria de Arte. Sua obra é citada em artigos e pesquisas internacionais, publicações brasileiras e pode ser visto no site www.monicamansur.com
novembro 12, 2008
27ª BIENAL DE SÃO PAULO – SEMINÁRIOS
27ª BIENAL DE SÃO PAULO – SEMINÁRIOS
Como comprar: clique aqui para se informar
R$ 69
Formato fechado: 18 X 24 cm
Páginas: 440
Imagens em p&b
Peso: 750 g
Autores: Jochen Volz, Jürgen Harten, Stéphane Huchet, Ricardo Basbaum, Dorothea Zwirner, Rirkrit Tiravanija, Lisette Lagnado , Adriano Pedrosa, Jessica Morgan, Eyal Weizman, Beatriz Colomina, Ana Maria Tavares, Guilherme Wisnik, Marjetica Potrc, Cristina Freire, Tony Chakar, Renato Janine Ribeiro, João Frayze-Pereira, Viktor Misiano, Jean-Marc Poinsot, Minerva Cuevas, Jane Crawford, Celso Favaretto, Jeanne Marie Gagnebin, Yuko Hasegawa, Peter Pal-Pelbart, Rosa Martínez, Renata Salecl, Maria Rita Kehl, Carlos Jiménez, Paulo Herkenhoff, Nicolas Bourriaud, José Roca, José Carlos Meirelles, David Harvey, Manuela Carneiro da Cunha, Marina Silva, Denise Grinspum, Marcos Moraes, Barbara Hess
Organização: Lisette Lagnado, Adriano Pedrosa, Cristina Freire, Rosa Martinez, José Roca e Jochen Volz
Editora Cobogó
Sumário:
Lisette Lagnado - Introdução
MARCEL, 30
Introdução - Jochen Volz
A águia, do Oligoceno até nossos dias - Um título menos do que apropriado - Jürgen Harten
No ar: os curtos-circuitos alegóricos de Marcel Broodthaers - Stéphane Huchet
Deslocamentos rítmicos: o artista como agenciador, como curador e como crítico - Ricardo Basbaum
Marcel Broodthaers: Correspondência além do silêncio - Dorothea Zwirner
Hyde Park Corner, nos mínimos detalhes - Rirkrit Tiravanija
De quem sou contemporâneo? - Lisette Lagnado
ARQUITETURA
Introdução - Adriano Pedrosa
A arquitetura como arte e a arte como arquitetura - Jessica Morgan
Destruição “inteligente” - Eyal Weizman
Dupla exposição: Alteração de uma casa suburbana (1978) - Beatriz Colomina
Suspensão, mobilidade, deslocamentos, rotações: Arte e arquitetura feitas natureza-morta - Ana Maria Tavares
O “informe” e a ponte truncada entre arte e arquitetura - Guilherme Wisnik
Os dinâmicos Bálcãs: Um modelo operacional para União Européia? - Marjetica Potrc
RECONSTRUÇÃO
Reconstrução: Uma introdução - Cristina Freire
A praça dos Mártires revisitada - Tony Chakar
A necessidade e as dificuldades da reconstrução - Renato Janine Ribeiro
Arte e trauma: Restauração da subjetividade - João Frayze-Pereira
Como viver junto: das “comunidades confidenciais” às “comunidades operacionais” - Viktor Misiano
Uma companhia para a reconstrução Pintura/Escultura, 1971, uma obra eliminada - Jean-Marc Poinsot
Arte e mudança social - Minerva Cuevas
VIDA COLETIVA
Lisette Lagnado Introdução
Gordon Matta-Clark e a vida coletiva no Soho durante os anos 1970 - Jane Crawford
60/70: Viver a arte, inventar a vida - Celso Favaretto
Como podemos viver junto? Uma comunidade de estrangeiros - Jeanne Marie Gagnebin
Criando lugares e espaços para viver junto - Yuko Hasegawa
Como viver só - Peter Pal-Pelbart
TROCAS
Introdução - Rosa Martínez
“Seja autêntico!” – Arte e subjetividade no capitalismo tardio - Renata Salecl
- Olhar no olho do outro - Maria Rita Kehl
Ernesto Neto - Ser gentil
O grande teatro de Oklahoma - Carlos Jiménez
Fluxos desiguais - Paulo Herkenhoff
“Estética relacional”, a política das relações - Nicolas Bourriaud
ACRE
Introdução - José Roca
Os índios isolados do Acre e seus territórios - José Carlos Meirelles
O Acre numa perspectiva global - David Harvey
A Amazônia como voragem da história: impasses de uma representação literária - Francisco Foot Hardman
Conhecimento tradicional e conhecimento científico podem viver juntos? O exemplo do Acre -Manuela Carneiro da Cunha
O direito à terra - Marina Silva
APÊNDICE
A 27ª Bienal de São Paulo e seu projeto educativo - Denise Grinspum
Residência artística ou a experiência de ser estrangeiro - Marcos Moraes
“Não é um filme sobre arte”: As exposições televisivas da Fernsehgalerie Gerry Schum 1969-1970 - Barbara Hess
Apresentação:
No momento em que uma nova Bienal é inaugurada no Pavilhão do Ibirapuera, livro reúne artigos sobre as discussões da exposição anterior, organizada por Lisette Lagnado.
Maria Rita Kehl, David Harvey, Tony Chakar e Celso Favaretto estão entre os autores dos textos
O livro 27ª Bienal de São Paulo – Seminários é o terceiro volume e completa o projeto editorial daquela Bienal, que se iniciou com o primeiro volume 27ª Bienal de São Paulo – Guia e o segundo volume 27ª Bienal de São Paulo – Catálogo
O projeto curatorial da 27ª Bienal de São Paulo inaugurou suas atividades em janeiro de 2006, com um programa de Seminários internacionais - abordagem inédita no Brasil para compreender o real significado de uma das mostras de maior prestígio internacional.Até novembro daquele ano, durante dois dias seguidos e divididos em três sessões, um mesmo tema foi debatido por seis convidados.Cada curador da equipe assinou a organização de um seminário: Jochen Volz para Marcel, 30, Adriano Pedrosa para Arquitetura, Cristina Freire para Reconstrução, Lisette Lagnado para Vida coletiva, Rosa Martinez para Trocas e José Roca para Acre.Estes tópicos eram, inicialmente, os “blocos” que serviriam de estrutura para a construção da Bienal, Como viver junto, título emprestado dos cursos de Roland Barthes no Collège de France (1976-77).No lugar de aparecerem em segmentos diferenciados na montagem, optou-se para uma assinatura coletiva da mostra, enquanto estas pautas foram paulatinamente explicitando os convites aos artistas, sua afinidade e engajamento com o projeto curatorial.
