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janeiro 31, 2011

Direitos autorais, segundo a neta da Lygia Clark por Alessandra Clark, Luis Nassif Online

Direitos autorais, segundo a neta da Lygia Clark

Artigo de Alessandra Clark originalmente publicado no Luis Nassif Online em 24 de janeiro de 2011.

Meus caros, sou neta de Lygia Clark. gostaria de saber se algum dia ligarão para a Associação cultural "O Mundo de Lygia Clark" e perguntarão o que nós pensamos a respeito de tudo isso, ao invés de ficarem se derretendo em lamúrias pela internet com falsos testemunhos sem opinião própria.

então, como jamais entrarão em contato, resolvi dar 5 minutos do meu dia para responder a este blog (muito bom - por sinal).

A verdade é que muitos reclamam de barriga cheia. todos querem sobreviver da arte. críticos querem vender seus textos, curadores querem vender seus projetos, empresário querem vender seus produtos. só esquecem que a fonte de todas as suas pesquisas são os artistas. enquanto o artista está vivo, é fácil encontrá-lo e pedir autorização para publicar seu legado. o artista, emocionalmente envolvido paga a alma pra conseguir ver seu trabalho exposto. quando o artista morre, os herdeiros se vêem numa posição muito difícil - terem em suas vidas uma Obra para tomar conta. Essa obra é o filho de uma pessoa, eternamente dependente, que passa a conviver diariamente com essas pessoas. isso quer dizer que os herdeiros passam a ter todos os positivos e os negativos desse 'f'ilho' que apareceu repentinamente.

vou dizer os Deveres: cuidar, zelar, respeitar. se vocês não sabem o que isso quer dizer, eu vou dizer: manter o arquivo documental impecável limpo, sem fungo, organizado, apto a ser entregue como objeto de pesquisa... pra quem???? para pessoas que queiram pesquisar, publicar, expor... mas essas pessoas não querem dar nenhuma contra partida para ajudarem... infelizmente, como a falta de respeito em relação aos artistas é enorme, as pessoas acham que os herdeiros têm a obrigação de manter tudo isso e não querem ajudar...

exemplo: já recebi pedidos de pesquisa aonde pessoas gostariam de publicar livros e não tinham verba destinada a direitos autorais... mas o livro é inteiramente patrocinado com verba pública (Lei Rouanet), todas as pessoas envolvidas no projeto sendo muito bem remuneradas (pela tabela de valores dos serviços no ministério) e não se tem verba para o artista... e depois o livro ainda é vendido nas livrarias a 150 reais. isso eu não acho justo. é falso moralismo dizer que estão disponibilizando cultura... disponibilizar cultura a 150 reais não é disponibilizar.

eu vou dizer o que é disponibilizar: disponibilizar é deixar acessível sem custo a a custo que a pessoa possa pagar. 1/3 de salário mínimo não é disponibilizar. sinto muito. EU disponibilizo. eu tenho a documentação da Lygia Clark disponível para pesquisa gratuita. quem quiser, pode ligar a marcar pra fazer sua pesquisa. eu libero direitos autorais gratuitamente - lógico se todos estiverem doando seus esforço também. por que só nós """artistas/herdeiros"""" temos que nos sujeitar a ceder...

se o governo fizesse por onde, cuidando do legado de cada artista, ele poderia exigir alguma coisa. mas infelizmente, não faz. a Lei Rouanet hoje é usada de forma imprópria. Nos sujeitamos as departamentos culturais de grandes empresas que fazem verdadeiros leilões de patrocínio que acabam sendo distribuídos a lobistas.... mas isso,,,, estamos nos Brasil, já deveríamos estar acostumados.

bem, passei mais de 5 minutos. me empolguei. desculpem-me. mas, está aqui o recado, se alguém tiver alguma dúvida, a Associação Cultural "O Mundo de Lygia Clark" está aberta a perguntas e a pesquisas. isso é gratuito. o resto, não é nossa obrigação moral ceder. analisamos caso a caso.

Atenciosamente,

Alessandra Clark - Uma amante da Arte e herdeira por tabela.

Posted by Patricia Canetti at 7:42 PM | Comentários(3)
Comments

Ana, todo o meu apoio.

Artur Barrio

Posted by: Artur Barrio at fevereiro 6, 2011 1:26 PM

Todo artista, penso eu, em algum momento de sua vida tem a consciência de que sua Obra é uma Herança para os seus descendentes. É, pois, genuíno e justo que estes usufruam de ganhos patrimoniais pela exposição do legado, equilibrando Bom senso, interesse público e a memória do artista.

Posted by: petersonruiz at fevereiro 9, 2011 12:33 PM

Alessandra, é vero que o legado de muitos artistas estão sofrendo com uma mercantilização expúria. a reforma da lei Rouanet viria exatamente para corrigir estes desvios que coloca nas mãos de departamentos de Marketings, e apaniguados, os ganhos pela realização de projetos ditos "Culturais". me solidarizo contigo, mas não podemos confundir o que está em andamento nesta polêmica toda gerada pela nova gestão do Minc. Ana de Holanda ainda hoje confundiu/misturou Direitos Autorais com Direitos Trabalhistas. os Direitos Trabalhistas são tutelados pela Justiça Trabalhista que avalia os conflitos mediante leis claras e jurisprudentes. o Direito Autoral é gerenciado por entidades arrecadadoras que amealham milhões e não prestam conta de nada. nenhum dos integrante destes ECADs da vida passaram pelo crivo de um concurso público ou têm qualquer status de autoridade, proficiência ou notório saber. a atual gestão do Minc dá uma guinada de 180° em muitas direções, todas elas no interesse privado ou de grupos há anos encastelados em instituições pouco transparentes ou legítimas. Hermano Viana e outros intelectuais da imprensa têm denunciado estas falácias e cortinas de fumaça para ocultar interesses excusos. é um debate que não podemos deixar esvaziar, sob pena de que as coisas mudem para que sigam como estão.
cordialmente,
Alexandre Brito.

Posted by: Alexandre Brito - Escritor at março 12, 2011 3:36 PM
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