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Como atiçar a brasa

 


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agosto 31, 2012

Cid anuncia mudanças próxima quarta-feira por Fábio Marques, Diário do Nordeste

Cid anuncia mudanças próxima quarta-feira

Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no Caderno 3 do jornal Diário de Nordeste em 31 de agosto de 2012.

Em resposta a protestos contra a atual política cultural, governador promete anunciar ações para o setor

Manifestantes do Movimento Arte e Resistência (MAR), durante protestos na Praça do Ferreira

A confirmação vem da assessoria de imprensa do governador: próxima quarta-feira, dia 5, Cid Gomes anunciará um pacote de ações voltadas para a cultura no Estado.

Entre elas, garantiu a assessoria, não está a saída do atual secretário, como chegou-se a cogitar nos bastidores. Francisco Pinheiro fica. Segundo a assessoria, os detalhes do pacote só serão repassados na ocasião pelo próprio governador.

No final do mês passado, em meio à protestos de artistas e críticas a atuação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), o ex-secretário da cultura Paulo Linhares chegou a ser confirmado para o cargo de presidente do Instituto de Arte e Cultura do Ceara (IACC).

A informação, no entanto, foi negada pelo próprio Paulo Linhares, que deixou no ar que um possível posicionamento sobre o assunto poderia ser dado este mês por Cid Gomes. A assessoria informou que, junto ao anúncio das ações, Cid também tocará no assunto, mas não confirmou o teor do que será dito. Se Linhares assume ou não o cargo, ainda é um mistério.

Dossiê

Já se vão mais de dois meses de mobilização, desde que um grupo de artistas montou vigília na Praça do Ferreira, dia 27 de junho, motivados pelo descontentamento com a pasta e o tratamento dado pelo Governo do Estado a mesma. Na quarta-feira passada, um grupo de representantes do Movimento Arte e Resistência (MAR), formado para centralizar os protestos, protocolou um abaixoassinado exigindo mudanças. O documento agrega 2.843 assinaturas, entre elas, de integrantes de 98 entidades e grupos de artistas atuantes em sete municípios do Ceará.

Ao abaixoassinado foi indexado um dossiê com demandas específicas para diversas linguagens. "A gente fez um documento que tem propostas claras de modificações e a gente quer um retorno. Protocolamos a petição, o dossiê e um ofício solicitando audiência e vamos aguardar e a cobrar a resposta", detalhou a bailarina Sílvia Moura, integrante do MAR. Entre os pontos mais graves apontados pelo grupo, está o sucateamento do corpo funcional da Secretaria da Cultura e o uso da pasta para articulações político-partidárias. "São muitas coisas. Tem muita mudança a ser feita. Mas, uma das coisas urgentes é o concurso público da secretaria, para admitir funcionários capacitados para cada parte técnica e uma maior autonomia para a secretaria no que diz respeito a aprovação aos projetos", pontua.

Elaborado por representantes de diversas áreas artísticas (áudio visual, artes visuais, circo, dança, música, teatro, música e patrimônio), reunidos no Fórum das Linguagens, o documento possui sete eixos temáticos e cerca de 38 propostas. "Algumas são de médio e longo prazo, e outras de curto prazo. Necessitamos de uma outra visão do governo diante da secretaria" , diz Sílvia.

O estopim do descontentamento que levou os artistas à praça foi dado após as sucessivas mudanças de secretário em junho, motivada por questões político-partidárias. No inicio do mês, Francisco Pinheiro, atual secretario, havia deixado o posto, segundo ele, atendendo um pedido do governador para se disponibilizar para as eleições municipais. O deputado estadual Antônio Carlos (PT) chegou a ser empossado para o cargo, no qual permaneceu apenas seis dias, deixando a pasta à cargo da secretária adjunta Maninha Moraes. Em julho, Pinheiro é empossado pela terceira vez.

Como em cenas de uma telenovela, entra e sai do titular da pasta, foi entremeado de polêmicas, alvo de críticas quando ao seu desempenho e denúncias de descaso com seus equipamentos culturais. Em números retirados do Portal da Transparência, em 2011 a Secult ficou em antepenúltimo lugar em volume de recursos empenhados pelo Governo, recebendo mais verba apenas que a Secretaria de Pesca e Aquicultura e Secretaria Especial da Copa 2014. Ainda assim, dos R$ 82,6 milhões disponibilizados, apenas R$44,5 foram executados. À época, o secretário justificou que o primeiro ano de sua gestão (que efetivamente só iniciou em julho, quando ele retornou uma primeira licença tirada já no segundo mês do mandato), teria sido utilizado para ajustar a casa.

Dragão do Mar

As sucessivas tormentas, espaçadas por poucos dias de calmaria, entretanto continuam. Projetos como o restauro Cine São Luiz, a construção da Pinacoteca estadual e reforma de equipamentos culturais, continuam indefinidos. A eles, somam-se problemas na realização de editais, atraso no repasse de verbas à projetos importantes como os Pontos de Cultura, e falta de resposta da secretaria às demandas apresentadas pelos artistas.

Ao engodo de polêmicas, adiciona-se ainda as indefinições com relação a um de seus principais equipamentos, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). Em outubro do ano passado, o Dragão do Mar foi tema de caderno especial do Diário do Nordeste onde eram denunciados problemas em diversos níveis.

De lá para cá, pouca coisa mudou. Quase sem atividade de formação (apenas o curso básico de dança continua funcionando) e difusão restrita, sobre o equipamento recaem ainda denúncias e reclamações cotidianas que vão desde a insegurança e desorganização urbana de seu entorno até falta de investimentos em manutenção de sua estrutura física e programação.

Um projeto de restauro do CDMAC e integração arquitetônica de sua vizinha, a Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, também aguarda. A obra foi anunciada em 2009 pelo então secretário, Auto Filho, por ocasião das comemorações de 10 anos do Centro Cultural (que já passou dos 13 anos). O projeto inclui, além das intervenções na biblioteca, a construção de um anfiteatro na Praça Verde do CDMAC com palco permanente, a criação de uma reserva técnica e novas salas de exposição para o Memorial da Cultura Cearense. Até o momento, a obra não começou. Uma licitação foi lançada, mas nada foi anunciado a respeito do real início das obras.

