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Como atiçar a brasa

 


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outubro 17, 2008

´Eu fui exilado do governo federal´, entrevista de Antônio Grassi, O Globo

´Eu fui exilado do governo federal´

Entrevista de Antônio Grassi a André Miranda, originalmente publicada no Globo do dia 17 de outubro de 2008

Ex-presidente da Funarte, Antônio Grassi diz que Juca Ferreira sempre quis o cargo de Gilberto Gil

Depois da saída de Celso Frateschi da presidência da Funarte, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, anunciou mudanças no órgão, que incluem reformulações na Lei Rouanet e a criação de uma presidência colegiada. Ex-presidente da Funarte, na gestão anterior à de Frateschi, o ator Antônio Grassi, porém, acredita que o problema da instituição é orçamentário. Em entrevista ao GLOBO, Grassi fala de sua conturbada demissão, em janeiro de 2007, ainda na gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura (MinC), e analisa os rumos da Funarte

O GLOBO: Na semana passada, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o ministro Juca Ferreira disse que você queria o lugar do Gil. É verdade?
ANTÔNIO GRASSI: A declaração do Juca me surpreendeu, mas também esclareceu finalmente, em público, qual foi o motivo da minha saída: o fato de que supostamente eu queria o lugar do Gilberto Gil. Além de não ser verdade, imagina o que aconteceria se o presidente Lula fosse demitir todos os ministros que quiserem o cargo dele. Ele iria começar pela Dilma (Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, pré-candidata à sucessão de Lula).

O que aconteceu então?
GRASSI: No fim do primeiro mandato, o Gil começou a dizer que tinha dúvida sobre se ficaria ou não no MinC. Aí o PT, através de sua Secretaria Nacional de Cultura, assumiu uma posição: o partido apoiava a permanência do Gil; mas, se ele quisesse sair, o PT gostaria de indicar um nome. Esse movimento gerou a indicação do meu nome, caso o Gil não continuasse. A gente não sabia que, com isso, o ministério iria achar que havia conspiração. Eu mesmo dei declarações de que era a favor da permanência do Gil e que não tinha o menor interesse no cargo.

E como foi sua demissão?
GRASSI: Eles não tiveram a hombridade de falar comigo diretamente. Mandaram um recado, no mês de dezembro, de que o ministro queria me ver. Mas, só depois que a história começou a vazar, um assessor, o Alfredo Manevy (atual secretário executivo do MinC), veio falar comigo. E eu só fui conversar com o Gil depois de a imprensa toda ter noticiado. Na época, eu fiquei muito surpreso, porque pensei que o movimento “Fica Gil”, o qual nós apoiamos, não significava a permanência de uma pessoa, mas de uma política, da qual eu fazia parte.

Depois da Funarte, o senhor não participou de mais nada no governo federal?
GRASSI: Não. Eu trabalhei em todas as campanhas do presidente e, hoje, tenho uma dificuldade grande de explicar para as pessoas como posso estar exilado num governo do Lula.

O senhor guarda mágoas?
GRASSI: Nenhuma. Minha militância continua. Eu só acho estranho ter sido exilado do governo federal. Mas eu acho que aconteceu o que estava caminhando para acontecer. Quem queria o cargo conseguiu.

O senhor acha que Ferreira trabalhou para substituir o Gil?
GRASSI: Sempre. Eu nunca concordei com essa história de “política Gil” ou “política Juca”. Quem sempre tocou o MinC foi o Juca. Até por razões óbvias, pela própria ausência do Gil. Eu torço sinceramente para que o MinC dê certo, mas fico muito reticente quando vejo a demora para que as coisas aconteçam, sendo que uma delas é em relação à Lei Rouanet.

Fala-se, hoje, em mudanças na Lei...
GRASSI: O MinC anunciou os Diálogos Culturais, para rever a Lei Rouanet. E eu pergunto: de novo? Na época em que o Lula foi eleito, eu participei da coordenação de um programa chamado Imaginação a Serviço do Brasil, em que nós já apontávamos os problemas da Lei, com indicações do que deveria ser feito. E hoje, seis anos depois, o MinC está novamente circulando pelo Brasil para discutir a mesma coisa? Esse trabalho que foi feito anteriormente parece que não valeu de nada.