Com essa prática, a curadoria tinha o objetivo de abandonar o caráter episódico de uma exposição de dois meses e meio, evidenciando a necessidade de transcender as paredes expositivas do pavilhão, abrir-se para o debate público e conquistar suportes diferenciados.Com participantes das mais diversas áreas e com um caráter multidisciplinar, os Seminários foram um marco importante da Bienal.
julho 9, 2007
Maria-Carmen Perlingeiro

Maria-Carmen Perlingeiro
Preço: R$ 80 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 21x28cm
Nº páginas: 200
Capa: capa dura com HotStamp em ouro
Impressão: 218 imagens a cores
Tiragem: 1.000 em português e 1.000 em francês
Peso: 1400g
Textos de Ronaldo Brito e Michael Jakob
Cronologia ilustrada (vida e obra de Maria-Carmen Perlingeiro): por Cecilia Leuenberger e Maria-Carmen Perlingeiro
Realização: Edição InFolio 2007, Suiça
Collection Archigraphy Monographies
Maria-Carmen Perlingeiro é uma artista brasileira que mora em Genebra há 22 anos.
Esse livro é um resumo de sua obra a partir dos anos 80, com texto de Ronaldo Brito, crítico de arte e professor no Rio de Janeiro; e de Michael Jakob, professor de literatura comparada e da teoria e história da paisagem em Genebra.
Uma viagem entre esculturas vivas, objetos flutuantes, desenhos gravados em ouro sobre pedra e esculturas em mármore e alabastro. O alabastro, uma pedra tão especial, que transita entre a opacidade e a transparência, encontra o ouro assim como a luz encontra as nuvens. Os objetos simples do dia a dia, gravados nessa pedra, possibilitam um outro olhar, como uma chave para apreender o nosso cotidiano. Provocam uma sensação de estranhamento e curiosidade, deslocados de seu espaço original e destacados em ouro, luz e pedra.
"A escultura de Maria-Carmen Perlingeiro empreende uma espontânea e despretensiosa reeducação estética, tarefa assombrosa de tão simples: refazer o nosso contato amoroso com as coisas." (Ronaldo Brito).
Maria-Carmen visita e explora os mundos mineral e vegetal e convida a reflexões surpreendentes como o seu Coração Aberto, feito no jardim da OMS (Organização Mundial de Saúde), com diferentes plantas verdes e vermelhas, que vivem e crescem conforme as estações.
"O interior do corpo - o coração - se desloca para o exterior para então ser interiorizado pela natureza que o cerca. O visitante participa da experiência e se põe ao mesmo tempo no coração da natureza e da arte." (Michael Jackob)
A obra de Maria-Carmen já foi mostrada em Paris, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova York, Miami, Genebra e Volterra, de onde vem o alabastro.
Estrutura da publicação:
Fluida escultura -
texto de Ronaldo Brito
Corpo de obras
Entre o corpo e a estrutura
Pequenas mentiras
Um fragmento, duas figuras
Cadernos de alabastro
Aquáticas
Piercings
O mundo maravilhoso dos objetos flutuantes
Do interior ao exterior e de volta - texto de Michael Jakob
Cronologia (vida e obra de Maria-Carmen Perlingeiro), por Cecilia Leuenberger e Maria-Carmen Perlingeiro
junho 20, 2007
Câmaras de Luz

Câmaras de Luz
Preço: R$ 30 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 26 x 20cm
Nº páginas: 130
Impressão: Ilustrações em 4 cores
Peso: 670g
Textos de Ligia Canongia ("Câmaras de Luz") e Cezar Bartholomeu ("Refratário em refração")
Tradução - Stephen Berg
Organização: Ligia Canongia
Edição: Oi Futuro, 2006.
Catálogo-livro com textos sobre a relação entre Arte e Cinema, com acento especial nas obras de Antonio Dias, Daisy Xavier & Célia Freitas, Laura Erber, Miguel Rio Branco, Paulo Vivacqua, Roberto Cabot, Thiago Rocha Pitta e Tunga.
março 14, 2007
Além da Pureza Visual, de Ricardo Basbaum

Além da Pureza Visual, de Ricardo Basbaum
Preço: R$ 32 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 16 x 23 cm
Nº páginas: 160
Impressão: P&B
Peso: 254g
Este livro, que reúne textos da dissertação de mestrado do artista a ensaios mais recentes, é outra chance de experimentar seu pensamento crítico, uma leitura integrada: configurar um quadro operativo de discussão crítica, que inclua, junto à configuração visual do trabalho de arte, sua dimensão discursiva.
Texto de Orelha, de Cecilia Cotrim
Mais do que a imagem de palavras fixadas nestes planos que se desdobram a partir do próprio conjunto de dicções de um livro, orelha remete, no ambiente da obra e dos escritos de Ricardo Basbaum, a um outro momento, há mais ou menos vinte anos, indicando um possível traço do percurso de atuação desse artista, em um campo que vai bem "além da pureza visual". Pois Orelha também é o nome [junto a outras inscrições no circuito de arte carioca 80/2000, como A Moreninha, Dupla Especializada, Agora, item, agentedupla] de uma revista/um grupo de artistas/uma série de intervenções das quais Basbaum foi um dos principais agentes.
Artista-etc, propondo vias alternativas para a difusão da arte contemporânea no Brasil, Ricardo Basbaum deixa no circuito indícios de sua "sede de crítica" e da "migração das palavras para a imagem", em uma produção de/convivência com textos de múltiplas ênfases: artigos sobre arte contemporânea + ligeiras ficções em prosa + composições musicais [algumas delas sob a discreta assinatura de Filix Jair] + diagramas + desenhos coreográficos + organização de livros/catálogos + edição de revistas + curadorias de exposições, agências, jogos.
