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Como atiçar a brasa

 


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As últimas:
 

maio 29, 2009

Heitor Martins é eleito presidente da Fundação Bienal por Silas Martí, Folha Online

Matéria originalmente publicada na Folha Online, em 29 de maio de 2009.

O empresário Heitor Martins, 41, foi eleito nesta quinta-feira (28) presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Candidato único ao cargo, ele teve 28 votos a favor, um contra e duas abstenções --27 conselheiros foram à reunião na Bienal e quatro votaram por meio de procuração.

Sócio-diretor da consultoria financeira McKinsey, Martins é investidor e colecionador de arte, casado com Fernanda Feitosa, criadora da feira SP Arte.

Além dele, foram eleitos ontem para a diretoria e o conselho todos os nomes que havia sugerido, priorizando profissionais do setor financeiro para dirigir a instituição e colecionadores para integrar o conselho.

Minutos após a eleição, Martins adiantou à Folha a intenção de convidar mais de um curador para realizar a próxima Bienal, sendo um deles estrangeiro. Ele terá como prioridade agora apresentar propostas para realizar a mostra em outubro de 2010 --o evento corria o risco de ser adiado para 2011 por falta de verbas e atrasos na escolha do curador.

"Essa é a primeira missão, fazer a Bienal em 2010 e expandir a sua conexão com o governo e com diversos níveis da sociedade", disse Martins.

Com apoio declarado do ministro da Cultura, Juca Ferreira, com quem se reuniu na última terça, Martins diz que vai buscar agora estreitar laços com os governos do Estado e do município, além de patrocinadores da iniciativa privada.

Também disse que a escolha do curador será uma decisão dele e de sua diretoria, em vez de uma eleição de projetos submetidos à fundação, como ocorreu nas duas últimas edições da mostra. Segundo ele, serão nomes que nunca fizeram uma Bienal de São Paulo.

Estão na nova diretoria Jorge Fergie, sócio de Martins na consultoria McKinsey; Eduardo Vassimon, ex-vice-presidente do banco Itaú BBA; e os empresários Luis Terepins e Pedro Barbosa. Outros membros são Justo Werlang, ex-presidente da Bienal do Mercosul, o colecionador Miguel Chaia e o advogado Salo Kibrit.

Por indicação de Martins, passam a integrar o conselho da Fundação Bienal: Alfredo Egydio Setúbal, Carlos Jereissati Filho, José Olympio Pereira, Paulo Sérgio Coutinho Galvão Filho, Susana Steinbruch e Tito Enrique da Silva Neto.

Posted by Ananda Carvalho at 2:40 PM | Comentários (2)

maio 28, 2009

Brincadeiras e ocupações de Leirner por Camila Molina, O Estado S. Paulo

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 no jornal O Estado S. Paulo, em 27 de maio de 2009.

Com ousadia, ele propõe uma releitura de suas obras mais emblemáticas

Nelson Leirner quer amordaçar o público, já que as pessoas não reagem politicamente: "Não há mais ideologia na arte, nem política. O discurso do artista só existe hoje se ele tiver um interlocutor", afirma ele, que inaugura hoje para convidados no Itaú Cultural não uma exposição, mas o resultado da Ocupação que fez no espaço de cerca de 120 m² no piso térreo da instituição. Com a liberdade total que o Itaú Cultural lhe deu para abrir o novo projeto da instituição para o local (que ainda vai receber José Celso Martinez Corrêa e Abraham Palatnik), Leirner escolheu colocar trabalhos emblemáticos de sua carreira, todos da década de 1960 - Porco Empalhado, Tronco com Cadeira, Homenagem a Fontana II e Stripencores (feito em 1968 para o Suplemento Feminino do Estado) - e fazer releituras contemporâneas dessas obras. O diálogo entre os trabalhos reitera e faz reverberar seu pensamento: se não há mais espaço para a audácia na arte, deixe o público de castigo.

Quando Leirner criou Homenagem a Fontana, em 1967, a grande novidade do "primeiro múltiplo feito no Brasil, industrializado", como diz, era a de que o quadro, feito com tecido e zíperes, poderia ser manipulado pelas pessoas. De maneira irônica e bem-humorada, o artista fez menção, tal o título do trabalho, ao emblemático corte que Lucio Fontana promoveu na tela de um quadro como parte de sua pesquisa do conceito espacial - na "Homenagem" do brasileiro, cada área da pintura poderia, por assim dizer, se cortada camada por camada pela ação de se abrir o zíper. Agora, na recriação atual dessa obra, não há como interagir: a composição, chapada, é toda feita com pedaços de madeira e ploter. Numa passagem rápida, tirar a brincadeira de seus trabalhos significa podar o caráter interativo de todas as obras. Num sentido mais amplo, significa ainda mostrar que não há espaço para a liberdade.

"O trabalho de arte não pode mais ser interativo: as instituições e a sociedade proibiram isso porque agora aquela obra tem valor comercial. E se você chega ao trabalho e não pode mexer, é frustrante", diz. Nelson Leirner está com 77 anos e ao longo de sua carreira se tornou uma referência da arte contemporânea brasileira. Foi professor de uma turma importante de criadores da chamada Geração 80 - cita entre alunos próximos e com os quais tem relação de afeto Leda Catunda, Sergio Romagnolo, Dora Longo Bahia e Luiz Zerbini.

A interrupção da interatividade nos diálogos entre as Homenagens a Fontana são sua ação mais visível, mas é emblemático também o artista ter optado por colocar O Porco Empalhado nessa mostra, obra que ficou conhecida como "happening da crítica" - foi mandada para o 4º Salão de Arte de Brasília em 1967 e aceita e o artista perguntou publicamente por que um porco empalhado havia entrado para o circuito da arte. Hoje, ao lado do Porco, Leirner colocou um presunto numa mesma grade (enfim, não há mais como fazer uma ação impactante). Apesar de colocar tudo como impossibilidade em sua Ocupação - com curadoria de Agnaldo Farias -, o artista não se sente "otimista nem pessimista". "Não tem amargura, tem realidade: o artista não é mais sonhador."

Posted by Ananda Carvalho at 6:44 PM | Comentários (1)

Eleição tem Martins como candidato único por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha S. Paulo.

Hoje, o Conselho da Fundação Bienal escolhe o novo presidente da instituição e deve eleger o empresário e colecionador Heitor Martins, 41, que é candidato único.

A eleição tem início às 18h, a portas fechadas. Segundo o estatuto da Bienal, o candidato é eleito por maioria simples e votos por procuração são aceitos. Não há quorum mínimo, e apenas na hora será decidido se o voto será aberto ou fechado.

"Dificilmente outro candidato aparecerá. Heitor tem apoios fortes e proposta inovadora. Estou aqui há 20 anos e foi a primeira vez que recebemos o projeto de um candidato", disse o arquiteto Miguel Pereira, presidente do Conselho, à Folha.

Martins é casado com Fernanda Feitosa, criadora e diretora da SP Arte, que ocorre anualmente no pavilhão da Bienal, o que fez com que tal relação fosse analisada pelo presidente do Conselho: "Consultei os juristas [e conselheiros] da Bienal, Carlos Bandeiras Lins e Manoel Whitaker Salles. Eles não veem problemas, o contrato da feira é anterior à eleição do novo presidente".

