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Como atiçar a brasa

 


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abril 29, 2015

Representante do Brasil na 56.ª Bienal de Veneza, Berna Reale leva obras para as ruas por Camila Molina, Estado de S. Paulo

Representante do Brasil na 56.ª Bienal de Veneza, Berna Reale leva obras para as ruas

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 28 de abril de 2015.

Artista exibe vídeos ao ar livre durante a exposição

Desde que foi convidada a ser uma das representantes do Brasil na 56.ª Bienal de Veneza, a ser inaugurada em 9 de maio, a artista Berna Reale não se contentou com a escolha de apenas um de seus vídeos, Americano (2013), para o evento. “Para você ver como sou prepotente, até tentei convencer o Camillo (o curador Luiz Camillo Osorio) a mudar o projeto do Pavilhão”, brinca a paraense referindo-se ao título da exposição que o País vai apresentar em seu espaço nos Giardini - É Tanta Coisa que Não Cabe Aqui. Com “jeitinho brasileiro”, Berna “se virou nos 30”, como conta, para, afinal, fazer seus trabalhos ganharem também outros muros da cidade italiana.

Nos dias 7, 8 e 9, a partir das 21 horas, as casas dos moradores do Giardino di Vito Bon, no bairro de Cannaregio, vão se tornar telas para a projeção de contundentes vídeos de Berna Reale, como Ordinário (2013), registro de uma performance na qual a artista - e perita criminal - transporta um carrinho de mão carregado de crânios e fragmentos de esqueletos por ruas de terra de Belém, onde vive e trabalha.

Ou ainda, os venezianos do distrito terão a oportunidade de conhecer o “debochado” Imunidade (2014), obra que documenta a paraense como uma gondoleira vestida de verde e amarelo a navegar por canais de esgoto em uma canoa cheia de pequenos ratos brancos - numa referência direta aos políticos brasileiros, ela diz.

“Pensei que poderia fazer um projeto independente que fosse para lugares distantes da cidade, onde os venezianos mais antigos, que não frequentam a Bienal, realmente moram”, explica Berna Reale sobre Eccoci! - Estamos Aqui!, maneira que encontrou de expandir sua participação no maior e mais tradicional evento de arte do mundo.

“A casa do Vito, de onde projetarei os vídeos, fica na frente de uma grande praça com prédios pequenos e aquelas roupas penduradas”, comenta. “Vou inserir minhas imagens na cidade e as pessoas vão poder assistir de suas próprias janelas”, continua a artista, que foi selecionada pelos curadores Luiz Camillo Osorio e Cauê Alves para representar o País no Pavilhão Brasil da 56.ª Biennale ao lado de Antonio Manuel, que exibirá o filme Semi-Ótica (1975), as instalações Nave (2013) e Ocupações/Descobrimentos (1998) e Até que a Imagem Desapareça (2013), e de André Komatsu, presente com os trabalhos Status Quo (2015) e O Estado das Coisas 2 - Três Poderes (2011).

Primeiramente, a ideia era tornar Eccoci! parte da exposição É Tanta Coisa que Não Cabe Aqui (produzida no evento italiano pela Fundação Bienal de São Paulo), mas, por falta de tempo e por questões burocráticas, o projeto teve de ser desvinculado da mostra oficial.

Como conta a criadora, os curadores do pavilhão brasileiro desta edição não se opuseram à realização de suas projeções ao ar livre - e Cauê Alves até mesmo a colocou em contato com uma produtora veneziana para ajudá-la. Berna, entretanto, teve de ir atrás de recursos por conta própria - conseguiu fechar um patrocínio de R$ 180 mil por meio do Governo do Estado do Pará, de suas galerias Nara Roesler (São Paulo) e Frameless Gallery (Londres), e instituições.

Igreja. Eccoci!, com curadoria da brasileira Caroline Carrion e do alemão Rudolf Schmitz, contará também com uma segunda rodada de apresentações de trabalhos sobre questões políticas e sociais da paraense - como Cantando na Chuva (2014), Palomo (2012), Soledade (2013) e Rosa Púrpura (2014)- nos dias 19, 20 e 22 de novembro, das 18 h às 19 h, na Scuola Grande San Giovanni Evangelista, no bairro de San Polo. Da antiga fundação, do ano 1261, as obras da brasileira serão projetadas para a parede de uma igreja desativada.