Quais o senhor considera os seus maiores feitos como presidente da Funarte?
GRASSI: Nós assumimos o desafio de nacionalizar a Funarte. Todos os editais que criamos foram editais nacionais. Outro ponto foi o Pixinguinha, um projeto que retomamos na minha gestão. Ao contrário do que dizem, de que era um projeto produzido no Rio e exportado para o resto do Brasil, o Pixinguinha era uma articulação envolvendo todas as secretarias de cultura dos estados e municípios.

O que representa acabar com as caravanas do Pixinguinha, como ocorreu este ano?
GRASSI: Acabar com as caravanas e investir em gravação de CDs é uma descaracterização. O problema da cadeia produtiva da música não é gravar CD. Qualquer pessoa grava CD hoje em dia, até em casa. A dificuldade é fazer a produção artística circular pelo Brasil, que é o que o Pixinguinha conseguia fazer.

O ministro diz que vai criar um colegiado para gerenciar a Funarte. Isso pode dar certo? GRASSI: A Funarte já é um órgão colegiado em seu estatuto. As decisões têm que ser tomadas em colegiado, reunindo todos os diretores, com atas das reuniões. Para se reestruturar a Funarte de verdade, o órgão precisa estar à altura do que ela merece em relação ao investimento. A batalha da Funarte começa dentro do próprio MinC, por um orçamento maior.

O senhor continua envolvido com alguma atividade de gestão cultural?
GRASSI: Eu aceitei um convite do governo de Minas para fazer assessoria em programas especiais. Faço parte do comissariado mineiro do Ano da França no Brasil, em 2009. Estou, também, trabalhando na representação do governo de Minas no Rio, para divulgação de projetos. E estou criando para Minas uma bienal, focada em artistas com deficiência física, que é a extensão de um programa que fizemos na Funarte. Ah, e eu sou mineiro.

Posted by Leandro de Paula at 12:29 PM

Tate Modern abre retrospectiva de Cildo Meireles, O Globo

Tate Modern abre retrospectiva de Cildo Meireles

Matéria originalmente publicada no Globo no dia 16 de outubro de 2008

Museu em Londres reúne obras emblemáticas do artista, como ´Desvio para o vermelho´ e ´Missão/Missões´

O artista plástico Cildo Meireles inaugurou anteontem uma retrospectiva na Tate Modern, em Londres, com obras pouco vistas por aqui, ainda que ele seja reconhecidamente um dos maiores nomes da arte nacional. A exposição faz um caminho pela trajetória de Cildo desde o fim dos anos 1960, momento em que ele se destacou como um artista conceitual, motivado pelas questões políticas brasileiras. E chega até 2004 através de 80 obras, mostrando que esse envolvimento político nunca foi panfletário, mas vinculado a questões formais, estéticas

Instalações antológicas não serão reunidas no Brasil
Com curadoria do espanhol Vicente Todoli, diretor da Tate, e co-curadoria do britânico Guy Brett, a mostra exibe algumas das instalações monumentais de Cildo, como “Desvio para o vermelho”, na qual um quarto e todos os seus objetos são pintados de vermelho, enquanto tinta e água vermelha escorrem de outros ambientes; e “Missão/Missões (como construir catedrais)”, em que cerca de dois mil ossos no teto se comunicam, por um fio de hóstias, a um tapete de 600 mil moedas. O trabalho se refere às missões dos jesuítas na América do Sul, que causaram a morte de milhares de índios.

Outras obras importantes de Cildo são exibidas, como “Eureka/Blindhotland”, adquirida pela própria Tate no ano passado, “Volátil”, “Fontes” e “Babel”, uma torre de aparelhos de rádio de modelos e tamanhos diversos, sintonizados ao mesmo tempo em diferentes estações. A Tate vai receber ainda, no próximo dia 25, uma versão de “Malhas da liberdade”. E Londres terá outra obra de Cildo, no Chelsea College of Art & Design, que a partir do dia 21 exibe “Ocasião”, inédita no Brasil. A mostra na Tate seguirá para Barcelona, Houston, Los Angeles e Toronto, mas é muito cara para ser realizada no Brasil. Em 2010, Cildo fará outra grande exposição, no Museu Reina Sofía, em Madri, fruto do Prêmio Velázquez de artes plásticas, recebido este ano.

