Página inicial

Como atiçar a brasa

 


julho 2021
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Pesquise em
Como atiçar a brasa:
Arquivos:
junho 2021
abril 2021
março 2021
dezembro 2020
outubro 2020
setembro 2020
julho 2020
junho 2020
maio 2020
abril 2020
março 2020
fevereiro 2020
janeiro 2020
novembro 2019
outubro 2019
setembro 2019
agosto 2019
julho 2019
junho 2019
maio 2019
abril 2019
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
janeiro 2012
dezembro 2011
novembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
março 2011
fevereiro 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
agosto 2010
julho 2010
junho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
fevereiro 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
outubro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
julho 2004
junho 2004
maio 2004
As últimas:
 

junho 22, 2012

Mulheres de fases por Nina Gazire, Istoé

Mulheres de fases

Matéria de Nina Gazire originalmente publicada na seção de artes visuais da Istoé em 15 de junho de 2012

Quinze trabalhos escolhidos pelo próprio artista Miguel Rio Branco revelam como o feminino foi representado ao longo de sua carreira de mais de quatro décadas

Miguel Rio Branco - La Mécanique des Femmes, Galeria Silvia Cintra + Box 4, Rio de Janeiro, RJ - 01/06/2012 a 29/06/2012

Miguel Rio Branco começou sua carreira como pintor nos anos 1960, mas foi quando passou a usar a fotografia como meio de expressão que se tornou um artista conhecido. Já nos primeiros anos – e favorecido pelo ambiente de renovação nas artes visuais, que passou a aceitar plenamente a imagem fotográfica além do simples registro –, Rio Branco se tornou um dos pioneiros no Brasil a transgredir as fronteiras entre o ato documental da câmera e a expressão poética de quem foca a objetiva. Graças a essa ênfase no olhar pessoal como o primeiro mediador do gesto fotográfico, o artista recebeu prêmios de destaque como o Prêmio Kodak de la Critique Photographique, de 1982, na França, e suas obras figuraram nos mais importantes museus do mundo.

Uma de suas produções mais celebradas são as imagens de prostitutas da então decadente área do Pelourinho, em Salvador. Essa série começou a ser feita em 1979 e, nessa mesma época, ele realizou filmes e fotos que poderiam, respectivamente, ser mostrados em telejornais ou estampar jornais e revistas – mas transcendiam o registro imediato. “A minha fotografia encerra muito mais uma questão subjetiva que objetiva”, disse Rio Branco à ISTOÉ. A par dos lugares e circunstâncias, ele fotografou incidentalmente – ou propositalmente – mulheres nas mais diferentes situações. Foi revisitando esse material produzido durante três décadas que o artista decidiu fazer seu próprio recorte buscando uma poética do feminino em imagens de contextos e épocas distintas. Os 15 trabalhos escolhidos para a mostra “La Mécanique des Femmes” trazem assim, uma articulação de diferentes visões sobre o tema ao longo de sua carreira. “A exposição se faz a partir da edição e da construção do olhar. Imagens produzidas 20 ou 30 anos atrás e em condições diversas ganham uma nova dinâmica ao serem colocadas juntas”, afirma.

Nesse contexto, Rio Branco identificou em sua obra desde a tradição pictórica ocidental dos nus femininos até questões sociais como a subserviência da mulher. “Maria” é o trabalho mais recente. Realizado em 2011, mostra o torso da atriz Mariana Ximenes, que posou nua pela primeira vez em sua carreira. Nas três imagens, ela realiza posições contorcionistas que dão ao corpo um caráter escultórico. Já em “Ophelia”, de 1976, Rio Branco dá a sua versão para a personagem shakespeariana da tragédia “Hamlet” cujo suicídio em um rio foi retratado à exaustão ao longo da história da pintura. Completamente distinto é o díptico “Casamento Cigano”, que retrata detalhes de uma boda cigana. A imagem é mais que o registro de uma cerimônia étnica: o gestual do casal termina por desnudar uma ação universal de dominação do homem sobre a mulher. “Na cerimônia, a mulher está completamente entregue ao domínio do marido. É uma situação de submissão”, diz o artista.

A origem da atual exposição se deu com a observação das relações de gênero hoje. Para Rio Branco, nas novas configurações da atualidade as fronteiras entre masculino e feminino revelam-se cada vez mais sublimadas. “A mostra é um começo de uma série, um pedacinho de um trabalho que vai ser desenvolvido de forma mais interessante no futuro”, revela o artista, que evidencia também as suas próprias mudanças de foco em relação à representação da mulher em seu ato fotográfico.

Posted by Marília Sales at 10:58 AM

'Johns está à margem do pop', diz curador por Silas Martí, Folha de S. Paulo

'Johns está à margem do pop', diz curador

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada no jornal Folha de S. Paulo em 19 de junho de 2012.

Exposição relaciona obra do americano a virtuosismo cromático de Cézanne e irreverência de Marcel Duchamp

Instituto Tomie Ohtake abre hoje mostra com gravuras do artista; pinturas não vêm ao país por causa de custos

Jasper Johns - Pares, trios e álbuns, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP - 20/06/2012 a 26/08/2012

Jasper Johns, mesmo que não queira, é tido como o pai da arte pop, precursor de Andy Warhol e Roy Lichtenstein. Ele é também o último sobrevivente dessa geração -aos 82, segue trabalhando.