Este livro, que reúne textos da dissertação de mestrado do artista a ensaios mais recentes, é outra chance de experimentar seu pensamento crítico. Como escreve Basbaum na apresentação, "Com o livro, o que se ganha é a chance de uma leitura integrada [...]: configurar um quadro operativo de discussão crítica, que inclua, junto à configuração visual do trabalho de arte, sua dimensão discursiva". O livro provoca um mergulho na intimidade da escrita com a arte, mas um "mergulho ao avesso" - um "lançar-se para fora de si", um movimento que promete a instauração de territórios atravessados por novos fluxos. [Novas Bases para a Personalidade?]
Sumário
Prefácio
O artista e a imagem do pensamento
Apresentação
Parte I
Além da pureza visual
Migração das palavras para a imagem
O campo ampliado da arte contemporânea
Arte moderna como um território híbrido
Combate e captura
Inversão do pensamento
Texto e obra de arte
Duchamp: objeto e nome
Ver-ler
Kosuth: o artista como crítico
On Kawara: verbalização do instante
Oiticica: Parangolés e Transobjetos
Pensar com arte: o lado de fora da crítica
Conexões
Complexidade
Sintonia atenta: o lado de dentro
O lado de fora
Convergências
Diagramas e processos de transformação
Diagrama como signo
Diagrama como conceito
Trabalhando com diagramas
Ricas articulações
Dupla mobilização
Texto de artista, texto como obra
Dispositivo: diagrama
Intervenção: projeto plástico-conceitual
Parte II
Quatro características da arte nas sociedades de controle
Ética e arte: turbulências no campo ampliado
Limite, excesso, grotesco, Jeff Koons
Bibliografia
Notas
agosto 7, 2006
Poesia Visual, de Silvio Zamboni

Poesia Visual
Preço: R$ 50 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 17 x 24 cm
Nº páginas: 94
Impressão: P&B
Peso: 414 g
Edição: Editora Plano
Poesia Visual
Reunião de trabalhos do artista desde 1989, este livro expõe relação íntima e, às vezes, conflituosa entre a palavra e a visualidade. Duchamp, no Livro I, ilustra bem a inquietação com que Silvio Zamboni observa a arte contemporânea. Discursivismo alude, não sem ironia, à necessidade de essa arte buscar apoio no verbal para expressar-se.
No Livro II, talvez o mais provocativo, letras se abrem em diferentes direções para explorar o espaço. Tornam-se ondulantes. Em trânsito, contorcem-se, experimentando etapas da evolução a novos signos. Ao se esgarçarem em outras configurações, surpreendem. Formas geométricas podem apresentar sugestões orgânicas ou ideogramáticas ou... quem sabe?
A tensão reside em contrapor à estabilidade visual da estrutura fechada da letra que existe na mente do observador a transformação em movimento caótico, fantasmagórico, falsamente descontrolado.
Falso, sim. Pois o Livro II apenas parece gestual. O trabalho do artista não é impulsivo. Silvio mantém certa margem de controle sobre aquilo que opera. Para ele a computação não constitui novo paradigma. É apenas uma ferramenta.
O Livro III, anarquista, é um esculacho. O alvo: os projetos de pesquisa? As instituições da área? A arte contemporânea? O Livro IV, por sua vez, é o resultado de um percurso pelos meios: brotou poema, teve versão em vídeo e veio integrar livro que é manifestação crítica, mas bem-humorada, de certo desconforto perante os rumos da arte na era tecnológica.
Ligia Cademartori
Drª em Teoria da Literatura
Silvio Zamboni P&B

Silvio Zamboni P&B
Preço: R$ 50 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 24 x 21 cm
Nº páginas: 60
Capa: Brochura
Edição: Bilíngüe
Peso: 493 g
Realização: Universidade de Brasília, FAC, Fotoarte
Apresentação
Embora trabalhando nos últimos anos com fotografia, Silvio Zamboni não pode ser tido como um fotógrafo tradicional. É, antes e acima de tudo, um artista multimídia, que navega com desenvoltura nas águas que rolam da poesia visual até o vídeo... Todas as formas, todas as figuras, todas as letras são por ele retrabalhadas na tela de um computador, ferramenta que adotou para seu trabalho desde a década de 80.
Os trabalhos a serem apresentados trazem as marcas de anos de pesquisa e de trabalho artístico. Todas as obras aqui apresentadas se originam na fotografia digital. E todas sofreram modificação ao serem lidas por softwares específicos: algumas, uma leve correção da cor; outras, a inserção de elemento estrangeiro; outras ainda, rebatidas, recompostas, realinhadas, criando um jogo de faz-de-conta, embate entre o falso e o verdadeiro, a ilusão de ser o que não é, uma sombra de indagação e dúvida anuviando o olhar do interlocutor... Nem sempre o resultado deixa mostrar o grau de interferência e o nível de manipulação dos elementos constantes das fotos; aliás, raramente o faz. Fica então o suspense, a desconfiança, quase uma armadilha... mas isso não importa! As obras enquanto imagem surpreendem! Apresentadas numa seqüência de projeções, criam uma animação simples que se sofistica e se enriquece através de momentos de superposições e fusões das imagens em sucessão.
A temática mais recorrente - mas podem também aparecer elementos variados- está centrada na captura de elementos arquitetônicos como muros, janelas, soleiras, beirais, pedras, portas- . No entanto, distanciando-se das visões largas ou panorâmicas dos cartões postais, o olhar lançado se imiscui no objeto de forma intimista, afunilada, para captar o detalhe, a minudência, o específico, querendo chegar à essência das coisas - ou, no rastro da história da fotografia - , querendo "roubar a alma" dos elementos arquitetônicos de uma cidade. Colher a síntese das cidades por meio da apanha de seus detalhes e pormenores.
Não vai nisso a pretensão de um relato documental, ordenado, linear e fiel à realidade, pois a ordem pode, a qualquer momento, ser subvertida, invertida, pervertida...O inesperado, a ironia, o humor, a transgressão, a poesia estão sempre à espreita, podendo invadir o território do supostamente real para instalar aí o virtualmente verdadeiro.
Sobre o artista:
Silvio Zamboni é artista multimídea.è um dos pioneiros no uso de microcomputadores no fazer artístico. Doutor em Artes pela ECA/USP, é professor do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Entre as disciplinas que ministra, destacam-se "Arte Eletrônica" para a graduação e "Metodologia de Pesquisa em Artes" para a pós-graduação.
Publicou o livro "A Pesquisa em Artes - um paralelo entre arte e ciência", pela Editora Autores Associados. A obra já está em segunda edição, sendo a primeira datada de 1998.
