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Como atiçar a brasa

 


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janeiro 22, 2010

MinC tem R$ 800 mi para distribuir por Ana Paula Sousa, Folha de S. Paulo

Matéria de Ana Paula Sousa originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 22 de janeiro de 2010

Enquanto aguarda mudança da Lei Rouanet, ministério prepara o lançamento de prêmios culturais para o mês de abril

Se promessa for cumprida, recursos públicos vão se equiparar ao dinheiro movimentado pela renúncia fiscal em 2009

Não é primeira vez que o Ministério da Cultura (MinC) comemora um orçamento recorde. Mas, se nenhuma peça mudar de lugar, em 2010 a pasta que entrou na era Lula sob a batuta de Gilberto Gil, em 2003, será rica como nunca foi. Dos R$ 1,3 bilhão em 2009, houve um salto para R$ 2,2 bilhões. "É o maior crescimento proporcional que tivemos", diz Alfredo Manevy, ministro interino.

A grande virada é que, desse bolo, R$ 800 milhões terão como destino o Fundo Nacional de Cultura (FNC) que, até aqui, era mera figura jurídica. "São esses R$ 800 milhões que justificam a reforma da Rouanet, já que a renúncia deixa de ser o único guichê", diz Manevy. "Terá início um novo modelo, baseado nos fundos setoriais."

Haverá programas e editais para áreas como cidadania e diversidade, livro e leitura, artes cênicas, música e artes visuais. O primeiro pacote de prêmios e bolsas tem lançamento previsto para abril. Outros dois se seguirão. A análise dos projetos ficará a cargo de uma rede de pareceristas composta por mais de 500 especialistas.

Manevy esclarece que o fundo dará preferência a quem tem mais dificuldade para bater à porta das empresas em busca de patrocínio. Mas ressalta: os critérios não incluem o verbete "consagrado". "Um artista conhecido que faça experimentação também pode ter dificuldades. Será levado em conta o interesse público."

Os editais contemplarão, por exemplo, projetos de formação e aquisição de acervo e de reforma ou construção de espaços cênicos. O FNC deve incorporar também prêmios feitos em parceria com a Petrobras, como o Klauss Vianna, de dança, e o Myriam Muniz, de teatro.

Dinheiro real?
Um dos grandes fantasmas, quando se fala em orçamento direto, atende por um nome longo: contingenciamento. Trata-se de procedimento corriqueiro no governo. Ajuste aqui, ajuste ali, e parte do dinheiro acaba não sendo liberado. "Como o próprio nome diz, é uma contingência", diz o secretário José Luiz Herência.

Contingência, segundo o "Aurélio": "incerteza sobre se uma coisa acontecerá ou não". "Mas tentaremos empregar esses recursos imediatamente", afirma Herência.

O setor cultural tem, no entanto, um quê de gato escaldado. "Todo ano se anuncia orçamento recorde. Mas, em 2009, o MinC foi a pasta que teve o segundo maior contingenciamento, só atrás do Ministério da Pesca", lembra o produtor Paulo Pélico.

"O fundo é, desde sempre, a nossa batalha. Apesar das promessas, ainda não temos segurança nem de que o dinheiro sairá nem de que nossas reivindicações serão atendidas, até porque nenhum documento veio a público", diz Ney Piacentini, um dos líderes do movimento de grupos teatrais de São Paulo.
Quem está do outro lado do palco, aquele ocupado por produções tidas como viáveis comercialmente, tem outras ponderações. "O problema dos fundos é sempre a comissão. E esse ministério adora comissões", diz o ator Juca de Oliveira. "Tenho sempre receio do guichê único", diz Pélico. "Mas o fundo resolve um problema básico, que era termos o Parque Nacional Serra da Capivara [no Piauí] e o Cirque du Soleil disputando o mesmo dinheiro."

Enquanto o fundo ganha forma, vê-se uma diminuição de recursos da renúncia fiscal. Alguns produtores atribuem a queda à insegurança dos patrocinadores ante as mudanças da Lei Rouanet.

Mas houve também a crise. "A renúncia é baseada no imposto a pagar, e havia uma perspectiva de que 2009 seria um ano economicamente difícil. Algumas empresas preferiram ficar com o dinheiro em caixa", diz Fernando Rossetti, secretário-geral do Grupo de Institutos Fundações e Empresas, que reúne os maiores patrocinadores. "Embora houvesse a expectativa da mudança da lei, acho que a retração se deve mais à crise."

