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Como atiçar a brasa

 


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setembro 14, 2012

A arte que nasce das diferenças por Eduardo Siqueira, O Povo

A arte que nasce das diferenças

Matéria de Eduardo Siqueira originalmente publicada na seção de Vida e Artedo jornal O Povo em 14 de setembro de 2012

Ao longo de dez meses, artistas e críticos se propuseram a reinventar suas perspectivas sobre a arte contemporânea. O resultado deu origem à exposição Perambular, Experimentar e Correr Perigo, que será aberta hoje

Como parte das atividades do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza, o Centro Cultural Banco Do Nordeste (CCBNB) recebe, a partir de hoje, a exposição Perambular, Experimentar e Correr Perigo. A mostra é formada por trabalhos de integrantes da primeira turma do programa, realizado através da parceria entre a Vila das Artes e o CCBNB. Oito artistas e quatro pesquisadores participam da exposição, que além da exibição dos trabalhos, também contempla debates e palestras.

O grupo - formado pelos artistas André Quintino, Bartira Dias, David da Paz, Mariana Smith, Marina de Botas, Sabyne Cavalcanti e Simone Barreto e as pesquisadoras Ana Cecília Soares, Júlia Lopes, Lara Vasconcelos e Naiana Cabral - foi selecionado através de edital público em meados de setembro do ano passado. Todos os candidatos foram avaliados, segundo Enrico Rocha, coordenador do Programa de Pesquisa em Artes Visuais da Vila das Artes, a partir dos projetos apresentados, da trajetória e do contexto da apresentação de cada pesquisa.

O programa é resultado de uma demanda antiga dos artistas por iniciativas de formação dentro do universo das artes visuais, mais precisamente da arte contemporânea. ”É importante uma inciativa dessa para a Cidade, pois revigora o discurso, traz gente para perto da arte contemporânea”, comemora André Quintino, autor da série Vendido. A pesquisadora Lara Vasconcelos vê nessa mescla de artistas diferentes, um caminho para um novo tipo de criação. “Esses trabalhos e esses sujeitos entram em certo desvio e encontram-se com o inesperado”, pontua.

Críticos

Durante dez meses os artistas, com propostas bem diferentes entre si, compartilharam suas ideias e seus conhecimentos e contaram com a colaboração de artistas, críticos e professores que realizam importantes trabalhos no circuito da arte contemporânea – seja no Brasil ou no exterior. Entre eles, Tânia Rivera, Eduardo Passos e Glória Ferreira. “Eles se encontravam com o grupo por uma semana. O convidado acompanhava e promovia um debate em torno do projeto”, relata Enrico sobre a metodologia desses encontros com os especialistas.

Durante a exposição, todos os trabalhos estarão expostos juntos e ainda haverá uma performance da artista Bartira Dias na abertura. “Só foi possível realizar esse trabalho coletivo a partir desse amadurecimento enquanto grupo. Compreender que nossos trabalhos individuais constituem diferenças primordiais”, comemora Enrico sobre essa diversidade de artistas em um único projeto.

SERVIÇO
Perambular, Experimentar e Correr Perigo
O Quê: Exposição dos artistas e pesquisadoras do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza
Quando: Abertura: hoje (14), às 18h. Visitação de 15 de setembro a 20 de outubro
Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941, Centro).
Outras informações: 85 3252 1444 / 85 34643108
Acesso gratuito

Posted by Marília Sales at 5:23 PM

Brasil com Z por Paula Alzugaray e Nina Gazire, Isto é

Brasil com Z

Matéria de Paula Alzugaray e Nina Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 6 de setembro de 2012

Com a participação de importantes galerias estrangeiras como a Gagosian e a David Zwirner, a feira ArtRio dobra sua área e prova que os olhos do mundo estão voltados para a arte brasileira

Em sua segunda edição, a feira ArtRio, que acontece a partir da quinta-feira 13 no Rio de Janeiro, dobrou a área expositiva e aposta em vendas superiores a R$ 150 milhões, um crescimento de 25% no faturamento.

O que salta aos olhos, no entanto, é como essa performance sinaliza para a crescente participação da América Latina no mercado internacional – com o Brasil à frente. Entre as 120 galerias participantes (contra 83 no ano passado), a Sonnabend Gallery, de Nova York, marca presença abrindo mão de participar de qualquer outro evento do gênero no mundo. “O aumento do número de colecionadores interessados em arte brasileira é algo que nos atrai”, disse à Istoé o seu diretor, Jason Ysenburg. Comprometida com 15 feiras internacionais, a tradicional David Zwirner Gallery vem à América do Sul pela primeira vez. “Trata-se de uma plataforma essencial para atingirmos compradores privados e também museus”, afirma o seu diretor de venda, Greg Lulay.

Números recentemente revelados respaldam essas expectativas: pesquisa da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact), em conjunto com o programa setorial integrado (Apex), aponta que, nos últimos dois anos, o volume de negócios de galeristas brasileiros cresceu, em média, 44%, bem acima de outros setores da economia. Ainda segundo a Apex, o Brasil é o país que mais exporta arte em sua região. É um aumento de 225% no período entre 2010 e 2011. Esses índices são extremamente atraentes para as galerias da Europa e dos EUA, que apostam nas feiras brasileiras, fugindo de seus mercados em crise e mudando o foco de investimentos após o flerte com Rússia e China.

A Gagosian, por exemplo, reuniu 80 obras de 30 estrelas como Damien Hirst, Takashi Murakami e Pablo Picasso, avaliadas entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões. Segundo estimativas da Bloomberg, o pacote totaliza US$ 130 milhões. A coincidência do evento com a Bienal de São Paulo e a abertura de novos pavilhões em Inhotim (MG) contribuiu para o clima positivo. “Esperamos que esse ambiente traga mais colecionadores e curadores internacionais ao Brasil”, diz Serena Cattaneo Adorno, diretora da filial de Paris da Gagosian. Outro fator de atração é a isenção de 100% de ICMS para obras comercializadas dentro da feira, benefício também concedido à SP-Arte. Na avaliação de galeristas brasileiros, contudo, estamos distantes das facilidades oferecidas pelo mercado europeu, com taxas inferiores à metade dos valores cobrados aqui. “As políticas públicas favorecem os automóveis brasileiros, mas fazem o contrário em relação à arte”, afirma a galerista Luisa Strina, de São Paulo. Segundo Alessandra D’Aloia, diretora da Galeria Fortes Vilaça, o imposto sobre a importação de obras de arte é de 60%. “Devido ao potencial de negócios, o governo diminui as taxas durante a feira e atrai galerias a investir no País. Mas isso está longe de ser a solução”, afirma ela.

Quando esteve à frente da Abact, Alessandra encomendou uma pesquisa que já apontava esse momento favorável. Da casa de leilões Christie’s à European Fine Art Foundation, produtora de um dos mais importantes relatórios sobre o mercado de arte, o Tefaf, todos se mostravam de olho no Brasil. “Clare McAndrew, organizadora do Tefaf, acaba de me contatar. Quer ter um capítulo sobre o País no relatório de 2013”, diz Ana Leticia Fialho, autora da pesquisa. Sociedade entre empresários dos setores de arte, entretenimento e comunicações, que estão investindo R$ 9,5 milhões, a ArtRio é empreendimento em expansão. “Nosso objetivo não é crescer em números, mas em qualidade e eventos paralelos”, afirma Brenda Valansi, uma das sócias da ArtRio.

Posted by Marília Sales at 10:27 AM

Especial ArtRio Fair - Entrevistas com cinco galerias internacionais

Especial ArtRio Fair - Entrevistas com cinco galerias internacionais

Matéria de Paula Alzugaray e Nina Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 6 de setembro de 2012

Confira as entrevistas com os representantes das galerias

Entrevistas com cinco galerias internacionais participantes da Art Rio Fair

Entre os dias 13 e 16 de setembro, a segunda edição da ArtRio Fair coloca o Brasil em destaque no calendário das feiras de arte internacionais. Das 120 galerias que estarão no evento, metade corresponde a participação de galerias internacionais: 60 ao todo. Em uma série de entrevistas especiais a Revista Istoé conversou com alguns dos diretores das mais importantes galerias mundiais sobre o crescimento do interesse do mercado de arte internacional na arte latino-americana e sobre as expectativas em relação ArtRio Fair. Confira abaixo a entrevista com os representantes das galerias Sikkema & Jenkins CO (Nova York), Kai Kai Kiki (Japão), Gagosian (Paris), David Zwirner (New York), Sonnabend Gallery (Nova York) e Tania Bonakdar (Nova York)


Entrevista Katie Rashid, diretora da galeria Sikkema & Jenkkins CO. – Nova York

Por que a ArtRio Fair foi incluída no calendário de eventos da galeria Sikkema & Jenkins Co.? De quantas feiras a galeria participará este ano?

Ficamos interessados em participar da ArtRio Fair desde a primeira edição da feira, no ano passado. Consideramos o fato de que nossa galeria representa artistas do Brasil e demais países da América do Sul e que, portanto, já tínhamos alguma presença na região. Estamos ansiosos para rever nossos clientes, com os quais já trabalhamos há anos e vê-los visitando nossa galeria, só que agora em seu próprio país natal. Além da ArtRio Fair, já participamos de cinco feiras este ano.

Quais foram os critérios da galeria ao selecionar os artistas que serão mostrados no Rio?

Escolhemos incluir uma seleção representativa do nosso elenco, mostrando artistas que são do país ou que já tiveram exposições no Brasil, como Vik Muniz, Janaina Tschape, bem como a Kara Walker, cujo trabalho já foi apresentado na Bienal de São Paulo em 2002, e a artista Sheila Hicks que participará desta edição da Bienal.

Quais são as expectativas da galeria em relação a ArtRio Fair?

A participação na feira será uma ótima oportunidade para prospectarmos e apresentarmos nosso programa e assim expandir nossos relacionamentos. Esperamos fazer novos clientes e tornar mais forte as relações que já temos com o Brasil e a América Latina.

Entrevista com coletivo de arte e design Kai Kai Kiki, da Galeria Kai Kai Kiki -Tokyo

Por que a galeria decidiu incluir a RioArt Fair em seu calendário de atividades e feiras em 2012? De quantas feiras a galeria irá participar neste ano?

Recentemente, nós participamos de muitas feiras na América Latina e recebemos uma resposta muito calorosa. A maneira como as pessoas vêem e apreciam arte por aí é muito similar a maneira do Japão. Além da feira do Rio, participamos do Armory Show de Nova York, Zona Maco, SP Arte, Art Melbourne, Art Hong Kong e Art Stage Singapore. Por apreciar muito a cerâmica japonesa, Takashi Murakami abriu outra galeria dedicada à venda de cerâmicas e outros itens, e por isso participaremos da Sofa Chicago, que é uma feira dedicada às artes aplicadas.

Qual foi o critério de seleção da galeria para escolher os artistas que serão mostrados na ArtRio Fair?

Se tivéssemos que descrever em apenas uma única palavra os nossos critérios seriam definidos pela expressão polinização. Nós exibimos artistas que quebram as fronteiras japonesas e cujo trabalho é amplo e de difícil classificação de gênero ou práticas metodológicas. Por outro lado, nossos artistas produzem obras em um contexto particular cultural e ao mesmo tempo criam algo universal. Para a ArtRio Fair estamos considerando o clima e o contexto cultural do lugar, fazendo um esforço consciente para escolher artistas cujos temas e cores se encaixam nesses requisitos.

Quais são as expectativas da galeria em relação a ArtRio Fair?

Nós sempre consideramos o modo de vida e o gosto de cada área das feiras que participamos. Para o Brasil, nosso objetivo é o de agradar com obras vívidas e apaixonantes.

Entrevista com Greg Lulay, diretor da David Zwirner Gallery- Nova York

Porque a ArtRio Fair foi incluída no calendário de feiras da galeria para o ano de 2012? De quantas feiras a galeria irá participar este ano?

A galeria participará de 15 feiras internacionais neste ano de 2012. Nos últimos anos, participamos de feiras nos EUA, Europa, Asia, América Latina e Oriente Médio e achamos que agora é a ocasião ideal para adicionar a ArtRio Fair no nosso programa, devido ao crescimento de colecionadores advindos dessa região. A ArtRio é um marco porque é a primeira vez que a David Zwirner Gallery participará de uma feira na América do Sul. E nossa decisão foi dada devido à longa tradição de colecionismo no Brasil. Construímos um relacionamento de peso com colecionadores brasileiros, que possuem coleções centradas no período Neoconcreto. Nos últimos tempos, esses colecionadores voltaram suas atenções para o Modernismo Internacional e para artistas da Arte Contemporânea, incluindo alguns artistas do Minimalismo. A tradição do Colecionismo está combinada ao crescimento econômico brasileiro que também está fomentando o surgimento de novos colecionadores.

Qual critério a galeria usou para escolher em seu elenco os artistas que serão apresentados nessa edição da ArtRio Fair?

A galeria planeja exibir grandes trabalhos feitos por artistas Minimalistas e Conceituais como Donald Judd, Dan Flavin, Fred Sandback, On Kawara e John McCracken. Também apresentaremos alguns trabalhos dos principais fotógrafos contemporâneos como Thomas Ruff, Stan Douglas, Philip-Lorcca diCorcia, James Welling e Christopher Williams, rodeados pela obra-prima do pintor americano Alice Neel. Também teremos o trabalho de Francis Alÿs e Chris Ofili.

Quais são as expectativas da galeria em relação a essa edição da ArtRio Fair?

A feira será uma plataforma essencial para a galeria atingir tanto colecionadores privados quanto museus. Estamos ansiosos em mostrar nosso programa aos curadores da região, bem como nossos artistas esperam participar de mais eventos na América do Sul.

Entrevista com Tanya Bonakdar, diretora da galeria Tanya Bonakdar- Nova York

Porque a ArtRio Fair foi incluída no calendário de feiras da galeria para o ano de 2012? De quantas feiras a galeria irá participar este ano?

A galeria participa da Art Basel, da Miami Basel, Frieze de Londres, e agora Frieze Art Rio. Nós sempre tivemos um circuito internacional para nossos artistas. Nós sentimos que é essencial como galeria a projetar nosssos artistas para além do âmbito nacional. Uma das maneiras de fazer isso é participar de feiras de arte. Quando participamos da Art Basel em junho e da Frieze Londres, em outubro, queremos atingir o público europeu que não tem oportunidade de nos visitar em Nova York. Da mesma forma, quando estamos na Frieze Nova York e na Miami Basel, estamos alcançando o público americano. Agora participando de Arte do Rio, queremos chegar aos públicos latino-americanos.

Qual critério a galeria usou para escolher em seu elenco os artistas que serão apresentados nessa edição da ArtRio Fair?

Vamos trazer obras de Ernesto Neto, Olafur Eliasson, Tomas Saraceno e Thomas Scheibitz. Nós sentimos que esses artistas têm força no mercado brasileiro por causa de sua presença no Brasil em Bienais passadas e em exposições por aí. Recentemente, Olafur teve sua primeira exposição individual na América Latina, em São Paulo, em um show multi-local, no Sesc Belenzinho, SESC Pompéia, e Pinacoteca do Estado. Tomas Saraceno participou da Bienal de SP em 2006 e Thomas Scheibitz em 2004.

