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março 18, 2014
Erramos: Mal me conheço, diz artista famoso por perturbar rotina de museus, Folha de S. Paulo
Erramos: Mal me conheço, diz artista famoso por perturbar rotina de museus
Errata originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 16 de março de 2014.
Diferentemente do que dizia a primeira versão do texto "Mal me conheço, diz artista famoso por perturbar rotina de museus" (Ilustrada - 27/02/2014 - 03h05), publicado na versão impressa e no site da Folha, o britânico Tino Sehgal não disse "Sou um porco comigo mesmo, mal me conheço", mas, sim, "Sou opaco para mim mesmo, mal me conheço". A informação incorreta estava também no título do texto, que foi corrigido no dia 16 de março.
Em baixa, artista britânico Damien Hirst mira mercados emergentes por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Em baixa, artista britânico Damien Hirst mira mercados emergentes
Matéria de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de S. Paulo em 16 de março de 2014.
Quando o artista britânico Damien Hirst chegou ao auge da fama e também ao topo do mercado global, criou uma de suas obras mais icônicas e controversas. Era um crânio humano coberto com quase 9.000 diamantes, vendido depois por R$ 200 milhões.
Mas o que talvez Hirst não imaginasse é que essa joia da morte fosse também se tornar um símbolo da derrocada dos valores superlativos atingidos por sua obra, sinalizando o início de um declínio.
Desde sua retrospectiva na Tate Modern, em Londres, há dois anos, os valores estratosféricos de suas peças sofreram uma queda de em média 30% nas casas de leilões.
Hirst, 48, com uma fortuna acumulada de quase R$ 820 milhões, é sem dúvida o artista plástico mais rico do mundo. E isso se deve a uma série de sacadas mais ou menos geniais desde quando despontou nos anos 1990 como um dos nomes do grupo Young British Artists, ou jovens artistas britânicos.
Tudo começou há dez anos, quando Hirst fechou seu famoso restaurante londrino The Pharmacy e faturou R$ 43 milhões leiloando seus objetos, de taças de martíni a uma de suas instalações que imitam prateleiras de farmácia com drogas e pílulas.
Quatro anos mais tarde, em 2008, no início da crise econômica detonada pela falência do banco Lehman Brothers, Hirst subverteu todas as regras do mercado de arte ao levar as obras direto de seu ateliê-fábrica em Londres para um leilão da Sotheby's.
Numa tacada só —ele jogava sinuca enquanto compradores davam seus lances na casa de leilões—, Hirst vendeu mais de 200 de suas obras por R$ 467 milhões.
Não demorou muito até o próximo truque. Há dois anos, Hirst mandou suas "Spot Paintings", pinturas de bolinhas coloridas, para os 11 endereços da galeria Gagosian ao redor do mundo, de Los Angeles a Hong Kong.
Essas peças, em grande parte feitas por assistentes, começaram a ser vendidas por cerca de R$ 25 mil e já foram arrematadas R$ 7 milhões.
Seus tubarões, vacas e bezerros flutuando em tanques de formol também chegaram a cifras exorbitantes, como os R$ 43 milhões pagos pela família real do Qatar por um de seus bezerros naquele leilão-performance na Sotheby's.
Desde então, com um mercado estagnado nos países desenvolvidos, Hirst vem mirando os emergentes para emplacar suas peças —de Doha, onde fez uma grande retrospectiva no ano passado, a São Paulo, onde suas obras são sucesso de vendas desde que a galeria White Cube abriu suas portas na cidade.
DAMIEN PAZ E AMOR
Esse deslocamento geográfico também vem a reboque de um reposicionamento marqueteiro. Hirst parou de se drogar e agora tenta estabelecer uma imagem de grande filantropo, tendo doado quase R$ 8 milhões a uma instituição que ajuda crianças carentes no Reino Unido.
"Há um certo desespero em achar que o dinheiro mancha e envenena tudo", disse Hirst em uma entrevista recente ao jornal britânico "The Guardian". "Mas dinheiro é uma coisa tão complexa quanto o amor. E, como artista, acho importante lidar com isso."
"Tem colecionadores novos que compraram suas peças e já venderam", analisa Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, a maior casa de leilões no Brasil. "Mas o mercado nos Estados Unidos e na Europa não responde mais ao volume de obras em oferta. Ele está em queda e terá de se acostumar com outro nível."
Segundo Bergamin, os países desenvolvidos passam por "um esgotamento de público, de paredes para expor e local para estocar" as obras de Hirst, enquanto Ásia, Oriente Médio e Brasil estão ávidos para comprar. Sua ideia, e a de seus galeristas, é sair de cena na Europa para adentrar lugares menos saturados.
"Desde que comecei a ganhar dinheiro, pararam de me chamar de 'enfant terrible'", diz Hirst. "Eu me sinto mais 'mainstream' agora do que um forasteiro na arte."