Posted by Fábio Tremonte at 1:36 PM

O blefe da Rouanet por Ana Paula Sousa, Folha de S. Paulo

Matéria de Ana Paula Sousa originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 22 de janeiro de 2010

Casa Civil diz que nova lei ainda está sob análise, enquanto MinC afirma que texto está pronto e aguarda mero "protocolo"

Primeiro, veio a festa. Depois, a saia justa. Primeiro, rodeado por artistas e batidas de bumba-meu-boi, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, entregou à Câmara um maço de papéis que, no próprio site do ministério, era chamado de "projeto de lei da nova Rouanet". Depois, a Casa Civil informou que o projeto ainda está sob análise e não há prazo para que seja enviado ao Congresso.

Encenação? "Foi um ato simbólico, que não tem validade. Atos simbólicos são comuns no Congresso", responde o assessor do deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara. Temer recebeu, do ministro, o documento que, a esta altura, ninguém sabe ao certo o que era. "O deputado nem tinha conhecimento de que o projeto não estava pronto", disse o assessor, pedindo para que as declarações fossem atribuídas à assessoria de imprensa. "Ele não tem como se pronunciar sem o projeto final."

O jogo de cena foi desmontado nesta semana quando, num e-mail, o assessor de comunicação da Casa Civil, Renato Hoffmann, disse que o texto ainda seria analisado e que, se algo chegou ao Congresso, não partiu dali. Para não haver dúvidas, a Folha refez a pergunta:

"O MinC diz que o projeto que está na Casa Civil já foi analisado e irá para o Congresso em fevereiro, ou seja, que ainda não deu entrada no Congresso por mera questão processual. Mas, pelo que você diz, o projeto ainda passará por análise. É isso?" Resposta: "É isso. O texto que chegou à Casa Civil será analisado." Há prazo? "Não."

Ao saber da troca de e-mails, o secretário de políticas culturais do MinC, José Luiz Herência, insistiu que o projeto já havia sido analisado. "Entregamos ao Congresso o texto finalizado. O que falta é mera processualidade."

O ministro interino, Alfredo Manevy, que na sexta-feira passada havia confirmado que o projeto, em fevereiro, entraria em tramitação com pedido de urgência urgentíssima, também negou a informação.
"Ontem alguém me disse que a Folha tinha falado na Casa Civil e eu, na hora, liguei pra lá e falei com a pessoa que está finalizando a formalização do projeto. Ele só não foi entregue por problema de recesso parlamentar e de formalidade", justificou. "Existe um projeto de lei, que está concluído. Vou ligar agora para a Casa Civil para que eles emitam uma nota dizendo que não está mais em análise. Deixa eu corrigir isso. Vou pedir para retificarem." Até o fechamento desta edição, não houve, por parte da Casa Civil, retificação ou mesmo resposta aos telefonemas.

Questionado sobre a informação errada trazida a público em dezembro, sobre o envio do projeto de lei, Manevy insistiu: "O que os jornais e revistas noticiaram é verdade. Tem uma cobrança em torno de toda essa parte procedimental que é secundária nesse processo que tem substância, veracidade. Mas, tudo bem, a palavra não foi certa, deveríamos ter dito que o protocolo formal sairia em fevereiro. Deve ter sido um erro."

Posted by Fábio Tremonte at 1:16 PM

janeiro 20, 2010

Bienal de SP terá Nuno Ramos, Nan Goldin e McQueen, por Jotabê Medeiros, O Estado de São Paulo

Matéria de Jotabê Medeiros, originalmente publicada no Estadão Online no dia 19 de janeiro de 2010

'Estado' antecipa nomes fundamentais da principal mostra de artes plásticas da América Latina

A natureza política da arte volta ao centro do debate na 29ª Bienal de São Paulo, em setembro. Não aquela arte panfletária, dos significados unidimensionais, mas uma arte capaz de mudar o jeito como vemos e refletimos sobre a sociedade - sendo irrelevante, portanto, se ela trata de conflitos ou não e a forma como articula seu discurso. O Estado teve acesso com exclusividade a uma lista dos artistas mais importantes já definidos para a jornada (a lista completa só deve ser anunciada oficialmente em fevereiro).

