Página inicial

Como atiçar a brasa

 


julho 2021
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Pesquise em
Como atiçar a brasa:
Arquivos:
junho 2021
abril 2021
março 2021
dezembro 2020
outubro 2020
setembro 2020
julho 2020
junho 2020
maio 2020
abril 2020
março 2020
fevereiro 2020
janeiro 2020
novembro 2019
outubro 2019
setembro 2019
agosto 2019
julho 2019
junho 2019
maio 2019
abril 2019
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
janeiro 2012
dezembro 2011
novembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
março 2011
fevereiro 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
agosto 2010
julho 2010
junho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
fevereiro 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
outubro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
julho 2004
junho 2004
maio 2004
As últimas:
 

agosto 17, 2012

Colecionador confirma perdas de Di Cavalcanti e Guignard em incêndio por Fabio Brizolla, Folha de S. Paulo

Colecionador confirma perdas de Di Cavalcanti e Guignard em incêndio

Matéria de Fabio Brizolla originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de agosto de 2012.

Visivelmente abalado, o colecionador e marchand Jean Boghici falou no início da tarde desta terça-feira (14) sobre o incêndio em seu apartamento de Copacabana, que destruiu parte de um acervo formado ao longo de 50 anos.

Incêndio destrói apartamento com coleção de arte valiosa
Pintura "Samba", de Di Cavalcanti, foi destruída em incêndio no Rio

"Muita coisa se salvou, outra parte queimou. O que posso fazer? É uma fatalidade", disse Boghici, na portaria do edifício na rua Barata Ribeiro, ao lado de sua mulher, Geneviève.

Boghici confirmou a perda de duas obras significativas: "Samba", de Di Cavalcanti, e "A Floresta", de Alberto Guignard.

"Estou com sentimento de raiva e de vingança. Vou me vingar fazendo uma bela exposição no Museu de Arte Do Rio (MAR)", disse o colecionador, que lamentou também a morte de seu gato de estimação.

O curador Leonel Kaz confirmou a realização da exposição com obras do acervo de Boghiti no MAR, previsto para inaugurar em novembro.

"O que se perdeu de Antonio Dias será substituído por Antonio Dias. O que se perdeu de Guignard será substituído por Guignard. É isso que vamos tentar fazer", afirmou Kaz.

O INCÊNDIO

O incêndio ocorrido na noite de segunda na cobertura do marchand e colecionador Jean Boghici deixou em estado de alerta o mercado de arte brasileiro.

Nascido na Romênia, Boghici, 84, desembarcou no Rio, em 1949, e virou uma referência no mercado de arte da cidade, como galerista e colecionador.

Dono de uma galeria em Ipanema, ele mantinha em seu apartamento um acervo com pinturas de Tarsila do Amaral, Milton Dacosta, Cícero Dias, o quadro "Samba" de Di Cavalcanti, e outras dezenas de obras emblemáticas, brasileiras e estrangeiras.

Diretor da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, Jones Bergamin classifica o acervo de Boghici como "a mais valiosa coleção particular de arte brasileira".

Posted by Marília Sales at 12:08 PM

Análise: É possível reduzir riscos para manter obras de arte por Marcos Augusto Gonçalves, Folha de S. Paulo

Análise: É possível reduzir riscos para manter obras de arte

Matéria de Marcos Augusto Gonçalves originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 15 de agosto de 2012.

E as chamas levaram "Samba", obra realizada depois da fundamental viagem de Di Cavalcanti a Paris e três anos após a Semana de Arte Moderna --evento que nasceu, aliás, de uma ideia do pintor.

'Samba' era obra mais 'poderosa' do modernismo, diz curador
Fogo destrói parte de coleção de arte moderna no Rio

Esse exemplo vigoroso do esforço modernista de configurar uma expressão nacional na arte apareceu num tempo em que as peripécias mais radicais e incomunicáveis das vanguardas eram "corrigidas" por uma onda que se convencionou chamar de "retorno à ordem".

O movimento que revalorizava a figura vinha a calhar para os modernistas interessados em delinear uma temática "nossa". No caso de Di tratava-se de representar o homem, ou a mulher brasileira negra e miscigenada, no contexto da cultura popular.

Para alguns, uma obra-prima como "Samba" não poderia estar em outro lugar que não um museu ou uma instituição pública. Dessa forma estaria mais protegida e acessível ao público.

Embora nem sempre nossos museus mostrem regularmente as preciosidades que possuem, é presumível que, se estivesse num deles, a tela "Samba" poderia ser mais vista. Quanto a ficar mais protegida, já não parece tão certo.

A maior parte da obra do grande artista uruguaio Torres-García foi destruída pelo fogo no Museu de Arte Moderna do Rio. E incêndios em museus, mesmo em países ricos e que dão mais valor a seu patrimônio do que o Brasil, também acontecem.

Diante da tragédia, não é incomum o apelo desesperado a alguma instância salvadora que poderia evitá-la. Pode ser uma divindade qualquer ou o Estado. Não parece razoável, contudo, que o Estado simplesmente "tombe" ou sequestre obras de pessoas que as adquiriram, sob o argumento de que irá cuidar melhor do patrimônio.

Em tese, colecionadores privados são os maiores interessados em manter suas peças em boas condições. Se nem sempre o fazem, é de fato um problema.

Outras soluções podem ser imaginadas. Por exemplo: não seria impossível para um órgão público ou privado mapear obras cruciais como "Samba", entrar em contato com os donos e compartilhar projetos de segurança. É sempre possível reduzir riscos, e tudo deve ser feito nesse sentido. Nada, porém, impedirá que fatalidades continuem a acontecer.

Posted by Marília Sales at 12:02 PM

Marchand tenta restaurar telas queimadas por Fabio Brizolla, Folha de S. Paulo

Marchand tenta restaurar telas queimadas

Matéria de Fabio Brizolla originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 16 de agosto de 2012.

O colecionador Jean Boghici já identificou as principais perdas causadas pelo incêndio que atingiu seu apartamento na última segunda.

Além de "Samba" (1925), de Di Cavalcanti, e "Floresta Tropical" (1938), de Alberto da Veiga Guignard, outra obra emblemática da arte do país foi consumida pelo fogo: a pintura "A Mulher e o Galgo", produzida por Vicente do Rego Monteiro em 1925.

A lista do patrimônio nacional destruído inclui ainda a pintura "A Leitura" (1914), de Lasar Segall, e ao menos duas das cerca de 40 obras de Antonio Dias que o colecionador tinha -ele foi um dos maiores incentivadores da carreira do pintor paraibano.

"Não conversei com o Jean diretamente, mas soube por uma pessoa que esteve lá que alguns dos meus trabalhos queimaram", disse Dias. "Um deles é um dos premiados da Bienal de Paris de 1965."

Do catálogo estrangeiro, duas perdas se destacam: uma tela de 1931 do uruguaio Joaquín Torres-García e uma paisagem rural do Rio do francês Nicolas Antoine Taunay do início do século 19.

Há ainda obras atingidas por fuligem, em estado crítico: um quadro de Ismael Nery, três telas de Alfredo Volpi (uma delas intitulada "Amendoeira") e uma segunda pintura de Lasar Segall.

