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setembro 5, 2012

Curador da Bienal fala sobre a exposição, TV Estadão

Curador da Bienal fala sobre a exposição


Vídeo originalmente publicado na TV Estadão.

Luis Pérez-Oramas fala sobre arte e o conceito "relacional" da 30ª Bienal de São Paulo, que acontece a partir do dia 7 de setembro no Parque do Ibirapuera

Posted by Cecília Bedê at 3:05 PM

Ineditismo marca nova edição da Bienal por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Ineditismo marca nova edição da Bienal

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 4 de setembro de 2012.

A mostra será inaugurada nesta terça-feira, 04, para convidados e reúne criações de 111 artistas

"Uma Bienal inteligente, mas não bombástica", definiu ontem, em coletiva de imprensa, o venezuelano Luis Pérez-Oramas, responsável pela concepção da 30.ª Bienal de São Paulo, que será inaugurada nesta terça-feira, 04, para convidados e na sexta-feira, 07, para o público no grande pavilhão projetado por Oscar Niemeyer, no Parque do Ibirapuera. A edição do evento apresenta 2.900 obras de 111 artistas, segundo o diretor-presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Heitor Martins. "Essa edição se distingue por seu vigor e ineditismo", afirmou o empresário, completando que 75% dos artistas participantes da exposição possuem trabalhos nunca exibidos. A edição também se espalha por outras instituições da cidade.

Na manhã de ontem, na apresentação da mostra para a imprensa, um dos painéis da parte externa do prédio da Bienal, na região destinada à entrada do público, apareceu pichado com iniciais de algum grupo. Como o fantasma da pichação vem rondando as aberturas das Bienais desde 2008 - com as polêmicas pichações nas últimas 28.ª e 29.ª mostras -, deu-se ontem, com o fato, o primeiro sinal de alerta. No início da tarde, funcionários da instituição já tentaram limpar as letras pichadas.

"Agora a 30.ª Bienal passa de iminência a experiência", disse ontem Oramas, referindo-se, na verdade, ao título da 30.ª edição, A Iminência das Poéticas. "Passamos por águas turbulentas e chegamos hoje ao porto", afirmou ainda o curador, desta vez, fazendo a menção à instabilidade pela qual a Fundação Bienal de São Paulo enfrentou no início do ano - em janeiro, a entidade teve suas contas bloqueadas por questionamentos da Controladoria-Geral da União sobre convênios firmados pela Bienal entre 1999 e 2007, mas conseguiu liminar pelo Tribunal Regional Federal de São Paulo para ter seus recursos desbloqueados e realizar a exposição.

Heitor Martins afirmou que o orçamento da mostra, de R$ 22,4 milhões, está assegurado. "Tivemos mais de 50 fontes de recursos", contou ele, cuja gestão termina em dezembro. Em comparação com 2009, o evento teve orçamento "20% menor", consumindo R$ 28,3 milhões e recebendo 530 mil visitantes. Martins enumerou que 65% do orçamento (cerca de R$ 15 milhões) foi captado por meio das Leis de Incentivo; 9% são recursos da Prefeitura de São Paulo; 7% do governo estadual; 2% através de serviços; e 17% de fontes privadas.

A 30.ª Bienal também tem programada para 2013, a partir de parceria com o Sesc, itinerância de recortes da mostra para cidades de São Paulo. "O número de itinerâncias será menor que em 2011, mas com presenças mais robustas de obras", disse Martins, calculando entre 7 ou 8 exposições.

Posted by Cecília Bedê at 2:40 PM

Mostra sem curador reúne iniciantes e nomes consagrados por Gustavo Fioratti, Folha de S. Paulo

Mostra sem curador reúne iniciantes e nomes consagrados

Matéria de Gustavo Fioratti originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 4 de setembro de 2012.

Para participar de exposição no Liceu de SP bastava levar uma obra de autoria própria

Para construir a obra "Totem", o italiano Francesco Di Tillo, 28, passou o domingo recolhendo o lixo produzido pelos 310 artistas que compartilharam um mesmo espaço.

Bem no centro do galpão do Liceu de Artes e Ofícios, na Luz, a montanha foi ganhando volume, cheia de plástico bolha e papelão.

Assim como Tillo, os outros artistas da exposição "Artes e Ofícios¹ - Para Todos" não foram selecionados por um curador. Para conseguir um lugarzinho, bastava chegar com uma obra de autoria própria e fazer a inscrição.