Tal consulta foi motivada pois o atual presidente, Manoel Francisco Pires da Costa, chegou a contratar sua mulher para cuidar do paisagismo do prédio, ação considerada irregular pelo estatuto. Pires da Costa teve de firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, em 2007.

Segundo o documento, "a Fundação e seu presidente obrigam-se a não mais firmar qualquer tipo de contratação, direta ou indireta, com Diretores, Conselheiros e parentes destes até o 3º grau".

"A SP Arte já tem cinco anos, e a relação com a Bienal é clara e pré-definida. Como é um fato que me antecede, não há problema", disse Martins. A Folha procurou o Ministério Público Estadual, ontem e anteontem, para saber se há algum problema na relação de Feitosa com a Bienal, mas não teve resposta.

Martins possui ainda vínculo com o mercado: "Sou colecionador e colecionar não é só acumular. Vender obras para adquirir outras é uma forma de manter a coleção viva, de reciclar o acervo", justifica ele.

Em carta aos conselheiros, o candidato propôs que sua posse ocorra em até 60 dias, após um período de gestão compartilhada, na qual as contas da Bienal tenham uma sensível melhora -as dívidas estão em cerca de R$ 4 milhões.

"O estatuto já propõe que a posse ocorra em até 60 dias", disse Pereira. Segundo a Folha apurou, além do ministro da Cultura Juca Ferreira, Martins encontrou-se ontem também com o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil.

Posted by Ananda Carvalho at 6:33 PM

A Bienal tem salvação? por Silas Martí, Folha S. Paulo

Matérias de Silas Martí originalmente publicadas na Ilustrada no jornal Folha S. Paulo, em 28 de maio de 2009.

Ilustrada ouve as propostas dos conselheiros da entidade, que elege presidente hoje

Por trás da crise da Bienal de São Paulo, podem estar o "grau de controvérsia da arte contemporânea", o "modelo defasado" da mostra de artes plásticas ou mesmo a última gestão, do advogado Manoel Pires da Costa, que "dilapidou a Bienal de seu cabedal ético".

Nos dias que antecederam a eleição para a presidência da Fundação Bienal, que acontecerá hoje numa reunião a portas fechadas, a Folha ouviu 41 dos atuais 53 conselheiros da instituição. Todos foram procurados pela reportagem -dois não quiseram dar declarações e os demais estavam fora do país.

Mesmo saudosos do mecenato de Ciccillo Matarazzo, acreditam viver o início de uma nova era. Falam em abolir "vícios", limar a "velharia inoperante" e "conselheiros fantasmas". Como solução, sugerem até juntar num só evento as mostras de arte e arquitetura, que hoje acontecem em anos alternados, e aumentar o intervalo entre as exposições.

Candidato único hoje, o empresário Heitor Martins é visto com uma "aura de esperança", "um farolzão no fim do túnel para a Bienal".

Conselheiros admitem crise e sugerem soluções

Entre as propostas está fundir as bienais de arte e arquitetura em um só evento

Também há aqueles que defendem criar estrutura permanente e moderna para a Bienal e tentar rejuvenescer o conselho

Não há dúvida entre os conselheiros da Bienal de São Paulo de que a mostra passa por sua maior crise desde que foi fundada em 1951 por Ciccillo Matarazzo. Mas discordam quando o assunto é como restaurar o prestígio do segundo maior e mais tradicional evento de arte contemporânea no mundo.

Na enquete feita pela Ilustrada, cada conselheiro foi convidado a opinar sobre os motivos da crise atual, sugerir soluções para o futuro e dizer o que espera da nova gestão. Heitor Martins deve ser eleito hoje presidente da Fundação Bienal, substituindo Manoel Pires da Costa, que deixa a presidência com dívida de R$ 4 milhões.

Com 15 membros vitalícios e 38 temporários, o conselho, que não é remunerado, funciona como espécie de congresso da Bienal, podendo vetar decisões do presidente e rejeitar suas prestações de contas.

Formado em sua maioria por representantes da elite paulista, é um órgão que se reconhece como inchado e, com idade média de 69 anos, idoso -ainda há conselheiros que entraram para a instituição a convite do próprio Ciccillo Matarazzo.

A ideia original era que os conselheiros, representantes de classes abastadas e com prestígio político e financeiro, ajudassem a buscar recursos para as mostras. Hoje, no entanto, há reclamações de que boa parte está ali em busca de status, não para contribuir.

Segundo os conselheiros, a falta de verbas é a principal causa da crise da Fundação Bienal. "Está em crise porque vive da caridade da iniciativa privada", resume o jornalista e conselheiro Cesar Giobbi, 60. "Nos últimos tempos, a Bienal foi mal gerida", diz o professor Rubens Murillo Marques, 72.

Outra razão seria o envelhecimento da instituição e do conselho. "Esse conselho não se renovou. Podia dar uma boa sacudida, ter sangue novo, mais gente jovem", diz a jornalista Maria Ignez Barbosa, 64, mulher do ex-embaixador Rubens Barbosa, que chegou a ser cotado para presidir a fundação.

"A arte evoluiu, mas a Bienal não tem evoluído, fica lá uma velharia inoperante, que pouco participa, mas vai a festas, badalações", afirma o arquiteto Carlos Bratke, 66, que já presidiu a Fundação Bienal. "Não é isso que a gente quer, a gente quer gente trabalhando."

Soluções

Até agora, o único passo rumo à mudança foi a aprovação pelo conselho de um novo estatuto para a Fundação Bienal, que, entre outras medidas, deve reduzir para 40 o número de conselheiros e punir, com a perda do cargo, os que não forem às reuniões.

Enquanto isso, conselheiros sugerem desde juntar as mostras de arte e arquitetura numa só Bienal, para facilitar a captação de recursos, a aumentar os intervalos entre as exposições, com itinerâncias da Bienal por outras cidades e parcerias com museus de São Paulo.

A proposta de juntar as bienais numa só deve ser apresentada por uma comissão de conselheiros ao futuro presidente, com o argumento de já não haver distinções tão claras entre arte, arquitetura e design. "Por que separar arquitetura e arte? Estamos tentando encontrar novos formatos para reunir o que há de contemporâneo", adianta Fabio Magalhães, 66.

Para sanar problemas de orçamento, alguns defendem a volta das representações nacionais, mecanismo extinto desde 2006 em que cada país escolhia e financiava seus artistas na mostra. É um ponto polêmico, no entanto, porque limitaria a liberdade do curador.

Conselheiros enfatizaram a necessidade de instalar na Bienal uma estrutura administrativa permanente e moderna, que evitasse o desmanche de equipes a cada edição da mostra. "É preciso um "aggiornamento" da Bienal como um todo", resume Andrea Matarazzo, 53, atual secretário da Coordenação de Subprefeituras de São Paulo, que também foi cotado para o cargo de presidente.

Embora seja vista com bons olhos a candidatura de Heitor Martins, chamado de "herói", "corajoso" e "farolzão no fim do túnel" por alguns conselheiros, também há resistência à sua indicação para o cargo.