Publicou também, em 2002, pela Editora Plano, um ensaio fotográfico intitulado "Pirenópolis, pedras janelas quintais" e o livro "Poesia Visual".
Foi o idealizador e o responsável pela criação da área de Artes no CNPq, instituição onde trabalhou por muitos anos. Foi também fundador e presidente da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas - ANPAP.
Silvio Zamboni nasceu na cidade de São Paulo, vive e trabalha em Brasília desde 1978.
maio 4, 2006
Pintura em Distensão, de Zalinda Cartaxo

Pintura em Distensão
Zalinda Cartaxo
Preço: R$ 30 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 25.5 cm x 19,5 cm
Nº páginas: 168
Peso: 547g
Editora: Centro Cultural Telemar / Secretaria de Estado de Cultura / Governo. do Estado do Rio de Janeiro
Prefácio:
Complexa distensão
Paulo Venancio Filho
A tentativa de compreender a atualidade da pintura é também um necessário exercício de esclarecimento; é que esta se tornou matéria excessivamente complexa. Aquilo que na famosa definição era antes de tudo apenas tinta sobre tela não pode mais ser definido com tanta simplicidade. Seja mantendo seu prestígio tradicional ou experimentando novas possibilidades, a categoria 'pintura' vem hoje saturada de um prolongado discurso teórico. Nem todos, hoje, diante de um quadro, percebem que naquele momento se concentram muito mais questões que um simples olhar pode dar conta.
O duplo, porém inverso, sentido do verbo 'distender', com muita propriedade vem aqui se aplicar à trajetória contemporânea da pintura que este conciso e preciso ensaio pretende tratar. Se não, este sentido serve mais ainda para enfatizar o ambíguo estatuto da pintura nos últimos 40 anos, pois 'distensão' tanto pode significar aumento como diminuição da tensão.
Assim é definido o movimento da pintura na contemporaneidade, a distensão continuamente amplia e volatiza o sentido do que é definido. Trata-se de uma expansão que problematiza sua definição; quanto mais a pintura dispensa aqueles termos tradicionais, mais difícil e ambíguo é defini-la. E ela os tem dispensado de maneira sistemática nestes tempos recentes. Por outro lado, podemos entender o estado de tensão como aquele estabelecido pela manutenção dos elementos pictóricos tradicionais, os quais a modernidade procurou ainda com mais precisão determinar: a planaridade e a bidimensionalidade da tela, a recusa da figuração e a exclusão de qualquer recurso ilusionista.
Se assim for, a contemporaneidade, o período histórico que se inicia em torno dos anos 1960, é marcada pelo afrouxamento desta tensão, não só pela suspensão da categoria tradicional da pintura como também pela relativização daquela estrita autodeterminação moderna. Então, a pintura ingressa irremediavelmente num processo de distensão, extravasando para além dos tensos limites determinados pela teoria greenberghiana, indo para além da moldura, da superfície bidimensional da tela, da materialidade da tinta. Confunde-se com o objeto, com a escultura e com a arquitetura. E ainda, dispensando tela e tinta, desmonta, examina e expõe criteriosamente todos os seus elementos componentes - chassi, tela, tinta.
Acompanhando este processo, o jargão especializado vai produzir toda uma variada terminologia para diferenciar os diversos procedimentos: color-field, hard-edge, support/surface, bad painting, entre outras. Procedimentos que não se instauram mais como aquelas 'estruturas de experimentar o mundo', como foram o impressionismo, o cubismo, o expressionismo, mas como uma voraz inteligência que procede a um implacável auto-exame. E isto desde que as constatações de Donald Judd indicaram um momento da expansão do suporte, não da indefinição entre tri ou bidimensionalidade, mas da híbrida tri e bidimensionalidade. E, assim, mais e mais a acelerada análise sistemática de seus meios leva à tão famosa e insolúvel discussão sobre a "morte da pintura" a um impasse sem fim.
Este ensaio é, por assim dizer, um "sintoma" da complexidade do assunto, ainda em questão. A linha de força aqui assinalada vai se definindo ao longo do texto, e, creio, isto se deve à fronteira da prática artística e teórica da autora e à orientação de seu trabalho. Evitando infrutíferas controvérsias pós-modernas, o ensaio pretende acompanhar com bastante clareza certa trajetória recente do que poderíamos denominar "campo ampliado da pintura". Mais especificamente aquela que, neste novo contexto, por paradoxal, carrega, ainda que transformados, elementos da problemática experiência da visualidade abstrata moderna. Daí a menor atenção - creio, deliberada - a toda uma linhagem pictórica que surge a partir dos anos 1980 e que vai de David Salle, Julian Schnabel, Basquiat, a transvanguarda, Anselm Kieffer, Gerhard Richter até figuras mais recentes como Luc Tuysmans, Peter Doig, Marlene Dumas, entre outras. Entendido aí, de modo geral através destes artistas, todo o retorno à figura e à figuração, ao comentário da vida e do cotidiano. E, também, o uso constante e indiscriminado da paródia, da citação, da alegoria, numa regressão rebelde e conservadora, acima de tudo, pela manutenção do prestígio cultural da pintura de cavalete, do tradicional objeto pictural a que chamamos 'quadro'.
Muito distinta é a tentativa de dar seqüência ao sublime abstrato da pintura de Barnett Newman e Mark Rothko, conferir contemporaneidade àquela aspiração de uma experiência autônoma, auto-referente, contemplativa e extática, em que a escala de Newman e o impressionismo abstrato de Rothko reduzidos ainda pela minimal a uma essencialidade radical que, anulando a subjetividade invasiva do artista, sugeria que uma grandiosidade autentica, coletiva e pública é plausível e possível.
Assim, uma outra seqüência é perseguida neste ensaio e encontra como um dos indícios iniciais, entre outros, a pintura analítico-experimental, monocromática de Robert Rymann e sua oscilação entre plano e objeto, a presença insistente de Cézanne, e ainda sua dualidade subjétil, para usar um dos termos chave deste ensaio. Ou a pura e simples aplicação estritamente planar e instrumental no elemento arquitetônico 'parede' de Sol Le Witt; ou a intransigente escolha de um padrão único por Daniel Buren; até se chegar aos dois artistas que ampliaram para a escala da arquitetura e até da natureza a trajetória de espacialização e desmaterialização da pintura ou (nos termos ali propostos) da sua distensão espacial e material talvez mais essencialista: James Turrel e Robert Irwin.