Tudo começou num surto. Depois de destruir, insatisfeito, as primeiras obras que fez, sonhou que pintava uma bandeira norte-americana.

Contou o sonho a Robert Rauschenberg, artista que morava no andar abaixo do seu em Nova York. Johns, aliás, foi descoberto no dia em que o galerista de Rauschenberg, então já conhecido, esteve no prédio e soube que ali morava o jovem artista que estreou com a pintura de um alvo verde numa exposição.

Era 1954, e Warhol ainda não havia imortalizado suas latas de sopa Campbell's.

Mas o recorte da obra de Johns na mostra que começa hoje no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, vai mais fundo que a ligação do artista com o movimento pop.

"Ele está à margem do pop", diz Bill Goldston, curador da mostra. "Você reconhece as imagens que ele pinta, mas ele não quer mostrar isso como imagem pop, e sim como uma imagem pura. São objetos fáceis, que ele usa como um pretexto para pintar."

No caso, Goldston aproxima a obra de Johns do virtuosismo cromático do francês Paul Cézanne e da irreverência de Marcel Duchamp, distanciando sua obra do embate com expressionistas abstratos então em voga e da arte pop que viria a surgir.

Na mostra paulistana, é difícil julgar o talento de Johns como pintor, já que só gravuras do artista foram trazidas ao país -segundo os organizadores, seria caro demais transportar suas pinturas.

Mas o repertório visual é o mesmo. Estão lá suas bandeiras, seus alvos e experimentos em colagem e fotografia.

Da mesma forma que Duchamp, Johns deslocou objetos banais da vida para a esfera da arte. Em vez do urinol, bandeiras e mapas dos EUA. Também se interessou, à maneira de Cézanne, pela construção minuciosa das cores em cada detalhe das obras.

"É como uma sinfonia", compara Goldston. "São milhares de notas para compor um som compreensível, como seus traços na pedra, recortes de papel e pinceladas precisas servem para recriar símbolos reconhecíveis."

Posted by Marília Sales at 10:21 AM

junho 21, 2012

Carta ao Ministério da Cultura e ao CNPC pela manutenção do Colegiado de Audiovisual

Carta ao Ministério da Cultura e ao CNPC - Conselho Nacional de Política Cultural

Car@s,

As entidades do audiovisual brasileiro e pessoas abaixo assinadas, representadas no Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) por Luiz Alberto Cassol (titular) e Guigo Pádua (suplente), reafirmam a certeza no que foi acolhido, votado e deferido pela maioria do Pleno do referido Conselho na criação e manutenção do Colegiado do Audiovisual, representando a sociedade civil, conforme defendido dezenas de vezes em listas de debates sobre o audiovisual de forma franca, aberta e libertária.

Todas as entidades e pessoas físicas signatárias do abaixo assinado são contra quaisquer escolhas que contrariem as decisões do pleno do Conselho Nacional de Políticas Culturais, pois entendem que o desrespeito a esta instância fere os princípios democráticos e republicanos, princípios estes, que tem marcado as últimas gestões do Ministério da Cultura.

Nossos representantes, Luiz Alberto Cassol e Guigo Pádua, foram informados que as decisões do pleno seriam mantidas. Toda a informação contrária deveria ser feita de forma pública.

Portanto, temos certeza na criação e manutenção do Colegiado do Audiovisual, integrado por pessoas eleitas diretamente pela sociedade civil.

Isso posto, é fundamental dizer que qualquer ato contrário demonstra total desrespeito com tod@s aquel@s que trabalham no e pelo audiovisual.

Qualquer mensagem trocada ao contrário disso deve se tornar pública.

Assim, defendemos a sociedade civil tendo a legítima representação dentro do CNPC. Conquista histórica que o MinC certamente não irá se posicionar de forma contrária.

Somos abertos ao debate e refratários a qualquer forma de imposição que negue o que foi votado no Pleno do Conselho Nacional de Políticas Culturais, em data e horário, fixados para isso.

Cordialmente, abaixo assinamos.

Entidades Nacionais:
- ABD Nacional - Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas
- CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
- CPCB – Centro dos Pesquisadores do Cinema Brasileiro
- Observatório Cineclubista Brasileiro

Entidades Internacionais:
- FICC - Federação Internacional de Cineclubes
- Grupo Iberoamericano da FICC