“As coisas em Veneza são bem complicadas e caras. Para você ter ideia, uma permissão para projetar na rua é de 20 mil por dia”, afirma Berna Reale. “A prefeitura está sabendo do projeto e pagamos o selo para colar os cartazes na cidade, mas, como vamos projetar os vídeos de propriedades privadas, vamos pagar, na verdade, os donos das casa”, conta.

“Nos informamos que, por mais que as pessoas da rua vejam, a prefeitura não pode proibir a realização. Foi o jeitinho brasileiro que a gente achou. Passamos mais de um mês e meio batalhando por encontrar esses lugares.”

Evidência. Com Eccoci!, os venezianos - e mesmo o público que estará na cidade para a inauguração da 56.ª Bienal italiana - poderão ver uma seleção de criações de uma das artistas brasileiras de maior evidência no cenário atual, como também uma cópia de Americano, o trabalho gravado em complexo penitenciário em Santa Izabel do Pará que a paraense apresentará no Pavilhão Brasil nos Giardini.

“Nunca havia sonhado em estar em Veneza, não tinha a dimensão”, considera. “E como sou elétrica e não me contento, perguntei para o Camillo se poderia exibir uma nova edição de Americano na mostra. Estou editando para ver se ele e o Cauê aprovam.” Berna não para.

Prêmio e obras inéditas para o Panorama do MAM

A artista Berna Reale, que venceu, na sexta-feira, o Prêmio Marcantonio Vilaça, vive um momento tão prolífico de sua carreira que teve de tirar licença de seis meses da perícia criminal. “Já estou com saudade da minha viatura”, diz a paraense, também funcionária do Centro de Perícias Científicas do Estado do Pará.

Além da representação oficial no Pavilhão Brasil da 56ª Bienal de Veneza e da realização de Eccoci! na cidade italiana, ela ainda terá participações importantes, este ano, em edição especial do Rumos, do Itaú Cultural - dedicada aos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) - e no Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em outubro.

Para o Rumos, cuja exposição será aberta em 27 de agosto, Berna está realizando performances em cada um dos países destacados pelo projeto. “Na Rússia, fiz uma ação em um rio congelado. É curta, mas, politicamente forte porque fala sobre o Putin”, diz a artista, que vai ainda viajar para a China - “onde tudo é proibido” - e para a Índia para finalizar suas obras.

Já para o Panorama do MAM, com curadoria de Aracy Amaral e Paulo Miyada, ela criará dois trabalhos inéditos - um deles, a relacionar capas de paletós e de cadáveres, e outro, a partir da realização de uma boate popular com luzes de sirenes.

Outros brasileiros presentes na edição

De certa maneira, é escassa, em termos de números, a participação do Brasil na 56.ª Bienal de Veneza, que será apresentada para o público entre 9 de maio e 22 de novembro na Itália. Sob o título All the World’s Futures, a edição, com inauguração para convidados no dia 6, tem curadoria do nigeriano Okwui Enwezor. O poeta, crítico e curador, que foi diretor da Documenta 11 de Kassel (1998-2002) e acaba de conceder o Leão de Ouro da edição para o africano El Anatsui, nascido em Gana, selecionou apenas a artista mineira Sônia Gomes para a mostra principal da Biennale. Entretanto, criações de outros brasileiros também poderão ser vistas no evento, o mais tradicional do calendário das artes visuais, ou em mostras paralelas.

Além da exposição É Tanta Coisa que Não Cabe Aqui, que marca a representação oficial do País no Pavilhão Brasil dos Giardini com obras selecionadas de Antonio Manuel, André Komatsu e Berna Reale, um dos destaques da programação de Veneza será a individual do escultor sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio (1947), a partir do dia 8 na Abadia de São Gregório (Calle Due Mori, 30123). Sua exposição, com curadoria de Stefano Rabolli Pansera, responsável pelo Pavilhão de Angola na Bienal italiana, contará com 104 esculturas (em grandes e pequenos formatos) do brasileiro.

