Página inicial

Como atiçar a brasa

 


julho 2021
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Pesquise em
Como atiçar a brasa:
Arquivos:
junho 2021
abril 2021
março 2021
dezembro 2020
outubro 2020
setembro 2020
julho 2020
junho 2020
maio 2020
abril 2020
março 2020
fevereiro 2020
janeiro 2020
novembro 2019
outubro 2019
setembro 2019
agosto 2019
julho 2019
junho 2019
maio 2019
abril 2019
março 2019
fevereiro 2019
janeiro 2019
dezembro 2018
novembro 2018
outubro 2018
setembro 2018
agosto 2018
julho 2018
junho 2018
maio 2018
abril 2018
março 2018
fevereiro 2018
janeiro 2018
dezembro 2017
novembro 2017
outubro 2017
setembro 2017
agosto 2017
julho 2017
junho 2017
maio 2017
abril 2017
março 2017
fevereiro 2017
janeiro 2017
dezembro 2016
novembro 2016
outubro 2016
setembro 2016
agosto 2016
julho 2016
junho 2016
maio 2016
abril 2016
março 2016
fevereiro 2016
janeiro 2016
novembro 2015
outubro 2015
setembro 2015
agosto 2015
julho 2015
junho 2015
maio 2015
abril 2015
março 2015
fevereiro 2015
dezembro 2014
novembro 2014
outubro 2014
setembro 2014
agosto 2014
julho 2014
junho 2014
maio 2014
abril 2014
março 2014
fevereiro 2014
janeiro 2014
dezembro 2013
novembro 2013
outubro 2013
setembro 2013
agosto 2013
julho 2013
junho 2013
maio 2013
abril 2013
março 2013
fevereiro 2013
janeiro 2013
dezembro 2012
novembro 2012
outubro 2012
setembro 2012
agosto 2012
julho 2012
junho 2012
maio 2012
abril 2012
março 2012
fevereiro 2012
janeiro 2012
dezembro 2011
novembro 2011
outubro 2011
setembro 2011
agosto 2011
julho 2011
junho 2011
maio 2011
abril 2011
março 2011
fevereiro 2011
janeiro 2011
dezembro 2010
novembro 2010
outubro 2010
setembro 2010
agosto 2010
julho 2010
junho 2010
maio 2010
abril 2010
março 2010
fevereiro 2010
janeiro 2010
dezembro 2009
novembro 2009
outubro 2009
setembro 2009
agosto 2009
julho 2009
junho 2009
maio 2009
abril 2009
março 2009
fevereiro 2009
janeiro 2009
dezembro 2008
novembro 2008
outubro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
junho 2008
maio 2008
abril 2008
março 2008
fevereiro 2008
janeiro 2008
dezembro 2007
novembro 2007
outubro 2007
setembro 2007
agosto 2007
julho 2007
junho 2007
maio 2007
abril 2007
março 2007
fevereiro 2007
janeiro 2007
dezembro 2006
novembro 2006
outubro 2006
setembro 2006
agosto 2006
julho 2006
junho 2006
maio 2006
abril 2006
março 2006
fevereiro 2006
janeiro 2006
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
fevereiro 2005
janeiro 2005
dezembro 2004
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
julho 2004
junho 2004
maio 2004
As últimas:
 

dezembro 9, 2006

Cultura tenta barrar Lei do Esporte para evitar briga por patrocínio, por Rodrigo Mattos e Silvana Arantes

Cultura tenta barrar Lei do Esporte para evitar briga por patrocínio

Matéria de Rodrigo Mattos e Silvana Arantes, originalmente publicada na Folha de S.Paulo do dia 9 de dezembro de 2006

Aprovado na Câmara Federal, o projeto de lei de incentivos fiscais para o esporte (1367/ 03) é visto como uma ameaça por artistas e produtores culturais, que tentarão alterá-lo, o que pode impedir sua aprovação. Temem a concorrência por verba entre os setores.

Parlamentares ligados ao esporte, porém, já reagiram. Isso deu início a uma batalha em torno da legislação, que ocorre no Senado e envolve os ministérios da Cultura e do Esporte.

"É uma intranqüilidade [a existência do projeto]", afirma Ronaldo Bianchi, vice-presidente do Itaú Cultural.

O desagrado dos representantes da cultura vem do fato de que, se aprovada a nova lei, projetos esportivos e culturais passarão a disputar o mesmo "bolo" de patrocínio empresarial.

Isso ocorrerá porque a Lei Rouanet e a Lei do Esporte estariam limitadas ao mesmo teto de renúncia fiscal, até 4% do Imposto de Renda das pessoas jurídicas. Ou seja, as empresas podem deixar de investir em cultura, optando pelo esporte.

"Existe essa preocupação [em relação à nova lei]", afirma o ministro da Cultura, Gilberto Gil à Folha. Gil questiona a capacidade do ministério do Esporte de gerenciar a sua lei.

"Dificultoso"

"Esse primeiro momento da gestão da lei vai ser dificultoso para eles. Nesse sentido acho que eles deviam contar com as experiências da Lei Rouanet."

