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julho 19, 2012
Museu de Curitiba pede atestado para receber mostra de Modigliani por Matheus Magenta e Silas Martí, Folha de S. Paulo
Museu de Curitiba pede atestado para receber mostra de Modigliani
Matéria de Matheus Magenta e Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 18 de julho de 2012.
Folha apontou que há suspeitas sobre autenticidade de uma obra
A diretora do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, que vai abrigar a exposição "Modigliani: Imagens de Uma Vida", se disse "apreensiva" após a Folha publicar reportagem no último sábado sobre uma obra da mostra que teve a autenticidade questionada.
"Estamos fazendo uma série de levantamentos para ver qual posição vamos ter", afirmou Estela Sandrini.
O museu solicitou aos organizadores da exposição os comprovantes de autenticidade das obras. Segundo ela, ainda não há justificativas para suspender a mostra, programada para ocorrer entre 26 de julho e 30 de setembro.
A tela "Grande Figura Nua Deitada - Celine Howard" foi o centro de uma discussão após ser exposta em Bonn, na Alemanha, em 2009.
Os organizadores da mostra no Brasil dizem que a obra é sim do artista italiano Amedeo Modigliani (1884-1920).
"É normal que haja uma preocupação, mas não há nada de errado com a mostra", afirmou Paulo Solano, presidente da Museu a Céu Aberto, que organiza a exposição.
"Algum museu, colecionador ou entidade precisa pedir exames dessa obra, só que ninguém toma essa atitude, porque a pessoa se desgasta, se expõe", disse Jones Bergamin, dono da Bolsa de Arte, casa de leilões com sedes em São Paulo e no Rio.
Segundo Teixeira Coelho, curador do Masp (que recebeu a mostra até o último domingo), não cabe ao museu fazer um laudo técnico sobre a veracidade de obras.
"Algum museu, quando recebe uma exposição, faz análise de tinta ou de frequência de ondas? Não. Esse sistema funciona todo com base em critérios de confiança."
Em 2008, Christian Parisot, um dos curadores da mostra, foi condenado pela Justiça francesa por exibição de falsos desenhos. Ele nega qualquer irregularidade.
Figuras de costas são tema de exposição por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 18 de julho de 2012.
Lasar Segall tem obras do século 19 até hoje com personagens ambíguos
Mostra reúne trabalhos de Anita Malfatti, Oswaldo Goeldi, Lasar Segall, Giorgio De Chirico, entre outros
Estão todos de costas. Uma mulher nua refestelada na cama, um homem num turbilhão de movimento, pescadores fitando o horizonte, cavalos numa praia estranha.
São personagens de obras do século 19 até hoje, juntas numa mostra em cartaz no Museu Lasar Segall, em São Paulo. O único critério para a seleção era que as figuras estivessem de costas para o espectador, mergulhadas na própria solidão ou alheias ao fato de serem observadas.
Nisso, estilos e escolas se misturam num contraste entre tempos e proposições.
Uma tela clássica de Rodolpho Amoedo, pintor acadêmico que viveu no Rio na virada do século 19 para o 20, mostra uma mulher nua, de curvas lustrosas, deitada sobre uma montanha de lençóis em seu ateliê, segurando na mão um leque japonês.
Essa tela do Museu Nacional de Belas Artes do Rio, pouco vista em São Paulo, serve de síntese da mostra.
Isso por dois motivos. Amoedo sujeita o academicismo da época a arroubos do realismo burguês que aprendeu em Paris, sem contar o aceno ao japonismo dos impressionistas. Também por juntar na figura nua ali deitada uma série de suposições sobre alguém de costas, um ar de mistério, tristeza, vulnerabilidade ou indiferença.
"É um tema muito comum a modelo jogada sobre o sofá, uma coisa exuberante", descreve Aracy Amaral, curadora da mostra. "É de uma sensualidade muito grande."
Menos sensual, Eliseu Visconti, que foi aluno de Amoedo, mostra duas figuras, um adulto e uma criança, olhando estáticos para o jardim de Luxemburgo, em Paris.
"Há um suspense, algo que intriga o observador, que é também voyeur", diz Amaral. "O mistério está sempre subjacente em figuras de costas."
Nesse ponto, uma gravura de Oswaldo Goeldi em que pescadores também fitam o horizonte parece complementar a noção de suspense.
Mais interessado em plasmar uma linguagem de vanguarda, um carvão da melhor fase de Anita Malfatti, entre 1915 e 1917, mostra um homem quase estátua retratado no gestual acelerado, convulsivo dos futuristas italianos.
Depois de seu retorno da Europa, em 1923, Lasar Segall emprestou contornos expressionistas a uma obra que já absorve as cores do Brasil. Seu "Perfil de Zulmira" mostra uma menina negra em vestes e ambiente cálidos.