Véio, que participou da mostra comemorativa dos 30 anos da Fundação Cartier de Paris, vai exibir suas peças criadas com pedaços e galhos de madeira e nas quais ele faz intervenções pictóricas. “Na obra de Cícero, as consequências nefastas da dominação sobre a natureza se fazem notar na própria escala dos objetos: quanto maior a intervenção humana, menor a força e potência dos seres que resultam dela; ainda que esse aspecto acentue sua grandeza estética”, já afirmou o crítico Rodrigo Naves sobre o artista, representado pela Galeria Estação.

Já a carioca Rosana Palazyan vai integrar a exposição Artistas Contemporâneos da Diáspora Armênia, que representará o pavilhão armeno na 56.ª Bienal de Veneza. Com curadoria de Adelina Cüberyan Von Fürstenberg, a coletiva marcará simbolicamente o centenário do Genocídio Armênio.

“Brasileira de ascendência armênia de ambos os lados, tendo iniciado minha carreira no final dos anos 80 e cercada por episódios de violência, traumas sociais, econômicos e políticos em meu país, não me sentia a vontade para tratar do tema ‘Armênia’. Minha urgência era aproximar as pessoas adormecidas pela banalização do cotidiano a estas questões”, afirma a artista, que vai exibir a videoinstalação ... Uma história que nunca mais esqueci..., criada a partir de sua participação na 4.ª Bienal de Thessaloniki de 2013.

Posted by Patricia Canetti at 10:42 PM

abril 25, 2015

Vencedores do prêmio Marcantonio Vilaça são anunciados em São Paulo por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Vencedores do prêmio Marcantonio Vilaça são anunciados em São Paulo

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 24 de abril de 2015.

Os artistas Virginia de Medeiros, Berna Reale, Nicolás Robbio, Gê Orthof e o coletivo Grupo Empreza foram anunciados em cerimônia nesta sexta no Museu de Arte Contemporânea da USP os cinco vencedores do prêmio Marcantonio Vilaça, o mais tradicional da área de artes plásticas do país.

Reformulada, esta edição do prêmio nomeou 30 finalistas para depois eleger os vencedores. Entre os nomes escolhidos, Medeiros, que esteve na última Bienal de São Paulo, e Reale, que representará o Brasil na próxima Bienal de Veneza, são os mais consagrados, embora ainda considerados nomes emergentes no circuito.

Nicolás Robbio, argentino radicado em São Paulo, também tem um histórico extenso de exposições no país, conhecido por seu trabalho que dialoga com a arquitetura e a herança construtivista no vocabulário das artes visuais na América Latina.

Já os outros representam apostas do júri, sendo que o Grupo Empreza, que já tem longa trajetória em performances, agora está emcl cartaz com suas ações na mostra de Marina Abramovic no Sesc Pompeia.

Cada artista vencedor receberá R$ 40 mil e uma residência artística. Dois curadores, Divino Sobral e Raphael Fonseca, este último um dos nomes à frente da próxima Bienal do Mercosul, também foram eleitos na categoria de curadoria e receberão R$ 20 mil cada.

Posted by Patricia Canetti at 1:18 PM

abril 17, 2015

SP-Arte tem boas vendas e supera expectativas por Camila Molina, Estado de S. Paulo

SP-Arte tem boas vendas e supera expectativas

Matéria de Camila Molina originalmente publicada no jornal Estado de S. Paulo em 14 de abril de 2015.

Feira Internacional de Arte de São Paulo, encerrada no domingo, atraiu 23 mil pessoas ao Pavilhão da Bienal

Apesar do clima de incerteza econômica, galeristas afirmaram que as vendas na SP-Arte 2015 – Feira Internacional de Arte de São Paulo, encerrada no domingo, dia 12, no Pavilhão da Bienal, superaram as expectativas. “O mercado de arte é muito específico e não é termômetro para o que acontece no País”, diz Marília Razuk, representante do escultor Amilcar de Castro (1920-2002), grande destaque de seu estande.

