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Como atiçar a brasa

 


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abril 16, 2019

Governo anuncia Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa

Governo anuncia Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa

Notícia originalmente publicada no portal do Governo do Estado de São Paulo em 15 de abril de 2019.

Membros do órgão serão responsáveis por avaliar programas e estabelecer diretrizes para a política cultural do Estado de São Paulo

O Governador João Doria anunciou nesta segunda-feira (15) a composição do Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa, órgão integrante da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Sistema Nacional de Cultura, responsável por debater, propor diretrizes para a política cultural e para os programas e ações da Secretaria.

Os membros terão como missão monitorar e avaliar atividades, a fim de sugerir aprimoramentos, realizar diagnósticos e propor medidas de desenvolvimento; efetuar consultas públicas; e acompanhar o andamento do Plano Estadual de Cultura.

“Pela primeira vez na história se cria um conselho vinculado diretamente ao Governador do Estado. Nós temos já um Conselho de Gestão no Estado, mas que nada tem a ver diretamente com o Conselho que hoje se constitui”, ressaltou o Governador Joao Doria. “Ambos lutando pela cultura brasileira em São Paulo”, disse.

O Conselho, que constitui uma das instâncias do Sistema Estadual de Cultura, é ligado diretamente ao Governador e tem a responsabilidade de estabelecer diretrizes para a política cultural do Estado, além de avaliar o desempenho de programas e ações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Integram o Conselho 15 membros representantes do poder público e 15 membros representantes do setor cultural e criativo da sociedade civil.

“Como presidente teremos o Eduardo Saron, como vice-presidentes Fernanda Feitosa e Ismael Ivo, para mandato de um ano, renovável por mais dois anos”, comentou o Governador João Doria.

Com o propósito de manter discussões mais eficientes e reduzir gastos, o quórum terá menor número de integrantes e nenhum custo para o Estado. Com mais foco e eficácia, questões urgentes relacionadas às instituições, programas e serviços culturais terão agilidade nas decisões. O regimento do Conselho, a ser formulado, contemplará todos os segmentos da cultura e garantirá a participação popular.

Câmaras temáticas

Por meio das câmaras temáticas, o setor cultural e a sociedade participarão dos debates e propostas. Com a finalidade de analisar, debater e propor medidas que estimulam os diversos segmentos artístico-culturais e da economia criativa, as câmaras serão formadas observando a paridade entre membros do poder público e da sociedade civil que, por seus conhecimentos e experiência profissional, possam contribuir com as atividades desenvolvidas.

Composição do Conselho

Amilson Godoy – Maestro
André Sturm – Cineasta e ex-secretário de Cultura da prefeitura de SP
Caio Luiz de Carvalho – Diretor Geral do Canal Arte 1
Carlos Meceni – Presidente do Conselho Brasileiro de Entidades Culturais
Danilo Miranda – Diretor do Sesc
Eduardo Saron – Diretor do Itaú Cultural
Fabio Barbosa – Presidente do Conselho da Osesp
Fernanda Feitosa – Diretora Geral da SP Arte
Heitor Martins – Diretor Presidente do Masp
Ismael Ivo – Diretor do Balé da Cidade de São Paulo
João Carlos Martins – Maestro
Jose Gregori – Presidente da Associação Paulista dos amigos da Arte
José Olympio Pereira – Presidente da Bienal de São Paulo
Juca Oliveira – Ator e dramaturgo
Manuel Costa Pinto – Colunista da Folha de São Paulo
Marcelo Mattos Araujo – Presidente da Japan House e ex-secretário de Cultura do Estado de SP
Marcos Mendonça – Ex-secretário municipal e Estadual de Cultura e presidente da Fundação Padre Anchieta
Maria Ignez Mantovani – Diretora Geral da Expomus
Nizan Guanaes – Fundador da Agência África
Odilon Wagner – Ator, escritor diretor
Paulo Zuben – Diretor Artístico pedagógico da Santa Marcelina Cultura
Renata Almeida – Diretora da Mostra de Cinema de SP
Ricardo Ohtake – Diretor do Instituto Tomie Ohtake
Rodrigo Garcia – Vice-governador
Henrique Meirelles – Secretário da Fazenda e Planejamento
Sérgio Sá Leitão – Secretário da Cultura e Economia Criativa