Posted by Cecília Bedê at 2:39 PM

Adriana Varejão revisita sua carreira em mostra panorâmica no MAM por Camila Molina

Adriana Varejão revisita sua carreira em mostra panorâmica no MAM

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 31 de agosto de 2012.

Adriana Varejão - Histórias às margens no MAM-SP - 04/09/2012 a 16/12/2012


'Histórias às Margens', a primeira antologia da produção da artista, será inaugurada no MAM

"A carne não representa para mim nada de martírio, morte. Existe um certo humor em meu trabalho que ninguém vê, um humor negro que às vezes é um pouco grotesco. Não é para levar tão a sério", diz a artista carioca Adriana Varejão. De uma forma explícita, em sua série Ruínas de Charque, dos anos 2000, a pintora se vale da artificialidade de colocar vísceras dentro de fragmentos de paredes de azulejo. Mas a carne não é carne, o azulejo não é azulejo: de uma maneira mais ampla, barroca, quando as entranhas da pintura e das histórias - da arte, antropológicas ou outras - aparecem representadas na obra de Adriana Varejão, há ficções e contundência. Encenações e paródia. E até um monte de "miscigenações".

Somente agora, depois de uma prestigiada carreira iniciada na década de 1980, Adriana Varejão tem, no Brasil, a primeira antologia de sua produção, a mostra Histórias às Margens, que será inaugurada segunda-feira no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. A exposição apresenta 42 trabalhos realizados por ela desde 1991, entre eles, Extirpação do Mal por Incisura (1994) e Reflexo de Sonhos no Sonho de Outro Espelho (Estudo sobre o Tiradentes de Pedro Américo, 1998), exibidos, respectivamente, nas 22.ª e 24.ª Bienais de São Paulo. Anteontem, na montagem da mostra, a própria artista se surpreendia ao rever peças que há mais de 20 anos não são vistas no País.

"Minha produção dos anos 1990 é pouco conhecida. A única condição para fazer a exposição foi trazer trabalhos que estão no exterior", diz a pintora, já referencial não apenas por ter sua pintura Parede com Incisões à La Fontana II (2001) - que representa rasgos na tela de onde saem carne, vale dizer - vendida pela casa de leilões Christie's por US$ 1,7 milhão, o que se tornou um recorde do mercado de arte contemporânea brasileira. Dito e feito, a exposição trouxe peças que integram coleções de prestígio como as da Tate Modern, da Inglaterra, e do Guggenheim de Nova York.

Mais do que abrir a possibilidade do olhar retrospectivo pela produção barroca de Adriana, a mostra apresenta três obras que acabam de ficar prontas e vieram diretamente de seu ateliê no Rio. Adentremos, pois, na "cartografia varejão", como já definiu a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz - feita "entre verdades e simulações", entre "vermelho do sangue e azul do céu".

Posted by Cecília Bedê at 1:44 PM

agosto 29, 2012

Nordeste em foco, Revista Lugares

Nordeste em foco

Matéria originalmente publicada na Revista Lugares em 14 de agosto de 2012.

Metrô de Superfície no Paço das Artes, São Paulo - SP - 17/07/2012 a 13/09/2012

Fruto de um intenso trabalho de pesquisa da dupla formada por Bitu Cassundé e Clarissa Diniz, o projeto Metrô de Superfície ganhou forma no Paço das Artes e, até 13 de setembro, apresenta um amplo recorte artístico que visa discutir a produção realizada na região Nordeste desde os anos 2000. Para realizar a seleção, a curadoria desenvolveu uma pesquisa detalhada que durou cerca de dois anos. “Viajamos todos os estados da região nordeste, vistamos ateliês e instituição, e a partir do cruzamento de informações e experiência, chegamos aos artistas participantes”, explica Bitu Cassundé. A proposta transcende a apresentação dos resultados das investigações e inclui conversas, debates e performances na agenda do projeto, assim como duas mostras de obras – uma agora e outra em novembro.

Segundo a Clarissa Diniz, dois eixos se destacam entre os trabalhos selecionados para a exposição. “O primeiro deles tem a ver com uma produção de subjetividade bastante literária em estreita relação com o corpo e com a ideia de ficção”. Dentro deste, ela aponta para as temáticas das reinvenções de gêneros, como nos trabalhos de Solange, tô aberta! e Virgínia de Medeiros, das questões de identidades abordadas por Rodrigo Braga e Carlos Mélo, até às mitologias como em Marina de Botas e Milena Travassos. “Por sua vez, outro grande eixo que estrutura a segunda mostra do projeto aborda a força da arte no campo dos interstícios sociais, reunindo trabalhos que acontecem de modo mais geopolítico”. Grupo GIA, Vitor Cesar Jonathas de Andrade e Lourival Cuquinha são alguns dos artistas que sustentam esta diretriz em Metrô de Superfície.

Investigação, dificuldades e avanços

O mapeamento da produção na região começou há alguns anos, quando Clarissa e Bitu foram assistentes curatoriais do Programa Rumos Artes Visuais 2008/2009. Na ocasião, a curadora comenta que encontrou uma grande disparidade entre o que se proclamava “arte contemporânea” e o que realmente era feito neste âmbito. A disputa por predominância dentro do cenário comprovava que o potencial criativo na região era direcionado pela vontade de inserção em um meio dominante. “Mesmo que inconscientemente, esses artistas violentavam a invenção pelo desejo de reverberação/interlocução no seio de um campo cada vez mais hegemônico, identificado por uma ideia de arte contemporânea que, no fundo – e a despeito de toda a retórica –, é bem menos diversa do que poderia ser”, afirma Clarissa. Situações como esta não se aplicam apenas ao panorama da região, mas são algumas das questões levantadas pelos curadores que podem ser enxergadas através da ótica de um cenário nacional.

Para Bitu, a maior dificuldade em relação à articulação da região, no que diz respeito às artes visuais, recai sobre a gestão. A falta de ações incisivas para as artes visuais e políticas continuadas que reverberem situações de trocas e formações são as grandes dificuldades da administração de um campo de atuação favorável, ainda que se apresente uma situação de crescimento do número de atores circulando e produzindo neste meio. “Observa-se um número bem mais significativo de pesquisadores, curadores e críticos que dão maior fundamentação a estas práticas”, aponta Bitu. Para permanecer em um caminho de avanços e melhorias no cenário artístico, Metrô de Superfície vem justamente para provocar o debate em torno das questões que se apresentam na produção realizada no Nordeste na última década e nas relações estruturais apresentadas nesta perspectiva.

