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abril 24, 2006

Banco do Brasil responde a três perguntas do Canal Contemporâneo

Banco do Brasil responde a três perguntas do Canal Contemporâneo

1 - Esta censura por parte do Banco do Brasil agride não apenas o seu próprio centro cultural e a comunidade artística, mas também a sociedade brasileira no seu direito fundamental a liberdade de expressão. O que fez o Banco do Brasil tomar esta atitude?

A Diretoria do Banco do Brasil decidiu retirar de exibição a reprodução da obra "Desenhando em terços", de autoria de Márcia X, integrante da exposição "Erótica - Os sentidos na arte", em cartaz no CCBB no Rio de Janeiro em virtude das manifestações de repúdio de parcela da sociedade.
O Banco do Brasil esclarece que a decisão, tomada após extenso debate interno, considerou questões de imagem e aspectos empresariais, o ambiente onde o BB atua e as críticas recebidas de seus clientes, provenientes de várias cidades brasileiras.


2 - Como é possível para o Banco do Brasil ser um dos maiores patrocinadores de cultura do Brasil e ao mesmo tempo cometer um ato de censura contra a própria cultura que pretende estimular?

Considerando que as críticas eram focadas em uma única obra, a decisão do Banco visou preservar o conjunto da exposição, evitando que as críticas se estendessem a toda a mostra.

O Banco do Brasil mantém sólido apoio à difusão da arte e da cultura no Rio de Janeiro há 17 anos e realiza seleção para definir a programação anual de seus centros culturais no Rio de Janeiro, em Brasília e São Paulo. Sempre com respeito à liberdade de expressão artística, à pluralidade e à diversidade e estimulando a produção inovadora. Não por acaso, a atuação em marketing cultural do Banco do Brasil, ao longo dos anos, conquistou o respeito e o reconhecimento do público, da mídia e do mercado cultural.

3 - Além da indignação em relação ao desrespeito aos nossos direitos básico, nos preocupa imensamente que esta atitude do Banco do Brasil incentive o crescimento do fanatismo religioso em nosso país. Gostaríamos de saber se esta dimensão do problema foi levada em consideração pela direção do banco na hora de tomar a triste decisão de mandar retirar uma obra exposta em seu centro cultural?

O Banco do Brasil não acredita que essa decisão contribua de alguma forma para estimular o fanatismo religioso em nosso país e discorda da adjetivação contida na pergunta, quanto à decisão do Banco.

Enviado por imprensa@bb.com.br

Posted by João Domingues at 12:29 PM | Comentários(7)
Comments

Censurar é melhor para a imagem do Banco do Brasil... interessante.

Posted by: Hélio Nunes at abril 25, 2006 10:39 AM

A ANPAP - Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas - enviou carta de repúdio a censura realizada pelo CCBB e reitera seu compromisso com a liberdade artística e cultural. A infeliz decisão da Diretoria do BB, ainda que discordem do adjetivo, não pode ver vetor de decisão. O CCBB deveria, como produtor da mostra, reiterar o conteúdo da exposição, defendendo-a, inclusive, em juízo, caso fosse necessário. Lastimável o ocorrido.

Posted by: Cleomar Rocha at abril 27, 2006 9:28 AM

a obra alcancou sua conquista plena, tocou o meio social, a ponto de ate a policia discorrer do assunto, ora, estou achando otima a polemica, uma vez q se revelou a face brasileira e seu autoritarismo, institucionalmente velado.
seria irritante se tudo estivesse bem, tudo fosse lindo, é bom que eles la repudiem e nos aqui os enfrentemos (alias ja estamos enfrentando)
adorei ver o trabalho de arte de uma brasileira tocando tao a fundo o social, ferindo tanto o outro.................desmascarar, o fim da ilusao

Posted by: juliana bernabe nunes at abril 27, 2006 1:04 PM

estamos falando com as paredes?
a relevância dos abaixo assinados sao como tempestade num copo dagua para o CCBB.
de que centro cultural? que centro cultural?
a única ética é a do capital.
nao admitir que incentivam o fanatismo religioso é a resposta da secretária eletrônica, e é a resposta que resolveram erroneamente mandar ao canal. mal sabem eles a dimensão da coisa. a imagem que constroem para si toma formas no nosso imaginário sim senhor.
mas infelizmente nao nasceram pra pensar, nasceram pra entreter.
perder tempo com reflexões é coisa de artista nao de banco.

