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Como atiçar a brasa

 


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julho 23, 2009

Cinco confrontos com Gary por Camila Molina, O Estado de S. Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 no jornal O Estado de S. Paulo, em 20 de julho de 2009.

Gary Hill, celebrado criador no campo da arte multimídia, inaugura hoje no Rio a mostra O Lugar Sem o Tempo, segunda individual que traz ao Brasil e que estará em São Paulo em janeiro

Com suas videoinstalações, o americano Gary Hill quer promover confrontos: pode ser barulhento e violento, como na obra Wall Piece (2000), feita da imagem de um homem que se joga contra a parede, falando a cada vez uma palavra diferente (foto maior da página); ou algo silencioso e desconcertante, como Viewer (1996), projeção, em telas que somam 14 metros, de uma fila de 15 homens, trabalhadores das camadas subjugadas e exploradas, que encaram o público, quase imóveis. Confrontar, para Hill, é a raiz da interatividade - e é sua maneira de "instigar acontecimentos" na mente das pessoas, trazer à tona os "interstícios de situações". Como diz ao Estado, usando outra expressão curiosa, ele quer promover a "sanfonização do tempo", alongando-o para mexer com nossa percepção.

Quebrando a barreira do que o enclausuraria no campo do vídeo, ou da arte tecnológica, o artista multimídia Gary Hill está inscrito na história da arte contemporânea como um criador já antológico, alguém que, não por acaso, faz parte da geração de Bill Viola e Bruce Nauman, outras duas referências para qualquer que seja o pensamento artístico atual. Por isso, é de se celebrar que este californiano, de 58 anos, que foi skatista e surfista, esteja agora pela segunda vez no Brasil, depois de um pulo de mais de uma década, quando fez por aqui, em 1997, sua primeira mostra individual, O Lugar do Outro.

Hoje, às 19h30, Gary Hill inaugura no espaço Oi Futuro, no Rio, a exposição O Lugar Sem o Tempo, formada por cinco grandes videoinstalações, entre elas, Wall Piece e Viewer, e ainda Accordions - The Belsunce Recordings (2001/2002), Up Against Down (2008) e Language Willing (2002). Em sua passagem pelo País, ele faz também duas palestras, uma amanhã, às 18 horas, no Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63, Rio); e outra na quarta-feira, às 19 horas, no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba (Rua Marechal Hermes, 999).

Em 1997, o videoartista e produtor Marcello Dantas realizou a mostra O Lugar do Outro, exibida no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com quatro obras de Hill. "Quando voltei de Nova York, no início dos 90, a gente estava na porta da história da arte contemporânea, coisas novas estavam acontecendo como a explosão do próprio Gary Hill, Bill Viola, Jenny Holzer. A gente não tinha informação, não tinha internet. Hoje eles se tornaram a coisa mais importante da arte e me deu a vontade de restabelecer esse link, entender até o que aconteceu com a nossa percepção. Quando você vai a uma Bienal de Veneza, ou à Bienal de São Paulo, o vídeo, a arte eletrônica viraram a coisa", afirma Dantas.

Para ele, curador também agora de O Lugar Sem o Tempo, orçada em R$ 500 mil e que a partir de janeiro de 2010 será exibida no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, Hill está entre os artistas que trabalham na chamada "time based art" ou arte em que a questão do tempo é fundamental, "seja lá qual for o suporte".

"Há duas questões específicas no trabalho do Gary que podem ser vistas nessa exposição: obras em que ele encara o outro e, por outro lado, obras que são muito performáticas e nas quais ele lida com o si mesmo, ou seja, com o próprio corpo, coloca e confronta o outro", tenta explicar Dantas, ressaltando também um caráter sensorial das videoinstalações do artista. Gary Hill, de forma simples, explica a raiz do confronto: "Quando encaramos o outro, refletimos sobre as verdadeiras ideias que temos de nós, fazemos essa projeção."