Para além das exposições

Assim, a proposta não configura-se apenas na exposição desta produção, mas é composta também por ciclos de seminário e publicações que dão sustento à concepção do projeto. No dia posterior à abertura, por exemplo, os artistas Bruno Vilela, Amanda Melo, Juliana Notaria, Milena Travassos, Virgínia de Medeiros, a crítica Carolina Soares e os curadores estiveram reunidos para uma primeira conversa aberta ao público sobre a mostra. No dia 27 de agosto acontece mais uma rodada de eventos: o grupo de artistas formado por Ribeiro, Thiago Martins de Melo, Carlos Mélo, Rodrigo Braga, Marcelo Gandhi e Pedro Costa se reúne com os curadores e Carolina Soares para um segundo encontro. No mesmo dia, Bitu Cassundé media o debate entre os artistas José Rufino e Marcelo Campos, e à noite o encerramento fica por conta da performance de Solange, tô aberta!.

Ainda que não se possa romper completamente com o discurso da territorialidade, Metro de Superfície vai muito além dele. A finalidade aqui é não é enquadrar a produção realizada no Nordeste em determinados parâmetros artísticos e ou estéticos, mas fomentar um diálogo que possibilite reflexões acerca de um espaço de produção e melhorias de formação e atuação de artistas e do público no mesmo. Com este objetivo, o empenho das instituições se mostra fundamental. O Centro Cultural Banco do Nordeste adquiriu, por exemplo, os trabalhos exibidos em Metrô de Superfície e colabora, assim, para o desenvolvimento de uma coleção calcada na produção local. Apresentar este conjunto no eixo Rio-São Paulo é importante, mas não essencial. O indispensável que é que esforços múltiplos de diferentes vértices resultem em uma forma articulada de gestão do circuito artístico-cultural do Nordeste.

Posted by Cecília Bedê at 10:19 AM

Artistas entregam documento ao governador por André Bloc, O Povo

Artistas entregam documento ao governador

Matéria de André Bloc originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 29 de agosto de 2012.

Assinado por 80 entidades, documento do Movimento Arte e Resistência será entregue hoje ao governador com 38 demandas

O Movimento Arte e Resistência (MAR) entregará ao governador, na manhã de hoje, um documento reivindicando mudanças na gestão cultural. O dossiê será protocolado na Casa Civil do Estado, endereçado pessoalmente ao governador Cid Gomes. O Documento MAR, como está sendo chamado, junta reivindicações da classe artística cearense e é o mais recente movimento de questionamento da gestão cultural estadual protagonizado pelo grupo de artistas. Até a manhã de ontem, cerca de 80 entidades haviam assinado o documento, representando as diferentes linguagens artísticas.

“Começou com a insatisfação (com a gestão cultural do Ceará) e decidimos então redigir uma carta de repúdio, que virou petição pública”, lembra Silvia Moura, membro do Fórum das Linguagens e “uma das ondas do MAR”, como se define. “Então, surgiu a obrigação de pautar as necessidades de cada grupo, começando pelas diferentes linguagens”. A partir daí, segundo Silvia, foram feitas cartas para cada área de atuação – que também serão entregues na manhã de hoje no Palácio da Abolição, sede do governo estadual. O objetivo principal, além das propostas do documento, é agendar uma audiência com Cid Gomes, demanda requerida através de um ofício, também a ser entregue hoje.

O caráter do documento é totalmente propositivo. “São propostas concretas, quase um plano de cultura”, diz Silvia. Ao todo, são sete eixos temáticos (Gestão, Autonomia, Formação, Equipamentos Culturais, Editais, Produção e Circulação, Recurso/Orçamento) e um total de 38 propostas. Entre as propostas, estão desde demandas anteriores à gestão Cid, como a realização de concursos públicos para contratação de funcionários efetivos para a Secretaria da Cultura do Estado (Secult), até pedidos mais específicos como a retomada da proposta de ter o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) para formação.

“A gente reclama, mas está disponível para ‘arregaçar as mangas’ para trabalhar junto. Nós não queremos rompimento, não é (movimento) eleitoreiro, não é chuva passageira. São anos de construção”, avisa Silvia.

Depois da entrega do documento, o desejo do MAR é uma resposta definitiva – não só através de vozes, mas de ações. O Movimento Arte e Resistência foi criado há dois meses. Apesar de recente, Silvia Moura garante que alguns pontos são observados desde o primeiro mandato do governador, de 2007 a 2010, mas a situação piorou a partir do segundo. O ponto crítico, porém, parece recente. “As coisas estão muito ruins e do lançamento do movimento para cá, só piorou”, lamenta. “O Giro Cultural - realizado no último dia 18 no Centro de Eventos - não é significativo, empobrece nossa cultura – a gente não compactua com aquilo. Não é transformador investir tanto em apenas um evento que não deixa nada para a cidade”.

Histórico
O Movimento Arte e Resistência foi criado oficialmente no dia 25 de junho de 2012, a partir do Fórum das Linguagens. Desde então, vem realizando ações e manifestações públicas pelo direito ao acesso à cultura e em defesa dos agentes culturais.

O POVO acompanhou as manifestações do MAR em 28 de junho, quando o grupo fez vigília em frente à sede da Secult. A vigília aconteceu ainda nos dias 3 e 5 de julho, sem respostas do governo. Já no dia 11 do mesmo mês, o Vida & Arte trouxe material sobre a preparação de um ato-show na praça do Ferreira, organizado pelo MAR.

No documento MAR, as entidades defendem conviver com ”incômodos gerados pela atuação da pasta da Cultura “e , sem notar avanços, solicitam “a abertura de um espaço de diálogo direto” com o governador, rompendo “com a indesejável distância estabelecida” entre um e outro. As propostas sugeridas passam pela gestão de recursos, como o aumento nos valores de editais.

Outras sugestões são a garantia de responsabilidade da Secult “sobre a manutenção, reforma e bom funcionamento, dos equipamentos culturais” e maior autonomia da pasta de Cultura, com a descentralização do Monitoramento das Ações e Programas Prioritários (MAPP) e o retorno da administração do Fundo Estadual de Cultura (FEC) para a Secult, com acompanhamento do Conselho Estadual de Cultura (CEC).

