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setembro 21, 2012

Instituições montam exposições atraentes como alternativas à Bienal em SP por Mario Gioia, UOL

Instituições montam exposições atraentes como alternativas à Bienal em SP

Matéria de Mario Gioia originalmente publicada no caderno Entrentenimento no UOL em 21 de setembro de 2012

Por conta da visibilidade da 30ª Bienal de São Paulo, tanto em relação a visitantes do exterior como ao público que vem de Estados diversos, setembro é um mês-chave na agenda de importantes instituições e centros ligados às artes. Por isso, o UOL elencou algumas das principais mostras que ocorrem fora da cidade de São Paulo, também com recortes privilegiados e artistas relevantes.

Em Brumadinho (MG), na Grande Belo Horizonte, Inhotim agora conta com novos pavilhões e obras permanentes. Considerado um dos centros de arte contemporânea mais importantes do país, as novas obras conferem ao espaço um destaque ainda maior à arte brasileira, com a abertura da galeria Tunga, um dos artistas brasileiros mais prestigiados em âmbito internacional, e a colocação permanente de T-téia (2002), um dos trabalhos-chave de Lygia Pape (1927-2004) em edifício exclusivo.

“Com a obra de Lygia agora exibida, existe um avanço da discussão da instalação dentro da história da arte brasileira a partir do que está sendo mostrado aqui, como Magic Square, do Hélio Oiticica, e peças do acervo, como as de Artur Barrio”, explica o crítico de arte e curador de Inhotim Jochen Volz, que permanecerá no cargo acumulando, já no mês que vem, a função de curador-chefe na Serpentine Gallery, em Londres, uma das instituições mais importantes da área. “Também é reforçada a investigação sobre a história da arte na América Latina, já que considero que Pape dialoga com, por exemplo, a obra do argentino Victor Grippo.”

Em termos de espaço, a galeria Tunga vai abrindo caminho para novos desdobramentos territoriais para o centro. Em uma área que ainda permanecia desocupada, o pavilhão de 2,5 mil metros quadrados e quatro níveis, no ano que vem, será vizinho da pousada de luxo que também está sendo erguida no local.

Tunga é um dos artistas brasileiros mais bem representados na coleção de Paz e já tinha obras de destaque em Inhotim, como "True Rouge" (1997). Oito trabalhos de variados suportes terão lugar na nova galeria, assinada pelo escritório mineiro de arquitetura Rizoma. O edifício impressiona: com ventilação natural constante, está encravado num belo platô de mata atlântica vigorosa e tem um alto pé-direito, além de espaços expositivos generosos. "A La Lumière des Deux Mondes" (2005), apresentada no Museu do Louvre, em Paris, será uma das grandes peças expostas. “Na sua geração, junto com Cildo Meireles, Tunga é um dos principais artistas brasileiros da coleção, ajudou a idealizar todo esse centro e agora tem um prédio permanente à altura da sua importância”, afirma Volz.

Lygia Pape é uma das artistas-chave na arte contemporânea brasileira e tem sido foco de revisão crítica no Brasil e no exterior. "T-téia" (2002) é uma de suas principais obras e é sucesso certo em todo local onde é exposta. Por meio de um jogo de luz e escuridão, os fios dourados que pendem do teto ao chão fazem com que o olhar do observador se embaralhe e que ele tenha uma experiência de imersão ao caminhar ao lado da instalação.

Cristina Iglesias é um dos principais nomes da arte contemporânea espanhola. Seu site specific (obra exclusivamente feita para o local) é uma das mais instigantes no complexo. Utilizando elementos simples -- uma corrente d´água e um cubo de aço que reflete o entorno --, Iglesias dá continuidade à pesquisa dos elos entre natureza e construção e cria uma peça que se vale da disposição labiríntica e do som para conquistar o visitante.

O cubano Carlos Garaicoa se utiliza de um antigo estábulo para apresentar a instalação Now Let’s Play to Disappear (2002). Ele usa velas, cera, circuito de câmeras e projeção para criar uma cidade imaginária, que reúne miniaturas de prédios célebres, a serem acendidas diariamente.Na nova configuração, também há trabalhos de Edward Krasinski, João José Costa, Juan Araujo, León Ferrari, Luisa Lambri, Mateo López e Renata Lucas.

No interior de SP

O Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto (SP), também surpreende pela coleção que ostenta, originária de um dos casais mais importantes na área em âmbito nacional. Dulce e João Figueiredo Ferraz criaram em 2011 um edifício com área expositiva de 1,8 mil metros quadrados para abrigar mostras temporárias, assinadas por nomes importantes da curadoria nacional, como Agnaldo Farias, fundamentadas na rica coleção.

“Queria dividir tudo isso”, diz João, que teve formação de engenheiro, mas hoje dedica-se mais ao espaço, numa cidade que não tem muita tradição em arte contemporânea. “A visitação e a adesão da cidade ainda têm de melhorar, mas acho que isso é um processo não muito rápido.” Até o dia 26 de outubro, uma exposição dedicada ao mineiro Amilcar de Castro (1920-2002), com 152 obras, está em cartaz. A coletiva "Além da Forma: Plano, Matéria, Espaço e Tempo", com curadoria de Cauê Alves, continua sendo exibida, com interessante diálogo entre trabalhos de nomes recentes, como Ana Prata, Marcelo Moscheta e Mariana Serri, e egressos de outras gerações, como Mira Schendel (1919-1988), Paulo Monteiro e Carlos Fajardo.

Pelo Brasil

Em outros Estados, alguns espaços tradicionais, como o MAM carioca, e recentemente criados, como a Fundação Iberê Camargo, têm programação de destaque.

No MAM, localizado no aterro do Flamengo, no Rio, até 23 de setembro segue a retrospectiva dedicada a Angelo Venosa. Montada num dos andares onde é possível ver a baía do entorno, as grandes esculturas do artista paulistano radicado no Rio, feitas nos seus 30 anos de carreira, atestam a sua versatilidade, tanto de materiais como de abordagens.

O carioca Waltercio Caldas é foco de uma grande exposição, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, em cartaz até 18 de novembro. Com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro e Ursula-Davila Villa, "O Ar Mais Próximo e Outras Matérias" também tem um tom de antologia, reunindo obras que vem desde a década de 60. Waltercio é um dos artistas brasileiros com mais prestígio no exterior, tendo exposto na Bienal de Veneza, entre outras mostras de peso. Na mesma cidade, Miguel Rio Branco, outro brasileiro de destaque na cena internacional, apresenta até 11 de novembro 110 trabalhos no Santander Cultural.

