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março 13, 2008
Artista usa retratos de modelos em jogo entre atração e repulsa, por Mario Gioia, Folha de São Paulo
Artista usa retratos de modelos em jogo entre atração e repulsa
Matéria de Mario Gioia, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 13 de março de 2008
Em São Paulo, Tadeu Jungle estampa divas da moda em lápides de porcelana
Um olhar irônico sobre o poder de atração e de repulsa das imagens. Assim pode ser resumida a exposição que Tadeu Jungle, 51, ganha a partir de hoje na Valu Oria Galeria de Arte.
As 40 obras que fazem parte da mostra -entre objetos, fotografias e um vídeo- têm, como principal foco, a mulher em diversos registros. Na maior parte dos trabalhos, Jungle captura fotografias publicitárias de modelos e "reinventa-as". A série mais inquietante é a inédita "Mulheres de Porcelana", com 14 objetos que usam fotos de rostos de modelos em atividade ou não -como Gisele Bündchen, Kate Moss, Naomi Campbell e Karolina Kurkova- impressas em uma lápide.
"Pode não parecer, mas é uma homenagem a elas. Existe essa coisa incômoda do jazigo, mas ao mesmo tempo é uma série de objetos únicos, que eterniza essa imagem jovial delas, mais que uma fotografia de revista", diz o artista. "Engraçado, já me chamaram de misógino, mas é um absurdo. Amo as mulheres, mas não deixo de questionar como elas são representadas e da relação delas com o tempo, com a vaidade."
No andar térreo da galeria, há outras 14 imagens retrabalhadas por Jungle, em que a perfeição de seus rostos é substituída por riscos, marcas ou apenas pela falta de foco. Como legendas, há a enumeração de sete pecados e sete virtudes. "É legal misturar essa coisa fashion, rápida com a religião, algo mais atemporal", diz ele.
março 10, 2008
Catálogo da 27ª Bienal sai com 15 meses de atraso, por Fabio Cypriano, Folha de São Paulo
Catálogo da 27ª Bienal sai com 15 meses de atraso
Matéria de Fabio Cypriano, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 4 de março de 2008
Publicação da exposição "Como Viver Junto" é lançada depois de circular abaixo-assinado de artistas e curadores na internet
Depois de 15 meses de encerrada a 27ª Bienal de São Paulo, intitulada "Como Viver Junto", o catálogo da mostra finalmente vem a público. Por enquanto, há só cem exemplares, sendo distribuídos pela Fundação Bienal. Só no próximo mês, os 3.000 exemplares da tiragem oficial passarão a ser distribuídos pela editora Cosac Naify.
O atraso da publicação é um dos reflexos da polêmica administração de Manoel Francisco Pires da Costa, reeleito em seu terceiro mandato, há cerca de um ano, após ter sido questionado por favorecer parentes além de sua própria empresa em negócios da fundação.
Um abaixo-assinado com 933 assinaturas pedindo a publicação do catálogo circulou pela internet, com nomes de pessoas representativas do circuito artístico, como os artistas Ernesto Neto e Rosângela Rennó, e os curadores Moacir dos Anjos, Paulo Sérgio Duarte e Ivo Mesquita, que é o curador da próxima edição. "A falta de registro impresso de um evento desse porte torna-o inconcluso e estagnado, uma vez que o livro cumpre a função de documentar e veicular questões fundamentais da mostra", afirmava o abaixo-assinado.
Uma das razões para a alegada não-conclusão do evento sem o catálogo foi que a participação de artistas, como Jorge Macchi e Rivane Neuenschwander, restringiam-se às inserções na publicação.
Um dos destaques da nova publicação é a reprodução em fac-símile do Programa Ambiental de Hélio Oiticica, artista inspirador do vetor conceitual do projeto da 27ª Bienal.
Enquanto na própria mostra não havia obras de Oiticica, o catálogo dedica 32 páginas a seus conceitos e projetos.
Obviamente, outro destaque fundamental são as inserções de artistas -a dupla Angela Detanico e Rafael Lain, Aya Ben Ron, Marjetica Potrc, o grupo Pages e Zafos Xagoraris. "Guia da Imobilidade", de Macchi, com mapas das regiões centrais da cidade, é um dos melhores trabalhos no catálogo, assim como a série de fotos de Neuenschwander, "Canteiros".
A vantagem da publicação tardia, que obviamente não precisava ter demorado tanto, foi apresentar um detalhado registro fotográfico da exposição. Muitas publicações do gênero trazem fotos antigas, o que torna tais catálogos frios. As teses da mostra são discutidas por seus seis curadores.
Além da curadora-geral, Lisette Lagnado, Adriano Pedrosa, Cristina Freire, José Roca, Rosa Martinez e Jochen Volz, estão presentes, cada um abordando um aspecto da mostra.
Outros intelectuais, como Milton Hatoum, Gianni Vattimo e León Ferrari, comparecem com textos que ampliam os debates da exposição.
Polêmica, dividindo opiniões, a 27ª Bienal tem agora uma nova ferramenta de compreensão que, se publicada no devido tempo, teria contribuído para um debate mais denso sobre suas propostas, que, só agora, chegam por inteiro.