A porta do galpão foi aberta às 11h, quatro horas depois de o estudante de artes Fernando Braida, 21, de Juiz de Fora (MG), chegar com um retrato em aquarela. A fila cresceu até quase cem metros. Ao meio-dia, a organização passou a distribuir senhas, para que os artistas não precisassem ficar em fila sob o sol.

Ao som de marteladas, os trabalhos foram ocupando todo o galpão. Alguns artistas mais cotados deram as caras, como Rodolpho Parigi, Fábio Gurjão e Antonio Malta.

O diretor de criação Nathan Cornes, 37, não conhecia o trabalho de Nuno Ramos, que instalou um tríptico à direita de sua obra. "Acho ótimo igualar todo mundo. Aqui, você vai ter um quadro de um cara da praça da República e outro feito por alguém da USP que está desconstruindo a arte do século 20", diz.

A obra de Cornes chama-se "Pirueta". Nela, cubos de gelo com aquarela derretem sobre a tela, dando origem a paisagens quadriculadas.

A divulgação da exposição, por Facebook, chegou aos ouvidos de artistas que trabalham fora do Brasil. As suecas Merzedes Sturm-Lie, 20, e Cecilie Hundevad Meng Sovensen, 26, demarcaram com fita adesiva o lugar onde vão realizar uma performance.

A dupla está pesquisando fatos relacionados ao anarquismo no Brasil e se interessou pela comunidade italiana Colônia Cecília, que existiu no Paraná no século 19.

Posted by Cecília Bedê at 2:27 PM

São Paulo vira um ponto de encontro de curadores por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

São Paulo vira um ponto de encontro de curadores

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 4 de setembro de 2012.

A semana de abertura da 30ª Bienal de São Paulo (hoje para convidados, na sexta para o público) tornou-se uma plataforma de pesquisa e de divulgação de outras bienais ao redor do mundo.

Estão em São Paulo os curadores Fulya Erdemci, da Bienal de Istambul, Lauren Cornell, da Trienal do New Museum (Nova York), Gunnar Kvaran, da Bienal de Lyon, Yuko Hasegawa, da Bienal de Charjah (Emirados Árabes), Sofía Hernández Chong Cuy, da Bienal do Mercosul (Porto Alegre), e Massimiliano Gioni, de Veneza.

Kvaran, que no ano passado foi o curador da mostra "Em Nome dos Artistas", no pavilhão da Bienal de São Paulo, lança, hoje, para convidados, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o projeto da 12ª Bienal de Lyon.

"Proponho uma exploração das narrativas contemporâneas de arte em suas várias formas", disse Kvaran à Folha. "Estou agora num processo de prospecção de artistas que nos surpreendam ao recontar seus mundos em estruturas originais", diz ainda.

A Bienal de Lyon será aberta no próximo dia 12 de setembro e, um mês depois, Kvaran inaugura uma mostra de artistas brasileiros no museu Astrup Fearnley, em Oslo, realizada em parceria com Hans Ulrich Obrist.

Já amanhã, no Instituto Tomie Ohtake, Hasegawa anuncia a lista de artistas da 11ª Bienal de Charjah. Junto a ela estará a xeque Hoor Al-Qasimi, presidente da Fundação de Arte Charjah (SAF).

Antes de vir ao Brasil, ambas passaram por Lima, no Peru, de onde Al-Quasimi falou com a Folha.

A xeque, que tinha apenas 13 anos quando da primeira da Bienal, em 1991, hoje é a responsável pela SAF, fundação pública que a organiza.

Al-Qasimi estudou arte em Londres, onde completou mestrado na Royal Academy. Em Charjah, ela também organiza exposições.

"Vou aproveitar a viagem a São Paulo, que visito pela segunda vez, para conhecer artistas e curadores brasileiros com os quais eu possa trabalhar", afirma.

Na edição passada, a Bienal de Charjah tornou-se o centro de uma polêmica por retirar uma obra pública na cidade, realizada pelo argelino Mustapha Benfodil.

"Foi um erro ter aprovado essa obra, ela não teria lugar em espaços públicos em Nova York ou Londres. Mas foi um pedido da comunidade e aprendemos que é importante não esquecer o público local", diz a xeque.

Posted by Cecília Bedê at 2:18 PM

setembro 3, 2012

Bienal de São Paulo chega à 30ª edição renovada por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Bienal de São Paulo chega à 30ª edição renovada

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de Cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 2bde setembro de 2012.