Escultor por formação, Gary Hill, que vive desde 1985 em Seattle, fez sua primeira videoinstalação, Hole in Wall, em 1974, obra que na época quebrou o muro que ainda emperrava a aceitação do vídeo como arte. Nascido em Santa Monica, na Califórnia, em 1951, ele se mudou para Woodstock, no Estado de Nova York, no final da década de 1960, onde começou a experimentar o vídeo como ferramenta. "Qualquer um que use a mídia de sua época, que faz filmes, está esculpindo o tempo, exceto os que são feitos em Hollywood", diz Gary Hill, concluindo que, unindo a tecnologia, sempre pensa seus trabalhos como um escultor. "Wall Piece, em que o homem bate seu corpo contra a parede enquanto diz uma palavra, vejo como algo escultórico, penso em como, com essa ação, se pode mudar a forma de uma palavra."

Sempre que se fala na obra do artista, explicita-se que sua pesquisa está fincada na relação entre a imagem e a linguagem. A questão da palavra, portanto, na obra de Hill - que faz seus trabalhos em colaboração com escritores e poetas - é fundamental. "O que é poesia e o que ela pode ser? A maneira como as palavras trabalham em nossa mente e no espaço, quando se lê, se escreve, se descreve, se pensa, é muito diferente, acontece em outro nível. Linguagem, poesia e pensamento têm vizinhança estranha", afirma. No texto de Wall Piece, por exemplo, Hill escreve: "Uma palavra vale um milésimo de uma imagem. Embasbacar-me deixou de ser uma opção. De certa forma, estou cego. Vivencio o tempo por meio de uma série de imagens que conheço desde sempre. Mas é exatamente esse ?desde sempre? que me assombra." Nas camadas do alongamento do tempo e da percepção, algo pode acontecer e Hill arremata: "Quando você perde as palavras é quando experimenta a verdadeira natureza da linguagem."

Entenda Cada Uma das Videoinstalações da Mostra

VIEWER (1996): Conhecido trabalho do artista, é uma grande obra que ocupa cerca de 14 metros de uma sala e é feita a partir de cinco videoprojetores. Em escala humana real, homens identificados como trabalhadores que podemos dizer serem das minorias raciais - imigrantes latinos, etc. - estão em fila, de frente para os espectadores e encarando-os. Eles ficam quase imóveis porque seus gestos são apenas aqueles relacionados à ação involuntária de descanso do corpo. Nesse trabalho, silencioso, simples e potente, Hill joga com a questão do "encarar o outro" - afinal, quem é o espectador de quem?

UP AGAINST DOWN (2008): Este é um trabalho performático e no qual está o próprio Gary Hill. Imagens de partes de seu corpo são projetadas em diferentes lugares, todas elas em cenas de pressão do corpo em tensão com um espaço neutro. A obra também tem o uso do recurso do som.

LANGUAGE WILLING (2002): O poeta australiano Chris Mann recita texto atuado por um par de mãos que mexem dois grandes discos projetados em grande formatos dispostos lado a lado. Os discos são cobertos com papel de parede padrão floral, um vermelho e outro um branco creme. A ação é entremeada com som, que fica mais e menos contundente, criando situação perturbadora.

ACCORDIONS (2001/2002): A obra foi gravada na pequena Belsunce, comunidade franco-argelina em Marselha. O trabalho, formado por cinco projeções não sincronizadas de imagens e sons, é feito a partir de cenas do cotidiano da vida no bairro.

WALL PIECE (2000): Também uma obra diretamente performática, é a projeção da imagem de um homem, de calça, paletó e camisa, que vai se jogando, como flashes, contra uma parede. A ação é acompanhada, a cada vez, de uma palavra pronunciada em voz alta, depois se transformando em texto.

Posted by Ananda Carvalho at 6:35 PM

Ministro da Cultura critica oposição e revela planos por Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

Matéria de Antonio Gonçalves Filho originalmente publicada no Caderno 2 no jornal O Estado de S. Paulo, em 21 de julho de 2009.

