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Como atiçar a brasa

 


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fevereiro 5, 2010

Curadores da 29ª Bienal de SP debatem os rumos da mostra por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fábio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 4 de fevereiro de 2010

Após mais de dez horas de debates, anteontem, com toda a equipe curatorial da 29ª Bienal de São Paulo, o curador geral da mostra, Moacir dos Anjos, e a espanhola Chuz Martinez, curadora assistente da mostra, além de curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, falaram por cerca de uma hora com a Folha. Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Folha - A diretora-geral da Documenta de Kassel, Carolyn Christov-Bakargiev, disse em entrevista à Folha, que bienais são laboratórios, vocês concordam?
Chus Martínez
- Durante os anos 1990, falava-se muito em laboratório de experimento, e é um termo muito usado, mas que ainda têm significado. Quando se fala de experimento, não quer dizer que não saiba o que se faz, de sorte que não se sabe e nem se queira saber o resultado exato de onde se quer chegar, mas que se joga com alguns parâmetros possíveis de controle para se estudar algo. Nesse sentido, a Bienal de São Paulo é ultraespecífica, o que significa muito, não só para as pessoas de São Paulo, como para todo o continente e o resto do mundo. É uma bienal que não possui só eventos, mas tem uma vida histórica que se repete, e de certa forma reverbera em cada uma de suas edições. É normal pensar que não é só um laboratório mas uma academia para expor, pensar e refletir como se constrói a história da arte no país, no continente latino-americano e como é a história da recepção entre os próprios países. É um lugar fundamental para estudar a produção artística, como se relaciona essa produção com sua própria história, e como sua história se relaciona com a produção de outros. Assim, é um momento fundamental de sincronização de muitas energias, maneiras de fazer, de um evento que vai muito mais além de um momento festivo, eu diria para todos, mas, sobretudo, para o continente. Nós, de fora, vemos isso com mais força, porque existe a Bienal de Veneza, a Carnegie International [nos EUA] e a Bienal de São Paulo e há poucas outras com essa história, além da Documenta, e todas refletem não o "branding" (a criação da marca) de uma cidade, como ocorreu nos anos 1990, mas uma história da vontade de uma comunidade artística em posicionar uma produção e pensá-la de forma sistemática. A cada dois anos, com isso, são criados pontos de encontro e por isso a possibilidade da Bienal de São Paulo desaparecer a foi um escândalo, já que ela representa muito mais que uma exposição.

Folha - E o que será, então, a 29ª Bienal?
Moacir dos Anjos
- Há vários aspectos em que a Bienal vai exercer esse papel de pensar as questões de um modo, como Chus falou, não de uma maneira anárquica, mas de uma maneira investigativa, um laboratório tem esse aspecto de investigar aquilo que não se sabe ainda exatamente o que é, mas que ainda assim é importante buscar.

O que temos trabalhado muito nesses dias é investigar novas formas de construir formas de relação entre o público e a obra. Outra questão que norteia nossas discussões é como pensar a arte internacional a partir de um país como o Brasil, que nesse momento passa por uma situação especial na geopolítica do mundo, em conjunção com uma série de outros países que também assumem papel crucial. E não é apenas uma mudança de forças geopolíticas, mas a emergência de forças que não atuavam, o que muda a equação e fazer uma exposição no Brasil, nesse momento, tem um significado especial.

Folha - A casa de leilão Phillips de Pury vai organizar um leilão dedicado, pela primeira vez, apenas com obras de países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), em abril. É a essa nova cena que vocês se referem?
Dos Anjos
- A definição do BRIC passa por outros fóruns que não é a da reflexão artística e nós não estamos, de forma alguma, amarrados a essa necessidade de afirmar um bloco formado por esses quatro países. Nosso papel, aliás, é desenhar outras possibilidades de associação.

Martínez - Não é uma questão desde onde, mas de que falamos. Uma vez que se saiba o que se quer falar, ficará muito claro para quem. Não se busca primeiro as pessoas para se começa a conversar, mas primeiro é preciso ter algumas preocupações e então buscar parceiros para um diálogo sobre tais assuntos. Há muitas confusões, por um lado as pessoas estão cansadas de falar do mundo globalizado e da mundialização, mas, por outro, de formas mais raras e diferentes, se volta à noção de estado-nação e nacionalidades. E creio que a arte, se tem algo, é questionar essas noções estritamente políticas de fronteiras e separar realmente as perguntas e não os passaportes.

Folha - Nesse sentido, depois de dois dias discutindo o projeto da Bienal, que perguntas vocês querem fazer?
Martínez
- De forma geral, o interessante nessas reuniões é que as pessoas estão preocupadas em como se faz um projeto substantivo, em como se relaciona um projeto substantivo, que tenha significado para o momento em que se abra ao público, com a mesma história desse projeto. E, finalmente, como se reverbera o que se faz em São Paulo em outras comunidades fora da cidade. Nesse sentido, a discussão tem se focado em novas formas de falar, novas formas de investigar, novas formas de ser substantiva. Ter a coragem de, desde uma exposição, apelar a formas de investigação que vão além da arte de mostrar, mas que quer recorrer ao pensar, à escritura, à academia, à própria memória histórica. Nesse sentido é um dicionário de preocupações que não tem ainda nome e sobrenome, mas tem um itinerário sólido de que não seja apenas um evento.

Dos Anjos - Resumindo, uma questão fundamental que se quer fazer é qual a relevância de organizar a Bienal de São Paulo, hoje. Não é simplesmente organizar uma mostra, mas é algo além disso: criar uma forma de entendimento do mundo, uma forma de geração de conhecimento e afirmar a necessidade da arte para pensar o mundo. Essa é a ambição.

Martínez - É aproximar o público, qualquer que seja sua filiação, de moradores de rua a envolvidos na academia, familiarizando-os com os modos e métodos de trabalho dos artistas. Os artistas não apenas proporcionam uma imagem ou um resultado final, eles são agentes duplos, eles são dos poucos personagens que habitam muitos mundos e por conta dessa capacidade, eles são os melhores investigadores.