"Técnicos em restauração estão no apartamento avaliando se existe possibilidade de recuperar essas obras", disse Leonel Kaz, responsável pela mostra do acervo de Jean Boghici programada para inaugurar o Museu de Arte do Rio, em novembro.

Kaz acrescentou que 15 das 150 obras da mostra foram atingidas pelo incêndio.

As marcas na sala de estar da cobertura de Boghici, em Copacabana, mostram que as chamas atingiram principalmente o teto e partes altas das paredes. Por isso, muitas obras que estavam mais perto do chão, assim como os móveis do designer Joaquim Tenreiro, ficaram intactos.

Os dois quartos, um usado pelo casal Boghici e outro por sua filha, Sabine, foram mais castigados pelas chamas.

Entre as peças preservadas estão obras de Wassily Kandinsky e do italiano Alberto Burri, três telas de Tarsila do Amaral, uma pintura abstrata do holandês Karel Appel, a escultura "O Beijo", de Rodin, entre outras relíquias.

Um móbile de Alexander Calder, pendurado no teto da sala de estar, caiu no chão quando o incêndio começou, e assim se salvou.

Posted by Marília Sales at 11:57 AM

Maior perda, para casal Boghici, foi a morte de gatos por Cristina Grillo, Folha de S. Paulo

Maior perda, para casal Boghici, foi a morte de gatos

Matéria de Cristina Grillo originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 16 de agosto de 2012.

Para o casal Jean e Geneviève Boghici, que teve parte de sua coleção de arte destruída durante o incêndio na cobertura em que viviam em Copacabana, na segunda à noite, as duas maiores perdas se chamavam Pretinha e Meu Amor.

Marchand tenta restaurar telas queimadas

As duas gatinhas, recolhidas na rua há muitos anos por Jean e Geneviève, "moravam" no quarto do casal. Elas não costumavam circular pela cobertura e dormiam à noite aos pés da cama dos colecionadores.

"Foi o pior de tudo. Perdemos nossas gatinhas prediletas", contou Geneviève à Folha, com a voz embargada.

Segundo ela, o fogo aumentou muito rapidamente. As duas gatas ficaram acuadas no quarto e não houve como resgatá-las.

Outros 12 gatos e dois cachorros que viviam na cobertura do casal foram retirados do incêndio ilesos. "Tivemos tempo de salvar os outros, mas perder Pretinha e Meu Amor foi horrível", disse Geneviève.

Posted by Marília Sales at 11:47 AM

Arte digital invade Instituto Tomie Ohtake até setembro, Panorama Brasil

Arte digital invade Instituto Tomie Ohtake até setembro

Matéria originalmente publicada no Panorama Brasil em 14 de agosto de 2012.

A 3ª Mostra 3M de Arte Digital apresenta um projeto especial, Praia de Paulista, e 15 obras concebidas por artistas de diferentes gerações e vários Estados

Pela primeira vez, o evento realizado pela 3M do Brasil acontece no Instituto Tomie Ohtake. Nesta terceira edição, a mostra, com curadoria de Giselle Beiguelman, tem como eixo conceitual as Tecnofagias e destaca as relações entre a ciência de ponta e a ciência de garagem, ou a combinação entre o low e high tec, que marcam a produção nacional.

A 3ª Mostra 3M de Arte Digital apresenta um projeto especial, Praia de Paulista, e 15 obras – a maioria inédita em São Paulo, algumas especialmente desenvolvidas para o evento e outras com versões atualizadas –, concebidas por artistas (individuais, duos e coletivos) de diferentes gerações e vários Estados. “O grupo, composto apenas por brasileiros, é, em síntese, um conjunto de criadores que celebram as possibilidades em aberto do século 21, ocupando o espaço expositivo por meio de obras, oficinas e ações que devoram as tecnologias para devolvê-las ao coletivo como projetos de uma nova estética e um outro modo de vida”, afirma Beiguelman.

Uma obra emblemática do pensamento curatorial da 3ª Mostra 3M de Arte de Digital é o trabalho desenvolvido pelo coletivo Gambiologia. Por meio de oficinas com um grupo de jovens que atuam no CCJ - Centro Cultural da Juventude, na periferia de São Paulo, foi concebida em co-autoria a Random Gambièrre Machine, um híbrido de instalação e máquina que “executa uma tarefa simples de uma maneira extremamente complexa, geralmente utilizando uma reação em cadeia”. A obra é um painel interativo construído exclusivamente com objetos resgatados de ferros velhos e coleções, equipados com eletrônicos e gambiarras.

Já o Grupo Poéticas Digitais estabelece um jogo entre a natureza e o urbano em Amoreiras, 2010. Expostas do lado externo e voltadas para a rua, cinco pequenas árvores plantadas em grandes vasos captam os diversos fatores da poluição, por meio de um sistema que mede as variações e discrepâncias de ruídos, e reage aos diversos poluentes e poluidores, balançando os ramos das amoreiras.

Outro trabalho que parte do familiar, do doméstico, para buscar o inesperado, o excepcional, conforme aponta a curadora, é o de Lea Van Steen. Na versão atualizada de Jukebox, 2011, o público escolhe um vídeo, em estética que lembra o cardápio trivial transmitido pelo Vimeo e YouTube, a partir de uma Jukebox. As imagens são projetadas em um globo estroboscópico, de casas noturnas antigas, que fragmenta a seqüência escolhida, multiplicando pelo espaço as cenas - pequenos acidentes cotidianos, surpresas latentes nos mínimos detalhes.

Também nessa direção está o trabalho de Martha Gabriel que a partir dos trending topics do Twitter, criou a sua Crystal Ball, 2009-12. Na Crystal Ball, as 10 trending topics do momento são traduzidas em imagens via Google Images, ou seja, a própria rede se interpreta e resulta nas imagens que aparecem na bola de cristal.

Em muitas obras o corpo do visitante protagoniza a experiência artística, como a escultura móvel eletrônica inédita de Rafael Marchetti, in_existences-out, 2012 (instalação mecatrônica). Uma estrutura feita de 6 canos de conduítes contendo, no interior, cabos de aço ligados a motores independentes de rotação constroem um robô interativo que se movimenta conforme a variação ambiental, em relação ao público, ao ar e à temperatura. O trabalho da dupla Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti Espelho, 2008, também reage à presença do espectador. Fixo à parede, esse espelho, dispositivo ótico com um campo sensório está programado para medir e reagir, a todo o tempo, a distância que o sujeito está dele. É como se ao invés de olharmos para o espelho, ele nos perseguisse, procurando diluir nossa imagem.

Outra obra que tem o corpo como parte ativa do processo é a instalação sonora X.Y.Z., 2011, de Raquel Kogan, nunca apresentada em São Paulo, que transforma altura, peso e frequência cardíaca do visitante em sonoridades. A pulsação da música é determinada pela frequência cardíaca, a tonalidade de cada fragmento é determinada pela altura, e o timbre pelo peso. É também pelo som que Jarbas Jacome concebeu a instalação Crepúsculo dos Ídolos, 2012. Em um ambiente com cinco televisores ligados em um canal de TV aberta, uma câmera e um microfone, a imagem das TVs distorce de acordo com a intensidade e o tempo de duração do som produzido pelo visitante. As distorções evoluem seguindo algumas cores do crepúsculo: amarelo, laranja, vermelho, azul, até que a imagem do sujeito que interage apareça projetada na cena que estiver no ar, naquele momento.