Quais são as expectativas da galeria em relação a essa edição da ArtRio Fair?

A galeria vem trabalhando com artistas brasileiros há um longo tempo. Fizemos a primeira mostra de Ernesto Neto em 1997, Sandra Cinto, em 1999, e Rivane Neuenschwander, em 2006. Visatmos as Bienais de SP desde 1994, com curadoria de Paulo Herkenhoff e Adriano Pedrosa , que exibiu o trabalho de Ernesto Neto, Sandra Cinto e Olafur Eliasson, que são representados por nós. A conexão com o Brasil sempre foi importante e os colecionadores brasileiros demonstraram apoio ao nosso programa ao longo dos anos. Estamos ansiosos para continuar a desenvolver esse relacionamento no ArtRio.

Entrevista com Jason Ysenburg, Diretor da Sonnabend Gallery- Nova York

Porque a ArtRio Fair foi incluída no calendário de feiras da galeria para o ano de 2012? De quantas feiras a galeria irá participar este ano?

Este ano participaremos apenas da ArtRio Fair. Privilegiamos a Feira em nosso programa de eventos devido a importância que o mercado latino-americano vem ganhando. O crescimento do número de colecionadores interessados em arte brasileira também é algo que nos atrai.

Qual critério a galeria usou para escolher em seu elenco os artistas que serão apresentados nessa edição da ArtRio Fair?

Nós queremos reproduzir na ArtRio aquilo que fazemos enquanto galeria aqui em Nova York. O que posso revelar a princípio, é que transformaremos nosso estande em uma instalação provocativa.

Quais são as expectativas da galeria em relação a ArtRio Fair?

Nossa principal expectativa é a de estabelecer novos diálogos com novos colecionadores da região e conhecer os curadores dos museus e instituições culturais da América do Sul.Nós acreditamos que é importante investir em coisas que possuem relevância para a nossas próprias ideias, modo de vida e interesses. Inclusive, representamos artistas que refletem o nosso modo de pensar. Estamos buscando novas oportunidades e novos horizontes para não dependermos exclusivamente de um cenário em crise a qual também acreditamos que será passageira.

Posted by Marília Sales at 9:49 AM

Especial ArtRio Fair - Três galeristas brasileiros comentam sobre a participação na feira por Paula Alzugaray e Nina Gazire, Isto é

Especial ArtRio Fair - Três galeristas brasileiros comentam sobre a participação na feira

Matéria de Paula Alzugaray e Nina Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 6 de setembro de 2012

Confira as entrevistas com as galeristas Luciana Brito (Luciana Brito Galeria), Alessandra D'Aloya (Galeria Fortes Vilaça) e Daniel Roesler (Galeria Nara Roesler)

Entrevista com Galeristas Nacionais

Entre os dias 13 e 16 de setembro, a segunda edição da ArtRio Fair coloca o Brasil em destaque no calendário das feiras de arte internacionais. Em uma série de entrevistas especiais a Revista Istoé conversou com alguns galeristas brasileiros sobre o interesse internacional sobre o mercado de arte nacional e sobre como as feiras de arte vem desempenhando um papel importante no fomento à arte do Brasil. Confira a entrevista com as galeristas Luciana Brito (Luciana Brito Galeria), Alessandra D’Aloya (Galeria Fortes Vilaça) e Daniel Roesler (Galeria Nara Roesler) sobre as expectativas para ArtRio Fair:

Entrevista com Luciana Brito-Luciana Brito Galeria-São Paulo

Galerias brasileiras passaram a ser mais requisitadas por colecionadores e instituições estrangeiras diante do atual cenário de crescimento?

Sem dúvidas. Além de estarmos vivendo isso, existem números que provam. Se eu não me engano a Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) fez uma pesquisa recentemente sobre isso. Eventos como as feiras SPArte e ArtRio, bem como a Bienal de São Paulo também movimentam muito o mercado e fidelizam esses clientes.

Apesar da isenção fiscal concedida nas últimas feiras brasileiras (SP-Arte e ArtRio), o que falta ainda por parte do governo e do setor fiscal para impulsionar a circulação e o mercado da arte brasileira no setor internacional?

Os impostos devem ser revistos não só para durante as feiras. Ainda é muito alto o custo de importar e nacionalizar uma obra no Brasil. O setor de artes no Brasil está ganhando cada vez mais notoriedade e cresce exponencialmente. É muito importante que as regras fiscais sejam revistas para acompanhar esse momento.

Tem sido comum durante as feiras de arte brasileiras o incentivo a aquisição e doação de obras para coleções de Museus e outras Instituições de arte por empresas. Mesmo assim, a prática desse tipo de ação é escassa no cenário nacional. Por que se investe pouco no colecionismo da arte contemporânea quando esse setor nunca esteve em tanta evidência? Que incentivos deveriam ser criados para modificar esse cenário?

Acho que ainda é deficiente devido à falta de incentivo e conhecimento. Educação e informação contam muito nessas horas e quase nunca acompanham a onda de crescimento do setor. Isso é uma característica do Brasil, não só para o setor das Artes. Mas também acredito que esteja mudando, melhorando.

A sua galeria já teve obras adquiridas ou doadas à coleções brasileiras ou internacionais? Quais?

Sim, muitas. Nem saberia dizer. Todos os artistas que representamos possuem obras em coleções importantes, sejam doadas ou adquiridas.

Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Por que é importante estar na maioria delas? Quantas feiras a galeria fará este ano? Qual é a mais importante para a galeria?

Participamos de uma média de 8 feiras por ano. As feiras são um canal não só para vendas, mas também para conexões, contatos e visibilidade. As feiras servem também como um termômetro para o setor. Ficamos atualizados com o que acontece no mundo nessa área participando das feiras. Não acho que exista uma feira que se destaque para a galeria. Cada uma tem sua vantagem.

Entrevista com Daniel Roesler- Galeria Nara Roesler - São Paulo

Galerias brasileiras passaram a ser mais requisitadas por colecionadores e instituições estrangeiras diante do atual cenário de crescimento?

Já faz algum tempo que o interesse internacional pela arte brasileira aumentou. Hoje é normal recebermos visitas de colecionadores estrangeiros na galeria em São Paulo. Além disso, depois de anos participando de feiras internacionais, temos uma rede de relações com colecionadores e instituições de bom tamanho.

Apesar, da isenção fiscal concedida nas últimas feiras brasileiras (SP-Arte e ArtRio), o que falta ainda por parte do governo e do setor fiscal para impulsionar mais ainda a circulação e o mercado da arte brasileira no setor internacional?

Acredito que a isenção fiscal oferecida na feira _ a isenção de ICMS_ deveria ser transformada em definitiva para estimular a circulação cultural. A arte ainda é tratada um como bem de consumo de luxo. Porém, o incentivo deve desonerar igualmente as importações e a circulação doméstica. No mínimo o Mercosul deveria ter uma livre circulação de obras, sem barreiras à importação. A APEX (Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos) tem atuado no estímulo à exportação com ótimos resultados. Acho que esse projeto poderia ser incrementado e ganhar nova escala.

Tem sido comum durante as feiras de arte brasileiras o incentivo a aquisição e doação de obras para coleções de Museus e outras Instituições de arte por empresas. Mesmo assim, a prática desse tipo de ação é escassa no cenário nacional. Por que se investe pouco no colecionismo da arte contemporânea quando esse setor nunca esteve em tanta evidência? Que incentivos deveriam ser criados para modificar esse cenário?

Acredito que a escassez se deva mais ao processo usado nas leis de incentivo, que dificulta programas de aquisição dos museus _o museu precisa aprovar no Ministério da Cultura um projeto de aquisição de obras específicas, comprovar preços com três fornecedores e conseguir os patrocinadores_ o que resulta em uma enorme lentidão neste processo e muitas dificuldades práticas. Ainda há a questão de que o percentual de isenção da Lei Rouanet faz com que somente empresas muito grandes tenham volume suficiente para bancar os projetos. Seria importante pulverizar a possibilidade de apoio para formação de coleções entre empresas de tamanho menor. Empresas familiares, por exemplo, poderiam ter mais vínculos com coleções de arte , ao invés de focar a captação de recursos apenas por grandes corporações que estão em busca de oportunidades de marketing.

A sua galeria já teve obras adquiridas ou doadas à coleções brasileiras ou internacionais? Quais?

O MoMA adquiriu obras de Abraham Palatnik, Antônio Manuel, Cao Guimarães. A Tate Gallery tem na coleção Paulo Bruscky e Antônio Manuel. O Walker Art Center adquiriu obras de Hélio Oiticica & Neville D'Almeida. O SFMoMA possui trabalhos de Cao Guimarães. Na Espanha, a Colección Jumex, o Museu de Madri, o Centro de Arte de Burgos e a Fondation Cartier, que é francesa, adquiriram obras do artista José Patrício.

Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Quantas feiras a galeria fará este ano? Qual é a mais importante para a galeria?

As feiras são o ponto de encontro do mundo da arte. Lá, em quatro dias, se dão trocas muito importantes entre os colecionadores, curadores, galeristas e artistas. A construção das relações também é acelerada com os encontros nas feiras. Esse ano estaremos em sete, todas importantes pro nosso projeto de galeria.

Entrevista com Alessandra D'Aloia, Galeria Fortes Vilaça_ São Paulo

Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Por que é importante estar na maioria delas?

As feiras de arte se tornaram importantes centros por atraírem um público especializado, e proporcionarem a atuação de uma rede de contatos altamente especializada. Hoje curadores, galeristas e artistas viajam o mundo para participar de feiras com o intuito de acompanhar, adquirir ou ainda conhecer o melhor da produção dos artistas. No entanto, não creio que seja importante estar na maioria delas, e sim traçar uma estratégia que se encaixe com o perfil da galeria e de seus artistas. Para uma galeria jovem é importante fazer muitas feiras, para nós é importante estar apenas onde já construímos uma base. Felizmente o Brasil já comporta duas feiras, a SP Arte e a ArtRio, com visibilidade internacional.

Quantas feiras fará este ano? Qual é a mais importante para a galeria?

Faremos 6 feiras no total. Fizemos a Frieze NY em Março, a SP Arte em Maio, Basel em Junho, e faremos a ArtRio em Setembro, Frieze em Outubro e Miami Basel em Dezembro. Cada uma delas tem seu diferencial, as vendas devem sempre entrar como um fator primordial pelo investimento que representam, mas também há questões de visibilidade, alcance curatorial e institucional, ou formação de mercado (novos colecionadores). Em resumo, cada uma delas é importante por um motivo diferente, se a feira não tem nenhum destes pontos fortes, não vale a pena fazê-la, é muito trabalho.

A feira é importante para compor parcerias com galerias estrangeiras?

É extremamente importante. Temos que entender que as feiras nos dão possibilidades muito além de só vender uma obra de arte. Ali é um grande ponto de encontro onde artistas galeristas, curadores e museus se encontram, trocam idéias, exposições, e vendas. Muitas parcerias acontecem numa feira, tanto de novos artistas para expor em nossa galeria assim como parcerias de nossos artistas em outras galerias. É o caso de Iran do Espírito Santo e Leda Catunda que abriram ontem uma mostra em Buenos Aires, na galeria Ruth Benzacar. Esta exposição foi planejada há 2 anos atrás em Miami Basel e um Museu Argentino já sonda os artistas para fazer uma exposição, razão a qual esta parceria é fundamental.

Que impacto a crise econômica teve no mercado de arte contemporânea?

Em 2008 quando o mercado internacional sofreu a crise econômica estávamos em Londres, e achamos que não venderíamos nada. De fato a crise veio, mas o mercado não parou. Acredito que haja hoje mais consciência na hora de comprar arte por parte do mercado internacional, e o Brasil passa por um momento áureo onde além de sermos procurados por colecionadores internacionais e grandes museus com interesse em nossa arte, despertamos o interesse por parte do brasileiro que ainda não comprava , possibilitando galerias e museus a transformá-los em futuros colecionadores.

Apesar, da isenção fiscal concedida nas últimas feiras brasileiras, O que falta ainda por parte do governo e do setor fiscal para impulsionar mais ainda a circulação e o mercado da arte brasileira no setor internacional?

Hoje o governo trata a arte da mesma forma que trata a indústria de calçados, por exemplo. O que falta é transformar e olhar para esta indústria como uma indústria cultural. Falta o governo tomar conhecimento de dados quantitativos de nossa área. Em Dezembro de 2007, um grupo de galerias fundou a ABACT- Associação Brasileira de Arte Contemporânea, com o intuito de mapear as necessidades deste mercado. Fizemos primeiramente um planejamento estratégico que nos ajudou a compreender nossos gargalos e priorizar nossas ações. Dois anos depois assinávamos o Convênio entre ABACT e APEX. Um dado importante para mencionar é que o governo não nos via até então como um setor e isso é grave. Em Abril do ano passado, com o intuito de ampliar nossas ações com o governo e trazer apoio ao setor, a ABACT se reuniu com o BNDES com a finalidade de criar parcerias e buscar apoio. Hoje taxamos em até 60% a importação de uma obra de arte brasileira(ou internacional), impedindo que a cultura volte para casa. Por causa do potencial de negócios apontados pelas feiras de arte no Brasil, o governo inicia uma diminuição das taxas de importação, que se estende ao período da feira, e que atrai galerias a investirem em nosso país, mas isso está longe de ser nossa solução.

Posted by Marília Sales at 9:29 AM

Especial ArtRio Fair - Entrevista Brenda Valansi por Paula Alzugaray e Nina Gazire, Isto é

Especial ArtRio Fair - Entrevista Brenda Valansi

Matéria de Paula Alzugaray e Nina Gazire originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 6 de setembro de 2012.

Diretora da feira de arte do Rio de Janeiro fala sobre expectativa em relação a segunda edição do evento

Entrevista Brenda Valansi- Diretora da Feira ArtRio Fair

Brenda Valansi, ao lado dos sócios Alexandre Accioly, Luiz Calainho e Elisangela Valadares, comanda a ArtRio Fair, feira internacional de arte contemporânea do Rio de Janeiro que teve sua primeira edição realizada em setembro de 2011. Em sua segunda edição, o evento atraiu grandes galerias internacionais, como por exemplo, a galeria Gagosian que participa pela primeira vez de uma feira de arte brasileira. Na edição de 2012, a ArtRio recebeu cerca de R$ 9, 5 milhões em investimentos, terá a participação 120 galerias nacionais e internacionais que reunirão mais de mil artistas no pier Mauá. Ao todo, o evento vai gerar 820 empregos diretos, com expectativas de vendas em torno de 150 milhões de reais. Em entrevista, Brenda Valansi fala sobre o crescimento do mercado de arte impulsionado pelas feiras de arte nacionais e sobre o interesse de galerias internacionais em eventos brasileiros:

Segundo pesquisa realizada pela ABACT/Apex, o volume de negócios das galerias brasileiras de arte contemporânea cresceu em média 44% nos últimos dois anos. Bem acima de outros setores da economia. Qual o papel das feiras brasileiras nesse processo?