Entidades Regionais, Estaduais e Municipais:
- ABCV/DF
- ABCV-ABD-BA
- ABD-Acre
- ABdec/AP
- ABDeC-RR
- ABD-PB
- ABD-RN
- ACCV/ABD–CE
- ACVMS
- AMAV/ABD-MT
- APTC/ABD-RS
- APROCINE - Associação dos Produtores e Realizadores de Longa Metragem de Brasília (DF)
- CECAL Cineclube (SC)
- Cine Dona Chica (SC)
- Cine Ói e Ôiça de Audiovisual - Fundação Tocaia Altamira – (PA)
- CineolhO (RJ)
- Cinemateca Catarinense/ ABD-SC
- Cine Nelson Maleiro - Saubara (BA)
- Cine + Alto do Moura – Caruaru (PE)
- Cineclube Abelin Nas Nuvens – Silveira Martins (RS)
- Cineclube Amazonas Douro (PA)
- Cineclube Apôitchá - Lucena (PB)
- Cineclube Ariano Suassuna – Joca Claudino (PB)
- Cineclube Armação (SC)
- Cine Club Art Total – Ponto de Cultura Art Total - APP da Escola Jardim das Pedras - Ariquemes (RO)
- Cineclube Atlântico Negro (RJ)
- Cineclube Badaró – Guaçuí (ES)
- Cine Clube Baré (AM)
- Cineclube Beco do Rato (RJ)
- Cineclube Casa do Professor (PA)
- Cineclube Cinemando na Amazônia (AP)
- Cineclube Cearazinho (CE)
- Cineclube Cidadania - Recife (PE)
- Cineclube Cine Exílio – Recife (PE)
- Cineclube Cinema nos Bairros – Lins (SP)
- Cineclube Cultura Jorge Comassetto - Rio Pardo (RS)
- Cineclube ECO (ES)
- Cineclube Guadala – Vila Velha (ES)
- Cine Guará (PR)
- Cinelcube Independente – Caçador (SC)
- Cineclube da Irmandade – Ananindeua (PA)

- Cineclube Ieda Beck (SC)
- Cineclube Independente - Caçador (SC)
- Cineclube Kalu (MA)
- Cineclube Guarumã - Colares (PA)
- Cineclube Laguna (SC)
- Cineclube Lanterninha Aurélio – Santa Maria (RS)
- Cineclube Maria Sena (MG)
- CineClube Mocamba – Itabuna (BA)
- Cineclube Mossoró (RN)
- Cineclube Nangetu – Belém (PA)

- Cineclube Orlando Vieira – Aracaju (SE)
- Cineclube Santa Rosa - Santa Rosa (RS)
- Cineclube SMVC – Santa Maria (RS)
- Cineclube Vagalume – Caçapava do Sul (RS)
- Coletivo Resistência Marajoara (PA)
- COMOV - Comunidade em Movimento da Grande Fortaleza (CE)
- Curta Minas/ABD-MG
- Curta-SE
- Difusão Cineclube
- Espaço Cultural Coisa de Negro, Belém (PA)
- Estação Cinema – Associação dos Profissionais de Cinema de Santa Maria (RS)
- Federação Catarinense de Cineclubes - Fecacine (SC)
- Federação de Cineclubes do RS (FECIRS)
- Federação Pernambucana de Cineclubes – FEPEC (PE)
- Festival Santa Maria Vídeo e Cinema – Santa Maria (RS)
- Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social, Belém (PA)
- OCA - Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica – Itabuna (BA)
- PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes (PA)
- Ponto de Cultura Cinema de Animação - Pontão de Cultura Cine Anima (PE)
- Qualquer Coletivo - Laboratório de Performance e quaisquer outras coisas – Belém (PA)
- Rede de Cineclubes nos Terreiros da Zona Metropolitana de Belém (PA)
- Rede [aparelho]-: Belém (PA)
- Sintracine - Sindicato dos Trabalhadores da Industria Cinematográfica e do Audiovisual de SC
- Tela Tudo Clube de Cinema – Maceió (AL)
- Tintin Cineclube – João Pessoa (PB)
- União de Cineclubes da Bahia (UCCBA) (BA)