Daisy Xavier usa madeira para criar formas de 'quase ficção' por Audrey Furlaneto, yahoo notícias
Daisy Xavier usa madeira para criar formas de 'quase ficção'
Matéria de Audrey Furlaneto originalmente publicada no yahoo notícias em 18 de julho de 2012
RIO - Na entrada da galeria Anita Schwartz, onze pontiagudas lanças de madeira saem da parede rumo ao chão. Algumas delas, porém, não chegam a tocar o piso e estão equilibradas pelo resto do que um dia foi uma taça de vidro azul. Daisy Xavier chama este primeiro trabalho da exposição "Arqueologia da perda" (que a galeria abre nesta quarta, para convidados, às 19h) de "Batalha", em referência à "A Batalha de São Romano", de Paolo Ucello, do século XV - e talvez a seu próprio trabalho.A batalha de Daisy está em criar na galeria obras que não repitam a bem-sucedida exposição que apresentou recentemente no Museu de Arte Moderna do Rio. Lá, móveis, ora inteiros, ora despedaçados, equilibravam-se sobre copos, taças e vasos de vidro azul.
Destruir para remontar
Da batalha rumo à galeria, restaram a madeira e poucos vidros. Não há mais formas definidas. Há, sim, a memória do que um dia já foi forma, criando o que a artista define como "quase ficção" .
Depois de ver a "Batalha", de 2012 (assim como todos os demais trabalhos da mostra), o espectador adentra o espaço principal da galeria para se deparar com 15 esculturas - a maioria na parede. Três delas são menores e e precedidas por uma delicada lente de aumento pela qual se pode ver um número talhado.
Todas as formas são feitas de madeira antiga, que já era usada na mostra do MAM. Para Daisy, o material antigo, que um dia foi móvel, "dá a sensação de coisa vivida". No museu, diz a artista, ela tentava mostrar "a memória da casa prestes a desmoronar". Na galeria, tudo é "mais abstrato, e o móvel já não surge mais como cadeira, como mesa, mas como quase ficção".
- Foi difícil dar continuidade ao trabalho depois da exposição no MAM. Lá, foi a primeira vez que usei esculturas e, agora, sabia que queria fluidez de linhas e formas, mas já não queria mais a madeira esculpida, talhada, desenhada.
Daisy, então, desmontou móveis e usou, por exemplo, pernas de cadeiras para criar uma escultura no chão, que não chega a sugerir uma forma definida. Na parede, remontadas, as partes dos móveis criam formas sinuosas, curvilíneas que podem passar de três metros de altura.
O título da exposição, "Arqueologia da perda", diz muito da proposta da artista: "Usar coisas destruídas para remontar algo e criar uma ficção", como ela mesma define. Aos 60 anos, Daisy atende pacientes (ela é psicanalista) pelo menos três vezes na semana. Nos demais dias, dedica-sa ao ateliê, no andar de cima do consultório. Não à toa, vê muito de psicanálise no trabalho artístico.
- O processo de análise é também este, o de destruir tudo para remontar e rearticular de outra forma - explica. - Perdas existem o tempo todo. A ideia é sempre aprender a reinventar o sentimento.
No terceiro andar da galeria, ela apresenta algumas telas que usa para a "formalização das esculturas". A sala com pinturas em preto, marrom e azul anil (o mesmo dos vidros que Daisy costuma usar nas obras) funciona como um bloco de anotações da sala principal, de esculturas. Já no contêiner da galeria, na varanda do terceiro andar, ela mostra o vídeo "Mar sem orla", de 2010. Nele, um poema numa folha de papel queima aos poucos, deixando ver, abaixo dele, o mar azul.
Metrô do Nordeste por Fábio Marques, Diário do Nordeste
Metrô do Nordeste
Matéria de Fábio Marques originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste em 19 de julho de 2012
Mapear a produção contemporânea da Região Nordeste e colocá-la sob os holofotes do grande público. O desafio foi encampado pelo projeto Metrô de Superfície, que há quase dois anos vêm pesquisando esta produção e adquirindo obras produzidas nestes 12 primeiros anos de século XXI para elaboração de um acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB). São instalações de vídeos, ensaios fotográficos, fotomontagens, pinturas e outras vias de experimentações, reunindo um total de 30 artistas de estados como Ceará, Pernambuco, Bahia e Maranhão.
Sob curadoria dos críticos Bitu Cassundé, de Fortaleza e Clarissa Diniz, de Recife, o acervo é exposto pela primeira vez ao público na Mostra I do projeto em cartaz desde a última terça- feira, dia 17, no Paço Municipal, em São Paulo, galeria tradicional de artes, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com foco na produção contemporânea.
Para a mostra, foram selecionados 13 artistas do acervo, sendo eles Marina de Botas, Milena Travassos e Solon Ribeiro, do Ceará, além de Amanda Melo (PE), Bruno Vilela (PE), Carlos Mélo (PE), Cristiano Lenhardt (RS/PE), Juliana Notari (PE), Marcelo Gandhi (RN/SP), Rodrigo Braga (PE), Solange, tô aberta! (RN/Berlim), Thiago Martins de Melo (MA) e Virginia de Medeiros (BA/SP).
"Esta é a primeira vez que mostramos as obras selecionadas ao público. É um panorama da jovem produção do Nordeste que nunca foi mostrado conjuntamente. A intenção é organizarmos outras mostras, com a participação de todos", explica a coordenadora do setor de Artes Visuais do CCBNB, Jacqueline Medeiros. A parceria entre o centro cultural e o Paço Municipal foi intermediada por Priscila Arantes, diretora técnica da instituição, que foi também quem propôs o recorte no acervo.