"Parece que a Bienal cogitou nomes importantes e acabou com um desconhecido que se aventurou a ser presidente", disse um membro do conselho que não quis ser identificado. (SILAS MARTÍ)

Novo estatuto vai punir os que faltarem

Na tentativa de corrigir os problemas de um conselho idoso, pouco atuante e mais afeito a badalações do que à gestão da Fundação Bienal, conselheiros acabam de aprovar um novo estatuto para a instituição. Dos 33 artigos, 24 foram alterados.

Embora sem efeito imediato, o novo estatuto, obtido com exclusividade pela Folha, reduz de 53 para 40 o número de conselheiros, incluindo os membros vitalícios. Sendo que os mandatos dos 38 temporários vencem em junho do ano que vem, é a brecha para uma renovação ampla e inédita no órgão.

Também limitam cada mandato de quatro anos a uma única reeleição, que depende da presença do conselheiro nas reuniões -a Bienal costuma realizar dois encontros ordinários por semestre- e, caso tenha integrado a diretoria, da aprovação de suas contas.

Pelo novo estatuto, perde o mandato de conselheiro aquele que faltar a mais de cinco reuniões consecutivas do grupo.

Para que se torne vitalício, contará a idade do conselheiro, sua frequência aos encontros e também a aprovação de suas contas pelo conselho fiscal.

Outra medida de grande impacto é o veto à votação por meio de procurações. Até agora, conselheiros ausentes podiam delegar seus votos aos que compareciam às reuniões por meio de procurações, de modo que um só conselheiro acabava votando em nome de muitos outros, distorcendo o resultado das votações.

A partir da entrada em vigor do novo estatuto, será permitido que cada conselheiro compareça às reuniões com no máximo uma procuração e apenas para a votação em matérias que exigem quorum qualificado. É obrigatório também que a procuração indique os itens a serem votados e o sentido dos votos do conselheiro ausente.

Foram definidas também regras para a eleição do presidente e vice-presidente do conselho, que até agora eram definidas a cada eleição. Pelo novo documento, a eleição será por voto secreto e maioria simples.

Novos rumos

Num ponto que indica com clareza algumas intenções futuras do conselho, determinam pela primeira vez que o órgão terá o poder de redefinir ou alterar os intervalos de tempo entre as exposições. Também criam um dispositivo oficial para que se dê maior atenção ao arquivo histórico da fundação, cujo estudo foi um dos motes da última edição da Bienal.

O documento também estabelece a criação de uma comissão de acompanhamento da diretoria, responsável por fiscalizar mais de perto os atos do presidente, apresentando relatórios a cada reunião. (SM)

O Que pensa o Conselho da Bienal

Leia os destaques da enquete que ouviu 41 dos 53 conselheiros

Crise

"O problema da Bienal é que ela tem que fazer uma Bienal a cada dois anos. O problema é o intervalo. Tem anos bons e anos menos bons. Quando as coisas se complicam, é ruim para todo mundo. Seria positivo para a Bienal dar uma repaginada, uma reciclada." ÁLVARO AUGUSTO VIDIGAL, 61, banqueiro

"É difícil dirigir uma fundação desse porte com a vedação de qualquer remuneração. Isso afasta aqueles que poderiam profissionalmente se voltar à Bienal, deixando o lugar a diletantes, que muitas vezes não são os mais talhados ao exercício da função." CARLOS FRANCISCO BANDEIRA LINS, 62, advogado

"A Bienal não está em crise. Estamos saindo de uma gestão excelente. É o mundo que está em crise, e a Bienal faz parte do mundo." ARNOLDO WALD FILHO, 46, advogado

"A Bienal viveu até aqui do espírito do Ciccillo Matarazzo. Ele deu alma à instituição, só que agora o mundo mudou, e a Bienal precisa de um conceito mais moderno de governança corporativa. Não é uma crise terrível, é uma crise que com um pouco de sabedoria se supera." BENO SUCHODOLSKI, 65, advogado

"O motivo principal é a gestão temerária que está se encerrando, que dilapidou a Bienal de seu cabedal ético. Falta gestão que busque resultados, que busque responder às demandas." EVELYN IOSCHPE, 60, administradora cultural

"A Bienal não está em crise nenhuma, está absolutamente em ordem. Não tem nenhum problema, nenhum tipo de constrangimento." MANOEL FRANCISCO PIRES DA COSTA, 70, advogado

"O apego da última diretoria ao cargo desgastou tudo e acabou esvaziando a Bienal e o interesse das pessoas do conselho." ELIZABETH MACHADO, 58, economista

"No dia em que a Bienal não estiver em crise, não será mais a Bienal. É da essência da Bienal esse conflito." ROBERTO DUAILIBI, 73, publicitário

Soluções

"O curador tem a sua importância, mas não pode virar o dono da Bienal. Há uma espécie de ditadura dos curadores. A Bienal é a grande festa das artes, tem que ser uma coisa bonita, atraente. Não pode ter um monte de cacarecos lá. Eleição de curador é bobagem. O curador é uma pessoa de confiança do presidente." CARLOS BRATKE, 66, arquiteto

"Estamos fazendo o que o Ciccillo faria: num momento de exaustão, repensar o modelo para que se inicie uma nova etapa, que esperamos que seja brilhante." DECIO TOZZI, 72, arquiteto

"É importante incorporar [ao conselho] pessoas das novas mídias, senão ficamos tratando de um assunto e a arte vai correndo por outro caminho, atropela isso." FABIO MAGALHÃES, 66, arquiteto

"Precisa ter um retorno às bases, gente que tenha não a vaidade de pertencer ao conselho ou à diretoria, que tenha o que o Ciccillo tinha: uma dedicação genuína e desprendida. Em vez de egoísmo, responsabilidade." MANOEL FERRAZ WHITAKER SALLES, 68, advogado

"A estrutura da Bienal precisa ser reformada, para que seja mais ágil e adequada aos dias de hoje. Precisa fazer um "aggiornamento" da Bienal como um todo." ANDREA MATARAZZO, 53, secretário da Coordenação das Subprefeituras de São Paulo

"Falta à Bienal uma estrutura administrativa profissional. Falta deixar de ser dependente do prestígio de "A", "B" ou "C". Não deveria ser função do presidente sair atrás de patrocínio, com o pires na mão." EMANOEL ARAUJO, 68, artista e curador

Expectativas

"Heitor Martins vai assumir com uma aura de esperança de todos que sempre gravitaram em torno da Bienal, artistas, intelectuais." MIGUEL ALVES PEREIRA, 66, arquiteto

"Não há dúvida de que quem pegar essa presidência é um homem corajoso." PEDRO ARANHA CORRÊA DO LAGO, 51, economista

"A gente espera que ele tenha uma gestão objetiva, prática, moderna, atual e que ele possa manter a fundação num nível de integridade." PEDRO CURY, 75, arquiteto

"Mais do que uma luz, o Heitor [Martins] é um farolzão no fim do túnel para a Bienal sair dessa." CESAR GIOBBI, 60, jornalista

"A expectativa é que a Bienal possa ser o que ela foi no passado, que não fique sendo questionada a cada momento sobre a lisura das coisas." RUBENS MURILLO MARQUES, 72, professor

"Agora é que vai começar o momento em que todos pensam para apagar tudo isso que foi feito pelo atual presidente." BENEDITO JOSÉ SOARES DE MELLO PATI, 84, advogado

Posted by Ananda Carvalho at 6:16 PM | Comentários (1)

maio 26, 2009

Life Work por Jan Verwoert, Frieze

Artigo de Jan Verwoert originalmente publicado na revista Frieze, em março de 2009.