Parlamentares ligados ao esporte contra-atacam: não consideram eficiente a atuação do setor cultural na captação de incentivos.

"Quanto [dinheiro] a Cultura tem conseguido por ano? Eles não conseguem nem captar o que têm direito", disse o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), relator do projeto na Câmara. "É uma mediocridade [o lobby cultural]. Há um universo grande a ser explorado."

Em 2005, foram captados por meio da Lei Rouanet cerca de R$ 700 milhões. Houve um aumento de 23% em relação ao ano anterior. No caso do esporte, haverá um teto de R$ 200 milhões por ano, segundo parlamentares ligados ao projeto.

Até agora o lobby dos artistas não é explícito porque o setor do cinema --um dos maiores beneficiários da Lei Rouanet-- está concentrado em aprovar no Senado o projeto de lei que cria o Fundo Setorial do Audiovisual. A proposta destina mais verbas ao setor.

Nos bastidores, já atuam para apresentar uma emenda derrubando um item da Lei de Incentivo ao Esporte que vincula as verbas esportivas e culturais ao mesmo teto.

Na prática, isso inviabilizaria a lei em favor dos esportistas.

"Se houver alteração, isso vai aumentar a renúncia fiscal do governo. A Receita [Federal] não aceitaria", afirmou o deputado federal Gilmar Machado (PT-MG), articulador governista do setor do esporte.

No Senado, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), comanda o lobby em prol da legislação em favor do esporte.

O vice-presidente do Itaú Cultural diz desconhecer a articulação para a apresentação da emenda, mas afirma que "cabe a discussão no Senado sobre o impacto econômico [da Lei do Esporte] na cadeia de trabalho cultural". Segundo Bianchi, "são perguntas que precisam ser colocadas".

Outros parlamentares ligados ao esporte aderem ao contra-ataque, com influência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Ministério do Esporte. O COB é o maior interessado na aprovação da lei, pois as confederações filiadas e outras entidades seriam beneficiadas.

Compromisso

O Ministério do Esporte espera que o executivo mantenha o compromisso de aprovar a lei sem alterações no Senado, como fez na Câmara. Pela assessoria, a pasta informou não ter recebido pedidos de mudanças vindos da área cultura.

Até deputados da oposição já foram mobilizados em favor do esporte. Autor do projeto, o deputado Bismarck Maia (PSDB-CE) disse ter o apoio do líder de seu partido no Senado, Arthur Virgílio, "Se alterarem o projeto, vamos mudar na Câmara."

Esse lobby tem o desfalque da numerosa bancada da bola, que é composta por parlamentares conectados ao futebol e não está agindo porque não haverá benefício para os cartolas.

Clubes de futebol com esportes olímpicos tampouco se mobilizaram. O presidente do Flamengo, Márcio Braga, diz que nada fará. Ex-deputado, ele foi um dos mais atuantes no lobby pela aprovação da Timemania, loteria que favoreceu os clubes.

"O Nuzman [Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB] que está pilotando isso. Não tenho como largar o clube agora", disse ele.

Gil acena com uma conciliação. "Esporte é cultura."

Posted by João Domingues at 11:46 AM

Gil dá sinais de que vai permanecer no governo, por Adauri Antunes Barbosa

Gil dá sinais de que vai permanecer no governo

Matéria de Adauri Antunes Barbosa, originalmente publicada no Globo Online, no dia 8 de dezembro de 2006

O ministro da Cultura, Gilberto Gil disse nesta quinta-feira que até a próxima quarta se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir sobre sua permanência no governo. Embora não tenha antecipado sua decisão, Gil deu sinais de que vai continuar no cargo, depois de receber, na Bienal de São Paulo, uma carta com a assinatura de mais de 300 artistas pedindo que fique no ministério.

- A gente só pode pensar que é porque estão achando bom, não é? Primeiro, se acostumaram com o convívio. Depois, acho que começaram a fazer a leitura dessa linguagem pós-moderna do Ministério atual, com muitos fragmentos - disse Gil.

O ministro revelou que, em conversa com Caetano Veloso, que não pediu para ele ficar, encontraram "compreensão mútua para uma idéia de permanência".

- Não, ele (Caetano) não me pediu que ficasse. Ele conversou muito comigo na segunda-feira e nós encontramos linhas de compreensão mútua para uma idéia de permanência, para uma idéia de continuação de trabalho - disse, reafirmando que ainda não está decidido:

- Não, não está definido porque eu estou conversando ainda com o governo, com o presidente, especialmente.

"A gente só pode pensar que é porque estão achando bom, não é? "

Mas garantiu que a definição está perto:

- (o período de reflexão termina) É agora, até o fim dessa semana. Assim que eu puder voltar a falar com o presidente. Falei com ele na sexta-feira passada. Tentei voltar a falar com ele ontem e anteontem, mas ele estava muito atarefado, falei por telefone com ele. Ele até tentou achar uma brecha na agenda, mas não pôde. Tenho a impressão que lá pela terça-feira, quarta-feira ele deve sentar comigo e aí decide - revelou.