"Eles optaram por obras que exploram eu do artista em relação ao outro, o corpo. Deram ênfase também em artistas que pensam sua produção atual a partir do Nordeste", detalha Jacqueline. Ela cita exemplos como o de Cristiano Lenhardt, que nasceu no Rio Grande do Sul, mas mora em Recife. "A produção dele é pensada a partir de Recife. Isso é uma coisa interessante entre os artistas selecionados. A maioria está neste trânsito", destaca.
Projeto
Esta mobilidade, ou mesmo, a dificuldade de circulação de artistas que produzem fora dos grandes centros, argumenta Jacqueline, é um dos pontos que justifica a metáfora que dá nome ao projeto. O Metrô de Superfície, argumenta, a medida que cruza cidades, estados, regiões, aponta para essa integração e para a chegada do desenvolvimento.
O projeto, detalha, preenche uma lacuna no acervo do CCBNB, que não dava conta das produções mais recentes. "O centro cultural tem acervo significativo de gravuras, desenho e pintura moderna, em sua maioria do Nordeste. Eu quis dar continuidade, colocando artistas da virada do século até agora", diz.
Para o mapeamento, Bitú Cassundé e Clarissa Diniz utilizaram por base uma pesquisa que já desenvolviam - tendo atuado como assistentes curatoriais do Programa Rumos Artes Visuais 2008/2009 - e realizaram visitas a centros produtores de arte contemporânea como Bahia, Ceará e Paraíba. "A pesquisa durou quase dois anos. Eles conseguiram fazer um panorama desta produção que precisava ser mostrado", reforça.
Fora do eixo
Representando o Ceará, ao lado de Milena Travassos e Solón Ribeiro, a artista paulista (radicada desde criança em Fortaleza) Marina de Botas participa com três vídeo-performances: "Programa para nutrição da pele" (2007), "Entrevista" (2009) e "Centauro" (2010). Graduada em artes visuais pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica do Ceará (IFCE), ela aponta a dificuldade que há para artistas que residem e produzem fora dos grandes mercados de arte para divulgar sua produção nestes eixos. "Eu expus pouquíssimo em São Paulo. Para qualquer linguagem artística, a realidade continua muito semelhante a de décadas passadas. Você tem que estar lá para poder se inserir", analisa.
Marina destaca a importância de um projeto como o Metrô de Superfície "pelo menos como movimento de denúncia e resistência", mas pondera que, para que haja um efetivo alcance da produção de artistas de regiões como o Nordeste nestes centros, seria necessário uma política cultural descentralizadora.
"É uma iniciativa bacana no sentido de jogar na cara que a produção nordestina é muito boa. Alguns editais do Governo Federal até ajudaram a melhorar a produção, mas a circulação continua local", argumenta. A exposição segue em cartaz até o dia 13 de setembro. No próximo dia 27, os expositores participam de um debate na galeria.
Mais informações: I Mostra do Projeto Metrô de Superfície
Miguel Amado vai ser o comissário de Portugal na Bienal de Veneza 2013, www.ionline.pt
Miguel Amado vai ser o comissário de Portugal na Bienal de Veneza 2013
Matéria originalmente publicada na seção Boa Vida em 16 de julho de 2012
O curador e crítico de arte Miguel Amado vai ser o comissário da representação oficial de Portugal na 55.ª exposição internacional de arte da Bienal de Veneza 2013, anunciou hoje fonte oficial.
Num comunicado da Direção-geral das Artes (DGArtes), entidade tutelada pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC), responsável pela organização da representação portuguesa naquele certame, a escolha é justificada pelo percurso de Miguel Amado e pelo trabalho já desenvolvido com Joana Vasconcelos.
Em junho, a SEC tinha anunciado que a artista plástica Joana Vasconcelos irá representar Portugal naquela 55ª edição da Bienal de Veneza, uma das mais importantes mostras de arte contemporânea do mundo, que decorrerá em 2013, entre junho e novembro.
Nascido em Coimbra, em 1973, Miguel Amado foi convidado no ano passado para trabalhar como curador na galeria Tate St. Ives, em Londres, um dos quatro museus do grupo Tate Gallery, principal instituição museológica do Reino Unido.
Estudou curadoria de arte contemporânea no Royal College of Art, em Londres, e, no seu percurso, destaca-se o trabalho na Fundação PLMJ (dos advogados A.M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados), em Lisboa, e no Centro de Artes Visuais, em Coimbra.
Também colaborou com instituições dedicadas à arte contemporânea em Nova Iorque, onde residiu de 2006 a 2011, entre as quais a Rhizome, no New Museum, o Abrons Arts Center e o International Studio & Curatorial Program.
Foi também comissário convidado de instituições como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Apexart, em Nova Iorque, a Frieze Projects da Frieze Art Fair, em Londres, e o Museu Coleção Berardo.
Escreve regularmente para a revista internacional Artforum, dedicada a todas as artes, da qual é correspondente português desde 2006.
Nos últimos 12 anos, Miguel Amado colaborou com Joana Vasconcelos em diversos projetos, entre eles a exposição antológica "Sem Rede", realizada no Museu Coleção Berardo, em 2010.