Working in the field of art makes it very difficult to draw a line between a professional and private life. What’s the best way forward?

Life, to start with, is not just about your professional life. There is so much more to it than just work. The trouble is that, when you get into art, that ‘so much more’ is precisely what you want your work to be about. Life is what you want to immerse yourself in through your work. The freedom of the artist and intellectual, Theodor Adorno wrote, lies in the possibility of not having to separate work from pleasure as all those caught up in the system of division of labour do.1 This is our chance for a good life. But this is also why things tend to get messy. Today it’s more difficult than ever to draw a line between our professional and private lives when new communication technologies make it possible for the call of duty to reach you even in the most remote places or intimate moments. For writers, the writing pad used to provide a complete retreat. Now the pad is a laptop, and people Skype you on it.

Not that it ever was easy to draw that line. To be part of an art scene was probably always as emotionally confusing as it is today. With who, and in what guise, do you want to get involved and recognized? As a professional or as a person? How do you mark the difference? How do you draw the line between colleagues and friends? Why even categorize? You may wish to be open to whatever someone who enters your life might become for you. Still, recognizing a real friend seems crucial when everyone around you is professionally friendly. And love is a mess anyway when you happen to be in the same field, in the arts, with all of us being – how shall I put it? – a bit special (beautiful and difficult, grandiose and needy, generous and selfish, seeking and giving intense pleasure). So, rather than draw lines, we may want to invent a new language to commune with the strange phenomena that the people who get under our skin inevitably are and will continue to be.

For no matter how fast the art world grows, we – ‘we’ being those who have become part of each others’ lives through what we do – will continue to inhabit the worlds that we together create for ourselves. How are we to do this? In many ways the question ‘how to continue?’ could well be the most troubling question in a professional art life. To begin with, the very moment of getting started professionally as an artist (writer or curator), after leaving whatever school you may have been to, is notoriously riddled with doubts about how – if at all! – to go on producing work, especially since most people will at this point be steeped in the debts they took on to pay for their education. You know you should tell yourself that things need time to develop. But still, existentially and financially, it’s hard to fight the feeling that you need recognition and money now. And ‘now’ had better be soon, if things are to carry on at all.

Politically, this time is crucial because it is at this point (if not earlier, at art school) that a generational contract is written up between the so-called ‘emerging’ artists and those who are already in professional positions. It is a contract about how – and by whom – art is to be continued. One would assume that the power lies with the members of the older generation here, but that is not necessarily the case, because they in turn need to be redeemed by the appreciation of those who will outlive them. Moreover – at least, this is my experience – the ones who may eventually give you much of what you need are those who currently don’t have it either: they are people of your own generation, who are in a similarly precarious position. Creating the structures that will support you spiritually and economically through building communities, alliances, friendships – anything that is more than just a ‘network’ – is what the contract with your own generation is about. But it may be years in the making.

For anyone who then somehow manages to build a career in art, the question of how to go forward will have other implications. You want that career to continue, but you are afraid it could grind to a halt. With livelihoods built on art being so fragile, for most of us at least, there is a constant awareness that things could come to an end. We just know that, irrespective of our best-laid plans, life may always put an obstacle in our way that changes everything. ‘To put an obstacle in someone’s path’ is the meaning of the Hebrew verb ’stn. It’s also the root of the name ‘Satan’. How to face Satan? Much desperate careerism seems driven by the understandable urge to suppress the fear of uncontrollable turns in life by pushing ahead with eyes wide shut. In contrast, learning to live with your fears probably just means familiarizing yourself with Satan, having him over for drinks once in a while. Not that this would prepare you for anything. But to find some Satanist way of admitting what one cannot control into one’s life seems a better option than careerism.

Perhaps the original ethos of Conceptual art and Fluxus, their way of relating art to life, was actually quite close to this spirit. After all, it was also about realizing that you could just write a sentence on a wall or meet friends and improvise something, and that would be enough: you would be finished with work for the day (!), so you could relax, go out and live your life. Or conversely, if the need to cope with life or make a living was taking up most of your time – and made it impossible to reach what supposedly were the standards of a professional studio practice – you could still create a Conceptual gesture or intervention any time and it would be art: you would be an artist, and you would lack nothing. Whatever happened to this ethos of anti-professionalism? Today, it seems, the concept of Conceptual work has been turned upside down, only to increase the pressure to perform professionally at all times. If ideas come easy, many people seem to think, then surely one can expect a proposal for a project to be presented by the end of the week? No, one can’t. It’s about time we put the concept of Conceptual work back on its feet. It was, and should continue to be, part of an experiment with finding ways in art to live a good life.

Yet anxieties about the continuation of a career don’t manifest themselves only in the fear that things may come to an end. They notoriously also erupt in moments of (mid-life) crisis when, once your career is established, you realize that your life may always carry on exactly the way it is now. For something to bring that way of life to an end may now be what you secretly crave. The traditional options that bourgeois society offers to satisfy this craving and flirt with potential disaster are alcoholism and adultery. In art Modernism provides more heroic terms of surrender: to paint the last picture, your black canvas, and take your leave with a masterpiece that will stun all and thus end art for everyone. Even though this is so obviously just a suicidal fantasy of instant relief, its grand momentum has never quite lost its allure. To counter this faux heroism probably means coming to terms with the fact that the most courageous thing to do may be to face the everyday reality of the life and work you have created for yourself – and continue.

One reason why the works of Mary Heilmann, for instance, are so strong, is that they are radiant with precisely this courage to carry on, to continue painting beyond the Modernist melodrama of last pictures but with the Modernist insistence that painterly form matters – and while being pleasurably Satanist in letting some of the emotional mess that life can involve spill into the work and permeate its form. Take Save the Last Dance for Me (1979).2 It’s black all right. But on the black canvas there are three pink rectangles of different sizes, all upright but ever so slightly askew. The determination in the painterly form lies in its carefully crafted indeterminacy: while their luminescent colour and clear contours make the rectangles look like windows onto a space beyond the wall of black paint, a few pink drippings on the black below them create the impression that they could actually also be on top, moving across the canvas in what, owing to the varying uneven angles of their outlines, looks like a continuous dancing motion. The black canvas here is not the end of but the exit to painting, through which it enters anew, dancing, into a different space, a pink space. The pink feels soft and sexy, while its dark hard edges look restrained and cool. If there was sound to the painting, this emotional tension would probably be best expressed by Motown Soul played New Wave-style: think ‘Tainted Love’.