Ressalta a curadora a figura de Glauber Rocha como pioneira na forma singular de pensar as possibilidades estéticas a partir dos embates entre a tecnologia e os contextos precários. Nesta exposição, a Cia de Foto reverencia o mestre do Cinema Novo, apresentando um ensaio fotográfico e textual inédito, a partir do filme Terra em Transe, 1967. País Interior, 2012, é um ensaio multimídia que reúne imagens feitas a partir dos próprios fotogramas da película, entremeados por textos que cruzam extratos do roteiro a ensaios sobre fotografia e estética, além de áudios distorcidos e retrabalhados do filme. A partir desse conjunto, outra história se revela.

A experiência seminal da fotografia e do vídeo é resgatada e renovada na obra de Dirceu Maués em Extremo Horizonte, 2012, uma panorâmica feita com pinhole criada especialmente para a mostra. O artista cria câmeras artesanais para produzir suas imagens que depois são digitalizadas e editadas em vídeo. Para a Mostra 3M, apresenta, além das panorâmicas, o conjunto de suas câmeras artesanais, uma série de vídeos feitos com caixas de fósforo, inédita em São Paulo. Com duas imagens em grandes dimensões produzidas em 2012 – Ceasa e Aeroporto –, a fotografia de Cássio Vasconcellos também integra a mostra. Os dois trabalhos, resultado de sucessivas capturas aéreas e inúmeras operações de manipulação digital, revelam paisagens incrivelmente reais, tal sua paradoxal precisão e impossibilidade.

Já em Pele Mecânica, versão 2012, Arthur Omar lança mão de cinco projetores controlados por cinco computadores e programação de WatchOut para realizar a sua instalação multimídia em formato circular. A partir da série fotográfica já clássica do artista, Antropologia da Face Gloriosa, em preto e branco, são criadas mais de 3000 variações cromáticas. A coleção se torna processo e matéria para novas séries de figurações, abstrações e devires que atravessam diferentes fases e estilos da história da arte.

Experiência sensível que se utiliza de alta tecnologia consiste também a obra de Jane de Almeida. Em sua instalação audiovisual EstéreosEnsaios, 2012, a artista explora imagens em ultra-definição (4K) e retrata o Rio de Janeiro em cinema 3D. Na projeção estereoscópica do filme, a resolução chega a 20 milhões de pixels por frame na tela, somadas às imagens correspondentes aos olhos esquerdo e direito.

Por sua vez, o videoartista Lucas Bambozzi em Das Coisas Quebradas, 2012 (máquina de consolidação de obsolescência a partir de campos eletromagnéticos), constrói, especialmente para a mostra, uma instalação que devora antigos aparelhos celulares e funciona a partir da leitura do campo eletromagnético no espaço. O sistema se acelera ou diminui conforme o uso de celular do público no ambiente. Além de despertar sentimentos ambíguos e contraditórios em relação ao uso de certas tecnologias, o trabalho faz refletir sobre o lixo eletrônico e os impasses da obsolescência programada. Já Gisella Motta e Leonardo Lima apresentam I.E.D. (Improvised Explosive Device, 2008) uma bomba caseira feita de lixo doméstico que opera uma crítica sutil e forte à banalidade da militarização do cotidiano.

Completa a exposição o projeto especial Praia de Paulista, que acontecerá dias 17 e 31 de agosto, às 18h, na parte externa do Instituto Tomie Ohtake. Aproveitando as ondas do edifício, e em cadeiras de praia, o público poderá assistir a remixes de Terra em Transe e outros filmes de Glauber Rocha, feito pela Cia de Foto, a crítica de cinema Ivana Bentes e convidados. Conversas, pipoca e cervejinha no final.

“A proposta desta 3ª Mostra 3M de Arte Digital reúne ideias surpreendentes, com grande conexão com o universo de inovação que permeia a cultura da 3M. Acreditamos que o público vai gostar muito, pois terá a oportunidade de apreciar obras que estimulam a criatividade e combinam inesperadamente a alta tecnologia com elementos do cotidiano apostando sempre na interatividade da arte com o público e o ambiente. Reforçamos, por meio deste patrocínio cultural, nosso apoio à criatividade e inovação e para a disseminação da cultura, conhecimento e lazer, fatores importantes para o desenvolvimento social e cultural da população”, comenta Luiz Eduardo Serafim, gerente de Marketing Corporativo da 3M do Brasil.

Serviço:

3ª Mostra 3M de Arte Digital; Instituto Tomie Ohtake; Avenida Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo; De 15 de agosto a 16 de setembro; das 11h às 20h; Informações: (11) 2245-1900.

Posted by Marília Sales at 11:39 AM

Mulheres dominam o cenário curatorial por Juliana Monachesi, Revista Select

Mulheres dominam o cenário curatorial

Matéria de Juliana Monachesi originalmente publicada na Revista Select em 14 de agosto de 2012.

Depois de Bice Curiger em Veneza (2011) e Carolyn Christov-Bakargiev em Kassel (2012), Porto Alegre acolhe uma curadora mexicana

Sofía Hernandez Chong Cuy é anunciada curadora-geral da 9ª Bienal do Mercosul

A Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul anunciou na segunda-feira a equipe curatorial da próxima edição da bienal de Porto Alegre. Com curadoria-geral da mexicana Sofía Hernandez Chong Cuy, os curadores brasileiros Mônica Hoff, Bernardo de Souza e Julia Rebouças trabalharão junto de outros três curadores internacionais, Raimundas Malašauskas (Lituânia), Sarah Demeuse (Bélgica) e Daniela Pérez (México). Também integra a equipe o conselheiro pedagógico Dominic Willsdon (Reino Unido).

O foco da proposta curatorial para a 9ª edição da Bienal do Mercosul, que acontece de setembro a novembro de 2013, será a interação entre natureza e cultura, explorando as causas e os fenômenos naturais que impulsionam viagens e deslocamento humano, avanço tecnológico e desenvolvimento mundial, além das expansões verticais no espaço e explorações transversais ao longo do tempo. Sob essa ótica, os artistas serão considerados nos papéis de colaborador, mediador ou exilado.

Está prevista a participação de cerca de 90 artistas de diversos países - considerados no projeto como "visionários do passado, do presente e do futuro". Os espaços onde ocorrerá a mostra, incluídos na carta de intenções da curadora mexicana (leia a seguir), são Usina do Gasômetro, Santander Cultural, MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Fica a pergunta acerca dos tradicionais galpões do Cais do Porto: serão excluídos nesta edição?

