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Como atiçar a brasa

 


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dezembro 14, 2010

Carlito Carvalhosa enche uma galeria de luz em nova mostra por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de dezembro de 2010.

Carlito Carvalhosa quer dissolver os espaços. Depois de erguer um imenso véu no vão central da Pinacoteca do Estado, ele enche de luz uma galeria no centro paulistano.

São lâmpadas fluorescentes, brancas, coladas nas paredes, no teto e no chão. Uma vibração elétrica ofusca a arquitetura e delimita o espaço com fortes traços luminosos.

"Existe um princípio básico de encher o lugar", diz o artista à Folha. "É como se agarrar ao lugar onde está."

Na Pinacoteca, sua instalação cobria com um manto a área central do prédio. Philip Glass fez um concerto na obra, mas não podia ser visto, já que o pano desviava o olhar para o resto do acervo.

Talvez seja esse o sentido de se agarrar ao lugar. No caso da Soso, onde expõe agora, uma overdose de luz desbanca as paredes da galeria, como se perdessem a função de conter o espaço e virassem monocromos que oscilam entre branco, cinza e negro.

Querendo ou não, Carvalhosa remete aqui aos experimentos do minimalista americano Dan Flavin, que usou as mesmas lâmpadas em construções escultóricas.

Mas, enquanto o minimalismo queria uma arte independente do espaço, obras absolutas -o branco total, o negro total-, Carvalhosa parece preferir a indefinição. E nunca independe do espaço. Se já fez árvores flutuarem num palácio em Salvador e fez sumir o miolo da Pinacoteca, agora replica a estética banal das lojas do centro num antigo hotel projetado por Ramos de Azevedo.

"São elementos comuns, essas lâmpadas, a relação com a rua", diz o artista. "É um lugar igual aos outros."
Isso porque ele tem aversão ao cubo branco, que chama de "lugar terrível". Sua obra não sobrevive em espaços neutros ou subverte qualquer ideia de neutralidade.

Depois das lâmpadas, sua próxima obra vai encher de postes de luz um galpão do novo Museu de Arte Contemporânea da USP, que se muda para o antigo Detran no ano que vem.

Posted by Marília Sales at 3:02 PM