So in Save the Last Dance for Me, Heilmann admits life into the work, not through rigid heroic gestures but by creating a tension inherent in painterly form that captures precisely what defines certain existential emotional states: their indeterminacy, the way in which in such states nothing is ever clear, all feelings are mixed and one thing always means another, but determinedly so. The work’s title amplifies this tension: if the dance the pink planes perform is the last one, then, paradoxically, this last dance always continues in the painting. It won’t stop, as the painterly illusion keeps setting the planes in motion. But even if it is obviously already happening, the last dance, as the title insists, is always yet to come. It should be saved. By whom, and for whom? By a ‘you’ for a ‘me’. Could this be anyone? No, it would have to be someone special. The title is an open formula for an intimate contract over a future exchange of appreciation.

It seems like the peculiar indeterminable temporality of these contractual terms is exactly what we would need to grasp in order to draft an agreement on the future of art. This is not supposed to sound too morbid – but the generation that opened up crucial possibilities for the present in the 1960s and ’70s is about to reach a critical age. Some of its members are already dead. How are we going to express our indebtedness to them? More artists’ estates will come into circulation, or are already doing so. Who is going to take care of them, and how?

In a highly thoughtful and provocative way this question was raised by a recent exhibition at Cubitt Gallery, London. Together with the artist Tris Vonna-Michell, curators Bart van der Heide and Caterina Riva developed a setting in which to provide access to the private archive of the late poet Henri Chopin. In the semi-intimacy of a half-closed séparée installed in the gallery, visitors would receive an index from which to select works, whereupon the curator, wearing white gloves, would disappear into the gallery office to return with what was requested: pieces of typewriter or sound poetry, rough in the facticity of composition and surreal in their humour, or issues of the magazines Cinquième Saison and OU which Chopin had published. Some issues came as boxes filled with peculiar objects: toys for mind-games. Going through the material, you faced a monitor with a video showing the curator doing the same thing: turning pages, opening boxes. This doubling of the scene further heightened its theatricality. Like a child, you found yourself playing ‘archive’ (like children playing ‘post office’). While this intensified the experience of the situation, it also suspended its reality, the curator becoming a 19th-century copy of himself and the artist-run space an imaginary museum. The terms of the generational contract negotiated in this state of indeterminate identity were thus terms of becoming: becoming a subject of remembrance. The theatricality of Cubitt ‘playing’ the Louvre made you grasp that remembrance must be performed. It’s a performance that needs people to be continued, and for which institutions can only ever set the stage.

Thinking of other such contractual terms of becoming, the title of a collaborative exhibition comes to mind – one that Roman Ondák devised in 2003, together with the late Július Koller, protagonist of first-generation Slovak Conceptualism: they called it ‘Teenagers’. Beautifully, the tongue-in-cheek invocation of a teenage state of disoriented becoming projects a scenario of two generations meeting to share their ongoing confusion and plot some mischief together.

How we approach the generation of artists who worked under conditions imposed by the ideological regimes of Cold War times is in fact crucial for how art history will continue. This applies to artists such as Koller, whose work was marginalized at the time and begs to receive the appreciation it merits. Yet it also concerns artists whose work, for instance, was temporarily celebrated during the heroic Modernist phase of postwar socialism and, with the demise of the system, now too seems destined to disappear.

The work of the Croatian artist Vojin Bakic is a case in point. Bakic designed iconic (surreally energetic) Modernist monuments for postwar Yugoslavia, which are now left to decay. To take another look at Bakic’s art, the curatorial collective WHW and Søren Grammel created a scenario in the Grazer Kunstverein in which small sculptures from the Bakic family estate, including many models for future monuments, were staged next to recent pieces by Marine Hugonnier, Sean Snyder and Luca Frei. This instantly proved that Bakic’s sculptural sketches were no less searching and fragile than the contemporary work. In down-scaling Bakic’s oeuvre, the exhibition made it clear that monumentalism did not have to be its only destiny but that it also had another trajectory: the continuous, sensually intellectual inquiry into the possibilities of abstract form. By performing the staging of the work in a contemporary key, Bakic’s art was thrown back into an open process of becoming.

One of the most crucial sites for negotiating the terms of (inter-) generational politics today, finally, are biennials. For it is here that the systemic pressure for a new artistic generation to be churned out like a fresh product line every two years becomes most painfully apparent. Against this backdrop the 5th Berlin Biennial stood out because its curators, Elena Filipovic and Adam Szymczyk, formulated a determinedly different stance in presenting works by artists of an older generation such as Babette Mangolte, Michel Auder, Susan Hiller or Kohei Yoshiyuki alongside contributions by younger artists. Unlike Documenta’s officious art-historical exercises in comparative viewing, their approach rather conveyed a commitment to very particular people whose work has remained difficult to place, not least because it epitomizes a certain spirit of irreverence. Notably, quite a number of younger artists, such as Nairy Baghramian, Susanne Winterling and Paulina Olowska, articulated in their work a similar desire to summon and channel certain wandering spirits – Janette Laverrière, Eileen Gray and Zofia Stryjenska, respectively – not least to rewrite the generational contract in feminist terms. This practice of artistic channelling was in turn given particular attention as some participating artists, including Baghramian and Olowska, were invited to curate exhibitions of the work of these older artists in a space (the Schinkel Pavilion) that was dedicated exclusively to this purpose. Strikingly, in the show as in individual works, art with a history was treated not primarily as a vehicle of legitimization but primarily as a source of inspiration.

If we assume, then, that life in art, beyond professionalism, is about negotiating ways to continue (our life, work, relationships, history) together, it seems that in and through art certain terms could be proposed for a generational contract that, drafted in an irreverent spirit of determinate indeterminacy, will allow us to keep things in a state of becoming – saving the last dance for each other, for someone special, for quite some time.

1 Theodor Adorno, Minima Moralia, Verso, London and New York, 2005, pp. 130f.

2 My thoughts here are indebted to Terry R. Myers, Mary Heilmann - Save the Last Dance for Me, Afterall Books, London, 2007

Jan Verwoert

Jan Verwoert is a contributing editor of frieze and teaches at the Piet Zwart Institute in Rotterdam, The Netherlands.

Posted by Ananda Carvalho at 6:54 PM

Candidato promete "agenda positiva" para Bienal por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha S. Paulo, em 26 de maio de 2009.

Heitor Martins, que deve ser eleito presidente da instituição na quinta, diz que edição de 2010 não vai atrasar

O empresário Heitor Martins, até agora único candidato à presidência da Fundação Bienal de São Paulo, encontra-se hoje com o ministro da Cultura, Juca Ferreira. A reunião sugere que dificilmente outro candidato terá chance na eleição, marcada para quinta-feira.

"Martins saberá conduzir a Fundação Bienal em sua missão fundamental no desenvolvimento das artes visuais do país, num momento excepcional de visibilidade internacional dos artistas brasileiros da área", divulgou o Ministério da Cultura, na semana passada, em nota de apoio inédito a um candidato na história da Bienal.

Sucedendo três gestões de Manoel Francisco Pires da Costa, marcadas por crises, Martins, 41, chegará à instituição com um perfil técnico, quando muitos ex-presidentes usaram a instituição para melhorar a imagem. "Não vou ser a mesma coisa", disse Martins em entrevista exclusiva à Folha, no domingo, em sua casa, perto do Jóquei Clube de SP.