O choque de significado da exposição do curador-chefe Moacir dos Anjos é um leque amplo. Começa com a arte ativista do chinês Ai Weiwei, de 53 anos, nascido num campo de trabalhos forçados por ser filho de um "inimigo" da revolução cultural (o poeta Ai Qing). Espraia-se pelas jornadas fotográficas nos seios das comunidades gays e transexuais, filtradas pelo olhar da americana Nan Goldin, de 57 anos.

Uma estrela confirmada é o inglês Steve McQueen, de 41 anos (que representou a Inglaterra na Bienal de Veneza do ano passado), que vem com seus filmes em preto e branco influenciados pela nouvelle vague e por Andy Warhol, e nos quais ele é geralmente um protagonista.

Cildo Meireles, nome fundamental da arte contemporânea, volta à mostra. Em 2006, o artista plástico Cildo Meireles tinha ameaçado deixar a Bienal de São Paulo caso o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira continuasse no conselho da fundação Bienal. Ferreira foi afastado, mas já não havia tempo para Meireles enviar uma obra. Na época, ele estava com o plano de fazer a instalação Homeless Home (já montada na Bienal da Turquia, em 2003, e cuja origem era um desenho de 1968).

Outro nome essencial das grandes exposições nacionais é Nuno Ramos, que volta às mostras de arte após ganhar o Prêmio Portugal Telecom de Literatura com a obra Ó. Outros nomes: a palestina Emily Jacir, de 40 anos, nascida em Bagdá, que junta fotografia, vídeo e performance; o britânico Jeremy Deller, ganhador de um prêmio Turner; a alemã Isa Genzken, que também trabalha com diversos suportes; o belga Francis Alys, que vai do texto à animação; o português Artur Barrio; e o paraibano Antonio Dias e a carioca Alice Miceli. A 29ª Bienal está marcada para ocorrer entre 21 de setembro e 12 de dezembro. Além de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, curadores-chefes, haverá curadores convidados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Confirmados

Ai Weiwei, artista chinês;

Alice Miceli, artista carioca;

Antonio Dias, artista paraibano;

Artur Barrio, artista português;

Cildo Meireles, artista carioca;

Emily Jacir, artista iraquiana;

Flavio de Carvalho, artista carioca da geração modernista;

Francis Alys, artista belga;

Isa Genzken, artista alemã;

Jeremy Deller, artista britânico;

Livio Tragtenberg, compositor e músico paulistano;

Nan Goldin, artista norte-americana;

Nuno Ramos, artista paulistano;

Steve McQueen, artista britânico.

Posted by Fábio Tremonte at 1:54 PM | Comentários (3)

janeiro 19, 2010

Acontece em Kassel por Fábio Cypriano, Folha de S. Paulo

Matéria de Fábio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo, em 19 de janeiro de 2010

Diretora artística da próxima edição da Documenta, em 2012, conta como elabora a mais importante mostra de arte contemporânea do mundo

Desde 1972, a Documenta de Kassel é considerada a mais importante mostra de arte contemporânea. Uma das razões para tanto é que seus diretores têm cerca de quatro anos para organizá-la e, como diz a norte-americana Carolyn Christov-Bakargiev, em tom metafórico, "certos experimentos científicos não podem ser alcançados antes de três ou quatro anos".

Indicada para diretora artística da Documenta, em dezembro de 2008, por comitê que contou com o brasileiro Paulo Herkenhoff e que teve como finalista Lisette Lagnado, Christov-Bakargiev, 52, ainda está na fase inicial da pesquisa. "Eu queria ter ido ao Brasil, em 2009, ver o Panorama [no Museu de Arte Moderna], do Adriano Pedrosa, mas, como só me desliguei do museu Castello di Rivoli [em Turim], em dezembro, acabei não conseguindo. Mas certamente irei agora em 2010, pois estou criando uma rede, e o país está em minha rota", contou à Folha, por telefone.

"Eu nunca gostei de trabalhar sozinha, eu gosto de colaborações, de pingue-pongue com muita gente. Foi assim que fiz a Bienal de Sydney e a Trienal de Torino", afirma a curadora. Christov-Bakargiev esteve no Brasil quando organizou a Bienal de Sydney, na Austrália, em 2008, e daqui levou quatro artistas para a exposição: Anna Maria Maiolino, Marcellvs L., Hélio Oiticica e Renata Lucas -que já foi convidada para a Documenta, segundo curadores próximos à norte-americana.