Outras colaborações incluem exposições coletivas como "Em Jogo", no Centro de Artes Visuais, em Coimbra (2004), "18 Presidentes, Um Palácio e Outras Coisas Mais", no Palácio de Belém, em Lisboa (2008), ou a exposição individual "Bordaliana", realizada na Fundação PLMJ, também em Lisboa (2009).
Na nota da DGartes, Miguel Amado avança que para a representação oficial na Bienal de Veneza "a artista realizará um projeto que cruzará o imaginário português com a simbologia veneziana".
Joana Vasconcelos, 40 anos, tornou-se a primeira mulher, e a mais jovem artista, a expor no Palácio de Versailles, em Paris, uma mostra ainda a decorrer, e tem vindo a expor no Reino Unido, em Itália, Brasil, Dinamarca e Japão.
Para o diretor-geral das Artes, Samuel Rego, com a escolha de Miguel Amado, "fica consolidada a intenção de investir na projeção de Portugal no mundo, através de artistas e profissionais da arte contemporânea com reconhecimento já conquistado e com elevado potencial de afirmação futura a nível internacional".
"A articulação da criatividade e das competências tanto de Joana Vasconcelos como de Miguel Amado garantem uma representação nacional de excelência na próxima Bienal de Veneza", salienta o responsável.
Paulo Linhares assumirá Dragão, O Povo
Paulo Linhares assumirá Dragão
Matéria originalmente publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo em 19 de julho de 2012.
O ex-secretário de cultura Paulo Linhares, criador do Dragão do Mar, vai assumir o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC). A informação foi confirmada ontem à noite por fontes do Governo.
O Instituto, uma Organização Social, é responsável pela administração do Centro Dragão do Mar, do Centro Cultural do Bom Jardim e pela Escola de Artes e Ofícios Tomaz Pompeu Sobrinho.
Paulo foi secretário da Cultura no governo Ciro Gomes, quando idealizou e criou o Instituto e o Centro Dragão do Mar. Atualmente, ele é presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas (Inesp), da Assembleia Legislativa.
Paulo mantinha duras críticas às recentes gestões do IACC, especialmente no que se refere à política de formação na área de Cultura.
Em entrevista ao O POVO, em abril deste ano, disse que o Dragão havia adquirido uma importância tão grande que levava o secretário da Cultura a romper com o presidente do IACC. “O presidente do Dragão acaba se tornando mais importante que o secretário. É tão complicada essa relação que eu acho que o Dragão deveria se autonomizar com relação à Secretaria”, disse.
O POVO apurou que a atual presidente do Instituto, Isabel Fernandes, deverá ocupar a Secretária de Formação do IACC, que será criada na estrutura do Dragão. Os demais diretores do IACC deverão ser mantidos em seus cargos.
julho 16, 2012
FILE chega a sua 13º edição por Mariel Zasso, select
FILE chega a sua 13º edição
Matéria de Mariel Zasso originalmente publicada na seção da hora em 16 de julho de 2012
Música e arte eletrônica, em instalações, animações, games, aplicativos, são as estrelas do maior festival do gênero no país
Festival Internacional de Linguagem Eletrônica se consolida como a mais abrangente mostra de arte e cultura digital do país
De 17 de julho a 19 de agosto, o SESI-SP realiza a 13ª edição do FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, maior encontro do país sobre arte digital. A programação, com entrada gratuita, vai ocupar quatro espaços do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista, além do MIS e da Estação Trianon-Masp.
Instalações interativas, games, animações, maquinemas e música eletrônica estarão reunidas em clusters temáticos - FILE Instalações Interativas, FILE Games, FILE Maquinema, FILE Anima+, FILE Tablet, FILE Media Art, FILE Hipersônica e FILE Symposium e Workshop - trazendo mais uma vez a estética das novas linguagens eletrônicas e digitais ao centro do debate.
O Festival tem papel fundamental posicionando o Brasil na agenda internacional da arte eletrônica, e este ano abre seu leque. Além dos tradicionais espaços expositivos interativos, apresenta seu incentivo à discussão sobre a cultura dos bits e bytes e a troca de conhecimento em dois eventos paralelos: Symposium e Wokshops.
Incentivando a troca de conhecimento
O Symposium e os Workshops ampliam a discussão sobre a cultura-digital eletrônica em suas relações internacionais criando um ponto de encontro entre artistas e demais interessados. Um espaço dedicado à reflexão e produção de conteúdos na área de artes e mídias digitais, propõe discussões e oficinas que acontecem paralelamente à exposição, caracterizando a articulação do FILE na troca de conhecimento.
Nas mesas-redondas e encontros do FILE Symposiun, artistas que expõe no evento e outros convidados irão falar sobre seus processos criativos e novas tendências do setor, como a interface da literatura nos tablets e a produção de arte e cultura digital latinoamericana.
Nos Workshops, criadores e criativos se reunirão para compartilhar conhecimentos. Será possível aprender a desenvolver sintetizadores com componentes reciclados, dar os primeiros passos no uso do Processing, linguagem de programação de hardware muito usada em artes eletrônicas, e até mesmo mergulhar na experiência da performance musical corporal.
A agenda de debates e workshops começa amanhã e vai até sexta-feira, dia 20, mas a ideia dos organizadores é que esses encontros se repitam ao longo do ano. Assim como toda a programação do evento, os encontros do Symposium são gratuitos, mas exigem inscrição prévia.
