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Como atiçar a brasa

 


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outubro 18, 2010

Zumbido forte por Angélica de Moraes, Istoé

Matéria de Angélica de Moraes originalmente publicada na Istoé em 8 de outubro de 2010

Funciona assim: nos anos em que há Bienal de São Paulo, as principais galerias paulistanas se reúnem para organizar uma ampla amostragem de obras dos artistas que representam. Para estabelecer algum nexo nesse universo de individualidades artísticas, é convidado um curador. Cabe a ele conciliar costuras visuais e estéticas com o fato incontornável de elencar artistas de todas as galerias do evento. Sem atrapalhar as razões do mercado. Um pressuposto desconfortável que – assim como aquele besouro de asas curtas e corpo pesado – consegue voar, apesar das leis da aerodinâmica. Com zumbido forte, que chama a atenção.

Em sua quinta edição, a Paralela tem o título “A Contemplação do Mundo” e reúne trabalhos de 82 artistas de 13 galerias. O curador é Paulo Reis, coeditor da revista e editora de arte Dardo. Reis tomou emprestado de um livro do sociólogo francês Michel Maffesoli o título para sua curadoria. Peso extra adicionado ao corpo do besouro. As teses sociológicas resultam postiças ao conjunto. Como sempre, a salvação se dá pela qualidade individual dos trabalhos. Como sempre, os bons artistas são as asas do besouro/Paralela.

Embora o recorte não traga arte eletrônica ou em novos meios na proporção presente hoje no circuito internacional, traz bons exemplos delas. É o caso da obra “Puxadinho II”, de Lucas Bambozzi. Mariana Manhães e suas engenhocas é um ponto alto, assim como a máquina low-tech de Paulo Nenflídio. Manhães e Nenflídio se inscrevem em tendência bem representada na Paralela: a sound art, arte construída com sons e que envolve muitas hibridizações (poesia, arte conceitual, instalação). “Acusma” (foto), do grupo Chelpa Ferro (formado pelos artistas Barrão, Luiz Zerbini e Sergio Mekler), em versão reduzida daquela que foi exibida em 2008 no Museu de Arte da Pampulha (BH), é outra ótima sound art na Paralela. Milton Marques traz um objeto excelente e Mariana Palma ótima pintura. A montagem, arejada e bem modulada, é das melhores da história do evento.

Posted by Fábio Tremonte at 2:51 PM