Ainda sem um projeto final, já que a mostra se realiza apenas em 2012, Christov-Bakargiev pretende manter algumas das marcas das últimas Documentas, entre elas descentralizar a arte ocidental, como afirma na entrevista abaixo.

FOLHA - Para ser selecionada como diretora artística você precisou elaborar um projeto?

CAROLYN CHRISTOV-BAKARGIEV - Não foi exatamente um projeto. O comitê de seleção me contatou e, para ser aceita como candidata, precisei responder a três questões. A primeira foi para que serve a Documenta e qual é o seu papel; depois, qual é minha metodologia -o que foi muito interessante, pois, estranhamente, nunca pensei nisso, e foi um exercício de autorreflexão. E, finalmente, o que é necessário -uma questão também interessante, porque, afinal, o que se pode dizer que é necessário? Mesmo a vida pode não ser necessária e, então, mudei [a questão] para o que se pode fazer.

FOLHA - Então, o que se pode fazer?

CHRISTOV-BAKARGIEV - Bom, isso muda com o tempo, mas, basicamente, creio que a Documenta se transformou num estado da mente na paisagem contemporânea, tanto no mundo da arte como além dele. Creio que tenha se tornado um estado mental, pois nela se pode pensar no papel da cultura no mundo. Mas isso eu escrevi há mais de um ano e, talvez, eu mesma já tenha mudado de opinião (risos). Certo é que o mundo se transformou de maneira dramática e radical desde 1955. Hoje, como se sabe, é muito diferente, a arte se tornou popular -o que não era nem mesmo nos anos 1970, quando Harald Szeemann fez a Documenta. Assim, ela sempre esteve vinculada a esse desejo de uma consciência coletiva e, por outro lado, tem sido espaço para debater sobre o alto modernismo e os tempos pós-coloniais, uma negociação durante a globalização.

FOLHA - Mas qual é a diferença entre a Documenta e as bienais e feiras de arte?

CHRISTOV-BAKARGIEV - As bienais, que hoje chegam a 154 em todo o mundo, possuem uma certa independência territorial e independência enquanto laboratórios de experimentação para novas praticas artísticas e novos modelos de sociedade. Já as feiras de arte, assim como o mercado da arte, não são experimentais e transferem para um objeto artístico um tipo de investimento simbólico de marcas imateriais. Como vivemos numa sociedade de marcas imateriais, que é o mundo digital, de repente as obras de arte são o mais importante produto da sociedade, pois são a materialização de marcas imateriais. Além desses dois mundos, existe a Documenta, e o que a caracteriza é que ela ocorre a cada cinco anos -e esse tempo a transforma num dinossauro muito lento. Alguém me disse que deveríamos chamá-la de "ela já está atrasada", o que eu não vou fazer, mas, se pensamos no conceito de "inatualidade suprema", como tantos filósofos exploraram na importância de não se estar em dia, isso dá à Documenta um desafio, que é ter outro tempo. Certos experimentos científicos não podem ser alcançados antes de três ou quatro anos, é preciso um longo tempo para se estudar o comportamento de um animal, por exemplo.

FOLHA - E como você a vê até agora?

CHRISTOV-BAKARGIEV - É uma exposição no centro da Europa, e sou consciente de que isso gera um problema duplo. Por um lado, defendo que toda exposição seja muito baseada no local onde ocorre, pois acredito que a verdadeira experiência da arte tem a ver com o corpo e, portanto, deve ter uma relação com o espaço onde acontece.

A Documenta não pode se fechar nela mesma, pois o incrível movimento que fez com Catherine David (1997) e com Okwui Envezor (2002) foi ajudar a descentralização da arte ocidental e ver a impossibilidade de pensar através de formas que não sejam complexas ou rizomáticas.

Seria absurdo isolar Kassel, sem se descentralizar demais, senão seria uma nova forma de neocolonialismo, o que também seria absurdo. Assim, eu não lhe contei o que vou fazer, mas os problemas com os quais me confronto.