Segundo Gil, o que está "pegando" para que saia a decisão sobre sua continuidade no Ministério da Cultura é que a "vida é assim mesmo":

- O que está pegando é que a vida é assim mesmo. Tem que pegar porque o dia de amanhã não é o de hoje. Então, o dia de amanhã tem que ser feito com hoje, mas tem que ser feito também com o que ainda não está posto hoje. É o que vai ser processado hoje à noite, de hoje para amanhã. É o inusitado, a construção e a desconstrução da próxima noite. Tem tudo isso. O ânimo de alta temperatura da tarde de hoje e o desânimo da manhã seguinte, tudo isso jogado junto. É tudo junto porque tem vida humana, tem eu pessoa, tem as pessoas próximas, tem o meu limite físico, tem um bocado de coisas. ao mesmo tempo tem a desmesura do ideal, a desmesura da vontade, da religiosidade, da idéia de religar tudo, de ligar tudo o tempo todo. Ao mesmo tempo há os limites da máquina governamental, os limites da máquina do mundo.

Para tomar a decisão, Gil disse que tem levado em conta vários aspectos, mas o peso dos apoios que tem é importante e "interessantíssimo".

"É muito lisonjeiro as pessoas pedirem para você dizer sim. Isso é muito importante, tem um valor de transmissão de positividade, de seqüencialidade que é muito importante, é interessantíssimo "

- Tem aspectos, primeiro, para esse lado pessoal, o lado da limitação pessoal, física psíquica e tudo, o fato de a gente se achar pequeno para tarefas tão gigantes. Isso tudo é compensado por essa palavra do outro, que estimula, que diz assim: 'você é pequeno, sua força é pouca mas é suficiente'. Tem esse ânimo, além da lisonja. É muito lisonjeiro as pessoas pedirem para você dizer sim, as pessoas dizerem sim para que você diga sim por elas. Isso é muito importante, tem um valor de transmissão de positividade, de seqüencialidade que é muito importante, é interessantíssimo - definiu.

De acordo com o ministro da Cultura, tem outro lado que está examinando antes de tomar uma posição sobre a continuidade no governo, que é a aglutinação de forças em torno de projetos e idéias. E sentenciou:

- Eu não sou técnico, nem sou nada. Eu sou poeta! Então, pronto, eu estou no governo como tal!

Posted by João Domingues at 10:04 AM

dezembro 8, 2006

Pesquisa reforça necessidade de orçamento maior para o MinC, por Carlos Gustavo Yoda

Pesquisa reforça necessidade de orçamento maior para o MinC

Matéria de Carlos Gustavo Yoda, originalmente publicada na Carta Maior, no dia 8 de dezembro de 2006

Pesquisa do IBGE coloca a cultura como o quarto item dos gastos da família brasileira e reforça a necessidade de uma melhor atenção para a indústria criativa e melhor orçamento para o Ministério da Cultura, que hoje conta com cerca de 0,6% do bolo da União. Especialistas em políticas culturais apontam que a pesquisa é importante não para transformar a cultura em números, mas para utilizá-los a favor dela.

SALVADOR - O orçamento do Ministério da Cultura, desde que foi instituído como ministério desligado do MEC, em 1985, sempre recebeu a menor fatia do bolo orçamentário da União. É claro o não reconhecimento por parte das administrações públicas da cultura como setor fundamental e estratégico para a identidade, soberania e desenvolvimento do país.

Ana Carla Fonseca Reis, que acaba de lançar a obra Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável - O Caleidoscópio da Cultura, lembra que é cena comum nas reuniões de repartição dos bolos orçamentários nos governos, seja na esfera federal, estadual ou municipal, cada setor apresentar seus programas, projetos, prioridades, e solicitar o orçamento correspondente.

"A cultura defende a importância dos investimentos pleiteados para ações de consolidação da identidade, de promoção da diversidade cultural, de ampliação do acesso à cultura, dentre outros de importância inegável. Mas faltam-lhes números que, adicionalmente a esses benefícios, comprovem o impacto econômico dos investimentos realizados no setor cultural", destaca a administradora, em sua obra, ao afirmar a desvantagem que fica aos administradores das políticas culturais em relação aos outros setores.

Os gastos com cultura ocupam o quarto lugar no orçamento das famílias brasileiras, totalizando 4,4% e ficando atrás das despesas com saúde, vestuário e educação. A conclusão é do estudo Sistema de Informações de Indicadores Culturais, pesquisa inédita divulgada no fim de novembro pelo IBGE.

Os dados foram obtidos através do cruzamento de informações de sete pesquisas do instituto. As famílias brasileiras gastam em média com cultura R$ 115,50 por mês, dos quais R$ 50,97 com telefonia, seguida pela aquisição de eletrodomésticos ligados à área cultural (R$ 17,25) e atividades de cultura, lazer e festas (R$ 13,82). A cultura ocupa cerca de 1,43 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 4% da mão-de-obra ativa do país, ou 3,7 milhões de pessoas, levando em consideração também o setor informal. O rendimento médio é de cinco salários mínimos, enquanto a média nacional fica em três salários.