Arte brasileira ocupa vários espaços londrinos
Seis nomes estrearam este mês

Além de Cildo Meireles, muitos outros artistas brasileiros expõem, neste momento, suas obras de arte em Londres. No dia 3 deste mês, foram inauguradas instalações de Rivane Neuenschwander na South London Gallery. O destaque é um site-specific chamado “Suspension point” que dividiu o salão principal da galeria em dois pisos e, num deles, criou um ambiente mágico que evoca montanhas, luas e chuva. Fica lá até 23 de novembro.

Desde o último sábado, a instalação “Drive thru #1”, de Matheus Rocha Pitta, está em exibição na Sprovieri Gallery. Nela, o artista se apropria de uma paisagem e a movimenta fazendo com que um carro parado atravesse uma fronteira. No mesmo dia, ocorreu a vernissage do carioca Marcos Chaves na Butcher’s, marcando sua estréia na capital inglesa. Ele apresenta o vídeo “Laughing mask”, em que sua cabeça flutua numa tela negra usando uma máscara que cobre sua boca. O vídeo fica exposto 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, visível para quem passa na rua.

Ontem, a embaixada do Brasil em Londres inaugurou a coletiva “Landscapes in perspective”, na Gallery 32, reunindo trabalhos dos brasileiros Fabiano Marques, Fernanda Chieco e Victor Lema Riqué e dos britânicos Matt Lewis e duo FrenchMottershead. Esses artistas participaram (ou estão participando) do Artist Links, programa residência artística do British Council entre Brasil e Inglaterra.

Posted by Leandro de Paula at 12:26 PM

Projeto Acervo vende pacote de obras de arte sem o intermédio de galerias, por Suzana Velasco, O Globo

Projeto Acervo vende pacote de obras de arte sem o intermédio de galerias

Matéria de Suzana Velasco, originalmente publicada no Globo do dia 17 de outubro de 2008

Criador da série, Leonardo Videla diz que deseja estimular a circulação extra-oficial

Desafiando a consolidação das galerias de arte como o intermediário entre artistas e colecionadores, Leonardo Videla decidiu reunir dez artistas, incluindo o próprio, para venderem, juntos, uma obra de arte de cada um. Exposto por um fim de semana, o pacote seria vendido previamente a um colecionador por R$ 5 mil, divididos igualmente entre os artistas. No início do ano, a idéia se transformou no Projeto Acervo, que chega à sua quinta edição com uma exposição de hoje a domingo, no Espaço Bananeiras, em Santa Teresa, com obras de Arjan Martins, Ricardo Ventura, Pedro Meyer e Bianca Tomaselli, entre outros.

- Existe uma insatisfação no ar entre os artistas. Há muita coisa boa acontecendo que não está sendo mostrada pelo circuito oficial - diz Videla. - O mais importante é o trabalho circular e se relacionar com outros. A insatisfação começou pelo próprio Videla, em relação à representação que algumas galerias fizeram de sua obra. O projeto reúne artistas que são representados por galerias, ainda que muitos não tenham exclusividade, o que facilita a venda fora do espaço oficial.

- Tirando alguns artistas muito reconhecidos, o compromisso da galeria é zero no desenvolvimento dos trabalhos. Para a maior parte, o mecanismo é muito cruel - dispara ele, que questiona o percentual de 50% que elas recebem sobre as vendas. O projeto reúne artistas que vêem na iniciativa uma forma de democratização das coleções de arte. Para Ricardo Basbaum, que já participou de três edições, um dos aspectos mais atraentes é o fato de o colecionador - geralmente alguém que não teria dinheiro para comprar em galerias - adquirir as obras sem vê-las previamente, apostando na produção dos artistas. - Acho totalmente equivocado o colecionador que fica escolhendo porque gosta disso ou daquilo. O papel dele é estimular a produção do artista, confiar que ele vai produzir um trabalho importante de ser arquivado ou protegido numa coleção - afirma Basbaum.

- O projeto é um estímulo a formar novos colecionadores, que, se tiverem mais interesse, vão procurar uma galeria depois. Por isso não acho que haja um conflito. O Projeto Acervo é uma pequena plataforma de ação de um artista, não dá a chance de o comprador conhecer um período de produção. Isso é papel da galeria. Basbaum é representado pela galeria A Gentil Carioca, a mesma de Alexandre Vogler, Guga Ferraz e Simone Michelin, que já participaram do projeto ou participam desta edição. Com um perfil mais aberto, a galeria costuma fazer parcerias com outros projetos e instituições, e um de seus sócios, Márcio Botner, vai participar do próximo Acervo, previsto para novembro.