Pessoas Físicas
- Ademir Henriques - Cineclubista (RS)
- Adriane Gama - Bióloga, Cineclubista e Ativista em Cultura Digital e Software Livre Santarém (PA)
- Afonso Gallindo - Documentarista (PA)
- Alessandra Sousa - Monitora do Pontão de Cultura Digital do Tapajós, Cineclubista e Ativista em Software livre - Santarém (PA)
- Ana Cláudia Vasconcelos - Jornalista Cultural e Cineclubista
- André Sandino Costa – Cineclubista (RJ)
- Anna Claudia Hampf – Cineclubista – Recife (PE)
- Antônio Claudino de Jesus - Cineclubista - Presidente da FICC (ES)
- Aquiles Ferreira dos Santos – Cineclubista – Fortaleza (CE)
- Arthur dos Santos - Cineclubista (RS)
- Arthur Leandro - Artista, Professor Universitário e Cineclubista - Ananindeua(PA)
- Beto Rodrigues – Produtor / Produtor Executivo (RS)
- Bruna Suelem, Professora de filosofia, Ativista e Cineclubista – Colares (PA)
- Bruno Emilio Moraes - Cineclubista (RS)- Carlos Augusto Brandão - Conselheiro do Congresso Brasileiro de Cinema - CBC
- Carol Marins - Produtora Audiovisual (SC)
- Caroline Petrin da Rosa - Cineclubista (RS)
- Carla Francine - Produtora e Jornalista (PE)
- Carlos Edielson Rodrigues - Professor, Cineclubista e Ativista em Software Livre – Santarém (PA)
- Carollini Assis - Roteirista - Salvador (BA)
- Catia Cilene Morais Dutra - Cineclubista (RS)
- Cláudio Chaves Lavôr - Realizador Audiovisual, Produtor Musical, Presidente ABD&C Roraima (2012/2014), Diretor Biosphere Records (RR)
- Cláudio Lyrio – Cineclubista – Itabuna (BA)
- Claudio de Oliveira Souto – Cineclubista (RS)
- Clementino Junior - Cineasta, Cineclubista e Professor (RJ)
- Clever dos Santos - Sonoplasta, Carimbozeiro e Cineclubista – Belém (PA)
- Dani Franco - Jornalista e Produtora Audiovisual - Filiada a ABDeC-Pa (PA)
- Dariane Labres – Cineclubista (RS)
- Darlan Freitas - Cineclubista (RS)
- Demian Menegaes - - Cineclubista (RS)
- Dennie Fabrizio - Coletivo Puraqué, Matemático, Ativista em Software Livre - Santarém (PA)
- Edina Fujii - Tesoureira do Congresso Brasileiro de Cinema - CBC – UNINFRA
- Eduardo da Silva Schneider - Cineclubista (RS)
- Eunice Gutman – Cineasta (RJ)
- Everton Cassiano da Silveira - Cineclubista (RS)
- Francieli Rebelatto – Realizadora Audiovisual (RS)
- Francisco Weyl - Carpinteiro de Poesia (PA)
- Fernando de Pádua - Professor, Artista, Cineclubista e Engenheiro de Bike – Colares (PA)
- Gê Carvalho – Cineclubista e Presidente da Federação Pernambucana de Cineclubes – FEPEC (PE)
- Geraldo Moraes – Cineasta (BA)
- Geraldo Veloso - Cineasta (MG)
- Gian Filipe Rodrigues Orsini - Realizador Audiovisual e Cineclubista (PB)
- Gilvan Dockhorn – Cineclubista (RS)
- Giovanni Rodrigues - Cineclubista e Professor Universitário – UERN (RN)
- Giseli Vasconcelos - Artista multimidia, Agitadora Cultural e Cineclubista – Belém (PA)
- Gizely Cesconetto – Cineclubista (SC)
- Gleidson Carréra - Arte-educador, Carimbozeiro e Cineclubista – Belém (PA)
- Graziele Ferreira - Gestora e Produtora Cultural e Cineclubista – Aracaju (SE)
- Guigo Pádua - Suplente do Audiovisual no CNPC – Realizador e Produtor (MG)
- Helen Psaros – Cineclubista (PR)
- Hilda Bairros - Cineclubista (RS)
- Holmes Wilson Ativista e Desenvolvedor de Web - Worcester/MA (EUA)
- Ícaro Gaya - Bailarino, Ator e Realizador Audiovisual – Belém (PA)
- Isabela de Fátima do Lago Vieira - Professora de Arte, Artista Visual e Cineclubista – Belém (PA)
- Isidoro Cruz Neto – Professor Universitário e Cineclubista (MA)
- Jader Gama - Coletivo Puraqué, Tecnólogo, Cineclubista e Ativista em Cultura Digital e Software Livre - Santarém (PA)
- João Batista de Andrade – Cineasta (SP)
- Jorge Conceição – Cineclubista (BA)
- Jose Luiz Fernandes - Cinegrafista, Diretor Cultural e Cineclubista – Lins (SP)
- Juliana Duarte - Cineclubista (RS)
- Juliane Fossatti – Produtora e Cineclubista (RS)
- Kátia Quaresma - Professora de Laboratório de Informática Educativa, Cineclubista - Santarém (PA)
- Kelly Giacobe - Cineclubista (RS)
- Larissa Bassi - Cineclubista (RS)
- Leandro Araújo - Ator e Cineclubista - Santarém (PA)
- Liuba de Medeiros - Psicóloga e Cineclubista - João Pessoa (PB)
- Lucas Gouvêa - Artista e Auto-Crítico de Arte – Belém (PA)
- Luciano Guimarães – Cineclubista (ES)
- Luciano Moucks – Cineasta (RS)
- Lucas Gomes - Cineclubista (RS)
- Luiz Alberto Cassol - Titular do Audiovisual no CNPC - Cineclubista e Realizador (RS)
- Luíz Albuquerque - Carimbozeiro e Historiador – Belém (PA)
- Luiz Carlos Lacerda - Cineasta (RJ)
- Lula Gonzaga – Cineasta de Animação (PE)
- Manfredo Caldas – Documentarista (DF)
- Marcelo Laffitte – Cineasta (RJ)
- Mariana Gomes de Andrade - Cineclubista (RS)
- Marlene Correia Nakayama - Coordenadora do Cine Club Art Total, Cineclubista – Ariquemes (RO)
- Mateus Moura - Cineclubista e Diretor da PARACINE - Belém (PA)
- Maurice Capovilla – Cineasta (RJ)
- Mauro Lira - Cineclubista e Produtora (PE)
- Milena Evangelista - Produtora e Jornalista (PE)
- Myrna Silveira Brandão - Presidente do CPCB – Centro dos Pesquisadores do Cinema Brasileiro
- Nataska Conrado Veiga Braga - Cineclubista – Maceió (AL)
- Ney Lima - Músico, Carimbozeiro, Artesão e Cineclubista – Belém (PA)
- Nicole Bartmer Alves - Cineclubista (RS)
- Oneide Monteiro Rodrigues (Mametu Nangetu) - Sacerdotiza e cineclubista – Belém (PA)
- Patricia Canetti - Conselheira Titular de Arte Digital do CNPC (SP)
- Patrícia Simonely Costa - Cine Ói e Ôiça de Audiovisual - Fundação Tocaia Altamira – (PA)
- Pedro Lazzarini – Diretor de Fotografia - Presidente Sindicine (SP)
- Renata do Rosário Lira - Cineclubista - Ananindeua (PA)
- Renata Fumagalli - Cineclubista (RS)
- Renato Silveira da Rosa - Cineclubista (RS)
- Reno Caramori Filho – Cineclubista (SC)
- Romário Alves - Costureiro e Transformista – Belém (PA)
- Rosangela Rocha – Produtora e cineclubista – (SE)
- Rosemberg Cariry - Cineasta (CE)
- Sáskia Sá – Cineasta e Cineclubista (ES)
- Sebastião Maximiano Corrêa Genelhú – Cineclubista (MG)
- Sergio Bairros - Cineclubista (RS)
- Sérgio Onofre Seixas de Araújo – Professor da Universidade Federal de Alagoas - Projeto Cineclube Cine Artpopular (AL)
- Shirley Hunter - Cineclubista e Produtora (PE)
- Silvio Da-Rin- Cineasta (RJ)
- Simone Norberto – Cineclubista – Cineclube OCA (RO)
- Sofia Mafalda – Cineclubista (SC)
- Solange Lima - Produtora (BA)
- Télcio Brezolin – Cineclubista (RS)
- Tetê Moraes – Cineasta (RJ)
- Vera Leal - Cineclubista (RS)
- Victor Cayo - Cineclubista , Jornalista e Fotografo (PB)
- Yanara Galvão - Coordenação Geral Cine + Alto do Moura – Caruaru /PE / 2ª Secretária Federação Pernambucana de Cineclubes – FEPEC (PE)