Multimídia
O site do MAR (movimentoarteeresistencia.wordpress.com) conta com uma versão eletrônica do Documento MAR

Posted by Cecília Bedê at 10:12 AM

agosto 28, 2012

Arte contemporânea enfeita muros da Capital, Diário do Nordeste

Arte contemporânea enfeita muros da Capital

Matéria originalmente publicada no caderno Cidades do jornal Diário do Nordeste em 27 de agosto de 2012.

Na 2ª edição, o projeto "Muros: Territórios Compartilhados" traz a Fortaleza artistas de todo o Brasil

Até a próxima sexta-feira (31), os muros da cidade de Fortaleza deixarão de ser meras barreiras físicas e irão se transformar em palco para diversas performances e intervenções urbanas que unem arte contemporânea, criatividade e reflexão.

No Centro, um dos muros recebeu a instalação de "olhos mágicos", por onde as pessoas podem ver o que se passa do outro lado da parede FOTO: TUNO VIEIRA

Em sua segunda edição, o projeto "Muros: Territórios Compartilhados" traz à Capital cearense artistas de todo o Brasil com a proposta de levar às ruas manifestações artísticas que utilizam os muros como cenário e discutir a relação entre a Capital e as fronteiras que separam espaços públicos e privados.

"A cidade, agora, é um corredor. Você anda nas ruas entre muros. O que nós queremos é causar uma reflexão sobre os lugares em que se pode entrar e para quem a cidade está sendo construída", explica o coordenador do projeto, Bruno Vilela.

Oito propostas foram selecionadas para participar da iniciativa com trabalhos de escultura, desenho, instalações e performances. Os responsáveis pelas obras são artistas, estudantes e coletivos escolhidos entre cerca de 70 projetos inscritos em um edital lançado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Diálogo

No Centro de Fortaleza, um dos muros recebeu a instalação de "olhos mágicos", por onde os transeuntes podem ver o que se passa além dos limites de concreto. Outro trabalho já realizado foi um leilão com obras vendidas pelo preço mínimo de R$ 1,99.

Segundo Bruno, os lugares foram determinados pelos próprios artistas, que, com base em pesquisas prévias, analisaram onde seu trabalhos se adequavam. "Uma das propostas do muro é tentar estabelecer esse diálogo com o local onde as intervenções vão ser feitas. O artista tem de pensar porque estão fazendo esse trabalho naquele lugar, em qual contexto ele se insere e se faz sentido ou não ali", destaca o coordenador.

A partir da escolha do local, foi feita a negociação da utilização dos muros com os moradores, processo que, algumas vezes, acabou modificando algumas propostas. "Dependendo do lugar que o artista escolhe, as pessoas podem não querer atender. A gente vê como as dinâmicas da cidade permitem a realização desse trabalho", destacou Bruno Vilela.

Conforme o organizador do projeto, todos esses trabalhos estão sendo documentados, e o resultado final deverá ser lançado, no final deste ano, durante um seminário que será realizado com a presença de curadores e artistas participantes do projeto. O evento será aberto ao público, no entanto, ainda não tem existe definida.

Posted by Cecília Bedê at 3:15 PM

Ministra Ana de Hollanda critica o estado da pasta de Cultura por André Miranda, o Globo

Ministra Ana de Hollanda critica o estado da pasta de Cultura

Matéria de André Miranda originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Globo em 27 de agosto de 2012.

Salários defasados, prédios deteriorados e riscos de danos ao patrimônio são algumas das insatisfações

RIO - ‘Esses números colocam em risco a gestão e até mesmo a existência de boas partes das instituições culturais.” A frase é uma referência à atual situação orçamentária do Ministério da Cultura (MinC), sobretudo quanto aos salários de seus servidores. Foi escrita numa carta, enviada no último dia 15 para Miriam Belchior, ministra do Planejamento. O texto da carta, à qual O GLOBO teve acesso, diz ainda que “essa realidade do MinC e de suas entidades vinculadas (...) tem gerado danosas consequências ao governo e à sociedade”.

Trata-se de uma das mais fortes críticas já feitas ao atual estado da Cultura no país, cujo impacto é ainda maior por terem sido escritas pela própria ministra, Ana de Hollanda. Procurada pelo GLOBO, ela não quis comentar a carta.

O documento reverbera uma insatisfação de grande parte dos 2.667 servidores na ativa do MinC. Na semana passada, dois protestos foram realizados no Rio. O primeiro aconteceu na quarta-feira, envolvendo os servidores da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Sua principal revindicação é sobre as condições estruturais dos prédios — deteriorações constatadas numa visita do GLOBO a seis construções ligadas ao MinC. Desde abril, quando um acidente no sistema de refrigeração afetou o acervo de periódicos na sede da instituição, no Rio, a Biblioteca Nacional está com o ar-condicionado desligado. Há relatos de mal-estar entre os funcionários e reclamações do público.

Um manifesto divulgado pelos servidores da FBN cita vazamentos no telhado, rachaduras nas paredes e instalações elétricas indevidas. “A maior guardiã da memória literária nacional está em estado crítico. Tesouros insubstituíveis como a Bíblia de Mogúncia, a coleção de fotografias de D. Pedro II e muitas outras raridades serão perdidas se atitudes não forem tomadas urgentemente”, diz o manifesto.

Sexta-feira foi a vez de outro ato de servidores, este em frente ao Museu da República. Com dúzias de manifestantes usando pijamas — em alusão à roupa que vestia Getúlio Vargas quando se suicidou, naquele mesmo local e na mesma data (24 de agosto) —, o evento foi chamado de “SOS Cultura!” e priorizou uma antiga reivindicação da categoria: um plano de carreira e melhores salários. Os folhetos distribuídos falam de uma “possível extinção” do ministério e comparam os salários da Cultura aos de outras instituições: “O vencimento do pessoal da Cultura, em final de carreira, corresponde ao salário inicial de vários órgãos do Executivo, como Ibama, IBGE, INPI, Inmetro e DNIT”.

— Já no ano passado, os servidores do MinC nos procuraram, para que ajudássemos a cobrar um acordo salarial feito com a gestão anterior, e sobre o qual houve dificuldade de diálogo com a gestão atual — afirma a deputada federal Jandira Feghali, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. — De fato, eles têm uma defasagem salarial. A Cultura não tem sido encarada como prioridade. Seus servidores são vistos como secundários no serviço público.