A grande musa
A música sempre foi campo privilegiado de experimentação eletrônica. As propostas Hipersônica e Performances trazem ao Brasil um evento internacional com as principais tendências na área. Produções inovadoras, que exploram o uso das sonoridades eletrônicas e fazem uso das ferramentas digitais contemporâneas, serão apresentadas por importantes nomes da cena internacional da música experimental eletrônica.
O chileno Uwe Schmidt, considerado o pai do electrolatino e do reggaeton ácido, é um dos artistas que estarão presentes, e terão a oportunidade de trocar experiências com artistas brasileiros que também ganham destaque ao participarem do FILE.
O céu é o limite por Paula Alzugaray, Istoé
O céu é o limite
Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 13 de julho de 2012
Astrofísica, engenharia, botânica, arquitetura, arqueologia e arte confluem nas metrópoles maleáveis e flutuantes do argentino Tomás Saraceno
Tomás Saraceno: Air-Port-City/ Cloud Cities/Tanya Bonakdar Gallery, Nova York/ até 27/7
Tomás Saraceno on the Roof: Cloud City/Metropolitan Museum of Art, Nova York/ até 4/11
Imagine se as cidades se descolassem dos mapas geopolíticos e ganhassem os céus, perdendo suas fronteiras físicas e adquirindo a maleabilidade das nuvens. Não, essa não é uma nova versão da música de John Lennon para a era digital (embora pudesse perfeitamente ser). Esse é o mais novo projeto do argentino Tomás Saraceno. Estão em cartaz na galeria Tanya Bonakdar e no telhado do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, dois modelos de cidades-nuvens que, segundo o artista, funcionam como territórios coletivos aéreos, projetados para “uma era de engajamento social tridimensional”. Na era da computação em nuvem, Saraceno não está apenas interessado em expandir nossos modos de armazenar dados, mas em ampliar os modos de habitar e experimentar o meio ambiente. O céu é o limite.
No jardim suspenso do Metropolitan, o artista instalou “Cloud City”, uma constelação de 16 módulos interconectados, construídos com molduras de aço e janelas de vidros e espelhos. A obra é inspirada em estruturas orgânicas e biológicas, como bolhas, espuma, bactérias, teias, nuvens, constelações ou até mesmo redes de comunicação neuronal. Embora suas referências tenham escalas micro e macroscópica, sua obra tem escala arquitetônica e é penetrável pelo público. Rampas, escadas, ambientes interiores, amplas janelas, superfícies incongruentes e espelhadas promovem visões invertidas do céu, das árvores do Central Park e do skyline nova-iorquino, desafiando o visitante a reconsiderar suas noções de espaço, gravidade e coordenadas geográficas.
De acordo com o artista, “Cloud City é um convite a perceber simultaneamente uma multiplicidade de realidades, fazendo sobreposições e conexões multirreflexivas entre as coisas, afetando nossa percepção. É um veículo para nossa imaginação, pronto para nos transportar para além dos estados sociais, políticos e geográficos da mente”.
“Cloud City” faz parte de um corpo maior de trabalhos compreendido na série “Cloud Cities/Air-Port-City”, também em exposição na galeria Tanya Bonakdar, no Chelsea, onde Saraceno expõe outras duas obras. Ambas são realizadas com filamentos tensionados e entrelaçados, atados a pontos no teto, piso e nas paredes da galeria, como teias de aranha. Os trabalhos são um desdobramento de “Galaxies Forming Like Water Droplets Along a Spider’s Web” (Galáxias que se formam como gotículas de água ao longo de uma teia de aranha), apresentada na Bienal de Veneza em 2009. No mesmo ano, Saraceno participou da Universidade Espacial Internacional, um programa da Nasa, em que pode aprofundar sua pesquisa de geometrias complexas para a construção de espaços sociais e redes habitáveis.
Nascido em 1973 em Tucumán, na Argentina, e residente em Frankfurt, na Alemanha, há dez anos Saraceno realiza projetos de obras e arquiteturas infláveis, modulares e móveis, nas quais as pessoas podem experimentar novas maneiras de perceber a natureza e se comunicar. São projetos que relacionam arte, arquitetura e ciência, e que começaram a partir do fascínio do artista por teorias utópicas e constelações astronômicas.
Além do Chelsea e do Central Park, em Nova York, as cidades-nuvens de Saraceno se espalharam recentemente por Tóquio, Berlim, Dusseldorf e Estocolmo. O artista não é um desconhecido do público brasileiro. Em 2006, ele participou da 27ª Bienal de São Paulo, onde expôs no grande vão do Pavilhão a instalação “On Air” uma imensa bolha transparente, penetrável pelo público.
Mostra em São Paulo propõe diálogo entre produção artística contemporânea e tradicional, Olhar Direto
Mostra em São Paulo propõe diálogo entre produção artística contemporânea e tradicional
Matéria originalmente publicada no caderno Cultura do Olhar Direto Paulo em 15 de julho de 2012.