Também artista, ele vai incluir uma das obras que cria com Pedro Agilson, na dupla Botner e Pedro. - Quando participa de um projeto, o artista agrega um valor de cultura à obra dele e, conseqüentemente, será mais valorizado, filosófica e economicamente - afirma Botner, que aposta na galeria como um meio de estímulo à produção e ao pensamento de um artista. - É um casamento. Você divide a produção das exposições, das obras, e também na hora da venda.

Galeristas não se vêem como simples comerciantes

Basbaum, entretanto, acredita que a divisão deveria, pelo menos simbolicamente, ser de 51% para o artista e 49% para a galeria. Para a maior parte dos galeristas, a conta não é tão simples assim. Silvia Cintra, da galeria de mesmo nome, e Ricardo Rêgo, da Lurixs, destacam a tal relação de casamento entre galerista e artista, que tornaria reducionista a visão de que 50% é muito para o primeiro. Eles lembram que a galeria arca não apenas com custos fixos - espaço, salários, contas, equipamento e IPTU -, mas também com um investimento direto na carreira dos artistas, levando-os a feiras e aos colecionadores, além dos prejuízos com apostas que não emplacam e exposições que não vendem. Para Silvia, é uma união solidificada, que não sofre ameaças.

- Minha galeria tem uma parceria fortíssima com os artistas, um acredita no trabalho do outro. Duvido que algum participasse de um projeto desses - afirma ela. - Mas o mercado está tão saturado que as pessoas acabam tendo que criar outros meios. Aqui, toda a carreira dos artistas está sendo acompanhada, eles não precisam disso.

Ricardo Rêgo, que também é colecionador, não sabe se permitiria que um representado pela Lurixs entrasse no pacote dos “dez por R$ 5 mil”: - A princípio não sou contra nada, mas teria que ver o caso concreto para refletir a respeito. O artista precisaria ter um propósito muito bom.

Posted by Leandro de Paula at 12:22 PM

A arte sai do museu, por Suzana Velasco, O Globo

A arte sai do museu

Matéria de Suzana Velasco, originalmente publicada no Globo do dia 17 de outubro de 2008

Intervenções artísticas ocupam as ruas do Rio, criando novos espectadores

A previsão do tempo para os próximos 18 dias, no Centro do Rio, é de céu claro com nuvens. Quem passar pela Praça Quinze poderá inclusive, de dia e de noite, passear entre as nuvens. Quem as levou para lá foi o artista Eduardo Coimbra, que, convidado por Martha Pagy, idealizadora do projeto Série Light: Ilumina, montou uma estrutura monumental na praça, formada por cinco caixas de luz (4,7m x 4,7m x 48cm) que convidam o espectador a percorrê-las. Antes de o tempo mudar, o carioca terá outras surpresas pela cidade, nas ruas de Flamengo, Catete e Glória, que a partir do próximo dia 24 receberão os dez trabalhos de arte pública vencedores do prêmio Interferências Urbanas, criado por Roberta de Alencastro.

A vocação do Rio para a vida nas ruas é a motivação de ambos os projetos, que buscam levar a arte para fora de museus e galerias, aproximando-a, democraticamente, de quem está e quem não está habituado a visitar exposições. A obra “Nuvem”, de Coimbra, é a primeira de uma série que Martha Pagy pretende que seja bienal, patrocinada pela Light. Ela se inspirou em projetos de outras cidades, como o Luci d’Artista, que, a partir de 1997, começou a chamar atenção para a arte contemporânea em Turim, na Itália, mobilizando a população e os empresários para a continuidade das intervenções públicas. - A idéia do projeto é trabalhar sempre com a luz como suporte e levar a arte para o espaço de convivência da rua.