A galerista considera, sem mencionar valores, que a feira de 2015 tenha alcançado movimentação parecida com a edição anterior. “Pode ter sido um pouco menor, mas não podemos nos queixar”, define Marília, completando que os colecionares – em sua maioria, “mais abastados e já iniciados” – não estavam inseguros para comprar. A paulistana Luisa Strina, que vendeu diversas obras de Anna Maria Maiolino, também avaliou que foi constante o ritmo de negociações no espaço de sua galeria.

Entretanto, a representante da Galeria Van de Weghe de Nova York no Brasil, Luciana Junqueira, teve uma percepção diferente. “Tivemos uma movimentação de vendas bem menor que o ano passado, cerca de metade”, diz Luciana. O estande da nova-iorquina tinha I Love You But I Don’t Like You, um grande trabalho circular vermelho de 2,13 metros de diâmetro do astro britânico Damien Hirst, como sua obra mais procurada. “Não foi vendida”, afirma a representante da Van de Weghe sobre a peça, avaliada em US$ 950 mil (aproximadamente, R$ 2,968 milhões). “Viemos para a feira bem receosos, mas conseguimos fazer vendas e contatos que pagaram nossa participação”, explica Luciana, destacando, de fato, a venda de um desenho de Lucio Fontana de 1965.

Para se ter uma ideia, a SP-Arte movimentou cerca de R$ 250 milhões no ano passado, calcularam seus organizadores. Segundo a diretora da feira, Fernanda Feitosa, ainda não é possível prever os valores de vendas ocorridas em 2015 – o cálculo é feito a partir do montante de isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) estipulada por decreto da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo para os cinco dias do evento (em 2014, foram R$ 100 milhões).

De dado concreto, entretanto, Fernanda Feitosa comemora o aumento de 5% de visitação do público em relação ao ano passado, chegando à marca de 23 mil pessoas. “Tivemos também 30% de visitantes a mais no primeiro dia da SP-Arte”, conta. Para a advogada, que promove a feira desde 2005, mais estrangeiros passaram pelo evento desta vez – dentre eles, 70 colecionadores de fora.

Para a diretora da feira, que teve a participação de 140 galerias (delas, 57 estrangeiras), a faixa de preço das obras expostas não tem aumentado. Fernanda discorda que o evento tenha recebido, cada vez mais, peças milionárias, mas era possível, por exemplo, encontrar uma pintura de Alfredo Volpi avaliada em R$ 5 milhões.

Posted by Patricia Canetti at 4:35 PM

SP-Arte Sales Show Buoyant Art Market Despite Brazil’s Economic Slump by Silas Martí, Artsy

SP-Arte Sales Show Buoyant Art Market Despite Brazil’s Economic Slump

Editorial de Silas Martí originalmente publicado no Artsy em 10 de abril de 2015.

“The fact we’re here means there’s smoke, and now we’re trying to find the fire raging,” says Mera Rubell, sitting next to her husband, Donald Rubell, in one of the lounges at SP-Arte. But the couple of übercollectors from Miami may have had a hard time trying to spot that flame this time around. The months leading up to the event’s opening have seen the biggest collapse in the Brazilian economy since the 1990s, with the local currency losing a third of its value against the dollar and a recession drawing near.

In the days leading up to the fair, gallerists were uneasy. Even at parties surrounding the event, the atmosphere seemed somewhat charged, and some dealers were just short of heralding a market apocalypse before setting foot in Oscar Niemeyer’s Bienal pavilion, SP-Arte’s home in the heart of São Paulo’s Ibirapuera Park. Soon, however, the dark clouds began to dissipate—though not to reveal clear skies just yet. There is doubt on the horizon, and sales were slower in the first days of the fair in comparison to previous years. But it’s also not all that bad, thus confirming a truism in the art world: gallerists are known for complaining just as much as they are for embellishing a sales figure or two amidst the fair bustle.

Take it with a grain of salt, but dealers like Ricardo Trevisan, of São Paulo’s Casa Triângulo, and local gallerists Nara Roesler and André Millan reported above-average sales during the first hours of the fair. Berlin’s neugerriemschneider sold a piece by Renata Lucas and was in the final stages of negotiating the sale of a major Ai Weiwei installation, while London’s Blain | Southern had sold two editions of Bill Viola’s videos, and Lisson closed on a large Daniel Buren installation, a big hit at this year’s fair.