Posted by Patricia Canetti at 12:00 PM | Comentários (1)

Três exposições colorem São Paulo, Destak

Três exposições colorem São Paulo

Matéria originalmente publicada no jornal Destak em 19 de junho de 2012.

Jasper Johns e os artistas plásticos Loro Verz e Debora Muszkat inauguram suas mostras hoje

A partir de hoje, São Paulo ganha novas cores com três exposições gratuitas de artistas de diferentes épocas, que usam diversos suportes e manifestam representações artísticas cada um à sua maneira.

O destaque é a mostra de um dos grandes artistas da pop art, o americano Jasper Johns. Nascido em 1930, ele protagonizou a derrocada do expressionismo abstrato nos EUA e o nascimento de uma arte totalmente inusitada.

Johns tem cerca de 70 peças expostas no Instituto Tomie Ohtake. O objetivo é traçar um panorama de sua carreira, revelando experiências com a litogravura e a serigrafia em objetos "banais", como bandeiras e mapas.

Artes plásticas O singular uso da madeira por Loro Verz é tema da exposição "Ralo Central". O artista plástico apresenta, na galeria Urban Arts, obras em que utiliza diversos suportes, de telas pintadas a óleo a neons.

"A proposta é que o público possa conferir um olhar novo e contemporâneo sobre a inusitada e agitada energia que emana da região central de São Paulo", explica Verz.

Já a artista plástica Debora Muszkat elabora uma casa inédita, trabalhada em vidro reciclado e ferro, na mostra "Através do Vidro". A ideia é permitir uma interação com o público e relacionar a técnica moderna ao meio ambiente, explorando um jogo de luzes e reflexos.

Posted by Marília Sales at 11:43 AM

Exposição em SP reúne 70 gravuras de Jasper Johns por Agência Estado, Veja

Exposição em SP reúne 70 gravuras de Jasper Johns

Matéria da Agência Estado originalmente publicada na Veja em 18 de junho de 2012.

São Paulo - Acossado pela filosofia de Wittgenstein, o pintor e gravador norte-americano Jasper Johns emergiu na cena norte-americana no fim dos anos 1950 como uma voz dissonante, que não acreditava na anárquica liberdade gestual dos expressionistas abstratos, mas na lógica matemática. Tampouco se identificava com os representantes da então nascente pop art, apesar de ser frequentemente classificado como um dos expoentes do movimento. Irreverente ele sempre foi, mas não cínico como Andy Warhol. Entre os 30 pintores vivos mais caros do mundo, Johns nunca teve uma exposição à altura de sua importância no Brasil. "Pares, Trios e Álbuns", que o Instituto Tomie Ohtake abre nesta terça-feira, introduz finalmente o trabalho de Johns ao público brasileiro, apresentando 70 gravuras concebidas de 1960 em diante, inclusive sua primeira experiência na técnica.

Na época, o pintor começava a ser notado pelo mercado, após fazer sua primeira exposição individual, em 1958, na galeria de Leo Castelli, marchand que bancou toda a geração da arte pop. E foi incentivado por Tatyana Grosman (1904-1982) que ele produziu sua primeira série de litografias. Filha de um tipógrafo siberiano, que emigrou para os EUA na época da guerra, Tatyana fundou, em 1957, uma oficina de gravura que logo se transformou na Meca dos artistas americanos da geração de Jasper Johns. No começo, era apenas uma oficina na garagem de sua casa, em West Islip, Long Island, a uma hora de Nova York, mas cresceu e virou a Universal Limited Art Edition (Ulae), especializada na edição de obras de arte, que organizou a mostra, patrocinada pelo Deutsche Bank.