Serviço

NOVOS PAVILHÕES E OBRAS
Onde: Instituto Inhotim (r. B, 20, Brumadinho, Minas Gerais; tel. 0/xx/31/3227-0001)
Quando: de terça a sexta, das 9h30 às 16h30; sábado, domingo e feriados, das 9h30 às 17h30
Quanto: R$ 20 a 28; às terças, entrada franca

AMILCAR DE CASTRO/Além da Forma: Plano, Matéria, Espaço e Tempo
Onde:Instituto Figueiredo Ferraz (r. Maestro Ignácio Stabile, 200, Ribeirão Preto, SP; tel. 0/xx/16/3623-2262)
Quando: de terça à sábado, das 14h às 18h
Quanto: entrada franca

ANGELO VENOSA
Onde:Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Av. Infante Dom Henrique, 85, Rio de Janeiro; tel. 0/xx/21/2240-4944
Quando:de terça a sexta, das 12h às 18h; sábado, domingo e feriado, das 12h às 19h; a bilheteria fecha 30 min antes do término do horário de visitação.
Quanto: R$ 12

WALTERCIO CALDAS - O Ar Mais Próximo e Outras Matérias
Onde:Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2000, Porto Alegre, RS; tel. 0/xx/51/3247-8000
Quando:de terça a domingo, inclusive feriados, das 12h às 19h; quintas, até as 21h
Quanto: entrada franca

MIGUEL RIO BRANCO
Onde:Santander Cultural (Av. Alberto Bins, 383, Porto Alegre, RS; tel. 0/xx/51/3287-5940
Quando:de terça a sábado, das 10h às 19h; domingo, das 13h às 19h
Quanto: entrada franca

Posted by Marília Sales at 5:25 PM

A Bienal e suas perspectivas por José Henrique Fabre Rolim, Panorama Brasil

A Bienal e suas perspectivas

Matéria de José Henrique Fabre Rolim originalmente publicada na seção de Artes Plásticas do Panorama Brasil em 21 de setembro de 2012

A intensa programação de mostras impressiona pelo teor de suas intenções, abrangendo uma diversidade espantosa

A intensa programação de mostras impressiona pelo teor de suas intenções, abrangendo uma diversidade espantosa. Percorrendo os museus, galerias e espaços culturais institucionais percebe-se certo clima efusivo que emana do circuito das artes visuais que atingiu também o Rio de Janeiro com a extraordinária Art Rio, em sua segunda edição, uma Feira Internacional de Arte Contemporânea que aconteceu semana passada no Pier Mauá, já considerada a mais importante da América Latina.

Enquanto em São Paulo, a 30º Bienal, se estende por diversos espaços nobres como o Museu de Arte Brasileira da Faap com as obras de José Arnaud Bello, Robert Smithson e Xu Bing, o Instituto Tomie Ohtake com a mostra individual de Bruno Munari que será aberta no dia 4 de outubro a Capela do Morumbi com a proposta plástica de Maryanne Amacher, o Masp com trabalhos de Benet Rossell e Jutta Koether, a Casa Modernista, por sua vez abriga performances e instalações de Sergei Tcherepnin e Ei Arakawa, a Casa do Bandeirante expõe Hugo Canoilas, enquanto na Avenida Paulista acontecerá as intervenções de Alexandre Navarro Moreira e na Estação da Luz, na Passarela Central, Charlotte Posenenske apresenta sua obra proporcionando uma integração com a complexidade de uma metrópole com sua malha cultural.

Dando um giro pelas artes visuais fora do âmbito da Bienal, onde até a famosa dupla Gilbert & George circularam pela cidade, várias mostras se sobressaem, como a individual de Alejandro Otero (1921-1990) que com seus Coloritmos envolve o visitante, pois, deve-se notar que de 1955 a 1960, ele criou 75 dessas obras, um capítulo importante da abstração geométrica na América Latina. Dessa série memorável, 44 peças estão expostas na Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66, Luz), uma oportunidade extraordinária para se aquilatar a força da arte venezuelana no século XX, num diálogo constante com os construtivistas brasileiros. A musicalidade da cor numa escala tridimensional, em certo sentido, arquitetônica.

Comparações poderão ser feitas com as obras de Lygia Clark e Willys de Castro coincidentemente com mostras em cartaz, respectivamente no Itaú Cultural e no IAC – Instituto de Arte Contemporânea, que aquecem os eventos paralelos à Bienal, aprimorando o olhar do espectador com a verdadeira dimensão do construtivismo que protagonizou uma revolução estética sem precedentes. A vibração cromática na obra de Alejandro Otero é intensa, que tem origem em seus profundos estudos sobre as incursões de Piet Mondrian, construtivista holandês que dimensionou espaço, forma e cor com sutileza e ritmo. Paralelamente a mostra “Cruz-Diez: A Cor no Espaço e no Tempo”, com 150 obras, montada na Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2) possibilita um confronto do percurso de dois mestres da arte de raiz concreta da Venezuela.

No outro lado da cidade, em Pinheiros, acontece no Instituto Tomie Ohtake (Avenida Faria Lima, 201) uma mostra de grande impacto estético, com a obra do arquiteto Thom Mayne, que recentemente ganhou o concurso para projetar a nova sede da Cornell University, em Roosevelt Island, Nova York. A exposição denominada “Morphosis, Formas Combinatórias”, formada por 86 maquetes e painéis fotográficos dá uma visão geral da obra de um arquiteto que prima pelo inesperado, pela surpresa. Projetos arrojados como Phare (Farol) , uma imponente torre comercial, a ser inaugurada em 2015, em La Defense, famoso bairro de Paris por sua arquitetura inovadora. O escritório do arquiteto, o Morphosis tem se notabilizado por posturas onde predomina a transparência em conexão com as mais avançadas tecnologias. Dos projetos elogiados por especialistas se destacam o San Francisco Office Building (2006), o centro estudantil da University of Cincinnati (2006) e a Wayne L. Morse United States Courthouse em Oregon entre tantos como o impressionante prédio Cooper Union, em Nova York, que parece florescer de um abalo sísmico. A montagem da mostra é também especial com iluminação focada nas surpreendentes maquetes além da sutil elevação do piso para entrar no clima da linha arquitetônica de um revolucionário da forma.

Prosseguindo no mesmo espaço numa outra sala o espectador se defronta com a obra de Paulo Bruscky, um dos artistas mais atuantes, representante máximo da mail art, que nos anos 70 e 80 agitaram as visuais criando uma rede de artistas que produziam uma infinidade de obras em suportes inimagináveis. Na atual mostra “Banco de Ideias”, Bruscky apresenta uma série de projetos inconclusos, delineados desde o final dos anos 60 até a atualidade. Suas obras revelam o seu caráter multifacetado, como os curiosos classificados que divulgam máquinas incríveis, aquelas que gravam sonhos, além de iniciativas contrárias a forte censura da ditadura militar. Dentre as propostas provocadoras e/ou perturbadoras da época se destaca a mostra “Nadaista”, que fazia uma homenagem ao vazio organizada em virtude de ter sido seguido por olheiros do exército. Uma das instalações marcantes foi o velório da arte realizado pelo artista em 1971, conduzido por um antigo rabecão, que foi inteiramente reproduzida no Instituto. A instalação é denominada Way, uma homenagem atualíssima ao artista chinês Ai Wewei, que sofreu uma série de agressões do governo chinês, tendo até sido encarcerado. A presente obra tem também o intuito de criticar a liquidez e o artificialismo do mercado financeiro que reflete atual crise mundial.