Só o fato de estarmos lá, montando a obra, fez com que as pessoas parassem, tirassem fotos. Já se estabeleceu outra relação com a rua. É importante essa capacidade de provocar e transformar o olhar de quem está passando - diz Martha. - O Eduardo Coimbra está levando para a praça um céu que às vezes nem é olhado no espaço urbano. E de repente ele está ali, você tropeça nele. O artista passou uma semana montando a instalação, que pode ser vista pelos carros que passam pela Rua Primeiro de Março ou do alto, pelos que trafegam na Avenida Perimetral. Todos esses ângulos de visão foram pensados na montagem, que deixou um espaço de cerca de dois metros entre cada caixa de luz, para que os pedestres possam circular, sem que se perca a unidade entre as estruturas.

No alto e dos lados, a espessura das caixas é coberta por espelhos. À medida em que o dia escurece, a luz progressivamente intensifica a imagem das nuvens. - São só nuvens, espelho e luz, a idéia é tirar a materialidade. Só que cada caixa pesa uns 300 quilos - brinca Coimbra, que inaugurou a instalação ontem. - A escala é monumental para dar conta do espaço, para que a obra não seja um simples adereço. Gosto de ir ao encontro do espectador do cotidiano, do cara que está saindo da barca contando dinheiro e se depara com essas nuvens. A obra circula, não é para meia dúzia de pessoas.

Pijama de Vargas na saída de ar do metrô

A mesma idéia de circulação permeia o Interferências Urbanas, que, realizado entre 1999 e 2002, volta este ano com dez propostas, selecionadas por Fernando Cocchiarale, Marisa Florido, Adolfo Montejo Navas, Agnaldo Farias e Marcelo Campo. Foram 286 inscritos em edital, e escolhidos, segundo Roberta de Alencastro, pela qualidade do projeto, sem condições relativas a idade ou currículo. Cada um recebeu R$ 8 mil da Oi para desenvolver suas obras. - No Rio, a gente come churrasco na rua, faz carnaval na rua. Quero levar também as artes visuais para o cotidiano, porque o carioca, o brasileiro, não freqüenta exposições, especialmente de arte contemporânea - diz Roberta, que, nas outras edições do projeto, em Santa Teresa, gostava de observar a reação dos espectadores. - O que mais me interessa é ouvir as conversas de quem passa, do povo que está indo para o trabalho ou encostado num botequim.

Os projetos selecionados, que ficarão nas ruas até 2 de novembro - dia em que “Nuvem” também se despede -, relacionam-se com a História da cidade, suas condições sociais e sua arquitetura. No Catete, no respiradouro do metrô em frente ao Museu da República, uma camisa de pijama gigante, semelhante à que Getúlio Vargas usava quando se suicidou, será inflada como um boneco de posto de gasolina. O trabalho “Getúlio é pop”, da dupla Lady Campello, leva para fora do museu parte da história que ele expõe, como o suicídio de Vargas.

- Queríamos trabalhar com um objeto institucional, que é essa camisa. Estamos levando-a para fora do museu. Muita gente nem sabe que ela está lá dentro - diz Leidiane de Carvalho, que criou o projeto com Clarissa Campello. O SoundSystem, de Franz Manata e Saulo Laudares, vai instalar, no Aterro do Flamengo, caixas de som com o ruído de pássaros, que será eventualmente interrompido por interferências na transmissão. Felipe Varanda fará projeções de imagens do Rio Carioca numa tela de 20m, suspensa a cinco metros de altura na Rua do Catete, das 20h30m às 23h30m. Também haverá performances, como a do Fuso Coletivo, que levará um artista de circo para fazer malabarismos na esquina da Rua do Catete com a Rua Dois de Dezembro, das 17h30m às 20h30m. Mas os números de malabares serão todos errados, e os motoristas dos carros parados no sinal receberão R$ 1. Serão apenas algumas das surpresas que a cidade terá nos próximos dias.


Cores para a comunidade
Holandeses interferem na Vila Cruzeiro

Na Vila Cruzeiro, a Rua Santa Helena é uma escadaria de concreto. Desde janeiro, ela vem se transformando no “Rio Cruzeiro”, nome que os artistas holandeses Jeroen Koolhaas e Dre Urhahn, da dupla Haas & Hahn, deram para a pintura de dois mil metros quadrados que será inaugurada com festa amanhã, no Instituto Brasileiro de Inovações Saúde Social. Com recursos do governo holandês e de um leilão das próprias obras na Holanda, os dois pintaram o rio com a ajuda de três jovens da comunidade, que foram pagos pelo trabalho.

