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Como atiçar a brasa

 


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outubro 1, 2010

Clark, Pape e Oiticica são pontos de partida da mostra aberta hoje por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 1 de outubro de 2010

São três as âncoras da mostra que começa agora no Sesc Vila Mariana. Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica encabeçam um time pautado por desdobramentos da obra de arte no espaço físico e a transformação da exposição em experiência.

Invertendo o nome da mostra de 1969 em que o curador suíço Harald Szeemann postulava que atitudes se tornaram formas, esse recorte tenta mostrar que naquela mesma década artistas brasileiros faziam o oposto -trocavam a tela pela vida.

Mas a força desta que se configura como uma das mostras mais potentes no circuito off-Bienal não está só no caráter museológico, mas no fato de identificar com precisão herdeiros das estripulias daquele momento.

Oiticica, que está na mostra com sua mesa de bilhar num ambiente colorido, inserção do jogo na cor expandida no espaço, encontra eco orgânico em Theo Craveiro.

Esse artista paulistano constrói um viveiro de formigas que levam nas costas pétalas de rosa -"Parangolés" orgânicos- para alimentar fungos que crescem nas formas dos "Metaesquemas".

No mesmo embalo orgânico, Lygia Pape propõe a irrupção da forma a partir de três cubos de plástico. De dentro deles, dançarinos rompem a casca e entram no ritmo da cuíca e do pandeiro.

Laura Lima retoma isso no baile que viu na tela de um anônimo no Louvre. Ela reproduz o quadro e oferece ao público réplicas das roupas que aparecem na tela, que serão vestidas numa dança.

Enquanto ela surrupia a forma sem dono e materializa o baile, Pedro Victor Brandão expõe cromos de obras de artistas conhecidos à luz ultravioleta, destruindo seu conteúdo diante do público.

É a mesma erosão da imagem na série de autorretratos de Albano Afonso, que mostra o próprio rosto atrás das caras de Modigliani e Van Gogh em réplicas perfuradas.

Num passo além, Caetano Dias dá verniz antropofágico à explosão das formas com um Cristo de rapadura, deitado na cruz e exposto como banquete açucarado.

Posted by Fábio Tremonte at 2:05 PM