Seguindo uns passos a mais o espectador vislumbra ainda no Instituto Tomie Ohtake, uma mostra proveniente da Escandinávia, que focaliza a obra de Asger Jorn (1914-1973), um dos membros mais ativos do grupo CoBrA ( acrônimo de Copenhague, Bruxelas e Amsterdam). No período de 1948 a 1951, o CoBrA se estruturou com 6 artistas provenientes das três cidades, que realizaram uma série de pesquisas sobre o inconsciente, com pinturas gestuais com cores exuberantes. Espírito agudo, experimentador em iniciativas múltiplas, o dinamarquês Asger Jorn deixou uma obra plástica de grande liberdade, tanto na pintura como no desenho, na cerâmica, na escultura, na tapeçaria e na arte gráfica.

Posted by Marília Sales at 2:08 PM

Canteiros de obras por Paula Alzugaray, Isto é

Canteiros de obras

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 14 de setembro de 2012

Quatro exposições individuais em São Paulo ostentam a inteligência e o rigor brasileiro pela construção

Ana Holck – Perimetrais, Zipper Galeria, São Paulo, SP - 05/09/2012 a 11/10/2012
Lucia Koch – Materiais de Construção/ Galeria Nara Roesler, SP/ até 6/10
Jac Leirner - Hardware seda – Hardware silk, Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, SP - 04/09/2012 a 27/10/2012
Héctor Zamora – Inconstância material, Luciana Brito Galeria, São Paulo, SP - 03/09/2012 a 27/10/2012

A arte e a poesia concreta surgem no início dos anos 1950 no Brasil, intimamente associadas ao impulso modernizador que levantou Brasília e ao boom desenvolvimentista que prometia um avanço histórico de “50 anos em cinco”. Mais de meio século se passou, e tanto o empenho construtivo quanto a abstração geométrica que modificou os parâmetros artísticos naqueles anos ainda ecoam na arte brasileira. Quatro exposições em cartaz hoje evocam a inteligência e o rigor brasileiro pela construção. Ou pela desconstrução.

Com uma consistente pesquisa sobre as relações entre a escultura e a arquitetura, a artista carioca Ana Holck trabalhou sobre a estrutura do elevado da Perimetral, no Rio de Janeiro, cuja construção começou a ser realizada nos anos de Juscelino, e está com os dias contados – sua demolição faz parte do projeto de revitalização da área portuária. Na mostra “Perimetrais”, a artista “dissecou” a perimetral em cortes, representados em gravuras de metal. Com o mesmo rigor analítico com que desconstruiu a perimetral, a artista usou de cálculos de peso para criar estruturas com mourões de concreto e outros objetos de delicado equilíbrio.

Lucia Koch, que há 20 anos realiza intervenções com cor, luz e sombra nos espaços arquitetônicos onde expõe, montou na Galeria Nara Roesler uma espécie de arquivo de todos os seus projetos. “Materiais de Construção” é formado por esculturas que funcionam como mostruários dos materiais com os quais trabalhou: placas de acrílico, MDF, chapas recortadas a laser com padrões vazados, telas translúcidas, mosaicos fotográficos compostos a partir de imagens de azulejos, pastilhas e cerâmicas, trazidas das fachadas de cidades que frequenta.

Na individual “Hardware Seda”, Jac Leirner aproxima matérias leves – como papel de seda e cartões-postais antigos – com outras mais pesadas como ferragens, correntes, porcas, extensores e cabos de aço. Obedecendo a uma prática já consolidada – mas cada vez mais surpreendente – de reagrupar objetos do cotidiano em estruturas de rigor formal, Jac Leirner elabora composições de delicadeza e engenhosidade ímpares. Mais que obras de engenharia, cada uma das 12 obras expostas na Fortes Vilaça pode ser comparada a uma joia, elaborada por um ourives.

Em sua primeira individual em São Paulo, o artista mexicano Héctor Zamora, radicado no Brasil desde 2007, investiga a fundo questões como a “desmaterialização da arte” e os processos e caminhos de construção da obra de arte. No projeto “Inconstância Material”, o artista levou 20 pedreiros para dentro da galeria Luciana Brito e arregimentou uma dinâmica coreográfica de “passa mão” (ação de jogar tijolos que ajuda os trabalhadores da construção civil a dinamizar o processo das grandes construções). De mão em mão, a tradição construtiva da arte brasileira ganha novas dinâmicas e contornos.

Posted by Marília Sales at 1:47 PM

setembro 19, 2012

Arte Contemporânea: ArtRio e Bienal SP por Antonio Campos, Jornal do Brasil

Arte Contemporânea: ArtRio e Bienal SP

Matéria de Antonio Campos originalmente publicada no caderno Cultura do Jornal do Brasil em 19 de setembro de 2012

A Bienal de São Paulo e o ArtRio dão um verdadeiro exemplo de amor à arte contemporânea. O objetivo é aproximar a população das artes visuais e, além disso, tornar a esse tipo de arte ainda mais acessível e atraente. Na capital carioca, por exemplo, a ArtRio, Feira Internacional de Arte Contemporânea, prolifera a boa e moderna arte, tentando levá-la para a rotina das pessoas, até o próximo dia 16 de setembro.

Na programação, que acontece no Píer Mauá, mais de uma centena de galerias nacionais e internacionais levam e comercializam a contemporaneidade artística mundial para a cidade maravilhosa, contando, ainda com um espaço voltado para o público infantil e palestras gratuitas dentro da temática. Esse ano, por exemplo, contará com a participação da considerada maior galeria de arte do mundo, a Gagosian, de Nova Iorque, que trará obras de artistas como Picasso e Henry Moore. A ArtRio inspirou-se na SP-Arte, feira que se encontra em sua oitava edição sob a direção e idealização de Fernanda Feitosa.

Também em São Paulo, a consagrada Bienal, em sua 30ª edição, traz cerca de 3000 obras de mais de 100 artistas, apresentando à sociedade o que há de relevante no cenário artístico da arte contemporânea mundial. Para os amantes e curiosos da arte contemporânea, esses são momentos, e oportunidades, imperdíveis. A efervescência artística mundial, apresentada no nosso país, é bela e transformadora. E precisa da atenção, e contemplação, de todos nós.

Posted by Marília Sales at 12:16 PM

Vila das Artes: celebração e velhos desafios por Iracema Sales, Diario do Nordeste

Vila das Artes: celebração e velhos desafios

Matéria de Iracema Sales originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste em 19 de setembro de 2012

Programação gratuita acontece até sábado, envolvendo alunos e professores do equipamento cultural

A Vila das Artes funciona com apenas um dos três casarões previstos

Há quatro anos que o Vila das Artes ganhou oficialmente uma sede, além de passar a integrar alguns centenas de metros quadrados do privilegiado centro histórico de Fortaleza. E para celebrar o aniversário, a semana toda vai ser de festa no equipamento cultura da Prefeitura de Fortaleza. Até sábado, uma diversificada programação celebra o funcionamento na Vila do Barão de Camocim.