Juca Ferreira diz que não vai manchar sua biografia com dirigismo cultural e anuncia ampliação do Vale Cultura, que precisa da aprovação do Congresso

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, garantiu ontem, em conversa com o Estado, que o projeto de revogar e substituir a Lei Rouanet de incentivo à produção cultural vai aumentar os recursos à disposição da cultura, hoje em torno de R$ 1,3 bilhão. Por telefone, comentando um artigo publicado anteontem no caderno Cultura, sobre a discordância de autoridades e representantes de empresas paulistas a respeito da nova Lei Rouanet, Ferreira garantiu que o governo "ganhou uma batalha" contra aqueles que, durante o processo de consulta pública sobre a sua reformulação, criticaram o governo de dirigismo cultural, ao propor que a decisão final sobre a concessão de incentivos a obras caiba a seu ministério e representantes da sociedade, e não aos departamentos de marketing de empresas.

É certo que o projeto, que deveria ser enviado ao Legislativo em junho, ainda terá de ser submetido à aprovação de deputados e senadores, provavelmente no próximo mês, mas o ministro mostra confiança em sua aprovação, após os ajustes feitos com base na avaliação de sugestões colhidas durante a consulta pública feita por seu ministério. "Os que discordam do projeto de reformulação são os maiores beneficiários da lei atual", argumenta o ministro, classificando o enfrentamento dos empresários paulistas de "belicoso". Ele garante que sua biografia política é um atestado contra qualquer tentativa de dirigismo cultural e que a atual legislação, com critérios de análise um tanto vagos, é que permite a distribuição aleatória de recursos, não cumprindo o compromisso democrático.

Ferreira defendeu a instituição de um modelo híbrido de financiamento cultural em que o Fundo Nacional de Cultura e fundos setoriais que serão criados pelo governo irão permitir uma melhor avaliação dos projetos culturais. Respondendo a uma crítica do setor empresarial, de que o governo não tem pessoal para julgar esses projetos, Ferreira lembrou que será aberto um concurso público para pareceristas.

Nesta quinta, o Congresso deverá receber outro projeto de lei do MinC, que institui o Vale Cultura, mecanismo para subsidiar o consumo de produtos culturais. O projeto do vale corre paralelo à nova lei e já desperta o interesse das centrais de trabalhadores, mas precisa de aliados políticos na Oposição para ser aprovado - algumas mudanças previstas não agradam aos setores empresariais, que certamente receberão menos patrocínios.

Posted by Ananda Carvalho at 6:27 PM

Fundação Bienal se explica a promotores por Ana Paula Sousa e Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Ana Paula Sousa e Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha de S. Paulo, em 22 de julho de 2009.

Se Ministério Público não aprovar atas, posse de nova diretoria está ameaçada

"O MP está querendo procurar pelo em casca de ovo", diz o conselheiro Jorge Wilheim, que lançou candidatura de Heitor Martins à presidência

A seis dias da tomada de posse da nova diretoria, presidida por Heitor Martins, a Fundação Bienal de São Paulo está às voltas com pedidos de explicação do Ministério Público.

Em ofício enviado à Bienal na sexta, o MP questiona o contrato da mulher de Martins com a fundação, o aumento no número de conselheiros, sua isenção em relação à diretoria e o número de diretores estatutários.

A mulher de Martins, Fernanda Feitosa, aluga o pavilhão para realizar a feira SP Arte. Pelo estatuto recém-aprovado pela Fundação Bienal, deveria cair o número de conselheiros de 50 para 40. Martins, no entanto, indicou seis novos nomes para integrar o grupo.

Após receber as respostas da Bienal, o MP decidirá se aprova ou rejeita as atas da reunião que elegeu a nova diretoria em 28 de maio. Se rejeitadas, a posse, prevista para a próxima segunda, seria suspensa. "A data de posse está mantida. Só por ordem do MP haveria um adiamento", diz Miguel Pereira, presidente do conselho.