Folha - Essa preocupação parece muito pedagógica, em aproximar a arte das pessoas, o que poderia parecer contraditório ao papel que vocês apontam para a Bienal que é fortalecer o meio artístico...
Martínez
- Ao contrário, não precisamos aproximar a arte das pessoas, ela já está ai. Estamos em muitas crises, mas não nessa. Existe um entendimento tácito, não falado, não é preciso levar a arte às pessoas, a Bienal é um lugar de relações e a arte se ocupa de se aproximar das pessoas, não é preciso uma terceira mão que empurre, as próprias obras se aproximam. Mesmo na Espanha onde questiona a relação entre público e arte contemporânea, o museu [Macba] ganha visitantes o tempo todo e nós temos um dos programas mais duros e conceituais da Espanha e mesmo assim ganhamos gente. Há uma aproximação da obra, as pessoas pensam, o espectador é corresponsável no mundo em que vive. Nós não somos um "delivery service" (serviço de remessa).

Dos Anjos - Há duas coisas aí. A Bienal de São Paulo é profundamente exitosa, porque talvez seja a exposição mais visitada do planeta, com a exceção da última edição que é um caso à parte. Há uma participação intensa do público. Por outra lado, é preciso distinguir o projeto educativo, que é uma preocupação institucional, em potencializar essa exposição, a dar acesso ao máximo de participação do universo escolar, num país onde estudantes não têm acesso aos museus como a Bienal. Isso tudo não se confunde com o poder que a arte tem de comunicar, de falar da vida das pessoas, de criar uma forma de conhecimento que não se reduz a nenhuma outra forma.

Martínez - É preciso por na mesa que a arte, além de ter um componente estético, sempre é uma produção que pensa, que pensa através dos sentidos. E ao pensar através dos sentidos dos sentidos se produz um conhecimento que, atualmente, é fundamental para entender o mundo. E é ai que entra o público, porque em um mundo tão complexo, a complexidade da arte em lugar de ser um problema é onde as pessoas se sentem mais cômodas. O entusiasmo que se percebe no público da Bienal de São Paulo, e de qualquer tipo de público, é o entusiasmo de encontrar-se com uma realidade que não se parece e não mimetiza a sua própria e lhe dá capacidade de liberdade e pensamento que não existe no dia a dia.

Dos Anjos - Quando dizemos que estamos interessados na relação entre espectador e obra é porque a arte, o tempo todo, propõe novas formas de relação com o mundo e estamos interessados nessa relação produtiva, que gera conhecimento quando o público se depara com essas formas que não mimetizam o dia a dia. Nesse sentido que a arte é política.

Folha - Como vocês vão repensar o pavilhão da Bienal?
Martínez
- Dentro do pavilhão nós vamos criar outros seis pavilhões, a ser projetados por arquitetos e artistas, o que irá representar momentos de suspensão na mostra, onde será possível ver vídeos, performances, encontrar pessoas, para assim alterar o ritmo da visita. Interessa-nos muito criar formas distintas para a compreensão da mostra. Será como uma pele dentro de outra pele. Vão ser pausas produtivas.

Folha - Vocês têm essa reunião agora e...
Dos Anjos
- Novamente em maio, quando, creio, vamos ter uma clareza muito maior, inclusive em termos físicos, porque falamos fisicamente da Bienal, mas em termos abstratos, pois não temos a lista final dos artistas nem a lista de obras. Discutimos mais em termos de atmosfera, no sentido geral da exposição, mas é impossível saber com ela será concretamente, agora.

Folha - E com tantos curadores, como a mostra deve ser organizar, vão existir curadorias específicas?
Dos Anjos - Não, a ideia é ter uma só exposição e não várias, nós somos um time. Por isso é tão prazeroso, mas ao mesmo tempo tão cansativo. Têm sido muito interessante as discussões, pois questões emergem e amadurecem, algumas são descartadas e outras adicionadas, até que exista uma plataforma partilhada de ideias e intenções que possam dar uma cara integrada à exposição.

Folha - Até onde chegaram as discussões, o que se pode esperar da 29ª Bienal?
Martínez - É uma equipe que está tentando com muitas ambições que superam um passeio do que sucede na arte contemporânea, será algo além disso. Queremos convidar o espectador a participar de um panorama de perguntas que, creio que lhe vai interessar, porque têm a ver em como se educa o indivíduo contemporâneo, que posição tem o sujeito dentro do sistema de liberdade e coação, quais a relações possíveis entre os mil mundos que vivemos, desde o mundo cotidiano até o mundo que chega pela televisão, em todos os tipos de plano. Será um intento de engrandecer a experiência do espectador, de criar uma viagem mental que seja agradável. Será uma Bienal que terá muitas velocidades: quem quiser ver rápido poderá ver rápido, mas terá também muitas ferramentas para poder pensar mais.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 1:04 PM | Comentários (2)

fevereiro 4, 2010

A construção do mundo incerto pelas imagens por Camila Molina, Estado de S. Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 no jornal O Estado de S. Paulo, em 4 de fevereiro de 2010.

Este é o mote da exposição coletiva que a Galeria Virgilio abre hoje para o público

O sonho da paisagem, do lugar idílico com linha do horizonte e a certeza de que tudo está em seu devido lugar ganha hoje na arte contemporânea outras considerações: como atualmente existe uma consciência inevitável de que o mundo é fabricado por meio das imagens, as relações do sujeito com o espaço, o tempo e o real são questionadas de outras maneiras nos trabalhos dos artistas. Esse é o mote da exposição coletiva Trans_Imagem, que se inaugura hoje para o público na Galeria Virgilio, reunindo obras de Adriana Ramalho, Ana Elisa Carramaschi, Ana Mazzei, Aurélie Pétrel, Beatriz Toledo, Cristiana Camargo, Guga Szabzon, Ilma Guideroli e Osmar Pinheiro.

"A imagem não é mais representação do mundo", diz Regina Johas, curadora da exposição, completando que hoje "aprendemos a reconhecer a paisagem como um constructo" e que "a arte é linguagem antes de tudo". A mostra é resultado das discussões do grupo de pesquisa Eccoar/Aquário, o qual integram Regina e alguns dos jovens artistas presentes na mostra - ao mesmo tempo, a inclusão de Osmar Pinheiro, morto em 2006, é uma homenagem ao pintor.

