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Como atiçar a brasa

 


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abril 17, 2015

SP-Arte tem boas vendas e supera expectativas por Camila Molina, Estado de S. Paulo

SP-Arte tem boas vendas e supera expectativas

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 14 de abril de 2015.

Feira Internacional de Arte de São Paulo, encerrada no domingo, atraiu 23 mil pessoas ao Pavilhão da Bienal

Apesar do clima de incerteza econômica, galeristas afirmaram que as vendas na SP-Arte 2015 – Feira Internacional de Arte de São Paulo, encerrada no domingo, dia 12, no Pavilhão da Bienal, superaram as expectativas. “O mercado de arte é muito específico e não é termômetro para o que acontece no País”, diz Marília Razuk, representante do escultor Amilcar de Castro (1920-2002), grande destaque de seu estande.

A galerista considera, sem mencionar valores, que a feira de 2015 tenha alcançado movimentação parecida com a edição anterior. “Pode ter sido um pouco menor, mas não podemos nos queixar”, define Marília, completando que os colecionares – em sua maioria, “mais abastados e já iniciados” – não estavam inseguros para comprar. A paulistana Luisa Strina, que vendeu diversas obras de Anna Maria Maiolino, também avaliou que foi constante o ritmo de negociações no espaço de sua galeria.

Entretanto, a representante da Galeria Van de Weghe de Nova York no Brasil, Luciana Junqueira, teve uma percepção diferente. “Tivemos uma movimentação de vendas bem menor que o ano passado, cerca de metade”, diz Luciana. O estande da nova-iorquina tinha I Love You But I Don’t Like You, um grande trabalho circular vermelho de 2,13 metros de diâmetro do astro britânico Damien Hirst, como sua obra mais procurada. “Não foi vendida”, afirma a representante da Van de Weghe sobre a peça, avaliada em US$ 950 mil (aproximadamente, R$ 2,968 milhões). “Viemos para a feira bem receosos, mas conseguimos fazer vendas e contatos que pagaram nossa participação”, explica Luciana, destacando, de fato, a venda de um desenho de Lucio Fontana de 1965.

Para se ter uma ideia, a SP-Arte movimentou cerca de R$ 250 milhões no ano passado, calcularam seus organizadores. Segundo a diretora da feira, Fernanda Feitosa, ainda não é possível prever os valores de vendas ocorridas em 2015 – o cálculo é feito a partir do montante de isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) estipulada por decreto da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo para os cinco dias do evento (em 2014, foram R$ 100 milhões).

De dado concreto, entretanto, Fernanda Feitosa comemora o aumento de 5% de visitação do público em relação ao ano passado, chegando à marca de 23 mil pessoas. “Tivemos também 30% de visitantes a mais no primeiro dia da SP-Arte”, conta. Para a advogada, que promove a feira desde 2005, mais estrangeiros passaram pelo evento desta vez – dentre eles, 70 colecionadores de fora.

Para a diretora da feira, que teve a participação de 140 galerias (delas, 57 estrangeiras), a faixa de preço das obras expostas não tem aumentado. Fernanda discorda que o evento tenha recebido, cada vez mais, peças milionárias, mas era possível, por exemplo, encontrar uma pintura de Alfredo Volpi avaliada em R$ 5 milhões.

Posted by Patricia Canetti at 4:35 PM

SP-Arte Sales Show Buoyant Art Market Despite Brazil’s Economic Slump by Silas Martí, Artsy

SP-Arte Sales Show Buoyant Art Market Despite Brazil’s Economic Slump

Editorial de Silas Martí originalmente publicado no Artsy em 10 de abril de 2015.

“The fact we’re here means there’s smoke, and now we’re trying to find the fire raging,” says Mera Rubell, sitting next to her husband, Donald Rubell, in one of the lounges at SP-Arte. But the couple of übercollectors from Miami may have had a hard time trying to spot that flame this time around. The months leading up to the event’s opening have seen the biggest collapse in the Brazilian economy since the 1990s, with the local currency losing a third of its value against the dollar and a recession drawing near.

In the days leading up to the fair, gallerists were uneasy. Even at parties surrounding the event, the atmosphere seemed somewhat charged, and some dealers were just short of heralding a market apocalypse before setting foot in Oscar Niemeyer’s Bienal pavilion, SP-Arte’s home in the heart of São Paulo’s Ibirapuera Park. Soon, however, the dark clouds began to dissipate—though not to reveal clear skies just yet. There is doubt on the horizon, and sales were slower in the first days of the fair in comparison to previous years. But it’s also not all that bad, thus confirming a truism in the art world: gallerists are known for complaining just as much as they are for embellishing a sales figure or two amidst the fair bustle.