Dessa maneira, o equipamento, vinculado à Secretaria de Cultura de Fortaleza, cumpre com, no mínimo, três funções básicas ao longo de sua existência: contribuir para a formação artística nas áreas de audiovisual, dança, artes visuais, teatro e cultura digital, além de estimular a requalificação do centro da Cidade. O roteiro da programação de aniversário da Vila das Artes inclui intervenções, apresentações de dança, teatro, exposição, instalação, e mostras de filmes com produções de alunos, ex-alunos e parceiros.

Exibição de filmes das turmas de audiovisual integra a progamação de aniversário dos quatro anos da Vila das Artes. A projeção acontece na noite de sexta-feira e promete adentrar pela madrugada .

Em clima de festa, a diretora da Vila das Artes, Sílvia Bessa, não pensa duas vezes quando o assunto é o futuro do equipamento. "Acredito que o principal projeto é a ampliação da estrutura física, proposta desde o início da Vila: que inclui o restauro da Casa do Barão de Camocim e a construção da Casa do Cinema". Na Casa do Barão, diz, vai funcionar uma biblioteca, o espaço expositivo do Centro de Artes Visuais e um café. No outro prédio, ilhas de edição, salas de produção, equipamentos disponíveis para os produtores independentes, além de sala de projeção que também poderá ser usada como estúdio. "A ampliação do espaço são fundamentais para propiciar mais encontros na Cidade", opina a gestora.

Avaliação

Ao ser indagada sobre que avaliação faz dos quatro anos de existência do equipamento, responde: "É difícil mensurar o que realizamos. Talvez seja mais fácil um olhar de fora. Mas sempre acho que um dos pilares para pensar uma escola de artes é pensar se oferecemos uma formação livre". Segundo ela, a arte é sobretudo um exercício de liberdade, seja de violação de regras, de enfrentamento do status quo ou de rompimento com o hábito. Ou seja, "de oferecer a capacidade de, a partir da realidade, inventar o real".

Outra pista para avaliar o caminho percorrido, até agora, é olhar para o trabalho dos alunos. "Penso que estamos conseguindo", diz. De acordo com Sílvia Bessa, a Vila das Artes fez muita informação circular, abrigou encontros, promoveu trabalhos que fogem ao convencional e problematizou questões importantes para a Cidade.

Para Sílvia, o equipamento cumpre uma parte do papel que consiste no preenchimento da lacuna de espaços para a formação artística em Fortaleza. "Existem outras instituições, como o Cuca Che Guevara, o Theatro José de Alencar, Instituto Federal do Ceará, Instituto de Cultura e Arte, que cuida do Dragão do Mar e do Centro Cultural Bom Jardim, e algumas Ongs que atuam nesta área da cultura", enumera.

"Entendo que o verdadeiro acesso não está em garantir público a grandes espetáculos, mas de dar possibilidade de ter um acesso qualificado às obras de arte e fomentar novos criadores, e neste sentido, é fundamental a formação".

Acesso

Todas as atividades da Vila das Artes são gratuitas. O público atendido é predominantemente jovem. O maior número é de crianças, que participam de dois programas de dança. O maior deles é o Dançando na Escola, em parceria com a Secretaria de Educação do Município, atende a 900 crianças da rede pública. Já o Formação Básica em Dança, que leva a dança para 62 crianças entre 8 a 13 anos.

Segundo Sílvia Bessa, a Vila das Artes não conta com uma grade de cursos fixa, nem tampouco, corpo de professores permanente. "Aliás, este é um diferencial que achamos importante manter", assinala. Diferente de outras instituições na Cidade destinadas à formação em artes, diz ser possível "estar em constante diálogo com a cena, aproveitar circunstâncias, trazer com mais facilidade algum professor que está no Brasil".

A história da Vila da Artes começou em 2006, com um curso de audiovisual, daí passa a oferecer atividades de formação, além de apoio a produção, incentivo a pesquisa e difusão cultural. A iniciativa de ocupar o Centro do poder público como forma de requalificação do espaço, mantido pela Prefeitura, a Vila foi criada a partir da demanda de artistas que reivindicam políticas de formação.

Sempre de olho na formação de plateia também, o foco do trabalho da Vila das Artes é a oferta de cursos direcionados a diferentes públicos. O objetivo do trabalho é potencializar os processos de criação, sem perder de vista a reflexão e o debate sobre as questões relacionadas à sociedade contemporânea. O local que abriga o equipamento, o antigo casarão da família Leite Barbosa Pinheiro, foi desapropriado pela Prefeitura de Fortaleza, em dezembro de 2005, sendo requalificado seguindo à risca o seu desenho original.

O equipamento abriga salas de aula, ateliês, ilhas de edição, mini auditório, biblioteca, salas de aulas e as escolas públicas de Audiovisual, Dança e Teatro; Centro de Artes Visuais de Fortaleza (espaço mantido na Vila das Artes em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste), Núcleo de Produção Digital, que acolheu, há pouco, uma coordenação de Cultura Digital.

Todas as atividades oferecidas são gratuitas. O projeto original ocupa também outros dois imóveis contíguos, dentre eles, a Casa do Barão de Camocim, uma das obras arquitetônicas mais antigas da Cidade construída em 1870, sem previsão de inauguração.

Mais informações:

Programação do IV Aniversário da Vila das Artes. Até dia 22, na Vila das Artes (Rua 24 de Maio, 1221, Centro). Contatos: (85) 3252.1444 ou viladasartes.fortaleza.ce.gov.br

SAIBA MAIS

Dia 20

De 8h às 18h - Exposição Corpo e Cidade, Instalação e Sala Estúdio

14h - Cine da Tarde - Cinema Clássico Brasileiro

16h - Diálogos Teatrais - participantes do curso "Teatro: Conexões Contemporâneas" apresentam suas pesquisas (artigos escritos apresentados em congressos, encontros de arte ou seminários). No dia 21, pesquisadores de outros espaços da cidade também poderão apresentar seus trabalhos.

18h - Roda de Conversa - encontro com diretores de teatro

18h - Cine Café

Dia 21

De 8 às 18h - Exposição

14h - Cine da Tarde

15h - Dançando na Escola -Apresentação de dança dos alunos 16h - Diálogos Teatrais

17h - Aula aberta ao público de Salsa com o professor Éder Barbosa.

18h - Aula aberta ao público de Dança de Rua e salsa.

18h - Roda de Conversa

18h - Cine Colchão - exibição invade a madrugada, até as 6h da manhã com filmes produzidos e apoiados pela Vila das Artes.

Confira a programação completa em http://viladasartes.fortaleza.ce.gov.br/

Posted by Marília Sales at 11:54 AM

Política cultural: Artes plásticas, Gazeta de Alagoas

Política cultural: Artes plásticas

Matéria originalmente publicada no Caderno B da gazeta de Alagoas em 18 de setembro de 2012.