Bill Goldston, amigo de Jasper Johns e curador da mostra, conta que escolheu justamente a primeira série de litografias do artista para abrir sua exposição porque ela sintetiza como nenhuma outra sua filosofia, que, como se disse, é marcada por Wittgenstein. Se o pensador austríaco havia inventado uma teoria pictórica do significado, tentando provar que é possível representar o mundo por meio da linguagem, por que um pintor não poderia fazer uso desse conceito na arte? Obcecado pela precisão matemática, ele desenvolveu séries em pares e trios. A de 1960, que fez para Tatyana Grosman, começa com um grande número zero e vai até o nove. "Ele modificou a pedra inaugural e conseguiu fazer três edições, uma com os dígitos em preto, outra em cinza e ainda uma terceira em cores", explica Goldston.

Johns, que, aos 82 anos, vive sozinho em sua casa, em Connecticut, não parou de experimentar combinações matemáticas - pares e trios - desde então. Um pode funcionar na vida real, mas dois parece um número melhor. Goldston revela que, além de se alimentar dos vegetais que produz na horta de sua casa, onde cultiva um belo jardim, o artista continua a pintar telas gigantescas e a produzir gravuras, muitas delas adotando essas pinturas como referência. "Ele foi o primeiro artista americano a usar a impressão offset para produzir gravuras em 1971", lembra o curador. O marco zero dessa técnica é uma obra que ele classifica entre as melhores, "Decoy" (Armadilha). Johns usou nela uma chapa fotográfica das provas rejeitadas em dois álbuns de águas-fortes, usando uma ferramenta para criar um orifício, que o artista explicou se tratar de uma "saída".

A exposição "Pares, Trios e Álbuns" atesta a honestidade intelectual de Johns e, em particular, sua criatividade. Infelizmente, parte do trabalho que fez em colaboração com outros artistas, músicos e literatos, não coube na mostra. Teria sido uma boa oportunidade para ver "Fizzles", série de gravuras em que dialoga com a densa obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Posted by Marília Sales at 11:25 AM

Para além do visível... Por Ana Cecília Soares no Scribd

Para além do visível...

Texto de Ana Cecília Soares originalmente publicado em junho de 2012

Bem ali, na minha frente, os dois envolvidos em silêncio iniciavam afluidificação de seus corpos e mentes. Um processo germinal tracejado pelaconfabulação entre performance artística e referências às práticas ritualísticasancestrais

Entremeados por olhares e gestos, eles alteravam a lógica do dito tempo real,conduzindo-nos a uma realidade de sentido cosmológico. Justapondo econfundido eus, excursionando sensibilidades e desconstruindo a nossacapacidade perceptiva de conceber aquele espaço presente.Enquanto ele a adornava com fitas e arava seus pés com terra molhada, batidae encalcada por um dançar próprio de mãos e cabeça, semelhante a um rito depurificação. De outro lado, ela vivia um estado de metamorfose. Parecia umaárvore de raízes largas e flutuantes, algo como uma entidade da natureza. Seusorriso se diluía em sons de chocalhos arrastados pelo corpo em transe.

Essas foram algumas das sensações que tive e, agora, compartilho aovivenciar, como espectadora, a performance, realizada no dia 22 de março, no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza. O trabalho, que teve, na ocasião, a presença da artista visualcearense Sabyne Cavalcanti, faz parte do projeto Perpendicular, idealizadopelo performer e pesquisador Wagner Rossi.De acordo com ele, a ideia planejada antes de chegar a Fortaleza, foi a deconstruir uma aproximação com outros artistas locais por meio de encontrosritualísticos/performáticos, questionando ou propondo um olhar diferenciadopara o que habitualmente chamamos de curador.

“Sou um artista que dialoga com conceitos em arte, e me designar curador desse encontro é uma forma de questionar o que é realmente a função desse ENTE na arte institucionalizada. Qual sua força? Por que o artista necessitadele? Como isso mantém um sistema hierárquico e formatado de arte emercado?”, indaga-se.

É interessante observar a relação que o artista desenvolve entre os termoscurador e curandoria. Etimologicamente, curador vem do latim tutor: aquele quetem uma administração a seu cuidado. Mais do que identificar talentos, saber fazer boas análises, o curador é quem dá sentido a exposição. Situando umalinha de raciocínio entre a poética artística e o nível de compreensão dopúblico. Não tão diferente, o neologismo curandoria nos remete aos conceitos decuidado, zelo e cura. Portanto, ambas as situações implicam num certo sentidode proteção ou acompanhamento referente a algo ou a alguém. Apropriando-sedesses universos, Rossi cria a sua chamada curandoria, onde as imagens docurador e curandeiro se fundem. E o processo curatorial se transforma em umaespécie de ritual mágico.