Take it with a grain of salt, but dealers like Ricardo Trevisan, of São Paulo’s Casa Triângulo, and local gallerists Nara Roesler and André Millan reported above-average sales during the first hours of the fair. Berlin’s neugerriemschneider sold a piece by Renata Lucas and was in the final stages of negotiating the sale of a major Ai Weiwei installation, while London’s Blain | Southern had sold two editions of Bill Viola’s videos, and Lisson closed on a large Daniel Buren installation, a big hit at this year’s fair.

Official figures from local tax authorities, however, give a slightly different tally from these dealers’ narratives, stating that in total, just short of $400,000 in imported works were sold during the first day of the fair, in addition to just over $1 million in pieces sourced from within Brazil. The official figures do not account for all sales. While the Brazilian government offers temporary reprieve from the country’s notoriously high taxes on art imports during SP-Arte, not every gallery or work qualifies for the tax breaks. However, on a marginal basis, the figures remain a reliable way of measuring levels of activity against previous years.

“Two decades ago, São Paulo was a different city,” says Donald Rubell. “Now there seems to be more pride in it. Brazil made a quantum jump over the last years. The economy is lousy, but people still believe in their city.” Such is the case with the art market as well. But dealers are not overly concerned. “It has been harder to sell. But millionaires are still millionaires and spend money. It’s more a spiritual crisis than an economic one,” says Lucas Cimino, a director at São Paulo’s Zipper Galeria, whose stand had a huge photograph by Adriana Duque, the Colombian artist now famous for accusing Dolce & Gabbana of plagiarizing the headphones covered in pearls she makes for her portraits.

While the works at the fair are of exceptionally high quality—some galleries, like New York’s David Zwirner, put forth their best stands to date in São Paulo—the selection of pieces in many booths errs on the safer side. Wow factor is in short supply outside of the fair’s curated section on the third floor, which features some large-scale works. There, pieces by artists like Daniel Buren, Julio Le Parc, Fernando Ortega, Mona Hatoum, André Komatsu, and Neïl Beloufa, which have been commissioned by their galleries, occupy the usually-empty part of the pavilion, away from the crowds and from most of the action at the fair. Their installations seem a bit dislocated from the rest, but it’s a chance to see works without imagining a price tag—even though they are all for sale—next to them. Ortega’s delicate installations, one of them featuring a sheet of glass balanced on the tip of a bullet, are the standout in this section, presenting a sharp contrast to the rest of the pieces, all gigantic in size.

Many of the fair’s most interesting surprises are to be found in the very small stands close to the exit of the show. Jaqueline Martins, an emerging gallery from São Paulo, has been stepping up its game by rescuing now-marginal artists from the 1970s and ’80s, especially those working with video and performance. Martins’s show features nearly all women and centers around pioneering Brazilian video artist Letícia Parente. Also included are works by Lais Myrrha, one of the strongest artists in the local scene, known for her sharp reflection on the failure of the country’s modernist utopias. New York’s Broadway 1602 hosts a solo show of Rosemarie Castoro’s works, a minimalist who had pieces on view in Rio last year as part of the critically acclaimed “artevida” show. It’s a sign that everything minimal is as in as ever in Brazil.

The biggest stands, like those of Gagosian, David Zwirner, and Luisa Strina, all seem to have reduced the scale of the pieces on display, despite their expansive fair territory. The best works at David Zwirner are small, all-white wall sculptures by Jan Schoonhoven, a name recently being discovered in Brazil after a big Zero Group retrospective that toured the country with a stop at São Paulo’s Pinacoteca. Luisa Strina, who defies Brazilian taste by not showing “anything colourful or shiny,” in her words, also has a selection of very small and delicate works by neo-minimalist Fernanda Gomes, and Gagosian has a rather small “Achrome” by Piero Manzoni.

Waiting for a glass of champagne at one of the lounges, I overheard a curator saying that, indeed, it seemed like Brazil was ready for small-scale works. Someone else shot back that, no, collectors here are just ready to spend less money. This is definitely true. While previous editions of the fair had works high above the $10 million mark, this year’s most expensive work was a 1968 Picasso painting, going for a modest $5 million. Some works by Lygia Clark and Lucio Fontana topped out at $2.8 million, what seemed like a fair ask considering the rarity and sheer beauty of these pieces.