Na primeira sala da exposição, a palavra Paisagem é formada por letras agigantadas moldadas em gesso branco. É o trabalho de Cristiana Camargo, que se refere de modo direto ao mote da mostra. Com a passagem do tempo e pela umidade, a obra vai se corroendo (e o signo), numa calma tensão: a partir do eixo renascentista, a paisagem ganhou no quadro uma ideia de certeza de um lugar à qual hoje já não é mais possível se apegar.

A obra de Cristiana dialoga, assim, na sala, com as três fotografias de Ana Mazzei, em que ela questiona a relação entre o horizonte, o espectador e o personagem colocado na foto (dentro de um parque com a cidade São Paulo ao fundo). Seguindo ainda na discussão, na pintura de Pinheiro e no vídeo de Ana Elisa Carramaschi a paisagem está encoberta em velaturas ou é quase transparência - e na videoinstalação de Adriana Ramalho, recortes de filmagens nos rios da Amazônia transformam a natureza em quase abstração.

Já as fotografias de Beatriz Toledo capturam a natureza fazendo uma "construção da imagem dentro de outra imagem", diz a curadora - e uma delas é citação, ela completa, ao célebre quadro Le Déjeuner Sur l"Herbe (1863), de Manet.

TRANS_imagem
Ana Mazzei, Adriana Ramalho, Ana Elisa Carramaschi, Aurelie Petrel, Beatriz Toledo, Cristiana Rolim de Camargo, Ilma Guideroli, Guga Szabzon, Osmar Pinheiro

3 a 27 de fevereiro de 20010

Curadoria de Regina Johas

Galeria Virgilio
Rua Virgílio de Carvalho Pinto 426, Pinheiros, São Paulo - SP
11-3062-9446/3061-2999 ou artevirgilio@uol.com.br
www.galeriavirgilio.com.br
Segunda a sexta, 10-19h; sábado, 10-17h

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 5:31 PM

Curadoria foca em lista de preocupações por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fábio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 4 de fevereiro de 2010

Apenas daqui a três meses a 29ª Bienal de São Paulo deve ganhar contornos definidos.
Reunido durante essa semana, o time curatorial do evento está trabalhando em um "dicionário de preocupações", como define Chus Martínez, curadora convidada da mostra, além de curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona.

Será em maio, quando pela segunda vez todo o time estiver reunido, que se chegará ao formato final. "Falamos fisicamente da Bienal, mas em termos abstratos, pois não temos a lista final dos artistas nem a lista de obras. Discutimos mais em termos de atmosfera, no sentido geral da exposição, mas é impossível saber como ela será concretamente agora", disse o curador geral Moacir dos Anjos, anteontem, à Folha, acompanhado por Martínez.

De acordo com alguns verbetes do "dicionário de preocupações" que Martínez apresentou, o projeto é muito ambicioso. Segundo ela, algumas das questões trabalhadas são: como se educa o indivíduo contemporâneo; que posição tem o sujeito dentro do sistema de liberdade e coação; quais as relações possíveis entre os mil mundos que vivemos, desde o mundo cotidiano até o mundo que chega pela televisão.
Nesse sentido, a Bienal "Há Sempre um Copo de Mar para um Homem Navegar" certamente será um evento que irá tratar do mundo atual. "A arte, o tempo todo, propõe novas formas de relação com o mundo, e estamos interessados nessa relação produtiva, que gera conhecimento quando o público se depara com essas formas que não mimetizam o dia a dia", conta Dos Anjos.

O reposicionamento do Brasil dentro do sistema global e como pensar a arte a partir dele é outro verbete dos curadores.

Contudo nem tudo é abstração. Espacialmente, a 29ª Bienal deverá possuir vários ritmos, graças à criação de seis pavilhões dentro daquele projetado por Oscar Niemeyer.
Cada um deles será comissionado a um artista ou arquiteto, e eles funcionarão como pausas reflexivas dentro da mostra. Segundo Martínez, eles irão representar "momentos de suspensão da mostra, onde será possível ver vídeos, performances, encontrar pessoas, para alterar o ritmo da visita".

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:19 PM

Reunião de cúpula por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 4 de fevereiro de 2010.

Num clima de encontro das Nações Unidas, curadores da 29ª Bienal de São Paulo debatem os rumos da mostra que começa em setembro, com a proposta de falar de política por meio da arte

É denso o ar na sala. Estão sentados à mesa dois brasileiros, um angolano, uma espanhola, uma venezuelana, um sul-africano e uma japonesa. Discutem a ascensão do Brasil como potência global, a crise econômica que varreu o mundo, mudanças na noção de família e sexualidade, o desmanche das utopias modernas.

Não é uma reunião das Nações Unidas. É o terceiro andar do pavilhão da Bienal de São Paulo, que começa em setembro e vai encher o espaço desenhado por Oscar Niemeyer -com a proposta de falar de política por meio da arte.

Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, os brasileiros à frente da curadoria, estão reunidos nesta semana com seus convidados estrangeiros. A Folha acompanhou parte do encontro, que tem a missão de responder até amanhã as questões que vão nortear essa exposição.

De Londres, veio o sul-africano Sarat Maharaj. Fernando Alvim, angolano que mora na Bélgica, também veio. Chus Martínez, espanhola, e Rina Carvajal, venezuelana radicada nos EUA, formam o grupo hispânico. Yuko Hasegawa, do Japão, representa o Oriente.

"Temos pessoas muito polidas e bem informadas trabalhando juntas", resume Maharaj, que estudou numa universidade segregada, na era do apartheid, e já foi codiretor da Documenta de Kassel. "Estamos pensando a mostra como uma máquina de criar ideias, capaz de investigar o mundo."

Misturando heranças, eles jogam um xadrez geopolítico. Falam de arte carregando algumas bandeiras, já que têm os pés fincados em mais de uma pátria. Enquanto a chuva arrasa a cidade lá fora, um pavilhão imaculado aguarda as definições que sairão desse encontro.

Em parte, têm a missão de saturar o espaço monumental que ficou às mínguas na última edição da Bienal. No lugar de um andar vazio, aquele que foi pichado e virou emblema da derrocada da mostra, prometem 120 artistas divididos em seis núcleos internos e até 400 eventos paralelos nos três meses da exposição, que está orçada em cerca de R$ 30 milhões.

"É a abertura de novas frentes de pensamento", diz Moacir dos Anjos. "Vamos emoldurar os intervalos de pesquisa."