As feiras tem um grande papel no aumento do mercado, pois promovem o intercâmbio entre galerias nacionais e internacionais. Além de atraírem um grande número de público que são compradores em potencial. A ArtRio investe bastante na aproximação do público com a arte com o movimento que criamos, onde além da feira, também promovemos palestras, concertos e bastante conteúdo através do portal artirio.art.br

A expansão da programação ArtRio para além dos limites da feira segue algum modelo internacional?

As feiras internacionais promovem visitas a casa de colecionadores e estúdios de artistas. Porém, nenhuma feira que eu conheça tem um movimento que perdura todos os dias do ano.

Houve um crescimento considerável de galerias participantes de 2011 para 2012. A meta é continuar ampliando o espectro? Qual a estratégia para crescer e manter a qualidade?

Estamos no máximo de nossa capacidade com 4 armazéns no pier Mauá. Nosso objetivo não é crescer em número de galerias, mas sim em qualidade de eventos paralelos.

Posted by Marília Sales at 9:18 AM

Bienal em expansão por Paula Alzugaray, Isto é

Bienal em expansão

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de Artes Visuais da Revista Istoé em 6 de setembro de 2012.

Curador venezuelano Luis Pérez-Oramas organiza 2.900 obras de 111 artistas em constelações e realiza 12 exposições em uma

30ª Bienal de São Paulo/ A Iminência das Poéticas/Pavilhão da Bienal, SP/ de 7/9 a 9/12

As exposições de arte são geralmente organizadas segundo um grande conceito que norteia a escolha de todas as obras. Mas Luis Pérez-Oramas, o primeiro curador estrangeiro a coordenar a Bienal de São Paulo, propõe 12 conceitos para a 30a Bienal. A construção da imagem, a teatralidade, o objeto encontrado, o mundo ficcionalizado, a dimensão sonora da imagem, a serialidade, o olhar antropológico sobre a realidade cotidiana, o inesperado, a linguagem, o âmbito público, o arquivo, o território. Temos aí 12 temas pungentes da produção artística contemporânea, que dividem os 25 mil metros ­quadrados do Pavilhão da Bienal, na mostra “A Iminência das Poéticas”.

Sem apelar para grandes estrelas, a Bienal de Oramas oferece um panorama contundente da arte mundial, apresentando microexposições de cada um dos 111 artistas convidados. Segundo o curador, elas correspondem a “constelações pessoais” desses artistas. “Em Bienais anteriores tínhamos salas especiais dedicadas a artistas históricos, mostrando a diversidade de sua obra. Agora todos os artistas têm direito a salas especiais, porque afinal todos são especiais”, diz o presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, à Istoé. “Sabemos que as obras não produzem sentido sozinhas, mas pertencem ao mundo e suas relações. Por isso fizemos uma bienal constelar”, afirma o curador Luis Pérez-Oramas. “Fizemos uma Bienal para a ressonância dos artistas e de suas obras. Uma Bienal inteligente, não bombástica, cheia de vínculos construídos e por construir”, completa.

Nos vínculos construídos por Oramas, a instalação “Monumento à Deriva Continental”, do artista mineiro Thiago Rocha Pitta, por exemplo, pertence ao mesmo universo conceitual dos protótipos de carros utópicos criados pelo norte-americano Dave Hullfish Bailey. Ambos são artistas que trabalham com territórios, trajetos, percursos, distâncias. Já David Moreno, que na obra “Silence” joga com a visualidade do som, interage com obras sonoras como “Imperial Distortion”, do músico e artista visual australiano Marco Fusinato, ou com os trabalhos da compositora, performer
e artista Maryanne Amacher.

Assim, as microexposições dos 111 artistas se espalham na Bienal, como universos particulares que se relacionam entre si. “Porém, a exposição não se concentra em apenas 12 constelações”, adverte Oramas, sugerindo que o conceito se expande para além do espaço expositivo. Estimulada pela proposta, a comunicação visual da mostra, comandada por André Stolarski, projetou 30 cartazes em vez de apenas um. O aplicativo para iPad e celular é outra forma de materialização constelar da mostra. Realizado em parceria com a revista “seLecT”, o app “#30Bienal seLecTed – powered by Bloomberg” vai permitir, além de uma viagem imersiva, que cada visitante crie e compartilhe com outros visitantes suas próprias constelações de obras e conceitos contidos na exposição, expandindo e multiplicando aquilo que é visto no recinto da mostra.

No contrafluxo do movimento expansionista da curadoria, a gestão de Heitor Martins apresenta números em encolhimento: este ano a Bienal foi realizada com R$ 22,4 milhões. “A Bienal está 20% mais enxuta que a edição passada. Essa redução é reflexo da busca por um modelo sustentável. A longo prazo, queremos ser um exemplo de gestão cultural”, disse o presidente da Bienal.

Posted by Marília Sales at 9:04 AM

setembro 13, 2012

Para fortalecer Marta, Senado vota proposta sobre investimentos na área cultural por Gabriela Guerreiro, Folha de S. Paulo

Para fortalecer Marta, Senado vota proposta sobre investimentos na área cultural

Matéria de Gabriela Guerreiro originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 12 de setembro de 2012

Na tentativa de fortalecer a indicação da senadora Marta Suplicy (PT-SP) para o Ministério da Cultura, o Senado vai votar nesta quarta-feira (12) a chamada PEC (proposta de emenda constitucional) da Cultura, relatada pela parlamentar petista na Casa. A proposta chegou ao Senado em julho, depois de ser aprovada pela Câmara, mas os senadores decidiram acelerar a sua votação depois da indicação da senadora para o ministério.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que pelo "esforço" da senadora Marta em prol da PEC os líderes dos partidos decidiram incluí-la nas votações. "A Marta vai levar para o ministério uma interlocução maior com o governo e o Congresso. Como ela não é oriunda da classe da cultura, vai poder transitar em todos os grupos sem resistência", afirmou

Braga disse que Marta terá uma interlocução "muito mais forte" com o Congresso do que a ministra Ana de Hollanda, que deixou o cargo nesta terça (11) após a presidente Dilma Rousseff indicar a senadora para substituí-la.

Marta deve renunciar hoje à vice-presidência do Senado para que o cargo permaneça com o PT. O partido reúne esta tarde sua bancada para indicar o substituto, que vai ocupar a vaga somente até o final da atual legislatura, em fevereiro --quando será empossada a nova Mesa Diretora da Casa. O regimento do Senado não permite que um membro da atual Mesa dispute novamente cargos de comando.

PEC

A PEC cria o SNC (Sistema Nacional de Cultura), determinando a ampliação progressiva de recursos para o setor. O objetivo do SNC é integrar os governos federal, estadual e municipal, além da sociedade, no investimento na cultura nacional. O sistema também assegura a continuidade das políticas públicas na área cultural.

A proposta, no entanto, ainda remete vários pontos para regulamentação após sanção presidencial, como a questão dos recursos progressivos. Atualmente, não há vinculação de receita para o setor.

O Sistema Nacional de Cultura organiza a gestão de políticas públicas culturais e tem como princípios diversidade das expressões culturais, universalização do acesso aos bens e serviços culturais e fomento à produção, à difusão e à circulação da arte. Também prevê que agentes públicos e privados se complementem na área de cultura.

Posted by Marília Sales at 1:51 PM

Galeria Mariana Moura fecha as portas depois de oito anos no Recife por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Galeria Mariana Moura fecha as portas depois de oito anos no Recife

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de setembro de 2012

Depois de oito anos em atividade no Recife, onde foi uma das pioneiras na cena nordestina, a galeria Mariana Moura anunciou hoje que fechará seu espaço na capital pernambucana.

A Mariana Moura opera também em São Paulo, em parceria com a galeria Laura Marsiaj, do Rio, com o nome Moura Marsiaj.

Desde que dividiu as operações entre Recife e São Paulo, a marchande Mariana Moura disse à Folha que sentiu dificuldades em manter os dois espaços e adiantou que montará uma residência artística no Recife nos moldes da célebre Gasworks, de Londres, e do Capacete, projeto com pontos em São Paulo e no Rio.

"Quero focar minhas energias em São Paulo e fazer no Recife algo mais livre", diz Moura. "Já que o mercado me deu essa resposta tão rápido, decidi experimentar mais no Recife."

Parte de sua equipe, como o gerente da galeria e "art adviser" Aslan Cabral, continuará atuando no Recife em projetos paralelos.

Posted by Marília Sales at 1:37 PM

Coletânea de experiências e processos artísticos por Adriana Martins, Diário do Nordeste

Coletânea de experiências e processos artísticos

Matéria de Adriana Martins originalmente publicada no Caderno 3 do jornal O Estadão em 13 de setembro de 2012

Primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza abre exposição amanhã

Limites entre público e privado, transformação corporal, redes informacionais, paisagem urbana e universo feminino são alguns dos temas explorados na exposição "Perambular, Experimentar e Correr Perigo", que reúne trabalhos desenvolvidos por oito artistas e quatro pesquisadoras integrantes da primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza. A abertura acontece amanhã, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB).

Uma das peças do projeto "Vendido", desenvolvido pelo artista cearense André Quintino: anúncios de venda de imóveis transformados em casas de passarinho sugerem reflexão sobre espaços públicos e privados e especulação imobiliária

O programa é resultado de uma parceria entre a Vila das Artes, equipamento da Prefeitura de Fortaleza, e o CCBNB. O grupo é formado pelos artistas André Quintino, Bartira Dias, David da Paz, Mariana Smith, Marina de Botas, Sabyne Cavalcanti e Simone Barreto e as pesquisadoras Ana Cecília Soares, Júlia Lopes, Lara Vasconcelos e Naiana Cabral.

A seleção dos candidatos aconteceu em outubro de 2011, a partir da seleção de portfólios e de projetos de pesquisa. O processo foi coordenado pelo artista Enrico Rocha e contou com o acompanhamento do artista Eduardo Frota. As atividades e discussões do programa foram desenvolvidas ao longo de 10 encontros mensais, cada um com uma semana de duração. Nessas ocasiões, os participantes se reuniam com curadores, artistas e professores convidados para refletir sobre temas e propostas de trabalho.

Entre esses profissionais estiveram nomes como Tânia Rivera, Eduardo Passos, Glória Ferreira, Mário Ramiro, Santiago Navarro, Eleonora Fabião, Orlando Maneschy, Jailton Moreira, Fernanda Albuquerque e Antoni Muntadas. O último módulo, com o artista catalão Muntadas, foi realizado em parceria com o projeto Conexões Estéticas, do Instituto de Cultura e Artes da UFC. Além dos encontros, os convidados ministraram cursos abertos ao público (selecionado através de inscrições na Vila das Artes).

Diversidade

Entre os trabalhos elaborados para "Perambular, Experimentar e Correr Perigo" está, por exemplo, "Vendido", de André Quintino, que propõe uma discussão sobre os limites entre público e privado, o crescimento da cidade e a especulação imobiliária.

Para isso, Quintino construiu casas de passarinho com placas de "vende-se/aluga-se" recolhidas pela cidade. Depois, as peças foram colocadas nos mesmos locais onde se encontravam as placas, cujas mensagens são, assim, reconstruídas e ressignificadas.

Outro projeto que reflete sobre a questões urbanas é "Arranha-céu", de Jared Domício. Mistura entre desenho e fotografia, a obra consiste em imagens de céu arranhadas com estilete, que sugerem ao espectador a visão de uma Beira Mar sem grandes construções.

Já a artista Bartira Dias mergulha no universo do corpo e seus significados, com a performance "O dentro da pele para fora do ar", da série "Ex-drógeno". O trabalho questiona o uso do corpo enquanto mercadoria, além de refletir sobre a violência de gênero que se dá nesse processo.

Mais informações
"Perambular, Experimentar e Correr Perigo" - abertura amanhã, às 18 horas, no CCBNB ( R. Floriano Peixoto, 941, Centro). Visitação de 15 a 20 de outubro, de terça a sábado, das 10 às 20 horas. Acesso livre. Contato: (85) 3252.1444

Posted by Marília Sales at 11:14 AM

ArtRio tenta atrair mais público e superar vendas da primeira edição por Roberta Pennaforte, O Estadão

ArtRio tenta atrair mais público e superar vendas da primeira edição

Matéria de Roberta Pennaforte originalmente publicada no Cultura do jornal O Estadão em 12 de setembro de 2012

Feira começa nesta quarta, 12, e tem a participação de 60 galerias brasileiras e 60 estrangeiras

RIO - São duas as principais ambições da ArtRio, feira que será aberta nesta quarta-feira, 12, para convidados com a participação de 60 galerias brasileiras e 60 estrangeiras: uma de curto e outra de longo prazo. A primeira é vender bem, superando os números já surpreendentes da primeira edição, ano passado - a estimativa é de se bater R$ 150 milhões, contra R$ 120 milhões de 2011. A segunda é despertar o interesse pela arte num público mais amplo, o carioca comum, que não frequenta esse tipo de evento. O que se refletiria, pelas expectativas, num aumento na visitação de 46 mil para 60 mil pessoas, em quatro dias.

Para atingir o primeiro objetivo, os organizadores fizeram uma seleção criteriosa, que limou galerias candidatas de todo o Brasil e também de cidades como Paris e Nova York. Entre as que montaram seus estandes no Píer Mauá - dessa vez com área ampliada de 3.850 para 7.500 m² - estão a maior do mundo, a Gagosian, com sede em Nova York e presença em mais seis países, a londrina White Cube, e as mais relevantes do Brasil: Fortes Villaça (SP), Luisa Strina (SP), Silvia Cintra (RJ) e Anita Schwartz (RJ), entre outras.

Para chamar a atenção do não-iniciado, surgiu o portal www.artrio.art.br, com informações atualizadas sobre o setor e mantido não só durante a feira. O slogan é "O Rio é arte, o tempo todo, em toda parte". Para quem não é colecionador, a ideia que fica é a de que a ArtRio é uma enorme e múltipla exposição, que merece ser visitada (o ingresso é R$ 30). Para chamar atenção também para as sedes das galerias, foram montados percursos num ônibus especial, gratuito, que transitará até domingo por elas.

A grande expectativa é já pelo primeiro dia. É quando os convidados supervips são chamados a percorrer os galpões em horário privilegiado: das 11 às 14 horas, antes da abertura oficial. Dois mil convites do tipo foram distribuídos aqui e fora.

"São os grandes players desse mercado, os colecionadores que realmente importam, que são vips em todas as maiores feiras do mundo", conta Brenda Valansi, organizadora, com Elisangela Valadares e os sócios Luiz Calainho e Alexandre Accioly. "O primeiro dia tem essa expectativa enorme, define muita coisa. Ano passado o que aconteceu é que o primeiro dia foi um bombardeio que se manteve até o fim."

Na ocasião, os negócios fechados em 24 horas ficaram em torno de R$ 60 milhões, sendo que se esperava movimentar R$ 100 milhões em quatro dias. Os galeristas brasileiros se surpreenderam com a voracidade dos compradores; os vindos de longe se ressentiram um pouco do fato de a maior parte preferir comprar arte brasileira.

