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Como atiçar a brasa

 


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julho 3, 2013

O boom atual dos negócios de arte no Brasil por Alex Ricciardi, Forbes Brasil

O boom atual dos negócios de arte no Brasil

Matéria de Alex Ricciardi originalmente publicada na Forbes Brasil em 30 de março de 2013.

Compra e venda de obras já é uma atividade econômica de grande porte no país

O momento é belo para a compra e venda de obras de arte no Brasil. Quarenta galerias de sete Estados brasileiros, que juntas representam, aproximadamente, 900 artistas, reportaram, por meio de uma pesquisa, um forte aumento dos negócios. Essas empresas atuam no chamado mercado primário (ou seja, trabalham com o artista em atividade) e cresceram em média 44% nos últimos dois anos.

O segmento de arte do país registrou, em 2011, um recorde de exportações, com vendas de US$ 60,1 milhões. Em 2013, sairá um livro da prestigiada editora alemã Taschen sobre a trajetória de uma das artistas plásticas brasileiras de maior sucesso fora do país, a carioca Beatriz Milhazes – há apenas três meses, uma obra dela foi vendida por U$S 2,1 milhões.

O mesmo levantamento aponta que o perfil dos compradores de arte no Brasil tem forte predominância de colecionadores particulares brasileiros – estes já são responsáveis por 66% das vendas, contra 15% de colecionadores vindos do exterior e apenas 8% das instituições culturais nacionais, mesmo percentual das empresas privadas. A pesquisa foi conduzida pela Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) e pelo projeto setorial de arte contemporânea da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), e terá evento de lançamento durante a SP-Arte (uma grande feira de galerias de arte), em maio.

O mercado de arte brasileiro estaria, enfim, decolando? “Nos últimos cinco anos, observamos o crescimento e fortalecimento do setor em um ritmo acelerado. E vários são os motivos”, responde Alexandre Roesler, um dos responsáveis pela galeria paulistana Nara Roesler, das maiores da cidade. “O aumento do interesse internacional em tudo que está acontecendo no Brasil, inclusive no mercado de arte, tem ajudado a divulgar nossa produção no exterior.

Importantes instituições como o MoMA, de Nova York, e a Tate Modern, de Londres, têm apresentado artistas brasileiros como Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Mira Schendel, Carlito Carvalhosa etc., confirmando que a arte brasileira está cada vez mais no radar de seus comitês de aquisição.” E ele observa: “Artistas como Vik Muniz, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes estão sempre presentes nos leilões internacionais. E outros mais jovens, como Cinthia Marcelle, Paulo Nazareth, Marcius Galan e Rodolpho Parigi, também vêm conquistando, por seu lado, uma crescente visibilidade no exterior”.

Um dos sintomas mais claros deste novo momento do setor artístico brasileiro é o fortalecimento acelerado do Brazil Golden Art. Trata-se do primeiro fundo de investimentos em arte do país. O BGA é gerido pelo banco Brasil Plural. A aposta do fundo é a arte contemporânea brasileira. Seu acervo hoje conta com cerca de 600 peças. Atualmente, trata-se de um fundo fechado, que foi criado há um ano e meio e tem 70 investidores. À época de seu lançamento, o BGA ficou aberto para captação durante 15 dias – e conseguiu, nesse período, amealhar R$ 40 milhões. O plano do fundo é investir esse dinheiro durante três anos, comprando obras, e então se desfazer das peças em cerca de 24 meses. O lucro virá, para os investidores, justamente da forte valorização das obras. “O que motivou a criação do BGA foi o momento de especial prestígio e visibilidade que a produção artística brasileira vive no mercado nacional e internacional”, confirma Heitor Reis, sócio-fundador do BGA.

É interessante observar que o surgimento do Brazil Golden Art coloca o país no mesmo diapasão que o de alguns dos maiores mercados mundiais de compra e venda de obras artísticas. Atualmente existem outros fundos semelhantes ao BGA atuando no restante do mundo, tais como o The Fine Art Fund Group, que tem abrangência global e US$ 150 milhões captados. Há também o Art Collection Fund, com sede em Luxemburgo, e o Art Mundi Global Fund, que atua em Miami, México, Xangai e Espanha e possui outros US$ 150 milhões em carteira.