O secretário executivo do MinC, Juca Ferreira (na foto), que esteve presente na mesa de abertura do II Fórum Cultural Mundial, em associação ao VII Mercado Cultural, realizado entre 1º e 4 de dezembro em Salvador, acredita que as possibilidades de mais movimentação orçamentária para a cultura a partir da pesquisa não ficará apenas restrita ao dinheiro público.

"O setor privado agora pode acordar e ver quão importante a cultura é para a economia e como pode e deve fazer parte de um projeto de desenvolvimento sustentável para o país. Os projetos com patrocínio deixam de servir de mero marketing cultural e de responsabilidade social para a boa imagem das empresas e passam a serem entendidos como negócios. Mas precisamos tomar também os cuidados para que as empresas não tomem conta da ordem da produção cultural. Precisamos pensar mecanismos para preservar a diversidade", disse Juca, em entrevista à Carta Maior.

"Isso é fundamental para que o Ministério e as Secretarias de Cultura possam atingir seus objetivos de política cultural. A proposta, portanto, não é reduzir a cultura a números, mas utilizá-los a favor dela", pontua Ana Carla, que também participou do Mercado Cultural, lembrando que a análise dos números explicita também uma característica fundamental que é a transversalidade, ou sua presença nos diversos setores e disciplinas.

Posted by João Domingues at 4:48 PM

dezembro 7, 2006

Coletivos ganham vulto nos anos 2000, por Juliana Monachesi

Coletivos ganham vulto nos anos 2000

Matéria de Juliana Monachesi, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 6 de dezembro de 2006

Ondas de "artivismo" surgem no Brasil nos últimos anos da década de 90 e início dos anos 2000, em sintonia com os movimentos antiglobalização e as tensões culturais e políticas à flor da pele vivenciadas em Seattle (1999), Gênova (2001) e Davos (2003). O papel dessa nova geração, que prefere as ruas ao espaço institucional e que privilegia as ações da troca direta com o público em lugar de obras no museu, é recriar a politização na arte.

O coletivismo brasileiro de início dos anos 2000 tinha um ar quixotesco como nas ações do grupo Laranjas, de Porto Alegre, cujas ações consistiam em distribuir gratuitamente suco de laranja aos pedestres em ruas movimentadas da capital gaúcha, instalar longas faixas de lambe-lambe cor de laranja (sem quaisquer frases de mobilização) em túneis da cidade ou, como fizeram em uma intervenção em 2003, bater de porta em porta (todos devidamente uniformizados com macacão laranja) e oferecer aos moradores de Porto Alegre o "Minuto Laranja", vídeo de um minuto de duração em que o monitor de TV era preenchido pela cor. O grupo registrava a visita às casas daqueles que os convidavam a entrar e a reação das pessoas.

Os artistas gaúchos Cristina Ribas, Cristiano Lenhardt, Fabiana Rossarola, Jorge Menna Barreto e Patrícia Francisco, integrantes do grupo, hoje espalhados pelo Brasil, continuam atuando como coletivo em certas ocasiões, como em recente exposição na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, quando montaram um QG na galeria disponibilizada para sua exposição, que funcionou como pólo irradiador de suas intervenções nas ruas do Recife.

Peça-chave
Uma figura central na articulação dos coletivos brasileiros foi a artista Graziela Kunsch, que manteve entre 2001 e 2003 o Centro de ContraCultura de São Paulo, espaço dedicado a residências artísticas -sua própria casa, na Vila Mariana-, por onde passaram grupos como Urucum, de Macapá; Transição Listrada, de Fortaleza; EmpreZa, de Goiânia; GRUPO, de Belo Horizonte; TelephoneColorido, de Recife, além do próprio Laranjas.

Vários dos coletivos dessa época se desfizeram ou se reagruparam em novos -é da natureza desses grupos ter um tempo limitado de vida uma vez que, conforme ensina Hakim Bey em "TAZ - Zona Autônoma Temporária", uma das balizas teóricas dos coletivos, a potência transformadora, cristaliza-se, torna-se poder.

O que havia de romântico nas ações de início de 2000 ganhou tom mais explicitamente político a partir de iniciativas como a ocupação artística em dezembro de 2003 em edifício na av. Prestes Maia, ocupado pelo Movimento dos Sem-Teto do Centro.

Sintomático desta "virada" é a atuação de Graziela Kunsch em anos recentes: engajada no CMI (Centro de Mídia Independente), a artista defende o uso da bicicleta contra a poluição em São Paulo, organiza manifestações em "comemoração" do aniversário da Rede Globo e atua em jornais como "O Independente", de Florianópolis.

Posted by João Domingues at 10:56 AM

Grupo faz "artivismo" em ação em São Paulo, por Adriana Ferreira Silva

Grupo faz "artivismo" em ação em São Paulo

Matéria de Adriana Ferreira Silva, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 6 de dezembro de 2006

Experiência Imersiva Ambiental propõe questionamento da vigilância

Performance em câmeras instaladas na cidade se inspira em exemplos anteriores; projetos como esse estão na Bienal de SP

Numa cidade como São Paulo, não é novidade andar pelas ruas e assistir a cenas inusitadas, que parecem ter saído de um filme. Hoje, no entanto, alguns movimentos duvidosos podem fazer parte de um projeto artístico.