- Essa rua era a mais feia daqui e agora os moradores falam que é a mais bonita. É uma idéia de como tratar seu próprio ambiente, do que podemos fazer por nosso bairro - diz Koolhaas, que pretende seguir para o Haiti, para fazer pinturas e filmagens, sempre trabalhando com jovens locais. Em 2005, três anos após trabalhar na comunidade Monte Azul, em São Paulo, Koolhaas chegou ao Rio para fazer um documentário sobre hip hop nas favelas. No ano seguinte, criou sua primeira pintura na Vila Cruzeiro, de um menino soltando pipa, e voltou este ano, com Urhahn, para continuar o projeto “Favela painting”. - A Vila sempre aparece no jornal em notícias ruins, de tiroteio, seqüestro, e agora todos estão muitos orgulhosos dela - afirma Koolhaas, que está morando no local e já vivenciou muitos conflitos entre traficantes e policiais. - Os tiroteios às vezes duram cinco, seis horas. A primeira pintura está cheia de balas. O garoto com pipa já morreu.

Posted by Leandro de Paula at 12:18 PM

outubro 15, 2008

Petrobras Cultural lança edital com verba de R$ 42,3 milhões, por André Miranda, O Globo

Petrobras Cultural lança edital com verba de R$ 42,3 milhões

Matéria de André Miranda, originalmente publicada no Globo no dia 15 de outubro de 2008

Presente à cerimônia, o ministro Juca Ferreira admite que Cultura pode sofrer cortes com a crise econômica

Numa cerimônia em que o tema da crise econômica mundial pairou no ar, foram apresentadas ontem pela manhã as novas diretrizes do Programa Petrobras Cultural (PPC), maior edital de patrocínio de uma empresa a projetos culturais do país. As inscrições para o programa estão abertas a partir de hoje para as áreas de produção e difusão em audiovisual, artes cênicas, música, literatura e cultura digital, com um orçamento de R$ 42,3 milhões. No evento, a Petrobras anunciou, ainda, uma verba suplementar de pelo menos R$ 40 milhões, que serão destinadas a um pacote de projetos selecionados pelo Ministério da Cultura (MinC).

Para longas, aprovação prévia na Lei será exigência

A partir de agora, o PPC será dividido em dois editais, um aberto em outubro (produção e difusão) e outro em maio (patrimônio e formação). A maior mudança para esta edição é um acordo firmado entre a Petrobras e o MinC que cria uma nova etapa do processo de análise e seleção, em que os projetos finalistas serão avaliados para aprovação na Lei Rouanet, antes de serem anunciados os vencedores. A única exceção será no caso dos projetos de longa-metragem, para os quais o PPC vai exigir a aprovação na Lei do Audiovisual no momento da inscrição.

Outras novidades são os apoios específicos para festivais de música (R$ 2 milhões) e para projetos de cultura digital (R$ 2 milhões). A maior parcela desta fase do PPC ainda ficará com propostas de audiovisual (R$ 26,6 milhões), com a produção de longas-metragens em 35mm (R$ 13 milhões) à frente. Já os projetos de artes cênicas terão R$ 7,3 milhões; os de música, R$ 5,6 milhões; e os de literatura, R$ 810 mil.

Apresentada pela atriz Marieta Severo, a cerimônia de anúncio do PPC foi realizada no Museu de Arte Moderna, no Rio, e contou com as presenças do ministro da Cultura, Juca Ferreira, do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabriel li, e do gerente executivo de Comunicação Institucional da empresa, Wilson Santa Rosa. Gabrielli fez questão de ressaltar que o apoio ao PPC não pode ser afetado pela conjuntura econômica. Já Ferreira admitiu que a crise pode gerar cortes na cultura.

- É possível que, em algum momento, o estado brasileiro tenha que reduzir os gastos, e isso pode chegar à área cultural. Talvez tenhamos que nos adequar a essas condições de turbulência. Mas o presidente Lula já disse que quer poupar a área social, o que inclui a cultura. Então, acredito que seremos pouco afetados - disse Ferreira.