A própria ministra Ana de Hollanda fez o alerta na carta enviada à sua colega do Planejamento. De acordo com o documento, a taxa de evasão dos funcionários aprovados no último concurso público para o MinC foi de 53% — 55% de funcionários diretamente vinculados ao ministério; 70% no Instituto Brasileiro de Museus, 40% na Funarte; 67% na Fundação Cultural Palmares; 37% na Fundação Biblioteca Nacional e 44% no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ou seja, das 1.029 vagas abertas em 2010, 541 não estão preenchidas. A ministra lembra ainda que o quadro se agrava com a previsão de 772 aposentadorias até 2017.

— Ninguém mais quer ficar no MinC por conta dos salários e também pela falta de diálogo. A gestão atual diz que dá apoio irrestrito aos servidores, mas nunca se sentou conosco para dialogar. A relação é péssima — afirma Sérgio de Andrade Pinto, vice-presidente da Associação de Servidores do Ministério da Cultura.

Por tudo isso, há o medo de uma nova greve. Nos últimos anos, houve pequenas paralisações. A mais duradoura ocorreu em 2007, quando os servidores pararam entre maio e agosto.

Para Eulicia Esteves, vice-presidente da Associação de Servidores da Funarte, se o panorama permanecer, na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016 os equipamentos culturais federais correm o risco de estar com as portas fechadas.

— E não por causa de uma greve. Mas pela falta de pessoal para atender o público e preservar o acervo. É necessário haver uma política permanente para as artes, o que não temos no Brasil — ela diz.

Já hoje, a situação dos equipamentos de responsabilidade do MinC é grave. Antigas reformas prometidas para o Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio, não foram feitas. O palácio, tombado desde 1948, é alvo de uma década de reclamações sobre problemas estruturais. Seus elevadores são famosos entre funcionários e frequentadores pelos sucessivos defeitos. Com capacidade para 14 pessoas, eles só transportam oito, para tentar evitar panes. Já no terraço do Capanema, redes de náilon azul estão espalhadas pela fachada há pelo menos dois anos — elas serviriam para conter o cimento que eventualmente poderia se desprender do prédio.

Ainda no Capanema, os funcionários do sétimo andar, ocupado pelo Instituto Brasileiro de Museus, precisam se virar por conta própria para ter água potável. Um comunicado dos servidores à direção, de 16 de abril, dizia que “não foi informado prazo para a solução deste problema”. Desde então, eles compram sua água ou dependem dos colegas de outros setores. Na quinta-feira, servidores do Museu da República doaram dez galões.

No Museu do Folclore, no Catete, há mais problemas. Logo no hall de entrada, onde peças do artista pernambucano Espedito Seleiro estão expostas, há um grande rombo na parede, no lado direito. De acordo com funcionários, uma obra foi iniciada no museu no início do ano e interrompida por falta de verbas. Enquanto isso, no Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, a reforma da área que sofreu com um deslizamento do terreno, em 2010, não foi concluída. O museu ficou fechado por dois anos até reabrir em maio, mas a piscina, que abrigava uma instalação de Iole de Freitas, ainda não foi restaurada. A obra foi fixada no novo muro de contenção.

O MinC foi contatado por telefone, recebeu um e-mail com todos os pontos que seriam abordados pela reportagem, mas não se pronunciou.

Posted by Cecília Bedê at 2:58 PM

Instituto Inhotim passa por mudanças por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Instituto Inhotim passa por mudanças

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 26 de agosto de 2012.

Centro de arte inaugura mostras permanentes em 6 de setembro e recebe sua nova diretora

O Instituto Inhotim, centro de arte contemporânea e jardim botânico em Brumadinho, Minas Gerais, passa por momento de mudança. As inaugurações, no próximo dia 6, de mostras permanentes de obras dos brasileiros Tunga e Lygia Pape, da espanhola Cristina Iglesias e do cubano Carlos Garaicoa, bem como de uma coletiva na Galeria Mata com trabalhos dos artistas Renata Lucas, Mateo López, León Ferrari, Edward Krasinski, João José Costa, Juan Araújo e Luisa Lambri marcam as novidades palpáveis, mas é agora, também, que a instituição recebe a coreana Eungie Joo para ser sua diretora de arte e programação.

Com experiência no New Museum de Nova York, Eungie Joo terá como desafio incrementar o segmento de atividades culturais em Inhotim. Ela se mudará para Belo Horizonte a fim de exercer sua função no instituto, antes dirigido pelo alemão Jochen Volz, que se tornou curador-chefe da Serpentine Gallery de Londres. Eungie Joo também indicará aquisições de arte contemporânea para o acervo de Inhotim, mas é necessário, como diz o curador Rodrigo Moura, dar um "caráter mais dinâmico" para a exibição da coleção.

Das 600 obras, apenas 80 estão expostas. Um dos projetos em curso, segundo Rodrigo Moura, será a construção da Grande Galeria, prevista para ser inaugurada entre 2014 e 2016. Com espaço de 4 mil m² e projetado pelo escritório Arquitetos Associados, o prédio vai se tonar um espaço para mostras coletivas.

"Estamos discutindo para que as quatro galerias Mata, Fonte, Lago e Praça fiquem mais monográficas", conta o curador. Seria uma maneira de desacelerar a construção de novos pavilhões dedicados a individuais de artistas? Já são mais de 20 galerias e obras permanentes construídas - e, segundo pesquisa do instituto, as mais visitadas pelo público (157 mil até julho de 2012) são o Sonic Pavillion do norte-americano Doug Aitken; a Galeria Cildo Meireles (com instalações importantes do brasileiro, como Desvio para o Vermelho e Através); o espaço para a obra sonora Forty Part Motet, de Janet Cardiff & & George Bures Miller; e o pavilhão da pintora carioca Adriana Varejão (que já foi casada com o empresário Bernardo Paz).

Uma das lacunas do Instituto Inhotim é não ter ainda um pavilhão dedicado à artista brasileira Lygia Clark, por exemplo. "Temos cerca de cinco obras dela em nossa coleção", diz Moura. Outro "desafio", explica o curador, é tratar da arte performativa no acervo da instituição.

Enquanto isso, a mostra coletiva na Galeria Mata, com previsão de ficar em cartaz por dois anos, é um "recorte interpretativo da coleção" com obras que fazem diálogo entre arquitetura e artes visuais.