Cada fundo tem suas especificidades, com prazos, estratégias e regulamentos diferenciados. “O mercado de arte brasileiro, salvo exceções, está começando a se profissionalizar agora”, pondera Reis. “A grande diferença dele em relação ao mercado internacional são os valores das obras comercializadas. As obras internacionais estão com valores muito acima das brasileiras de uma maneira geral. Entretanto, a médio e longo prazo a nossa produção, por sua excelente qualidade, chegará a preços equivalentes aos praticados no mercado internacional”, aposta o executivo.

Mas o tamanho do mercado artístico nacional é qual, dentro do contexto latino-americano? “Imagino que seja um dos dois maiores da América Latina, ao lado do mexicano. Logo atrás deles, a atividade de compra e venda de obras de arte na Colômbia é outra que se destaca”, responde Alexandre Gabriel, diretor da Galeria Fortes Vilaça, em São Paulo. “O vigor deste setor no país é tal que até mesmo galerias famosas da Europa estão vindo para cá. É o caso da inglesa White Cube, que em dezembro passado inaugurou sua segunda filial fora do Reino Unido – a outra fica em Hong Kong –, na Vila Clementino, em São Paulo”, lembra Gabriel.

A White Cube resolveu vir para cá graças, em especial, à boa performance que seus negócios já vinham apresentando no Brasil. Em maio do ano passado, a companhia faturou 1,4 milhão de libras (R$ 4,6 milhões) apenas no dia da inauguração da SP-Arte, uma das maiores feiras do setor no país. Em setembro, ela teve também fortes vendas na ArtRio, outro grande evento nacional da área. “As feiras têm um papel importante, pois colocam a arte brasileira no mapa mundial do setor”, reforça Alexandre Roesler. “Várias galerias locais participam do circuito das feiras internacionais, levando a arte brasileira para os mais diversos destinos como Miami, Nova York, Basel, Londres, Hong Kong, Dubai etc. E as feiras brasileiras SP-Arte e ArtRio atraem cada vez mais galerias estrangeiras, aumentando o intercâmbio cultural”, completa ele.

Até mesmo ações inovadoras estão sendo geradas nesse meio. O site Nail on Wall tem como objetivo oferecer para os usuários uma maneira nova de encontrar arte. Uma série de obras está exposta no endereço eletrônico – e havendo interesse do usuário em uma tela no Nail on Wall, o site o coloca em contato com a galeria que a comercializa, para que o interessado possa vê-la ao vivo e adquiri-la. “Esperamos, até o final do ano, ter mais de mil trabalhos sendo exibidos no Nail on Wall, de galerias nacionais e internacionais”, conta Luca Parise, criador do site.

Nos próximos anos, o setor deve continuar se expandindo com força. “As perspectivas para o mercado brasileiro são as melhores possíveis, pois a arte local é diferenciada em sua estética e poética”, afirma Heitor Reis, do BGA. “Por isso, ela se internacionalizou e passou a ser reconhecida e respeitada pela crítica especializada e pelo mercado mundial, tendo forte presença nas principais catedrais da arte, a exemplo da Tate Modern, do Louvre, do MoMA, das bienais e das feiras. Trata-se de uma conjunção fundamental para que os artistas brasileiros estejam hoje no patamar dos melhores do mundo, propiciando excelentes oportunidades de investimento e retorno de capital”, afirma Reis, confiante.

Posted by Patricia Canetti at 12:23 PM

Amazon busca acordo com galerias de arte dos EUA para vender obras on-line por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Amazon busca acordo com galerias de arte dos EUA para vender obras on-line

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 1 de julho de 2013.

Gigante de vendas on-line, a Amazon se prepara agora para entrar no mercado de arte. De acordo com o jornal "The Art Newspaper", de Londres, a empresa norte-americana vem negociando com galerias dos Estados Unidos uma representação virtual de seus acervos. Em cada transação, a Amazon ganharia uma comissão de 5% a 10% do valor da venda.