não há preocupação cultural. não ver a relação que este trabalho tem com a sociedade, os reflexos da atitude do banco para com o público, eles provam a classe artística seu caráter e sua postura.
talvez porque, no mundo real(bussiness), os artistas precisem do apoio deles, e não imaginam grandes consequencias. estão seguros da dimensão real da coisa, porque giram em torno do capital, não da arte e suas dimensões sociais.
a resposta da instituição ao fato significa não se comprometer com tais atividades, com tais reflexões.
não pensaram com seriedade íntegra antes de tirar a obra, e agora querem enterrar o assunto.
é realmente aquela nossa famosa e familiar imagem, que só mesmo o banco "DO BRASIL" poderia nos fornecer.
é essa a imagem que ajudam a fazer de nós mesmos.
é essa a contribuição. é esse o caráter.
é mais uma vez a preguiça febril contagiando a multidão.

Posted by: eduarda h. at abril 27, 2006 5:14 PM

Não sei se minha mensagem irá ao ar neste site, mas só gostaria de ponderar algumas coisas, já que falamos em direitos, liberdade de expressão etc.
1- O cidadão tem o seu direito a liberdade até o momento em que depara-se ao limite de seu próximo, ou seja, podemos nos expressar sem agredir ou ofender os demais cidadãos, assim se constitui uma sociedade, com respeito mútuo e dignidade;
2- O CCBB é uma Instituição Cultural maravilhosa, por permitir que muitos artistas desconhecidos e pequenos se expressem, mostrem os seus talentos.
3- Uma Instituição como esta, de caráter respeitável e que abre suas portas a diversas escolas, deve se preocupar com o conteúdo daquilo que apresentará, especialmente às crianças e aos adolescentes.
4- A parcela da sociedade que apoiou a retirada das obras da artista foram em maior número do que a dos artistas que atualmente se opuseram a tal assunto.
5- Me admira um ministro da cultura se envolver em assuntos como este, especialmente porque após assumir seu ministério deixou a classe artística de lado e agora, certamente, nosso povo desmemoriado o apoia em suas desastrosas declarações.

Ponderemos senhores, precisamos parar de olhar subjetivamente as coisas que acontecem em nossa sociedade, os homens precisam de respeito mútuo para viver nela. Vejamos o que é melhor, apresentemos opções de caráter educativo e que nos permita uma cidadania justa, já que nossas crianças, nosso futuro necessita disto.
Paz.
Renata

Posted by: Renata V. at abril 28, 2006 2:44 PM

Curiosa a sua opinião, Renata...
1 - Primeiro é preciso estabelecer se houve ou não agressão ou ofensa; e para isso existe a justiça.
2 - Nunca soube de artsitas desconhecidos e pequenos que mostrassem o seu trabalho no CCBB...
3 - Esta escolha é feita pela instituição no momento em que a programação é contratada. A censura imposta a obra de Márcia X pelo BB nada teve a ver com qualquer tipo de preocupação com o público de menor, mas apenas com considerações de ordem financeiro-empresariais, conforme admitiu o próprio BB.
4 - A enquete feita pelo Globo online desmente esta sua afirmação. Lá a maioria foi contra a retirada das obras.
5 - O assunto que você considera não ser da conta do Ministro da Cultura foi uma exposição 100% patrocinada com recursos públicos através da Lei Rouanet. Aliás, como é toda a programação do CCBB.

Quanto ao respeito mútuo, ele se dá através do diálogo, do espaço para diferentes opiniões e idéias, e não através da censura.

Paz, nisso nós concordamos.

Fred Forest

Posted by: Fred Forest at abril 30, 2006 4:56 PM

A liberdade de expressão não é um valor absoluto. Existem outros na sociedade, como o respeito à dignidade da pessoa e à sua fé.
Posso dar socos no ar à vontade, desde que não atinja o rosto do outro.

Chega de sofismas! A questão não é censura à arte, mas a uma peça que extrapolou limites dados até mesmo por lei, como no Artigo 208 do Código Penal, que trata dos crimes contra o sentimento religioso:

"Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa."

Precisam ler mais sobre ética, moral, valores e leis.

Posted by: anônimo at maio 29, 2006 7:53 AM
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