A partir das 11h, num local não-divulgado -para não estragar a surpresa-, cerca de 25 pessoas irão protagonizar performances diversas diante das câmeras que vigiam as ruas. A atuação, batizada de "Atitude Suspeita", faz parte da semana de eventos proposta pelo Experiência Imersiva Ambiental (EIA), grupo que reúne artistas de todo o país para fazer trabalhos de arte pública, que tanto podem ser uma festa como uma ação, como a desta manhã.

Essa atividade se encaixa em duas categorias que, segundo o pesquisador Ricardo Rosas, 36, criador do site Rizoma (endereço ao lado), têm proliferado no Brasil: a da "mídia tática" e a da "arte ativista", engajada ou "artivista". A exemplo de artistas, grupos e coletivos espalhados pelo mundo todo, os brasileiros têm desenvolvido trabalhos que questionam a mídia, a política e a própria arte por meio de instalações, performances, vídeos etc.

Por trás das ações que irão ocorrer hoje -que também não foram descritas, para não estragar a surpresa- estão questões como "Quais são os direitos sobre o uso da imagem?" ou "Por que devemos ser vigiados?" . "Recebemos pela internet o número de câmeras que existe em SP e o local onde se encontram. Pensamos que seria engraçado se estivessem acontecendo coisas suspeitas em frente a elas", explica Eduardo Verderame, 35, integrante do EIA.

Vigiados
Críticas tendo como ponto de partida as câmeras de vigilância estão longe de ser uma novidade. Em Nova York, o grupo Surveillance Camera Players (www.notbored.org/the-scp.html) mapeia locais onde estão esses equipamentos em cidades americanas e realiza performances.

Na 27ª Bienal de São Paulo, o paulistano Marcelo Cidade espalhou câmeras de papelão pelo prédio da mostra. "A câmera de vigilância faz parte de nosso cotidiano. Cada vez mais as imagens ali geradas podem ser também assistidas em público. Isso sugere que, na sociedade em que vivemos, o espetáculo e a vigilância se sobrepõem. Questões ligadas à privacidade, ao direito individual, ao testemunho legal se interpenetram com a arte", explica Cristina Freire, 44, co-curadora da Bienal e professora do MAC-USP.

"Acredito que não basta apenas valer-se das imagens da câmera de vigilância, mas refletir sobre seu sentido e significados mais profundos", completa Freire. No caso do EIA, Verderame diz que o grupo prefere acreditar no "poder simbólico" da "Atitude Suspeita".

"A atuação vai repercutir em outros lugares, os registros serão mostrados para outras pessoas, e o número de pessoas a tomar contato com a questão cresce, outros se envolvem", aposta Verderame.

O inusitado é que a crítica ao uso desses dispositivos pelo poder público para vigiar os paulistanos foi desenvolvida dentro de um órgão público: a Oficina Oswald de Andrade, onde o EIA realizou o curso "Vigilia", que preparou os artistas para a "Atitude Suspeita".

"Nós usamos o equipamento público para o que ele deve ser usado: em prol das pessoas, da liberdade de pensamento e expressão", fala Verderame.

Engajados
As ruas não são o único cenário dos "artivistas". Na Bienal, além de Marcelo Cidade, houve a controversa participação do coletivo dinamarquês Superflex, que ficou de fora da mostra porque pretendia reapropriar-se dos ingredientes de um refrigerante e, eliminando a marca, converter o lucro aos produtores comunitários.

Ainda na Bienal, Cristina Freire destaca a instalação da brasileira Renata Lucas e a obra da mexicana Minerva Cuevas, que, descreve a curadora, "criou a empresa virtual Mejor Vida Corporation, com estrutura similar à das grandes corporações". "Essa corporação artística opera na "www" [internet], subverte o sentido de comércio na rede e questiona dali a paisagem social em tempos de globalização", diz a curadora.

De longa data
Ricardo Rosas destaca que as ações de mídia tática e arte ativismo -veja definições ao lado- estão, "aos poucos", amadurecendo no Brasil. Um exemplo disso é o curso sobre intervenção urbana ministrado pelo artista catalão Antoni Muntadas, na USP.

Mas Rosas faz questão de lembrar que os que atuam hoje são herdeiros de grupos como o 3Nós3, formado por Mario Ramiro, Rafael França e Hudnilson Jr.. Em 1979, o trio fez a intervenção "Ensacamento", cobrindo com sacos de lixo a cabeça de esculturas e monumentos públicos de São Paulo.

"Nos anos 60 e 70, muitos artistas no Brasil e em outros países da América Latina valeram-se de estratégias e práticas que extrapolaram o restrito campo da arte em seus meios e técnicas convencionais. A situação política vivida naquele momento é importante para compreender essas proposições", avalia Freire.

Posted by João Domingues at 10:54 AM

dezembro 5, 2006

Curadores e críticos evitam pôr a mão na cumbuca, por Marcos Augusto Gonçalves

Curadores e críticos evitam pôr a mão na cumbuca

Texto de Marcos Augusto Gonçalves, originalmente publicado na Folha de São Paulo, no dia 2 de dezembro de 2006

Mal ou bem, alguma discussão sobre a Bienal vem se travando, com artigos em jornais e em sites especializados. Vai-se configurando uma opinião simpática ou elogiosa em relação a aspectos como o fim das representações nacionais, os seminários, o esforço didático e os bons artistas selecionados.