Resumindo, esta é a muito especial seqüência que este ensaio privilegia e acompanha, e que corresponde, creio, a uma pressão ainda vigente dos impulsos modernos. De certa forma, estaríamos diante de uma continuidade em expansão e não de uma ruptura divergente no modo como se prolonga a insistência em uma reivindicação do estritamente pictural.
É afinal à relação contemporânea entre pintura e arquitetura a que se vai chegar - uma das relações decisivas da contemporaneidade. Fato que não deixa de ser curioso, quase irônico, considerando que a inextrincabilidade da pintura e arquitetura modernas vêm desde o cubismo. Nesta redução da arquitetura cubista ao estritamente planar, do espaço ao plano, da tridimensionalidade à bidimensionalidade, do material ao espiritual, inescapáveis são os nomes de Malevich e Mondrian. Pois será que agora não estariam se realizando aspectos daquela utopia que estes artistas pretendiam?
Se a pintura moderna é tributária da arquitetura, por que então agora a pintura não se desdobraria para o próprio espaço arquitetônico? Se o cubismo deve sua formulação do espaço às proposições arquitetônicas modernas, por que não a pintura se desdobrar no próprio espaço arquitetônico? De modo que, como diz Zalinda Cartaxo, "a característica fundamental desta nova etapa esteja na distensão da obra no espaço, endossando de forma marcada a sua presença no mundo". Ou seja, a própria construção do espaço como experiência pictórica.
A permanente crise e o estado de iminente "morte" da pintura que este ensaio tão bem resumiu em sua complexidade não parecem ter invalidado para a contemporaneidade aquilo que Mondrian afirmou para a modernidade da pintura: "a crescente profundidade da vida moderna em sua totalidade pode ser puramente refletida na pintura."
Sumário:
Tecnocromo - Alberto Saraiva
Complexa distensão - Paulo Venacio Filho
Pintura em distensão - Zalinda Cartaxo
Introdução
Pintura
Pintura e arqutetura
Pintura e tecnologia
fevereiro 20, 2006
Nelson Felix

Nelson Felix
Preço: R$ 75 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 17 X 25cm
Nº páginas: 176, ilustrado, colorido, bilíngüe (port.e ing.), capadura
Peso: 700g
Textos: Glória Ferreira, Nelson Brissac e Sônia Salzstein
Editora: Casa da Palavra / Canal Contemporâneo
Livro enfatiza atos estéticos de Nelson Felix
Tiago Mesquita - crítico da Folha de São Paulo
O novo livro sobre Nelson Felix, editado por ele e pela crítica Glória Ferreira, revela um novo caráter que o livro de arte assumiu contemporaneamente. Ao articular textos críticos e reproduções de obras, não busca extrair nem uma trajetória nem uma questão que organizaria a produção.
Isso não é excluído, mas o aspecto monográfico parece ser menos notório. O livro tem interesse cartográfico. Em sua capa se enfatiza um território de difícil definição. No texto de Glória Ferreira, a atuação da obra sobre um campo expandido é enfatizada a todo momento.
O livro costura trabalhos instalados em lugares de difícil acesso com outros, realizados em espaços expositivos que deixaram de existir cerradas as portas da mostra. Sua organização tenta fazer com que ganhem visibilidade, revelando um certo receio, presente em frentes da arte contemporânea, de que o trabalho desapareça, se deixado a própria sorte.
A obra de Nelson Felix vive muito dessa tensão. Ela se expressa na contradição entre a busca de novas potencialidades, silenciadas num mundo engessado pela imagem, como frisam Sônia Salzstein Nelson Brissac, e o fato dessa atividade ter duração distinta do tempo de expectação da obra.
Trabalhos como "Grande Budha" e "Mesa" não são só o que vemos como evidência plástica. Eles também são uma série de significados simbólicos e performáticos que o ato do artista engendra nos ambientes onde opera.
A cartografia e a documentação elaborada reforçam tais atos estéticos, no livro. Aqui é possível vislumbrar uma promessa de temporalidade do artista. Apesar de não aparecer muitas vezes diante de nossos olhos, a intenção clara é de buscar um novo modo de se relacionar com o meio (seja ele a natureza, seja a galeria).
dezembro 12, 2005
Brasil experimental arte/vida: proposições e paradoxos, de Guy Brett

Brasil experimental arte/vida: proposições e paradoxos
Guy Brett
Organização: Kátia Maciel / Tradução
Preço: R$ 85 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 17 X 21cm
Nº páginas: 288
Peso: 649g
149 ilust. em cores e p & b
Contra Capa
Prefácio de Katia Maciel
GUY BRETT escreve sobre arte desde a década de 1960. Seus artigos, ensaios e livros têm revelado, no contexto da crítica internacional, uma posição singular voltada para a produção mais experimental, à revelia de todos os formalismos, e caracterizada por um repertório de conceitos que se baseiam na convivência com os artistas e suas obras.
A profícua interlocução que estabeleceu com a arte no Brasil nessas mais de quatro décadas tem favorecido bastante a difusão mundial da produção dos artistas brasileiros.
Brasil Experimental reúne 21 de seus textos sobre 15 desses artistas.
Mais que reflexões ou documentos sobre as obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Sérgio Camargo, Mira Schendel, Cildo Meireles, Antonio Manuel, Tunga, Waltercio Caldas, Regina Vater, Roberto Evangelista, Maria Theresa Alves, Jac Leirner, Ricardo Basbaum e Sonia Lins, trata-se aqui sobretudo de descrições nascidas de uma delicada e respeitosa reciprocidade entre estes e o autor.
Sumário:
Prefácio - Katia Maciel
Introdução
Uma cronologia de encontros, 1964-2005
Hélio Oiticica
Lygia Clark
Lygia Clark e Hélio Oiticica
Lygia Pape
Sérgio Camargo
Mira Schendel
Cildo Meireles
Antonio Manuel
Tunga
Waltercio Caldas
Regina Vater e Roberto Evangelista
Maria Thereza Alves
Jac Leirner
Ricardo Basbaum
Sonia Lins
Filme e subjetividade, de Rogério Luz

Filme e subjetividade
Rogério Luz
Preço: R$ 28 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 16 X 23cm
Nº páginas: 156
Peso: 299g
Contra Capa
A experiência estética do mundo da natureza e do mundo da cultura, quando problematizada e intensificada pela arte, não se opõe, mas também não se subordina, aos imperativos do saber ou da conduta política e moral.