Agora que o Ministério da Cultura já tem um novo mandatário, a classe artística começa a expor suas (antigas) demandas

Para artistas, curadores e colecionadores, há pelo menos três nós na relação do governo federal com as artes visuais: política de formação de acervo, hoje quase inexistente, altos impostos de importação (que chegam a 40% do valor de uma obra de arte) e o trabalho ainda pífio para o fortalecimento das instituições que divulgam as obras de arte no país. O primeiro ponto crítico, a falta de trabalho consistente para constituir acervos de qualidade, é dos mais lembrados e urgentes. O artista Carlos Vergara exemplifica: “Quando curadores internacionais vêm ao país, eles têm de ir à casa dos artistas, porque os museus não têm política de compra. Vamos ter Copa do Mundo e Olimpíadas, acho que é uma chance grande de mostrar que há vida inteligente por aqui”. Para o crítico Frederico Coelho, “a formação de acervo é o principal trabalho que o Estado pode exercer: fazer com que as pessoas que trabalham com arte possam ter perspectivas de que seu trabalho vai circular”, ele assinala.

Curador do Museu de Arte Moderna do Rio (MAM-RJ), Luiz Camillo Osorio defende o fortalecimento institucional, com “o mapeamento das instituições de caráter regional, nacional e internacional, para a consequente criação de uma política nesse sentido”. “Sinto falta disso e da articulação internacional, com o Ministério das Relações Exteriores, para criar uma instituição como o Instituto Cervantes ou o British Council, que divulgam seus artistas no exterior”, diz Camillo. No mercado, a queixa recorrente repousa na questão fiscal. O marchand Max Perlingeiro afirma que “hoje, o colecionador é quase penalizado,com imposto de 42,5%, ao tentar repatriar obras de arte brasileira”.

Posted by Marília Sales at 10:31 AM

Artes plásticas: MinC carece de política de formação de acervo, globo.com

Artes plásticas: MinC carece de política de formação de acervo

Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do jornal globo.com em 19 de setembro de 2012

‘Falta articulação com o Ministério das Relações Exteriores’, diz curador do MAM do Rio

RIO - Para artistas, curadores e colecionadores, há pelo menos três nós na relação do governo federal com as artes visuais: política de formação de acervo, hoje quase inexistente, altos impostos de importação (que chegam a 40% do valor de uma obra de arte) e o trabalho ainda pífio para o fortalecimento das instituições que divulgam as obras de arte no país. O primeiro ponto crítico, a falta de trabalho consistente para constituir acervos de qualidade, é dos mais lembrados e urgentes. O artista Carlos Vergara exemplifica:

— Quando curadores internacionais vêm ao país, eles têm de ir à casa dos artistas, porque os museus não têm política de compra. Vamos ter Copa e Olimpíadas, acho que é uma chance grande de mostrar que há vida inteligente por aqui.

Para o crítico Frederico Coelho, “a formação de acervo é o principal trabalho que o Estado pode exercer: fazer com que as pessoas que trabalham com arte possam ter perspectivas de que seu trabalho vai circular”.

Curador do Museu de Arte Moderna do Rio, Luiz Camillo Osorio defende o fortalecimento institucional, com “o mapeamento das instituições de caráter regional, nacional e internacional, para a consequente criação de uma política nesse sentido”.

— Sinto falta disso e da articulação internacional, com o Ministério das Relações Exteriores, para criar uma instituição como o Instituto Cervantes ou o British Council, que divulgam seus artistas no exterior — diz Camillo.

No mercado, a queixa recorrente repousa na questão fiscal. O marchand Max Perlingeiro afirma que “hoje, o colecionador é quase penalizado, com imposto de 42,5%, ao tentar repatriar obras de arte brasileira”.

Posted by Marília Sales at 10:14 AM

setembro 18, 2012

ABL recua e admite censura à palestra de historiador da arte, Folha de S. Paulo

ABL recua e admite censura à palestra de historiador da arte

Matéria originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 17 de setembro de 2012

Após negar ter autorizado veto à conferência de Joge Coli sobre sexo, academia muda versão

Depois de negar ter censurado uma conferência do historiador de arte Jorge Coli ocorrida em seu auditório, a ABL (Academia Brasileira de Letras) voltou atrás e admitiu ter vetado parte do conteúdo da palestra.

Coli queixou-se de que trechos da conferência "Sexo Não é Mais o Que Era", transmitida via internet na última quarta, foram censurados.

O historiador contou ter sido alertado por meio de espectadores de que palavras de sua fala e imagens originalmente programadas para a apresentação foram cortadas da transmissão.

Entre as imagens censuradas estava a tela "A Origem do Mundo", de Gustave Courbet, que retrata uma mulher com as pernas abertas e o sexo à mostra.

Primeiro a direção da ABL afirmou não ter responsabilidade alguma sobre a censura. Na última quinta à noite, o acadêmico Geraldo Holanda Cavalcanti, interinamente no comando da Casa durante viagem ao exterior da presidente Ana Maria Machado, negou responsabilidade sobre os cortes.

"Não é evento nosso. Apenas cedemos nosso espaço. Não censuramos nada."

No fim da tarde de sexta-feira, a ABL mudou a versão e informou, por meio da assessoria de imprensa, que a suspensão da transmissão ocorreu porque a conferência continha imagens impróprias para menores de 18 anos e tratava de pornografia.

"A suspensão da transmissão da conferência foi autorizada por não estar em conformidade com os parâmetros que permitem a sua utilização, notadamente diante das advertências apresentadas pelo conferencista, entre outras, de que envolvia imagens impróprias até 18 anos e de que iria tratar de pornografia", disse o texto enviado pela assessoria.

CONTRA A CENSURA

"O público-alvo das mensagens da Academia via internet abrange todas as idades, em destaque jovens estudantes de todos os graus de ensino. A diretoria afirma que a ABL é contra toda forma de censura, mas que é também consciente de sua responsabilidade pela matéria que divulga no seu site", encerra o comunicado enviado pelo assessor de imprensa Antonio Carlos Athayde.

Posted by Marília Sales at 6:34 PM

Conceito da Bienal passa despercebido por Cadão Volpato, Folha de S. Paulo

Conceito da Bienal passa despercebido

Matéria de Cadão Volpato originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 16 de asetembro de 2012

Mesmo com a boa aceitação da mostra, título "A Iminência das Poéticas" não esclarece proposta para o público

Para o artista Nuno Ramos, entusiasta da edição deste ano, não há conceito que dê conta de uma Bienal

Uma simples garrafinha de água depositada por um visitante num canto da 30ª Bienal Internacional de São Paulo provocou mais um dos muitos questionamentos que o curador venezuelano Luis Pérez-Oramas vem enfrentando desde que assumiu a tarefa de dar sentido à exposição.

Um funcionário havia levantado a lebre: "Isso aqui é uma obra de arte?". Para o bem-humorado Pérez-Oramas, até que poderia ser.

Ele mesmo teve experiência semelhante ao encontrar um papelzinho depositado numa das obras, no segundo dia da abertura ao público.

Pensou um pouco antes de retirá-lo, mas foi pego com a mão na massa por um dos guardas do local e teve que se apresentar.

Um visitante da Bienal pode passar batido pelo tema/conceito/motivo que dá nome ao evento, mas quem prestar atenção não vai entender de primeira.