Promessas: Declaração da Curadoria
Sofía Hernandez Chong Cuy

A proposta curatorial para a 9ª Bienal do Mercosul foca conceitualmente na interação entre natureza e cultura, e os modos como os artistas visuais referem-se ao desconhecido, ao imprevisível e aos fenômenos aparentemente incontroláveis. A curadoria empenha-se em considerar as causas naturais e os efeitos que impulsionam a viagem humana e o deslocamento social, o avanço tecnológico e o desenvolvimento do mundo, as expansões verticais no espaço e as explorações transversais através do tempo. Isso envolve o olhar sobre os efeitos que esses movimentos impõem, suas influências e manifestações, abrangendo moradia, mineração, investigação e exploração daquilo que está acima e abaixo das esferas sociais.

A promessa é articular questões ontológicas e tecnológicas através da prática artística, da criação de objetos e dos elos de experiência.

Os artistas convidados a participar da 9ª Bienal do Mercosul são considerados visionários do passado, presente e futuro. Assim sendo, a proposta curatorial está organizada em três abordagens que analisam as práticas artísticas. Essas aproximações consideram a figura do artista e intelectual como um colaborador, um mediador ou um exilado. Em cada abordagem, eles são vistos como produtores: criadores de imagens, objetos, histórias e situações, e também de tempo e de espaço e, em alguns casos, de definitivamente nada. Como um enfoque abertamente contingente aos distúrbios atmosféricos, esse processo envolve diálogos constantes sobre o que é imaginário e o que é real, o que é visto e o que é invisível, o que é imperceptível e o que é palpável.

A promessa é identificar, propor e repropor sistemas de crenças mutáveis, bem como analisar inovações.

As exposições e programas da 9ª Bienal do Mercosul estão focados nas culturas de trabalho existentes e imaginadas – incluindo aspectos de isolamento e abertura, assim como de privacidade ou publicidade – em processos que envolvem a experimentação da arte e da tecnologia. De forma semelhante, convergem o olhar para a apresentação de mecanismos e ambientes espaciais nos quais insights e descobertas são criados e
compartilhados publicamente. Além de avaliar processos, as exposições valorizam as iniciativas sustentáveis e também admitem a entropia iminente. Ao fazê-lo, a curadoria aborda arte e ideias como portais, ferramentas e provocações – tanto funcionais quanto inúteis – à experiência de manifestações culturais e naturais possivelmente ainda não reconhecidas.

A promessa é descobrir recursos naturais e materiais culturais sob uma nova ótica, especulando as bases que têm marcado as distinções entre a descoberta e a invenção.

Posted by Marília Sales at 11:26 AM

Menos romantismo, mais mercado por Adriana Martins, Diario do Nordeste

Menos romantismo, mais mercado

Matéria de Adriana Martins originalmente publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste em 17 de agosto de 2012.

A gestora cultural Ana Letícia Fialho realiza hoje palestra e workshop sobre negócios da arte

Como parte do Programa Negócios da Cultura, iniciado em abril passado e mantido pelo Banco do Nordeste em parceria com o Sebrae, será realizado hoje, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, workshop e palestras gratuitos com o tema "Negócios da arte contemporânea", ministrados pela advogada, gestora cultural e pesquisadora Ana Letícia Fialho.

Fachada do Centro Cultural Banco do Nordeste, onde acontece palestra e workshop sobre o mercado de arte contemporânea Foto: Geórgia Santiago (12/04/2012)

O evento chega à Capital depois de passar pelo CCBNB-Cariri (em Juazeiro do Norte), no dia 14, e CCBNB-Sousa (na Paraíba), no dia 15. Em Fortaleza, para participar é necessário inscrição prévia na recepção do Centro Cultural ou pelo e-mail cultura@bnb.gov.br. O Programa Negócios da Cultura é voltado à capacitação gerencial e empreendedora.

O workshop discutirá temas atuais sobre o mercado de arte; as oportunidades de inserção dos artistas visuais no mercado nacional e internacional; e interações das artes visuais com outras áreas. Por sua vez, a palestra abordará a economia da arte contemporânea, as oportunidades laborais e negociais no mundo das artes. Podem participar artistas visuais de diversas linguagens, incluindo xilogravuristas, fotógrafos, galeristas, produtores da área, professores e alunos de cursos e artes plásticas e artes visuais, entre outros.

Segundo Fialho, o evento pretende apontar caminhos para se aproveitar o bom momento pelo qual passa o mercado de arte no Brasil. "Especificamente no âmbito da arte contemporânea, o volume dos negócios tem crescido no eixo Rio-São Paulo. Paralelamente, a produção nacional tem alcançado reconhecimento internacional. Isso tem gerado oportunidades não somente para artistas, mas para toda a cadeia produtiva", ressalta a gestora.

Assim, na palestra e no workshop, a discussão vai girar em torno das estratégias possíveis para aproveitar esse cenário favorável, bem como das maneiras de pensar oportunidades e desafios no setor.

"É preciso pensar em novos modelos de negócios para a arte contemporânea, uma linguagem sem fronteiras. Assim como existem obras efêmeras, existem outras que utilizam suportes tradicionais, como a pintura ou a fotografia. Em muitos casos, as técnicas se misturam", explica Fialho.

"Não havendo limites, é preciso pensar como criar produtos que possam ser comercializados ou estabelecer novos tipos de negociações, principalmente para que o artista possa viver do seu trabalho", frisa a pesquisadora. "Por exemplo, no caso das intervenções ou da arte urbana, uma prefeitura pode financiar artistas ou coletivos para realizarem trabalhos na cidade", complementa Fialho.

Currículo

Ana Letícia Fialho é advogada, gestora cultural e pesquisadora, sócia-fundadora da FiSch Consultoria em Artes, especializada em consultoria, desenvolvimento e gestão de projetos culturais.

Com mais de dez anos de experiência no setor, atuou junto a organizações como Cinema do Brasil, Fórum Permanente, Ministério da Cultura, Senac, Sebrae, entre outros. Atualmente, é consultora em inteligência comercial e coordenadora de pesquisa do Projeto Setorial Integrado de Arte Contemporânea Abact-Apex-Brasil. É doutora em Sociologia da Arte pela École des Hautes Etudes em Sciences Sociales/Paris e professora da pós-graduação em Economia da Cultura da UFRGS.

Estratégia

O Negócios da Cultura constitui, na verdade, um programa de linha de crédito do Banco do Nordeste para iniciativas no campo das artes. Sua criação foi motivada pela necessidade de incentivar o mercado nesse setor, em diferentes linguagens, como música, audiovisual e teatro.

Segundo o CCBNB-Fortaleza, cada linguagem será abordada de maneira individual ao longo do programa. Em abril, por exemplo, foi a vez da música. O formato foi o mesmo, com workshop e palestra, que aconteceram na Capital e reuniram músicos, produtores e associações. Agora, as artes visuais serão contempladas, no âmbito da produção contemporânea. Mais para frente, será a vez das artes cênicas.

Posted by Marília Sales at 11:12 AM

Incêndio no Rio destrói apartamento com coleção de arte valiosa, Folha de S. Paulo

Incêndio no Rio destrói apartamento com coleção de arte valiosa

Matéria originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 13 de agosto de 2012.

Um incêndio ocorrido na noite de segunda (13) em Copacabana, zona sul do Rio, na cobertura dúplex do marchand e colecionador Jean Boghici, deixou em estado de alerta o mercado de arte brasileiro.