Official figures from local tax authorities, however, give a slightly different tally from these dealers’ narratives, stating that in total, just short of $400,000 in imported works were sold during the first day of the fair, in addition to just over $1 million in pieces sourced from within Brazil. The official figures do not account for all sales. While the Brazilian government offers temporary reprieve from the country’s notoriously high taxes on art imports during SP-Arte, not every gallery or work qualifies for the tax breaks. However, on a marginal basis, the figures remain a reliable way of measuring levels of activity against previous years.

“Two decades ago, São Paulo was a different city,” says Donald Rubell. “Now there seems to be more pride in it. Brazil made a quantum jump over the last years. The economy is lousy, but people still believe in their city.” Such is the case with the art market as well. But dealers are not overly concerned. “It has been harder to sell. But millionaires are still millionaires and spend money. It’s more a spiritual crisis than an economic one,” says Lucas Cimino, a director at São Paulo’s Zipper Galeria, whose stand had a huge photograph by Adriana Duque, the Colombian artist now famous for accusing Dolce & Gabbana of plagiarizing the headphones covered in pearls she makes for her portraits.

While the works at the fair are of exceptionally high quality—some galleries, like New York’s David Zwirner, put forth their best stands to date in São Paulo—the selection of pieces in many booths errs on the safer side. Wow factor is in short supply outside of the fair’s curated section on the third floor, which features some large-scale works. There, pieces by artists like Daniel Buren, Julio Le Parc, Fernando Ortega, Mona Hatoum, André Komatsu, and Neïl Beloufa, which have been commissioned by their galleries, occupy the usually-empty part of the pavilion, away from the crowds and from most of the action at the fair. Their installations seem a bit dislocated from the rest, but it’s a chance to see works without imagining a price tag—even though they are all for sale—next to them. Ortega’s delicate installations, one of them featuring a sheet of glass balanced on the tip of a bullet, are the standout in this section, presenting a sharp contrast to the rest of the pieces, all gigantic in size.

Many of the fair’s most interesting surprises are to be found in the very small stands close to the exit of the show. Jaqueline Martins, an emerging gallery from São Paulo, has been stepping up its game by rescuing now-marginal artists from the 1970s and ’80s, especially those working with video and performance. Martins’s show features nearly all women and centers around pioneering Brazilian video artist Letícia Parente. Also included are works by Lais Myrrha, one of the strongest artists in the local scene, known for her sharp reflection on the failure of the country’s modernist utopias. New York’s Broadway 1602 hosts a solo show of Rosemarie Castoro’s works, a minimalist who had pieces on view in Rio last year as part of the critically acclaimed “artevida” show. It’s a sign that everything minimal is as in as ever in Brazil.

The biggest stands, like those of Gagosian, David Zwirner, and Luisa Strina, all seem to have reduced the scale of the pieces on display, despite their expansive fair territory. The best works at David Zwirner are small, all-white wall sculptures by Jan Schoonhoven, a name recently being discovered in Brazil after a big Zero Group retrospective that toured the country with a stop at São Paulo’s Pinacoteca. Luisa Strina, who defies Brazilian taste by not showing “anything colourful or shiny,” in her words, also has a selection of very small and delicate works by neo-minimalist Fernanda Gomes, and Gagosian has a rather small “Achrome” by Piero Manzoni.

Waiting for a glass of champagne at one of the lounges, I overheard a curator saying that, indeed, it seemed like Brazil was ready for small-scale works. Someone else shot back that, no, collectors here are just ready to spend less money. This is definitely true. While previous editions of the fair had works high above the $10 million mark, this year’s most expensive work was a 1968 Picasso painting, going for a modest $5 million. Some works by Lygia Clark and Lucio Fontana topped out at $2.8 million, what seemed like a fair ask considering the rarity and sheer beauty of these pieces.

