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outubro 19, 2009

''O Brasil é o único país que não cultua seus gênios'' por Ivan Cardoso, Estado de S. Paulo

''O Brasil é o único país que não cultua seus gênios''

Entrevista de Valéria França originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 18 de outubro de 2009.

O cineasta Ivan Cardoso, de 57 anos, realizou o filme HO, documentário sobre Hélio Oiticica, em 1979. Cardoso conheceu Hélio quando o artista foi dar uma palestra no colégio onde estudava, no Rio. A partir daí, viraram amigos. "A terra parou quando entrei pela primeira vez na casa de Hélio. Ele me apresentou um mundo maravilhoso da criação." Ivan avalia o que representa para o Brasil a perda do acervo de Oiticica.

O que significa um incêndio como este?

O Brasil não é um local adequado, pois é o único que não cultua seus gênios. Só aqui acontece um incêndio num acervo desta importância. Até o Museu de Arte Moderna já pegou fogo aqui no Rio.

Mas você diz que o Brasil não cultua seus gênios. Por quê?

Eles ficam esquecidos. Veja, por exemplo, Haroldo de Campos e Torquato Neto.

O que representa Hélio Oiticica para a arte?

Hélio representou na arte um voto de fé, que é o maior dom que Deus deu para o ser humano. Além de ser um grande criador, pensou sobre o processo de criação das artes plásticas. Criar era um veículo de experimentabilidade.

Qual é o melhor exemplo disso?

São os parangolés, que eram capas, estandartes e bandeiras. Eles funcionavam mais no corpo dos sambistas da Mangueira do que estáticos em qualquer outro lugar. Feitos de panos coloridos, que podiam levar retratos ou palavras, que só se revelavam com o movimento. A obra passava a existir plenamente neste momento, quando estava no corpo de alguém.

Como você ficou amigo de Hélio Oiticica?

Ele era acessível, muito democrático. Tinha mais chance com ele um pobre do que um rico. Quando reconhecia o talento e a criatividade, adorava incentivar. Foi o que fez comigo. Foi por causa dele que me descobri como artista.

Posted by Patricia Canetti at 2:39 AM | Comentários(1)
Comments

"Hélio representou na arte um voto de fé, que é o maior dom que Deus deu para o ser humano. Além de ser um grande criador, pensou sobre o processo de criação das artes plásticas. Criar era um veículo de experimentabilidade." ( cineasta Ivan Cardoso)
Concordo palavra por pensamento com Ivan Cardoso:
O Brasil surpreende com a falta cuidado com acervos de valor inestimável! É um desrespeito à nossa memória cultural.
Até quando? "...até o próximo incêndio?" ( Marcos Augusto Gonçalves).
É... Até quando? Revolta!
Hebe Azevedo Salgado Serpeloni

Posted by: Hebe Azevedo Salgado Serpeloni at fevereiro 1, 2010 11:43 AM
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