O maior evento das artes no Brasil solucionou problemas que ameaçaram sua realização

A Bienal de São Paulo chega à sua 30.ª edição de forma renovada, apesar das dificuldades de percurso que quase inviabilizaram sua realização. Com um amplo número de obras, cerca de três mil, criadas por 111 artistas, e um projeto curatorial consistente, idealizado pelo venezuelano Luis Pérez-Oramas, a abertura da mostra se desdobrará em três momentos ao longo desta semana. Na terça, será a vez dos convidados; quarta e quinta, o pavilhão estará reservado para eventos do serviço educativo. E na sexta-feira, no feriado de 7 de setembro, os portões da Bienal serão abertos para o público.

O título da 30.ª Bienal de São Paulo, A Iminência das Poéticas, é considerado pela curadoria não um tema, mas um eixo condutor da mostra. "Trata-se mais de um pretexto para pensar, para lançar perguntas", explica Oramas, curador responsável pelo departamento de arte latino-americana do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York.

A seleção de artistas e obras da mostra foi feita em conjunto com os curadores-associados André Severo e Tobi Maier e a curadora-assistente Isabela Villanueva. Questões como multiplicidade, recorrência e mutabilidade das poéticas, aspectos fortemente presentes no mundo contemporâneo, estão privilegiados nesta edição.

"Fizemos uma mostra como poucas na história da Bienal. Ela propõe uma temática nova de debate, um discurso novo", analisa o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, o empresário Heitor Martins, à frente da diretoria da instituição desde 2009. Segundo ele, a 30.ª edição foi realizada com um orçamento "20% menor" que o da edição anterior. "Concluímos toda a captação de recursos, de R$ 22,4 milhões, antes da abertura da mostra."

Nos primeiros meses do ano, a Fundação Bienal passou por momento de insegurança quanto à realização desta edição do evento. Em janeiro, a entidade teve suas contas bloqueadas por questionamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre convênios firmados pela Bienal entre 1999 e 2007. Uma liminar concedida em março pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo possibilitou que a instituição tivesse seus recursos desbloqueados e pudesse fazer a captação orçamentária para a 30.ª edição. "Vejo o futuro com otimismo. Paradoxalmente, a crise fortaleceu o diálogo com o Ministério da Cultura e estamos buscando caminhos para analisar as contas do passado e buscar soluções concretas", diz Heitor Martins.

Nesta edição, além de um mapa do pavilhão da Bienal e informações sobre outros espaços que dialogam com a mostra, textos analisam as diversas facetas do evento. A partir de conversa com Oramas, Antonio Gonçalves Filho apresenta as ideias que guiaram suas escolhas. A crítica Maria Hirszman trata da estrutura da exposição. Simonetta Persichetti aborda a presença da fotografia. Já o crítico Rodrigo Naves investiga as relações entre arte e loucura por meio da obra de Artur Bispo do Rosário, um dos homenageados deste ano. E Teixeira Coelho, curador do Masp, traça um panorama histórico das 29 edições anteriores do evento e discute seus desafios futuros.

Posted by Cecília Bedê at 1:52 PM

Obras artesanais de Cruz-Diez ultrapassam ambição high-tech por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Obras artesanais de Cruz-Diez ultrapassam ambição high-tech

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 2 de setembro de 2012.

Ao perceber a natureza instável da cor, Cruz-Diez criou um corpo de trabalhos caracterizados pela exigência da participação do espectador

Muitos foram os caminhos trilhados por artistas latino-americanos para escapar dos cânones modernos e proporcionar ao espectador novas formas de percepção da arte.

"Cruz-Diez: a Cor no Espaço e no Tempo", em cartaz na Pinacoteca do Estado, apresenta uma das pesquisas mais originais e consistentes de uma dessas trilhas, a partir da trajetória do venezuelano Carlos Cruz-Diez, 89.

A mostra, organizada pelo Museu de Belas Artes de Houston e com curadoria de Mari Carmen Ramírez, apresenta 150 obras que abarcam toda a trajetória de Cruz-Diez.

Como grande parte dos artistas de sua geração, ele iniciou sua carreira com pinturas figurativas, nos anos 1950.

Contudo a temática de conteúdo social, como a miséria de Caracas, logo foi trocada por murais cromáticos, graças a uma lógica de certa forma comum a outros latinos.

Se ao pintar a pobreza Cruz-Diez não podia transformá-la, melhor criar situações que alterassem a percepção dos que olhassem para suas obras, permitindo, assim, novas experiências.

Com isso, sua grande investigação passa a ser a manifestação da cor no espaço.