Tal experiência é, ao contrário, o movimento pelo qual podem ser criadas uma nova lógica e uma nova ética da sensação e do convívio, um novo pensamento sobre ser e sociedade.
A imagem, entendida em seu papel constitutivo da função sujeito, é forma originária: mundo e subjetividade são pólos gerados no elemento da imagem, o qual lhes é, portanto, anterior e exterior. É nesse elemento que, primeiramente, sujeito e mundo se diferenciam.
Os dez artigos reunidos investem nas relações entre produção de imagem e processos de subjetivação. Ao enfatizar o papel da imagem de arte nesses processos, em particular o filme, querem ser breves intervenções de um certo modo de pensar, na e pela escrita, as formas de sociabilidade e comunicação hoje hegemônicas.
Sumário:
Introdução
Arte como escrita
Estética e existência
O que será da arte, hoje?
Cinema e violência
Sujeito e narração no cinema
Notas sobre a construção da narrativa cinematográfica
A imagem em chamas
Brasilidade e cinema brasileiro
A experiência do espectador comum de cinema
Luz e letra: ensaios de arte, literatura e comunicação, de Eduardo Kac

Luz e letra: ensaios de arte, literatura e comunicação
Eduardo Kac
Preço: R$ 56 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 16 X 23cm
Nº páginas: 432
Peso: 755g
Contra Capa
Apresentação de Abraham Palatnik e Prefácio de Paulo Herkenhoff
Reúne textos teóricos, manifestos, artigos, depoimentos, entrevistas e documentos publicados nos anos 1980 pelo artista plástico e poeta experimental Eduardo Kac.
Durante essa década, sua atuação crítica e sua prática como artista demarcaram uma plataforma de intervenção cultural calcada na mídia e em exposições, palestras, performances e publicações.
Radicado desde 1989 em Chicago, nos Estados Unidos, onde se projetou internacionalmente com sua bioarte e suas obras de telepresença, Kac mantém viva sua arte no Brasil.
Apresentados em conjunto pela primeira vez, estes textos revelam o engajamento apaixonado do artista e pulsam com a vitalidade e a originalidade com que foram escritos.
Mais que um documento da história cultural do Brasil, Luz & Letra ilumina a permanente reflexão de Eduardo Kac sobre o mundo a sua volta.
Sumário:
Prefácio - Paulo Herkenhoff
Introdução
I. Artes plásticas
1982
A arte xerox de Hudinilson Jr.
1985
Arte e satélite
A revolução high-tech
A holografia feminista de Harriet-Casdin Silver
Novos meios / Multimeios
A arte eletrônica em espaço microscópico
1986
Arte high-tech brasileira
Em Brasil High-Tech, o xeque ao pós-moderno
Os artistas do século XXI
O satélite e a obra de arte na era das telecomunicações
A arte digital de Andy Warhol
Palatnik, pioneiro da arte tecnológica no Brasil
Arte robótica
1987
Em questão a vanguarda: depoimento a Reynaldo Röels Jr.
Imagem, espaço
Ramiro: arte pelo telefone
A interferometria emocional de Margaret Benyon
Muntadas: arte, ciência e mídia
O sonho holográfico de Alexander
1988
Wilson Sukorski: música e inteligência artificial
Telearte em rede
O cinema abstrato
Arte satélite: entrevista com Nam June Paik
Parangolés, entre samba e construtivismo
O abraço via satélite de Paik
O videoteatro de Otávio Donasci
Arte, Heidegger, técnica: a comutação do mistério
II. Tecnologia e Comunicação
1985
Laser, câmera, ação! A imagem tridimensional no cinema e na televisão
Holografia e som
1986
Cinema e teletransporte: A mosca
Brasileiro, ilustre, desconhecido: Landell de Moura
O Museu de Holografia de Nova Iorque
1987
O cinema do futuro
1987 [1985]
A holografia impressa
1988
'Auika!' Nacional Kid contra os Incas Venusianos
Memória by design: a preservação da arte gráfica brasileira
A nova visão do corpo
Holografia erótica
Imagens impossíveis: a computação gráfica de Ormeu Botelho
III. Literatura
1983
As três faces da moeda: poesia brasileira nas décadas de 1960 e 1970
Rebelde sem calça
Escracho
Pimenta nos meus olhos é refresco
1984
Eletropoesia
Poesia holográfica: as três dimensões do signo verbal
1985
Poesia holográfica: a ruptura fotônica
Lumisignos
1986
As façanhas de um jovem Apollinaire
porque holopoesia
1987
A teia do desconhecido: entrevista com Luis Aranha
Ideogramas de Apollinaire
Poesia experimental em Portugal
Richard Kostelanetz, poeta multimídia
Ana Hatherly: o prodígio da experiência
A poesia da nova era
A videopoesia de Melo e Castro
Do rádio ao Neoconcretismo e além: entrevista com Reynaldo Jardim
Wordsl
1988
Letrismo: redução e radicalidade
Sintaxe, leitura e espaço na holopoesia
Holopoesia: de Holo/Olho a Quando?
Atlas: mapa plástico de ousadias
IV. Documentos
1984
Holoscape
1986
Art Sat Link, projeto de arte satélite
Pequena cronologia de arte e tecnologia no Brasil, 1883-1986
1988
Esboço para o Projeto Ornitorrinco
Fontes
Índice onomástico
Índice analítico
Table of contents
Eduardo kac
sobre o mundo a sua volta.
Redes sensoriais: arte, ciência, tecnologia

Redes sensoriais: arte, ciência, tecnologia
Organização de Kátia Maciel e André Parente
Preço: R$ 45 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 16 X 23cm
Nº páginas: 334
Peso: 591g
Contra Capa
Textos de: Nina Czegledy, Michael Punt, Tania Fraga, Jim Gimzewsk, Victoria Vesna, Christa Sommerer, Laurent Mignonneau, Eduardo Kac, Roy Ascott, Margaret Dolinsky, Suzete Venturelli, Mario Maciel, Maia Engeli, Gilbertto Prado, Diana Slaterry, Donna Cox, Ron Wakkary, Peter Anders, Mike Phillips, André Parente, Ricardo Basbaum, Kjell Petersen, Karin Sondergaard, Simone Michelin, Yacov Sharir, Claudia Westermann, Dene Grigar, Lucas Bambozzi, Guto Nóbrega, Pia Tikka, Katia Maciel, Jill Scott e Roy Ascott
A coletânea sistematiza os primeiros resultados dos projetos de pesquisa levados a cabo pelo Núcleo de Tecnologia da Imagem, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e pelo Centre for Advanced Inquiry in the Interactive Arts, University of Wales, College Newport, Reino Unido. Esses projetos têm buscado articular as teorias das novas tecnologias da imagem com a construção de formas inéditas de arte eletrônica.