Posted by Patricia Canetti at 10:02 AM

abril 15, 2019

Mostra de Rivane Neuenschwander traz para a política sanatório de Machado de Assis por Nelson Gobbi, O Globo

Mostra de Rivane Neuenschwander traz para a política sanatório de Machado de Assis

Matéria de Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 10 de abril de 2019.

Em São Paulo, artista mineira apresenta obras recentes na exposição 'O alienista'

SÃO PAULO — Publicada em 1882, a novela “O alienista” é constantemente aludida ao se abordar relações de poder, mesmo as que não remetam à realidade do Brasil oitocentista que deu base à obra de Machado de Assis. Mais de um século depois, a história do médico Simão Bacamarte, que interna todos os habitantes de uma cidade em um sanatório recém-construído (e por fim, ele próprio), segue como uma alegoria potente para momentos de insegurança institucional. A inquestionável autoridade médica da ficção, a quem cabia apontar os loucos e sãos, pode ser atribuída a personagens autoritários ou governos autocráticos, a partir do contexto em que o paralelo é feito.

Utilizando o título da obra machadiana, Rivane Neuenschwander inaugurou na galeria paulistana Fortes D’Aloia & Gabriel, no início do mês, uma individual com obras criadas nos últimos anos, sob o impacto do noticiário político no Brasil. A mostra reúne obras em técnicas variadas, como o vídeo “Enredo” (2016), feito em parceria com o seu irmão, o neurocientista Sergio Neuenschwander, ou as colchas de retalhos da série “O nome do medo”, feitas em oficinas com crianças na EAV do Parque Lage e expostas no Museu de Arte do Rio (MAR) em 2017. À pesquisa desenvolvida desde 2013 sobre medos infantis e suas representações, a artista somou as criações da série “O alienista” (2019), com 16 bonecos feitos de papel machê, tecido e garrafas de vidro, que podem representar (ou não) personagens da crônica política atual, dependendo da leitura do público.

— Acompanhei à distância os protestos de 2013, mas a coisa degringolou de vez em 2015, quando voltei de Londres para morar no Brasil. Então a pesquisa anterior começou a se relacionar mais com o contexto político, com as disputas de narrativa — comenta a mineira Rivane, que trocou Belo Horizonte por São Paulo, após voltar de um período de três anos na capital inglesa. — Na época, tentei retomar a questão da linguagem, e fiz etiquetas com as palavras que ganharam força naquele momento, para tentar entender o que estava em jogo em termos semânticos, o que foi capturado no meio do caminho.

Após a polarização e a radicalização dos discursos no período eleitoral, a artista começou a produzir os bonecos com cabeças de papel machê (muitas vezes feitas junto aos filhos, Theo e Hannah, de 11 e 9 anos, respectivamente), com feições que lembram animais ou plantas — nunca humanas. Os nomes dados a cada escultura, como “O Juiz de Fora”, “O Terraplanista”, “A Corte”, não explicitam as correlações com personagens da vida política nacional, mas alguns detalhes fazem o paralelo com eventos recentes, como notas de dólares presas às vestimentas ou uma diminuta panela nas mãos de uma das criaturas.

— Pensei muito no Paul Klee (1879-1940), que fez dezenas de fantoches para o filho, muitos dos quais foram queimados durante a Segunda Guerra. É impressionante pensar no processo histórico que um artista dessa magnitude viveu , a perseguição dos nazistas, a inclusão na mostra de arte degenerada. Os trabalhos foram ganhando muitas camadas de sentido, vi que teriam de ser ricos de detalhes — ressalta a artista. — Usei as garrafas de vinho e outras bebidas na base, já que muitas delas acompanharam debates acalorados que tivemos no ano passado.