Em oposição, questiona-se o viés "politicamente correto" da mostra e a gritante presença de facilitações politizadas e trabalhos documentais que mal roçam o estatuto de arte, embora possam causar grande efeito para um público em busca de sentido -afinal, não é tão difícil assim assimilar "mensagens" bem intencionadas que questionam a desigualdade social, a opressão etc.

Sente-se, no entanto, no debate acerca da Bienal, uma ausência marcante: a de alguns dos principais curadores e críticos (ou ex-críticos e curadores?) do país.

A consolidação da curadoria como uma opção efetiva de inserção no mercado para intelectuais especializados em arte tem a vantagem, ao menos teórica, de qualificar a organização de exposições e acervos. Ganham, com isso, as instituições e o público. A contrapartida desvantajosa é que a expansão dessa categoria tem se realizado por meio do recrutamento de profissionais, em geral ligados ao meio universitário ou editorial, que se dedicavam -ou poderiam fazê-lo- à crítica de arte.

Pode-se argumentar que o exercício da atividade "curatorial" implica uma dimensão crítica: ao selecionar, correlacionar ou confrontar obras, artistas e tradições, o curador exprime uma opinião, um conceito, um ponto de vista acerca da arte -e o defende em textos publicados em catálogos.

Mas ainda que o raciocínio seja verdadeiro, a tarefa da curadoria não substitui a da crítica propriamente dita. Mais do que isso, ou pior do que isso, o que às vezes se observa neste meio é uma formidável complacência, ou então o silêncio estratégico, em relação às diversas propostas que se apresentam ao público.

O "esprit de corps" ou a ética entre colegas ou os interesses individuais presentes e futuros, de resto perfeitamente legítimos, acabam subtraindo do debate opiniões que poderiam se mostrar valiosas.

No caso da Bienal, a Ilustrada procurou, nas semanas que se seguiram à inauguração, colher avaliações de alguns críticos-curadores, com o intuito de ampliar a discussão pública e o leque de opiniões acerca deste que é, enfim, o principal evento de arte do país, com notória repercussão internacional. Sem sucesso. Nessa cumbuca poucos quiseram colocar a mão.

A omissão empobrece ou pelo menos torna a discussão mais opaca -pois, em parte, ela se realiza intramuros, nas internas, de maneira pouco transparente e sistemática.

Posted by João Domingues at 10:35 AM

Na mostra, a ética eclipsou a estética, por Juliana Monachesi

Na mostra, a ética eclipsou a estética

Matéria de Juliana Monachesi, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 2 de dezembro de 2006

Ao eleger a arte colaborativa, documental, com pretensões políticas, exposição assume risco de ser monocórdia e redundante

Contexto marcado por propostas sem transcendência acaba por prejudicar a leitura de poéticas singulares

A 27ª Bienal de São Paulo é um problema, na melhor acepção do termo. Depois de duas bienais corretas e "agradáveis", a presente mostra equipara-se à 24ª edição -em que o conceito de antropofagia cultural iluminava os processos de construção de identidade-, que gerou debate e propiciou uma releitura da historiografia da arte.

"Como Viver Junto" elege uma vertente da produção contemporânea -a de práticas colaborativas, arte engajada política e socialmente e, por decorrência, arte documental- e busca dar consistência teórica a essa produção ao apresentá-la, em massa, como uma tendência forte na cultura de hoje. Não por acaso a aposta curatorial em obras e artistas que têm como referente conflitos étnicos, religiosos e ideológicos, questões de gênero, raça e desigualdade socioeconômica coincide com uma avalanche de lançamentos editoriais sobre a realidade no Oriente Médio, na África, sobre o dessemelhante.

O assunto está no ar e a curadoria o apanhou no ato, propondo a sua discussão no âmbito da arte. O risco, como apontam certas críticas à Bienal, é um resultado monocórdio. Expor lado a lado, para tratar do esfacelamento das utopias, as impressões em papel de parede de Barbara Visser -fotografias de poltronas e cadeiras modernistas quebradas-, a videoinstalação de Lars Ramberg -que documenta a construção de um edifício onde antes se erigia a sede do governo da República Democrática Alemã- e as "Ant Chairs" de Arne Jacobsen "corrigidas" pelo coletivo Superflex é de fato redundante.

Por outro lado, enfileirar as fotos de Guy Tillim, que retratam a paisagem urbana de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, os resquícios da era colonial no país e a mobilização e ativismo durante as eleições em 2006, em frente à série de Mauro Restiffe que flagra Brasília no dia da posse de Lula, em 2003, gera confusões, podendo sugerir que ambos são fotojornalistas, o que não é fato no caso do artista brasileiro. Nestes dois exemplos, o resultado é o enfraquecimento dos trabalhos pela opção desastrada no estabelecimento de diálogos.