Embora algumas das maiores galerias do mundo, como a Gagosian, a David Zwirner e a Pace, tenham sede nos Estados Unidos, a proposta da Amazon é se aproximar de casas menores, com obras de valores mais acessíveis.

Segundo o "The Art Newspaper", galerias como Eleven Rivington, On Stellar Rays, Vogt e Zach Feuer foram procuradas pela Amazon, que chegou a propor anonimato às casas, deixando que vendessem obras de seus acervos sob pseudônimo até o site ganhar mais credibilidade.

No Brasil, o site Submarino também entrou no mercado de arte, abrindo um espaço chamado galeria Motor há quatro anos. Embora ainda esteja no ar, vendendo múltiplos de artistas conhecidos como Nelson Leirner, Cao Guimarães e Luiz Hermano, o volume de transações ficou abaixo da expectativa do mercado nacional.

Posted by Patricia Canetti at 12:19 PM

"Falta incentivo a ideias originais na ciência no país", diz neurocientista brasileira por Fernando Tadeu Moraes, Folha de S. Paulo

"Falta incentivo a ideias originais na ciência no país", diz neurocientista brasileira

Matéria de Fernando Tadeu Moraes originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 10 de junho de 2013.

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, 40, dedicou-se nos últimos anos a entender como o cérebro humano se tornou o que é. Seu trabalho a levou a ser a primeira brasileira convidada a falar no TED Global, famoso evento anual de conferências de curta duração que reúne convidados de várias áreas do conhecimento.

Herculano apresentará em sua fala de 15 minutos, nesta quarta, os resultados de suas pesquisas sobre como o cérebro humano chegou ao número incrivelmente alto de 86 bilhões de neurônios: o consumo de alimentos cozidos. "Entre os primatas, temos o maior cérebro sem sermos os maiores. Grandes primatas, com a sua dieta de comida crua, não possuem energia suficiente para sustentar um corpo enorme e um cérebro grande."

Na entrevista, concedida por telefone, a professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) dispara críticas à cultura brasileira de pesquisa científica, "que não incentiva a originalidade e a diversidade de pensamento", à pós graduação nacional, "muito fraca", e ao programa de bolsas Ciência Sem Fronteiras, "do jeito que está, parece demagogia" e defende a profissionalização da carreira de cientista.

Folha - Sobre o que a sra. vai falar na palestra no TED?

Suzana Herculano-Houzel - Vou apresentar o resultado do trabalho realizado no nosso laboratório, que mostra que o ser humano não é especial, nosso desenvolvimento cerebral não foge às regras que se aplicam aos outros primatas. Temos o maior cérebro primata sem sermos os maiores primatas. Como o tamanho do cérebro acompanha o tamanho do corpo, em geral, primatas maiores do que nós, como gorilas e orangotangos, deveriam ter um cérebro maior que o nosso e, no entanto, o gorila é duas a três vezes maior do que nós e nós temos um cérebro três vezes maior que o dos gorilas. Descobrimos que há uma explicação de origem metabólica para isso: quando calculamos a quantidade de energia que um primata obtém com a sua dieta de comida crua e quanto custa manter o corpo e o cérebro funcionando, descobrimos que os primatas não têm energia suficiente para sustentar um corpo enorme e um cérebro grande, com muitos neurônios. Também deveríamos obedecer à mesma regra, então nossos ancestrais conseguiram burlar essa limitação energética. Esse jeito, muito provavelmente, foi a invenção da cozinha, que transformou a maneira como aproveitamos as calorias, tornando os alimentos mais fáceis de serem mastigados e digeridos e, portanto, permitindo obter mais calorias em menos tempo.

Com a invenção da cozinha, ter um cérebro grande deixa de ser um risco e passa a ser uma vantagem, ao mesmo tempo que nos libera para fazer coisas mais interessantes com o nosso cérebro. Poderíamos pensar que isso nos faz especiais, mas se você olhar a evolução do cérebro dos primatas, é possível perceber que há muito tempo existe uma tendência de aumento do tamanho do cérebro, mas nos nossos ancestrais e nos grandes primatas isso tinha encontrado essa barreira metabólica.