Coube, então, a Santa Rosa anunciar o investimento extra que a Petrobras fará em cultura, também citando a crise econômica mundial. - Muito embora a banca do cassino financeiro mundial tenha quebrado, o resultado da Petrobras é muito bom. Então vamos apoiar um novo pacote do MinC, com cerca de R$ 40 milhões, podendo ser mais, dependendo do resultado da empresa até o fim do ano - disse. Segundo Ferreira, o destino dessa verba será avaliado pelo MinC e deve ser anunciado em até três semana.

Zulu Araújo na Funarte

Solução definitiva sai em 20 dias

Após a cerimônia de lançamento do Programa Petrobras Cultural (PPC), o ministro da Cultura, Juca Ferreira, aproveitou para tratar do futuro da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Com o pedido de demissão de Celso Frateschi na semana passada, a Funarte será dirigida interinamente, durante 20 dias, pelo arquiteto e produtor cultural Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares. Araújo acumulará os dois cargos neste período, mas a idéia do MinC é criar um colegiado para presidir o órgão.

- A gente vai esperar passar a turbulência antes de tomar qualquer decisão e poder fazer a transição com calma. Ainda não há nada definido - disse Ferreira. - Paralelamente a isso, estamos trabalhando para desobstruir as aprovações de projetos da Lei Rouanet. Vamos investir em tecnologia para que possamos sair desta dificuldade em atender a demanda pela lei. A crise na Funarte estourou com o pedido de demissão do ator e diretor teatral Celso Frateschi do cargo de presidente. A demissão ocorreu dois dias depois de o GLOBO mostrar como um projeto do grupo de teatro Ágora, fundado por Frateschi, foi aprovado em tempo recorde para captar patrocínio pela Lei Rouanet.

Posted by Leandro de Paula at 9:50 AM

outubro 14, 2008

Zero informação: imprensa brasileira ignora obra de Cildo Meireles

A notícia de que a artista norte-americana Laura Gilbert havia distribuído 10 mil cédulas de 'zero dólar' em frente à Bolsa de Nova Iorque na última terça-feira, dia 7 de outubro, rendeu várias chamadas na imprensa brasileira e internacional. Gilbert, que tinha a intenção de realizar um protesto à volatilidade do sistema financeiro em plena crise econômica global, estava, simplesmente, reproduzindo o gesto de Cildo Meireles: há trinta e um anos atrás, o artista brasileiro fez uma crítica incisiva ao poder da moeda, de suas instituições reguladoras e de seu estatuto no imaginário coletivo ao criar o 'Zero Cruzeiro' e o 'Zero Dólar'. Na leitura de Paulo Herkenhoff, "como obra de arte mercantilizável, a família monetária de Cildo Meireles porta uma ironia corrosiva sobre os agentes do mercado. Cildo Meireles materializa a idéia de imensurável do valor simbólico".

Seguem abaixo alguns exemplos de como a "criação" de Laura Gilbert foi saudada em matérias que nada falam sobre Cildo Meireles e sua trajetória, que ganha agora retrospectiva na Tate Modern, em Londres.


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Folha de São Paulo

A artista plástica Laura Gilbert imprimiu e distribuiu 10 mil cópias da gravura "Dólar Zero" em frente à bolsa de Nova York, em um protesto contra a crise econômica dos EUA. Segundo ela, a idéia é chamar a atenção para o fato de a moeda ter enfraquecido.

O Estado de São Paulo

A artista americana Laura Gilbert criou 10.000 notas falsas de "zero dólar". Ontem (7/10), ela distribuiu cópias em frente à Bolsa de Valores de Nova York. Segundo a artista, a obra trata do "papel destrutivo de várias instituições financeiras, e do declínio da moeda americana a ponto de parecer que não vale nada". Mas, se o dólar não vale nada, quanto vale o real?

Portal G1

Artista distribui notas de 'zero dólar' em protesto contra crise em Wall Street

Notas de mentira foram doadas ao público em frente à bolsa de Nova York. Segundo autora, objetivo é chamar atenção para perda de valor da moeda. A obra tenta chamar a atenção para o "papel destrutivo" de muitas instituições financeiras, para a inflação e para o fato de a moeda dos EUA ter enfraquecido até o ponto de parecer sem valor.

Terra e Paraíba Online

Artista protesta contra crise com nota de "zero dólar"

A pintora Laura Gilbert imprimiu notas de "zero dólar" e as levou para a frente do prédio da bolsa de valores de Nova York nesta terça-feira para protestar contra a crise econômica que atinge os Estados Unidos.