O modo como o passado se apresenta na produção artística contemporânea é o foco da Mostra Sesc de Artes 2012, que começa na próxima quinta-feira (19) em São Paulo. A mostra, que engloba mais de 70 atrações nacionais e internacionais nas áreas de teatro, dança, música, cinema, artes visuais, artemídia e literatura, pretende buscar os elementos do passado que se apresentam na cena contemporânea, seja quando ele está em destaque ou quando surge apenas como pano de fundo de uma produção.
Após dez anos de existência, a mostra deste ano, cujo mote é "Venha Fazer Sentido", quer refletir sobre o passado. Na literatura, a busca principal será pela tradição oral. A base da programação, neste caso, será a poesia falada, principalmente apresentada pelo escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna.
No cinema, os temas serão o cinema mudo contemporâneo, com uma mostra de curtas-metragens do cineasta canadense Guy Maddin, e a produção de filmes em 3D, como A Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog.
Na música, um dos grandes destaques é a reedição do show Jogos de Armar-Faça Você Mesmo, do cantor e compositor Tom Zé, originalmente apresentado há 20 anos.
Já nas artes visuais, a ponte entre a tradição e a contemporaneidade será manifestada por meio da exposição Desobjetos: a Memória das Coisas, com instalações distribuídas pela cidade.
“A Mostra Sesc de Artes é um recorte especial da programação do Sesc, focado dentro de um tempo e espaço específicos, e que tenta priorizar um recorte conceitual único, um guarda-chuva temático, para discutir como esse tema está sendo pensado em todas as linguagens artísticas em que o Sesc atua”, explicou Nilva Costa Luz, coordenadora da Mostra Sesc de Artes 2012.
Neste ano, a mostra também inova ao propor uma programação voltada também para a formação de seu público. Com isso, serão desenvolvidas oficinas culturais, residências artísticas e ações educativas em todas as unidades do Sesc instaladas na capital paulista. Também estão programadas intervenções em espaços públicos, como estações de metrô.
A Mostra Sesc de Artes acontece entre os dias 19 e 29 de julho. Parte da programação é gratuita. A programação completa está disponível no site do Sesc.
Organizadores são ligados a empresa de licenciamento por Gabriela Longman e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo
Organizadores são ligados a empresa de licenciamento
Matéria de Gabriela Longman e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de julho de 2012.
O período de produção e captação de recursos da exposição de Modigliani no Brasil coincide com o da criação da filial brasileira da empresa Modigliani Brand, com sede na Europa. Data de julho de 2011 o início das atividades da empresa, dedicada ao licenciamento de produtos usando a marca Modigliani ou imagens do pintor.
Para sua chegada ao Brasil, a empresa promoveu em outubro do ano passado a inauguração da Casa Modigliani, uma sala dedicada ao pintor dentro de um espaço de eventos particular -o Espaço Singular, na esquina da rua Estados Unidos com a Peixoto Gomide, nos Jardins.
A criação do local coincidiu com a chegada das pinturas de Modigliani ao Brasil (logo antes da exposição em Vitória) e algumas telas do italiano foram levadas até lá para inauguração do evento, documentada na ocasião pelo programa "Amaury Júnior" (www.youtube.com/watch?v=ag4DVv5CnQk).
Hoje, na sala, estão apenas réplicas de algumas obras, além de reproduções de fotos. Cocurador da exposição de Modigliani no Brasil, Olívio Guedes é um dos procuradores da Modigliani Brand, assim como Paulo Solano.
"Eu sou diretor cultural. Eu cuido do desenvolvimento da cultura de Modigliani no Brasil. Esse é o meu cargo. Nós estávamos tentando desenvolver isso, mas até agora não conseguimos."
Segundo ele, nada foi feito ainda com a marca. "Nós não fizemos nada com essa marca. Infelizmente, porque eu teria ganhado dinheiro."
Questionado sobre a questão, Teixeira Coelho, curador do Masp, disse que desconhecia a participação de Guedes na empresa. "Daqui pra frente o museu vai ter que pedir a ficha corrida de todos os sócios de uma empresa para saber se eles estão envolvidos em alguma iniciativa mercadológica? Eu não vou pedir isso. A gente se resguarda através do conhecimento."
Há pouco mais de dez dias, o empresário Marcelo Felmanas, responsável pela 6F decorações, lançou uma linha de louças da fábrica italiana Richard Ginori com motivos de Modigliani. Segundo Guedes, a parceria não passou pela Modigliani Brand do Brasil, apenas pelo Institut Modigliani europeu
Obras da mostra são autênticas, afirma francês, Folha de S. Paulo
Obras da mostra são autênticas, afirma francês
Matéria originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de julho de 2012.
O presidente do Institut Modigliani, Christian Parisot, afirmou que todas as obras que fazem parte da mostra sobre o artista possuem certificados de autenticidade.
"Restellini quer destruir a minha reputação para tentar tomar o 'poder' sobre a obra de Modigliani por meio do Instituto Wildenstein", disse.
Sobre as declarações de especialistas de casas de leilão de que sua credibilidade estaria abalada no meio artístico, Parisot diz que essas empresas são estritamente ligadas ao Wildenstein por "razões comerciais".
Questionado acerca da decisão judicial na França, ele afirma que pagou a multa que devia à Justiça francesa pela condenação de 2008.
"Não há processo posterior, apenas uma investigação sem continuidade", diz.