As dívidas da Bienal, em torno de R$ 4 milhões, não assustam o candidato: "Traremos uma agenda positiva. Creio que com isso os recursos virão".

Ontem, Martins enviou uma carta aos conselheiros da Bienal com suas propostas, que incluem a realização da Bienal em 2010 -o que, para a atual gestão, estava quase descartado por problemas financeiros e atrasos- e os nomes de sua diretoria. Entre estes, o ex-presidente da Bienal do Mercosul, Justo Werlang, o crítico e colecionador Miguel Chaia e o advogado Salo Kibrit.

"Nosso maior desafio está no fortalecimento do modelo de gestão e no aprimoramento da relação com a sociedade", disse.

Na carta, segundo a Folha apurou, são sugeridos conselheiros para a instituição, todos empresários ligados ao colecionismo, que se tornam importantes apoios para a eleição: Suzana Steinbruch, José Olympio Pereira, Alfredo Egydio Setúbal, Milú Villela, Carlos Jereissati Filho, Paulo Sérgio Coutinho Galvão Filho e Tito Enrique da Silva Neto. O banqueiro Roger Wright, morto em acidente de avião na última sexta, também estava na lista.

"Déficit da Bienal não é tão absurdo"

Heitor Martins afirma que endividamento ganhou dimensão exagerada e que montará equipe para superar dificuldade

"Posso dizer que 80% do tempo que já gastamos é em pensar como levar a Bienal para frente", diz candidato à presidência

Mesmo sendo eleito nesta quinta, o empresário Heitor Martins só deve tomar posse após um período de transição de no máximo dois meses, para a captação de R$ 1,8 milhão, de acordo com a carta enviada ontem, pelo candidato, aos conselheiros da Fundação Bienal. A eleição do presidente depende da aprovação do conselho, que se reúne a portas fechadas e define as regras da votação, por exemplo, se será por unanimidade ou maioria simples. Não há quórum mínimo.

"Vamos trabalhar já, mas fazer uma transição que não seja uma ruptura", disse Martins à Folha, cercado de obras de artistas contemporâneos como Lygia Clark, Tunga e Jac Leirner, além de modernos como Volpi e Pancetti, todos de sua coleção. Entre as propostas do candidato, aliás, está reforçar a presença da arte brasileira na Bienal. Leia a seguir. (FCY)

FOLHA - O que levou o sr. a ser candidato a presidência da Bienal?

HEITOR MARTINS - Foi uma combinação de fatores. Tenho uma grande afinidade com o tema, desde criança me entusiasmei com artes plásticas. Quando universitário, tive um pôster da mostra "Tradição e Ruptura" [realizada na Bienal, em 1984] no quarto. Eu visitava as bienais, depois passei a colecionar e, quando morei na Argentina, fiz um curso livre na Faculdade de Belas Artes.

Poucas instituições culturais no Brasil têm 60 anos, como a Bienal, e a sua importância, na divulgação da arte, é evidente, comparável somente ao MoMA [Nova York], à Bienal de Veneza, à Documenta de Kassel, ao Centro Pompidou [Paris]. Contribuir com uma entidade que tem essa história é um chamado ao qual não se pode recusar.

FOLHA - Quem o convidou para ser candidato?

MARTINS - Foi o Jorge Wilhem, que conheci por conta da Fundação Nemirovsky, com a qual eu contribuí. Ele me indicou há uns três meses, mas, quando surgiu a candidatura do Andrea Matarazzo [secretário da Coordenação de Subprefeituras de São Paulo], eu achei que ele tinha condições. Com a desistência dele, fui procurado também pelo Julio Landmann [conselheiro da Bienal] e aceitei.

FOLHA - E o sr. procurou se inteirar da situação financeira da Bienal?

MARTINS - A questão da situação da Bienal ganhou dimensão exagerada. Objetivamente ela é simples. O déficit da Bienal passada se transformou num endividamento de R$ 4 milhões, que não é um valor tão absurdo. A questão para mim foi entender isso e montar uma boa equipe que possa superar esse problema e colocar a Bienal nos trilhos novamente.

FOLHA - É isso que o sr. faz em sua empresa de consultoria?

MARTINS - Trabalho numa empresa de consultoria estratégica, que tem como clientes empresas que querem crescer. Para mim, a questão na Bienal é isso, não olhar para o passado, mas acertar os recursos para ela voltar a florescer. Posso dizer que 80% do tempo que já gastamos é em pensar como levar a Bienal para frente, qual equipe, como organizar, que tipo de aspiração.

FOLHA - O sr. leu o relatório do Ivo Mesquita para pensar sua proposta?

MARTINS - Sim. O que temos tido como questão central é a ideia de "refazer" e, é claro, isso só pode ser em cima das bienais anteriores. Nos últimos anos se abriu um debate sobre o papel das bienais e como elas devem ser geridas, mas a segunda questão deve estar baseada na primeira.

Vamos repensar a Bienal, na gestão, nos recursos, na relação com o governo, a sociedade. Nossa gestão é dar continuidade ao debate. A última Bienal, no entanto, teve um debate mais intelectual, e o que queremos é que esse debate seja plástico. Também queremos que a arte brasileira tenha uma presença ainda maior, e que se pense na produção internacional tendo a produção nacional como referência.

FOLHA - Mas isso não é um debate para o curador?

MARTINS - Sim. E como nossa agenda está apertada, já que não queremos prorrogar a Bienal para 2011, mas mantê-la em 2010 -afinal, esse é o objetivo da instituição e, se ela não o cumpre, perde o sentido-, nós vamos indicar uma equipe de curadores logo. Mas não queremos curadores que já trabalharam na Bienal de São Paulo, queremos um novo olhar.

FOLHA - E quanto à Bienal de Veneza, a Bienal de São Paulo deve continuar indicando os representantes do pavilhão brasileiro?

MARTINS - Creio que sim. Nossa diretoria gostaria de manter essa tradição e, por isso, estamos integrando essa representação em nosso projeto. Já que queremos abordar a arte brasileira como referência no contexto internacional, Veneza é um ponto estratégico, e gostaríamos que os curadores que organizarem São Paulo indicassem a representação de Veneza já na própria proposta.

FOLHA - Qual será seu maior desafio, na sua opinião?

MARTINS - Temos três objetivos: resolver a situação financeira, viabilizar a 29ª Bienal em 2010 e preparar as bases para um projeto continuado. A Bienal tem um efeito fênix, a cada novo presidente ela morre e tem que recomeçar. Queremos uma fórmula de estabilidade, fortalecendo o modelo de gestão, que precisa quer uma relação estreita com a sociedade. Vamos trazer uma agenda positiva, e creio que, com isso, os recursos virão, mas é preciso entusiasmar a sociedade.

Instituições vivem crise permanente

A crise que ronda a Fundação Bienal não é muito distinta da situação pela qual passam outras instituições de arte paulistanas, como o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e o MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo).

Criados no mesmo período, o Masp (1945, por Assis Chateaubriand), o MAM e a Bienal (1948 e 1951, por Ciccillo Matarazzo) têm modelo de gestão centralizador e personalista, como foram seus mecenas fundadores.