It was also a near consensus that other market giants like White Cube and Marian Goodman decided to bring a sophisticated selection of pieces, not just second-rate works or pieces that failed to sell elsewhere, as is usually the complaint amongst collectors here. According to one prominent São Paulo dealer, this reflects the fact that while the American market may have recovered, the rest of the world is still catching up, and the fact that good pieces by de Kooning, Basquiat, and Manzoni (just to name the ones at Gagosian) are available here has to do with how difficult they are to place in other markets at this point in time.

Posted by Patricia Canetti at 4:23 PM

Venda de obras para o exterior cai pela primeira vez na SP-Arte, TV Folha

Venda de obras para o exterior cai pela primeira vez na SP-Arte

Acesse o vídeo na TV Folha

Dias depois da feira SP-Arte, encerrada no domingo, o "TV Folha" conversou com os galeristas Socorro de Andrade Lima, da Millan, e Fabio Cimino, da Zipper, para fazer um balanço das vendas na feira. Enquanto galerias do Brasil dizem ter ido bem de vendas apesar da crise econômica, o movimento para casas estrangeiras foi mais devagar.

Dados oficiais da Secretaria da Fazenda mostram que o volume de negócios no evento caiu cerca de 11%, apontando a primeira retração num mercado que vem em curva ascendente ao longo dos últimos anos.

Em entrevista à "TV Folha", Andrade Lima e Cimino também comentaram o uso de Lei Rouanet para financiara uma feira que consideram cara e as políticas de isenção fiscal para fomentar o mercado, uma necessidade no meio para garantir que as vendas continuem mesmo em época de crise.

Posted by Patricia Canetti at 4:19 PM

Vendas com isenção fiscal caem 11% na feira SP-Arte por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Vendas com isenção fiscal caem 11% na feira SP-Arte

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 16 de abril de 2015.

Vendas com isenção do ICMS na última feira SP-Arte, encerrada no domingo, caíram 11% em relação ao ano passado –neste ano, 500 obras nessas condições foram vendidas por R$ 139 milhões, enquanto o balanço do ano anterior foi de R$ 155 milhões.

Esses dados da Secretaria da Fazenda paulista obtidos pela Folha mostram uma retração no mercado, mas não dão o quadro total de vendas na feira, já que nem todas as transações são declaradas.

Usando o método da SP-Arte para calcular o faturamento total do evento, baseado no fato de que vendas com a isenção correspondem em geral a 60% do total, é possível estimar que negócios totalizaram R$ 222 milhões neste ano contra R$ 250 milhões em 2014.

Desde 2012, o governo paulista dá isenção do ICMS a vendas realizadas na feira para incentivar a vinda de galerias estrangeiras ao evento e fomentar o mercado de arte no Brasil, país que pratica um dos mais altos impostos sobre obras de arte no mundo, chegando a quase dobrar o preço de alguns trabalhos.

Num momento de crise econômica no país e com a disparada do dólar, um resultado mais fraco já era esperado para este ano. A retração apontada pelo balanço da Fazenda indica uma primeira queda no faturamento da feira, que vinha em curva ascendente nos últimos anos, aumentando em 58% o volume de negócios de 2012 para 2013.

Segundo a Secretaria da Fazenda, 330 das 500 obras vendidas com isenção do ICMS na feira eram nacionais e 170 eram importadas. Peças estrangeiras foram vendidas por R$ 430 mil em média, enquanto as brasileiras custaram em média R$ 200 mil.

Juntas, as vendas geraram R$ 17 milhões em arrecadação de impostos federais. Esse valor é o maior argumento da diretora da feira, Fernanda Feitosa, para que o evento continue usando recursos obtidos via Lei Rouanet. Neste ano, a feira pediu R$ 5,7 milhões em verbas incentivadas e já chegou a captar R$ 1,5 milhão.

Posted by Patricia Canetti at 4:14 PM

abril 13, 2015

Rodrigo Braga apresenta sua primeira exposição individual na Casa França-Brasil por Daniela Labra, O Globo

Rodrigo Braga apresenta sua primeira exposição individual na Casa França-Brasil

Crítica de Daniela Labra originalmente publicada no segundo Caderno do jornal O Globo em 13 de abril de 2015.

Usando referências históricas, a mostra ‘Tombo’ instiga reflexão sobre progresso e patrimônio

Rodrigo Braga - Tombo, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, RJ - 02/04/2015 a 24/05/2015

RIO - A Casa França-Brasil apresenta “Tombo”, primeira exposição individual na cidade de Rodrigo Braga, artista nascido no Pará, criado em Pernambuco e residente no Rio há quatro anos. Destaque de uma geração que surgiu na cena de arte contemporânea há cerca de uma década, Braga chamou a atenção em 2004 com a série “Fantasia de compensação”, a qual consistia na sequência de imagens de seu rosto recebendo, em uma sala de cirurgia, implantes de seções da face de um cão rottweiler. De aspecto realista, as fotografias exploravam o potencial de ficção da imagem digital manipulada e permitiam ao artista simbolicamente dotar-se da ferocidade e da força do animal.