It was also a near consensus that other market giants like White Cube and Marian Goodman decided to bring a sophisticated selection of pieces, not just second-rate works or pieces that failed to sell elsewhere, as is usually the complaint amongst collectors here. According to one prominent São Paulo dealer, this reflects the fact that while the American market may have recovered, the rest of the world is still catching up, and the fact that good pieces by de Kooning, Basquiat, and Manzoni (just to name the ones at Gagosian) are available here has to do with how difficult they are to place in other markets at this point in time.

Posted by Patricia Canetti at 4:23 PM

Venda de obras para o exterior cai pela primeira vez na SP-Arte, TV Folha

Venda de obras para o exterior cai pela primeira vez na SP-Arte

Acesse o vídeo na TV Folha

Dias depois da feira SP-Arte, encerrada no domingo, o "TV Folha" conversou com os galeristas Socorro de Andrade Lima, da Millan, e Fabio Cimino, da Zipper, para fazer um balanço das vendas na feira. Enquanto galerias do Brasil dizem ter ido bem de vendas apesar da crise econômica, o movimento para casas estrangeiras foi mais devagar.

Dados oficiais da Secretaria da Fazenda mostram que o volume de negócios no evento caiu cerca de 11%, apontando a primeira retração num mercado que vem em curva ascendente ao longo dos últimos anos.

Em entrevista à "TV Folha", Andrade Lima e Cimino também comentaram o uso de Lei Rouanet para financiara uma feira que consideram cara e as políticas de isenção fiscal para fomentar o mercado, uma necessidade no meio para garantir que as vendas continuem mesmo em época de crise.

Posted by Patricia Canetti at 4:19 PM

Vendas com isenção fiscal caem 11% na feira SP-Arte por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Vendas com isenção fiscal caem 11% na feira SP-Arte

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 16 de abril de 2015.

Vendas com isenção do ICMS na última feira SP-Arte, encerrada no domingo, caíram 11% em relação ao ano passado –neste ano, 500 obras nessas condições foram vendidas por R$ 139 milhões, enquanto o balanço do ano anterior foi de R$ 155 milhões.

Esses dados da Secretaria da Fazenda paulista obtidos pela Folha mostram uma retração no mercado, mas não dão o quadro total de vendas na feira, já que nem todas as transações são declaradas.

Usando o método da SP-Arte para calcular o faturamento total do evento, baseado no fato de que vendas com a isenção correspondem em geral a 60% do total, é possível estimar que negócios totalizaram R$ 222 milhões neste ano contra R$ 250 milhões em 2014.

Desde 2012, o governo paulista dá isenção do ICMS a vendas realizadas na feira para incentivar a vinda de galerias estrangeiras ao evento e fomentar o mercado de arte no Brasil, país que pratica um dos mais altos impostos sobre obras de arte no mundo, chegando a quase dobrar o preço de alguns trabalhos.

Num momento de crise econômica no país e com a disparada do dólar, um resultado mais fraco já era esperado para este ano. A retração apontada pelo balanço da Fazenda indica uma primeira queda no faturamento da feira, que vinha em curva ascendente nos últimos anos, aumentando em 58% o volume de negócios de 2012 para 2013.

Segundo a Secretaria da Fazenda, 330 das 500 obras vendidas com isenção do ICMS na feira eram nacionais e 170 eram importadas. Peças estrangeiras foram vendidas por R$ 430 mil em média, enquanto as brasileiras custaram em média R$ 200 mil.

Juntas, as vendas geraram R$ 17 milhões em arrecadação de impostos federais. Esse valor é o maior argumento da diretora da feira, Fernanda Feitosa, para que o evento continue usando recursos obtidos via Lei Rouanet. Neste ano, a feira pediu R$ 5,7 milhões em verbas incentivadas e já chegou a captar R$ 1,5 milhão.

Posted by Patricia Canetti at 4:14 PM

abril 13, 2015

Rodrigo Braga apresenta sua primeira exposição individual na Casa França-Brasil por Daniela Labra, O Globo

Rodrigo Braga apresenta sua primeira exposição individual na Casa França-Brasil

Crítica de Daniela Labra originalmente publicada no segundo Caderno do jornal O Globo em 13 de abril de 2015.

