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abril 25, 2011

Crise na Fundação Nemirovsky arrisca trabalho exemplar por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Crise na Fundação Nemirovsky arrisca trabalho exemplar

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 22 de abril de 2011.

Renúncia dos conselheiros da instituição foi motivada por pedido de afastamento do presidente Jorge Wilheim

As obras da coleção cumpriram o objetivo de José e Paulina Nemirovsky de circular o mundo

É temerário o futuro da Fundação Nemirovsky. A renúncia dos cinco conselheiros eleitos, na última quarta, colocam em xeque um trabalho exemplar de preservação de uma coleção única do modernismo brasileiro.
Especialmente desde que se instalou na Estação Pinacoteca, em 2004, a Fundação, sob a presidência de Jorge Wilheim e a direção-executiva de Maria Alice Milliet, organizou não só excelentes mostras, como também catálogos referenciais -como "Mestres do Modernismo", da exposição inaugural do convênio com a Pinacoteca.

As obras da coleção ainda circularam o mundo, cumprindo o objetivo de José e Paulina Nemirovsky ao torná-las públicas.

A crise que se inicia agora parte de uma leitura do estatuto da fundação, segundo o qual os membros eleitos não poderiam ter mais de dois mandatos, o que Wilheim teria violado ao se tornar presidente pela terceira vez.

No entanto, a ação do promotor e curador de fundações do Ministério Público Estadual, Airton Grazzioli, em prontamente pedir o afastamento de Wilheim aparenta-se um tanto precipitada.

Afinal, foi ele quem manteve o então presidente da Bienal de São Paulo, Manuel Francisco Pires da Costa, que assumiu ter violado os estatutos da Bienal ao contratar parentes para prestar serviços à instituição, em 2007.

INCOERÊNCIA
Estranho, então, que um presidente, Pires da Costa, que assumidamente violou os estatutos, seja mantido no cargo, levando a Bienal para o buraco, enquanto com outro, Wilheim, sobre o qual não pairam dúvidas de má gestão, a ação tenha sido tão enérgica.

Na própria Bienal de São Paulo, há dois anos, quando Heitor Martins assumiu, o promotor conseguiu uma fórmula para manter a mulher do presidente, Fernanda Feitosa, utilizando o pavilhão da Bienal para sua feira de arte, o que contraria os estatutos da instituição.

Agora, com a renúncia coletiva, Grazzioli anuncia que pretende indicar os novos membros. Sabe-se que foi a própria criadora da fundação, Paulina Nemirovsky, quem indicou Wilheim e colocou Milliet na diretoria.
Os futuros nomes terão a mesma legitimidade? O Ministério Público corre o risco de, depois de quase acabar com a Bienal, colocar em risco uma da melhores coleções modernas do país.

Posted by Cecília Bedê at 12:09 PM