A exposição apresenta trabalhos de artistas de diferentes gerações. Dos consagrados, o concretista João José Costa, que foi do Grupo Frente; o argentino León Ferrari, que doou 28 de suas históricas heliografias ao instituto; e o polonês Krasinski, com sua obra de espelhos.

Posted by Cecília Bedê at 2:53 PM

Museus de SP só têm sites em português por Edison Veiga e Nataly Costa, O Estado de S. Paulo

Museus de SP só têm sites em português

Matéria de Edison Veiga e Nataly Costa originalmente publicada no caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo em 28 de agosto de 2012.

Os turistas estão ficando cada vez mais tempo em São Paulo, sobretudo os estrangeiros: os "gringos" passam, em média, cinco noites na capital, segundo dados da São Paulo Turismo (SP Turis). Porém, quando vão procurar na internet as principais opções de cultura e lazer na cidade, deparam-se com uma dificuldade: sites de grandes museus são uma incógnita para os visitantes estrangeiros porque não têm versões em outra língua, além do português.

É o caso dos sites do Museu de Arte de São Paulo (Masp), do Museu da Imagem e do Som (MIS), da Pinacoteca do Estado e do Museu Paulista da USP, mais conhecido como Museu do Ipiranga. Nesses, qualquer não lusófono sofre para achar informações simples como horário de funcionamento ou preços.

"Como gosto de arte, sempre ouvia falar sobre o Masp como um dos mais importantes do mundo. Mas quando estava em São Paulo, no ano passado, tive dificuldades para consultar as informações e programar minha visita", conta o médico camaronês Samuel Ntoe, de 32 anos. "Acabei desistindo do site e pedindo ajuda para o hotel. Um funcionário gentilmente ligou para o museu e me informou qual era a exposição em cartaz, horários de funcionamento e preço."

A advogada suíça Pauline Gauthier, de 27 anos, veio para São Paulo no início do ano e também não conseguiu entender muito os sites dos museus. "Sei um pouco de espanhol, então, como é um idioma semelhante ao português, até conseguia compreender um pouco. Mas seria muito mais fácil se o site já tivesse uma versão em inglês, ainda que fosse apenas com as informações básicas." Como ela ficou hospedada na casa de um casal de amigos, o jeito foi apelar para a boa vontade dos anfitriões. "Eles me ajudaram a programar as visitas aos museus e outros pontos importantes de São Paulo. Então, o problema do idioma acabou sendo contornado."

O físico alemão Stephen Riedel, de 35 anos, já esteve em São Paulo a trabalho três vezes e sempre aproveitou as folgas para passear pela cidade. "Em outras grandes capitais do mundo, o inglês sempre funciona como uma espécie de coringa idiomático, resolvendo o problema de comunicação. Em São Paulo, muitos pontos turísticos não estão preparados. Infelizmente, muitas vezes nem na internet, nem nas instituições in loco."

Prazos. "A previsão da Secretaria de Estado da Cultura é ampliar a acessibilidade linguística para o público internacional em um prazo de dois anos para todos os equipamentos da secretaria, entre eles para o Museu da Imagem e do Som", informou a Assessoria de Imprensa do MIS.

O Masp afirma que seu site está sendo reestruturado e terá versões em inglês e espanhol. O projeto ainda não tem data para ir ao ar. A Pinacoteca do Estado promete para o ano que vem o lançamento de um site trilíngue: português, inglês e espanhol.

O site do Museu Paulista também está em reforma, segundo a instituição. "Primeiramente focamos em melhorar a funcionalidade, agora na segunda etapa buscamos melhorar os atrativos ao público, incluindo a tradução para outras línguas em breve".

Posted by Cecília Bedê at 2:48 PM

Jonathas de Andrade arma corrida de carroças na cidade por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Jonathas de Andrade arma corrida de carroças na cidade

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 26 de agosto de 2012.

Numa tarde ensolarada de inverno, Jonathas de Andrade, megafone em punho, sofreu para organizar a largada das 40 carroças que se inscreveram para disputar a primeira corrida de carroceiros do centro antigo do Recife.

Uma lei, em grande parte ignorada, proíbe que as carroças circulem na área urbana da cidade, mas -com o pretexto de rodar um filme- o artista conseguiu permissão para pôr cavalos a correr pelo asfalto e fazer uma multidão se aglomerar em torno do cortejo que virou um levante.

"São dois projetos, é a ideia do filme que viabiliza a existência da corrida", diz Andrade. "Mas o que era para ser bem mais lento ganhou contornos de êxtase, aquilo tomou a cidade, em vez de um lamento virou celebração."

Em suas obras, Andrade sempre extrai da realidade elementos que embasam uma ficção verossímil, o que poderia ter sido, mas ao mesmo tempo só pode vir a ser pela articulação do artista.

Nessa tarde no Recife, suas câmeras estavam posicionadas para um espetáculo que tinha tudo para dar errado. E, em certa medida, deu.

Carroças desviaram do percurso estabelecido pela prefeitura, cavalos se atropelaram, mas a comoção foi grande. As ruas letárgicas do centro num domingo qualquer foram tomadas pela arruaça dos bichos e muita cantoria de um locutor voluntário.

"Não consegui filmar, foi superdifícil porque a coisa toda estava tão viva", lembra.

"Tenho intimidade com esse lugar, falo de presente, tradição, mas também de impulsos sociais e corpóreos. É a experiência do corpo e da cidade através da passagem desse cortejo, uma universalidade que toma emprestada peculiaridades do Nordeste."

No fim da corrida, os carroceiros se juntaram no ponto da partida para receber seus prêmios, entre eles um bode e sacos de farelo.

Posted by Cecília Bedê at 2:35 PM

Artista exibe no Recife obras feitas de dinheiro por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Artista exibe no Recife obras feitas de dinheiro

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 26 de agosto de 2012.

Lourival Cuquinha - Topografia Suada de Londres: Jack Pound Financial Art Project no Centro Cultural Correios, Recife - PE - 02/08/2012 a 23/09/2012

Lourival Cuquinha reflete sobre os valores abstratos do circuito da arte

Lourival Cuquinha fazia bicos para sobreviver em Londres quando leu num tabloide que a maioria dos ingleses nem notaria a falta de £ 1.000 (R$ 3.200) de suas contas bancárias.

Um desses bicos era levar turistas para cima e para baixo na capital britânica num riquixá, espécie de "charrete em que você é cocheiro e cavalo ao mesmo tempo", nas palavras dele.