A Fortes Villaça não participou, por estar envolvida com feiras internacionais na mesma época. Já esse ano investiu num espaço de 120 m², o maior disponível. "Fazer uma feira dá muito trabalho, então é preciso ter certeza de que vale a pena", explicava ontem o diretor Alexandre Gabriel, que dará destaque a artistas brasileiros em alta, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Ernesto Neto, além dos estrangeiros Sarah Morris e Simon Evans.

Tarsila rara. Duas obras de Adriana são o carro-chefe da Almeida&Dale (SP). A tela Moreno, de Beatriz Milhazes, foi vendida antes mesmo de chegar à feira - custou "milhões", revela apenas a assistente da galeria Mônica Tachotte. Foi substituída por uma raríssima Tarsila do Amaral, A Feira III, de 1953. Recentemente, a tela, pela qual são pedidos R$ 8 milhões, esteve numa retrospectiva da pintora. O dono agora resolveu se desfazer dela.

Marcia Barrozo do Amaral vende exemplares de Frans Krajcberg de diversas épocas. Laura Marsiaj aposta em jovens, como Renata de Bonis e Alexande Mury. A ArtRio terá ainda Picasso, Miró, Andy Warhol, Portinari, Volpi e Hélio Oiticica.

São Paulo e Rio têm o mesmo número de representantes: 27. Para a mineira Celma Albuquerque, assim como para galerias de Porto Alegre, Curitiba e Recife, é crucial se fazer mais visível. "Viemos em 2011 e ficamos surpresos. O retorno institucional vale tanto quanto a venda", diz a diretora Flávia Alburquerque, que trouxe obras de Antonio Dias de 20 anos atrás, mas nunca vistas.

Posted by Marília Sales at 9:31 AM

Exposição reúne obras em paisagens do Rio de Janeiro por Roberta Pennaforte, O Estadão

Exposição reúne obras em paisagens do Rio de Janeiro

Matéria de Roberta Pennaforte originalmente publicada no Cultura do jornal O Estadão em 12 de setembro de 2012

Mostra internacional de arte pública 'OIR - Outras Ideias para o Rio' gera até protesto de cariocas

RIO - Há um ano, os ingleses Andy Goldsworthy e Brian Eno, o espanhol Jaume Plensa, o norte-americano Robert Morris, o japonês Ryoji Ikeda e o paulista Henrique Oliveira foram convidados a intervir artisticamente em paisagens do Rio. A ideia do curador Marcello Dantas era dar novo olhar, uma perspectiva estrangeira, a lugares por onde cariocas passam todos os dias. "A imagem da cidade nos foi em grande parte passada pelos estrangeiros que passaram aqui", ele lembra.

O resultado é a mostra internacional de arte pública OIR - Outras Ideias para o Rio, com instalações, esculturas e projeções desenvolvidas pelos artistas e inauguradas no feriadão passado. A exposição a céu aberto vai até o dia 2 de novembro. A exceção é para as obras de Ryoji Ikeda e Brian Eno, efêmeras. Ikeda atraiu visitantes à noite à pequena Praia do Diabo, em Ipanema, com suas projeções na areia e no mar, no último fim de semana - algo nunca visto por lá. Eno vai interferir nos Arcos da Lapa entre os dias 19 e 21 de outubro, com luzes e música.

Na Praia de Botafogo, a monumental cabeça de mulher de Jaume Plensa emerge das águas, transformando, a depender do ângulo de observação, o cartão postal do Pão de Açúcar - a obra chegou a gerar protestos de cariocas enciumados, que gritaram "Fora, cabeção!".

Na movimentada Cinelândia, Robert Morris construiu um labirinto de vidro; no Cais do Porto - perto da ArtRio -, despedaça-se desde a semana passada o frágil Domo de Argila de Andy Goldsworthy. No Parque de Madureira, recém-inaugurado pela Prefeitura onde antes havia uma favela, Henrique Oliveira instalou sua Cascasa de restos de madeira, um túnel curvilíneo que vem despertando a curiosidade de moradores numa área distante do circuito de museus. Um ônibus com guias leva visitantes por um passeio pelas obras aos fins de semana e feriados. Inscrições pelo site www.oir.art.br. Planeja-se que a mostra seja bienal.

Posted by Marília Sales at 9:18 AM

Troca de comando atingirá segundo escalão da pasta por Matheus Magenta, Folha de S. Paulo

Troca de comando atingirá segundo escalão da pasta

Matéria de Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de setembro de 2012

A troca de ministra da Cultura deve gerar ampla dança das cadeiras no segundo escalão da pasta, semelhante à que houve quando Juca Ferreira (então PV) deu lugar a Ana de Hollanda em 2011.

Em 2003, quando Gilberto Gil (PV) assumiu a pasta, no governo Lula, petistas diretamente envolvidos no programa cultural do partido, como Antonio Grassi e Sérgio Mamberti, se tornaram opositores dentro do próprio MinC.

Foram esses mesmos divergentes que ocuparam postos importantes na gestão Ana de Hollanda e que agora lutam para continuar nos cargos.

Além de Grassi, hoje à frente da Funarte, e de Mamberti, secretário de Políticas Culturais, podem deixar o MinC o secretário-executivo da pasta, Vitor Ortiz, o secretário de Articulação Instituicional, Roberto Peixe, e o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.

Nos bastidores, a chegada de Marta ao MinC fortaleceu a possível volta de nomes como o do ator Celso Frateschi, que foi secretário de cultura durante a gestão dela na Prefeitura de São Paulo (2001-2004) e comandou a Funarte até 2008 -deixou o cargo sob críticas de autoritarismo.

Ele diz que sofreu resistência por ter diminuído a centralização das ações no eixo Rio-SP e acabado com "uma indústria de favorecimento" que funcionava no órgão.

Outros nomes cotados para compor o novo ministério são Gustavo Vidigal, que foi secretário-executivo-adjunto na gestão Juca e trabalhou com Marta, e o produtor Alexandre Youssef, coordenador de juventude durante a gestão municipal da petista.

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, e o deputado federal Paulo Teixeira são vistos como futuras eminências pardas do MinC.

A briga deve ser forte também pelo comando do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), cujo orçamento foi reforçado com o PAC das Cidades Históricas, e da Ancine (Agência Nacional do Cinema), responsável por gerir a nova lei da TV paga e o financiamento do desenvolvimento da indústria audiovisual do país (embora o estatuto da agência só permita mudanças em 2013).

Mamberti afirmou que a transição deverá ser pacífica.

"Todos nós, numa aceitação de mudança, colocamos nossos cargos à disposição da nova ministra. Essa é a posição dos secretários. A gente está passando as informações no sentido de que não haja relação traumática."

Colaborou ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, de São Paulo

Posted by Marília Sales at 9:13 AM

Nova ministra veste Chanel, vê novelas e aprecia ópera e artes por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Nova ministra veste Chanel, vê novelas e aprecia ópera e artes

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de setembro de 2012

Marta Suplicy é descrita como "culta" e "sofisticada" e ao mesmo tempo valoriza cultura pop

Ex-prefeita coleciona bonequinhos de argila do Nordeste, mas no vestuário segue o estilo "perua clássica"

Quando seus filhos eram pequenos, Marta Suplicy, que assume hoje o Ministério da Cultura, se arriscava como pintora. Uma de suas obras, a cabeça gigante de um leão, deve ter ido para o lixo, segundo o roqueiro Supla.

Mas se sua própria tela não agradou, Marta sabe apreciar o trabalho dos mestres.

Semanas depois de perder as eleições para a prefeitura paulistana há quatro anos, Marta foi vista sozinha no MoMA, em Nova York, concentrada nos densos campos de cor de Mark Rothko.

A nova ministra gosta mesmo do pintor abstrato. Neste ano, viu em São Paulo a montagem teatral em que Antonio Fagundes vive o artista e recomendou a peça a amigas.

É com as amigas que Marta costuma frequentar balés, óperas e exposições de arte. Mas elas também destacam um outro lado da ministra.

Marta coleciona "bonequinhos de argila do Nordeste", rasga elogios a "Avenida Brasil", a atual novela das 21h, e vibra ao som da cantora country norte-americana Patsy Cline e com sucessos como "American Pie", de Don McLean, que conheceu em temporada de estudos nos Estados Unidos.

Seu gosto é -para dizer o mínimo- eclético. Se o iTunes de Marta comporta clássicos americanos e um ou outro rock, por influência de Supla, também há espaço para ícones da MPB -Chico Buarque, Caetano Veloso e Elis Regina- e medalhões como Roberto Carlos e Rita Lee.

No caso da cantora, Marta chegou a analisar em sua coluna nesta Folha a adequação de uma música de Lee para embalar as travessuras amorosas de Cadinho e suas três mulheres na novela da faixa nobre global, a "parte elegante da trama: hipócrita, cheirosa, culta e com grife".

PERUA CLÁSSICA

Em parte, é uma descrição que quase se aplica a ela mesma. Marta, na definição de amigos, é "culta, sofisticada" e faz questão de vestir a grife francesa Chanel, encarnando o estilo que fashionistas chamam "perua clássica": conjuntinhos de silhueta discreta e tailleurs impecáveis.

Na moda nacional, a ministra só encampou de fato as criações de Alexandre

Herchcovitch, e frequentou a primeira fila de seus desfiles na São Paulo Fashion Week, posando para retratos até mesmo na passarela.

Mas Marta exagera nos acessórios, com excessos de joias, assim como já pecou pela extravagância em nome da alta cultura.

Em seu mandato na Prefeitura de São Paulo, uma viagem a Milão causou polêmica.

Enquanto paulistanos naufragavam no túnel da Rebouças, que havia inundado, e a prefeitura vivia crise com corte de serviços como varrição de ruas, Marta estava na reabertura do Scala, templo da ópera italiana, dividindo a plateia com Sophia Loren.

Um jornalista descreveu seu figurino dourado, carregado de adereços, como look da madrasta de Cinderela.

Fora dos contos de fada, Marta, que depois de dois divórcios hoje namora o ex-presidente do Jockey, Márcio Toledo, continua viajando à Europa, um destino frequente.

Em sua última passagem por Paris, ao lado do namorado, refez o trajeto do protagonista de "A Lebre com Olhos de Âmbar". O livro de Edmund De Waal segue o destino de um conjunto de bibelôs japoneses, espalhados entre a capital francesa e Viena.

No cinema, Marta também caiu de amores pelo mais recente filme de Woody Allen. Ela comparou a trama passada em Roma aos enredos fantásticos de Federico Fellini.

Mas Europa não é tudo. Entre os livros de cabeceira da nova ministra, já esteve "Relato de um Certo Oriente", estreia de Milton Hatoum, uma ode memorialista a Manaus.

Colaborou THALES DE MENEZES, editor-assistente da "Ilustrada"

Posted by Marília Sales at 9:07 AM

Os 5 maiores desafios de Marta, Folha de S. Paulo

Os 5 maiores desafios de Marta

Matéria originalmente publicada no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 13 de setembro de 2012

Petista assume hoje Ministério da Cultura para tentar destravar projetos e aumentar verba

Ao assumir o Ministério da Cultura hoje, em substituição a Ana de Hollanda, Marta Suplicy terá de se desafiar a desemperrar projetos tidos como prioritários pelos antecessores bem como a garantir um orçamento maior para um dos nanicos da Esplanada.

Entre os programas cruciais estão a reforma da Lei Rouanet. Batizado de Procultura, o projeto tramita na Câmara e tem como um dos objetivos forçar os patrocinadores a aumentar sua contrapartida pela renúncia fiscal que recebem do governo.

Outro projeto prioritário é a reforma da Lei do Direito Autoral, maior motivo de divergência entre as equipes de Ana (que defendia menor tolerância à flexibilização dos direitos dos autores) e dos antecessores Gilberto Gil e Juca Ferreira (defensores de um uso mais tolerante de conteúdos culturais sem pagamento de direito autoral). O projeto está parado na Casa Civil.

Para garantir mais recursos à pasta, cujo Orçamento para 2013 é de R$ 2,9 bilhões (o valor em geral diminui ao longo do ano), o desafio é aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que vincula 2% da receita da União para a Cultura.

Tirar os projetos do papel, entretanto, exigirá articulação política no Congresso, uma das maiores fraquezas de Ana de Hollanda.

Marta tem mais trunfos, por ser ela própria uma política e por contar com articuladores fortes no Congresso, como os deputados petistas Paulo Teixeira, Cândido Vacarezza e José Mentor.

"Acho que o maior desafio da nova ministra é o mesmo de seus antecessores: o aumento do orçamento e da importância do ministério. Espero que Marta não se acomode com o tamanho que ele tem", diz o ator Wagner Moura.

Para o escritor Fernando Morais, a nova titular do MinC "é muito ativa" e parece "mais dispostas a chutar a porta do Ministério da Fazenda pedindo mais orçamento"

Posted by Marília Sales at 8:59 AM

setembro 12, 2012

Marta Suplicy ocupará Ministério da Cultura; posse será na quinta, O Estado de S. Paulo

Marta Suplicy ocupará Ministério da Cultura; posse será na quinta

Matéria originalmente publicada no O Estado de S. Paulo em 11 de setembro de 2012

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) será a nova ministra da Cultura. Ela substituirá Ana de Hollanda, que há tempos vinha sendo “fritada” no governo. A presidente Dilma Rousseff decidiu fazer a troca logo depois que Marta concordou em apoiar o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. A senadora tomará posse na próxima quinta-feira, 13.

A saída de Ana de Hollanda estava prevista para o início do ano que vem, quando Dilma fará nova reforma na equipe. A presidente, porém, decidiu antecipar a troca por causa das eleições municipais. Além disso, ela ficou muito irritada com o vazamento de uma carta escrita pela ministra da Cultura para a titular do Planejamento, Miriam Belchior. Na carta, Ana reivindicava mais verbas para a pasta.

Marta boicotou a campanha de Haddad por quase dez meses e só concordou em ajudá-lo há duas semanas, após conversas com Dilma e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora estava magoada com Lula por ter sido obrigada a desistir da disputa pela Prefeitura, no ano passado, para dar a vaga a Haddad.

O primeiro suplente de Marta no Senado é o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), presidente do PR paulistano. Ele deverá se licenciar para assumir a vaga. Embora seja da base do governo no Congresso, o PR está na coligação de partidos que apoiam José Serra (PSDB) à Prefeitura.

Posted by Marília Sales at 1:55 PM

Ernesto Neto faz obra suspensa e interativa em estação no Rio por Marco Aurélio Canônico, Folha de S.Paulo

Ernesto Neto faz obra suspensa e interativa em estação no Rio

Matéria de Marco Aurélio Canônico originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 12 de setembro de 2012

"Eu queria criar um trabalho em que as pessoas andassem no espaço", diz o carioca Ernesto Neto, explicando a gênese de "ObichoSusPensoNaPaisaGen", obra que estará aberta para visitação (e interação) pública a partir de hoje, no Rio.

A instalação é uma espécie de floresta suspensa a cerca de cinco metros do chão, com 42 metros de extensão e 12 metros de largura.