Agnaldo Farias acrescenta que essa será uma Bienal experimental, que tenta redefinir o papel do público numa exposição. "É criar um problema onde não havia", diz ele. "Nossa ideia é que certa opacidade do discurso é fundamental."

Sim, é vago. Até agora, pouco de concreto tem saído a público sobre essa Bienal. Estão confirmados os nomes de artistas como Ai Weiwei, Steve McQueen, Chantal Akerman, Cildo Meireles, Nan Goldin, Nuno Ramos, Flavio de Carvalho, Anri Sala, Harun Farocki. Também se sabe que será uma mostra sobre arte e política.

Texturas do político

"Não estamos falando de ativismo, tem muitas texturas do político", diz Carvajal, do Museu de Arte de Miami. "A condição geopolítica do mundo hoje repercute na produção dos artistas, não será um apanhado histórico da violência."

Tanto que o apartheid, lembrança na vida de curadores como Maharaj e Alvim, ficou de fora. Artistas angolanos e sul-africanos que estarão na mostra, os mesmos que servirão de eixo central para a Trienal de Luanda, evento que começa em setembro na capital angolana, são jovens que despontaram depois da segregação racial.

"Estão fazendo novos experimentos", diz Alvim, curador convidado em São Paulo e diretor da mostra angolana. "Essa é uma parte do mundo que passa por profundas transformações filosóficas e estéticas."
Do seu lado do globo, Hasegawa, diretora do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio, enxerga na ascensão econômica da China uma chave de leitura para a transformação do papel da arte no Oriente. No lugar da estética histriônica, pop e inflada de artistas como Takashi Murakami, ela vê uma fusão entre criação visual e dinheiro.

"Acabou esse momento", diz Hasegawa. "Vivemos outro tipo de capitalismo, a arte é outro fenômeno cultural, está no meio de uma ventania que vem do mundo econômico."

São ares que sopram também no Brasil. São Paulo, como sede dessa Bienal, será o centro de um debate e vai ocupar um núcleo dentro do pavilhão. "Esse não é o Brasil do passado, esse é o Brasil perturbado, mexido", diz Maharaj. "É uma potência econômica e cultural."

Mais quieta, Chus Martínez, diretora do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, galega que quando jovem virou muçulmana para visitar o Irã, diz só que será uma Bienal para "repensar, reconstruir, aferir, calibrar, pesar o mundo".

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:10 PM

Arte, ironia e déjà vu por Ana Cecília Soares, Diário do Nordeste

Matéria de Ana Cecília Soares originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste, em 3 de fevereiro de 2010

Na exposição "Eu vejo, tu olhas... Ele Déjà Vu", o artista Fernando Ribeiro realiza pequenas intervenções sobre obras de artistas consagrados

Para o artista paulistano Fernando Ribeiro, esse papo de que "tudo já foi feito e que a arte está ensimesmada", não tem razão de ser. Afinal sempre é tempo para inovações. O artista é de tese que mesmo interferindo no trabalho de outros artistas ou repetindo uma dada ideia é possível criar novas formas de percepção artística.

Em "Eu vejo, tu olhas... ele Déjà Vu", Ribeiro faz pequenas intervenções, delicadas e irônicas, sobre trabalhos de artistas consagrados como Marcel Duchamp, Pablo Picasso, Andy Warhol, Miro, Man Ray e os brasileiros Leonilson, Bispo do Rosário, Nelson Leirner, entre outros. O artista segue uma linha histórica de autores que mais gosta.

Epifânia

Segundo ele, a ideia de realizar a exposição surgiu logo após ter terminado a individual de Nelson Leirner (seu ex-professor, amigo e curador de sua atual mostra), em Juazeiro do Norte. "Naquele momento recebi o convite do CCBNB. Como todos os trabalhos até então, haviam sido feitos sobre papel, resolvi levá-los para a tela, pois faríamos, Nelson Leirner e eu, uma exposição na Bolsa de Arte de Porto Alegre, intitulada de "Pollockcow a Déjà Vu" em setembro de 2009. A sequência disto foi o lançamento do álbum de gravuras, da mesma série, na galeria Mônica Filgueiras em novembro passado", diz.

O artista conta que o trabalho nasceu após uma discussão entre ele e alguns artistas, que alegavam que nada mais seria possível na arte, pois tudo já havia sido realizado. "Eu discordava solenemente, porque sempre acreditei que a arte fala com a arte, e que você poderia se apropriar do trabalho de outros artistas, fazer uma interferência ali, e modificar o olhar do observador. Não consegui convencer ninguém!"

De volta ao seu ateliê, resolveu estudar a questão e a primeira referência foi Picasso, que havia feito mais de quarenta estudos sobre o quadro "As Meninas" de Velasquez e pintado cinco ou seis telas sobre o mesmo assunto com a visão dele.

"Daí para frente, trabalhei em 30 pinturas, adquiridas por um colecionador antes mesmo da exposição abrir. Ao longo do trabalho, percebi que só me apropriei de obras/artistas com os quais eu me identificava e que havia neles uma linha temporal bem interessante. Era uma enorme provocação, se meu observador não conhecia a História da Arte, ele ao menos poderiam ver um Mickey. Seria pouco provável que as pessoas não identifiquem este ícone".

Para Ribeiro, o interessante na mostra é que ao receber o nome "Déjà Vu", a obra toda vira uma provocação ímpar com um resultado estético belíssimo. "Achei tudo tão interessante que produzi feito um louco, sem achar que fosse virar uma individual em tão pouco tempo. No meio do caminho, percebi que havia uma linha histórica sobre a arte, foi absolutamente instintivo. E vi que isso era bom, pois passava pelos meus prediletos, o que eu também não havia pensado", afirma.

Exposição

No texto curatorial, Nelson Leirner explica que na série Déjà Vu, Fernando joga com o público um verdadeiro questionário do conhecimento da Historia da Arte. "Num primeiro momento desta seleção, sua manipulação bem humorada e inteligente, nos traz a tona ícones da Arte Contemporânea. Se o espectador olhar para o trabalho ´PHARMACY´ e não souber quem é Damien Hirst, lhe sobrará ainda o sutil toque que transforma um dos círculos, na figura do Mickey. Jogar com a sociedade é sempre, para o artista, um desafio gratificante", ressalta.