Dono de uma galeria em Ipanema, ele mantinha em seu apartamento um acervo com pinturas de Tarsila do Amaral, Milton Dacosta, Cícero Dias, o quadro "Samba" de Di Cavalcanti, e outras dezenas de obras emblemáticas, brasileiras e estrangeiras.

Até as 22h desta segunda, ainda não se sabia a extensão dos estragos. Segundo os bombeiros, a família de Jean estava em casa quando o fogo começou, mas conseguiu escapar das chamas. Dois gatos morreram.

Diretor da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, Jones Bergamin classifica o acervo de Boghici como "a mais valiosa coleção particular de arte brasileira".

"Não dá para calcular o valor das obras de Boghici. É algo na ordem de centenas de milhões de reais. Um pintura como 'Samba', de Di Cavalcanti, por exemplo, não tem preço", disse Jones à Folha, em entrevista por telefone, com a voz trêmula.

Nascido na Romênia, Boghici, 84, desembarcou no Rio, em 1949, e virou uma referência no mercado de arte da cidade, como galerista e colecionador.

Ivo Mesquita, diretor-técnico da Pinacoteca do Estado de São Paulo, chegou a ver de perto a coleção de Boghici.

"Cheguei a visitar duas vezes o apartamento dele. É uma coleção valiosíssima, formada por artistas-chaves para a arte brasileira. E o Jean ajudou a construir a história de muitos desses nomes. É um homem que ajudou a consolidar o circuito de arte no país", avaliou Mesquita, que recebeu a notícia quando participava da inauguração de uma exposição na segunda no Rio.

Amiga de Boghici, a curadora Vanda Klabin estava atônita diante da possibilidade de destruição das obras.

"Ele estava separando uma boa parte das obras na casa dele para o MAR [Museu de Arte do Rio, com inauguração prevista para setembro]", disse Vanda.

Posted by Marília Sales at 11:03 AM

Fogo destrói parte de coleção de arte moderna no Rio por Fabio Brisolla, Marco Aurélio Canônico, Silas Martí, Folha de S. Paulo

Fogo destrói parte de coleção de arte moderna no Rio

Matéria de Fabio Brisolla, Marco Aurélio Canônico, Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 15 de agosto de 2012.

Uma das mais importantes coleções particulares de arte abrigadas no país, que incluía obras como o quadro "Samba" (1925), de Emiliano Di Cavalcanti, foi parcialmente destruída na segunda (13) em um incêndio que atingiu a cobertura duplex do marchand e colecionador Jean Boghici, em Copacabana, no Rio.

"Queimou. Tudo bem. Muita coisa se salvou. Outras coisas se queimaram, o que eu posso fazer?", lamentou Boghici ontem, ao deixar o apartamento após vistoria. Ele tentara entrar no imóvel em chamas na segunda à noite, mas foi impedido pelos bombeiros. "Foi uma fatalidade."

"É uma tragédia gigantesca para a cultura brasileira. Era uma das melhores e mais representativas coleções da primeira metade do século 20", disse Washington Fajardo, secretário de Patrimônio do Rio e um dos primeiros a entrar no local após o fogo.

"Estava tudo muito escuro. Eu vi o 'Samba', do Di Cavalcanti, completamente destruído. Consegui ver um 'Bicho' [escultura], da Lygia Clark, no chão", disse Fajardo.

Especialistas ouvidos pela Folha estimaram as perdas em pelo menos R$ 60 milhões. Além da obra de Di Cavalcanti, com valor calculado em R$ 50 milhões, outras peças importantes queimadas foram um quadro de Vicente do Rêgo Monteiro dos anos 1920, um de Joaquín Torres-García, de 1931, e dois de Alberto da Veiga Guignard.

"Do Di Cavalcanti, sobraram só os pés das figuras. O Torres-García torrou inteiro, o Morandi também", disse um amigo de Boghici, que esteve no apartamento na terça.

O colecionador tem ainda obras de Tarsila do Amaral --"O Sono" (1928) e "Sol Poente" (1929)-- que foram salvas, assim como uma escultura de Victor Brecheret e móbiles de Alexander Calder.

As causas do incêndio ainda estão sendo apuradas, mas a suspeita é de que o fogo tenha sido causado por um curto-circuito no ar-condicionado.

Posted by Marília Sales at 10:54 AM

'Samba' era obra mais 'poderosa' do modernismo, diz curador por Silas Martí, Folha de S. Paulo

'Samba' era obra mais 'poderosa' do modernismo, diz curador

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 15 de agosto de 2012.

Destruída na segunda (13) no incêndio que consumiu o apartamento do marchand Jean Boghici no Rio, "Samba", tela de Emiliano Di Cavalcanti, pintada em 1925, é considerada a maior obra do artista e a melhor representação da cultura negra realizada no modernismo brasileiro.

Fogo destrói parte de coleção de arte moderna no Rio

Da obra, que mostra um grupo de figuras em festa, tendo duas mulheres no centro, uma delas negra, sobrou só os pés dos personagens, cerca de 30% da tela.

"Nesse quadro, Di Cavalcanti não está lidando com o folclore, e sim com uma das manifestações mais vivas da nossa cultura", diz o curador e crítico Paulo Herkenhoff.

"No modernismo não há peça tão poderosa quanto essa. É a maior manifestação da cultura negra, e também feita por um artista negro."

Tadeu Chiarelli, diretor to Museu de Arte Contemporânea da USP, equipara a importância de "Samba" à tela "A Negra", de Tarsila do Amaral, uma das obras mais emblemáticas da arte nacional.

"Essa tela tem uma monumentalidade", diz Chiarelli. "Tem o caráter do Brasil dentro do universo modernista."

Exposta logo na entrada do apartamento de Boghici em Copacabana, a obra com fortes figuras arredondadas travava um diálogo com telas de Vicente do Rego Monteiro da mesma década, também na coleção do marchand --uma delas se perdeu no incêndio.

"Era a síntese do Brasil", diz o marchand Max Perlingeiro, amigo de Boghici. "Essa sensualidade, a alegria, as cores, isso é Brasil puro."

Avaliada em mais de R$ 50 milhões, a peça é única na trajetória de Di Cavalcanti, que retratou universo semelhante só em "Cinco Moças de Guaratinguetá", importante obra do artista que hoje integra o acervo do Masp.

Fora de circulação e sem um exemplar comparável, a perda de "Samba" é considerada irreparável por críticos e analistas do mercado.

"Essa tela era um escândalo", diz Jones Bergamin, dono da casa de leilões Bolsa de Arte, que opera no Rio e em São Paulo. "Junto do 'Abaporu' e de poucos outros quadros, não tem nada com esse reconhecimento. Era uma das bandeiras da arte brasileira."

"Não há valor que pague uma coisa insubstituível dessas", diz Perlingeiro. "É uma coisa que a gente perde o fôlego, uma perda profunda."

Posted by Marília Sales at 10:37 AM | Comentários (1)

agosto 16, 2012

Incêndio em acervo de Jean Boghici expõe trabalho de colecionadores por Audrey Furnaleto, O Globo

Incêndio em acervo de Jean Boghici expõe trabalho de colecionadores

Matéria de Audrey Furnaleto originalmente publicada no jornal O Globo em 16 de agosto de 2012.

