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fevereiro 10, 2017
Eva Doris deixa a secretaria de estado de Cultura por Luiz Felipe Reis, O Globo
Eva Doris deixa a secretaria de estado de Cultura
Matéria de Luiz Felipe Reis originalmente publicada no jornal O Globo em 6 de fevereiro de 2017.
Para o cargo o governador Pezão nomeu o deputado estadual André Lazaroni
RIO — Quase dois meses após o governador Luiz Fernando Pezão ter prometido que manteria Eva Doris Rosental como secretária de estado de Cultura, o governo voltou atrás, a exonerou e nomeou o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Lazaroni, para seu lugar. A informação foi publicada no Diário Oficial do estado na última sexta-feira. Eva Doris ocupava o posto desde janeiro de 2015.
Formado em direito, com especialização em direito ambiental, Lazaroni é filho da professora, escritora e política Dalva Lazaroni. Deputado estadual reeleito em 2015 para o quarto mandato consecutivo, sua atuação política é marcada por ações nas áreas do esporte e do meio ambiente — entre 2013 e 2014, licenciou-se da Alerj para assumir a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Rio e a presidência da Superintendência de Desportos do Estado (Suderj).
No ano passado, o novo secretário esteve envolvido em uma polêmica, após a prefeitura ter contratado sem licitação empresas que têm entre os acionistas seu pai e seu tio para concluir obras da Olimpíada depois de romper o contrato com empresas escolhidas em concorrência pública.
Ao GLOBO, a ex-secretária afirmou que "apesar das dificuldades financeiras por que passa o estado, a secretaria está bem estruturada e conta com uma equipe técnica competente e comprometida com os projetos que desenvolve".
Ainda na tarde desta segunda-feira Eva Doris terá um encontro com o novo secretário, que planeja "estudar a situação da SEC e dar prosseguimento às atividades e ações conduzidas até aqui", disse.
Em novembro de 2016, Pezão havia decidido submeter a Secretaria estadual de Cultura (SEC) à Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. O anúncio da decisão levou a um amplo movimento reivindicando a permanência da pasta.
Guiada por representantes do Conselho Estadual de Política Cultural e por diversos movimentos culturais, a campanha #FicaSEC ganhou adesão popular e de um grande número de deputados, que iniciaram a redação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com o objetivo de transformar a secretaria em um direito fundamental na Constituição Estadual.
Pressionado, o governador decidiu manter a SEC. Em dezembro passado, Pezão entrou em contato com Eva Doris para comunicar que a secretaria teria a sua autonomia mantida.
fevereiro 6, 2017
Sérvulo Esmeraldo juntou luz do sertão, concretismo e arte cinética por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Sérvulo Esmeraldo juntou luz do sertão, concretismo e arte cinética
Análise de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 2 de fevereiro de 2017.
"Estamos sempre entre o olhar e o ver", escreveu Sérvulo Esmeraldo. "Sou um observador, um colecionador de imagens. Meus primeiros desenhos eram linhas. Eu observava a incidência da luz, que evidenciava e definia os volumes ao longo do dia. Nunca passei para o abstrato. Minha escrita sempre foi concreta."
Tão concreta e dura quanto a luz sem trégua do Crato, o oásis do sertão cearense, onde nasceu. Esmeraldo, morto nesta quarta, aos 87, fez esses seus primeiros esboços ainda no sótão da casa-grande do engenho de Bebida Nova, com vista para um "vale que se estende por milhares de léguas".
Não espanta, aliás, que ele tenha se firmado na gravura, uma arte de contornos rígidos cavados na madeira, antes de inventar as imensas esculturas metálicas que espalhou por Fortaleza e a famosa série dos "Excitáveis", que criou nas décadas que passou em Paris.
Sua obra, na verdade, parece arquitetada a partir do encontro de três elementos distantes no mapa-a luz do sertão inundando a serra do Araripe, o auge do concretismo que viu em São Paulo e o movimento cintilante da arte dos cinéticos que dominaram a capital francesa ao longo das décadas de 1950 e 1960.
Esmeraldo primeiro levou influências da literatura de cordel ao ofício de ilustrador do "Correio Paulistano", onde trabalhou enquanto estudava arquitetura. Também viu na capital paulista as primeiras edições da Bienal de São Paulo, maior vitrine para a arte geométrica então em voga.
Esse geometrismo de formas elementares depois ganhou movimento em seus anos parisienses, quando conheceu Julio Le Parc, um dos maiores nomes da vanguarda calcada na ideia de movimento, além da "escrita impecável, seca, dinâmica" de mestres como Picasso e Matisse.
Os "Excitáveis", quadros com peças de acrílico que se movem em contato com a eletricidade estática das mãos, foram a síntese máxima de sua obra plástica, aliando a instabilidade do movimento à contenção formal e a uma luminosidade singular.
Era um contraponto brilhante aos anos de chumbo que asfixiavam o Brasil -mesmo longe, ele chegou a mandar o dinheiro da venda de suas peças para ajudar presos políticos do regime militar. Ele ainda participou três vezes da Bienal de São Paulo -em 1961, 1963 e 1987.