Tendo como assunto o enfrentamento do homem com a sua própria animalidade, a natureza e a cultura, Rodrigo Braga, desde então, exibe projetos que evocam com frequência imagens fantásticas e viscerais, resultantes de vivências em situações-limite que ele mesmo forja. No seu trabalho, a morte e o inescapável retorno do corpo orgânico à terra é recorrente, enquanto um ar solene parece conter a tragédia e dar um aspecto dramático a suas fotografias e seus vídeos.

Em “Tombo”, Braga mostra suas questões desdobradas de modo maduro, mantendo o tom solene mas aliviando a carga visceral. A individual, muito bem construída com a curadora Thaís Rivitti, dispensa elementos demais e incorpora objetos de distintas naturezas para criar uma narrativa menos ficcional do que parece. Troncos de palmeiras no chão, fotografias de arquivo, pranchas de botânica, croquis de arquitetura e uma videoinstalação: “Tombo” pode ser lida como um romance ancorado em fatos reais, que gira em torno do simbolismo evocado pela palmeira imperial no Brasil e, em especial, no Rio de Janeiro. Aqui foi plantada, por D. João VI, no Jardim Botânico, a primeira semente da árvore, trazida das Ilhas Maurício. O momento marcava a modernização da nação e a criação das primeiras instituições como a Biblioteca Nacional e a Praça do Comércio, hoje a Casa França-Brasil.

Referências ao soterramento da História

O visitante é recebido na entrada por mais de 15 toras de palmeiras centenárias que jazem no chão, como vestígios de um tempo antigo e testemunhas das transformações da cidade. Compreendidos como ruínas, os troncos têm uma cumplicidade temporal com as 24 colunas do edifício de 1820, projetado por Grandjean de Montigny. De certo modo “Tombo” traz o tom distanciado e o tempo estancado dos museus históricos, quebrado, porém, pelo vídeo com imagens de corte de palmeiras sem vida, no Rio. A sonorização do trabalho vale uns minutos de escuta atenta.

“Tombo”, que significa queda e também tombamento, proteção de patrimônio, leva a uma reflexão do constante movimento de construir e demolir a memória das cidades, que existe aqui. Não por acaso há referências ao prédio da Imperial Academia de Belas Artes, projetado por Montigny em 1826 e demolido em 1937 para dar lugar a um terreno hoje usado como estacionamento. Embora Rodrigo Braga não toque só nesse assunto, a mostra ilustra, melancólica, o soterramento da História pelo anseio de se construir uma nova História, aquela prescrita no futuro moderno, numa utopia de progresso hoje estagnada no presente. Ao buscar o novo, deixa-se tombar, cair o velho. Mas será inevitável demolir o passado para se investir no novo? Perguntemos às palmeiras.

Posted by Patricia Canetti at 1:45 PM

É o mercado, estúpido. Ou é amor? por Silas Martí, Blog da Folha

É o mercado, estúpido. Ou é amor?

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Blog Plástico do jornal Folha de S. Paulo em 9 de abril de 2015.

Meu texto sobre a SP-Arte publicado nesta quarta na “Ilustrada” causou reações mistas no mundo da arte. Ouvi elogios e também muitos ataques à reportagem que mostrava como a feira, que gera quase R$ 300 milhões em negócios, pediu recursos do governo para financiar suas operações, como faz quase toda iniciativa cultural no país. Há quem defenda mesmo que um evento comercial desse porte tenha recursos incentivados. Muitos também apontaram que a prática de trazer a uma feira obras já vendidas, que divide galeristas brasileiros, é supercomum em todas as feiras do mundo. Ou seja, quando é dada a largada, todas as cartas podem já estar marcadas.

Minha opinião é que uma feira que cobra R$ 40 o ingresso não deve mesmo se beneficiar desse tipo de incentivo. Mas sou a favor que as obras de arte no país tenham tributação menor, o que só ajudaria a trazer trabalhos de peso para os museus e coleções do país, às vezes muito capengas. Só não acho que o mecanismo encontrado para isso até aqui, a simples isenção do ICMS para as vendas só durante a feira, seja o melhor meio de reduzir nossa distância dos grandes centros da arte. Uma revisão geral das alíquotas é necessária se o Brasil quiser, de fato, continuar crescendo nessa esfera. Também acredito que é isso que pode pôr fim à sonegação de impostos, ao contrabando de obras e ao uso do mercado de arte como meio de lavagem de dinheiro –tornar nossa tributação equiparável ao dos países com mercados de arte mais saudáveis ajudaria a tirar a suspeita que paira sobre muitas operações nesse meio e tornaria tudo mais transparente.