A exposição de Ribeiro que abre nesta quinta-feira, 4, no Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB), ficará em cartaz até 31 de março. A mostra é constituída por 30 pinturas e colagens inéditas sobre papel Fabriano, 50% algodão e 350gramas, além de quatro trabalhos tri-dimensionais e mais um álbum de gravuras eletrônico/digital.

Ribeiro nos mostra uma pintura inédita em acrílica sobre tela, algumas com o diferencial da inclusão de assemblages. Assim inova com o princípio da transformação de uma obra plana em tridimensional.

Na exposição há um álbum e uma caixa-objeto de tiragem limitada a 40 exemplares. Este trabalho é composto por uma série de 10 gravuras originais, da série Déjà Vu, com dupla utilização já incluída no seu conceito original: com a composição sugerida com a caixa-objeto, que também é uma obra completa por si só, ou cada gravura exposta de forma isolada. Em suportes atuais, um álbum eletrônico, vídeo instalação, exibe imagens das gravuras de forma transmutada, permitindo a visualização, em mídia eletrônica, das imagens que compõe o álbum físico, em sequência randômica.

A coordenadora do núcleo de artes visuais CCBNB, Jacqueline Medeiros, acredita que Fernando Ribeiro ao se apropriar de obras de artistas consagrados problematiza os elementos estéticos, conceituais e históricos presentes ali, resignificando e transformando a obra referência por meio de uma modificação sutil, divertida e provocativa. Comprova que sempre há algo a acrescentar na arte contemporânea, ainda que se diga "tudo já foi feito na arte".

Artista inquieto

Arte transformada

Influenciado por Robert Crumb, o artista Fernando Ribeiro, natural de São Paulo, inicia sua carreira aos 16 anos, na Lynx Film, como arte finalista e participa do longa metragem de animação "Simplex", ganhando o Leão de Ouro em Cannes. A partir de 1990, dedica-se exclusivamente as Artes Plásticas. Junta-se a Cooperativa dos Artistas nos anos 90, chegando a exercer o cargo de diretor. Após algumas tentativas de trabalhos em grupo, opta por uma trajetória individual, realizando diversas exposições pelo mundo.

Fernando Ribeiro
Eu Vejo, tu olhas....ele Déjà vu

Curadoria de Nelson Leirner

4 de fevereiro, quinta-feira, 19h

Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB
Rua Floriano Peixoto 941, Centro, Fortaleza - CE
85-3464-3108 / 3177 ou cultura@bnb.gov.br
www.bnb.gov.br/cultura
Terça a sábado, 10-20h; domingo, 10-18h
Exposição até 31 de março 2010

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 2:34 PM | Comentários (1)

Memórias em carmim por Ana Cecília Soares, Diário do Nordeste

Matéria de Ana Cecília Soares originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste, em 4 de fevereiro de 2010

A artista Maíra Ortins lança hoje, às 19h, no CCBNB, a individual "Segredo de travesseiro é sonho". A exposição interage literatura com artes plásticas

Em continuidade a pesquisa sobre poéticas visuais, iniciada em 2007, a artista pernambucana, radicada no Ceará, Maíra Ortins, dá corpo a exposição "Segredo de travesseiro é sonho", título retirado de um poema de autoria da própria artista. Neste trabalho, a artista tende a captar o universo lírico da palavra por meio de desenhos inseridos diretamente sobre a parede, a madeira, o papel e a fotografia, com o auxílio de vídeo, sobre placa de acrílico, tecido e outros materiais.

Maíra argumenta que as obras realizadas sob o prisma das poéticas visuais, ampliam a visão sobre as possibilidades de entendimento do uso da palavra como imagem, sem, contudo, destituí-la de seu conteúdo lexical. "A imagem reporta o que a palavra diz, é como se ela fosse uma atriz interpretando o vocábulo".

Hibridismo

Imergida numa produção híbrida pautada pelos entrelaçamentos das artes plásticas com a poesia literária no arranjo e na harmonia de palavras, desenhos, objetos e coisas, toda a exposição se configura como uma única grande instalação, cuja finalidade é potencializar o texto de maneira a explorar os universos infinitos dos sentidos.

Sensibilidades arrefecidas em vermelho puro, cor de sangue, e com cheiro de mel. Aroma proveniente da cera de abelha, material utilizado pela artista em suas caixas.

"A cera é para enfatizar a ideia de que memórias e afetos estão ali dentro, cristalizados. As lembranças estão paralisadas e guardadas em cada uma dessas caixas".

Para a exposição a artista trabalhou com imagens de mulheres das décadas de 20 à de 50. Optando por aquelas figuras mais estranhas, diferentes. "Fiz uma apropriação de imagens que ia encontrando na internet ou que as pessoas, simplesmente, iam me dando. A exposição é como se fosse uma história narrada pela poesia visual. Nela, minhas memórias se confundem com as do outro. Tem momentos que já não sei mais o que me pertence ou não", explica.

Caos

Segundo Ricardo Resende, curador da exposição, a poética de Ortins é como uma via de mão-dupla, em que o arrebatamento visual e literário provoca grandes emoções naqueles que se permitem "penetrar" pelas sensações e lembranças de amores vividos ou não. É também febre e memória dos afetos.

"O resultado visual é um certo caos nas paredes ou sobre os tecidos, como é o sentimento do amor quando nos toma o corpo e a alma, quando, ainda na forma de paixão, nos vira a vida do avesso e transborda o corpo com seus fluidos. Esse caos nada mais é do que a aceitação desta desordem interior, que nos joga contra a parede diante da paixão pelo outro, pelas coisas, pelas palavras, pelo mundo, enfim, pela vida", explica.

Resende acredita que Maíra expõe de maneira visceral a sua intimidade. Dos sentimentos mais interiores desprendidos no gesto de escrever, de borrar de vermelho a parede e o interior de suas caixas. "É como se a artista falasse com o coração ao segurá-lo nas palmas das mãos. Parece apertá-lo até sangrar e jorrar neste gesto enérgico que faz escorrer o sangue que carrega no seu interior sobre a parede, sobre o tecido, sobre a manta de algodão".

Ela faz de seu corpo lugar de sua subjetividade. Usa a força do texto-imagem.