É feita numa técnica de crochê manual, com cordas de polipropileno que lembram teias. O piso por onde os visitantes caminham (descalços) é de bolas plásticas encapsuladas pelas cordas.

Andar pela montagem é como fazer um circuito de arvorismo, a prática esportiva em que se caminha por estruturas montadas entre as copas das árvores: é preciso um tanto de fôlego e de equilíbrio e nenhum medo de altura.

Segundo o artista, a instalação suportara até 70 pessoas simultaneamente, mas vai receber, no máximo, 20 visitantes por vez.

Criada no ano passado para o Faena Art Center, de Buenos Aires, "ObichoSusPensoNaPaisaGen" chega ao Rio patrocinada pela Nike e ocupa a estação Leopoldina, parada ferroviária tombada pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural).

A instalação das cinco vigas que sustentam a obra gerou uma saia justa com o Inepac, que não foi consultado, o que é obrigatório em prédios tombados. Posteriormente, o órgão deu sua aprovação.

Para Neto, a amplitude da nova localização favorece seu trabalho. "Ele foi feito para uma sala, aqui ele me parece mais solto, como se estivesse voando mesmo", diz.

O artista ressalta o caráter lúdico e participativo da obra.

"As artes plásticas muitas vezes são um tanto herméticas, mas essa é uma obra aberta, uma coisa com que as pessoas terão relação direta. Vão tocar, deitar, sair do contemplativo para o vivencial."

OBICHOSUSPENSO- NAPAISAGEN
QUANDO abre hoje; qua. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 10h às 20h, dom., das 10h às 17h; até 16/10
ONDE Estação Leopoldina (r. Franciso Bicalho, s/nº, Rio, tel. 0/xx/21/2535-9848)
QUANTO grátis

Posted by Marília Sales at 1:43 PM

Galerias brigam por espaço em feiras disputadas por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Galerias brigam por espaço em feiras disputadas

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 12 de setembro de 2012

Enquanto galerias se multiplicam, feiras como SP-Arte e ArtRio e as estrangeiras Frieze, de Londres, e Art Basel Miami Beach, nos EUA, se esforçam para acomodar um número crescente de casas ao mesmo tempo em que tentam manter a qualidade dos participantes.

Cada uma delas mantém um comitê de seleção, implantado nas últimas edições das feiras brasileiras e já atuante há anos no mercado internacional. São críticos e galeristas que se reúnem para dizer sim ou não à presença de uma galeria.

Luisa Strina, por exemplo, deixa neste ano seu posto no comitê da Art Basel Miami Beach, a feira de maior peso para o mercado de arte latino-americano.

Sua saída, depois de 12 anos no posto, já provoca especulações sobre uma queda no número de galerias brasileiras na feira.

"Quando galerias saem, dizem que é minha a culpa. Quando entram, ninguém fala nada", diz Strina. "Essa situação é horrível."

Galerista que não foi aceita para a edição da feira de Miami que começa em dezembro, Raquel Arnaud diz que "a Art Basel está com problemas". "Parece que nem leram os projetos."

Marcia Fortes, que está no conselho da Frieze, compara a posição a ter uma "cadeira nas Nações Unidas".

"É um trabalho político, eles me convidaram para ter um olhar mais aberto para o resto do mundo, eu virei a representante da periferia", afirma Fortes. "Quando eu entrei, havia só duas galerias brasileiras, e depois consegui botar Casa Triângulo, Vermelho e A Gentil Carioca na Frieze."

Ela chegou a ser convidada para ocupar o lugar de Luisa Strina na Art Basel Miami Beach, mas declinou por não poder representar as duas ao mesmo tempo.

Marcio Botner, da galeria A Gentil Carioca, é hoje o único brasileiro no time de Miami, mas se restringe à seleção de casas emergentes.

"Tem um certo exagero de achar que o comitê é o vilão", diz Botner. "Quem se coloca dentro da feira é a própria galeria. O que a faz entrar é seu programa, a atitude do galerista, o trabalho que realiza em sua cidade."

Também importa a relevância de uma galeria no plano global. Luciana Brito, que mantém uma casa com seu nome em São Paulo, foi convidada para o comitê da Arco, de Madri, quando a feira decidiu se reformular, cortando o número de espanhóis e focando a presença estrangeira de alto padrão.

"Não sinto pressão das galerias que querem entrar", conta Brito. "Mas sou abordada por quem quer saber os critérios de seleção."

Mesmo com amigos ou desafetos nos comitês, galeristas não acham simples prever a aceitação numa feira. "Tem intriga, mentira, mas ninguém tem tanto poder sozinho", diz Eduardo Leme, que já foi da Arco.

Posted by Marília Sales at 1:25 PM

ArtRio dobra de tamanho em 2ª edição por Silas Martí, Folha de S. Paulo

ArtRio dobra de tamanho em 2ª edição

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 12 de setembro de 2012

Feira carioca começa hoje com 120 galerias, entre elas, as gigantes Gagosian, dos EUA, e a britânica White Cube

Após faturar R$ 120 milhões no ano passado, evento tem isenção de ICMS para vender até R$ 150 milhões neste ano

Depois de uma primeira edição em que polarizou o mercado de arte no país, faturando três vezes mais que a SP-Arte, sua maior concorrente, a ArtRio é aberta hoje no píer Mauá com a presença de 120 galerias, entre elas as gigantes Gagosian, dos EUA, e a britânica White Cube.

Da primeira para a segunda edição, a feira de arte carioca mais do que dobrou seu espaço físico, passando a ocupar quatro armazéns na zona portuária, e aumentou seu orçamento de R$ 6 milhões para R$ 9,5 milhões -a feira conseguiu autorização para captar R$ 6,4 milhões em recursos incentivados.

Neste ano, o evento também terá um site de notícias e programas de rádio, o que um de seus organizadores, Luiz Calainho, chama de "tsunami do bem" para a arte.

Bem ou mal, a feira, que diz ter vendido R$ 120 milhões em obras na edição passada, pretende bater a marca dos R$ 150 milhões neste ano, uma estimativa "conservadora", de acordo com Calainho.

Esse aumento das compras está ancorado mais uma vez na isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre as transações realizadas na feira, o que costuma cortar em mais de metade o volume -alto para padrões internacionais- de impostos pagos no país em compras de arte.

"Esse ano vai ser definitivo para a gente se firmar no calendário internacional", diz Brenda Valansi Osorio, outra organizadora da ArtRio.

Na semana seguinte à abertura da Bienal de São Paulo, a feira aproveita a presença de curadores e galeristas de fora para turbinar as vendas.

Galerias como a Gagosian apostam no alto poder aquisitivo do mercado brasileiro e trazem à ArtRio obras de Picasso, Giacometti, Warhol e outras peças que não saem por menos de US$ 1 milhão.

Esse furor também força as galerias brasileiras a fazer jornada dupla, marcando presença obrigatória na SP-Arte e na ArtRio, que reúne as maiores casas de São Paulo do outro lado da ponte aérea.

Posted by Marília Sales at 12:42 PM

setembro 11, 2012

Após série de desgastes, Ana de Hollanda deixa Ministério da Cultura; Marta Suplicy assume por Camila Campanerut, UOL Notícias

Após série de desgastes, Ana de Hollanda deixa Ministério da Cultura; Marta Suplicy assume

Matéria de Camila Campanerut originalmente publicada no UOL Notícias em 11 de setembro de 2012

O governo federal anunciou oficialmente, na tarde desta terça-feira (11), a saída da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, da pasta. A ex-ministra do Turismo e atual senadora Marta Suplicy (PT-SP) assume o cargo, segundo informações da ministra das Comunicações, Helena Chagas. Marta toma posse na próxima quinta-feira (13). No Senado, assumirá a vaga deixada por Marta seu suplente, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP).

Segundo a “Folha de S.Paulo”, a troca fez parte de um acordo para que a senadora se integrasse à campanha do petista Fernando Haddad pela Prefeitura de São Paulo. Sua entrada na campanha ocorreu após um almoço com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final do mês passado.

Ana de Hollanda se reuniu com a presidente Dilma Rousseff nesta tarde, às 15h. A reunião durou menos de meia hora, e Hollanda deixou o Palácio do Planalto sem falar com a imprensa.

Após assumir a vaga, Marta afirmou a jornalistas no Senado: "Eu aceitei o convite e agora vamos trabalhar". "O Ministério da Cultura para mim é um ministério extremamente importante. A identidade brasileira é a cultura. Então, é um enorme desafio que vou enfrentar", completou.

Leia a íntegra divulgada pelo Planalto sobre a troca no ministério:

A Presidente da República, Dilma Rousseff, convidou a senadora Marta Suplicy para ocupar o Ministério da Cultura. Ela substituirá a artista e compositora Ana de Hollanda, a quem a presidenta agradeceu hoje o empenho e os relevantes serviços prestados ao país desde janeiro de 2011.

Dilma Rousseff manifestou confiança de que Marta Suplicy, que vinha dando importante colaboração ao governo no Senado, dará prosseguimento às políticas públicas e aos projetos que estão transformando a área da Cultura nos últimos anos.

A posse será realizada na próxima quinta-feira às 11h.
Trajetória turbulenta

A trajetória de Ana de Hollanda, cantora e irmã de Chico Buarque, no governo de Dilma Rousseff foi turbulenta desde sua chegada, no início de 2011. Aos 64 anos, a agora ex-ministra fez carreira burocrática na Funarte (Fundação Nacional das Artes) e há meses era cogitada como uma das que deixaria o cargo na reforma ministerial.

Sua primeira medida que causou discórdia foi tomada com menos de um mês no ministério: retirou do site da pasta a licença “Creative Commons”, que permite ampla disseminação e cópia de produção cultural. Ana alegou que os textos divulgados por órgãos do governo federal já permitem isso sem restrições, mas não conseguiu aplacar a fúria dos adversários.

no Rio de Janeiro sem agenda oficial, o que teria rendido, em quatro meses de 2011, R$ 35,5 mil em 65 diárias, sendo que em pelo menos 16 delas a ministra não tinha compromissos de trabalho. A Controladoria Geral da União (CGU) determinou que Ana devolvesse cinco diárias que recebeu.

Pouco depois, sua pasta foi criticada por captar R$ 1,9 milhão para a primeira turnê da cantora Bebel Gilberto –sobrinha de Ana. Liberada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República, a ministra afirmou que as críticas à sua gestão eram “turbulências forjadas”.

Resistente às quedas de ministros no ano passado, Ana teve de aguentar as vaias na abertura do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, em setembro de 2011. Em meio à crise que levou à queda de Orlando Silva, titular da pasta dos Esportes, a ministra também sobreviveu ao boato, em outubro, de que teria deixado o cargo para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Em março deste ano, a Comissão de Ética Pública pediu esclarecimentos à ministra por ter recebido camisetas da escola de samba Império Serrano para desfilar no Carnaval. O caso foi revelado pelo jornal "Correio Braziliense". O brinde foi enviado seis meses após o ministério zerar a inadimplência da agremiação carioca, desbloqueando o CNPJ da escola.

O último episódio de desgaste ocorreu no final de agosto deste ano, quando o jornal “O Globo” afirmou que o Planalto ficou incomodado com uma carta enviada pela ministra para sua colega Miriam Belchior (Planejamento) reclamando de falta de recursos para a pasta. A mensagem vazou para a imprensa, contrariando a presidente Dilma.

Posted by Marília Sales at 5:00 PM

Ministra da Cultura deve deixar o cargo; Marta Suplicy é cotada para assumir pasta por Natuza Nery e Valdo Cruz, Folha de S. Paulo

Ministra da Cultura deve deixar o cargo; Marta Suplicy é cotada para assumir pasta

Matéria de Natuza Nery e Valdo Cruz originalmente publicada no Poder do jornal Folha de S. Paulo em 11 de setembro de 2012

A ministra Ana de Hollanda (Cultura) deve deixar o cargo nesta terça-feira (11). Para seu lugar, a presidente Dilma Rousseff pode indicar a senadora petista Marta Suplicy (SP).

A ministra tem uma audiência no Palácio do Planalto e pode já definir sua saída do governo.

Segundo a Folha apurou, a troca estava prevista para ocorrer depois das eleições, mas pode ser antecipada. A participação de Marta na campanha do petista Fernando Haddad (SP) foi decisiva para definir a troca.

Irmã do compositor Chico Buarque, Ana de Hollanda é cantora e fez carreira na burocracia estatal, trabalhando inclusive na Funarte.

Sua gestão foi marcada por críticas e poucas realizações. Em diversas oportunidades, o Planalto teve que negar a saída da ministra.

Com a virada do ano, houve a expectativa de uma reforma ministerial e o nome da ministra figurava entre as possíveis trocas.

Um dos primeiros problemas de sua gestão foi a retirada do selo "Creative Commons", que facilita o trânsito de obras na internet, já que regulamenta os direitos do autor sem que haja necessidade de contrato escrito.

Outra crítica de parte do setor cultural é que ela não teria se empenhado para garantir um corte menor no Orçamento da Cultura.

A ministra foi alvo de campanha dentro do próprio PT, que teve início quando cancelada a nomeação do sociólogo Emir Sader para presidir a Fundação Casa de Rui Barbosa.

No ano passado, a CGU (Controladoria Geral da União) determinou ainda que Ana devolvesse cinco diárias que recebeu quando estava no Rio de Janeiro sem compromissos oficiais.

Em março, a Comissão de Ética Pública da Presidência pediu esclarecimentos à ministra por ter recebido camisetas da escola de samba Império Serrano para desfilar no Carnaval.

O brinde foi enviado seis meses após o ministério zerar a inadimplência da agremiação carioca, desbloqueando o CNPJ da escola.

Posted by Marília Sales at 10:51 AM | Comentários (1)

Entrevista: São Paulo se tornou um centro para a arte contemporânea por Silas Martí, Folha de S. Paulo

São Paulo se tornou um centro para a arte contemporânea

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 11 de setembro de 2012

Diretor da Tate, de Londres, vê confiança e estabilidade nos museus e mostras do Brasil

Nicholas Serota quase não chama a atenção. Usa ternos discretos, de corte justo, e caminha rápido na multidão, quase imperceptível. Fala baixo, com longas pausas, e parece avesso a flashes e holofotes, ao contrário da instituição que ele representa.

Faz 24 anos que esse britânico comanda a Tate, de Londres, o museu de arte moderna mais frequentado do mundo, com 5 milhões de visitas ao ano, um orçamento que beira os R$ 250 milhões e uma coleção de 70 mil obras.

Mesmo com a sua experiência, Serota diz que está no Brasil para "aprender".

Fechou uma parceria com a Pinacoteca do Estado, que considera um "museu modelo", e vê nas instituições brasileiras um novo senso de "confiança e estabilidade".

Depois de dedicar retrospectivas a Hélio Oiticica e Cildo Meireles, ajudando a posicionar o Brasil no contexto global, a Tate vai abrir no segundo semestre de 2013 uma mostra dedicada à artista suíço-brasileira Mira Schendel.

Serota falou com a Folha durante a abertura da Bienal de São Paulo na semana passada. Leia a entrevista a seguir.

Folha - Como você vê esse momento para a arte brasileira?