Mas a monotonia não está apenas na montagem da exposição, está na escolha dos curadores de privilegiar a postura ética do artista em detrimento da experiência estética que as obras poderiam gerar. Assim, vê-se o cuidado da artista palestina Ahlam Shibli ao fotografar gays e transexuais que abandonaram os países do leste para poderem viver suas opções sexuais; vê-se nos vídeos de Esra Ersen, nascida em Ancara, o interesse pelas dificuldades de imigrantes turcos para se adaptar ao idioma alemão ou pelos meninos de rua que relatam seus problemas em Istambul.

Prevalece no embate com grande parte das obras em vídeo e fotografia a impressão de que tudo foi negociado e muito respeitoso entre artista e retratado (Paula Trope, Claudia Andujar, Pieter Hugo etc.). A prerrogativa ética em detrimento da estética é ainda mais evidente nos projetos colaborativos: Tadej Pogacar & Daspu, Eloisa Cartonera, Taller Popular de Serigrafía, Long March Project. Causas nobres -defesa de minorias, de economias paralelas, do direito à manifestação política, das práticas artesanais etc.- cuja apresentação em um espaço dedicado à arte peca pela ausência de qualquer tipo de transcendência. E esse contexto acaba por prejudicar a apreensão de poéticas singulares: a instalação de Jane Alexander logo na entrada da Bienal, com cercas, arame farpado e seguranças uniformizados, é de uma literalidade no conjunto da exposição que inviabiliza o fascínio pela produção de uma artista renomada que logrou com seus "garotos carniceiros" (seres híbridos de homem e monstro) construir um emblema dos paradoxos da condição humana.

Nada contra todos os honoráveis valores em jogo na exposição (ética, respeito, inclusão etc.), mas a Bienal fica mais instigante justamente nos momentos em que real e ficcional se confundem (Ola Pehrson, Yael Bartana, Michael Snow, Shaun Gladwell, Ann Lislegaard), em que política e humor se mesclam (Minerva Cuevas, Jarbas Lopes, Antal Lakner, Sanghee Song, Loulou Cherinet) ou quando a crítica está amparada em uma formalização genial, como na obra "Costumes", de Laura Lima.

O maior problema, e aqui na acepção negativa do termo, é entender como uma Bienal que assume um tal esgarçamento de fronteiras entre as práticas culturais pode ignorar as experiências de arte colaborativa on-line e os movimentos de a(r)tivismo que eclodiram com a democratização do acesso à internet, cuja atuação é inseparável da organicidade da rede?

Posted by João Domingues at 10:33 AM

Proposta é consistente e inovadora, por Fabio Cypriano

Proposta é consistente e inovadora

Matéria de Fabio Cypriano, originalmente publicada na Folha de São Paulo, no dia 2 de dezembro de 2006

Novidades e conceitos adotados pela instituição e curadoria representam um aporte importante para o circuito de arte

Projeto assumido pela curadoria tirou da Bienal o caráter espetacular e efêmero, investindo na formação e no intercâmbio

"Como Viver Junto", a 27ª edição da Bienal, é resultado de uma série de novos conceitos na realização das bienais paulistanas: teve seu time curatorial escolhido em processo de seleção por projeto, acabou com as representações nacionais, estendeu a temporalidade da mostra com seminários, criou residências artísticas.

Tudo isso representou um significativo aporte ao circuito artístico da cidade, pois tirou da Bienal o caráter espetacular e efêmero, investindo na formação e no intercâmbio. Palestras como as dos artistas Rirkrit Tiravanija e Marjetica Potrc ou do professores em arquitetura Eyal Weyzman e Beatriz Colomina devem ser considerados pontos altos da Bienal.

Criada a partir de conceitos do artista Hélio Oiticica (1937 1980), a Bienal, tendo à frente Lisette Lagnado, é, claramente, construída a partir de um projeto consistente e ai está seu grande mérito. Como uma lente, esse projeto pode direcionar o olhar do visitante. E surge aí um dos dilemas da mostra: certos trabalhos se tornam ilustração das teses dos curadores.

Um exemplo disso está nas fotos do sul-africano Guy Tillim, realizadas no Congo, com registros da casa do ex-ditador do país e das eleições. Contudo, o caráter documental das fotos é seu próprio limite, mesmo problema que ocorre com Randa Shaath e suas fotos de coberturas de edifícios e de calçadas no Cairo. Nesses casos, é patente a ilustração do "como viver junto": no primeiro caso como conflito, no segundo como ocupação do mesmo espaço. Os curadores usam essas obras para abordar temas, como a ditadura ou o uso informal dos espaços. Por isso, as legendas tornam-se tão marcantes na mostra, explicando por demais as obras, o que, às vezes, as reduz.

Os retratos de índios numerados, de Claudia Andujar, estão nesse contexto, mas possuem uma contundência que escapa ao mero registro e apresentam complexidade superior aos trabalhos dos fotojornalistas, até mesmo na maneira como a obra está exposta.