Usando referências históricas, a mostra ‘Tombo’ instiga reflexão sobre progresso e patrimônio

Rodrigo Braga - Tombo, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, RJ - 02/04/2015 a 24/05/2015

RIO - A Casa França-Brasil apresenta “Tombo”, primeira exposição individual na cidade de Rodrigo Braga, artista nascido no Pará, criado em Pernambuco e residente no Rio há quatro anos. Destaque de uma geração que surgiu na cena de arte contemporânea há cerca de uma década, Braga chamou a atenção em 2004 com a série “Fantasia de compensação”, a qual consistia na sequência de imagens de seu rosto recebendo, em uma sala de cirurgia, implantes de seções da face de um cão rottweiler. De aspecto realista, as fotografias exploravam o potencial de ficção da imagem digital manipulada e permitiam ao artista simbolicamente dotar-se da ferocidade e da força do animal.

Tendo como assunto o enfrentamento do homem com a sua própria animalidade, a natureza e a cultura, Rodrigo Braga, desde então, exibe projetos que evocam com frequência imagens fantásticas e viscerais, resultantes de vivências em situações-limite que ele mesmo forja. No seu trabalho, a morte e o inescapável retorno do corpo orgânico à terra é recorrente, enquanto um ar solene parece conter a tragédia e dar um aspecto dramático a suas fotografias e seus vídeos.

Em “Tombo”, Braga mostra suas questões desdobradas de modo maduro, mantendo o tom solene mas aliviando a carga visceral. A individual, muito bem construída com a curadora Thaís Rivitti, dispensa elementos demais e incorpora objetos de distintas naturezas para criar uma narrativa menos ficcional do que parece. Troncos de palmeiras no chão, fotografias de arquivo, pranchas de botânica, croquis de arquitetura e uma videoinstalação: “Tombo” pode ser lida como um romance ancorado em fatos reais, que gira em torno do simbolismo evocado pela palmeira imperial no Brasil e, em especial, no Rio de Janeiro. Aqui foi plantada, por D. João VI, no Jardim Botânico, a primeira semente da árvore, trazida das Ilhas Maurício. O momento marcava a modernização da nação e a criação das primeiras instituições como a Biblioteca Nacional e a Praça do Comércio, hoje a Casa França-Brasil.

Referências ao soterramento da História

O visitante é recebido na entrada por mais de 15 toras de palmeiras centenárias que jazem no chão, como vestígios de um tempo antigo e testemunhas das transformações da cidade. Compreendidos como ruínas, os troncos têm uma cumplicidade temporal com as 24 colunas do edifício de 1820, projetado por Grandjean de Montigny. De certo modo “Tombo” traz o tom distanciado e o tempo estancado dos museus históricos, quebrado, porém, pelo vídeo com imagens de corte de palmeiras sem vida, no Rio. A sonorização do trabalho vale uns minutos de escuta atenta.

“Tombo”, que significa queda e também tombamento, proteção de patrimônio, leva a uma reflexão do constante movimento de construir e demolir a memória das cidades, que existe aqui. Não por acaso há referências ao prédio da Imperial Academia de Belas Artes, projetado por Montigny em 1826 e demolido em 1937 para dar lugar a um terreno hoje usado como estacionamento. Embora Rodrigo Braga não toque só nesse assunto, a mostra ilustra, melancólica, o soterramento da História pelo anseio de se construir uma nova História, aquela prescrita no futuro moderno, numa utopia de progresso hoje estagnada no presente. Ao buscar o novo, deixa-se tombar, cair o velho. Mas será inevitável demolir o passado para se investir no novo? Perguntemos às palmeiras.

Posted by Patricia Canetti at 1:45 PM

É o mercado, estúpido. Ou é amor? por Silas Martí, Blog da Folha

É o mercado, estúpido. Ou é amor?

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Blog Plástico do jornal Folha de S. Paulo em 9 de abril de 2015.

Meu texto sobre a SP-Arte publicado nesta quarta na “Ilustrada” causou reações mistas no mundo da arte. Ouvi elogios e também muitos ataques à reportagem que mostrava como a feira, que gera quase R$ 300 milhões em negócios, pediu recursos do governo para financiar suas operações, como faz quase toda iniciativa cultural no país. Há quem defenda mesmo que um evento comercial desse porte tenha recursos incentivados. Muitos também apontaram que a prática de trazer a uma feira obras já vendidas, que divide galeristas brasileiros, é supercomum em todas as feiras do mundo. Ou seja, quando é dada a largada, todas as cartas podem já estar marcadas.

