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abril 3, 2013
Galerias estrangeiras focam o Brasil em programação por Silas Martí, Folha de S. Paulo
Galerias estrangeiras focam o Brasil em programação
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha de S. Paulo em 2 de abril de 2013.
SP Arte 2013, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, SP - 04/04/2013 a 07/04/2013
Enquanto as galerias estrangeiras fincam pé no Brasil, artistas do país estão na mira dessas mesmas casas para mostras no exterior.
Em maio, a White Cube abre em Londres uma individual da artista Jac Leirner, brasileira que passa então a ser representada pela galeria britânica fora do país.
Na mesma galeria, Marcius Galan vai participar de uma mostra em julho, mês em que o curador brasileiro Adriano Pedrosa estará à frente de um projeto para selecionar artistas emergentes que farão sua estreia numa das galerias mais badaladas do planeta.
Depois que a Gagosian fez, há dois anos, uma mostra de neoconcretistas brasileiros em sua filial de Paris, chegou a vez de a Pace montar, no início do ano que vem, em seu espaço de Londres, uma mostra de escultura brasileira dos anos 1970 em diante, ou seja, da geração pós-neoconcreta.
"Estou explorando a evolução da arte brasileira para além do projeto construtivo", diz Ricardo Sardenberg, curador à frente da mostra na Pace. "Não é uma negação da arte construtiva, mas o momento de ruptura que abre para outros vocabulários."
Em entrevista à Folha, o diretor da Pace em Nova York, Marc Glimcher, adiantou que gostaria de ter nessa mostra nomes como Cildo Meireles e José Bento, de quem já comprou obras.
"Será a primeira mostra de brasileiros", diz Glimcher. "Mas já pensamos na próxima, só com pintores."
Entrevista com Fernanda Feitosa sobre a SP-Arte, Entretempos
A mais importante feira de arte do hemisfério sul
Entrevista originalmente publicada no blog Entretempos da Folha de S. Paulo em 2 de abril de 2013.
SP Arte 2013, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, SP - 04/04/2013 a 07/04/2013
Fernanda Feitosa respira a SP-Arte.
Empolgada com o tamanho e a representatividade do evento que criou, não faz cerimônia ao afirmar que é “a mais importante feira de arte do hemisfério sul”.
Pudera. Em 2012, reuniu 110 expositores e movimentou ao menos 49 milhões de reais, número que corresponde apenas às galerias que declararam suas transações.
As cifras explodem no imaginário do mercado da arte.
Nesta edição, que estreia nesta quinta-feira (04), o evento espera receber 23 mil pessoas no Pavilhão da Bienal para visitar 122 galerias, entre elas a estreia da americana Pace, de Michal Rovner e Alexander Calder, além da badalada inglesa White Cube de Damien Hirst.
Na entrevista abaixo, por email, Fernanda falou sobre o projeto “Laboratório Curatorial”, a explosão de galerias em São Paulo e ainda deu dicas de feiras de arte fora do país.
Vale a pena.
2013 maior
Esta é a maior edição da SP-Arte e a mais internacionalizada, com 122 participantes, do Brasil e do exterior.
São 15 países: Alemanha, França, Inglaterra, Portugal, Espanha, EUA, Costa Rica, Cuba, Colômbia e Japão.
Hoje temos mais de 200 convidados internacionais desembarcando para a feira.
Não são turistas acidentais.
Laboratório curatorial
O “Laboratório Curatorial” é uma iniciativa única da SP-Arte, sem paralelo em nenhuma outra feira do mundo.
Trata-se de uma oficina de curadoria em que o Adriano Pedrosa, idealizador e coordenador do projeto, seleciona, com curadores convidados a cada edição, 4 pré-projetos de jovens curadores a serem executados para feira.
São pré-projetos que serão transformados em projetos ao longo de quase 8 meses de trabalho e encontros.
As exposições são montadas na feira, contam com catálogo e folheto informativo e, ao final, os curadores recebem como prêmio uma viagem para visitar uma mostra de arte de alcance internacional, como foi no ano passado Kassel e este ano as bienais de Veneza e Istambul.
É um projeto muito bacana para um país em que existem menos oportunidades profissionais para curadores de arte.
Eventos satélites
A feira tem mais de 50 eventos paralelos acontecendo fora do Pavilhão [da Bienal do Ibirapuera]. Só de exposições são 20 que abrem na cidade.