Esse dilema, contudo, está presente nas próprias propostas de Oiticica, com o "adeus ao esteticismo", e nas discussões da arte conceitual nos anos 70 e 80. Assim, ganha extremo sentido a presença de contemporâneos históricos como Gordon Matta-Clark, Ana Mendieta e Dan Graham. Por tudo isso, tornam-se emblemáticas obras que conseguem questionar conceitos de Oiticica, como a loja de Laura Lima e a instalação de Thomas Hirschhorn. A artista propõe que visitantes vistam trajes. Mas, diferentemente dos Parangolés, para serem usados caminhando-se na mostra, eles são apenas para serem experimentados como numa loja, produto de fetiche, o que acaba sendo irônico.

Já Hirschhorn, com "Restaure Agora", apresenta uma instalação com dezenas de livros de filosofia e ferramentas, ambos símbolos da transformação -seja pela idéia, seja pela ação, em meio a fotos de pessoas esquartejadas. Livros e ferramentas estão amarrados, não servem. Em monitores, quem se movimenta é o artista, apenas com os braços, sem sair do lugar. Seu silêncio é revelador.

Os curadores da Bienal também assumiram um risco: obrigar os artistas a apresentarem novas obras. Especialmente no Brasil, onde há tão pouco incentivo à produção, essa proposta não deixa de ser valiosa, mas, ótimos artistas como Marepe, com seus guarda-chuvas, ou Jarbas Lopes, com o resultado de sua expedição à Amazônia, têm trabalhos aquém do que já realizaram.

O que os valoriza, no entanto, é a proposta de apresentar várias obras do mesmo artista, sinal de de respeito dos curadores aos artistas, valorizando sua obra e evitando sua instrumentalização. Também se percebe na mostra as dificuldades da instituição em lidar com obras que extravasam o campo artístico, caso positivo do grupo Superflex. Proibido de apresentar o "Guaraná Power", a bebida que de fato contém guaraná, ao contrário de produtos de grandes corporações, a censura foi assumida e incorporada à exposição. Já "Fogo Amigo", de Marcelo Cidade, um bloqueador de celulares, não funciona, e o pedestal com o aparelho representa a falta de apoio da instituição ao trabalho.

Acabar com as representações nacionais tornou a mostra menos suntuosa, com um tom mais intimista -e, em alguns casos, é preciso atenção redobrada para descobrir trabalhos como o vídeo "Seqüência da Tempestade", de Shwan Gladewll, uma surpreendente fusão de Caspar David Friedrich com skate e samba, os desenhos alucinantes de Simon Evans, ou a instalação misteriosa de Renata Lucas. É no silêncio, como na gestualidade de Hirschhorn, afinal, que a mostra cumpre seu programa. Seria essa a nova política?

Posted by João Domingues at 10:32 AM

dezembro 4, 2006

Carta Apoio Gilberto Gil

Carta Apoio Gilberto Gil

Prezado(a) Senhor(a),

Vimos por meio deste encaminhar documento que expressa o apoio do segmento cultural brasileiro em prol das políticas iniciadas pelo Ministro Gilberto Gil. Tal documento será entregue ao Ministro em evento no próximo dia 07 de dezembro, a partir de 19h, no mezanino do Pavilhão da Bienal de São Paulo, para o qual o convidamos neste momento.

Caso esteja de acordo com o conteúdo, favor encaminhar sua adesão para o e-mail cartagil@bienalsaopaulo.org.br para que possamos registrar sua assinatura no texto final.

Certos de contar com sua participação no evento e sua assinatura nesta carta aberta, reiteramos votos de estima e apreço.

Atenciosamente,

Manoel Francisco Pires da Costa
Presidente da Fundação Bienal de São Paulo

Carta Aberta pela Cultura Brasileira

Nós - artistas, produtores, instituições - reunidos neste dia na Fundação Bienal de São Paulo, gostaríamos de manifestar o nosso apoio à continuidade das linhas diretivas dadas nos últimos quatro anos pelo Ministério da Cultura.

Trata-se de uma política exemplar introduzida pelo Ministro Gilberto Gil de interlocução com o setor cultural, que pode ser ampliada neste próximo mandato, possibilitando grandes conquistas.

Ressaltamos abaixo alguns pontos que consideramos centrais na política desta gestão e porque a consideramos valiosa para a cultura brasileira:

- Implantação do programa "Arte Democracia", que prevê a ampliação do acesso aos eventos culturais para toda população;

- Promoção dos programas setoriais de exportação de produtos culturais brasileiros;

- Consolidação de um Plano Nacional de Cultura capaz de ampliar, potencializar e institucionalizar a atual política deste governo;

- Fortalecimento das políticas internacionais, visando à proteção e à promoção da diversidade cultural brasileira, avançando nas políticas de comércio internacional e promoção da produção cultural brasileira no exterior; Continuidade dos programas de promoção, tal como o "Ano do Brasil na França" e "Copa da Cultura na Alemanha";

São apenas alguns aspectos que fazem com que a política do Ministro Gilberto Gil mereça prosseguimento. Por esse motivo, manifestamos, pelo presente, nosso desejo de que esta política possa permanecer à frente do Ministério da Cultura para dar continuidade ao exímio esforço desenvolvido, avançando nos projetos iniciados e colhendo os frutos que certamente virão.

Posted by João Domingues at 10:59 AM