Minha mensagem na palestra é que o que nos torna notáveis é o número alto de neurônios no córtex cerebral e conseguimos chegar a isso fazendo algo que nenhum outro animal faz que é cozinhar os alimentos.

Recentemente dois grandes projetos ligados à compreensão do cérebro foram anunciados. Na Europa, um investimento de 1 bilhão de euros será destinado a uma simulação em computador do cérebro funcionando e, nos EUA, um consórcio de cientistas vai mapear o cérebro. Como essas iniciativas se inserem no atual quadro de pesquisa da neurociência?

São desdobramentos do que já vinha sendo feito. Se você olhar para a história da pesquisa em neurociência, começamos tentando entender o que cada parte do cérebro faz, para que serve cada estrutura, e isso teve uma explosão extraordinária entre os anos 1990 e 2000 com as técnicas de ressonância magnética e tomografia computadorizada, que nos permitiram construir um mapa do que faz cada pedaço do cérebro. Nos últimos cinco anos, começou uma busca pela compreensão de como partes diferentes do cérebro interagem, colaboram e trocam informações. Nesse processo emerge a consciência, o autoconhecimento. Essa é a fronteira final nesse momento.

A sua pesquisa se relaciona de alguma forma com esses projetos?

De certa forma sim. Uma das coisas que estamos estudando e que faz parte de um artigo que acabamos de terminar é entender como os neurônios se distribuem ao longo do córtex humano [camada mais externa e sofisticada do cérebro], entre as diferentes áreas. Começamos uma pesquisa para saber qual é a relação entre a distribuição do número de neurônios e do número de sinapses, tentando entender as regras de construção do cérebro e como se dá a relação entre a distribuição de neurônios e as funções de cada área.

As iniciativas americana e europeia de compreender o cérebro e os experimentos de interface cérebro-máquina, como do brasileiro Miguel Nicolelis, receberam bastante atenção da mídia. A senhora acha que o não cumprimento dos objetivos pode gerar alguma frustração na sociedade e até descrédito para a neurociência?

Tudo depende de como as coisas são apresentadas. A maneira como eu entendo essa iniciativa do consórcio americano é compreender como o cérebro funciona como um todo. Mas, para vender isso para mídia, eles têm que colocar o propósito da cura do alzheimer, porque é um nome que as pessoas reconhecem e pensam "ah, isso é importante". Mas é importante que a mídia dê valor a esses assuntos, para que as pessoas passem a dar mais valor à pesquisa pelo conhecimento que geramos, e não só porque vamos curar doenças. Até porque se o público aprender a reconhecer o valor da ciência pela ciência, não tem por que ter frustração. Toda pesquisa bem feita traz, no mínimo, novas perguntas. Se a pesquisa é bem feita, não existe fracasso.

A senhora se divide entre a pesquisa e a divulgação de ciência, algo raro na nossa academia. Você acha que há uma falha de comunicação entre os cientistas e a sociedade?

Infelizmente a divulgação científica não é muito valorizada nem bem vista pelos cientistas. O CNPq [órgão federal de fomento à pesquisa], por exemplo, não considera a divulgação científica na conta da produtividade do cientista. Mas isso é compreensível. Dada a sobrecarga de ensino e pesquisa dos nossos cientistas, é difícil que eles ainda queiram fazer divulgação sem que isso lhes dê algum tipo de reconhecimento pelos seus esforços. Não sei se estaria fazendo divulgação se eu não tivesse voltado para o Brasil para fazer justamente isso. Depois é que eu voltei a fazer pesquisa.

Quais são os principais problemas na maneira como se faz pesquisa científica no Brasil?