Ele enviou ontem ao MP uma carta de sete páginas em que procura responder às perguntas da promotora Ana Maria de Castro Garms e traça um histórico da Bienal, enredada em problemas administrativos e denúncias de irregularidades.

"O contrato [de Fernanda Feitosa] foi renovado ainda na gestão comandada pelo Manoel Francisco Pires da Costa e se estende até o ano de 2015", afirma Pereira. "Nenhuma ingerência teve Heitor Martins na discussão das cláusulas."

Ao citar Martins, o presidente do conselho diz que o empresário foi o único a aceitar o posto, lembrando que, antes dele, todos os postulantes "acabavam por desistir". A única exigência de Martins foi autonomia para "formar uma sólida corrente de apoio". "Tal equipe não se cingia a quatro ou cinco pessoas, mas abrangia um número maior", afirma Pereira.

Outros conselheiros e pessoas ligadas à Fundação Bienal dizem que houve, no entanto, um atraso no registro do novo estatuto e os conselheiros indicados por Martins puderam entrar para o grupo ainda sob o estatuto antigo, que previa sete lugares vagos.

"O conselho não foi incongruente quando antes tinha dito que não iria preencher as vagas e depois resolveu preenchê-las", diz um conselheiro ouvido pela Folha.

"Nos dois momentos, ele agiu pensando no bem da fundação, na necessidade de aportes financeiros." Um dos conselheiros indicados por Martins, Tito Enrique da Silva Neto, do banco ABC Brasil, já doou, via Lei Rouanet, R$ 300 mil para ajudar a sanar as dívidas da Bienal.

Pelo em ovo

Segundo apurou a Folha, alguns conselheiros veem no questionamento do MP uma manobra da atual gestão para adiar a posse de Martins. "Alguém está interessado em dificultar as coisas para a diretoria", diz um conselheiro que não quis ser identificado.

Em resposta, o atual presidente Manoel Francisco Pires da Costa afirma que está "trabalhando sem parar desde quando essa diretoria foi eleita". "Eu fiz tudo para que realmente acontecesse uma transferência de cargo", afirma.

Para o conselheiro Jorge Wilheim, que lançou a candidatura de Martins à presidência, o MP está "querendo procurar pelo em casca de ovo". "As perguntas feitas têm resposta; é uma coisa corriqueira", afirma. "Não estou vendo como fazer grande drama em torno disso."

Posted by Ananda Carvalho at 3:29 PM

Nova Rouanet empaca no calendário por Silvana Arantes, Folha de S. Paulo

Matéria de Silvana Arantes originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha de S. Paulo, em 20 de julho de 2009.

Prevista para chegar ao Congresso em junho, proposta que altera lei de incentivo à cultura só ficará pronta em agosto

Ministério da Cultura diz que sugestões apresentadas pela sociedade atrasaram a confecção de nova legislação de patrocínio

O projeto do Ministério da Cultura (MinC) de revogar e substituir a Lei Rouanet, que canaliza cerca de R$ 1 bilhão por ano à produção cultural, via subvenção fiscal, empacou no calendário.

O objetivo era enviar o documento ao Legislativo em junho. "Há uma questão de tempo político. O projeto precisa chegar ao Congresso no máximo até o meio do ano", afirmou à Folha, em março, o secretário-executivo do MinC, Alfredo Manevy. Agora, o ministério estabelece agosto como novo prazo para submeter a proposta a deputados e senadores.

O atraso, segundo o MinC, deve-se ao fato de que tornou-se mais complexo do que se supunha o processo de ajustes que estão sendo feitos no texto, levando-se em conta as cerca de 2.000 sugestões recebidas na consulta pública realizada entre março e maio passados.

Embora a chamada Nova Lei Rouanet ainda esteja na gaveta ministerial, o Congresso deverá receber, nesta quinta, um outro projeto de lei do MinC. Trata-se de um desmembramento das medidas previstas na Nova Rouanet, com as quais o ministro Juca Ferreira (Cultura) pretende reconfigurar o modelo de financiamento à produção cultural no país.