A partir desse contexto, em consideração a natureza de sua obra, que é a deinteragir energias e ampliar as consciências individual e grupal, Rossi trabalhauma ação de curandoriacom os artistas do encontro. Em cada uma, ele parti de um ponto de convergência, encontro e unicidade que nomeou de PontoCaos/Ponto Origem ou Ponto Pulsão. Em, este “local” consistiu em um desenhogeométrico produzido com fita adesiva fixada no chão. Além disso, o artistabuscou agregar na formulação do trabalho, objetos próximos do universoindígena e da tradição folclórica nordestina: fitas, batata doce, fumo de rolo e aprópria argila, que é um dos principais materiais usado no trabalho da Sabyne. A ação foi pensada especialmente para a artista. E não se tratando de umaperformer, sua postura seria a de receptora. Experimentar a transformação deenergia através dos movimentos de Rossi. Os dois juntos, cada qual com suafunção dentro daquele universo, provocaram aos que ali permaneciaobservando, uma espécie de deslocamento sensorial e estético, instaurandouma relação temporal/espacial desligada de seu caráter comum. A performance, nos propõe demarcar novossentidos. Convertendo o atemporal e o instante fugaz, a um momento do tempopresente. Tornando os corpos dos artistas como focos refletores de novasexperiências. Instrumentos que se pretende afirmar como força viva,possibilidade criativa, ruptura com o que é determinado e esperado.Dessa maneira, contribuindo para a criação de rituais de contato com o própriocorpo e com aquilo que o cerca, dilatando a experiência de percepção doespaço e do tempo. Um processo mágico de aguçar sensibilidades e permitir oolhar ao aparentemente invisível. “O corpo como acontecimento”, diria Wagner Rossi...Tudo isso, bem ali, na minha frente...

Posted by Marília Sales at 9:49 AM

junho 20, 2012

Curadora inglesa identifica diferencial orgânico na arte do Recife por Júlio Cavani, Diário de Pernambuco

Curadora inglesa identifica diferencial orgânico na arte do Recife

Matéria de Júlio Cavani originalmente publicada no Viver do jornal Diário de Pernambuco em 15 de junho de 2012.

Exposição de Daniel Santiago, em cartaz no Mamam, tem curadoria de Cristiana Tejo e Zanna Gilbert, que comenta a experiência em entrevista

Daniel Santiago - De que é que eu tenho medo?, Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães - MAMAM, Recife, PE - 15/05/2012 a 08/07/2012

Está em cartaz no Recife, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), a exposição Do que É que Eu Tenho Medo, retrospectiva panorâmica da obra do artista plástico Daniel Santiago. A mostra tem curadoria da pesquisadora pernambucana Cristiana Tejo em dupla com a inglesa Zanna Gilbert.

A exposição transmite o sentimento de liberdade expressado pelas ideias visuais de Daniel Santiago. Uma das obras, por exemplo, é uma instalação que deve ser penetrada pelo público com óculos 3D.

"O que para mim é muito profundo no trabalho de Daniel é que ele resiste à categorização, como se fosse uma borboleta, ora aqui, ora ali, que é uma provocação a continuar pensando", aponta Zanna Gilbert. A curadora trabalha na Universidade de Essex, na Inglaterra, onde acaba de inaugurar uma exposição sobre elementos de subversão inseridos nas peças gráficas das Olimpíadas do México de 1968. A arte correio, movimento que foi bastante forte no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980, foi um dos temas que a trouxe ao Recife. Trabalhos artísticos postais, inclusive, devem fazer parte de uma sala especial, na galeria Tate Modern, que Zanna deverá ajudar a montar.

LEIA ENTREVISTA COM ZANNA GILBERT:

Como medir a importância internacional de artistas pernambucanos como Daniel Santiago?

É impossível medir a arte! Para mim, a experiência e entendimento que um artista como Daniel Santiago pode trazer às pessoas é muito importante. É inquantificável-singular-irrepetível porque deriva de seu jeito idiossincratico de ver o mundo. Se é assim único, deve ser muito importante! Ele combina performance, literatura, teatro e uma prática experimental que é incomparavel e que contribui a um discurso da arte dos anos 70 em diante.

Você acha que alguns dos trabalhos mostrados na exposição de Daniel Santiago se referem a uma época do passado ou todos também têm efeito sobre a sociedade atual?

Daniel é um artista com um espirito muito vivo e ainda muito ligado ao mundo contemporâneo. A exposição conta com trabalhos atuais como o filme da performance O Velho Ernest Hemingway e o Mar do Recife, feito com Tião e Marcelo Lordello em abril deste ano. A performance consiste no artista vestido elegantemente com terno, gravata e chapéu dando um passeio pela praia de Boa Viagem. Aos poucos caminha para a água e começa a adentrá-la até desaparecer no mar. Outro trabalho realizado especialmente para a exposição é Na Floresta do Alheamento de Fernando Pessoa, executado em colaboração com Eduardo Souza. É uma “floresta” construída com centenas de fitas de voal branco suspensas e iluminadas por lâmpadas azuis e vermelhas. Os visitantes são convidados a entrar usando óculos 3D, que provocam um deslocamento de percepção e um sentimento de estar perdido quando a floresta é penetrada. Os trabalhos de Daniel, seja os mais antigos ou os mais novos, tratam de assuntos persistentes como questões existencias, o assunto de nacionalidade, o meio ambiente, a percepção e a liberdade. Em Poesia Classificada de 1977, por exemplo, ele ativa uma poesia de contemplação que é muito intimo, colocando isso nos classificados do jornal. O texto diz: “Interessa a alguém que numa madrugada de chuva eu fiquei olhando os pingos grossos pela janela da cozinha...e que eu estava com frio de cueca e pé no chão”. Esta poesia nao tem época - é sempre pertinente!