Afinal, o que quer dizer "A Iminência das Poéticas"?

Diante da pergunta, Pérez-Oramas abre um sorriso maroto. "A ideia da iminência na arte e nas poéticas é que as coisas podem em qualquer momento resultar numa experiência estética. Qualquer coisa, qualquer circunstância, qualquer situação."

E continua: "Mas é algo que ainda não assumimos plenamente, porque os processos históricos são lentos, porque nós, cidadãos ordinários, ainda somos dominados pela ideia de que a arte é algo absolutamente constituído, e de que não podemos fazer nada para mudar isso".

Tem a ver com poesia? "Não. Só tangencialmente", diz. "Usamos o termo num sentido mais antigo, é a parte da retórica que regula as possibilidades discursivas."

Esse tipo de coisa não assusta o público? "Acho que não. Essa é uma Bienal clara logo na entrada, com muitas coisas para se ver e encontrar, aberta para as transparências do prédio e que permite uma circulação entre os artistas. Se o título assusta, espero que na entrada o susto passe e comece a experiência."

PÚBLICO E ARTISTAS

De fato, o público ouvido na última semana parecia mais absorto na experiência do que preocupado com o conceito da mostra.

Uma rápida consulta às Bienais anteriores confirma o sucesso de público independente dos nomes bizarros. A 29ª Bienal trazia como conceito o enigmático verso de Jorge de Lima: "Há Sempre um Copo de Mar para um Homem Navegar".

O título da 27ª era "Como Viver Junto". O da 28ª, "Em Vivo Contato". E já foi pior, como o óbvio "O Homem e a Vida ", que denominava a 18ª edição, em 1985, e lembra os temas de redação escolar.

Do lado dos artistas, ninguém parece reparar nisso.

Nuno Ramos, cuja "Bandeira Branca", com os urubus, sacudiu a Bienal anterior, é um entusiasta da versão 2012 do evento, mesmo com o tema obscuro.

"Não há conceito possível que dê conta", ele diz. "O grande título de uma Bienal seria: ST, sem título." Nuno reflete sobre o próprio trabalho: "Quando acho um título bom para uma obra, sinto que andei 10 km. Quando não acho, fica tudo mais difícil".

Uma das estrelas dessa Bienal sem estrelas, Thiago Rocha Pitta, também releva o "conceito-que-deveria-vir-com-bula". "É fácil ver os trabalhos nessa Bienal. A arquitetura respeita as obras, a curadoria não se sobrepõe."

O artista tascou de próprio punho, com esferográfica e letra tortuosa, um título provisório para a sua obra exposta logo na entrada do segundo andar, que os visitantes apelidaram de "o trabalho do barranco".

Rocha Pitta chamou o impressionante monte de terra vermelha cortado por cortinas mergulhadas em concreto de "Half Buried Monument to the Continental Drift" (algo como monumento meio enterrado à deriva continental). Quase tão bom quanto "A Iminência das Poéticas".

Posted by Marília Sales at 6:20 PM

Milhazes é primeira do país a ganhar retrospectiva no Malba por Sylvia Colombo, Folha de S. Paulo

Milhazes é primeira do país a ganhar retrospectiva no Malba

Matéria de Sylvia Colombo originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 15 de agosto de 2012.

A exposição da artista plástica carioca Beatriz Milhazes, 51, que é aberta hoje no Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), rompe algumas tradições.

Trata-se da primeira retrospectiva de sua obra num museu hispano-americano e a primeira de um artista brasileiro no Malba, uma instituição especializada na arte do continente.

"É impressionante como falta diálogo entre as culturas e como há dificuldades para organizar coisas entre os nossos países", disse Milhazes à Folha.

Para introduzir aos argentinos seu trabalho, de projeção internacional reconhecida, a artista e o curador da mostra, o francês Frederic Paul, resolveram fechar o recorte apenas nas pinturas. Ficaram de fora as colagens, gravuras e outros gêneros. "Como primeira mostra, achei bom focar naquilo que é o centro da minha produção desde os anos 1980", diz Milhazes.

As mais de 30 telas estão distribuídas de forma generosa no segundo piso do museu, que conta com bastante luz natural, ajudando a projetar as cores de suas telas.

A disposição das obras não obedece uma ordem cronológica, mas sua organização permite distinguir as diversas fases de seu trabalho, do início com muitas referências da cultura brasileira até a fase atual, mais abstrata.

Vieram quadros de coleções latino-americanas e dos EUA, entre eles "Os Pares" (1999), "O Caipira" (2004) e "Pierrot e Colombina" (2009). Na abertura da sala, está uma cortina realizada para um dos espetáculos de dança de sua irmã, a coreógrafa Marcia.

ACEITAÇÃO

Milhazes diz que não sabe como será a recepção do público argentino a seu trabalho, mas adianta que as diferenças entre percepções de distintos países não obedece a questões geográficas.

No México, por exemplo, diz que foi mais difícil ser entendida do que na Alemanha. "O México tem uma tradição figurativa, expressionista e com uma carga dramática que dificulta a leitura do tipo abstrato que eu desenvolvo. Já a Alemanha e a Inglaterra tiveram uma compreensão imediata porque têm forte relação com essa tradição", resume a artista.

A exposição fica em cartaz em Buenos Aires até o dia 19 de novembro.

Posted by Marília Sales at 5:55 PM

ArtRio cresce em tamanho e problemas por Silas Martí, Folha de S. Paulo

ArtRio cresce em tamanho e problemas

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 15 de asetembro de 2012.

Feira, que encerra amanhã 2ª edição, registra falhas de organização, e galeristas nacionais se sentem preteridos

Direção reconhece erros estruturais do evento; membros do comitê de seleção das galerias estudam pedir demissão

Em sua segunda edição, a ArtRio dobrou de tamanho e multiplicou também os problemas. Galeristas que trabalham na feira, que vai até amanhã no píer Mauá, na zona portuária do Rio, reclamam de graves falhas estruturais e contestam atitudes dos organizadores.

Membros do comitê de seleção da feira também estudam pedir demissão. "Não sei o que é esse comitê, até agora não entendo o que estamos fazendo aqui", diz um conselheiro que não quis ser identificado. "É um horror."

Outro horror, segundo os galeristas, é a área externa da feira, reservada a casas emergentes, que ficou conhecida como "favelinha".

Quando chove, donos dos estandes mais próximos da entrada correm para retirar as obras, que ficam expostas à maresia e à água. Pássaros que entram no espaço também danificaram trabalhos.

Uma das maiores galerias do mundo, a britânica White Cube, relatou problemas de montagem e indefinição sobre regras para dar ou não descontos de impostos em vendas realizadas na feira.

"Recebemos informações falsas e vamos tomar uma atitude. É grande a frustração, e a organização é ausente.", diz Denis Gardarin, um dos diretores da galeria.

Uma das crises entre as galerias foi a disputa por paredes mais altas nos espaços expositivos, concedidas só à gigante americana Gagosian.