O incêndio coincide com momento em que coleções particulares começam a ser expostas

RIO - Uma coleção particular, como define o curador Paulo Herkenhoff, é uma espécie de “reunião de afetos ao longo de uma vida”. Outro curador, Leonel Kaz, amigo de Jean Boghici, que viu seu apartamento com a coleção ser tomado pelo fogo na última segunda-feira, completa a definição com a lembrança de que “Jean era habitado pelos quadros que tinha, e os quadros eram habitados por ele”. O incêndio do acervo, um das mais importantes de arte moderna brasileira, coincide com o momento em que coleções particulares — ou a “reunião de afetos” de um colecionador — começa a chegar aos olhos do grande público.

O Museu de Arte do Rio (MAR) será o primeiro com espaço fixo destinado a exibir diversas coleções privadas. Já na inauguração, em setembro, duas exposições mostrarão as coleções particulares de Jean Boghici, no terceiro andar (leia mais no texto ao lado), e de Sérgio Fadel, no segundo andar. A ideia é que o museu siga recebendo acervos privados. A coleção de Maria Lucia Veríssimo, por exemplo, deverá vir de São Paulo ao Rio para ser exposta no MAR.

— Queremos manter a casa aberta a Boghici e aos colecionadores de arte — afirma Paulo Herkenhoff, curador do museu. — O grande desafio do Rio não é apenas ter as coleções à disposição dos museus, mas ter um processo de institucionalização das obras. Voltei de Buenos Aires agora e me impressionou seu Museu Nacional de Belas Artes, o mais sólido da América Latina, formado por doações de quatro ou cinco gerações de colecionadores.

O modelo do MAR difere daqueles do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, que abriga unicamente a coleção de Gilberto Chetaubriand, e do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, que recebe a coleção de João Satammini. No MAR, além das coleções privadas, forma-se acervo a partir de doações de colecionadores, também na ânsia de levar ao público suas obras.

Outros exemplos têm surgido no país. Em Ribeirão Preto, o empresário João Figueiredo Ferraz criou um instituto que expões sua coleção de arte contemporânea num espaço de 2.500 metros quadrados. No Rio, o casal Monica e George Kornis, dono da maior coleção de gravuras do Brasil, comprou uma casa para montar um instituto, em Jacarepaguá. Na cidade de São Paulo, o economista Oswaldo Corrêa da Costa, temendo que seu “acervo de 40 anos ficasse estéril, distante dos olhos do espectador”, também criou um espaço para sua coleção, onde recebe visitas com agendamento.

O colecionador Ronaldo Cezar Coelho também planeja abrir um espaço que não será apenas um “showroom” de suas obras, que incluem tesouros da arte brasileira como “Vaso de Flores” (1931), de Guignard — adquirido por ele num leilão da Christie’s em 2009 pelo preço recorde do artista, US$ 759 mil. Ele, que compra as obras em nome de seu instituto, o São Fernando, diz que a ideia é criar um centro de políticas públicas que abrigará arte e será uma incubadora de projetos de educação, ecologia e patrimônio histórico.

Coelho convidou o arquiteto chinês I.M. Pei, premiado com o Pritzker, para visitar sua fazenda, um patrimônio de 1808 em Vassouras, no interior do Rio, e conceber o desenho do espaço, mas o projeto foi adiado: em pesquisas prévias, conta ele, constatou-se que o espaço deveria ser nas capitais do Rio ou de São Paulo. De luto pela tragédia com Boghici, Coelho afirma:

— O apoio ao mecenato no Brasil não existe. Estamos sozinhos nesse trabalho, seja de repatriar obras brasileiras ou de preservá-las. Meu sonho é exibir, tornar a coleção acessível ao público. Aliás, o maior prazer de um colecionador é mostrar seus trabalhos.

Coelho lamenta que no caso do que chama de “repatriação de obras” seja preciso pagar imposto de 35% sobre o valor do trabalho. Ele guarda em Nova York um Frans Post pintado no Brasil e adquirido por ele nos Estados Unidos porque, embora tenha apresentado explicações à Receita Federal, não obteve abatimento no imposto.

Acervos viajam e são vistos

O Estatuto de Museus, por outro lado, estabelece, desde 2009, que coleções de interesse público, seja em museus ou em propriedades particulares, estão habilitadas a receber ajuda do governo.

— Pode-se até questionar a ajuda a um colecionador particular. Mas o que está em primeiro lugar para um órgão de conservação, como o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), é a preservação do bem cultural de referência nacional. O fato de a obra ser particular ou pública é um detalhe — afirma José do Nascimento Júnior, presidente do Ibram. — A obra pode até ter seguro. Mas ninguém vai contratar Di Cavalcanti ou Portinari para pintar de novo. O bem cultural se perde.

O galerista Ricardo Rêgo, dono da Lurixs, lembra que colecionadores, como Boghici, Coelho ou ele próprio, preservam obras para que, em dado momento, sejam de conhecimento público.

— A conservação de uma obra de arte é muito mais garantida nas mãos de um colecionador do que numa instituição. As obras não ficam trancafiadas, mas viajam para exposições e são vistas dentro do próprio apartamento — diz Rêgo, referindo-se à sua coleção, numa cobertura da Avenida Atlântica, que recebe visitas de críticos, curadores e colecionadores internacionais.

O próprio “Samba” (1925), a joia de Di Cavalcanti perdida no incêndio no apartamento de Boghici, é um quadro muito viajado, lembra Leonel Kaz:

— Seu currículo é imenso. Recentemente, esteve na Bélgica. Foi um quadro feliz enquanto esteve vivo.

Posted by Patricia Canetti at 5:15 PM

agosto 14, 2012

Restauro revela obras inéditas de Bispo do Rosário, artista que viveu em manicômio por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Restauro revela obras inéditas de Bispo do Rosário, artista que viveu em manicômio

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de agosto de 2012.

Ele guardava as agulhas de costura no talco, junto de uma figura de Cristo. Também colecionava revistas eróticas e bordou em estandartes nomes de socialites, assassinas e divas do cinema.

Desde que Arthur Bispo do Rosário, artista que morreu aos 80 anos em 1989, foi anunciado como nome central da 30ª Bienal de São Paulo, em setembro, uma verdadeira exumação do corpo de sua obra está em curso no Rio.

Bispo do Rosário, o paciente 01662 da Colônia Juliano Moreira, fez quase toda a sua produção internado no hospital psiquiátrico que funciona até hoje em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Seu acervo de mais de 800 peças está guardado numa sala da administração do complexo.

Quando Luis Pérez-Oramas, curador da Bienal, decidiu expor 348 das peças nesta edição da mostra, um processo de restauro foi deflagrado para levar a público obras que nunca deixaram o hospício --pelo menos cinco das instalações são inéditas.

"Essas obras nunca saíram daqui porque estavam em péssimo estado", diz Wilson Lázaro, curador do Museu Bispo do Rosário. "Fizemos um restauro, mas conservamos o pensamento dele."

Nesse processo, vieram abaixo algumas das certezas sobre o artista.