Nicholas Serota - Parece haver mais confiança em São Paulo, mais do que antigamente, e acho que isso reflete uma série de fatores. Primeiro, o país está muito bem na economia mundial. Em segundo lugar, a última Bienal foi muito boa e esta, também. Há uma sensação de estabilidade e propósito na Bienal, que parece ter estado ausente nos últimos anos. Claro que também muitos dos museus estão fazendo projetos excelentes. Na Pinacoteca, eu vi as exposições de Cruz-Diez e Willys de Castro, as duas muito fortes. Tenho a impressão de que este seja um momento de força. Também diria que há uma apreciação crescente de arte contemporânea brasileira além de arte dos anos 50 e 60, e isso é um contexto interessante para a Bienal. Há interesse internacional pelo que acontece no Brasil.

O MAM tem uma tradição de fazer grandes mostras individuais e acabamos de emprestar uma obra da Tate para a exposição de Adriana Varejão. Também há instituições menores fazendo projetos.

Isso tem a ver com a ascensão da arte brasileira no mercado global?

Acho que o interesse parte primeiro dos curadores internacionais, que estão fazendo exposições. Por exemplo, na Tate tivemos Oiticica, Cildo Meireles, agora preparamos uma mostra de Mira Schendel. Isso aguça a atenção de colecionadores e do público, que então passa a descobrir novos artistas, não só os que exibimos normalmente. Há uma orientação do mundo da arte, que tem olhado na direção contrária de Nova York, contrária à Europa ocidental. Estamos olhando para outras atividades. Você observa isso também na Documenta, onde há um interesse pela arte fora dos centros tradicionais. São Paulo agora é um centro.

Depois de ter feito mostras de Oiticica e Meireles, a Tate está interessada nesta região do mundo particularmente?

Em 2000, decidimos que precisávamos olhar para o mundo com mais abrangência. Para nós, o primeiro lugar para olhar era a América Latina, em especial o Brasil. Em parte por causa de figuras históricas como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Mira Schendel, mas também por causa de artistas contemporâneos. Temos comprado arte latino-americana pelos últimos dez, 15 anos e mostramos isso.

Há algum motivo especial para ter começado com o Brasil? Tem a ver com a tradição construtivista britânica e sua relação com os concretistas brasileiros?

Nosso interesse começou pelo que estava acontecendo aqui nos anos 50 e 60, mas esse interesse aumentou pelo que está acontecendo agora. Certamente, eu vi essa mostra que está em cartaz no Centro Brasileiro Britânico. Eu conheço o trabalho desses artistas ingleses e vendo isso no contexto de concretistas brasileiros é muito interessante.

Esse deslocamento da perspectiva para países emergentes está atrelado à redefinição de poderes econômicos e geopolíticos no mundo hoje?

Acredito que o interesse em nível cultural vem antes dos interesses econômicos e políticos. Eu me lembro de tentar convencer o governo britânico a se interessar pelo que acontecia no Brasil há cinco anos e ninguém se interessava. Agora há uma série de eventos sendo planejados em parceria entre São Paulo e Londres nos próximos dois, três anos. A motivação é antes de tudo artística, mas há uma consciência dos assuntos tratados pelos artistas daqui, que também interessam aos artistas de lá, como foi o caso dos construtivistas.

Que momento histórico foi crucial para essa aproximação entre os países?

Para mim, a Bienal de 1998, organizada pelo Paulo Herkenhoff, foi um ponto crítico. Não vi essa exposição, mas conheço muito bem o catálogo. Gostaria de ter visto essa mostra. Foi um momento crítico porque deu uma nova leitura de arte brasileira, um novo conhecimento de como a arte se desenvolve, em paralelo ao mercado. Deu uma nova consciência dos processos.

Você acredita que a mostra dedicada a Mira Schendel que a Tate prepara agora será outro momento desses?

A mostra está sendo preparada por curadores da Tate e da Pinacoteca juntos. O propósito da exposição será apresentar o caráter exemplar do trabalho dela, a fragilidade do trabalho dela, mas não só a partir de pequenos exemplos, mas com um amplo recorte dessa obra, um olhar sobre a evolução desse trabalho. E também pretendemos conduzir novas pesquisas e produzir novos escritos sobre o trabalho dela, na esperança de produzir novo conhecimento sobre essa obra.

Ainda há uma grande diferença na habilidade e na prática de instituições do mundo desenvolvido e museus brasileiros na condução de mostras desse tipo? Você acredita que essa diferença está diminuindo?

Acredito que isso está mudando. A Tate e a Pinacoteca gostariam de trabalhar juntas em outros projetos, alguns começando em Londres e outros em São Paulo. Acredito que podemos aprender muito com a experiência aqui. Esse tipo de parceria é mais importante do que criar satélites da Tate em outros países. Eu não estaria interessado em fazer uma exposição em Londres para depois trazer a São Paulo ou o contrário, uma mostra daqui que só é transportada até Londres. Ainda estamos discutindo projetos futuros. Nossas discussões estão mais avançadas com a Pinacoteca simplesmente pelo fato de a Pinacoteca ser mais desenvolvida do que outros museus, é um museu modelo.

Por que o sr. considera a Pinacoteca um possível modelo para a Tate?

Eu visitei a nova organização do acervo da Pinacoteca. Vi ali alguns princípios museológicos muito interessantes sendo desenvolvidos. Nos quatro cantos do prédio, além da apresentação cronológica, eles têm quatro recortes mais aprofundados. Esse é um plano que vamos implantar na Tate Britain no ano que vem. Teremos espaços mais aprofundados, explorando conceitos apresentados em cada sala, escrevendo novos ensaios sobre esses artistas. Teremos uma apresentação cronológica, mas também esses espaços mais focados em alguns assuntos, que serão tema de publicações, pesquisas, bolsas de estudo. A Pinacoteca trabalha em paralelo conosco. Podemos aprender uns com os outros.

O sr. acha que o papel de um museu, além de realizar exposições, também é pesquisar e produzir novos conhecimentos sobre a obra de um artista?

Museus tradicionalmente têm a ver com conhecimento, eles servem para colecionar, examinar, dissecar e apresentar esse conhecimento para outros estudiosos e para o público. Essa função de um museu permanece, é isso que dá autoridade a um museu, expertise e um domínio sobre seu programa. Sem uma vocação para pesquisa, o museu só repete ideias em vez de inventar essas ideias. O público respeita museus engajados nesse tipo de atividade. Mesmo que ele não perceba uma exposição com grandes esforços de pesquisa, esse conhecimento acumulado se torna importante para a instituição, ajuda a construir relações entre o museu e os artistas. Artistas são seres criativos envolvidos 100% em suas pesquisas, buscas e tentativas de ver o mundo. Museus precisam estar à altura disso, é importante fazer em vez de receber apenas.


Qual é o orçamento da Tate e como ele se divide?
Cerca de 40% do nosso orçamento vem do governo e os outros 60% vêm de receitas próprias, patrocínios, dinheiro de venda de ingressos, do restaurante, das vendas das lojas. Somos em grande parte uma instituição pública, temos 14 conselheiros, sendo que três deles são artistas. Eles se reúnem seis vezes ao ano e ajudam a determinar a política da instituição. Nós gastamos cerca de R$ 250 milhões por ano, mas isso inclui a Tate Modern, a Tate Britain, a Tate St. Ives, a Tate Liverpool e nossos programas nacionais e internacionais.

Por receber financiamento do governo, a Tate precisa atingir metas de público?

Sabemos que algumas mostras terão grande público, mas sabemos também que outras terão pouco público. Às vezes nos surpreendemos, esperamos um público pequeno, mas a exposição acaba conquistando as pessoas. Somos um grande museu, que recebe muito dinheiro público, então temos que atrair um grande público, mas não montamos nossa programação pensando só em sucessos de bilheteria.

Temos várias vertentes no programa, algumas exposições são feitas para públicos menores, mais especializados. Em 1979, eu trabalhava na Whitechapel e fiz uma exposição de Gerhard Richter. Tivemos 5.000 visitantes em dois meses. No ano passado, fizemos uma mostra do Richter e atraímos 250 mil visitantes. Há um tempo específico para cada coisa.

Não há uma meta específica de público, e o governo tenta avaliar nosso desempenho como um todo, mas também tentamos ajudar o governo a estabelecer critérios para essa avaliação, os critérios justos para essa avaliação. Se você usa dinheiro público num museu público, você precisa responder por isso, prestar contas, mas é preciso ser avaliado a longo prazo, não ano a ano. Museus servem para pensar sobre os próximos cem anos, não as próximas seis semanas ou o ano seguinte. Acredito que se constrói público com muita consistência no programa, apresentando exposições com seriedade e convicção. É dessa forma que se constrói um público. Se você é condescendente com o público, perde o respeito dele.

Quais são alguns dos objetivos da Tate agora com relação à coleção? Que aquisições precisam ser feitas para preencher lacunas no acervo?

Na esfera contemporânea, vamos continuar a colecionar no mundo todo, com foco específico em certas partes do mundo, como a América Latina, a África e o extremo Oriente. Também abrimos novos espaços, em que vamos mostrar performances e instalações. Pretendemos chamar artistas para fazer isso. Nossa relação com o público também está mudando, eles querem estar envolvidos num diálogo. Nossos curadores fazem blogs na internet que se tornam sucessos durante a montagem das exposições. A internet se torna um canal e uma plataforma para nós, e queremos desenvolver projetos que aconteçam sempre nessa plataforma.

Qual é o tamanho do acervo da Tate?

Temos cerca de 9.000 pinturas e esculturas na coleção. Se pensarmos também em trabalhos sobre papel, são 50 mil ou 60 mil. Devemos, é claro, comprar obras de Mira Schendel com essa exposição que estamos montando. Quando fizemos a mostra do Oiticica, compramos muitas obras, o que acabou sendo uma escolha feliz, porque muito se perdeu no incêndio no acervo dele no Rio.

Como a Tate tem sido afetada pela crise econômica?

A crise atinge todos. É claro que tivemos de fazer reduções no programa. Temos menos dinheiro para fazer aquisições e os funcionários tiveram seus salários congelados. Não é fácil. Não podemos continuar cortando o orçamento e produzir mostras da mesma qualidade. Meu trabalho é evitar o avanço desses cortes. Perdemos cerca de 25% do nosso orçamento nos últimos anos.

É possível dizer que há uma tendência hoje em colecionar performances ou mudar o estatuto desse gênero para melhor enquadrar essas obras ante as regras do circuito?

Temos tentado incorporar performance ao nosso acervo, buscando formas de documentar e então apresentar essas obras no museu.

O sr. enxerga o surgimento de novos movimentos, escolas ou tendências no mundo globalizado? Qual é a cara da arte do século 21?

Como você vê nesta Bienal de São Paulo, uma das características da arte do século 21 é tentar organizar informação, arquivos, documentos e usar esse acúmulo de informações para apresentar ideias que surgem do estudo dessa informação. Há um excesso de informação, mas a noção de arquivo parece ser cada vez mais importante. Isso é uma característica da arte do século 21, que não é espetacular, que presta atenção ao detalhe, que está obcecada por gestos pequenos. São pensamentos sobre como organizamos nossas vidas. Há um fascínio sobre como lidamos com desafios e problemas que surgem na vida. Nessas obras você vê artistas lidando com relações institucionais, engajamento político. Esse tipo de exame detalhado faz as pessoas se engajarem.

Como o sr. vê a Tate hoje no panorama global dos grandes museus, como o MoMA e o Pompidou?

O MoMA tem a melhor coleção de arte moderna do mundo. Como não temos uma coleção tão exemplar, precisamos ser mais inventivos e nos arriscar mais no terreno da arte contemporânea. O que a Tate tem feito nos últimos dez anos é apostar no contemporâneo e, através disso, dar novas interpretações de arte histórica. Nos últimos cinco anos talvez tenhamos sido mais ousados do que outras instituições na tentativa de colecionar artistas de outras partes do mundo.

O Pompidou é talvez maior do que a Tate, mas temos uma pequena vantagem. Londres é um bom lugar a partir do qual ver o resto do mundo, é uma cidade cosmopolita e bem posicionada entre os fusos horários das Américas e da Ásia, o que nos permite manter relações com os dois lados do mundo. Diria que Nova York está numa posição mais difícil.

Posted by Marília Sales at 9:50 AM

setembro 10, 2012

Críticos aprovam a 'Bienal sem estrelas' por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Críticos aprovam a 'Bienal sem estrelas'

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 7 de setembro de 2012.

Curadores destacam tom sóbrio da mostra, aberta hoje ao público, e frisam 'sensibilidade' na seleção de artistas

Presença de pinturas divide opiniões, mas montagem é elogiada por respeitar escala dos trabalhos expostos

É uma mostra "clara", "limpa", "solene", "sensível" e sem obras monumentais a Bienal de São Paulo que será aberta hoje ao público.

Críticos e curadores que circularam pela mostra nos dias de visitação para imprensa e convidados aprovaram e elogiaram a curadoria um tanto minimalista do venezuelano Luis Pérez-Oramas, à frente desta 30ª edição do evento paulistano.

Com 111 artistas, em grande parte figuras relegadas ao segundo plano do panorama atual ou nomes ainda pouco conhecidos da nova geração de latino-americanos, a mostra, dividida pelos curadores em "constelações", frisou em suas escolhas a ausência de grandes astros.

"É uma exposição muito sóbria, que evita trabalhos espetaculares", diz Rodrigo Moura, um dos curadores do Instituto Inhotim. "Tem um caráter tranquilo e solene."

Nicholas Serota, diretor da Tate, de Londres, também elogiou a ideia de diluir no conjunto da mostra seus principais conceitos, em vez de centrar o foco em trabalhos de grandes dimensões.

"Não é uma Bienal cheia de objetos únicos, memoráveis, mas sim uma associação de ideias", afirma Serota. "Ela refuta o espetáculo."

Nessa decisão de reduzir a escala e resgatar nomes, Teixeira Coelho, curador do Masp, vê um posicionamento radical de Pérez-Oramas, classificando a mostra como uma "Bienal autoral".

"É uma das melhores bienais que já vi nos últimos tempos", afirma. "É clara, firme e bem trabalhada. Dá para ver que há um autor e um pensamento por trás dela."

PINTURA POLÊMICA

Outro ponto elogiado por Teixeira Coelho foi a forte presença de pinturas, algo que dividiu os críticos. "Tem que acabar com a baboseira de que pintura não é contemporâneo", afirma. "Aqui, as pinturas estão colocadas como parceiras legítimas do resto das obras expostas."

Luiz Camillo Osorio, curador do Museu de Arte Moderna do Rio, também elogiou a presença de pintores, como a artista Lucia Laguna.

Mas Agustín Pérez Rubio, curador do Museu de Arte Contemporânea de Castilla y León, na Espanha, criticou a presença de pinturas, estendendo o ataque à seleção de jovens artistas brasileiros.

"Não sou fã de pintura e também acho que seria possível pensar numa seleção melhor de jovens artistas brasileiros", diz Pérez Rubio. "Mas em seu conjunto, essa é uma Bienal muito correta, limpa e com muita sensibilidade estética e intelectual."