Posted by Fábio Tremonte at 4:38 PM

janeiro 18, 2010

O Fotográfo Como Curador por Paula Alzugaray, Istoé

Matéria de Paula Alzugaray originalmente publicada na revista Istoé, em 08 de janeiro de 2010

Rochelle Costi fotografa os porões do CCSP e expõe uma seleção de "objetos encontrados"

Convidada a desenvolver uma obra especialmente para o Centro Cultural São Paulo, referindo-se ao contexto local, a fotógrafa Rochelle Costi elegeu como ambiente de trabalho o subsolo da instituição. Sob os dois pisos que comportam as bibliotecas, as salas de exposição, os teatros, os estúdios, os jardins e as áreas de convivência do Centro Cultural, existe um universo oculto formado por ateliês, oficinas, laboratórios e arquivos. Durante semanas, Rochelle vasculhou os porões – onde são guardadas, por exemplo, as obras do acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo – e fez sua própria seleção de “obras” a serem expostas. Revirando as salas de elétrica, cenotécnica, fotolito, serralheria, gráfica, encadernação e depósito, Rochelle localizou e fotografou 25 composições espontâneas que denominou “objetos encontrados”.

“Minha ideia inicial era fazer algo com os ‘achados e perdidos’. Quando cheguei ao subsolo, procurando a zeladoria, encontrei uma outra ocupação do espaço e o universo que eu gosto de trabalhar, que é o popular”, conta a artista, que elegeu um acervo de imagens representativo desse universo e inventou uma museografia própria para exibi-lo. Na marcenaria, ela achou um tabuleiro de jogo com cores fortes; na serralheria, traquitanas e cacarecos sobrepostos que podem até ser associados a montagens dadaístas. Mas foi na gráfica que ela encontrou o objeto de potencial estético imbatível: uma caixa de madeira amarela, de “design” local, engenhosamente inventada para funcionar como apoio de pastas.

A partir desse objeto, informalmente associado pela artista a uma “caixinha oiticicana” – em referência aos objetos que espacializaram a pintura de Helio Oiticica nos anos 60 –, Rochelle concebeu as caixas que funcionam como suportes de suas fotografias. Dessa forma, os “objetos encontrados” por ela em sua descida ao subterrâneo podem ser vistos dentro de caixinhas de madeira, especialmente confeccionadas na marcenaria do CCSP. “Essas caixas propiciam ao espectador um exercício particular de visão”, define a artista, que criou, em cada uma delas, uma surpresa.

Outros caminhos para a Índia

Urban Manners 2 – Artistas contemporâneos da Índia / Sesc Pompeia, São Paulo / 21/1 a 4/4

Como o Brasil e a China, a Índia está no grupo de países em crescimento que atraem a atenção de investidores de todo o mundo. São países que compartilham não apenas interesses econômicos, mas crises de identidade, já que possuem culturas não europeias que vivenciam a globalização de forma bastante particular. E essas crises são um prato cheio para quem pensa e produz arte. A mostra “Urban Manners 2”, depois de passar por Milão (2007), apresenta pela primeira vez em São Paulo uma seleção de arte contemporânea indiana. “O crescimento econômico da Índia teve impacto na produção de arte, surgiram mais galerias e colecionadores, o que se traduz em mais oportunidades e possibilidades financeiras para os artistas”, explica Peter Nagy, crítico de arte residente em Nova Délhi que auxiliou a curadora Adelina von Fürstenberg na montagem da exposição para o Brasil. Gurus espirituais e artistas psicodélicos já faziam da Índia ponto de referência nos anos 60 e 70. Mas, diante do crescimento econômico, a Índia nacionalista, do hinduísmo e do sistema de castas, abriu espaço para um país cosmopolita e igualmente sedutor. Ao exotismo colorido das tradições soma-se uma cultura urbana condizente com sua condição de potência emergente, revelando curiosas e frutíferas contradições. No Sesc Pompeia, o choque entre tradição e modernidade aparece traduzido em vídeos, esculturas, pinturas, instalações e fotografias realizadas por 11 importantes artistas indianos da atualidade. No vídeo “I Love My India” (foto), a artista Avinash Veeraraghavan explora com montagens caóticas as imagens publicitárias espalhadas pelas cidades do país. Já em “National Product (Gandhi) and Others”, o artista Proibir Gupta mostra uma grande estátua do líder, coberta de grafites e cercada por letreiros de estabelecimentos comerciais. “Esta é provavelmente a obra mais política da exposição. Cada letreiro faz uma piada sobre o choque entre política e religião que acontece hoje na Índia. Algo que Gandhi, sem nunca ter tido a intenção, causou”, comenta Adelina, que é também fundadora da ONG “Art for the World”, criada em 1996 para promover a tolerância e instigar o diálogo entre diferentes culturas. Sempre através da arte contemporânea e do cinema.

Colaborou Fernanda Assef

Posted by Ana Elisa Carramaschi at 6:03 PM