Primeiro, a de que era assexuado. Suas anotações obsessivas dos nomes das estagiárias da enfermaria e sua coleção de revistas pornográficas provam o contrário.

Bispo também nunca tomou remédios e tinha total consciência de sua condição de paciente mental, chegando a ironizar a psiquiatria.

"Ele se refere a seu contexto terapêutico", diz Pérez-Oramas. "Tinha uma autoconsciência que relativiza nossas discussões sobre a loucura e suas condições."

Cadernos do artista encontrados no acervo mostram anotações detalhadas de sua rotina no manicômio. Ele narra conversas com enfermeiros, dá detalhes de uma ferida no dedo, cataloga notícias de jornal --em especial sobre crimes-- e mantém um extenso inventário dos materiais que conseguia traficar para o hospital ao criar suas peças.

Uma das obras mais enigmáticas do artista, um estandarte em que ele borda um texto religioso, foi descoberta agora ser a reprodução de um anúncio de revista que vendia uma edição da Bíblia.

"Todos achavam que isso fosse um delírio, mas é uma propaganda", diz Lázaro. "Ele tinha um pensamento para fazer a obra, olhava para a imprensa como fonte de realidade para tudo."

REFINADO E BRUTAL

Essas descobertas recentes reforçam a reabilitação de Bispo do Rosário, que aos poucos perde a aura de louco e ganha o reconhecimento de um artista contemporâneo singular de sua época.

Sob esse novo ângulo, críticos reconhecem agora na obra de Bispo não só a habilidade manual obsessiva dos bordados mas também um pensamento conceitual e plástico que dialoga com trabalhos dos grandes nomes da arte contemporânea do país.

Sua caixa de música, um estojo de madeira cheio de papel picado, em que a canção seria o som do papel soprado no ar, lembra a arte conceitual. Seus papéis de bala são precursores de Beatriz Milhazes. Seus estandartes feitos de fórmica colorida lembram o construtivismo.

"É interessante como uma das grandes obras visuais do fim do século 20, das mais refinadas e brutais, tenha sido feita em isolamento", diz Pérez-Oramas. "Mas toda criação comovente, crítica e relevante exige desmantelar a normalidade do mundo."

Num contexto anormal, Bispo do Rosário construiu uma poética capaz de repensar a beleza e a tragédia da vida real --das vencedoras de concursos de miss aos bandidos e ladrões do noticiário.

"Nossa sociedade precisa da loucura para se excluir dela", diz Pérez-Oramas. "Mas nesse ato de exclusão, acaba exibindo a própria loucura."

Posted by Marília Sales at 11:41 AM

Acervo de Bispo do Rosário deve ir para novo prédio, mas não há verba por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Acervo de Bispo do Rosário deve ir para novo prédio, mas não há verba

Matéria de Silas Martí originalmente publicada na Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 14 de agosto de 2012.

Quase toda a obra de Arthur Bispo do Rosário foi feita usando materiais precários, uma arte do improviso em que tudo, dos lençóis aos uniformes do hospital psiquiátrico, era reaproveitado como tecido e linha colorida.

Restauro revela obras inéditas de Bispo do Rosário, artista que viveu em manicômio

Só isso já torna as peças vulneráveis, mas o fato de estarem todas embrulhadas em papel numa sala sem sistema anti-incêndio e possível alvo de cupins também agrava a situação de risco do acervo.

"Tem certos objetos que daqui a pouco não teremos como recuperar", diz Elisabeth Grillo, uma das restauradoras da obra de Bispo. "Fico preocupada com os plásticos duros. Algumas peças de madeira tinham infestação de cupins, com a estrutura já comprometida. Entrei nesse trabalho com receio."

Enquanto são restauradas e chamam cada vez mais a atenção do circuito, essas obras também passam por uma valorização inédita. Só o conjunto delas que estará na Bienal de São Paulo está avaliado em R$ 24 milhões.

Mesmo com a importância do artista hoje consensual, gestores do Museu Bispo do Rosário, que só tem três funcionários e ocupa uma sala na administração da Colônia Juliano Moreira, não conseguiram garantir recursos para a mudança do museu para um novo prédio, também dentro do complexo.

Financiado pela secretaria municipal de Saúde do Rio, o museu deveria passar para um edifício que precisa de reformas. Falta reconstruir o telhado, as paredes e toda a infraestrutura do imóvel --obra de R$ 4 milhões. Também não há recursos para erguer uma nova reserva técnica.

Posted by Marília Sales at 11:31 AM

Exposição revela tesouros de Warhol e Hockney escondidos em Teerã, Jornal Floripa

Exposição revela tesouros de Warhol e Hockney escondidos em Teerã

Matéria originalmente publicada no Jornal Floripa em 10 de agosto de 2012.

É o melhor acervo de arte moderna fora da Europa ou dos EUA, ostentando obras de Jackson Pollock, Francis Bacon, Andy Warhol, Edvard Munch, René Magritte e Mark Rothko.

Mas as peças passaram mais de 30 anos atulhadas no porão do Museu de Arte Contemporânea de Teerã (Tmoca), pegando poeira. Censores do Irã classificaram algumas delas como anti-islâmicas, pornográficas ou excessivamente gays, e elas nunca foram expostas ao público. Outras foram exibidas apenas uma ou duas vezes.

Agora, várias pinturas do acervo estão sendo exibidas pela primeira vez em Teerã, como parte de uma exposição do museu chamada Pop Art & Op Art, com obras de Warhol, David Hockney, Roy Lichtenstein, Victor Vasarely, Richard Hamilton e Jasper Johns.

"Muitas das obras na exposição estão sendo expostas pela primeira vez", disse Hasan Noferesti, diretor de programas artísticos do museu, à agência de notícias Mehr. "O objetivo da exposição é mostrar a evolução desses movimentos artísticos."

Mais de cem obras do notável acervo do museu estão sendo exibidas, segundo a Mehr, além de uma série de trabalhos do México, que foram cedidos ao museu em comemoração ao centenário da Revolução Mexicana e do bicentenário da independência do país.

James Rosenquist, Jim Dine, Larry Rivers e RB Kitaj estão entre os outros artistas incluídos na exposição, que vai até meados de agosto.

O incomparável tesouro oculto do Irã foi adquirido antes da Revolução Islâmica, sob a supervisão de Farah Pahlavi, a última rainha do Irã, que fugiu do país em 1979 com o falecido xá Mohammad Reza Pahlavi.

O reinado do xá, autointitulado "rei dos reis", durou 38 anos e terminou depois que o aiatolá Ruhollah Khomeini retornou do exílio para ser recepcionado como herói em Teerã e fundar a República Islâmica.

O acervo inclui "Mural on Indian Red Ground", considerada uma das obras mais importantes de Pollock e com valor estimado em mais de US$ 250 milhões, e também peças importantes de Picasso, Van Gogh, Monet, Pissarro, Renoir, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Degas, Whistler e Marcel Duchamp.

Há até mesmo obras de artistas que a ex-imperatriz conheceu pessoalmente, com o pintor franco-russo Marc Chagall e o escultor inglês Henry Moore. Estima-se que o acervo todo valha mais de US$ 2,5 bilhões.