O Ministério da Cultura afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que desconhece as suspeitas sobre Parisot e que a Cnic, órgão responsável pela análise dos projetos, "não tem o papel de conferir autenticidade de obras de arte".
A pasta disse ainda que, se alguma obra da mostra for falsa, sua consultoria jurídica orientará sobre os procedimentos a serem adotados, já que a Lei Roaunet é omissa quanto a essa questão.
"Se o ato do patrocínio for considerado nulo por conta do estelionato, certamente será exigida a recomposição dos recursos ao erário", disse o ministério, em nota.
Paulo Solano, presidente do Museu a Céu Aberto, proponente do projeto, disse poder "garantir que na exposição do Brasil não entrou nenhuma obra falsa".
"No cenário internacional, há duas pessoas com articulação internacional para reunir obras do Modigliani: o professor Parisot e o Restellini. Nós optamos por ficar com quem tem legalmente os direitos sobre o espólio do artista, que é o Parisot".
Segundo ele, os dois têm uma rixa que "não tem nada a ver com a mostra". Sobre a condenação de Parisot na França, Solano disse desconhecer o teor do processo e que foi informado por Parisot de que o caso está resolvido.
CONVINCENTE
O curador do Masp, Teixeira Coelho, diz que há sinais "convincentes" sobre a pertinência da proposta. "Francamente nunca pensamos em desonestidade", afirma. Para ele, a autenticidade de uma obra é irrelevante para sua apreciação estética.
Um dos curadores da mostra, Olivio Guedes, diz que hoje a verificação da autenticidade das obras é fundamental e admite que a rixa e a condenação de Parisot na França suscitam dúvidas sobre a exposição no Brasil.
"O Parisot recebeu o instituto da filha do Modigliani. Então, quem sou eu agora para questionar, como um delegado, essa procedência? Eu não tenho essa capacitação. Nós fomos lá na sede do instituto em Roma. A pessoa existe e tem currículo."
Já o governo do Espírito Santo, que levou a mostra a Vitória, disse que para "todas as exposições internacionais mostradas no Palácio Anchieta são exigidas os certificados de autenticidade das obras, como [foi] apresentado pelo proponente do projeto".
A diretoria do museu Oscar Niemeyer diz não ter conhecimento de "qualquer problema com relação à mostra". Procurada, a Embaixada da Itália no Brasil, que apoiou a mostra, não respondeu ao contato da Folha.
Exposição de Modigliani tem obra suspeita e curador sob investigação por Gabriela Longman e Matheus Magenta, Folha de S. Paulo
Exposição de Modigliani tem obra suspeita e curador sob investigação
Matéria de Gabriela Longman e Matheus Magenta originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de julho de 2012.
'Grande Figura Nua Deitada' teve sua autenticidade questionada ao ser exposta na Alemanha
Condenado em 2008 por expor obras falsas, Christian Parisot se diz perseguido por rival e por casas de leilão
Um dos eventos mais importantes do Momento ItáliaBrasil, a mostra "Modigliani: Imagens de Uma Vida", em cartaz até amanhã no Masp, exibe uma obra que já teve a autenticidade questionada.
Em 2009, a tela "Grande Figura Nua Deitada - Celine Howard" foi o centro de uma discussão após ser exposta em Bonn, na Alemanha. Analisado, o quadro conteria um pigmento não usado em pinturas da época do artista.
Já a obra "Retrato de Marevna" chegou a ser proposta pelo francês Christian Parisot, um dos curadores da mostra, mas os responsáveis brasileiros a rejeitaram por dúvidas sobre sua autenticidade -em 2011, um colecionador apontou o quadro como falso após exibição no museu Pushkin, na Rússia.
O nome de Parisot está no cerne da polêmica.
Responsável pelo Institut Modigliani Archives Legales - Paris Rome, Parisot foi condenado em 2008 pela Justiça francesa por exibição de falsos desenhos, atribuídos a
Jeanne Hébuterne, mulher do artista italiano Amedeo Modigliani (1884-1920).
Sobre a condenação, Parisot diz que os desenhos passaram por processo errôneo de restauro e que ele pagou a multa estipulada. Atualmente, é investigado em três casos envolvendo falsificação e emissão de certificados indevidos de autenticidade.
"[Parisot] já não tem a confiança do mercado de arte. Se um expert faz exposições, negócios e emite certificados ao mesmo tempo, temos um problema. Isso não é mais aceito", afirmou à Folha Henrik Hanstein, diretor da casa de leilão Lempertz, a mais prestigiada da Alemanha.
"Nenhum grande museu faria uma exposição de Modigliani com Parisot", disse.
Imagens de quatro obras da mostra brasileira foram enviadas à casa de leilões Sotheby's para avaliação.
Em resposta, o vice-presidente de belas-artes, Thomas Denzer, disse com brevidade: "Esses trabalhos não são para a Sotheby's. Espero que isso ajude [sua pesquisa]".
Parisot afirma que as casas de leilão ouvidas pela reportagem são ligadas, por interesse comercial, ao Instituto Wildenstein, que disputa com ele a autoridade sobre a obra de Modigliani.