É inquestionável a importância de uma feira como a SP-Arte para o circuito artístico do país. Ela gera o lucro que muitos galeristas depois podem investir nos seus artistas, mas não é uma exposição nem uma plataforma de formação de gosto. Serve para turbinar o mercado. Quando argumentei que uma Bienal de São Paulo não é a mesma coisa que a feira, um evento de mercado, ouvi de uma importante galerista que a Bienal só existe por causa do mercado. Tudo é mercado, de Veneza a São Paulo. Não sou ingênuo a ponto de achar que não. Mas que bom que haja incentivo e patrocínios robustos para manter de pé as mostras institucionais que, sim, formam público e gostos no país.

Lá pelas tantas, com as luzes do pavilhão já apagando ontem à noite, tive uma conversa com duas pessoas de uma importante galeria da cidade. Não vou identificar os personagens, mas eles sabem quem são e que estou aberto a fazer uma entrevista detalhada e às claras sobre isso quando quiserem. O que me incomodou foi um comentário. Fui acusado de não gostar de arte porque quando publico uma reportagem apontando o “lado negro” desse sistema estou ajudando a sepultar as artes visuais no país. Me perguntaram por que escrever essas coisas se eu amo a arte. “Você não ama a arte?”

Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça. Faz quase dez anos que toda a minha vida profissional gira em torno das artes visuais. Foi estranho tentar responder essa questão. É claro que eu amo arte, ou não estaria trabalhando 12 horas por dia desde que saí da universidade para tratar desse assunto, ver exposições, conversar com artistas e escrever reportagens, críticas e ensaios. Aliás, voltei à universidade para continuar estudando esse assunto e pretendo estudar até o fim da vida, porque arte é sim uma paixão.

Mas é um raciocínio meio torpe pensar que pelo amor à arte tenhamos que fazer vista grossa às “falcatruas” ou ao “lado negro” desse meio. É em defesa da arte que todos devemos lutar por um sistema mais transparente, menos ilusório e menos injusto, muitas vezes com quem está na base de tudo, que são os artistas. Não haveria mercado nem crítica sem eles e muitas vezes são eles quem menos ganham nessas operações de mercado gigantescas. Acontece que ali, naquele cenário de fim de festa, ouvir isso me entristeceu. O que significa, em última instância, amor à arte?

Isso me fez lembrar uma história que Adriano Pedrosa conta sobre Leonilson. Quando o artista expôs e vendeu o bordado “Voilà Mon Coeur”, na galeria Luisa Strina, em 1989, o crítico perguntou como era possível que ele vendesse seu coração daquele jeito –“voilà mon coeur” é francês para “aqui está meu coração”. Leonilson ficou contrariado. Se sua obra é mesmo uma extensão de seu corpo, como gostava de falar, não podia de fato deixar que ela se tornasse objeto de uma transação comercial. A venda foi anulada, e Leonilson despachou o trabalho pelo correio para o crítico.

Não espero esse gesto de ninguém, embora ame algumas obras da mesma forma que amo a figura de muitos artistas. Estar em contato com uma obra de arte às vezes causa mesmo esse enlevo, esse sentimento inexplicável, talvez uma ascese meio divina. Quando me diziam ali que eu não amo arte, senti como se estivesse sendo excomungado de uma igreja. Já escrevi que muitas vezes vejo a arte substituindo o papel da religião na vida contemporânea. Acreditamos nela por não acreditar em mais nada. Há coisas que colocamos num pedestal pela simples presença ou beleza de suas formas e aquilo, de alguma forma, é reconfortante como uma missa ou meditação.

Mas o perigo de toda religião é despertar o fundamentalismo. Até que ponto o mercado de arte, crucial para a existência da arte, não pode também cegar seus agentes? E entre esses agentes estou me incluindo, já que todos, do crítico ao artista, fazemos parte desse sistema. Amor à arte pode equivaler mesmo a fechar os olhos para os males necessários desse mundinho? Ou devemos amar a arte na solidão do museu ou no desespero das horas de tristeza sem pensar nas condições ao redor da arte que tanto amamos?

Posted by Patricia Canetti at 1:40 PM