Originalidade zero. Não existe incentivo à originalidade e à diversidade de pensamento. Quando eu cheguei nos EUA [para fazer o mestrado, em 1992], fiquei chocada ao descobrir que as pessoas não param cinco anos no mesmo lugar. Eles têm essa cultura de se mudar constantemente, o que favorece a diversidade de ideias. Aqui, a tradição é entrar na iniciação científica em um laboratório e continuar nele durante o mestrado, o doutorado e o pós-doutorado. E a tendência é a pessoa se aprofundar cada vez mais em um único assunto. Com isso, formamos jovens cientistas bitolados, tudo o que eles sabem é pensar em detalhes daquele único assunto que vêm desenvolvendo desde a iniciação científica. Além disso, a política de contratação nas universidades privilegia os ex-alunos. Criam-se colônias sem diversidade. Colônias em que você tem o fundador original, o chefe do laboratório, e as crias todas vão se espalhando ao seu redor, estudando a mesma coisa.

Como a senhora vê o atual estado da pós-graduação no Brasil?

O nível de exigência aqui é baixíssimo. Nos EUA e na Europa, após um ou dois anos no doutorado, você tem que apresentar o seu projeto de pesquisa original e, antes disso, precisa apresentar outro projeto de pesquisa sobre um tema que não seja da sua área só para provar a capacidade de raciocínio autônomo e original, de reconhecer um problema da ciência e propor um tratamento científico a ele. Aqui, temos um exame de conhecimentos, em que você precisa provar que domina um determinado assunto, mas com isso incentiva-se a repetir e não a gerar algo novo. No fundo, o aluno de doutorado aqui é uma pessoa que trabalha nas linhas de pesquisa de um determinando laboratório sem nenhuma exigência de que tenha contribuído de forma original para a ciência.

A formação dada pela nossa pós-graduação é ruim, então?

É fraca, muito fraca. Não porque faltem bons pesquisadores ou professores, mas porque não há cobrança, não se oferecem cursos com o professor ensinando na lousa, apenas seminários, como que dizendo: "O aluno que busque o conhecimento sozinho".

Como a senhora vê o investimento do governo no programa de bolsas Ciência sem Fronteiras?

Francamente, eu não entendo esse programa. Do jeito que está parece demagogia. Quando se começou a falar em Ciência sem Fronteiras, parecia um negócio extraordinário. Eu havia entendido que abriríamos as fronteiras nos dois sentidos, iríamos mandar jovens cientistas para fora e abrir as nossas fronteiras para os estrangeiros que quisessem vir trabalhar aqui. Poderíamos, quem sabe, acabar com o complexo de vira-lata da gente, de que só os outros que prestam, ao atrair pesquisadores de outros países. Não vemos isso acontecendo. O que se vê é uma porcentagem baixíssima de aprovação de projetos para trazer gente de fora. Pouquíssimas bolsas para enviar jovens para fazerem doutorado e pós-doutorado fora e uma massa enorme de dinheiro usada para mandar alunos de graduação para o estrangeiro, o que me choca pois, na minha avaliação, a graduação no Brasil é muito boa. Fiz graduação aqui na UFRJ e, quando cheguei aos EUA para fazer o mestrado, os professores achavam que eu era uma aluna extraordinária, pois já sabia coisas que eram dadas na pós-graduação de lá. Onde ficamos muito para trás é na pós-graduação.

Apesar de diversos estudos mostrando o malefício das drogas ao cérebro, a senhora tem se posicionado a favor da legalização. Por quê?

O problema maior das drogas é para aqueles que não têm nada a ver com a história e ficam presos no tiroteio, literalmente, que é a violência financiada pelo tráfico. No mundo ideal, gostaria que ninguém pudesse comprar drogas porque elas fazem mal e ponto. Mas também entendo que, por um lado, as pessoas deveriam ter liberdade para fritar o próprio cérebro em paz sem colocar as outras em risco. Vamos tornar as drogas acessíveis em farmácias, controladas pelo governo, para acabar com o tráfico. Mas sou contra a descriminalização, que só tranquiliza o usuário, que pode comprar a droga tranquilo, sem medo de ser preso. Sou a favor da legalização.

Há uma discussão hoje em torno da diminuição da maioridade penal. Do ponto de vista da neurociência, é possível dizer que alguns desses jovens que recentemente cometeram crimes bárbaros não sabiam o que estavam fazendo?