A relação com a obra de Machado de Assis também inspira os personagens do que pode ser interpretado como um sanatório de proporções diminutas. Outra ligação está na parte inferior das paredes da galeria, pintadas de verde para remeter ao nome do manicômio criado por Simão Bacamarte no livro, a Casa Verde.

— De repente a gente se viu obrigado a rebater discursos sobre fatos que já tínhamos vivido, como a ditadura ou a “ameaça” do comunismo. Isso emerge como uma psoríase, um processo de negação da verdade que te obriga falar sobre Terra plana, é uma volta no tempo — diz Rivane. — E isso tem consequências imediatas. Basta pensar na questão ecológica, por exemplo. Se continuarmos assim, daqui a pouco estaremos presos numa realidade sem volta, da nossa Casa Verde só vão ficar as cinzas.

O alienista
Onde : Fortes D’Aloia & Gabriel — Rua Fradique Coutinho, 1500, Vila Madalena (11 3032-7066). Quando : Ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., de 10h às 18h. Quanto : Grátis. Classificação : Livre.

Posted by Patricia Canetti at 10:58 AM

Adriana Varejão faz sua primeira exposição individual em Salvador por Ana Cristina Pereira, Correio

Adriana Varejão faz sua primeira exposição individual em Salvador

Matéria de Ana Cristina Pereira originalmente publicada no jornal Correio em 13 de abril de 2019.

A influente artista visual carioca expõe vinte trabalhos de várias fases no Museu de Arte Moderna a partir de terça (16)

Salvador sempre esteve no raio criativo da artista visual carioca Adriana Varejão, 55 anos. Ela já veio “diversas” vezes pesquisar e se inspirar pela atmosfera e herança barroca da cidade, como tem mostrado em trabalhos de diferentes fases, a partir dos anos 80.

Mesmo assim, Adriana, uma das artistas mais conhecidas do país e que já expôs em vários centros do mundo, nunca tinha feito uma exposição individual por aqui. “As instituições estão muito carentes de verbas. Nunca tinha recebido nenhum convite oficial”, resume.

A afirmação é apenas uma constatação, pois ela está “muito feliz” em apresentar a mostra Adriana Varejão - Por uma Retórica Canibal, no Museu de Arte Moderna, a partir de terça-feira (16). “Fazer esta exposição é como finalmente retornar à casa da mãe depois de uma longa viagem”, poetiza Adriana.

Com curadoria da crítica de arte carioca Luisa Duarte, a exposição reúne 20 trabalhos produzidos a partir de 1992, que percorrem três décadas, num esforço logístico complexo, já que as obras estão em coleções particulares de vários colecionadores.

“Não é fácil reunir os trabalhos, muitos colecionadores não ficam seguros”, pontua a artista, que não via alguns dos trabalhos desde 2013, quando fez retrospectivas nos Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio .

Por isso, a mostra retrospectiva - uma iniciativa da Galeria Almeida e Dale - ganha ainda mais importância. É uma exposição, avalia a artista, para o público que ainda não conhece sua obra ter uma visão mais abrangente do conjunto. “São obras históricas, não necessariamente o que estou fazendo agora, mas que cobrem um grande período”, resume.

Devorações

É nas produções dos anos 90 que Adriana reflete com mais intensidade a força conceitual do Barroco. E as primeiras cidades em que ela pesquisou o tema foram Salvador e Cachoeira, seguidas de outras como Recife e Mariana, em Minas Gerais. Só muito depois, conta, foi a Portugal.