Diretores de galerias nacionais, em especial as menores, também reclamam que a feira privilegia os estrangeiros e não se esforça para resolver os problemas técnicos que atrapalharam suas vendas.

Brenda Valansi Osorio, uma das organizadoras da feira, reconheceu problemas estruturais. "Sinto muito por quem está chateado", diz. "Nosso intuito é fazer o melhor para todos e não deixar as falhas ocorrerem de novo".

Segundo a diretora, o maior problema era a entrada de pássaros na área das galerias emergentes, a ser solucionado com a instalação de uma proteção de tecido.

Osorio também disse que a área destinada às jovens galerias é a "menininha dos olhos" da feira e que foi grande o investimento nessa área -o metro quadrado do lado de fora dos armazéns custa o mesmo que o espaço dentro.

"Há os que reclamam e os que acham agradável", diz a diretora. "A gente foi crescendo e não tem mesmo como agradar a todo mundo."

Posted by Marília Sales at 5:46 PM

ArtRio: movimentação de R$ 150 mi em negócios por Celina Côrtes, Jornal do Brasil

ArtRio: movimentação de R$ 150 mi em negócios

Matéria de Celina Côrtes originalmente publicada no Caderno Cultura do Jornal do Brasil em 16 de setembro de 2012

Neste último dia de evento (16), são esperados 60 mil visitantes

O sonho, aparentemente impossível, de arquirir obras de artistas como Pablo Picasso, Andy Wahol, Salvador Dalí e Di Cavalcanti, entre outros monstros da arte moderna, pode se concretizar nesta segunda edição da Feira Internacional de Arte Moderna e Contemporânea do Rio de Janeiro, a ArtRio, inaugurada na quinta-feira (13), no Pier Mauá, Zona Portuária da cidade. E para os simples mortais, trata-se de oportunidade imperdível para conhecer o melhor da arte nacional e internacional.

O evento reúne o acervo de 120 galerias nacionais e estrangeiras em quatro armazéns e em um anexo do Pier Mauá, são ao todo 13 mil m² de área de feira. Na véspera (quarta-feira 12), convidados especiais puderam desfrutar do magnífico acervo de mais de 1 mil artistas, com o qual os organizadores esperam movimentar R$ 150 milhões em negócios.

São esperados cerca de 60 mil visitantes até este domingo(16), último dia de feira, que também poderão apreciar obras de alguns dos mais renomados artistas plásticos brasileiros, a exemplo de Adriana Varejão e Beatriz Milhases, ambas com fama internacional. E existe ainda a possibilidade de conhecer destaques da arte contemporânea internacional, como Damien Hirst e Takashi Murakami.

Foram criados 14 circuitos de arte na cidade, a exemplo do Porto, onde podem ser vistas desde obras de arte expostas a projetos arquitetônicos de relevo na cidade, como o Restaurante Albamar, torre remanescente do antigo Mercado do Peixe, demolido para abrir caminho à construção da Perimetral (que agora a prefeitura quer riscar do mapa).

Além disso, grandes galerias internacionais, como a norte-americana Gagosian e a japonesa Kaikai Kiki, debutam no evento, dividindo uma área de 7 mil m² com galerias nacionais. Entre elas, as cariocas Anita Schwartz, e as paulistas Vermelho e Mendes Wood. São ao todo 120 galerias, metade brasileira e a outra metade internacional. Um mês depois de enfrentar um incêndio que destruiu a maior parte de sua extraordinária coleção, o marchand Jean Boghici participa pela segunda vez da ArtRio.

Em sua primeira edição (2011), a feira dispunha de 83 grandes galerias expositoras, 33 delas estrangeiras, com obras de 700 artistas que atraíram 46 mil visitantes. A movimentação foi de R$ 120 milhões em vendas. O evento já está consagrado como uma das maiores feiras de arte da América Latina. O projeto BEX, produtora cultural especializada em artes visuais criada em 2009 por Brenda Valansi e Elisangela Valadares, ganhou a adesão em 2001 dos empresários Alexandre Accioly e Luiz Calainho.

Posted by Marília Sales at 5:19 PM

Sob a proteção dos museus de arte por Iracema Sales, Diário do Nordeste

Sob a proteção dos museus de arte

Matéria de Iracema Sales originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste em 16 de setembro de 2012

Pesquisadores discutem as formas de preservar a memória de obras realizadas a partir de suportes efêmeros

Dos museus para as ruas ou para o ciberespaço. A necessidade de preservação da memória das obras de arte é um consenso. Elas podem até ser confeccionadas com materiais perecíveis, mas de efêmeras não têm nada, já que, lançando mão às tecnologias, analógicas ou digitais, aos poucos, os artistas constroem os seus arquivos visuais.

Um coiote e Joseph Beyeus...

Hoje, o questionamento que se coloca não é mais se essas manifestações podem ou não ser preservadas, ou mesmo narradas para as gerações futuras, nem tampouco se as suas "auras" serão alteradas pelos processos de reprodução, como alertava Walter Benjamin, em texto que continua atual quando à intercessão arte e tecnologia. O X da questão é quanto à fragilidade desses meios para a preservação da memória, tema que perpassa também o campo da comunicação, área com a qual a arte contemporânea dialoga com maior frequência, sobretudo a partir dos anos 1960.

Coleção

"Neste aspecto, o museu tem um papel determinante na história humana, sobretudo quando o assunto é preservação da memória", destaca Silvana Boone, professora na Universidade de Caxias do Sul (UCS), doutoranda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAVI-UFRGS), com pesquisa sobre arte computacional nos museus da arte contemporânea brasileira

...na célebre performance "I like America and America likes Me"

"A origem do museu, da forma que conhecemos hoje, - de caráter público, ligado às ideias de coleção, resgate de memória e patrimônio, permanência e conservação da história da arte - tem seu início no século XIX", explica. A pesquisadora lembra que a ação de conservar e apresentar objetos existe desde o Renascimento, quando as famílias nobres e o clero guardavam suas coleções, cujo acesso era restrito à aristocracia e aos religiosos, que detinham o saber e a cultura erudita.

Silvana Boone destaca que o século XIX constitui um período de importantes acontecimentos para a arte e inicia a chamada "era dos museus", lembrando que a França, por exemplo, abre suas coleções privadas durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII. Mas é no século XIX que se origina a ideia de museu como lugar de guardar a história coletiva do homem e do conhecimento que se tem dele, a partir dos objetos e da arte produzida em diferentes épocas, completa.

O Museu do Louvre, em Paris, é inaugurado em 1793 como o primeiro museu público francês. A constituição das coleções de arte a partir de então será fundamental para o conceito de museu que será instaurado no século XX. "Teoricamente, o museu deve guardar e conservar o novo e o antigo para a história futura e sua estrutura deve acompanhar o tempo presente", assinala.

Performances

Com relação à formação da memória, a partir do conceito de arte contemporânea quando, muitas vezes, a obra usa material perecível, responde: "A questão da efemeridade na arte não é recente e ao longo da segunda metade do século XX, as manifestações artísticas com esse caráter se davam em tempo e espaço apropriados enquanto um acontecimento". Cita manifestações como Body Art, Happenings e mesmo algumas obras da Arte Conceitual, as quais só puderam ser resgatadas na recente história da arte, através dos registros fotográficos ou em vídeo, porém, com o caráter de memória do evento e não como uma produção estética.