Quando voltou ao Ceará, na década de 1970, Esmeraldo deu um passo monumental, ampliando suas delicadas estruturas geométricas para a escala urbana de Fortaleza. Nessa fase, maravilhado com a força da luz tropical, construiu uma série de esculturas metálicas, todas ainda brilhando à beira do Atlântico esverdeado.
Um dos pioneiros da arte cinética, Sérvulo Esmeraldo morre aos 87 por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Um dos pioneiros da arte cinética, Sérvulo Esmeraldo morre aos 87
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 2 de fevereiro de 2017.
Um dos pioneiros da arte cinética e autor de obras de geometria e luminosidade singulares, Sérvulo Esmeraldo morreu nesta quarta (1º), aos 87, em Fortaleza. Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral e estava internado havia quase duas semanas.
Esmeraldo iniciou sua carreira como ilustrador no jornal "Correio Paulistano", em São Paulo, mas foi morar em Paris na década de 1960, onde teve contato com artistas como o argentino Julio Le Parc e o venezuelano Jesús Rafael Soto, que então davam os primeiros passos na chamada arte cinética, obras calcadas na ilusão do movimento ou com detalhes que de fato se mexem, caso de algumas de suas obras.
Sua série mais célebre, os "Excitáveis", foi criada ainda em seus anos parisienses. Era formada por quadros com pequenas peças de acrílico, que se moviam em contato com a eletricidade estática das mãos do espectador.
Em paralelo, o artista se engajou na luta contra a ditadura no Brasil, tendo atuado no grupo de resistência América Latina Não Oficial, que ajudava refugiados do regime militar.
Sua última mostra em São Paulo foi há dois anos na galeria Raquel Arnaud, onde mostrou novas peças metálicas criadas a partir de projetos de obras criados ao longo das últimas décadas.
Em Fortaleza, o cearense nascido no Crato, no interior do Estado, também chegou a criar grandes esculturas públicas, como o Monumento ao Saneamento da Cidade de Fortaleza. Seu corpo será velado nesta quinta (2), no Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará.
Casa Barão de Camocim de Fortaleza ocupada!, Ninja
Casa Barão de Camocim de Fortaleza ocupada!
Matéria originalmente publicada no Ninja em 2 de fevereiro de 2017.
Nesta manhã (2), integrantes do movimento Vila VIVA ocuparam a Casa Barão de Camocim - Vila das Artes como forma de resistência ao desmonte da atual gestão da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), que tomou posse em janeiro deste ano.
Dos quinze funcionários da Vila, nove foram demitidos no dia 09 de janeiro pela Prefeitura de Fortaleza, incluindo os coordenadores dos cursos de dança e de audiovisual. Enquanto a classe artística destaca o perigo do desmonte, a recém-empossada gestão de Evaldo Lima, titular da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), afirma que a demissão em massa “não representa necessariamente afastamento definitivo de todos (os funcionários)”.
Abaixo a carta aberta do movimento.
Ocupação Vila Viva
Carta Pública sobre a ocupação da Casa do Barão de Camocim / Vila das Artes.
Nós, integrante do movimento Vila VIVA, decidimos por ocupar a Casa do Barão de Camocim, edificação pertencente ao projeto inicial da Vila das Artes, como forma de resistência às tentativas de desmonte que a Vila vem sofrendo desde o início da atual gestão da Secultfor.
Diante de várias tentativas de diálogo, reuniões com a secretaria, fórum de linguagens e tendo em vista a incapacidade do secretário Evaldo Lima de conversar com nitidez sobre o que a sua gestão planeja para o futuro da Vila das Artes, percebemos que a ocupação foi a alternativa encontrada para reivindicar e lutar pela continuidade de um projeto que tem sido construído a dez anos.Nove funcionários foram demitidos no início de janeiro e a nova direção está sendo escolhida sem a transparência que isso requer.
Os alunos, professores e o conselho da escola de audiovisual foram excluídos desse processo, todos os caminhos indicam um futuro nebuloso, nesse espaço de tempo, os alunos vem agir para proteger a Vila das Artes.A ocupação da Vila das Artes acontece para mostrar a luta dos estudantes e artistas por um espaço de formação em artes de qualidade, com autonomia e liberdade para invenção. E SÓ VAI PARAR quando nossas demandas forem atendidas.
- A participação na escolha do(s) nome(s) da nova diretoria, através da indicação, por parte do Fórum de Linguagens, de uma lista tríplice.
- Cancelamento imediato de todas as demissões, que serão re-avaliadas pelo conselho junto a nova direção garantindo uma transição que não prejudique os cursos e programas em andamento.
- A garantia da efetivação do Projeto Político Pedagógico, que foi construído coletivamente ao longo desses dez anos.
- Garantia da efetiva integração da Casa do Meio e Casa do Barão para o complexo Vila das Artes.
- Implementação imediata de um Conselho administrativo deliberativo composto majoritariamente por representantes da sociedade civil e demais instituições de formação em arte.
- Tornar público o orçamento real da Vila das Artes para o ano de 2017 tendo em vista a sua ampliação para a Casa do Meio e Casa do Barão já com seu corpo técnico em definição. Realização de seminário público sobre a destinação da Casa do Barão e Casa do Meio.
- O planejamento e a viabilização da institucionalização da escola, que possibilita entre outros benefícios a garantia de recursos.
