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fevereiro 18, 2010
Feira internacional começa reduzida por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 16 de fevereiro de 2010.
Após conflitos entre galeristas e administração, 29ª edição da Arco, em Madri, terá menos expositores
Quase não acontece a edição deste ano da Arco, feira de arte contemporânea que começa amanhã em Madri. Um dos eventos mais tradicionais da Europa, a Arco chega à sua 29ª edição depois de atravessar conflitos internos e em meio à turbulência da crise econômica que atinge a Espanha.
Desde dezembro, galeristas vêm travando brigas com a nova direção da Ifema, órgão que administra o pavilhão do evento. A situação só voltou ao normal após um acordo em janeiro, mas o imbróglio provocou baixas de peso. Deixaram de participar as gigantes londrinas Lisson e Anthony Reinolds e o madrileno Pepe Cobo. Também ameaçam sair Helga de Alvear e Juana de Aiuzpuru, duas das maiores casas de Madri. "Teve algumas baixas, sim", relativiza Eduardo Leme, dono da galeria Leme e membro do comitê de seleção da Arco.
A presença brasileira também encolheu neste ano. Leme, Casa Triângulo e Luciana Brito, galerias paulistanas que costumam participar da Arco, contiveram os gastos e vão dividir o espaço de um só estande. Decidiram reduzir sua presença ao setor de projetos especiais as galerias Marília Razuk e Vermelho. No lugar de um estande tradicional, levam um só artista à Arco, numa parte da feira organizada por curadores.
"A Arco é cara, então diminuí um pouco minha participação", diz a galerista Marília Razuk. "Acho importante participar, como vitrine, mas, na Espanha, a crise pegou em cheio."
Na mesma ala em que Marília Razuk exibe obras de Felipe Cohen, a Vermelho expõe uma instalação de Carla Zaccagnini, mas decidiu levar trabalhos para outra feira, que acontece ao mesmo tempo em Madri. Na primeira edição da Just Madrid estarão obras de Marcelo Cidade, Lia Chaia e Nicolás Robbio.
Se a Arco não costuma atrair grandes colecionadores, é conhecida pela forte entrada no circuito institucional, com vendas para os museus espanhóis. Mas a crise também bateu neles. Manuel Borja-Villel, diretor do Reina Sofía, já mandou o recado: vai às compras com muito menos dinheiro.
A feira quer aumentar o número de colecionadores que recebe mudando de país homenageado para cidades. Com Los Angeles como tema, recebe galerias badaladas da metrópole californiana, como Acme, Peres Projects e Regen Projects.
fevereiro 14, 2010
Fundação Bienal vai divulgar arte do Brasil no exterior por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo
Fundação Bienal vai divulgar arte do Brasil no exterior
Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 13 de fevereiro de 2010.
Com convênio de R$ 1,8 mi com o MinC, instituição oferecerá editais para que artistas realizem residências, publiquem livros e participem de mostras fora do país
A partir do próximo mês, a Fundação Bienal de São Paulo se transformará em uma agência de divulgação da arte brasileira no exterior.
No início de março, serão divulgados quatro editais que permitirão a concessão de verbas para artistas realizarem residências artísticas, participarem de mostras e publicarem livros com subsídios da Fundação, através de um convênio que foi firmado com o Ministério da Cultura (MinC).
"No ano passado, visitamos a Inglaterra, a França e a Espanha e conhecemos os órgãos daqueles países que fomentam a arte no exterior e achamos que esse tipo de ação tem a ver com a Bienal, que produz muitos vínculos entre a produção nacional e o exterior", diz Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal.
Segundo o diretor de estudos e políticas culturais do MinC, Afonso Luz, o convênio com a Bienal foi possível por conta da Portaria 61, assinada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, em agosto de 2009, criada com "o objetivo de estabelecer instrumentos à internacionalização da arte contemporânea brasileira". "A Bienal foi a primeira entidade a apresentar uma proposta de convênio, mas iremos estabelecer outras parcerias", contou Luz à Folha.
No total, o MinC está repassando R$ 1,8 milhão à Fundação Bienal, que irá alocar, como contrapartida, mais R$ 200 mil para o projeto, sendo que o total deve ser gasto até o fim do ano. Serão disponibilizados prêmios de R$ 10 mil para que 50 artistas participem de mostras, R$ 12,5 mil para 15 residências artísticas e R$ 25 mil para apoio a 15 publicações em línguas estrangeiras.
As solicitações deverão ser feitas diretamente pelos artistas no site da Bienal, que também será lançado no próximo mês. O programa prevê ainda 20 prêmios de R$ 6,5 mil para textos acadêmicos que abordem arte contemporânea brasileira e economia da arte, além de três estudos a serem encaminhados ao MinC: o mercado de arte no exterior, a circulação de obras de arte e o regime tributário.
Com isso, a Fundação Bienal se torna uma espécie de Conselho Britânico, órgão público inglês que fomenta arte no exterior. E o que levou o MinC a terceirizar essa função? "Esse é um debate de uma década atrás. Se o setor público quiser fazer tudo sozinho, ele já não consegue. Parcerias são necessárias e a Bienal tem sido a ponta de lança da arte brasileira no exterior", afirma Luz.
Além de lançar esse novo programa, Martins comemora o pagamento de todas as dívidas da fundação, de cerca de R$ 4 milhões, além de ter R$ 9 milhões em caixa, com a garantia da captação de R$ 20 milhões, o que chegará perto dos R$ 30 milhões (orçamento da 29ª Bienal de São Paulo, programada para setembro).