Mas essa condição não impede suas estripulias. Em Doha, para sua mostra encerrada há dois meses, Hirst foi recebido como uma espécie de Michael Jackson da arte. No Brasil, Hirst também deve ter uma mostra individual na virada deste ano para o próximo na filial paulistana da galeria White Cube.
Christian Viveros-Fauné: La identificación del arte como valor financiero marcará el legado del arte de hoy por generaciones, ArteInformado
Christian Viveros-Fauné: La identificación del arte como valor financiero marcará el legado del arte de hoy por generaciones
Entrevista originalmente publicada em ArteInformado em 17 de março de 2014.
El crítico de arte y comisario chileno residente en Nueva York, Christian Viveros-Fauné, señalaba hace unos días que "El mundo del arte nunca había sido tan corrupto como ahora". Lo hacía en el curso de un seminario celebrado en la mexicana Fundación Jumex, dentro de los actos de clausura de la exposición "The Corrupt Show and The Speculative Machine" del colectivo danés SUPERFLEX, donde distintos expertos abordaron los dos principales temas de la exposición: la corrupción y la especulación (en el mundo del arte).
Puestos en contacto con el curador chileno, éste ha accedido con diligencia a responder a las preguntas de ARTEINFORMADO. Sus respuestas se producen al tiempo que se conoce el nuevo informe TEFAF sobre el mercado secundario del arte que, en 2013, habría crecido un 8%, mayormente por un incremento de los precios y no tanto del volumen vendido. Unos datos que ratifican la denuncia de Viveros-Fauné de que el arte está siendo utilizado "como un bien financiero, como las acciones de Google", lo que -añade- "puede marcar el legado del arte de nuestros tiempos por varias generaciones". Estas son sus respuestas:
ArteInformado (AI): ¿Podrían identificarse qué ámbitos ha penetrado esa corrupción, ya sean los del galerismo, comisariado, gestión de museos, coleccionismo, ... y a quién beneficia?
Christian Viveros-Fauné (CVF): La corrupción en el mundo de arte el día de hoy es como el mercado de inmobilarias antes del 2008: estamos todos implicados. No sólo han aumentado los robos, las falsificaciones, los lavados de dinero y la evasión fiscal con respecto a lo que se conocía antes, sino que se han inventando una serie de formas aun no penalizadas de mover dinero a través del arte que han transformado a este último en un instrumento financiero preferencial. Esto beneficia especificamente a un puñado de multimillonarios globales (el 0,001%, para usar el lenguaje del movimiento Occupy), que utiliza el arte como una guarida especulativa o una especie de Bitcoin (moneda electrónica), alimentandose a su vez de una tolerancia mutua; de lo que el fiscal brasileño Fausto Martin De Sanctis ha llamado 'una atmosfera sistematica de inatención' y de códigos éticos que sólo se aplican de forma selectiva. Estos multimillonarios son, indistintamente, artistas, especuladores, galeristas, etc. Como en el poker de alto vuelo, a este club se accede principalmente con dinero.
AI: ¿Cómo se podría salir del barro de la corrupción y qué senderos habría que transitar para conseguirlo? Y pongo un ejemplo, ¿es compatible ejercer el comisariado con el asesoramiento de colecciones privadas?
CVF: Una forma clara de salir de la corrupción es adoptando codigos explicitos de 'good business'. En el 2012 el Basel Institute on Governance, por ejemplo, publicó unas reglas generales como una iniciativa de auto-regulacion. Estas reglas deberían tener una mayor difusión y ser parte de un esfuerzo real por parte de casas de subasta, asociaciones de galeristas, museos, coleccionistas, curadores y artistas para alcanzar una mayor transparencia en el negocio del arte. La alternativa es esperar a que varios gobiernos internacionales empiecen a regular el mercado de arte, que, por lo demás, a mi me parece una situación bastante próxima. Lo del comisariado y el asesoramiento de colecciones privadas me parece importante pero menor con respecto a la ecología de arte actual que estoy describiendo. El problema no es la 'comodificacion' (asimilación a mercancía) del arte, que llegó hace mucho tiempo. Nuestra situación es una en que el arte caro se ha financializado y esto afecta los horizontes no solo del mercado, sino del mismísimo imaginario del arte contemporaneo, que se ve brutalizado y empobrecido por tanto brillante.
AI: Por otro lado, en la medida que el arte ha sido, tradicionalmente, instrumentalizado por el poder (religoso, político, económico, ...), ¿consideras, como parece por tus afirmaciones, que estamos en un momento nuevo y peor a los ya vividos?. ¿Por qué?