O ponto a ser antecipado ao Congresso institui o Vale Cultura, um mecanismo semelhante ao do Vale Refeição, que subsidia o consumo, no caso, de produtos culturais. Segundo o MinC, essa é uma proposta "consensual", que tem, portanto, chances de tramitação e aprovação velozes. Daí a explicação para o fato de ser apresentada em separado e antecipadamente à Nova Rouanet.

Outro aspecto leva a crer que o MinC prevê embate no Congresso em relação ao projeto de modificar a Lei Rouanet, que dá mais poder ao ministério de decidir onde aplicar o dinheiro.

A pasta prepara para breve uma reunião para discutir o projeto com os representantes das empresas que mais investem em cultura no país.

De um lado, o MinC gostaria de obter dos patrocinadores o compromisso de que investirão mais dinheiro privado e menos "recursos incentivados" na cultura. Os empresários, por sua vez, argumentam que muitas das mudanças previstas na lei a tornam menos atraente e acenam com menos patrocínios.

Dedos e anéis

A Folha apurou que o MinC adotará na reunião a estratégia de não ceder a pressões. Avalia que "o risco é perder os anéis agora, e os dedos lá na frente".

Negociando em diversas frentes simultaneamente, o ministro Juca Ferreira divulgou ter obtido neste mês uma moção de apoio de governadores do Nordeste e do de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), além da promessa de que irão pressionar as bancadas de seus respectivos Estados para aprovar o projeto da Nova Rouanet.

Diante do atraso no cronograma de substituição da Lei Rouanet -objetivo declarado do MinC desde a primeira gestão do governo Lula-, o ministério diz ter optado por "consertar o avião enquanto ele voa", conforme diz Manevy.

Uma das iniciativas para aperfeiçoar o funcionamento do mecanismo foi tomada na semana passada, quando o MinC lançou edital para a contratação de avaliadores.

A medida é, de acordo com o MinC, uma tentativa de profissionalizar e qualificar o método de avaliação dos projetos que aspiram ao benefício da lei. "O ministério tem pareceres hoje, mas são ruins. O sistema não funciona bem", diz o secretário-executivo da pasta.

Ministério muda artigo polêmico

O Ministério da Cultura reescreveu o mais polêmico artigo de seu projeto que revoga e substitui a Lei Rouanet -o que estabelece o direito de uso, pelo governo, de obras produzidas com o incentivo da lei federal.

Na forma anterior, que desencadeou uma onda de reações negativas e a suspeita de ilegalidade por advogados consultados por patrocinadores, o artigo 49 estipulava que "o Ministério da Cultura e demais órgãos da Administração Pública Federal poderão dispor dos bens e serviços culturais financiados com recursos públicos para fins não-comerciais e não-onerosos, após o período de três anos de reserva de direitos de utilização sobre a obra".

O prazo para o usufruto pelo governo de obras financiadas pela lei caía para 18 meses, em caso de "fins educacionais, igualmente não-onerosos".

Novos critérios

A nova redação desse artigo estabelece que "a União poderá exigir, como condição para a aprovação de projetos financiados com o mínimo de 80% de recursos públicos, que lhe sejam licenciados, em caráter não-exclusivo e de forma não-onerosa, determinados direitos de utilização das obras intelectuais resultantes da implementação de tais projetos".

No esforço de atenuar a preocupação de produtores culturais de que essa exigência comprometerá a exploração comercial de seus produtos, o MinC acrescentou dois parágrafos ao artigo.

O primeiro determina que "o uso previsto neste artigo será permitido após decorrido um prazo não inferior a três anos do encerramento do projeto, conforme disposto no regulamento, e deverá ser para fins institucionais e não-comerciais, tais como educacionais, culturais e informativos".

Por fim, o texto afirma que "a licença de que trata este artigo refere-se a uma autorização voluntária restrita a certos direitos de utilizar a obra intelectual, nos termos e condições fixados, sem que se caracterize transferência de titularidade dos direitos".

Posted by Ananda Carvalho at 3:22 PM