São Paulo é a capital cultural da América Latina, como afirmou Nicholas Serota, diretor da Tate, no ano passado.
Não só tem a Bienal, como tem também a mais importante feira de arte do hemisfério sul e os museus com acervos espetaculares e mais ativos, como Pinacoteca, MAM, MAC e MASP.
Explosão de novas galerias
Muitas galerias abrem na cidade de SP. Semana passada mesmo abriu a Carbono, que se dedica a múltiplos e edições.
É fundamental que surjam novas galerias ao mesmo tempo em que a feira ajuda a transformar apreciadores de arte em compradores, pois essa conjugação de fatores faz acontecer o tão necessário escoamento da produção artística que tem que circular.
O artista precisa vender e se sustentar através de sua profissão e, para isso, são necessários mais museus, mais centros culturais e mais colecionadores.
É possível ver tudo?
Eventos excessivamente grandes são desnecessários. O que é importante é a qualidade. A SP-Arte traz apenas 122 galerias. Outras feiras concorrentes no exterior chegam a ter 300 expositores.
Isso é um exagero e o visitante não tem condiçoes de ver tudo. Smaller is better, less is more…
Acredito nisso.
Para fora
As melhores feiras são aquelas em que você se sente bem tratado. No hemisfério norte, não se deve perder Basel, Basel Miami, Frieze, Fiac e Arco.
Na América Latina, a ArteBo, na Colômbia.
SP-Arte começa amanhã com as cinco maiores galerias de arte do mundo por Silas Martí, Folha de S. Paulo
SP-Arte começa amanhã com as cinco maiores galerias de arte do mundo
Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada no jornal Folha de S. Paulo em 2 de abril de 2013.
SP Arte 2013, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, SP - 04/04/2013 a 07/04/2013
Estão chegando os gigantes. Quando a nona edição da feira SP-Arte abrir as portas no pavilhão da Bienal amanhã, estarão debaixo do mesmo teto as cinco maiores e mais poderosas galerias de arte do mundo, com obras de grifes como Picasso, Alberto Giacometti e Gerhard Richter.
Numa reunião inédita abaixo da linha do Equador, Gagosian, White Cube, Pace, David Zwirner e Hauser & Wirth --juntas no topo da pirâmide de faturamento global da arte-- estão trazendo a São Paulo peças que valem até R$ 14 milhões, sem medo de que encalhem nos estandes.
"Não sei se eles esperam vender tudo. Uma boa parte disso é para marcar território, mostrar a posição que eles têm no mercado", diz Fernanda Feitosa, diretora da feira. "Não é pechincha. Elas não estão vindo para brincar."
Não mesmo. Desde que a feira paulistana, a exemplo de sua rival carioca ArtRio, assegurou a isenção de parte dos impostos sobre obras importadas à venda na feira, as portas para o mercado internacional --que antes sofria uma tarifação de quase 50% sobre o valor de cada trabalho-- foram escancaradas.
Quem deu o primeiro passo foi a gigante britânica White Cube, que estreou na SP-Arte no ano passado e, de quebra, abriu uma galeria paulistana, que já vendeu metade das obras de Tracey Emin, a primeira artista de seu elenco a expor no país.
No rastro da White Cube, que volta à feira com obras de Damien Hirst e Antony Gormley de até R$ 3 milhões, vieram outras 40 casas de fora --a maior presença estrangeira na história da SP-Arte, que neste ano tem 122 galerias.
Esse "marco histórico", nas palavras de Feitosa, reflete o interesse maior dos colecionadores brasileiros pelos artistas estrangeiros.
Mesmo que o país responda por só 1% do valor total de vendas no mundo, R$ 1,2 bilhão em arte foi vendido aqui no ano passado, segundo um estudo divulgado pela feira holandesa Tefaf em março.
Enquanto exportações do setor caíram 15% no mundo, galerias brasileiras aumentaram a participação estrangeira em 47% nos últimos dois anos -ou seja, com a retração no mundo desenvolvido, estrangeiros veem no Brasil um mercado novo e potente.
"Brasileiros querem fazer parte do diálogo internacional", diz Victoria Gelfand Magalhães, da Gagosian. "O mercado está abrindo cada vez mais. É palpável o desejo dos colecionadores de ter esses grandes nomes globais."
Na mesma linha de raciocínio, a Pace, uma das mais tradicionais galerias de Nova York, estreia na SP-Arte com um estande "exagerado".