Pra você, qual é o principal tema da arte de Daniel Santiago?
Pessoalmente acho que a liberdade é o tema principal – a liberdade de experimentar, pensar, perceber, fazer, agir, apropriar, colaborar, rir, amar… enfim. É importantíssimo também notar que ele tenta entregar essa liberdade ao outro: não é só para ele. Por isso, ele trabalha com performance e intervenções na cidade. O que para mim é muito profundo no trabalho de Daniel é que ele resiste à categorização, como se fosse uma borboleta, ora aqui, ora ali, que é uma provocação a continuar pensando. Outro aspecto interessante é a estratégia de deslocar a experiência visual, como o utilização de 3D – isso exige as pessoas a questionar o mundo de aparências e utilizar seus outros sentidos.

Você concorda que a história da arte tem sido escrita sob um ponto de vista europeu e norte-americano? Isso começou a mudar?
Claro que na história o ponto de vista ocidental foi exportado e difundido pelo mundo desde o período colonial. A História da Arte faz parte dessa história – o que não fica dentro é "atrasado". Mas tambem existe histórias que já foram escritas e que não entraram na história supostamente mundial. O que começou a mudar é que estas histórias que também fazem parte da história da arte moderna estão sendo ‘incluídas’ no cânone. Este cânone está sendo expandido, só que com os mesmos limites: a expansão só tomará conta da arte que liga com o modernismo. É mais uma globalização que um verdadeiro repensamento das categorias do conhecimento. Para mudar isso, a história da arte teria que ser pensanda com uma outro estrutura.

Você acha que os artistas postais anteciparam fenômenos atuais de uma arte sem local geográfico definido? Aquelas experiências isoladas e clandestinas, que criaram uma rede de fluxos de informação não-material, hoje estão generalizadas no mundo da internet? Ou é diferente?

A ideia de arte fora das fronteiras nacionais parece ser muito ligada à internet e a um mundo alto-conetado. Mas, antes disso, os artistas postais ja criaram uma rede internacional que permitiu a troca de ideia e a circulação de informação, às vezes com conteúdo politico. A importância do conceito (arte conceitual) liberou este tipo da prática em que o objeto é um veiculo e não uma mercadoria . Tem coisas em comum mas sim há uma diferença que às vezes é contraditória: a materialidade. O objeto artesanal também foi importante para confirmar uma esfera humana. Também a distância percorrida é importante e evidente na arte correio, e talvez o sentido do local foi mais forte naquele época, mesmo que os artistas intercambiaram querendo ultrapassar fronteiras.

Como será a sala especial que você ajudará a montar na galeria Tate?
A ideia é começar com alguns artistas que ligam com circulação alternativa. Como tenho um interesse na rede de arte correio e regimes opressivos, começamos com as artistas que pesquisei do Brasil, Argentina e México. A ideia é construir uma história a partir dessa perspectiva, invertindo a relação mais comum … ou seja, em vez de ‘incluir’ artistas de America Latina num Cânone já estabelicido vamos começar com artistas de latino-america e ‘incluir’ artistas mais conhecidos, como On Kawara e Ray Johnson. Esta estratégia tambem não aceita uma categorização puramente ou principalmente geográfica. Entretanto, ainda não sabemos se vai acontecer ou não!

Como você se aproximou do Recife?
Li um artigo sobre o trabalho de Paulo Bruscky, fiquei interesada e decidi fazer meu doutorado sobre arte correio. Um ano depois, em 2010, recebi uma bolsa para vir pesquisar no atelier de Bruscky. Visitei Daniel Santiago várias vezes também. Durante a mesma visita conheci Cristiana Tejo e os artistas Cristiano Lenhardt, Jonathas de Andrade e a arquiteta Cristina Gouvea. Foi um período incrível e começei a ficar muito apaixonada pela cidade. Notei que a cena da arte daqui é diferente das cidades mais grandes, que é muito forte e ao mesmo tempo bastante ‘familiar’ e que as coisas funcionam de um jeito diferente, talvez mais orgânico. Gostei muito disso e resolvi tentar voltar logo. Só que demorei dois anos. Esta segunda visita foi mais incrível ainda por causa de trabalhar com Daniel, alguns artistas mais jovens e com a curadora Cristiana Tejo. Trabalhar com um artista como Daniel é uma aprendizagem especial.

O que levou você a estudar o design nos Jogos Olímpicos do México de 1968?
Foi uma conversa com a diretora da galeria onde trabalho como curadora na Universidade de Essex. Ela queria fazer uma exposição para marcar os Jogos Olímpicos em Londres este ano. Achei muito interessante que os estudantes se apropriaram do desenho gráfico oficial do Mexico ‘68 para levar a atenção do mundo à situação repressiva no Mexico naquela época. Abrimos a exposição Jogos Contestidos: A Gráfica Revolutionária de Mexico 68. O desenho oficial foi impresionante e poderoso, uma combinação de Op art international e tecelagem geométrica dos índios Huichol. A ideia era pensar como que é o intervalo entre a imagem oficial do país durante as Olimpíadas e a experiência cotidiana num momento de um outro tipo de crise, que é a crise de capitalismo na Europa.

Daniel Santiago - De que é que eu tenho medo?, Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães - MAMAM, Recife, PE - 15/05/2012 a 08/07/2012

Posted by Marília Sales at 8:49 AM