CVF: De nuevo, una cosa es que el arte actual mas codiciado se haya transformado en un bien de mercado (como una bolsa de Luis Vuitton o lo que ciertos economistas llaman un bien posicional) y otra que éste llegue a ser empleado como un bien financiero (acciones de Google, barras de oro o, en su día, los tulipanes). Con lo último existe una mayor aceleración de la corrupción, entre otros fenómenos, lo cual decanta en un efecto que a mí, como crítico y amante del arte contemporaneo, me parece particularmente nefasto: que el arte contemporaneo se identifique en el ambito publico cada vez mas con los valores de la codicia, la especulación y el darwinismo económico. Esto, aparte de que el actual mercado es insostenible, puede marcar el legado del arte de nuestros tiempos por varias generaciones.
No more silence of the scholars por Julia Halperin, The Art Newspaper
No more silence of the scholars
Matéria de Julia Halperin originalmente publicada no The Art Newspaper, edição 254, em fevereiro de 2014.
Law drafted to protect experts who fear being sued if they speak out
A bill introduced in the New York State Legislature last week seeks to protect art experts from what it describes as “frivolous” lawsuits. The proposed legislation aims to make it more difficult for owners, auctioneers and dealers to bring lawsuits against art historians simply because they do not like their opinions. Under the proposed law, claimants must be specific about what they believe the expert has done wrong, and must show that there is a significantly higher than 50% chance that the allegations contained in the lawsuit are true.
Scholarship crisis
Works of uncertain, or even puzzling, provenance often emerge in the art world, but there have been growing concerns that scholars are reluctant to give expert opinions for fear of being sued. For example, a conference that was due to be held in January 2012 at London’s Courtauld Institute of Art to discuss a large group of drawings that are, according to their owner, by Francis Bacon, was cancelled, partly over concerns about the legal repercussions.
The New York City Bar Association drafted the bill to encourage art historians to speak more freely. Judith Bresler, a lawyer with the firm Withers Worldwide, who co-authored the legislation with Dean Nicyper of Flemming Zulack Williamson Zauderer, says that authenticators are increasingly “speaking with silence”.
The bill would allow authenticators to recover their legal fees if they are vindicated: under current US law, they must pay these even if they win. “Being sued has always been a risk of giving opinions on authenticity,” says Katy Rogers, the president of the Catalogue Raisonné Scholars Association. “The rising cost and increased frequency of these lawsuits have driven scholars away.”
In the past month alone, a group of nine collectors have sued the Keith Haring Foundation for $40m after it labeled their works as fakes; a Swiss dealer sued the estate of Alexander Calder for claiming that a $1m sculpture he wanted to sell was merely a fragment of a larger work; and the sisters of Jean-Michel Basquiat sued to halt a sale of their brother’s work at Christie’s because they questioned the authenticity of some of the objects.
The New York State Assemblymember Linda Rosenthal, the bill's sponsor, says the legislation offers authenticators "much needed protections". "The role of the authenticator in the art world cannot be understated. Far from an exact science, the work done by the authenticator is art in and of itself and in today's market, they operate completely at their own risk," she says. "Unfortunately, in the modern art world, fraud and deception of the highest quality abound, and the authenticator is on the hook for even a good faith, yet incorrect opinion."
Defence costs
In the 1960s, New York legislators considered but declined to adopt a similar law to protect scholars. But rising prices for art and the increased number of lawsuits may change their minds. “The current law is basically good: most authenticators ultimately win,” Bresler says. “The issue is that they’ve spent thousands of dollars and thousands of hours defending themselves.”
The New York City Bar Association began to work on the bill in 2012, after half a dozen artist’s foundations, including those of Andy Warhol and Roy Lichtenstein, shut down their authentication boards, largely to avoid litigation. The chilling effect reached its peak as the scandal surrounding fake Abstract Expressionist works sold by the Knoedler gallery unfolded last year.
The authors hope that the bill, if it becomes law, will encourage scholars to speak up if they spot a forgery or misattributed work. Today’s litigious atmosphere “gives people trying to peddle works that are not authentic an open field, and constrains communication so that scholars not only won’t give an opinion, but also feel constrained about speaking to each other”, says Jack Flam, the president of the Dedalus Foundation, which represents the estate of Robert Motherwell.
The legislation could also dramatically increase the number of works available to scholars for examination. “Right now, when art historians write articles about fakes, they are generally very careful to speak only about works in public collections,” says Sharon Flescher, the executive director of the International Foundation for Art Research (Ifar).
Some worry, however, that the legislation might give authenticators too much authority. “The result will be to cement the power of groups that control the art market and insulate their authentication decisions from scrutiny or judicial oversight,” says Seth Redniss, the lawyer who sued the Andy Warhol Foundation in 2007 and 2010 after its authentication board rejected two works purportedly by the Pop artist.
The bar association aims to have the bill signed into law by June.
A version of this story appeared on the front page of the February 2014 print edition of The Art Newspaper