A palavra se transforma em desenho, das linhas que rasgam as paredes, sempre nervosas ao ponto de estourarem.

"O movimento é determinado pelo conteúdo do texto, que flui, surge quase simultâneo ao ato do desenho. São frases. Por vezes poemas completos, que expressam o meu momento mais particular. Processo desencadeado durante o fazer",constata Ortins. Em seu trabalho o gesto é quem administra a intensidade com que a aquarela vermelha pousa sobre a seda. Sendo que o tecido também impõe um gesto, a tinta faz um percurso único e imprevisível. E os desenhos estão carregados de simbologias.

Maíra Ortins

Palavra e imagem

Maíra Ortins nasceu em Recife (PE), em 1980. De 1995 a 1998, estudou desenho, pintura e escultura em argila pela "Escolinha de Arte do Recife". Em 2001, estuda xilogravura em cor com Sebastião de Paula e Nauer Spindola, através do Instituto Dragão do Mar. No ano seguinte, faz o curso "Fotografia, imagem Fotográfica e Arte visual no Brasil", com o critico de arte Tadeu Chiarelli, também, idealizado no Dragão do Mar. De 2001 a 2003, é monitora na oficina de gravura do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. De 2005 a 2008 foi diretora da Galeria Antonio Bandeira e do Memorial Sinhá D´amora da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). A artista é graduada em Letras - Licenciatura em Português/Literatura em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Ceará (2006). Atualmente é Coordenadora de Artes Visuais da Secultfor, onde desenvolve pesquisas sobre poéticas visuais, congregando suas experiências nas áreas de Literatura e Artes Visuais. É desenhista, gravurista e escultora.


Maíra Ortins
Segredo de travesseiro é sonho

Curadoria de Ricardo Resende

4 de fevereiro, quinta-feira, 19h

Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB
Rua Floriano Peixoto 941, Centro, Fortaleza - CE
85-3464-3108 / 3177 ou cultura@bnb.gov.br
www.bnb.gov.br/cultura
Terça a sábado, 10-20h; domingo, 10-18h
Na ocasião, será lançada também a mostra "Eu vejo, tu olhas... ele déjà vu", de Fernando Ribeiro, e a realização de um bate-papo com os artistas.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 2:03 PM

fevereiro 3, 2010

Olhar Coletivo por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 23 de dezembro de 2009

Grupos de fotografia como o SX70, Cia de Foto e coletivo Rolê colocam em xeque a autoria individual em prol do reconhecimento conjunto

Atuando como agências, bancos de imagens ou plataforma de trocas e interação, os coletivos de fotografia são um novo fenômeno nas artes visuais. Reunidos por identidade ou por complementaridade, os fotógrafos que integram os coletivos têm quase sempre um traço em comum: abrem mão da assinatura pessoal em favor do reconhecimento conjunto. Esse é o caso da Cia de Foto, do coletivo Rolê e do SX70. Este último, grupo que aproxima sete fotógrafos ao redor da paixão comum pela câmera Polaroid modelo SX-70, criado em 1972 e hoje extinto.

“Fotografar é uma coisa meio solitária e essa solidão pode ser um problema, sobretudo num país como o nosso, em que a formação de muitos fotógrafos é tortuosa. Os coletivos no Brasil se tornaram uma forma de debater os rumos da fotografia e isso é muito interessante”, aponta Eder Chiodetto, fotógrafo e curador que já organizou exposições com a Cia de Foto e assina a curadoria da mostra “Persona”, do grupo SX70, em cartaz até 31/12 na Galeria Mezanino, em São Paulo.

om uma proposta próxima da fotografia conceitual e da arte contemporânea, o SX70 foi criado em 2000 por Claudio Elisabetsky, Fernando Costa Netto, Marcelo Pallotta, Paulo Vainer, Roberto Wagner, Armando Prado e Ricardo van Steen. “O SX70 foi uma forma de, juntos, conseguirmos ser encarados como artistas. Cada um era visto como outra coisa – designer, jornalista, etc. Formar o coletivo foi uma maneira de tentar ser assimilado no mundo da arte”, explica Van Steen, que se refere ao design da SX-70 como o “Rolls-Royce da Polaroid”. Como coletivo, o acesso às galerias foi instantâneo e o grupo começou a trajetória com uma mostra na Galeria Vermelho, em São Paulo. Hoje, diversifica seus espaços de exposição, usando também a rua como palco, imprimindo a fotografia como lambe-lambe e disputando com os grafiteiros os melhores muros da cidade.

Não foi falta de galeria, mas de espaço para ideias autorais dentro do mercado editorial, que levou os fotógrafos João Kehl, Pio Figueiroa e Rafael Jacinto a criar, em 2003, o coletivo Cia de Foto. Com um intuito parecido ao que aproximou, em 1947, o francês Henri-Cartier Bresson, o húngaro Robert Capa e os fotógrafos da hoje célebre agência Magnum, os três fotógrafos brasileiros estavam atrás de autonomia. “Queremos que nosso trabalho autoral seja cada vez mais comercial, e que nosso trabalho comercial seja cada vez mais autoral. É uma grande perda de tempo discutir se é possível ter um trabalho comercial e artístico ao mesmo tempo”, diz o fotógrafo Rafael Jacinto. Seis anos depois de montar uma agência de fotojornalismo que preencheu uma lacuna do mercado editorial, a Cia de Foto também se articula dentro do território da arte contemporânea: no começo de 2009 o grupo foi selecionado para o 10º Salão da Bahia e expôs no MAM de Salvador, ao lado de jovens artistas como Fábio Tremonte, Nino Cais, Ana Elisa Egreja e Eduardo Berliner. Com um nome que mais parece de grupo de funk carioca, o coletivo Rolê reúne 13 amigos que se encontram de tempos em tempos num bar e saem para fotografar à noite, usando todo tipo de máquina fotográfica – de snapshots digitais a câmeras analógicas profissionais. “São reuniões para produzir fotografia, sem a intenção de vender. O processo é mais importante que o destino”, diz Ronaldo Franco, participante do coletivo desde sua formação, há cinco anos, numa conversa de bar. Com um despojamento próprio da arte de rua, os integrantes do coletivo Rolê abdicam, como seus similares, da autoria individual das imagens. “A assinatura conjunta é uma opção pertinente. Afinal, tudo – estudo, tema, estética, escolha das imagens e da forma de tratamento – é feito em conjunto, fruto de discussão coletiva”, avaliza Eder Chiodetto.