Chateaubriand e Matarazzo construíram impérios com boas assessorias, mas profissionais da arte nunca foram incorporados a tais instituições. Com a morte de ambos, os museus e a Bienal ficaram com estruturas frágeis, dependentes de personalidades fortes. Quando Edemar Cid Ferreira assumiu a Bienal, por exemplo, injetou dinheiro e recolocou-a no circuito mundial.

Sem tal cacife, o empresário Manuel Francisco Pires da Costa dependeu de verbas governamentais, mas, com suas confusões administrativas, contratando parentes e usando sua empresa para criar a revista da instituição, perdeu legitimidade e aporte financeiro, levando a Bienal à sua mais séria crise.

Renovar a estrutura dessas instituições ajudaria a imunizá-las contra as crises. Foi o que propôs Ivo Mesquita, curador-chefe da última Bienal: "Importante e procedente é uma nova composição do conselho, incluindo [...] profissionais experientes como diretores de museus, curadores, artistas, galeristas, acadêmicos, que possam contribuir para um entendimento e uma presença mais orgânica da instituição na sociedade e no meio artístico brasileiro e internacional". (FABIO CYPRIANO)

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maio 25, 2009

Bienal de SP terá eleição no próximo dia 28, Folha S. Paulo

Matéria originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha S. Paulo, em 21 de maio de 2009.

O presidente do Conselho da Fundação Bienal de São Paulo, Miguel Pereira, convocou para 28/5 a eleição do novo presidente da Fundação Bienal. Até agora, o único candidato é o colecionador e consultor Heitor Martins, sócio-diretor da consultoria internacional McKinsey, casado com Fernanda Feitosa, organizadora da SP Arte. Sua candidatura foi antecipada pela Folha no último dia 12.

Martins foi indicado ao cargo pelo arquiteto Jorge Wilheim e tem o apoio do ex-presidente da instituição, Julio Landmann. Até o próximo domingo, Martins deve entregar uma carta à Bienal na qual estabelece condições para que sua candidatura seja de fato efetivada. Entre elas, propõe que durante 60 dias seja realizada uma gestão conjunta com o atual presidente, Manoel Francisco Pires da Costa.

Entre as condições, ele também indica uma série de novos membros para o Conselho da Bienal, já que há cargos vagos. Segundo a Folha apurou, o candidato não pretende postergar a 29ª Bienal de 2010 para 2011, mas sim realizá-la dentro do cronograma normal da instituição, ou seja, no próximo ano. Entre as novas pessoas de sua diretoria, deve tomar parte o secretário-adjunto estadual da Cultura, Ronaldo Bianchi.

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USP teme perder obras de Edemar por Fabio Cypriano, Folha S. Paulo

Matéria de Fabio Cypriano originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha S. Paulo, em 20 de maio de 2009.

Obras do ex-banqueiro mantidas pela universidade terão destino definido por juiz estadual e correm risco de ir a leilão

Coleção foi transferida em 2005, mas STJ determinou que juiz que cuida da falência do Banco Santos decidirá o que fazer

Mais de R$ 1 milhão investido pela USP (Universidade de São Paulo) na manutenção, catalogação e restauro das cerca de 12 mil obras de arte do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira podem ter sido gastos inutilmente. As peças foram transferidas para quatro órgãos da universidade, em 2005, segundo determinação do juiz federal Fausto De Sanctis.

Na semana passada, contudo, por conta de decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o destino das obras passou a ser decidido pelo juiz estadual responsável pelo processo de falência do Banco Santos, Caio Marcelo de Oliveira, o que leva a crer que todos os acervos de Cid Ferreira distribuídos por quatro museus (veja quadro ao lado) podem ir a leilão.

"Essa decisão é muito ruim, um péssimo exemplo do ponto de vista da relação entre sociedade e poder público. Essas obras além de bens pecuniários são bens culturais, portanto, a destinação deles deveria ser decidida pelo Ministério da Cultura", diz o presidente do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura, José do Nascimento Júnior.

Nesse sentido, já tramita no Congresso Nacional um projeto de lei da deputada Alice Portugal (PCdoB) atribuindo tal poder para o MinC.

O cálculo de R$ 1 milhão é do pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP, Ruy Alberto Corrêa Altafim: "Esse valor refere-se a materiais de consumo, equipamentos e adequação de espaço físico, mas em relação a pessoal técnico qualificado, este valor é superior e difícil de ser mensurado".

Segundo o pró-reitor, a consultoria jurídica da USP estuda medidas judiciais para evitar a perda das coleções. "Além do prejuízo dos valores orçamentários já investidos, é possível questionar o fato de se privar a sociedade do acesso, que se dá por meio de exposições e publicações, ao acervo que poderia vir a se tornar um bem público", afirma Altafim.

"Os motivos para a consternação dos museus são pequenos perto das perdas dos credores do Banco Santos, que somam R$ 2,8 bilhões", diz Vânio Aguiar, diretor da massa falida do banco. Estima-se que as 12 mil obras em poder da USP, além de 20 em poder do Museu de Arte Sacra, valham entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões, valor que ficaria em torno de 1% da dívida com os credores. "Não é porque o valor é pequeno que se deve abrir mão dele", diz ainda Aguiar.

Outras obras do ex-banqueiro, localizadas no exterior pela aduana norte-americana, como pinturas de Roy Lichtenstein, estariam mais bem avaliadas: entre R$ 30 milhões e R$ 100 milhões, e o destino delas tampouco foi definido.

Público x privado

Anteontem, parte desse acervo, começou a ser exibido no Palácio dos Bandeirantes, na mostra "Vida após a Vida: Testemunhos da Passagem", com 37 objetos relacionados a rituais de homenagem a mortos, incluindo um sarcófago egípcio, pertencentes ao MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP).
"Esta mostra faz parte de um comprometimento do museu em conservar, restaurar, estudar e exibir as peças que recebemos", diz José Luiz de Moras, diretor do MAE.

"É lamentável que tudo isso possa ser perdido, considerando a coleção como um todo, mas as peças que recebemos são as únicas que não correm o risco de ir a leilão, pois, segundo a Constituição, são bens da União, já que se trata de peças arqueológicas", afirma o diretor do museu.

No Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, peças da coleção do ex-banqueiro também se encontram em exibição, na mostra "Acervos a Descobrir".

"Não me parece condizente com esses acervos que eles fiquem em mãos de particulares. A questão fundamental é que eles são acervos públicos, que nos ajudam a compreender a história do Brasil e constituem, portanto, patrimônio nacional", diz Cecília Helena de Salles Oliveira, diretora do Museu Paulista.

O museu já gastou cerca de R$ 100 mil com a coleção, o que representa cerca de 10% de sua dotação orçamentária.

Para Vânio Aguiar, tal argumento é "voluntarismo artístico": "A lei precisa ser cumprida. E, na hora que as obras forem a leilão, a USP pode pedir para ser ressarcida dos gastos que realizou".

Juiz estadual incluiu obras na massa falida

A opção do STJ (Superior Tribunal de Justiça) a favor de o juiz estadual responsável pelo processo de falência do Banco Santos, Caio Marcelo de Oliveira, para que também seja o juiz competente para julgar o destino das obras de arte do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira representa que as peças possam ir a leilão, pois o juiz já havia determinado que tais bens fossem adicionados à massa falida.