Misturando símbolo nacional ao peso suado do dinheiro, o artista então decidiu fazer com os lucros das corridas -valor que depende da distância e do peso do cliente- uma bandeira inglesa costurando cédulas de libra.

"Não é aquele dinheiro etéreo, que cai na sua conta", diz Cuquinha. "Aprendi a dar outro valor para o esforço físico e também para o dinheiro."

Na mostra que faz agora no Centro Cultural Correios, no Recife, Cuquinha expõe, além da bandeira, um conjunto de riquixás em que o público precisa pedalar para ver projeções das imagens das corridas por Londres.

Aquela bandeira, confeccionada com as £ 1.000 que passariam despercebidas das contas dos ingleses, foi depois leiloada numa feira de arte por £ 17 mil. De certa forma, toda a obra do artista é uma reflexão sobre os mecanismos abstratos de valor atribuído a obras de arte num circuito de cifras infladas.

Outra bandeira, com cédulas de dólar, que ele fez para hastear do alto de um pau de sebo em Havana, foi leiloada por R$ 80 mil. "É dinheiro costurado vendido por mais dinheiro. É esse trabalho de construir e, quando vender, construir mais valor ainda."

Um dos artistas mais provocadores do circuito atual, Cuquinha também já comprou briga com suas cédulas. Exigindo um cachê por uma exposição no Itaú Cultural, chegou a fabricar cédulas de real com a cara de Milú Villela, presidente da instituição.

Mas antes das obras monetárias, Cuquinha já trabalhava questões de valor em seus projetos. Uma vez, no Rio, experimentou uma réplica de um "Parangolé" de Hélio Oiticica, o museu fechou e ele ficou com o manto colorido perambulando pela Lapa.

Depois expôs a peça atrás de uma cerca elétrica e fixou seu preço de acordo com o valor de mercado -estratosférico- de um "Parangolé". "Trabalho no limite da legalidade", afirma. "Gosto de obras que dão a cara a tapa."

Posted by Cecília Bedê at 2:24 PM

Mostra na Casa de Vidro abre ao público só em novembro por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Mostra na Casa de Vidro abre ao público só em novembro

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Pauli em 25 de agosto de 2012.

Com curadoria de Hans Ulrich Obrist, evento paralelo à Bienal terá prévia para convidados em 5 de setembro

Um dos mais esperados eventos paralelos à 30ª Bienal de São Paulo, que abre em 7 de setembro, a mostra com curadoria de Hans Ulrich Obrist, na Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, terá apenas um dia de duração. Aberto apenas para convidados, o evento acontece no dia 5.

"Será o prelúdio, com a presença de sete artistas. A primeira etapa da mostra será, de fato, inaugurada em novembro", diz a espanhola Isabela Mora, produtora-executiva da exposição.

O prelúdio contará com obras de Gilbert & George, Paulo Mendes da Rocha, Alexander Calder, Waltércio Caldas, Cildo Meireles, Cinthia Marcele e do escritório de arquitetura SANAA (Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa).

No entanto, no próprio dia 5, às 21h, os organizadores terão um evento público que deve marcar a concorrida semana pré-Bienal: Obrist irá entrevistar, no Teatro Oficina, o diretor José Celso Martinez Corrêa e Gilbert & George.

O encontro reúne o ícone do teatro brasileiro com a dupla inglesa que, desde os anos 1970, realiza performances.

A exposição na Casa de Vidro irá reunir obras de 31 artistas. Contudo, os trabalhos serão instalados em três etapas, a começar do prelúdio.

"Hans quer organizar a exposição como um 'work-in-progress'", diz Mora. A última fase, com a mostra completa, será inaugurada em março de 2013 e deve ficar em cartaz até maio do mesmo ano.

A exposição tem R$ 2,4 milhões aprovados para captação por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

Entretanto, de acordo com o site do Ministério da Cultura, até o momento não foi conseguido nenhum recurso. "Estamos com muitos apoios sendo fechados", diz Mora.

A exposição na Casa de Vidro é a primeira de Obrist no Brasil e dá continuidade a uma série de projetos curatoriais realizadas pelo crítico em casas-museus, como nas residências de Luis Barragán, no México, e de Federico García Lorca, na Espanha.

É também a primeira vez que a casa onde morou Bo Bardi e seu marido, Pietro, abriga uma exposição.

Posted by Cecília Bedê at 2:18 PM

Nuno Ramos enterra três casas no barro em mostra por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Nuno Ramos enterra três casas no barro em mostra

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 28 de agosto de 2012.

Nuno Ramos - ai, pareciam eternas! (3 lamas) na Celma Albuquerque Galeria de Arte - Belo Horizonte - MG - 29/08/2012 a 31/10/2012

Nuno Ramos está com o braço enfiado na lama. Ele testa a consistência do barro branco em que afundou uma das três casas que decidiu sepultar na mais monumental obra de sua carreira até hoje.

Em 2014, Nuno Ramos terá pavilhão em Inhotim

O artista escavou o chão da galeria Celma Albuquerque, no centro de Belo Horizonte, para enterrar réplicas das casas onde cresceu, onde seus filhos nasceram e onde mora em São Paulo, uma espécie de afundamento da memória.

Pedaços das fachadas, um telhado inteiro e o sótão de uma delas saltam para fora de três piscinas de lama.

A casa de mármore negro parece brotar de um lamaçal retinto. Outra, de areia socada, afunda no barro marrom, enquanto a branca, a maior de todas elas, lembra uma coluna vertebral de telhas que abraça os pilares da galeria num pântano imaculado.

São mais de 300 toneladas de matéria. É o peso bruto do concreto arrancado do chão, das placas de mármore e de granito e de toda a areia que compõe uma das casas.

"Tem um certo sacrifício nessa obra", diz Ramos, numa pausa na montagem da mostra que será aberta no começo de setembro, depois de um mês de quebradeira na galeria. "Queria essa situação de luta e confronto mesmo."

Ramos, aliás, tem feito de suas obras um reflexo dos confrontos que enfrentou na vida real.

Seu trabalho mais recente, o desmanche fúnebre das casas na lama, tem a ver com a morte de sua mãe há cerca de um ano e meio e seu contato com "essas coisas reais", nas palavras dele.