A artista distribuiu 10 mil das notas falsas, que tinham zeros impressos ao invés de um, a quem passava pelo local.

Gilbert explicou que o trabalho foi feito para chamar a atenção para "o papel destrutivo de muitas instituições financeiras, da inflação e do declínio da moeda dos EUA até o ponto dela parecer sem valor".


Exceção: Luciano Trigo em seu blog no Portal G1

A artista plástica americana Laura Gilbert criou a obra Zero Dollar para protestar contra a crise econômica e chamar a atenção para o “papel destrutivo” do sistema financeiro. Mas podia ter sido mais original. Em 1977, Cildo Meirelles teve uma idéia idêntica, em duas versões: Zero Cruzeiro e Zero Dólar. Como o jornal The New York Times deu destaque para Gilbert, daqui a pouco as 10 mil cópias assinadas da gravura vão valer uma grana. Cildo devia cobrar direitos autorais… em dólar!

Posted by Leandro de Paula at 5:58 PM

outubro 13, 2008

Zulu Araújo assume a Funarte e promete diálogo com servidores, por Miguel Arcanjo Prado, Folha Online

Zulu Araújo assume a Funarte e promete diálogo com servidores

Matéria de Miguel Arcanjo Prado, originalmente publicada na Folha Online, no dia 9 de outubro de 2008

Foi publicada nesta quinta-feira (9), no Diário Oficial da União, a nomeação do presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, como presidente interino da Fundação Nacional de Arte (Funarte). Os dois órgãos são ligados ao Ministério da Cultura (MinC).
Presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo assume a Funarte.

O novo presidente esteve nesta quinta na sede do órgão federal no Rio e conversou com os funcionários, para se inteirar da atual situação da Funarte.

Em entrevista à Folha Online, por telefone, Araújo disse que quer reestabelecer o diálogo com servidores do órgão. "Minha mensagem para os funcionários da Funarte é que vou reestabelecer o diálogo com todos os setores: dirigentes, técnicos e servidores, além da representação dos servidores."

Araújo ocupa a vaga deixada por Celso Frateschi, que renunciou ao cargo após a denúncia feita pelo jornal "O Globo" de que ele teria favorecido a companhia teatral Ágora, grupo do qual foi fundador e que é dirigido por sua mulher, a cenógrafa Sylvia Moreira, e pelo diretor Roberto Lage.

Funcionários da Funarte comemoraram a saída de Frateschi com festa com direito a bolo e refrigerante. Apesar desse clima recente de hostilidade, os servidores receberam bem o presidente interino, que chegou com um discurso pacificador.

"Do mesmo modo que o ministro da Cultura Juca Ferreira disse quando ocupou a vaga deixada pelo ministro Gilberto Gil, eu pretendo ouvir, ouvir e ouvir", declarou Araújo.

"Os funcionários me procuraram hoje para se colocar à disposição. Todos me receberam muito bem. Quero fazer uma direção colegiada, como faço na Fundação Cultural Palmares, com a participação de todos, sem abrir mão de minhas responsabilidades."

Araújo afirmou que ficará à frente da Funarte "enquanto for necessário" e previu sua permanência no órgão por cerca de 30 dias, "até o ministro [Juca Ferreira] escolher um titular que contemple todas as propostas da administração do MinC e tenha legitimidade junto à classe artística". Ele disse que não acredita que será esse nome. "Estou muito bem na presidência da Palmares e ainda tenho uma missão a cumprir lá", declarou.

A assessoria da Fundação Cultural Palmares informou à Folha Online que, por enquanto, Araújo não deixa o órgão e acumula as duas funções.

Quem é Zulu Araújo

Baiano formado em arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, Edvaldo Mendes Araújo, conhecido por Zulu Araújo, tem 55 anos e acumulou experiência na gestão de programas culturais voltados aos negros.

Entre outros cargos, foi conselheiro do Olodum e assessor especial da Secretaria de Cultura da Bahia. Ele foi responsável pelas atividades de comemoração dos 300 anos de Zumbi, em 1995. Ele assumiu a presidência da Fundação Cultural Palmares em março de 2007, órgão do qual já fazia parte da diretoria desde 2003.

Posted by João Domingues at 3:00 PM