A adolescência é um processo que leva em torno de dez anos, as vezes até mais, e é um processo de transformação do cérebro, em que várias habilidades mudam, melhoram e a última delas é a de se colocar no lugar do outro e de ter um raciocínio consequente, entender os desdobramentos dos seus atos. Em torno de 17, 18 anos, em geral, essas habilidades de raciocínio consequente já existem e funcionam bem o suficiente para você caracterizar a pessoa como um adulto, mas é um processo. Qualquer idade que seja estabelecida vai ser arbitrária. A questão é se a idade que você escolhe como idade arbitrária é bastante segura ou não para você considerar em princípio que todos os jovens que já têm essa idade devem ter a capacidade de avaliar as consequências dos seus atos.

Dezoito anos, então, é uma idade razoável para ser usada como marco?

Acho perfeitamente razoável, talvez pudesse ser 19, ou 17 e meio, mas é importante reconhecer que essa idade é arbitrária. Além do mais, esses crimes hediondos cometidos por jovens não são cometidos porque a pessoa tinha 17 anos e cinco meses e, portanto, não tinha a capacidade de entender que quando ela estava jogando gasolina na dentista ela ia morrer se o fósforo fosse aceso. Uma criança tem essa capacidade. Nesse caso estamos falando de uma coisa diferente. Boa parte desses jovens que cometem crimes bárbaros, hediondos, é sociopata. Há a ideia de que a pobreza é culpa da classe média, de que o bandido é culpa da sociedade que não deu oportunidade. E é nesse tipo de sociedade que o sociopata floresce, uma pessoa perfeitamente sã, racional e capaz, por isso, de manipular os outros. Sociopata é um predador, causando problemas para todo mundo ao redor. Ele faz isso tanto melhor quanto mais as pessoas pensarem "pobrezinho, não é culpa dele, ele não fez nada de errado, ele não tem de ser punido". As pessoas nascem sociopatas e a sociedade tem de se saber como lidar com isso.

Como identificar esse jovem?

Psiquiatras bem treinados sabem fazer essa avaliação. Há sociopatas que jamais vão chegar a matar uma pessoa, mas ainda assim ele pode criar um monte de problemas para as pessoas ao redor dele. Mas considerando apenas os sociopatas que cometem crimes hediondos, eles devem ser reconhecidos e tratados como de fato de são, como uma pessoa cuja taxa de recuperação e de reinserção na sociedade é praticamente zero. E cuja taxa de reincidência é altíssima, não importa a idade. É isso que tem de ser levado em conta. No fundo, não importa a idade da maioridade penal.

A sra. vem defendendo a profissionalização do cientista. O que é isso?

Minha proposta é que o jovem que faz ciência tenha esse trabalho reconhecido, que seja considerado um cientista de fato. Um dos problemas do jovem que trabalha com ciência é que a própria família acha que eles estão de vagabundagem. O trabalho de pesquisa que um jovem faz sob a alcunha de estudante de pós-graduação é de verdade. Terminado o período da pós-graduação, esse jovem continua não tendo a possibilidade de ser contratado como cientista. São raros os institutos de pesquisa que contratam pesquisadores de fato no Brasil. Na grande maioria dos lugares, esse jovem vai ser contratado como professor. O primeiro problema é reconhecer que a pessoa que faz ciência tem um trabalho: ela se chama cientista. Hoje, eu não posso preencher uma ficha de dados e declarar como minha profissão cientista. Essa profissão não existe. E isso contribui para desvirtuar a pós-graduação, pois como o jovem que se forma não pode ser contratado como um pesquisador, a única maneira de ele continuar fazendo pesquisa é ele entrar para a pós-graduação. E ela então vira uma tábua de salvação, como a única maneira de continuar trabalhando no laboratório. E eles são a verdadeira mão de obra da pesquisa no Brasil. O número de publicação de artigos no país vem crescendo de mãos dados com o aumento no número de alunos de doutorado. Quem faz a pesquisa no Brasil são esses "alunos" da pós-graduação que, para mim, são cientistas, são trabalhadores, que deveriam ser reconhecidos como tais, com os direitos e deveres que todo trabalhador tem.