Jochen Volz, curador de Inhotim e da Serpentine, de Londres, e Moacir dos Anjos, curador da última edição da Bienal de São Paulo, elogiaram o resgate de nomes esquecidos de outras gerações presentes na mostra, em especial artistas ligados à educação, como os franceses Fernand Deligny e Robert Filliou.

Também se disseram impressionados com a montagem da exposição, coordenada pelo arquiteto Martin Corullon, que usou paredes de alturas que variam de acordo com a escala das obras.

"É um espaço que funciona, em que a obra dita o programa", diz Volz. "Mesmo os núcleos históricos estão integrados ao resto do conjunto com muita naturalidade."

Osorio, do MAM do Rio, destacou a montagem, dizendo que o projeto tem a "pegada do curador" e é "respeitoso" com todos os trabalhos.

Posted by Marília Sales at 5:25 PM

Depoimento: São necessários dois dias para visitar a Bienal de metrô e ônibus por Marcos Grispum Ferraz, Folha de S. Paulo

Depoimento: São necessários dois dias para visitar a Bienal de metrô e ônibus

Matéria de Marcos Grispum Ferraz originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 10 de setembro de 2012.

Três repórteres, três trajetos, três meios diferentes: carro, transporte público e bicicleta. Na última sexta-feira, primeiro dia da 30ª Bienal para a visitação pública, a Folha visitou os pontos do evento fora do pavilhão do parque Ibirapuera.

Um texto que exige do repórter percorrer em um dia oito pontos da cidade (espalhados por três regiões), apenas usando ônibus, metrô (e as próprias pernas), poderia estar no caderno "Cotidiano". Daria uma boa discussão sobre as carências do sistema municipal de transporte.

Mas, como o assunto é artes plásticas --os oito pontos abrigam as obras da Bienal--, e a pauta é para a "Ilustrada", fica a dica para o leitor que pretende encarar uma empreitada como essa: leve um MP3 cheio e um bom livro. O trajeto vai ser demorado.

Às 8h30, em frente ao cemitério da Lapa, começa a viagem. Até o fim do dia seriam cinco ônibus, três metrôs e cerca de seis quilômetros de caminhada, em dez horas. O primeiro ponto de parada é a Casa do Bandeirante, que abriga a obra de Hugo Canoilas. Dali, sigo para a estação da Luz --a escultura de Charlotte Posenenske quase não é notada por alguns transeuntes, mas em outros gera grande curiosidade.

Mais um metrô até a Consolação e uma caminhada até a Faap, e, às 11h15, ocorre o primeiro erro de reportagem. O museu da faculdade abre às 13h no feriado, e não às 10h, como em uma sexta comum. Fico de fora: paciência.

Mas paciência mesmo é o que se precisa para pegar o ônibus seguinte, do Pacaembu à Paulista. A consolação para 40 minutos de espera são os grafites assinados por Treco no local, que fazem dali um ponto paralelo ao circuito de artes da cidade.

No Masp, a fila de uma hora atrasa mais os planos do dia. Ali, as obras da Bienal estão integradas à exposição permanente e só valem a visita para quem quer ver o resto do museu. Afinal, por que pagar R$ 15 para ver a obra de dois artistas quando se tem outros cem expostos gratuitamente no pavilhão?

Sigo para o Ibirapuera, para pegar a van que abriga a obra sonora de Leandro Tartaglia e leva até a Capela do Morumbi, onde está a instalação de Maryanne Amacher.

Às 17h30, de volta ao parque, faltava apenas a visita à Casa Modernista, que fechava às 18h. Mas, claro, 30 minutos não bastariam para ir de ônibus até o local, que abriga obras de Sergei Tcherepnin e Ei Arakawa.

Vindos de Boston (EUA) e Iwaki (Japão), os dois certamente estranhariam o fato de seu trabalho não ser visto por questões de transporte urbano. Mas aqui é São Paulo.

Após mais uma hora e dois ônibus, chego à minha casa com duas conclusões: no feriado, o metrô funciona, mas esperar ônibus passar é teste de paciência; logo, é preciso reservar dois dias para fazer o circuito da Bienal pela cidade em transporte público

Posted by Marília Sales at 4:48 PM

Depoimento: Circuito da Bienal fora do pavilhão é hostil à 'magrela' por Marcos Dávila, Folha de S. Paulo

Depoimento: Circuito da Bienal fora do pavilhão é hostil à 'magrela'

Matéria de Marcos Dávila originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 10 de setembro de 2012.

Três repórteres, três trajetos, três meios diferentes: carro, transporte público e bicicleta. Na última sexta-feira, primeiro dia da 30ª Bienal para a visitação pública, a Folha visitou os pontos do evento fora do pavilhão do parque Ibirapuera.

Aqui, o trio relata suas impressões, das quais duas conclusões sobressaem: mesmo em feriado de sol, é impossível cobrir tudo se não se viaja em automóvel. E, se for ao Masp, vá com tempo para ver também a exposição de Caravaggio, pois a fila é única --e longa.

Oito e vinte da manhã. Sete de Setembro. A magrela acordou cedo e já engatou no subidão da rua Aurélia, na Lapa, até o espigão da Cerro Corá. Um estudo da topografia da região é fundamental para o roteiro de bicicleta.

Pelas ladeiras (abaixo) do Alto de Pinheiros, em poucos minutos chego à praça Panamericana. Como é feriado, a ciclofaixa que atravessa a ponte da Cidade Universitária está aberta (das 7h às 16h).

Do alto da ponte, o rio Pinheiros margeado pela linha do trem e pela ciclovia sugere um futuro possível -na contramão da indústria automobilística.
8h40. Chegada na Casa do Bandeirante, que expõe a obra do artista português Hugo Canoilas. Não há paraciclo, então tranco a bicicleta num poste -ação recorrente no percurso. Sigo com a corrida maluca.

A despeito do "cheiro de ralo", é um alívio rodar pela ciclovia da marginal Pinheiros (aberta das 6h às 18h). Mas tenho a infeliz surpresa de constatar que não há saída na estação Morumbi.
Sou obrigado a retornar duas estações até a Vila Olímpia. Se não há acesso em todas as paradas, a ciclovia se reduz a pista de passeio.

Entro com a bicicleta no trem (é permitido o dia inteiro aos domingos e feriados; e aos sábados após as 14h) e em poucos minutos estou de volta à estação Morumbi.

Atravesso a ponte e enfrento a subida até a Capela do Morumbi. 11h30. A ruidosa instalação sonora de Maryanne Amacher fica suave depois do grito de um motorista de carro que levei na orelha, só para assustar. A vida fora das ciclovias é hostil.

Sigo viagem no trem até a estação da Luz, que abriga uma escultura minimalista da inglesa Charlotte Posenenske. Brincadeira de Lego com peças parecidas a coifas.

Uma hora da tarde. A pedalada até a Faap inclui um passeio pela cracolândia ("site specific" involuntário em permanente estado performático) e um atalho pelo Minhocão (fechado para carros aos domingos e feriados).

Aproveito a ciclofaixa na avenida Paulista (domingos e nos feriados, das 7h às 16h).

Com uma fila de duas horas no Masp, desisto de entra e resta curtir o happening "Independence Day" da Polícia Militar, que chega com derrapadas e armas para revistar um grupo inofensivo de punks. Pego carona no metrô para chegar à Casa Modernista -mas a encontro fechada.

Posted by Marília Sales at 4:23 PM

Depoimento: Com a cidade mais vazia, dá para visitar todas as instalações da Bienal por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Depoimento: Com a cidade mais vazia, dá para visitar todas as instalações da Bienal

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 10 de setembro de 2012.

Três repórteres, três trajetos, três meios diferentes: carro, transporte público e bicicleta. Na última sexta-feira, primeiro dia da 30ª Bienal para a visitação pública, a Folha visitou os pontos do evento fora do pavilhão do parque Ibirapuera.

Aqui, o trio relata suas impressões, das quais duas conclusões sobressaem: mesmo em feriado de sol, é impossível cobrir tudo se não se viaja em automóvel. E, se for ao Masp, vá com tempo para ver também a exposição de Caravaggio, pois a fila é única --e longa.

DE CARRO

Tomo o primeiro voo de Belo Horizonte, onde estava por conta da abertura dos pavilhões de Tunga e Lygia Pape no Instituto Inhotim, para São Paulo. Encontro o motorista do jornal em Congonhas e optamos por uma rota circular, começando pelos pontos mais distantes do centro.

Pela avenida dos Bandeirantes, com trânsito pesado mesmo em feriado, atravessamos a cidade com cara de ferrugem rumo à Casa do Bandeirante, no Butantã. Às 9h51, eu era o único visitante da instalação do português Hugo Canoilas.

Dali, tentamos achar uma saída sentido Morumbi, já que algumas ruas estão bloqueadas por obras na região.

Na Capela do Morumbi está uma montagem póstuma de propostas da artista Maryanne Amacher: uma instalação sonora que envolve objetos metálicos e a luz que entra pelas frestas nas paredes de taipa da capela, reformada pelo arquiteto Gregori Warchavchik (1896-1972). Também ali eu estava só.

Não demoramos a chegar à Casa Modernista, na Vila Mariana. Esta é outra obra de Warchavchik e nela também há instalações sonoras.

O americano Sergei Tcherepin e o japonês Ei Arakawa criaram chapas metálicas que, manipuladas com luvas de borracha pelos visitantes, distorcem os sons na antiga residência do arquiteto e de sua mulher, Mina Klabin.

A caminho do Masp, onde estão trabalhos de Benet Rossell e Jutta Koether, o trânsito engrossa, até ficar caótico na Paulista. O inverno quente não ajuda. Diante da fila, desisto e vou almoçar. Meia hora mais tarde, ela aumentou e dá voltas no vão livre.

Em meio aos que aguardam para ver Caravaggio sem sonhar que há uma parte da Bienal ali, uma enfermeira propõe medir minha pressão, megafones gritam contra a corrupção e poetas e pastores oferecem versos e sermões. Enfim lá dentro, gosto de como ficaram as obras no museu, embora gaste só 15 minutos, após 60 na fila.

Na Faap, onde estão filmes de Robert Smithson e trabalhos do chinês Xu Bing e do mexicano José Arnaud Bello, alívio. É talvez o melhor ponto da Bienal fora do pavilhão -em parte graças ao ar-condicionado e à chance de sentar para ver os clássicos de Smithson. Dali, trânsito tranquilo até a Luz. A instalação de Charlotte Posenenske flutua sobre a estação e passa despercebida, até que alguém para e olha para cima.

Posted by Marília Sales at 4:18 PM

Depoimento: São necessários dois dias para visitar a Bienal de metrô e ônibus por Marcos Grispum Ferraz, Folha de S. Paulo

Depoimento: São necessários dois dias para visitar a Bienal de metrô e ônibus

Matéria de Marcos Grispum Ferraz originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 10 de setembro de 2012.

Três repórteres, três trajetos, três meios diferentes: carro, transporte público e bicicleta. Na última sexta-feira, primeiro dia da 30ª Bienal para a visitação pública, a Folha visitou os pontos do evento fora do pavilhão do parque Ibirapuera.

Um texto que exige do repórter percorrer em um dia oito pontos da cidade (espalhados por três regiões), apenas usando ônibus, metrô (e as próprias pernas), poderia estar no caderno "Cotidiano". Daria uma boa discussão sobre as carências do sistema municipal de transporte.

Mas, como o assunto é artes plásticas --os oito pontos abrigam as obras da Bienal--, e a pauta é para a "Ilustrada", fica a dica para o leitor que pretende encarar uma empreitada como essa: leve um MP3 cheio e um bom livro. O trajeto vai ser demorado.

Às 8h30, em frente ao cemitério da Lapa, começa a viagem. Até o fim do dia seriam cinco ônibus, três metrôs e cerca de seis quilômetros de caminhada, em dez horas. O primeiro ponto de parada é a Casa do Bandeirante, que abriga a obra de Hugo Canoilas. Dali, sigo para a estação da Luz --a escultura de Charlotte Posenenske quase não é notada por alguns transeuntes, mas em outros gera grande curiosidade.

Mais um metrô até a Consolação e uma caminhada até a Faap, e, às 11h15, ocorre o primeiro erro de reportagem. O museu da faculdade abre às 13h no feriado, e não às 10h, como em uma sexta comum. Fico de fora: paciência.

Mas paciência mesmo é o que se precisa para pegar o ônibus seguinte, do Pacaembu à Paulista. A consolação para 40 minutos de espera são os grafites assinados por Treco no local, que fazem dali um ponto paralelo ao circuito de artes da cidade.

No Masp, a fila de uma hora atrasa mais os planos do dia. Ali, as obras da Bienal estão integradas à exposição permanente e só valem a visita para quem quer ver o resto do museu. Afinal, por que pagar R$ 15 para ver a obra de dois artistas quando se tem outros cem expostos gratuitamente no pavilhão?

Sigo para o Ibirapuera, para pegar a van que abriga a obra sonora de Leandro Tartaglia e leva até a Capela do Morumbi, onde está a instalação de Maryanne Amacher.

Às 17h30, de volta ao parque, faltava apenas a visita à Casa Modernista, que fechava às 18h. Mas, claro, 30 minutos não bastariam para ir de ônibus até o local, que abriga obras de Sergei Tcherepnin e Ei Arakawa.

Vindos de Boston (EUA) e Iwaki (Japão), os dois certamente estranhariam o fato de seu trabalho não ser visto por questões de transporte urbano. Mas aqui é São Paulo.

Após mais uma hora e dois ônibus, chego à minha casa com duas conclusões: no feriado, o metrô funciona, mas esperar ônibus passar é teste de paciência; logo, é preciso reservar dois dias para fazer o circuito da Bienal pela cidade em transporte público.

Posted by Marília Sales at 4:09 PM

Diante do espelho por Adriana Martins, Diario do Nordeste

Diante do espelho

Matéria de Adriana Martins originalmente publicada no Caderno 3 do jornal globo.com em 8 de setembro de 2012.

O espanhol Antoni Muntadas cria obras que se propõem a refletir sobre o campo da criação estética

As primeiras atividades iniciaram-se em outubro de 2011. De lá para cá, foram 10 cursos modulares de caráter teórico e uma carga horária de 200 horas/aula, que resultaram, quase um ano depois, na primeira turma formada pelo Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza - mantido pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Vila das Artes, em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB).

Em seus trabalhos, Antoni Muntadas se aventura pelo terreno de intercessão entre as artes e o universo dos meios de comunicação. Recursos de vídeo e experimentos com as mídias digitais contribuem para uma obra que pensa a própria arte hoje

Para marcar a ocasião, foi concebida a exposição "Perambular, experimentar e correr perigo", que reúne pesquisas e produções dos integrantes do programa - os artistas André Quintino, Bartira Dias, David da Paz, Mariana Smith, Marina de Botas, Sabyne Cavalcanti e Simone Barreto e as pesquisadoras Ana Cecília Soares, Júlia Lopes, Lara Vasconcelos e Naiana Cabral. A abertura acontece na próxima sexta-feira, no espaço Centro Cultural Banco do Nordeste; lá, a exposição permanece aberta a visitação até 10 de outubro.