Contudo, até a semana passada, as obras estavam sob responsabilidade do juiz federal Fausto De Sanctis, segundo a compreensão de que bens adquiridos com recursos ilícitos pertencem à União, salvo o direito de lesados de boa-fé, o que para o juiz não poderia ser a forma de classificar os credores.
Agora, tanto o Ministério Público Federal (MPF) como a Advocacia Geral da União (AGU) podem recorrer da decisão. A Folha apurou que a AGU estaria entrando com uma petição junto ao juiz de falência demonstrando interesse da União pelos bens

Frases

"Essa decisão é muito ruim. Essas obras são bens culturais, portanto, a destinação delas deve ser decidida pelo MinC". José do Nascimento Júnior - presidente do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura

"Além do prejuízo dos valores já investidos, é possível questionar o fato de se privar a sociedade do acesso ao acervo". Ruy Alberto Corrêa Altafim - pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP

"Os motivos para a consternação dos museus são pequenos perto das perdas dos credores do banco, que somam R$ 2,8 bilhões". Vânio Aguiar - diretor da massa falida do Banco Santos

Posted by Ananda Carvalho at 6:45 PM

Criaturas estranhas, melancólicas e tropicais por Suzana Velasco, O Globo

Matéria de Suzana Velasco originalmente publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo, em 21 de maio de 2009.

Janaina Tschäpe expõe fotos e vídeos em que suas esculturas são prolongamentos dos corpos e da natureza

Desde criança, Janaina Tschäpe sonhava em ser pintora e, aos 18 anos, entrou para a Escola de Belas Artes de Hamburgo, na Alemanha. Sua pintura foi ficando mais densa, volumosa, “cheia de gordura”, como ela diz, e Janaina passou a criar peças tridimensionais. Quando se deu conta de que não precisava de um estúdio para fazer suas esculturas infláveis de látex, pôs o material na mala e começou a registrar suas criações por onde viajava.

Depois de alguns anos, as peças biomórficas, que de início eram fixadas no próprio corpo e fotografadas por Janaina, passaram aos corpos das amigas. Em belas paisagens de natureza, as esculturas, que criam seres um tanto estranhos, dão um tom melancólico às imagens. Essas criaturas de Janaina estão na exposição “Melantrópicos”, aberta hoje ao público, na galeria Casa de Cultura Laura Alvim, com fotografias e vídeos de 2002 a 2006. O nome da mostra é o de uma série de imagens em que mulheres como a atriz Mariana de Moraes e a bailarina Dani Fortes, amigas da artista, são camufladas pelas esculturas criadas por Janaina e pelas plantas do Parque Lage.

— Gosto desse mundo íntimo, por isso trabalho com minhas amigas, não com modelos. Não quero uma equipe enorme em volta. Gosto da intimidade que deixa transparecer essa melancolia nas fotos, não quero um trabalho tão teatral — diz Janaina, que nunca fotografou homens. — A mulher tem mais facilidade de se expor.

Ainda que encare esse trabalho como amigas que brincam juntas, ela sabe que ele é performático. As séries de fotos expostas foram feitas no Rio e em locais como Ilhabela e Bocaina de Minas, e em cada um deles a artista e sua escolhida — que ela chama de musa — passaram algumas semanas. Nessas viagens, Janaina leva todo o seu aparato de câmeras e suas esculturas/vestimentas costuradas à mão, busca seu cenário e compõe a fotografia — que ela só verá revelada depois, pois ainda trabalha com filme fotográfico.

Todo esse cuidado só foi possível quando a artista deixou de fotografar o próprio corpo. Com camisinhas cheias de água presas aos pés e aos braços, ela tinha nove segundos para pôr a câmera fotográfica no modo automático e se posicionar para as fotos, feitas em lugares públicos.

— Muita gente me parava para perguntar se eu precisava de ajuda — conta ela, autodidata na fotografia. — Trabalhar com outras pessoas me deu possibilidade de evoluir tecnicamente. Passei a usar câmeras de grande formato e a ter tempo para compor as fotos.

Uma das séries de fotos, “After the rain” (“Depois da chuva”, de 2003), também inspirou um vídeo de mesmo nome, exibido na exposição. Um tríptico, que mostra suas musas interagindo com as esculturas e a paisagem. Outros dois vídeos, exibidos frente a frente, formam a obra “The sea and the mountain” (“O mar e a montanha”, de 2004): balões coloridos no mar encaram balões na montanha, numa exibição em tempo real, contemplativa e melancólica.

— A beleza tem às vezes uma tristeza, porque a gente não sabe explicar de onde ela vem — diz ela, que criou, para a Ópera da Bastilha, em Paris, o banner da fachada e todas as peças gráficas do programa do balé para março e abril deste ano.

A terceira obra em vídeo da mostra, “Dreamsequence” (“Sequência de sonho”, de 2002), projeta na parede um balão de água que cresce lentamente sobre uma cama, até explodir.

— Fui comprar um colchão e fiquei imaginando o quanto ele absorve. A gente sua durante a noite, faz amor... Então pensei no líquido explodindo da cama — explica a artista. — Muitas das minhas ideias têm relação com o universo infantil, de uma imaginação sem limites.

Os títulos das obras não são em inglês por capricho. Janaina nasceu em Munique, morou no Brasil até os 11 anos, mas vive desde os 24 em Nova York, onde fez mestrado em fotografia na School of Visual Arts — na verdade, ela foi expulsa por não frequentar as aulas, tendo que receber o título de mestre na Alemanha, onde a Academia lhe dava mais liberdade. Apesar do acidente de percurso, Janaina, que detesta rotina, decidiu se fixar em Nova York.

— No Brasil, eu era vista como alemã, e, na Alemanha, como brasileira. Foi bom ir para um lugar onde ninguém estava questionando de onde eu era — diz ela, hoje aos 36 anos.

Pintura, de volta há seis anos, levou cor para as fotos

Foi em Nova York que Janaina conheceu o artista plástico Vik Muniz, com quem é casada e tem uma filha de 3 anos. Ambos trabalham com fotografia, mas suas obras são completamente diferentes, e cada um tem seu próprio estúdio na cidade. Janaina tem ainda um ateliê no Rio, onde passou os últimos cinco meses. Pintando.

Só com a volta à pintura, há seis anos, que a artista inseriu as cores fortes em suas esculturas, como na série “Melantrópicos”, em que formas laranja e rosa se destacam da natureza. Nos últimos meses, Janaina criou pinturas e desenhos para a mostra que abre na galeria Fortes Vilaça, em São Paulo, no próximo dia 30. E acabou levando um desses desenhos para a exposição na Laura Alvim.

— O processo de fotografar e filmar exige uma energia muito grande, e, quando você volta com todo aquele material para o estúdio, é quase uma ressaca, dá uma tristeza... — diz ela. — Então comecei a desenhar a memória dessas performances, dessas criaturas, e a imaginar como esses seres seriam por dentro. E isso voltou para as fotos.

Posted by Ananda Carvalho at 4:17 PM