Percebendo a natureza instável da cor, de acordo com o deslocamento do observador e a organização cromática na obra, Cruz-Diez criou um corpo de trabalhos caracterizados pela exigência da participação do espectador.

Afinal, é apenas com o movimento do espectador que seus trabalhos se realizam de fato, o que se pode comprovar na série "Fisiocromias", na Pinacoteca.

Tal procedimento ampliou-se para obras de grande porte, como os projetos apresentados na mostra em maquetes e fotos.

Apesar da construção de suas obras partir de um caráter simples e artesanal, Cruz-Diez alcança um resultado que vai muito além do que se produz com alta tecnologia.

Posted by Cecília Bedê at 1:45 PM

Mostra no MAM revisita a carreira de Adriana Varejão por Gustavo Fioratti, Folha de S. Paulo

Mostra no MAM revisita a carreira de Adriana Varejão

Matéria de Gustavo Fioratti originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 1 de setembro de 2012.

Adriana Varejão - Histórias às margens no MAM-SP - 04/09/2012 a 16/12/2012

Conjunto de obras da artista plástica abre ao público nesta terça e reúne obras inéditas no Brasil em exposição paralela à Bienal de SP

Poucos artistas jovens conquistaram o espaço que o MAM vai conceder a partir desta terça-feira à artista carioca Adriana Varejão, com uma mostra panorâmica de sua carreira.

A exposição "Histórias às Margens" abre também em um mês nobre no calendário do museu, às vésperas do início da Bienal de São Paulo.

O quadro mais antigo presente na mostra, "Milagre dos Peixes", de 1991, já se debruça sobre uma das principais investigações da artista: imitar outro suporte. A obra reproduz a óleo o que seriam peixes pintados sobre cacos de porcelana.

Em pé, diante de uma paisagem da mesma série pintada à moda chinesa dos séculos 11 e 12, a artista explica: "Aqui eu imito nanquim sobre papel, mas refaço em óleo sobre tela; mudo a técnica mas preservo a maneira de pintar, como se eu estivesse fazendo uma pintura chinesa de outro século".

O quadro pertence à série "Terra Incógnita", em que a artista cria um contato cultural entre Brasil e China. A pintura funde, em uma mesma paisagem, iconografia dos dois universos.

"É um território híbrido, um território que não existe", lembra Adriano Pedrosa, curador da mostra.

Em detalhes, há desenhos que vasculham a influência chinesa no barroco brasileiro intermediada pela colonização portuguesa -que tinha terras na África e na Ásia.
Com 47 anos, Varejão consolidou uma obra de destaque entre artistas brasileiros de sua geração, dedicada ainda a uma outra questão: a interface entre pintura e representação tridimensional.

Em quadros que imitam azulejarias, por exemplo, pulsam cortes e incisões de onde saltam carnes esculpidas em espuma de poliuretano, tudo devidamente pintado em vermelho-sangue.

Essa é a descrição de um trabalho que, como muitas das 41 peças da mostra, ainda não esteve no Brasil. "Azulejaria Verde em Carne Viva" (2000) impressiona pelo contraste entre a geometria quadriculada e as vísceras que saem de dentro dela. Pertence à Tate Modern, de Londres.

Atualmente, há obras de Varejão também nos acervos do Guggenheim, de Nova York, na Fundação Cartier, de Paris, no Stedelijk, de Amsterdã, e em coleções particulares almejadas dentro do circuito das artes.

Uma de suas telas foi arrematada por R$ 2,97 milhões em um leilão promovido pela Christie's, de Londres, um recorde entre os artistas contemporâneos brasileiros.

A obra não está presente, mas a mostra do MAM traz um trabalho da mesma série: "Parede com Incisões à la Fontana", homônima à pintura leiloada em 2011.

Posted by Cecília Bedê at 1:35 PM

Exposições convertem as galerias em butiques por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Exposições convertem as galerias em butiques

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 1 de setembro de 2012.

Espaços comerciais exibem obras críticas aos mecanismos do mercado

Artistas como Lucia Koch, Jac Leirner, Anna Maria Maiolino e Tamar Guimarães invertem valores em suas obras
DE SÃO PAULO

Quando a obra da dupla Claire Fontaine, o letreiro em neón "Capitalism Kills Love", foi montado pela primeira vez, em Miami, os donos do prédio exigiram sua retirada, considerando a peça um ataque direto ao sistema econômico dos Estados Unidos.