Entre os professores, artistas e pesquisadores convidados a colaborar com programa esteve o espanhol Antoni Muntadas, um dos pioneiros da arte multimídia (especialmente a partir de suportes como vídeo e internet) e autor de trabalhos emblemáticos no campo da reflexão que liga arte e comunicação.

Metodologia

Em Fortaleza, Muntadas ministrou a palestra "A metodologia do projeto" (La metodologia del proyecto), aberta ao público geral, e um minicurso exclusivo para alunos do programa do Centro de Artes Visuais para bolsistas do programa Conexões Estéticas, do curso de Cinema e Audiovisual da UFC. Em entrevista ao Caderno 3, ele falou sobre sua carreira, seu processo criativo e a relação com o Brasil.

Nascido em Barcelona, em 1942, Muntadas mudou-se para Nova York no início dos anos 1970, onde iniciou sua carreira. Antes, chegou a se dedicar brevemente à pintura, linguagem da qual se afastou gradualmente frente ao interesse pelos diferentes meios de comunicação e produção audiovisual.

Ao longo de sua atuação profissional, estabeleceu-se como referência mundial no campo da arte contemporânea, especialmente pelo fato de circular por diferentes países e pela relevância dos temas abordados em seus projetos - entre eles a comunicação e seus mecanismos de significação, tradução e recepção, os limites entre o público e o privado, a construção da opinião pública e do senso comum, o medo, a pertença e as territorialidades, as esferas de poder e a problematização da mídia.

Para tanto, Muntadas recorre a conceitos de diferentes áreas, desde a comunicação até a antropologia, a sociologia e a história. Não por acaso, até hoje o espanhol divide seu tempo entre a atuação como artista e como professor: atualmente é professor visitante do Centro para Estudos Visuais Avançados, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT, onde foi pesquisador entre 1977 e 1984.

Para compreender a natureza do trabalho de Muntadas, uma boa estratégia é conhecer alguns de seus projetos mais emblemáticos. Entre eles está, por exemplo, "Between the frames", uma série de oito vídeos que reúne características marcantes do processo de criação do artista espanhol. A começar pelo tempo de elaboração, em torno de dez anos (1983-1993).

Durante esse período Muntadas entrevistou diferentes agentes relacionados à cadeia de produção, circulação e mediação da arte - cada tipo de profissional ou instituição constitui um capítulo: marchands, colecionadores, galerias, museus, professores, críticos, mídia e, claro, artistas.

Nesse sentido, "Between the frames" constitui um amplo olhar sobre o sistema artístico dos anos 1980, ao se debruçar sobre as relações entre arte, sociedade, mídia, comércio e cultura popular, além de aspectos como representação e interpretação.

Outro projeto emblemático do artista é "The file Room", um dos mais conhecidos, criado em 1994 e até hoje em continuidade (thefileroom.org). Trata-se de um banco de dados que coleta, em escala mundial, casos de censura no campo da arte. Em exposições, tanto "Between the frames" quanto "The file room" e outros trabalhos de Antoni Muntadas materializam-se na forma de instalações.

Posted by Marília Sales at 3:39 PM

Marcelo Coutinho e Rodrigo Braga na Bienal de São Paulo, JC on-line

Marcelo Coutinho e Rodrigo Braga na Bienal de São Paulo

Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do Jornal do Commercio on-line em 8 de setembro de 2012.

Os dois artistas estão entre os 111 selecionados para esta edição do evento, que segue o tema A iminência das poéticas

Um nasceu em Manaus (AM) e outro em Campina Grande (PB), mas há um bom tempo já estão integrados ao circuito de artes visuais de Pernambuco. A partir de agora, as trajetórias artísticas de Rodrigo Braga e Marcelo Coutinho contarão com mais um ponto em comum: os dois estreiam juntos na Bienal de São Paulo, apresentando novos trabalhos. Eles estão entre os 111 artistas selecionados para a 30ª edição do evento, que foi aberta ao público na sexta-feira (7/9) no Parque Ibirapuera. A visitação continua até o dia 9 de dezembro.

Tônus é o nome do conjunto inédito que Rodrigo apresenta na Bienal. São cinco fotografias e três vídeos. "Eles têm relações entre si, funcionam juntos. Os vídeos mostram ações minhas, em que estou com animais ou com a paisagem, como em outros trabalhos. Nas fotografias, já não tem a presença do meu corpo", resume o artista.

Marcelo participa do conjunto de poéticas proposto este ano pela Bienal de São Paulo com filmes e palavras. Desde 1997, ele cria neologismos relacionados aos já citados filmes, a performances, objetos e instalações. Palavras que "procuram definir os acometimentos provocados por deslizes perceptivos, rupturas espaciais, lapsos corporais, ausências temporais e invasões repentinas de outras lógicas", como é definido no texto da exposição.

Posted by Marília Sales at 3:23 PM

Estudo aponta os novos centros da arte no mundo por Maria Eugênia de Menezes, Estadão

Estudo aponta os novos centros da arte no mundo

Matéria de Maria Eugênia de Menezes originalmente publicada no caderno Cultura do jornal Estadão de S. Paulo em 4 de setembro de 2012.

São Paulo é a única representante latina, mas enfrenta o desafio de melhorar sua infraestrutura

Quais são as capitais culturais do mundo? A resposta correta inclui escolhas óbvias. Nenhuma cidade tem tantos cinemas quanto Paris. Ninguém possui tantos museus quanto Londres. E Nova York continua imbatível quando se trata de teatro. Os dados estão no World Cities Culture Report. Maior estudo do gênero já publicado, o relatório confirma o protagonismo dos grandes centros. Insinua, porém, que essa história começa a ganhar novos e importantes personagens.

Se na economia o poder está mudando de mãos, na área cultural a tônica também não é diferente. A pesquisa elege 12 cidades em todos os continentes e torna evidente que as potências da cultura e da arte não estão mais apenas nos Estados Unidos e na Europa. Além das onipresentes Londres, Paris, Berlim e Nova York, aparecem na lista Tóquio, Istambul, Johannesburgo, Xangai, Sydney, Cingapura, Mumbai e São Paulo. A capital paulista é a única representante da América Latina nesse panorama. "As cidades emergentes estão inventando um perfil cultural próprio, que não é o mesmo das cidades europeias e americanas", diz Paul Owens, diretor da BOP Consulting, empresa britânica de consultoria que realizou a pesquisa.

Encomendado pela prefeitura de Londres e divulgado em agosto, o estudo mede 60 indicativos nas áreas de literatura, cinema, artes visuais, artes do espetáculo e em setores novos, como o de games.

Com os dados aferidos em mãos, é possível traçar uma infinidade de rankings. Mas os organizadores frisam que não é essa a intenção. Não se trata de saber quem detém os números mais robustos ou exerce maior influência no universo das artes. "As cidades sempre investiram em cultura por razões de prestígio, para mostrar poder político ou sucesso econômico. Esse era o modelo de desenvolvimento próprio das cidades americanas e europeias no século 19", apontou Owens em entrevista ao Estado.

Hoje, os investimentos em arte não são para exibir pujança econômica. Mas para gerá-la. Essa não é uma ideia nova. Ganhou força no fim do século 20. A atual pesquisa, entretanto, expande e confirma a impressão. Mostra resultados consistentes em cidades como Londres, onde o setor movimenta £ 12 bilhões e emprega 386 mil pessoas. Também deixa no ar a impressão de que, apesar do potencial, São Paulo ainda tem muito a fazer.

"Ao se ver essas questões sob o ângulo restrito apenas ao da cultura, está se perdendo a chance de perceber o impacto que isso pode ter em uma economia do tamanho da cidade de São Paulo", aponta a economista Lidia Goldenstein, especializada em economia criativa. "É a política industrial deste século. O setor mais importante na geração de emprego e renda na sociedade moderna. Estamos muito atrasados na compreensão do que esses setores da economia criativa representam no mundo hoje. Aqui, isso ainda é visto como algo circunscrito à cultura ou às políticas de inclusão social. Muito diferente dos países que estão levando a sério, entre eles a Inglaterra e a China, que colocou o tema no seu plano quinquenal. Esse é um tema de campanha, era o que devia estar sendo discutido, porque é isso que vai definir o futuro da cidade."

Mesmo entre representantes do setor público, reconhece-se a timidez do setor. "A cultura ainda não entrou na agenda política", acredita o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, que completará oito anos no cargo. "Aqui, a área ocupa um lugar tão inexpressivo que não é levada em conta nas propostas de planejamento. O que foi feito na Colômbia, com a criação de grandes bibliotecas, ou na Venezuela, que tem um projeto musical de nível internacional, só aconteceu porque se tratava de um projeto de governo e não apenas dos órgãos da cultura."

Mesmo sem receber os incentivos devidos, São Paulo tem alguns dados surpreendentes a exibir. Conta, por exemplo, com 869 livrarias, número de lojas superior ao de Londres, que tem 802, ou Nova York, com 750. Outra surpresa: seus cinemas recebem cerca de 50 milhões de espectadores, deixando centros como Tóquio, Londres, Berlim e Cingapura para trás.

Os resultados, porém, não são da mesma magnitude quando se trata de infraestrutura. E dão a impressão de que não temos espaços suficientemente equipados para dar conta nem da demanda nem da oferta de atividades culturais. Mesmo com tanto público nos cinemas, só existem 282 telas na cidade. Patamar bastante inferior não apenas ao dos grandes centros europeus, mas abaixo também de metrópoles emergentes, como Johannesburgo, com 368, e Xangai, com 670. Com apenas uma biblioteca para cada 100 mil habitantes, só não perdemos para Mumbai, Cingapura e Istambul.

Já no caso dos teatros, a situação não melhora muito. Com 116 salas, ficamos bem atrás de cidades como Paris, com 353. "A maioria das cidades tem planos ambiciosos de desenvolver sua infraestrutura cultural, sem saber como garantir que essas facilidades atraiam as suas populações", acredita Paul Owens. "A impressão é de que São Paulo enfrenta o problema exatamente oposto. Muita demanda e oferta insuficiente. Será que essa não é uma situação que outras cidades deveriam invejar?"

Pode até ser. "Existe uma imensa demanda reprimida", aponta o secretário de Cultura. "Cada novo mínimo acréscimo é absorvido, cada mesa que colocamos a mais em uma biblioteca é imediatamente ocupada. É justamente a existência dessa demanda que nos alimenta."

Se existe um imenso público ávido por consumir cultura, também não falta uma parcela considerável que ambiciona criar. "O interessante é que, em São Paulo, a infraestrutura da cultura não está em todos os lugares. Mas a criação pode ser vista por toda parte. O grafite, por exemplo, é uma forma de arte que acontece de maneira informal, mas está se tornando cada vez mais e mais importante", acredita Matthieu Prin, um dos pesquisadores da BOP Consulting que participou do estudo.

Tudo isso não quer dizer, ele ressalva, que se possa prescindir de questões estruturais. "Infraestrutura é o meio de expor essa criatividade. Se ela não existe, as pessoas terão que achar outras formas de exibir seu potencial. Mas isso não significa que criatividade seja mais importante do que a estrutura."

Para a economista Lidia Goldenstein, não bastasse ser imenso, o problema exige uma visão que concilie a tradição e as inovações. "A gente ficou 30 anos sem investir em estrutura. Agora, não dá para só correr atrás do prejuízo sem investir no novo. O mundo não espera. O nosso problema é que temos que investir na estrutura do velho paradigma: sala de teatro convencional, sala de cinema. E a gente também tem que construir a infraestrutura do novo paradigma, que é banda larga."

O peso econômico dos setores criativos já seria argumento mais do que suficiente para justificar mais investimentos e políticas. "O setor 'videogames e efeitos especiais' representa para o século 21 o que a indústria automobilística foi para o século 20", lembra Lidia.

Nas metrópoles, contudo, cultura e arte podem desempenhar ainda um outro papel. "A dimensão não material da cultura parece ser mais forte a cada dia. E se torna particularmente importante se considerarmos os imensos desafios sociais que essas grandes cidades enfrentam", observa Paul Owens.

Obviamente, a cultura não pode ser vista como a panaceia para todos os problemas sociais, lembra Matthieu Prin. "Não é uma solução mágica. Não acaba com a pobreza. Tem que estar aliada a outros projetos." Mas, nos países da América do Sul, ela pode ter uma dupla utilidade: extrapola a propalada capacidade de revitalizar áreas degradadas (expediente usado em ampla escala na Europa). Pode tornar-se um importante mecanismo em regiões que não chegaram sequer a ser urbanizadas. "Se você anda pela periferia, fica muito claro como a cultura é uma proposta de urbanização", afirma Calil. "A maior necessidade das pessoas em uma cidade maltratada como a nossa, em que não existem praças ou parques, é por espaços em que possam conviver, estar juntas. Tenho convicção de que aqui esse é o maior papel que a cultura pode cumprir."

Posted by Marília Sales at 2:59 PM

Novo espaço cultural em São Paulo pretende dar mais liberdade a artistas por Graça Adjuto, Jornal Dia Dia

Novo espaço cultural em São Paulo pretende dar mais liberdade a artistas

Matéria de Graça Adjuto originalmente publicada no caderno de Arte e Cultura do Jornal Dia a Dia em 10 de setembro de 2012.

São Paulo – Um espaço cultural independente para expor e pesquisar a produção contemporânea é a proposta do Pivô, inaugurado hoje (8) no centro de São Paulo. O projeto está instalado em área de 3,5 mil metros quadrados no Copan, edifício projetado por Oscar Niemeyer e conhecido como um dos símbolos da capital paulista. Segundo a diretora de Comunicação e Planejamento do Pivô, Marta Ramos-Yzquierdo, o local pretende dar espaço a artistas, sem pressões comerciais das galerias ou demandas burocráticas dos museus e instituições públicas.

“Vai ser um centro permanente. Estamos estudando novos projetos e a ideia é mostrar arte contemporânea, que nas galerias fica muito fechada em um projeto que, no final, tem que ser comercial e faz com que o artista muitas vezes não tenha liberdade completa”, explica.

Para a inauguração, o novo espaço conta com a exposição Da Próxima Vez Eu Fazia Tudo Diferente, feita em parceria com duas galerias. Entre as obras está a a produção Quase Sombra, do artista Alexandre Brandão. "Que fala de claro e escuro, que tem muito a ver com a obra dele, com esses desenhos que ele faz, e tem a ver com esse espaço que ficou na sombra 20 anos”, diz Marta ao relacionar a mostra ao espaço que estava fechado e sem uso e foi cedido pelo proprietário para a instalação do centro cultural.

A instalação Dimensão Encerrada, de Lucas Simões, também dialoga com o espaço ao criar um labirinto dentro do Pivô. De acordo com Marta, o diferencial do centro será apresentar o processo de produção dos artistas ao público. “Mostrar o artista trabalhando. Porque queremos aproximar mais [o público] do que são esses processos, porque arte contemporânea muitas vezes fica afastada do público”.

Para o futuro, o Pivô espera fazer novas parcerias e, inclusive, buscar recursos por meio das leis de incentivo à cultura.

Posted by Marília Sales at 2:37 PM