E o que a sra. propõe para melhorar esse quadro?

Proponho que se crie a profissão de cientista e que, para o jovem exercer a função de pesquisador, ele tenha de ser contratado. Se ele vai ou não fazer a pós-graduação também, isso passa a ser uma coisa à parte. A pós poderia passar a ser reservada, como deveria ser, àqueles alunos que demonstrem capacidade de raciocínio original, de propor novas ideias. A profissionalização do cientista não só resolveria o problema de o jovem recém-formado não ter o status de trabalhador com férias, décimo terceiro e tudo o mais, mas também ajudaria a resolver o problema da pós-graduação ser hoje uma tábua de salvação para os nosso jovens e não ser valorizada como ela deveria ser.

Como tem sido a repercussão dessas ideias dentro da universidade?

Críticas só de longe, por e-mail, sem mostrar a cara. Recebo muito apoio de alunos, que querem ter o seu trabalho reconhecido. Eu não entendo muito bem porque a ideia de profissionalizar a ciência incomoda tanto algumas pessoas. Mas as pessoas que se incomodam são as que estão lá no alto, são os diretores de institutos etc. Fica a impressão ruim de que eles não querem perder a mão de obra quase de graça. É muito comum ouvir: "Você está ganhando dinheiro para estudar". Esse é o tipo de mentalidade que mata a ciência. Isso é uma herança do século 18, pois os primeiros cientistas eram diletantes de famílias ricas, que não precisavam de dinheiro para fazer pesquisa. Hoje a realidade é outra, mas faltou mudar essa parte da pesquisa ser reconhecida como trabalho que é.

Quais são os próximos passos da sua pesquisa?

Estamos trabalhando com animais de cérebro enorme. Será o teste da nossa hipótese de que é o número de neurônios que importa e não simplesmente o tamanho do cérebro ou a relação com o tamanho do corpo. Estamos terminando agora de estudar um cérebro de elefante, depois baleias e estamos começando a trabalhar com pássaros para entender a diversidade de maneiras com o cérebro é construído e a relação que isso tem com as capacidades cognitivas e comportamentais dos diferentes animais. Mais adiante, vamos estudar a relação entre a construção do cérebro, o metabolismo e o sono. Por que animais de grupos diferentes têm necessidades diferentes de sono? E como isso está relacionado com o metabolismo do cérebro e o número de neurônios.

Posted by Patricia Canetti at 12:12 PM

Paying Artists Survey: 71% receive no fee for exhibiting por Jack Hutchinson, a-n

Paying Artists Survey: 71% receive no fee for exhibiting

Matéria de Jack Hutchinson originalmente publicada no a-n The Artists Information Company em 6 de junho de 2013.

The first results of AIR's UK-wide Paying Artists Survey – which focuses on artists' experiences of publicly-funded galleries – reveal low earnings, miniscule or no fees at all for exhibiting, and shrinking production budgets.

The first set of results of a survey by AIR: Artists Interaction and Representation reveal that the majority of artists receive no fee at all for exhibiting work and most earn less than £10,000 a year from their practice.

Over 1000 artists took part in the UK-wide survey exploring artists’ experiences of exhibiting in publicly-funded venues in the UK. The survey was developed by DHA Communications within a wider campaign to highlight the need to pay and value artists for their vital contribution to arts and culture. The results will inform the next research stages which include discussions with galleries, professional networks and arts funders.

Key findings from the survey include some sobering figures on the income artists earn from their practice:

- 72% of artists earn up to £10K a year

- 17% earn between £10K and £20K

- Only 12% earn more than £20K

Sales, teaching and commissions were the key sources of income for artists, with most citing 'sharing their work with the public' as the most important reason for exhibiting. However, nearly half of all artists reported that exhibiting their work is prohibitively expensive.