Ao estabelecer modos contemporâneos de pensar as relações entre arte, ciência e tecnologia como agentes transformadores das escritas e das narrativas do homem, os 32 autores reunidos reportam o que tem acontecido em temas ainda polêmicos como cinema interativo, ambientes multiusuários, projeções imersivas e estruturas pós-biológicas.
Sumário:
Apresentação - Katia Maciel e André Parente
O Planetary Collegium
Roy Ascott
P A R T E 1 | Narrativas e escritas digitais
Cruzamento e colapso do tempo: reconstruindo narrativas
fílmicas históricas e ideológicas em um cenário transformado
Jill Scott
Transcinemas: um, nenhum e cem mil
Katia Maciel
Cinema (interativo) como modelo para a mente
Pia Tikka
Animalice: proposta para uma narrativa interativa
digital com base na lógica paradoxal de Lewis Carroll
Guto Nóbrega
Outros cinemas
Lucas Bambozzi
Literatura eletrônica: tipos e alguns exemplos
Dene Grigar
P A R T E 2 | Performances e interferências urbanas
Táticas para o espaço urbano e virtual: um jogo
Claudia Westermann
Projeto Cidade Inteligente
Yacov Sharir
O centro do crisol
Simone Michelin
Notas sobre a criação de uma ruptura na consciência
pelo movimento, geradora de um agenciamento artístico
Karin Sondergaard
Artistas performáticos como ferramentas
de criação de obras de arte telemáticas
Kjell Petersen
P A R T E 3 | Processos de visualização
Atravessamentos (Visorama-NBP)
André Parente e Ricardo Basbaum
Construções interativas
Mike Phillips
Sinergias: tecnologias em espaços físicos e ciberespaços
Peter Anders
Linguagem-padrão: uma abordagem em rede do design?
Ron Wakkary
A arte e a ciência da visualização: mapas metafóricos e modelos culturais
Donna Cox
Escrevendo na trilha da quarta dimensão: o modelo Glide de escrita multidimensional
Diana Slaterry
P A R T E 4 | Ambientes virtuais
Desertesejo: um projeto artístico de ambiente virtual multiusuário
Gilbertto Prado
Espaços alterados nos games em primeira pessoa
Maia Engeli
Arte nos motores gráficos dos jogos de computador
Suzete Venturelli e Mario Maciel
Artes e tecnologia imersiva de projeção
Margaret Dolinsky
P A R T E 5 | Estruturas pós-biológicas
Fluxo biofotônico:unindo realidades virtual e vegetal
Roy Ascott
O Oitavo Dia
Eduardo Kac
Da poesia da programação à pesquisa como forma de arte
Christa Sommerer e Laurent Mignonneau
A síndrome de nanomeme: borrar fato e ficção na construção de uma nova ciência
Jim Gimzewsk e Victoria Vesna
Pensando pensamentos líquidos
Tania Fraga
Nem Ciência nem História: arte pós-biológica e seus primos distantes
Michael Punt
Ciência, indústria e arte: a extensão biométrica do corpo humano
Nina Czegledy
novembro 21, 2005
Alfabeto Visual

ALFABETO VISUAL, de RUBENS PILEGGI SÁ
Esse livro é a compilação de textos dos três primeiros anos da coluna ALFABETO VISUAL (setembro de 1999 a dezembro de 2002), sobre arte contemporânea, escritos semanalmente no jornal Folha de Londrina e agora no CanalContemporâneo, também.
O que se destaca nesse livro é o debate sobre arte contemporânea no momento mesmo em que ela está se fazendo, sendo que seu autor, também artista, participa como agente desse processo em que as mediações realizadas no circuito da arte, como as questões de curadoria, crítica, museus, galerias e mercado são colocadas em discussão diante das estratégias de uso do espaço como territórios em que arte e vida buscam fundir-se.
"E, como não poderia deixar de ser, Rubens Pileggi nos oferece seu alfabeto Visual como 'acorde dissonante diante do jornalismo diário' - que recebemos com muito prazer e ouvidos atentos. Está, portanto, na região de recepção do do olho-ouvido a riqueza e a singularidade da coletânea de escritos aqui reunidos".
Ricardo Basbaum - trecho do prefácio
trecho: O Artifício da criação
Passar os olhos pela superfície da página, fazendo com que todo o mecanismo de atenção se volte para o próprio corpo do leitor. Tocar seu pensamento por chaves que abram portas para a passagem ao salão da imaginação. Para que, com a ferramenta das idéias, outras proposições sejam colocadas em circulação. Palavras inventadas para multiplicar as possibilidades da leitura, para se conectarem ao que, aqui, procura expandir e contaminar, atravessando suavemente e delicadamente toda a matéria sensível que pode ser tocada pela percepção de algo à nossa volta. No caso, à nossa frente, o toque das palavras.
Formato fechado: 15,5 X 32cm
Nº páginas: 149
P&B c/ imagens
Peso: 360g
Atrito Art Editora
Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura de Londrina
Preço: R$ 25 + correio
Como comprar:clique aqui para se informar
Metacorpos

METACORPOS
Preço: R$50 + correio
Como comprar: clique aqui para se informar
Formato fechado: 21 x 26,5 cm
Nº páginas: 160
Impressão: offset, 4 x 4 cores
Tiragem: 1500 exemplares
Edição bilíngüe: português / inglês
Peso: 689g
Textos (ensaios): Lúcia Santaella, Nízia Villaça, Stella Senra, Viviane Matesco, Vitoria Daniela Bousso
Realização: Paço das Artes e Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo
Sinopse:
Esta publicação insere-se na proposta editorial do Paço das Artes de criar referências teóricas sobre a arte contemporânea nacional e internacional. Além dos ensaios, o livro contém sinopses das obras que integravam a exposição Metacorpos, realizada entre 3 de novembro e 14 de dezembro de 2003, no Paço das Artes. As sinopses contextualizam a produção dos artistas Alair Gomes, Caetano Dias, Sandra Cinto, Janaina Tschäpe, Dennis Oppenheim, Patricia Piccinini, Cindy Sherman, Nan Goldin, Laura Lima e o grupo Corpo de Baile, presentes na exposição. O livro contém, ainda, grande quantidade de imagens coloridas, apresentando vistas da exposição e detalhes das obras.
