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junho 7, 2011

Choque de gestão por Morris Kachani, Folha de S. Paulo

Choque de gestão

Matéria de Morris Kachani originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 5 de junho de 2011.

Leia também as matérias e respostas que compõem o Dossiê MIS e Paço das Artes: A morte anunciada de um modelo de gestão.

André Sturm assume a direção do MIS e busca atrair mais público ao redefinir o foco da instituição

A recente indicação de André Sturm, ex-dono do Cine Belas Artes, para a direção do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo trouxe à tona um questionamento sobre o foco da instituição.

A gestão anterior, apoiada por artistas como Regina Silveira e acadêmicos como Lucia Santaella (da PUC-SP), defendia uma reinvenção do museu com base na emergência das novas mídias tecnológicas, encorajando a experimentação em vários suportes e linguagens.

Em outras palavras, pesquisa e arte conceitual. "O MIS sempre foi associado à vanguarda. E vanguarda hoje é pesquisar todas as linguagens depois do computador", diz Santaella.

Andrea Matarazzo, secretário de Cultura, pensa diferente: "O MIS não pode ser tão hermético. Não se pode usar a verba de R$ 9 milhões para um público de só 80 mil pessoas, como em 2010".

Assim, indicou Sturm ao conselho da organização social, entidade sem fins lucrativos contratada pela secretaria para administrar o MIS.

A escolha de Sturm causou indignação e, semana passada, circulava uma petição pública somando quase mil assinaturas que falava em ingerência do governo e tentativa de transformar o MIS em "museu da televisão".

Sturm é figura conhecida entre os ativistas culturais ligados ao cinema. Pioneiro na distribuição de filmes independentes, trouxe nos anos 90 obras de diretores até então desconhecidos, como Krzysztof Kieslowski e Theo Angelopoulos.

Mais recentemente, esteve na unidade de Fomento e Difusão da Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, tendo se tornado praticamente um braço direito do ex-secretário João Sayad e do atual. Ele falou à Folha sobre seus planos.



Folha - O que pretende fazer à frente do MIS?

André Sturm - Oferecer programação de qualidade com muita gente interessada. Essa é a função do artista e do gestor cultural: tirar o que é bom do gueto. Fazer show da Ivete Sangalo e encher é fácil. O que sempre me orgulhou foi lançar um filme chinês como "2046" e deixá-lo um ano em cartaz.

O que acha das diretrizes da antiga gestão do museu?
O museu tem muito espaço e muitas possibilidades que não vinham sendo usadas. O trabalho anterior é de qualidade, mas muito restrito. Quantas pessoas se interessam por isso? Qual a repercussão social? Pretendo manter essa linha de novas mídias, mas quero fazer outras coisas também.

Como, se houve um corte de 25% da verba aproximadamente, de 2010 para 2011?
Vai ter que rever, eventualmente corrigir algumas questões. A missão é preservar o que existe e apontar para a frente. Só não dá para ficar apenas na vanguarda pela vanguarda, acho meio vazio.

Dê um exemplo.

Ontem fui dar uma volta completa no museu. Visitei o tal do LabMIS, que eu não sabia o que significava. Quando perguntei, me responderam: "É um conceito".

E o que é?
Trata-se de uma residência para quatro pessoas ficarem ali por três meses. Não tenho nada contra. Mas por que não receber 2.000 pessoas para fazer uso daqueles equipamentos maravilhosos em aulas e oficinas?
Há ilha de edição, computadores incríveis, softwares de animação, estúdio. Um projeto que pretendo realizar é um festival de videoclipes que não foram para a MTV. Vai ter de tudo. Som contemporâneo, comum...

E fotografia?
Não sou profundo conhecedor, mas é uma área que adoro. Pretendo dar muita visibilidade ao acervo e abrir o MIS para exposições.

E na área de cinema?

Festivais como É Tudo Verdade e a Mostra de Cinema devem ampliar sua participação. Apoiaremos os programas do governo. E pretendo exibir filmes mudos com música ao vivo no MIS.

Você é dono de uma distribuidora e produtora de filmes, e tinha salas de cinema. Não há conflito de interesses?
O Gil era ministro da Cultura e tinha uma empresa que se beneficiava da Lei Rouanet. É só um exemplo, não estou criticando ninguém. Meus negócios recuaram muito desde que entrei na secretaria. Não concorri em editais e só distribuí filmes sem relação com a secretaria. É um preço a pagar.

Você enxerga ingerência do governo em sua nomeação?

Não. Acho que é função do Estado estabelecer políticas e metas. Cabe à OS administrar e dar andamento a isso.

Posted by Marília Sales at 12:51 PM | Comentários(1)
Comments

só faltou perguntar se o entrevistado iria também reinventar a roda...

Posted by: Ohira e Bonilha at junho 20, 2011 12:14 AM
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