Ao "Guardian" Pahlavi explicou que a coleção foi comprada durante o boom petrolífero do Irã na década de 1970. "Nossa receita petrolífera havia aumentado significativamente, e falei com [o xá] e com Amir-Abbas Hoveyda [então primeiro-ministro], e lhes disse que seria a melhor época para comprar algumas das nossas antigas obras tanto internamente quanto do exterior."

"Pensei em como seria bom ter um museu onde pudéssemos colocar as obras dos nossos artistas contemporâneos. Mais tarde eu pensei: por que não deveríamos incluir obras estrangeiras? Foi assim que tudo isso começou [...], naquela época nossos curadores e colecionadores estavam principalmente interessados na arte tradicional, e não tanto na arte moderna."

Acredita-se que o interesse de Pahlavi pela arte ocidental derive do fato de ter estudado na França.

Kamran Diba, arquiteto iraniano e primo da rainha, foi contratado para projetar o museu no centro da capital, e posteriormente escolheu as obras com a ajuda de várias pessoas, inclusive os presidentes da Christie's e da Sotheby's.

"Fiquei muito preocupada com o destino dessas pinturas durante aqueles acontecimentos [da época da Revolução]", disse Pahlavi. "Estava preocupada de que os revolucionários fossem destruí-las. Mas felizmente os funcionários do museu as protegeram no porão."

"Há alguns anos, o diretor do museu mostrou algumas das peças e fez um catálogo listando as obras. Fico feliz por as pessoas terem percebido o que estava escondido lá durante anos."

WARHOL CORTADO À FACA

Entre 1997 e 2005, durante o mandato do presidente reformista Mohammad Khatami, quando as restrições à arte foram temporariamente aliviadas, Alireza Samiazar, então chefe do museu, se esforçou para obter autorização para que algumas das obras fossem expostas pela primeira vez.

Em 2005, para perplexidade dos radicais do regime, um grande número de pinturas saiu do porão para uma exposição. O evento causou polêmica. "Two Figures Lying on a Bed with Attendants", obra de Francis Bacon com conteúdo aparentemente homossexual, foi considerada inadequada e retirada da exposição.

Muitas obras controversas, porém, sobreviveram aos censores. Retratos de Mick Jagger e Marilyn Monroe por Andy Warhol estão em Teerã, e as imagens de Mao Tsé-tung pintadas por ele foram exibidas na íntegra pela primeira vez na exposição da pop art.

Apesar do desprezo dos governantes iranianos pela arte ocidental, a coleção tem sido zelosamente guardada --exceto por um retrato da própria Pahlavi feito por Warhol, que, segundo ela, foi cortado com uma faca.

Em 1994, o museu trocou uma de suas muitas pinturas notáveis --"Woman III", do expressionista holandês-americano Willem de Kooning-- por um raro volume com iluminuras do "Shahnameh", antigo livro de poesia persa que pertencia ao colecionador de arte americano Arthur Houghton. A troca foi feita porque, aos olhos das autoridades, a pintura mostrava nudez demais.

Muita gente ficou enfurecida com a troca, inclusive Pahlavi. "Se eles estavam realmente interessados no 'Shahnameh', não poderiam pagar US$ 6 milhões e manter a pintura de De Kooning? O empresário americano David Geffen, que comprou a pintura por cerca de US$ 20 milhões, a vendeu por US$ 110 milhões poucos anos depois. A troca de De Kooning é a única troca que eles fizeram até agora, e espero que continue sendo a última."

CLÉRIGOS

Uma das muitas ironias que cercam a obra é o fato de que o poderoso Conselho Guardião do Irã, um grupo de clérigos, interveio há uma década para proibir a venda ou troca das peças porque, disseram eles, o comércio de obras anti-islâmicas e pornográficas é proibido.

Ali Amini Najafi, crítico de arte iraniano radicado na Alemanha, disse que "as obras no acervo não são escolhidas de forma aleatória ou arbitrária, está claro que as pessoas envolvidas em selecioná-las tinham um plano consistente de pegar amostras pertinentes e significativas para retratar a evolução da arte moderna, e também para assegurar que todos os movimentos estivessem representados, dos impressionistas a pop art".

"Esse acervo foi reunido num momento definidor da nossa história, quando os iranianos estavam se distanciando do seu passado tradicional e demonstrando curiosidade pela arte moderna."

Tradução de RODRIGO LEITE.

Posted by Marília Sales at 9:37 AM

Mundos do artista plástico Luiz Hermano são expostos no Recife, globo.com

Mundos do artista plástico Luiz Hermano são expostos no Recife

Matéria originalmente publicada na seção G1 do globo.com em 9 de agosto de 2012.

Instalações poderão ser vistas no Mamam, a partir de 23 de agosto. 'Tramando mundos' traz obras presentes nos 30 anos de carreira do artista.

Difícil ligar o trabalho do artista Luiz Hermano a uma escola ou movimento específico das artes plásticas. Com o olhar sempre atento às coisas do mundo, Hermano molda diversos materiais, de aquarelas ao alumínio, passando pelo plástico, e utilizando objetos que passariam despercebidos aos olhos congestionados pelo volume de informação visual que é transmitido atualmente. São estas obras que o cearense traz para o Recife, na mostra “Tramando mundos”, que está em cartaz na galeria Amparo 60, na Avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem, Zona Sul da capital pernambucana. As visitações podem ser feitas às terças e sextas, das 10h às 13h e das 14h às 19h. Aos sábados, a galeria fica aberta das 10h às 14h.

Inicialmente pensada como uma espécie de comemoração dos 30 anos de carreira de Hermano, “Tramando mundos” já passou pela Universidade de Fortaleza (Unifor), e tem curadoria de Paula Braga. No Recife, ela será divida em dois espaços: os trabalhos mais recentes e comerciais se encontram na Amparo 60, enquanto as instalações serão expostas no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), a partir de 21 de agosto. Da mostra inicial, as aquarelas presentes na Unifor não devem vir ao Recife, por serem um trabalho mais antigo.

Sobre o processo de composição das obras selecionadas, que trazem o interesse cosmológico do artista, com reflexões sobre vários universos, Hermano diz que seu raciocínio criativo praticamente não para: “Trabalho direto, artista plástico tem que trabalhar muito, mais do que todo mundo! (risos). Estou sempre de olho nos materiais. Quando vejo algo que acho que pode dar um retorno, já fico interessado. E o conceito da obra nasce junto com a feitura, na hora em que ela está se formando”.

Reunidos os trabalhos, os mundos tramados pelo artista trazem traços de diferentes momentos de sua vida, desde a infância em Preaoca (CE) até as viagens que vem fazendo pelo mundo. Tailândia, India, China e Turquia foram alguns dos locais de passagem de Hermano, e suas culturas e religiosidades ficaram impressas nas esculturas: “Viajo muito, e essas viagens sempre trazem um retorno. Este ano, por exemplo, fui para a Turquia, e duas obras da mostra nasceram dessa viagem”, comenta o artista. Com este caráter universal, as esculturas e instalações de Luiz Hermano são grandiosas e delicadas, acendendo memórias e reflexões em quem as observa.

Luiz Hermano na Amparo 60, Recife

Posted by Marília Sales at 9:24 AM