Ao beber na fonte estética do Barroco, com seus jogos retóricos e muitos excessos, Adriana diz que estava em busca das multiplicidades de referências que o período traz. “O Barroco foi o primeiro lugar de uma arte mestiça na América, uma arte com fortes referências locais. Este caráter múltiplo e mestiço é o que mais me atrai”, pontua, citando artistas referenciais do movimento no Brasil, como o artista mineiro Aleijadinho (1730-1814) e o poeta baiano Gregório de Matos (1636-1693).

Em pinturas como Língua com Padrão Sinuoso e Pele Tatuada à Moda de Azulejaria - que ilustram esta página - estão imagens do Barroco, relidas de forma pertubadora, com referências ao corpo humano e que parecem sangrar da tela. “A questão do canibalismo é uma metáfora, pois a ideia é subverter o padrão branco e eurocêntrico. Comer aquilo e devolver de uma outra forma. É isso que me interessa no Barroco”, diz.

Azulejos

Um dos elementos que chamam atenção no conjunto é a recorrente presença dos azulejos - tão marcante na cultura portuguesa e em suas colônias. Tanto nos trabalhos mais antigos quanto no mais recente da exposição, a pintura sobre gesso batizada de Azulejão (Neo-concreto), de 2016.

Adriana conta que tem um acervo de mais de seis mil imagens de azulejos, que vem fotografando desde 1988. “Trabalho em cima desse repertório de imagens”, explica a artista , que tem uma sala inteira dedicada a eles no Instituto Inhotim, em Minas Gerais. O quadro Azulejão, diz, é como se fosse um recorte dessa sala no museu a céu aberto de Minas Gerais.

Além das pinturas em telas e outros suportes como madeira, alumínio, fibra de vibro e resina, a mostra inclui a videoinstalação Transbarroco (2014). Nela, Adriana apresenta quatro filmes produzidos nas cidades de Rio de Janeiro, Ouro Preto, Mariana e Salvador.

Ou seja, a Bahia está muito presente em Por Uma Retórica Canibal. Por isso, diz Adriana, está mais feliz em expor no Solar do Unhão do que “em qualquer museu do mundo”. E olhe que ela já teve seu trabalho exibido em grandes instituições internacionais como MoMA (Nova York), Fundação Cartier (Paris), Centro Cultural de Belém (Lisboa), Hara Museum (Tóquio) e The Institute of Contemporary Art (Boston).

Bate-papo

Além da visitação , a mostra Adriana Varejão - Por uma Retórica Canibal terá uma programação educativa paralela, atendendo a um pedido da própria artista. O que inclui uma publicação com texto para cada obra e a uma conversa sobre o universo criativo exposto, que acontece terça, às 16h, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória.

Participam do encontro gratuito Adriana Varejão, o artista visual baiano Ayrson Heráclito, a antropóloga e escritora paulista Lilia Schwarcz e a curadora Luisa Duarte. Entre os últimos trabalhos assinados por Luisa, que também é professora, está os programas públicos da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc-Videobrasil, que estreia em outubro em São Paulo.

Também pesquisador e professor, Ayrson Heráclito aborda com frequência em sua produção artística elementos da cultura afro-brasileira e faz uma reflexão crítica sobre o Brasil Colônia.

Já Lilia Schwarcz é uma das mais importantes históriadoras e antropólogas do país sobre o período da escravidão. Um de seus últimos livros lançados é Dicionário da Escravidão e Liberdade (Companhia das Letras), organizado por ela em parceria com Flávio dos Santos Gomes.

Depois de Salvador, a mostra segue para outras capitais fora do eixo Rio-São Paulo, que nunca tinham tido o prazer de receber uma mostra de Adriana Varejão.

FICHA
Exposição: Adriana Varejão - Por Uma Retórica Canibal
Artista: Adriana Varejão
Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (Solar do Unhão/ Av. Contorno)
Abertura: terça-feira (16), às 19h30
Visitação: de terça a sábado, das 13h às 18h, até 15 de junho. Gratuita

Posted by Patricia Canetti at 10:33 AM