Página inicial

Como atiçar a brasa

 


novembro 2013
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
Pesquise em
Como atiçar a brasa:

Arquivos:
As últimas:
 

maio 6, 2004

Hora de crescer - como atiçar a brasa?

8dia_Kac_p.jpg

A primeira vez que ouvi Eduardo Kac falar de seu biobot (http://www.ekac.org/8thday.html), contando sobre como o robô era movimentado pela multiplicação e movimentação de organismos vivos, imediatamente pensei no funcionamento do Canal Contemporâneo, relacionando a sua atuação à multiplicação e à movimentação dos indivíduos conectados à rede, mas pensei também no nosso próprio funcionamento como indivíduos, a partir das infinitas conexões que o nosso código genético faz com outros organismos vivos.

O Oitavo Dia (1) nos coloca diante da condição transgênica do ser humano, do fato do Projeto Genoma Humano ter demonstrado que carregamos DNA descendente de vírus em nosso código genético, e "sugere que as noções "românticas" do que é natural têm de ser questionadas..."

O que mais me interessa no conhecimento do Genoma Humano é o fato dele nos evidenciar uma ampla ascendência e, a partir dela, podermos entrar em contato com o fato de sermos feitos de pedaços. Pedaços esses que nos estruturam e que nos conectam ao exterior e ao coletivo. É a percepção inédita do coletivo em nosso interior, mesclada à vivência de rede das novas tecnologias, que nos possibilitam vislumbrar novas relações entre a individualidade e a coletividade na condição humana.


Hora de crescer - como atiçar a brasa

Proposta de um trabalho de mídia tática

Como um jornalista vai conseguir dar continuidade a uma matéria e convencer o seu editor da importância da mesma, se o jornal não recebe um único comentário a respeito?

Tenho ouvido de jornalistas e críticos de várias áreas que o nosso silêncio nos jornais é determinante para a falta de espaço que encontramos na mídia. Que ao nos calarmos diante das matérias realizadas e da falta das mesmas, apenas contribuímos para a idéia de que somos um assunto sem importância para o público.

A questão que se coloca é a seguinte: se nós mesmos somos o nosso público número 1, por que não atuamos como tal?

Por que não cobramos dos Cadernos de Cultura dos jornais de nossas cidades que cubram certos eventos? Por que não comentamos as boas matérias? Por que não pedimos continuidade no desenvolvimento de algumas delas? Por que não reclamamos de certas matérias maldosas e pouco embasadas? Por que não criticamos a postura pouco responsável de alguns jornalistas?

A resposta, que mais tenho ouvido, se baseia sempre na idéia de não termos consciência de classe e de não sabermos atuar em nome da coletividade. Será? Tanto classe, como coletivo são conjuntos. Melhor então começarmos da base, olhando para os elementos que os formam.

Quando cada um de nós se cala diante do jornal e evita qualquer interação com o veículo de comunicação, estamos sendo indivíduos apáticos. Mesmo estando indignados, não somos capazes de reagir. Se formos um conjunto de indivíduos abatidos, que espécie de coletivo isso forma?

Se começarmos individualmente a reagir, em diversas cidades, isso pode provocar uma reação em cadeia que nos leve a uma soma de elementos atuantes. Elementos atuantes é igual a um conjunto atuante? Um conjunto atuante pode levar a uma formação de classe e de coletivo? Só saberemos as respostas, começando a partir da atuação de cada um.

A brasa está aí para ser atiçada. Abana daqui, sopra de lá, aos poucos, com delicadeza e perseverança, podemos fazer dessa brasa um foguinho. Individualmente, ou em pequenos grupos, podemos traçar estratégias que tenham como objetivo aumentar a nossa visibilidade nos jornais. É importante lembrar que o aumento de visibilidade gera aumento de público, que por sua vez pode ampliar o mercado e a circulação de recursos. Estamos acostumados a achar que esses fatores, tão cruciais para o desenvolvimento da produção artística, estão estagnados, num beco sem saída. (Será que existe alguma ligação entre a nossa estagnação de mercado e a nossa apatia política?)

Como atiçar a brasa?

1 - Escreva um emeio para o editor do Caderno de Cultura do seu jornal fazendo comentários sobre matérias publicadas e/ou a falta delas, com cópia oculta para canal@canalcontemporaneo.art.br;

2 - Se tiver sido sobre uma matéria, envie a mesma para o Canal Contemporâneo, juntamente com a data e o nome do jornal em que foi publicada;

3 - O emeio e a matéria serão publicados nesse blog, no Como atiçar a brasa, www.canalcontemporaneo.art.br/brasa;

4 - Essas publicações no Como atiçar a Brasa terão chamadas periódicas nos e-nformes do Canal Contemporâneo;

5 - Caso receba alguma resposta do editor e quiser publicá-la, coloque-a como comentário no Como atiçar a brasa.


Patricia Canetti é artista e criadora do Canal Contemporâneo.

(1) O Oitavo Dia, texto sobre a obra de mesmo nome de Eduardo Kac publicado no livro Redes Sensoriais: arte, ciência, tecnologia; organização de Kátia Maciel e André Parente, Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria, 2003.

Posted by Patricia Canetti at 12:35 PM | Comentários(3)
Comments

Esta é uma maneira interessante de contar história, um incentivo a coletividade. Será que dá certo?!

mande notas para para meu emeio...

Posted by: TWeick at abril 22, 2005 1:15 AM

Estamos com vocês!

Posted by: Lord a;. at abril 27, 2006 2:01 PM

Estagnação de mercado e a nossa apatia política..tudo haver...afinal...a arte contemporanea obedece entre outros,o seu papel social,dentro da sociedade globalizada de consumo.

Posted by: Ricardo Barradas - Agenciador e Avaliador de Arte at agosto 2, 2006 11:27 AM