"Madame, chame a polícia". Assim reagiu Marc Restellini, diretor da Pinacothèque de Paris, importante museu dedicado à arte moderna, ao ser questionado sobre o curador da mostra de Modigliani no Brasil. "Esse homem é um falsário, um criminoso".
Restellini, ligado ao Instituto Wildenstein, e Parisot são inimigos de longa data. A disputa passa pela realização do catálogo "raisonné" (reunião integral das obras que serve a conferir autenticidade a peças) do italiano.
MOSTRA
Com R$ 2,3 milhões captados via Lei Rouanet, a mostra foi trazida ao Brasil pela produtora Museu a Céu Aberto. Já passou pelo Palácio Anchieta, em Vitória, onde foi vista por mais de 36 mil pessoas, pelo Museu de Belas Artes, no Rio, e pelo Masp.
A exposição segue agora para o museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
A curadoria é assinada por Parisot e por Olivio Guedes, diretor cultural do Museu a Céu Aberto e representante em uma empresa de licenciamento de produtos com imagens do pintor (leia abaixo).
Em 2007, a produtora já tinha tentado trazer obras do pintor ao país, mas teve um pedido de captação negado pelo MinC por causa do alto valor (quase R$ 15 milhões).
Segundo Paulo Solano, sócio da produtora, a mostra traria ao Masp obras do acervo de grandes museus do mundo, como a Tate Gallery.
Como plano B, a produtora procurou Parisot já em 2008. Segundo a assessoria da mostra, as pinturas expostas pertencem a colecionadores particulares de quatro países e ao Institut Modigliani.
Próxima Bienal consagra fotografia das coincidências por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Próxima Bienal consagra fotografia das coincidências
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de julho de 2012.
Obras de Hans Eijkelboom e Erica Baum constroem significados a partir de acasos da vida dos artistas
No Paraty em Foco, Peter Funch vai exibir série em que tenta anular noção de tempo, a 'mágica' do dia a dia
Ele para num canto da praça do Patriarca, no centro de São Paulo. Parece ter o olhar perdido no horizonte, mas busca algo na multidão -números nas camisetas, nomes de bandas de rock, bolsas de um tipo ou de outro, estampas floridas, óculos escuros.
Hans Eijkelboom anda pelas cidades como um turista exótico, um loiro, alto, meio aparvalhado, às voltas com o disparador escondido no bolso da calça e a câmera fixada com fita adesiva sob a camisa, só com a lente para fora.
Num café perto dali, ele mostra as imagens que fez sem que ninguém notasse. "Passo um tempo olhando e vejo o que mais aparece, o que mais se repete, o tema do dia", conta Eijkelboom à Folha. "É bom sempre ter um sistema, dar um passeio já com regras para o passeio."
Em São Paulo, Eijkelboom notou que os adolescentes adoram camisetas com nomes de bandas, que muitas mulheres deixam a barriga à mostra e que executivos andam de terno e mochila.
"Estou procurando informação pura, não tento interferir na situação", diz o artista. "Tento dizer algo sobre as pessoas de São Paulo, mas também sobre as de Moscou, Paris, Xangai, Amsterdã."
No fundo, nas centenas de séries que fez nos últimos 20 anos, Eijkelboom tenta compor um retrato da sociedade a partir de suas banalidades.
Em contraponto ao trabalho do holandês, a Bienal de São Paulo vai mostrar retratos clássicos do alemão August Sander, que também focou a gente de seu tempo, fazendeiros, trabalhadores e mulheres no começo do século 20 -uma sociedade de personagens arquetípicos, fotografados sempre de frente e de forma um tanto crua.
"Na obra de Sander, existe essa autoridade, as pessoas presas ao trabalho e ao esforço", opina Eijkelboom. "Agora as pessoas tentam encontrar seu próprio lugar no mundo, é a diferença entre dois sistemas de sociedade."
POESIA ENCONTRADA
Outra fotógrafa escalada para a Bienal, a norte-americana Erica Baum, também sai em busca de sistemas e conjuntos de acasos em sua obra.
"Estudei antropologia, então me interesso por esses sistemas", diz Baum. "Busco algo entre a linguagem direta e uma referência externa, um tipo de poesia encontrada."
Baum começou fotografando os traços que ficavam na lousa depois de apagada, no momento entre uma aula e outra, como se tentasse congelar uma memória fugidia.
Depois, quando as bibliotecas começaram a aposentar suas fichas catalográficas, ela fotografou esses cartões, montando frases com palavras soltas datilografadas.
Ela justapõe, por exemplo, os termos "horrível" e "silêncio", mostra lado a lado as locuções "gestos úteis" e "gestos inúteis", ou "machado", "pés" e "figuras nuas".
"É uma nova sensibilidade que parte de algo que você ignora", diz Baum. "Isso dá um caráter documental a essa passagem do tempo, do fim das máquinas de escrever."
Peter Funch, do próximo Paraty em Foco, também vê elementos "belos" e "mágicos" nos acasos do cotidiano. Mas ao contrário de Baum e Eijkelboom, quer anular a noção de tempo em sua obra.
"Fotografia não é mais só uma imagem, quero uma fotografia que não tenha uma linha do tempo, um panorama quase cinematográfico", descreve Funch. "Imagens viraram circunstâncias e precisamos entender como são construídas."