Colaborou Fernanda Assef

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:31 PM

O Sentido De Re-Ligar por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 22 de janeiro de 2010

Com exposição no Mosteiro de São Bento, José Spaniol, Marco Giannotti e Carlos Eduardo Uchôa investigam o papel da espiritualidade no mundo contemporâneo

Entrar em uma instituição religiosa é, por si só, um convite a silenciar – especialmente se localizada no caótico centro de São Paulo, como é o caso do Mosteiro de S Bento. Este estado de calma interessa profundamente a Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti, que ocuparam o edifício, fundado em 1598, com instalações, pinturas, fotografias e um vídeo. “A arte sempre teve uma relação transcendente com a realidade, mas essa dimensão espiritual se perdeu. Nós sentimos vontade de resgatar esta característica religiosa da arte, no sentido de ‘re-ligar’: criar uma comunhão entre as pessoas e algo invisível e universal”, diz Giannotti. A conversa que surgiu entre os três artistas e o íntimo conhecimento do espaço por Uchôa – que é monge do Mosteiro de São Bento – tornaram a presença de um curador dispensável. Além de artistas, os três são também professores – profissão que, como a de um religioso, exerce o ensinamento, o aconselhamento.

Essa similaridade foi explorada nas instalações de Spaniol, que ocupa o parlatório – local de encontro entre os monges e a comunidade – com novas obras de suas séries “Lousas” – quadros negros com desenhos feitos a giz – e “Balanças”, que explora a relação entre imagem e palavra. Para isso, ele se apropria de livros e móveis do mosteiro, que são suspensos no ar por colunas de eucalipto. “A ascensão é um tema central na religião.E um objeto fora de seu lugar de rotina nos permite novas possibilidades de contemplação”, diz ele. As colunas guiam o público pelos corredores até as salas que abrigam pinturas e fotografias de Uchôa e Giannotti. O catolicismo aparece como tema nas 14 pinturas de cada um deles que abordam a via crúcis – caminho de Jesus Cristo com a cruz. Há ainda claras referências à sociedade atual nas pinturas de Giannotti, com grafismos que remetem a grades de proteção.

Essa união entre a realidade social e a espiritualidade é ainda mais pulsante na última obra da exposição. No piso superior, dentro de uma acolhedora capela, até então fechada ao público, está a videoinstalação de Uchôa. Livros espalhados pelos bancos e um tapete branco conduzem o público até o altar, onde em meio às imagens católicas barrocas do espaço uma tela mostra cenas captadas na Cracolândia e no Viaduto do Chá. “Meu trabalho apresenta as mazelas da sociedade, do nosso tempo, mas ao mesmo tempo evidencia a possibilidade de uma redenção. Há sempre o desejo de permitir a reflexão”, diz o artista-monge.

COMO OLHAR O CÉU - Fernanda Assef
Léxico – Angela Detanico e Rafael Lain/ Galeria Vermelho, SP/ até 20/2

Na fachada da Galeria Vermelho, a obra “Eclipse” anuncia o tema que rege a nova exposição da dupla Detanico e Lain: a conjunção. Nas oito obras expostas, cruzam-se e relacionam-se pelo menos duas grandes áreas do conhecimento: a astronomia e a linguística. Entrar na galeria, nesse caso, é como entrar em um observatório dos sistemas que criamos para descrever o mundo. Conhecidos por levar a cabo um trabalho de organização, catalogação e codificação de informação que beira o da pesquisa científica, os artistas propõem aqui diferentes maneiras de olhar para o céu. Em seu ato minucioso de observação, usam diferentes lentes, mas sempre com o intuito de formar novos desenhos e constelações. Em “Analema”, o traçado do deslocamento do sol no céu durante um ano é redesenhado por uma frase criada com 365 letras. Já os mapas estelares dos Hemisférios Norte e Sul constituem as tramas originais trabalhadas em “Léxico”, “Constelações do Alfabeto” e “Estrelas do Sul”. Nos três casos, estrelas são substituídas por letras gregas que, a partir do século 17, passaram a classificar a ordem de grandeza dos astros, segundo o sistema desenvolvido pelo alemão Johann Bayer. Em “Léxico”, os mapas estelares dão forma a palavras de origem grega, como hemisfério e simetria. Há muita complexidade na obra de Detanico e Lain e cada trabalho requer dos artistas muito tempo de pesquisa e aprendizado. Mas há também um aspecto lúdico que a aproxima de jogos tão simples como ligar pontos ou caçar palavras. “Uma criança de 5 anos, alfabetizada, pode ler nossos trabalhos. É questão de propiciar ao espectador o aprendizado de novas leituras”, desafia Rafael Lain.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:17 PM

Fora dos padrões por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 29 de janeiro de 2010

Sesc integra programação de atividade física e cultural, com mostra que critica padronização de conceitos de beleza e bem-estar

A origem da ideia de avatar – duplo criado por uma pessoa para dar conta de missões e tarefas humanamente inviáveis, geralmente em um ambiente digital – remonta a uma história do século XVII, recontada por Jorge Luis Borges em “O Livro dos Seres Imaginários”. Borges conta que, segundo a cabala, um rabino construiu um homem artificial, chamado Golem, para que este desse conta de trabalhos pesados, como tocar os sinos da sinagoga. Essa história é revivida pelo artista paulistano Pazé, que construiu sua réplica em tamanho natural, com articulações de aço. Nem Golem, nem avatar, o boneco de Pazé tem um pouco dos dois: chama-se “Transeunte” e foi concebido em 2001 para suprir a necessidade de locomoção sem fronteiras do artista. Desafiador das leis da gravidade, o replicante de Pazé foi fotografado no topo de edifícios do centro de São Paulo e agora sobe pelas paredes no Sesc Pinheiros, expressando um dos conceitos centrais da mostra “Sujeito: Corpo”: vencer as limitações impostas por um corpo que não corresponde a padrões estabelecidos. Obras de sete artistas foram selecionadas para representar conceitos altamente discutíveis quando o assunto é performance física e bom desempenho corporal. “Deriva” (2009), de Sonia Guggisberg, por exemplo, evoca a primeira lei de Newton, que afirma ser a inércia a qualidade natural de um corpo, “a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças a ele impressas”.