Key findings in relation to exhibiting include:

- 71% of artists surveyed had not received any fee at all for exhibiting. Of those who were paid a fee, over a third received less than £200. Over half expressed dissatisfaction with their fee when set against their experience and status

- 63% of artists have turned down an offer to exhibit for reasons including unsuitability of venue, lack of fees, or non-payment of expenses

- 62% of artists have exhibited in a publicly-subsidised gallery in the last three years

- Only 16 of 134 publicly-funded UK galleries were cited by artists as providing exemplary support for exhibiting artists

- Less than half received production support (technical assistance, etc) from the gallery and less than a third got expenses, such as covering the cost of transporting their work to a gallery

AIR Council member Caroline Wright said: “The aim of the survey is to generate advocacy including knowledge of good practice frameworks, and to shape positive policy change for artists. We hope the campaign will empower artists and galleries to work together to improve the current state of affairs.”

An infographic of the key survey findings can be viewed at www.a-n.co.uk/paying_artists.

Follow updates on Twitter using the tag #PayArtists

More on www.a-n.co.uk:
Negotiating a better rate of pay by Rod McIntosh
The artist's fees toolkit by Richard Murphy
Good exhibition practice - a-n

Posted by Patricia Canetti at 12:03 PM

Nova gestão quer repensar o MAC por Audrey Furlaneto, O Globo

Nova gestão quer repensar o MAC

Matéria de Audrey Furlaneto originalmente publicada no jornal O Globo em 29 de junho de 2013.

Luiz Guilherme Vergara volta à direção do museu em Niterói, que poderá ser visto vazio neste sábado, como forma de reconhecer a potência de sua arquitetura

RIO - Quando assumiu o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói pela primeira vez, em 1996, Luiz Guilherme Vergara já sabia que a arquitetura do museu era seu principal atrativo, talvez mais do que as obras que o recheavam. Deixou o cargo em 2008 e voltou no início deste ano, com a mesma consciência: o prédio do MAC e sua vista são sua potência.

É por isso que hoje e amanhã, a partir das 9h, o diretor abrirá o museu sem exposição. O MAC é a obra de arte principal a ser apreciada pelo público nos dois dias, ambos com entrada gratuita.

— Abrimos o museu, vazio, no intervalo entre uma exposição e outra, para que seja um laboratório de experiências artísticas — explica Vergara, que, em 2007, também expôs o museu vazio ao público.

O fato de estar vazio, porém, não significa que está sem programação. No evento, batizado de “MAC como obra de arte”, haverá performances do coletivo Filé de Peixe e do Urbanário, concerto da Orquestra de Cordas da Grota e oficina de brinquedos com material reciclado, coordenada pelo artista Deneir Martins, exibição de filmes, apresentação de coreografias, entre outros.

Mais do que uma agenda do museu, o projeto marca a volta de Vergara ao MAC. Ele conta que assumiu depois de negociar com a Prefeitura de Niterói o aumento de verbas para o museu e outras mudanças ainda em fase de elaboração. Se atualmente o MAC é uma unidade dentro da Fundação de Arte de Niterói (sem um CNPJ próprio, segundo Vergara), estuda-se que adote o modelo de organização social, como faz o Museu de Arte do Rio (MAR), por exemplo. Com a mudança, a instituição teria a gestão mais flexível, menos burocratizada.

— Niterói é quase a Iugoslávia se comparada ao Rio — brinca Vergara. — É um museu da cidade, e sua potência ultrapassa a compreensão dos gestores públicos. A máquina administrativa mantinha esse museu como uma carcaça de sucesso. Agora, há uma vontade política de repensar.

Vergara diz ainda que, neste ano, o MAC fará uma convocatória para artistas a fim de receber projetos para a varanda do museu, a rampa e até para a grade — o que confirma a consciência de que a instituição é muito visitada por sua vista e pela arquitetura de Oscar Niemeyer.

— O MAC não é nem pode ser um museu só de exposição de objetos. Ele próprio é uma obra de arte. O museu é como se fosse uma agência para a irradiação de conteúdos — defende o diretor.

Segundo ele, há ainda projeto para construir uma nova reserva técnica para o museu. No próximo sábado, 6 de julho, o MAC abrirá a mostra “Biografia incompleta”, um recorte da coleção João Sattamini.

Posted by Patricia Canetti at 11:55 AM