Página inicial

Como atiçar a brasa

 


novembro 2013
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
Pesquise em
Como atiçar a brasa:

Arquivos:
As últimas:
 

agosto 8, 2008

MIS repaginado, por Silas Martí, Folha de São Paulo

MIS repaginado

Matéria de Silas Martí, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 6 de agosto de 2008

Após reforma, Museu da Imagem e do Som reabre com mais espaço para exposições e foco na tecnologia

Cibelle canta Björk e Paulo César Peréio declama Ezra Pound bombardeados por imagens sampleadas em tempo real por um grupo de VJs. Neste sábado, eles sobem ao palco do auditório reformado do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, que reabre para o público após oito meses de reforma. Estão marcadas mais duas performances -uma delas terá biscoitos em formato de prédios assados no museu- e duas exposições de estréia.

A idéia é mostrar que depois da saída da antiga direção -alvo de investigação do Ministério Público por emitir notas frias e pelo mau uso do prédio do Estado- e de um arrastado período de decadência, com queda no número de visitantes e menor peso entre museus da cidade, o MIS mudou o perfil.

Saiu a fotógrafa Graça Seligman e entrou a nova diretora Daniela Bousso, à frente da organização social também responsável pelo Paço das Artes, na Cidade Universitária. Quando saiu, em junho de 2007, Seligman disse que as acusações do MP eram "inverdades".

Bousso diz que foi chamada pela Secretaria de Estado da Cultura, responsável pelo MIS, para "reposicionar" a instituição. O que era um órgão para a coleta de depoimentos sobre a vida brasileira, com o advento do videotape nos anos 80, agora tem como objetivo ser um espaço cultural dedicado à produção e à exposição de obras que misturam arte e tecnologia.

"A gente não está reinventando a roda", diz Bousso. "O museu tem uma identidade, uma história, um acervo, mas foi ficando para trás." Levando isso em conta, a nova direção assumiu com o Estado o compromisso de inventariar todo o acervo, com mais de 350 mil itens, para erguer sobre ele, desconhecido em grande parte, os novos planos do museu.

O mais ambicioso deles é sem dúvida o LabMIS, que Bousso espera se tornar um "celeiro ou incubadora de conhecimento". Com um investimento de R$ 550 mil, há salas de captação de som e vídeo, ilhas de edição e um programa de técnicos e programadores que vão auxiliar artistas convidados a realizar suas obras tecnológicas.

Neste ano, vão trabalhar no novo laboratório, a convite do museu, Caetano Dias e Paulo Meira. Depois deles, seis artistas por ano participarão de projetos semelhantes.

Para dar conta das novas demandas, foram investidos na readequação do MIS até agora R$ 7,2 milhões, repassados do Estado para a organização social. Além de aumentar em 200 m2 a área expositiva, que passou para 800 m2, o projeto prevê ainda um restaurante -o antigo, que ficava dentro do MIS, foi removido- orçado em cerca de R$ 1 milhão, ainda em fase de licitação e que deve levar um ano para sair do papel.

Também dobrou o orçamento anual do MIS, que passou a dispor de R$ 4 milhões por ano de verbas do Estado neste ano. Ainda assim, a nova direção fechou parcerias com a iniciativa privada e a Imprensa Oficial do Estado, que ocupará uma loja no térreo, para garantir novos equipamentos, mais verbas e a publicação de catálogos.

1/3 das obras pode deixar o museu

Segundo diretora, inventário técnico, que deve ser concluído em dois anos, vai determinar transferência de parte do acervo

Se a reforma do prédio do MIS atrasou quatro meses, e ainda havia cimento molhado e paredes por fazer quando a Folha visitou o museu na última sexta, há muito mais a ser feito em relação ao acervo.

Embora o inventário técnico das obras do MIS e sua catalogação adequada fossem exigências do governo à nova organização social responsável pelo museu, só uma lista prévia dos mais de 350 mil itens sob a guarda da instituição foi concluída até agora.

"Foi feito um levantamento, não um inventário técnico", diz a diretora Daniela Bousso. "Esse inventário tem que dizer qual é o estado da obra, se está tombada, se há um título."

A nova diretora acredita que esse estudo aprofundado do acervo levará à transferência de cerca de um terço das obras a outras instituições, já que muito do que está lá não cabe mais no novo perfil do MIS. Mas para chegar ao resultado final, Bousso prevê mais dois anos de trabalho pela frente. "É um trabalho muito longo, mas um desafio interessante", diz.

Entre o que pode sair do MIS e passar para outro museu, estão uma coleção de roupas e objetos pessoais do sambista Adoniran Barbosa, vídeos de consulados e imagens históricas de governadores tomando posse. "Temos que tratar assunto por assunto e ver o que cabe ficar no MIS", diz Bousso.

"O acervo estava recebendo peças que não faziam sentido", diz à Folha o secretário estadual da Cultura, João Sayad. "Muita coisa vai mudar, porque algumas peças acabam ficando só por valor sentimental. É uma coleção muito variada, que precisa ser pensada."

Segundo Bousso, o MIS deve formar em breve uma comissão de especialistas para ajudar a definir e pesquisar o que fica no acervo e o que sai do museu.

Um projeto que pode acelerar o processo é o chamado "Acervo Vivo" em que convidados escolhem filmes do acervo para exibir em ciclos de cinema. A primeira curadoria da série é do professor Arlindo Machado e estréia neste domingo, com filmes de Charles Atlas e Bruce & Norman Yonemoto.

Ao todo, Machado escolheu 300 filmes do acervo do MIS, todos restaurados nos últimos dois meses. Serão exibidos 180 deles, mas cada vez que um convidado faz um recorte, os filmes já passam pelo processo de digitalização. Esses primeiros 300 títulos, no entanto, são ainda uma parcela ínfima dos 350 mil itens no acervo. "É um trabalho que está começando", reconhece Bousso.

Política de aquisições
Apesar da vontade declarada de devolver ao MIS a "efervescência" que tinha nos anos 80, Bousso admite que ainda nem pensou em outra de suas metas: a formação de uma política de aquisições do museu.

Embora reconheça que o acervo não pode "ficar parado", Bousso diz que uma segunda comissão de especialistas deverá ser formada para definir aquisições. Outra idéia é negociar com artistas que desenvolverem seus trabalhos a convite do MIS: uma vez concluído, o trabalho pode passar a pertencer à instituição.

Posted by João Domingues at 10:39 AM