Com três projeções, a videoinstalação apresenta um corpo que boia à deriva, num deslocamento lento, constante e repetitivo, tratando-se, afinal, de um movimento imposto por uma vontade alheia à do náufrago. O trabalho pertence à série “(I)mobilidade”, que representa nadadores com seus movimentos travados e impedidos por forças contrárias. Se os limites e as superações físicas dão a tônica dos discursos expostos, a obra de Oriana Duarte navega no sentido de evidenciar as conjunções possíveis entre o trabalho artístico e a atividade esportiva. Com imagens captadas ao longo de muitas horas de práticas esportivas a bordo de um barco doublé skiff, a instalação “Plus Ultra” (2007–2009) é o resultado de dois anos de pesquisas da artista-esportista, integrando as áreas de artes plásticas e de estudos do corpo.

Roteiros
O AVÔ DO VÍDEO

Na era da comunicação móvel, somos todos jornalistas. Qualquer um, com um pouco de talento, é capaz de transformar uma história pessoal em notícia. Mas o que hoje reconhecemos como ausência total de fronteiras entre espaço público e privado tem uma história mais antiga do que parece. Essa história está contada na série televisiva “Super 8 – Tamanho também É Documento”, que, em 13 episódios temáticos, resgata um suporte cinematográfico praticamente esquecido do grande público. Antes do blue-ray, existia o DVD. Antes do DVD, existia o VHS. Antes do VHS, existia o super-8. Clovis Molinari Jr., diretor do programa, ensina à atual geração de blogueiros que a câmera super-8 surgiu em 1964 como um eletrodoméstico, uma espécie de máquina de fotografar em movimento, a serviço da vida familiar. “O super-8 mostra como aquela geração registrou sua vida e processou o mundo”, diz o diretor, também apresentador do programa. Logo, o formato seria “saqueado pelos filhos dos aficionados”, jovens dispostos a tudo, menos à documentação da vida doméstica. “As imagens do lar, doce lar teriam fim”, afirma Molinari. É aqui que começa a vida subversiva, artística, política e experimental desse formato cinematográfico, que já ganhou circuitos, mostras, exposições e teses acadêmicas, mas só agora chega à televisão. Hoje, toda aquela produção virou documento. E essa dimensão está muito bem apresentada pelo programa, que mostra, entre outras pérolas, imagens do velório de Glauber Rocha, da derrubada do prédio da União Nacional dos Estudantes, no Rio, e um filme de ficção, feito por estudantes de filosofia da UERJ , em 1979.

Virtuais
A INTERNET COMO ESPAÇO EXPOSITIVO

Pioneiros da Arte.BR / http://www.youtube.com/user/premiosergiomotta/ até 6/2

Abraham Palatnik, Waldemar Cordeiro, Carlos Fadon Vicente, Regina Silveira, Rafael França e outros autores considerados precursores da artemídia – campo de produção que integra arte e mídias digitais – encontram finalmente um lugar na rede. Hospedada no canal do Instituto Sergio Motta no YouTube, a mostra “Pioneiros da Arte.BR” apresenta ao grande público internauta nove obras fundamentais quando o assunto é tecnologia. Com curadoria de Nina Gazire, web-editora do ISM, a mostra abre uma temporada de exposições no site de compartilhamento de vídeos.

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 4:09 PM

Em mostra, videoartista questiona o tempo por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fábio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 1 de fevereiro de 2010

Uma das modalidades recorrentes da videoarte é a desaceleração do tempo, evitando edições ágeis, o que, de certa forma, representou uma reação ao ilusionismo do cinema e da televisão. Assim, quanto mais devagar se observa uma cena, mais obviamente se percebe que ela é uma construção.

O coreano Nam June Paik (1932-2006) é um dos mais importantes precursores dessa perspectiva, que tem nos norte-americanos Bill Viola e Gary Hill a segunda geração que discute essa questão.

Hill está em cartaz em São Paulo em "Circumstances/Circunstâncias", com curadoria de Marcelo Dantas, criada para a Oi Futuro, no Rio, e aqui exibida no MIS (Museu da Imagem e do Som), onde estão duas de suas obras-primas que também discutem o tempo: "Viewers" (1996) e "Wall Piece" (2000).

Em "Viewers" (observadores), 17 operários vestidos com roupas do cotidiano são projetados numa parede em tamanho real. A maioria é composta por imigrantes ilegais de Seattle -onde Hill tem estúdio- e todos, silenciosamente, confrontam os visitantes.

Figuras invisíveis da sociedade norte-americana, se tornam cúmplices dos visitantes numa reunião irônica e praticamente impossível. A obra, contudo, está longe de ser agressiva, e é pelo forte apelo estético que o sarcasmo do vídeo ganha contornos mais fortes. Como não há ação, o silêncio passa a ser quase constrangedor.

Já em "Wall Piece" (peça do muro), vê-se um homem-artista atirar-se repetidamente contra uma parede, sendo iluminado apenas nos momentos em que a toca de fato. Cada vez que a atinge, fala o trecho de um texto que começa com "uma palavra, um milésimo de uma imagem". Como num ritual, a obra provoca uma espécie de transe e a experiência, um tanto violenta pela pulsão da luz e do corte entre as falas, faz com que, de fato, o texto fique em segundo plano.

Essas duas obras, complexas e intrigantes, no entanto, destoam um tanto das demais obras expostas, especialmente de "Unconditional Surrender (Circunstance)", que está disposta na monumental sala circular do MIS. Totalmente virtual, o trabalho apresenta rodas que surgem num horizonte distante, até que se chocam ao ganhar maior volume quando se aproximam do observador.
Mais cerebral, "Unconditional Surrender" parece se submeter à tecnologia, sem que a experiência do corpo seja tão primordial quanto é nas demais obras.

Gary Hill - Circumstances/Circunstâncias

Curadoria de Marcello Dantas

Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa 158, Jardim Europa, São Paulo - SP
11-3062-9197 ou mis@mis-sp.org.br
www.mis-sp.org.br
Terça a sábado, 12-19h; domingo e feriado, 11-18h
Exposição até 21 de março de 2010

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 3:36 PM