Os textos do Metacorpos:
Esta mostra é oportuna para que se conheça também uma série de estudos profundos desenvolvidos por intelectuais brasileiros sobre o tema. O texto da curadora Vitória Daniela Bousso em Metacorpos fala do corpo como metalinguagem, como "re-condutor" de sentidos. Lucia Santaella avalia como este assunto é tratado desde os anos 70 até os dias de hoje. Já Nízia Villaça analisa a representação do corpo no século XX, estendendo-se até os anos 60. Stella Senra trata das abordagens sobre a pele em suportes como o cinema, expandindo sua pesquisa para o computador e vídeo. Viviane Matesco realiza uma investigação importante sobre como o corpo foi abordado por parte dos artistas brasileiros nos últimos 30 anos.
Trecho inicial do texto de Lucia Santaella: O corpo na arte: dos anos 1970 à biocibernética atual
A história da arte demonstra que o corpo humano sempre esteve, de uma maneira ou de outra, com maior ou menor intensidade, no foco de atenção dos artistas. Desde o mundo grego, a par do teatro e da dança, que são artes do corpo por excelência, também nas artes visuais as medidas perfeitas compunham o modelo abstrato de um corpo ideal. Na arte religiosa, a imagem do corpo era emanação do sagrado. Ao se desprender da religiosidade, o corpo foi encontrando na arte da escultura e da pintura, especialmente no retrato, formas privilegiadas de registro.
Não obstante sua aparição constante, particularmente nas artes do Ocidente, nada pode ser comparável à crescente centralidade do corpo nas artes a partir das vanguardas estéticas no início do século passado. Além de onipresente, no decorrer do século XX até hoje, o corpo foi deixando de ser uma representação, um mero conteúdo das artes, para ir se tornando, cada vez mais, uma questão, um problema que a arte vem explorando sob uma multiplicidade de aspectos e dimensões que colocam em evidência a impressionante plasticidade e polimorfismo do corpo humano. É o corpo como algo vivo, na sua vulnerabilidade, seu "estar no mundo", suas transfigurações, que passou a ser interrogado. Não foram poucos os fatores responsáveis por esse questionamento.
Segundo Palumbo (2000, p. 75), no curso do século XX, sobretudo dos anos 60 para a frente, o esquema conceitual da ciência moderna, elaborado por Galileu e Descartes e completado por Newton, atingiu finalmente uma crise. O conceito de natureza como ordem objetiva e causal, governada por leis que regulam os fenômenos de uma maneira determinada, tornando-os previsíveis, e o conceito de ciência como conhecimento matemático, baseado no cálculo e na medida quantitativa, evidenciaram-se contraditórios, quando relacionados com a natureza caótica, criativa e imprevisível dos sistemas vivos.
Juntamente com as artes e as ciências, também na literatura, filosofia e psicanálise as dimensões da corporalidade foram radicalmente questionadas. Depois de Foucault, com Derrida e Deleuze, a crise do sujeito e da razão abriram o caminho para um modo de pensar destinado a desconstruir a natureza unívoca do sentido e da forma, do ser e do logos. No cerne dessa crise, tratou-se também de redescobrir a natureza intensiva do corpo.
As margens instáveis entre o ego e o mundo, entre o real e o imaginário, entre o existente e o projetado fizeram do corpo um sistema de interações e conexões. Como matéria do vivido, o corpo tornou-se foco privilegiado para a atividade constante da modificação e adaptação por meio da troca de informação com o ambiente circundante. Esse caráter mutável do corpo em transição perene, sistema auto-organizativo com capacidade de responder à mudança, produzindo mudança, entra em sintonia com um mundo em que os fluxos, movimentos e conexões acentuam-se cada vez mais.
Para muitos autores, este estado de coisas resultou, sobretudo, da aceleração das descobertas científicas e tecnológicas que vem afetando profundamente nossas habilidades para observar, transformar e manipular as funções corporais e nossos conceitos do corpo. Pesquisas em campos como a farmacologia, fisiologia cerebral, tecnologia reprodutiva, doenças, próteses e a biônica levantam questões psíquicas e culturais que vão muito além dos limites meramente técnicos. As distinções entre masculino/feminino, vivo/morto, natural/artificial, corpo/descorporificação, eu/outro, autônomo/controlado, orgânico/inorgânico estão sendo crescentemente erodidas. Quais são os limites naturais do corpo quando o humor, a força, a energia, a potência sexual e a inteligência são manipulados por drogas? Quais são as fronteiras do corpo, quando se faz cirurgia plástica, usa-se um aparelho de audição, um marcapasso ou um quadril artificial? (Wilson, 2002, p. 150). Enfim, o corpo foi se tornando um foco de indagações e contestações para o qual converge grande parte dos discursos culturais. Longe de estar à margem desses discursos, a arte, ao contrário, é a esfera da cultura que toma a dianteira, fazendo emergir complexidades até então insuspeitadas e que as teorias e críticas das artes buscam deslindar.
Em trabalhos anteriores (Santaella, 2003b, p. 271-298), desenvolvi o argumento de que a crescente problematização do corpo foi acompanhando pari passu as gradativas e também crescentes metamorfoses do corpo, sob efeito de suas simbioses com as tecnologias. Quer os artistas trabalhem ou não com dispositivos tecnológicos, o corpo veio se tornando objeto nuclear das artes, porque as mutações pelas quais está passando produzem inquietações que se incorporam ao imaginário cultural. Mesmo que essas mutações não sejam imediatamente visíveis e mesmo que as inquietações não sejam conscientemente apreendidas, elas têm estado no cerne da cultura há algum tempo. Um indício disso encontra-se muito justamente nas artes, pois são os artistas que sabem dar forma a interrogações humanas que as outras linguagens da cultura ainda não puderam claramente explicitar.