Sem esse tipo de pudor, a galeria Nara Roesler decidiu abrir seu novo espaço na avenida Europa, vizinha de concessionárias da BMW e da Lamborghini, com esse mesmo trabalho, criando uma tensão com sua condição de espaço para vender arte.

"É uma exposição não comercial dentro de um espaço comercial", diz Patrick Charpenel, curador da mostra paulistana e da coleção mexicana Jumex, um dos maiores acervos privados do mundo. "Quase nenhuma das obras está à venda, não pensei nisso ao criar a mostra."

Julieta González, que levou Marx à galeria Luisa Strina, também diz ter pensado a mostra para um contexto comercial, ressaltando uma tensão entre arte e dinheiro.

"Pensei essa exposição como um teatro, uso o dispositivo brechtiano de expor o aparato por trás, faço os visitantes atravessarem o escritório, a reserva técnica", diz González, do Museu Tamayo Rufino, na Cidade do México.

"Todos esses artistas têm galeria, nenhum deles está fora do mercado. Não tem por que negarmos isso. Parece contraditório, mas é mostrar mesmo as obras dentro de uma butique, refletir o boom econômico de São Paulo", diz.

INVERSÃO DE VALOR

Em maior ou menor grau, artistas que abrem hoje individuais nas galerias da cidade também parecem pensar nos mecanismos por trás desse mercado em ebulição.

Lucia Koch, na Nara Roesler, exibe suas peças inspiradas num mostruário de materiais de construção -um arsenal escancarado de formas. Até os restos de suas peças de acrílico recortadas viram obra, vendidos em caixas de entulho plástico e colorido.

Na galeria Millan, Anna Maria Maiolino decidiu mostrar os moldes de suas esculturas de argila em vez das peças extraídas dali, invertendo a noção de positivo e negativo. "Resta só a memória daquela escultura", diz ela.

Jac Leirner volta a catalogar o periférico para criar o centro de suas novas obras na Fortes Vilaça. Ela cria trabalhos usando o material que serve para pendurar telas e montar instalações - cabos de aço, parafusos, prendedores, níveis de arquiteto.

"Sempre achei que esse material valesse ouro", diz Leirner. "É tentar provocar uma inversão de valores."

No galpão da Fortes Vilaça, Tamar Guimarães mostra uma fotonovela em que retrata uma festa que reuniu atores e patrocinadores de seu próprio projeto, uma alusão, ela diz, ao momento histórico em que "colecionar arte virou uma necessidade social".

Um respiro -irônico- no meio da selvageria econômica, a coletiva que a Mendes Wood abre na segunda vai contra a fúria do circuito, com obras difíceis de enxergar, claras ou escuras demais, exigindo uma pausa por parte do público.

Posted by Cecília Bedê at 1:23 PM

Efeito domino por Silas Martí, Foolha de S. Paulo

Efeito domino

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 1 de setembro de 2012.

Turbinadas pela inauguração da Bienal, galerias abrem grandes mostras

Um letreiro em néon afirma que o capitalismo mata o amor. Seria mais uma obra de arte irônica, não fosse o fato de estar numa galeria da avenida Europa, em São Paulo, um dos metros quadrados mais caros da América do Sul.

No mesmo bairro dos Jardins, um busto de Karl Marx foi instalado na entrada da galeria Luisa Strina. Lá estão obras que discutem o movimento operário e o socialismo. Uma delas é uma biblioteca com clássicos da ideologia esquerdista -todos com lombada vermelha.

Dias antes da abertura da Bienal de São Paulo, que começa nesta terça, galerias da cidade abrem brechas conceituais como essas -mais ou menos irônicas- para abrir suas maiores mostras do ano.

São exposições que não se restringem ao elenco das casas. Recrutam curadores de fora e apostam na escala monumental de certos trabalhos para rivalizar com o peso mastodôntico da Bienal, que neste ano reúne 111 nomes.

Fora do pavilhão no Ibirapuera, gigantes da arte contemporânea ganham as galerias. Anna Maria Maiolino e a mexicana Julieta Aranda, destaques da atual Documenta, em Kassel, na Alemanha, Jac Leirner e Tamar Guimarães são alguns dos artistas abrindo individuais hoje.

Em mostras coletivas, estão trabalhos de estrelas globais, como Tatiana Trouvé, Roman Signer, Lawrence Weiner, Christian Marclay, Danh Vo e Shilpa Gupta.

Essa hipertrofia do circuito também se deve em parte ao fim da Paralela, tradicional mostra que servia de vitrine para as galerias e que foi reformulada neste ano.

Posted by Cecília Bedê at 1:11 PM