"É oferecer essas coisas para perder, jogar fora", diz Ramos. "Tem essa coisa de dádiva, uma troca amalucada, sem medidas exatas."

Seu sacrifício aqui é matar construções inteiras num cenário catastrófico que contrasta com a limpidez das formas, a lama plástica que reflete as luzes da galeria e a pedra reluzente das esculturas criadas para serem escombros --uma espécie de ruína calculada.

Cenário não é o termo: este é um teatro real, em que as casas afundadas têm a medida exata das que replicam.

Ramos dirige a cena mais como um engenheiro calculista do que um cineasta. Com o mesmo cálculo com que armou um viveiro de urubus na Bienal de São Paulo, fez um avião se espatifar na copa de uma árvore no Museu de Arte Moderna do Rio ou um barco de pedra-sabão encalhar no meio de uma galeria.

"A imaginação é muito autêntica, mas, no meu caso, é a matéria que põe as coisas no lugar", explica. "Nunca mexi com matéria nenhuma em sentido simbólico. Quero que a presença das coisas venha antes da interpretação."

HISTÉRICO E SOLENE

A presença, aqui, é inequívoca. Tanto que, na galeria, mal cabe o público. A cena causa espanto vista da calçada, através das janelas.

Do mesmo modo, a mostra que o artista abre no Rio, em novembro, será um espetáculo fechado. Nele, dois globos da morte cercados de estruturas de vidro e peças quebradiças ocuparão todo o espaço da galeria Anita Schwartz.

Haverá um antes --a estrutura toda montada e cercada de objetos frágeis-- e um depois --o caos que segue a performance furiosa das motocicletas pelos globos metálicos.

Ramos reconhece a ambivalência entre histeria e solenidade como chave de sua obra. "Há uma dissonância que adoro ocupar", diz. "É um globo da morte de tudo, algo histérico, enquanto essa carga de silêncio que tem aqui é o que não tem lá."

Ele vê um contraste entre a fúria de seus desenhos e pinturas --obras do início da carreira carregadas de objetos que saltam das telas-- e o tom mais soturno das casas afundadas e do voo dos urubus entre lápides de areia.

Em todos os casos, seria o que ele chama de "milagre físico da obra", uma poesia que afirma por trás dos aspectos visuais de seu trabalho -a transformação mesma de versos em matéria.

No caso das casas lembram as construções evocadas por Carlos Drummond de Andrade no poema "Morte das Casas de Ouro Preto". Ele refaz as casas que "morrem severas" do poeta mineiro. Tenta recriar o chão que "começa a chamar as formas estruturadas faz tanto tempo".

"Todo caos é uma reconfiguração", resume o artista. "Toda violência e destruição reconfigura outra ordem. Aqui a imaginação ganha uma dimensão corpórea."

Em 2014, Nuno Ramos terá pavilhão em Inhotim

Depois de afundar suas casas na lama, Nuno Ramos vai construir no Instituto Inhotim, nos arredores da capital mineira, um pavilhão para abrigar de forma permanente as obras que está tão acostumado a fazer e desfazer.

Nuno Ramos enterra três casas no barro em mostra

Pela escala monumental de seu trabalho, peças como o viveiro de urubus da Bienal de São Paulo, as casas afundadas, o avião do Museu de Arte Moderna do Rio ou mesmo os globos da morte que vai montar neste ano acabam sendo projetos efêmeros.

Tanto que o artista trabalha agora com uma arquiteta, que estuda cada peça e documentar o processo de feitura. Em Inhotim, onde seu pavilhão deve ser inaugurado em 2014, muitas delas serão refeitas.

"Vamos fazer um ajuste do prédio às obras, como um prédio fabril que se ajusta às máquinas", diz Ramos. "É reforçar meu lado contrastante de artista que faz obras que nem parecem do mesmo autor."

Ramos ainda estuda a seleção das peças com Rodrigo Moura, um dos curadores de Inhotim, mas adianta que o espaço terá pinturas, obras de areia e sabão e a instalação "111", sobre a chacina de presos no Carandiru em 1992.

Allen Roscoe, arquiteto que executou as peças de aço de Amilcar de Castro e Franz Weissmann e também ajudou Ramos a afundar suas casas na lama, fará o projeto do pavilhão.

"Será como o desenho de uma indústria", diz Roscoe. "Não tem a preocupação de exaltar a arquitetura, é só uma estrutura para o trabalho, já que o foco não deve ser o prédio."

Posted by Cecília Bedê at 2:06 PM

Lisette Lagnado será curadora do próximo Panorama do MAM por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Lisette Lagnado será curadora do próximo Panorama do MAM

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 24 de agosto de 2012.

Lisette Lagnado será a curadora do próximo Panorama da Arte Brasileira, tradicional mostra bienal em que o Museu de Arte Moderna destaca artistas emergentes do cenário nacional. Marcada para outubro do ano que vem, a 33ª edição da mostra deverá partir da história da exposição, que lançou nomes de peso no país.

"Há conquistas institucionais que a gente não pode desprezar de uma edição para outra", diz Lagnado, que esteve à frente da 27ª Bienal de São Paulo em 2006 e agora se prepara para assumir outra mostra em grande escala. "O que eu vou formular vai sair de uma reflexão sobre o Panorama."

Lagnado foi confirmada para o posto no início desta semana. Nesta quinta (23), o MAM fez uma festa para arrecadar fundos na tentativa de bancar a próxima edição sem recorrer a leis de incentivo, garantindo R$ 760 mil com os ingressos vendidos e doações espontâneas.

Embora não tenha um projeto esboçado ou conceito já definido, Lagnado diz que está pesquisando as edições passadas da mostra. Ela não descarta, por exemplo, incluir artistas estrangeiros, uma decisão que causou polêmica na edição de 2009, quando Adriano Pedrosa, curador daquela edição, escalou nomes de fora que tratavam conceitos de brasilidade em suas obras.

Em entrevista à Folha, Lagnado também adiantou que pretende incluir artistas jovens que vem acompanhando no próximo Panorama. "Tenho alguns desejos, entre eles o de incluir artistas mais jovens, gostaria que eles estivessem lá", diz a curadora. "Não posso pôr os artistas antes do conceito, nem o conceito antes dos artistas, preciso calibrar isso ainda, mas sei que não estou com vontade de fazer um Panorama com nomes consagrados."

Posted by Cecília Bedê at 1:56 PM