Para Silvana Boone, "a essência ou característica maior de um happening ou de uma intervenção geralmente é o seu tempo de existência". O registro, explica, é um "outro" que conta um tempo passado. Não é mais a obra. O que ocorre é que, hoje, boa parte desses registros encontram-se nos museus, em substituição à própria obra.

O historiador de arte e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Álbio Sales, afirma ser a arte contemporânea bastante abrangente, chamando a atenção para a arte digital cujo armazenamento se dá no ciberespaço. Fica em aberto o tempo que essa obra vai ficar disponibilizada, sendo necessário ser enviadas informações para vários locais desse ambiente virtual.

Ele reitera a posição de Silvana Boone, ao se referir às manifestações como happenings e performances, criadas para desconstruir a ideia de obra de arte como algo concreto. "A arte contemporânea dispensa a materialidade", diz, explicando ser diferente da arte grega, por exemplo, caracterizada pelo material.

Esclarece que o homem moderno inventa os conceitos de preservação. Hoje, alguns museus guardam os elementos que deram origem à obra, na falta de sua materialidade, conceito que pode ser traduzido como "o espiritual ou não- material", característica da arte contemporânea, possibilitando a fruição diretamente com o que o artista buscou, ou seja, a sua ideia.

Fotografia

A fotografia é uma forma de registrar a memória de uma obra, lembrando que também é arte. "Ela existe como registro e como expressão estética", explica o historiador. A intervenção é por natureza efêmera, feita para ficar nas ruas, por um determinado tempo. Ela é baseada no subversão da ordem. A fotografia é apenas um registro e não mais a obra. Existem livros com os comunicados das performances, explicando como é realizada, mas também constitui um evento único, restando o registro. A imagem fotográfica não dá a noção da tri-dimensionalidade, e no caso do videoarte, o material deve ser bruto e não passar por edição.

Aliás, esse tema abre uma discussão também no campo da informação jornalística, como coloca no livro "Videologias", o jornalista Eugênio Bucci, no capítulo "A história na era de sua reprodutibilidade técnica", reclamando que, hoje, nem mesmo se tem acesso aos negativos das fotografias, fazendo referência, ainda, entre o material bruto, colhido pelo jornalista nas rua, e quando passa pela edição, no caso do telejornalismo. "Jornais impressos são coisas palpáveis, concretas, estão materializados em papel. No papel está seu suporte físico. Do papel, assim como da tinta, podem-se examinar a idade e a autenticidade. Já em televisão, como em toda forma de mídia eletrônica, é cada vez mais difícil encontrar o suporte físico original da informação".

No campo da arte, os processos artísticos eram utilizados levando em consideração a durabilidade da obra, diferente do comportamento das vanguardas do inicio do século XX, que apostavam em obras e eventos para chocar e provocar discussões. Não eram feitas para durar, causando dificuldade para a recuperação dessas memórias, citando trabalhos feitos por Picasso, usando papeis colados em telas, sendo difícil a preservação. Outra característica da arte contemporânea é a negação da obra como mercadoria

Posted by Marília Sales at 4:56 PM

Pela preservação da memória da arte por Iracema Sales, Diário do Nordeste

Pela preservação da memória da arte

Matéria de Iracema Sales originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste em 16 de setembro de 2012

De acordo com o diretor técnico do Centro Cultural Inhotim, Lucas Sigefredo, um dos focos do trabalho do lugar é a manutenção da integridade das obras de seu acervo

Como é que os museus, as galerias e os centros de arte e cultura trabalham a preservação de obras de arte contemporânea, algumas, feitas com a utilização de diversos materiais perecíveis?

Por ser uma tecnologia nova, que exige muita pesquisa e também pelo acelerado ritmo de produção em arte contemporânea, creio não ser possível falar em um padrão único de cuidado com essas obras. Até mesmo pela diversidade de mídias exploradas pelos artistas, os desafios em entender e significar os procedimentos de conservação, manutenção e restauro são tão vastos quanto o universo de pesquisa criativa. No caso específico de Inhotim, o trabalho realizado com a coleção do instituto prioriza a perpetuação da experiência artística de maneira atemporal, ou seja, buscamos promover a integridade física das obras e seus mais diversos elementos para mantê-las acessíveis às futuras gerações. Com os recursos de novos materiais buscados pelos artistas, em alguns casos, a dificuldade de conservação pode ter um caráter conceitual para a obra de arte. Um dos nossos focos de trabalho é exatamente em torno da elaboração e preservação da memória dos processos de produção artística. Com um banco de dados composto por informações múltiplas e de alta qualidade, conseguimos reconstituir elementos básicos que, devidamente combinados, possibilitam eventuais intervenções e até mesmo reconstruções de obras de arte contemporânea.

Lucas afirma que "não seria condizente com o valor das artes negar às futuras gerações um contato de qualidade com obras relevantes para a humanidade"

No Centro Cultural do Instituto Inhotim existem muitas obras de artistas como Hélio Oiticica e Artur Barrio. Como todas essas obras são conservadas, cada uma com sua especificidade, a exemplo de Barrio, que trabalhou com material perecível, como a carne de boi?

Estes artistas e muitos de seus trabalhos são objetos de longas discussões teóricas, conceituais e práticas sobre os procedimentos de restauro, conservação, manutenção e, até mesmo, coautoria das obras de arte. A performance é um dos elementos chave dessas discussões. A partir do momento em que a presença do espectador ou do ´performista´ se faz necessária para dar vida à obra, cabe a pergunta: se a obra de arte subsiste como objeto estático e inanimado. Alheios às conclusões acerca das discussões conceituais sobre o tema, os profissionais responsáveis pela salvaguarda do acervo artístico de Inhotim têm todo o cuidado de preservar a memória de cada uma das cerca de 600 obras pertencentes ao acervo do instituto. Não caberia, no caso da obra de Artur Barrio, tentarmos preservar o objeto central da performance realizada nos anos 1960 (pedaços de carne de boi, sangue, papel higiênico, tecidos etc.), mas, sim, toda a memória gerada pelo próprio artista em fotografias, vídeos e textos. O contexto político no qual foi realizada a performance dá o tom preciso ao trabalho que, ainda hoje, permanece atual e sempre terá alto valor histórico.

Você acha que é possível a construção da memória da arte contemporânea, mesmo diante da enorme fragilidade dos seus suportes e dos materiais efêmeros?

Nós acreditamos que sim. Grande parte do nosso trabalho é exatamente em função dessa construção. Não seria condizente com o valor das artes plásticas negar às futuras gerações um contato de qualidade com obras de arte relevantes para a humanidade. Grandes realizações humanas devem ser lembradas e celebradas em qualquer tempo e contexto. A memória é peça fundamental na construção da história e do futuro de qualquer sociedade

Posted by Marília Sales at 12:38 PM