Minha opinião é que uma feira que cobra R$ 40 o ingresso não deve mesmo se beneficiar desse tipo de incentivo. Mas sou a favor que as obras de arte no país tenham tributação menor, o que só ajudaria a trazer trabalhos de peso para os museus e coleções do país, às vezes muito capengas. Só não acho que o mecanismo encontrado para isso até aqui, a simples isenção do ICMS para as vendas só durante a feira, seja o melhor meio de reduzir nossa distância dos grandes centros da arte. Uma revisão geral das alíquotas é necessária se o Brasil quiser, de fato, continuar crescendo nessa esfera. Também acredito que é isso que pode pôr fim à sonegação de impostos, ao contrabando de obras e ao uso do mercado de arte como meio de lavagem de dinheiro –tornar nossa tributação equiparável ao dos países com mercados de arte mais saudáveis ajudaria a tirar a suspeita que paira sobre muitas operações nesse meio e tornaria tudo mais transparente.

É inquestionável a importância de uma feira como a SP-Arte para o circuito artístico do país. Ela gera o lucro que muitos galeristas depois podem investir nos seus artistas, mas não é uma exposição nem uma plataforma de formação de gosto. Serve para turbinar o mercado. Quando argumentei que uma Bienal de São Paulo não é a mesma coisa que a feira, um evento de mercado, ouvi de uma importante galerista que a Bienal só existe por causa do mercado. Tudo é mercado, de Veneza a São Paulo. Não sou ingênuo a ponto de achar que não. Mas que bom que haja incentivo e patrocínios robustos para manter de pé as mostras institucionais que, sim, formam público e gostos no país.

Lá pelas tantas, com as luzes do pavilhão já apagando ontem à noite, tive uma conversa com duas pessoas de uma importante galeria da cidade. Não vou identificar os personagens, mas eles sabem quem são e que estou aberto a fazer uma entrevista detalhada e às claras sobre isso quando quiserem. O que me incomodou foi um comentário. Fui acusado de não gostar de arte porque quando publico uma reportagem apontando o “lado negro” desse sistema estou ajudando a sepultar as artes visuais no país. Me perguntaram por que escrever essas coisas se eu amo a arte. “Você não ama a arte?”

Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça. Faz quase dez anos que toda a minha vida profissional gira em torno das artes visuais. Foi estranho tentar responder essa questão. É claro que eu amo arte, ou não estaria trabalhando 12 horas por dia desde que saí da universidade para tratar desse assunto, ver exposições, conversar com artistas e escrever reportagens, críticas e ensaios. Aliás, voltei à universidade para continuar estudando esse assunto e pretendo estudar até o fim da vida, porque arte é sim uma paixão.

Mas é um raciocínio meio torpe pensar que pelo amor à arte tenhamos que fazer vista grossa às “falcatruas” ou ao “lado negro” desse meio. É em defesa da arte que todos devemos lutar por um sistema mais transparente, menos ilusório e menos injusto, muitas vezes com quem está na base de tudo, que são os artistas. Não haveria mercado nem crítica sem eles e muitas vezes são eles quem menos ganham nessas operações de mercado gigantescas. Acontece que ali, naquele cenário de fim de festa, ouvir isso me entristeceu. O que significa, em última instância, amor à arte?

Isso me fez lembrar uma história que Adriano Pedrosa conta sobre Leonilson. Quando o artista expôs e vendeu o bordado “Voilà Mon Coeur”, na galeria Luisa Strina, em 1989, o crítico perguntou como era possível que ele vendesse seu coração daquele jeito –“voilà mon coeur” é francês para “aqui está meu coração”. Leonilson ficou contrariado. Se sua obra é mesmo uma extensão de seu corpo, como gostava de falar, não podia de fato deixar que ela se tornasse objeto de uma transação comercial. A venda foi anulada, e Leonilson despachou o trabalho pelo correio para o crítico.

Não espero esse gesto de ninguém, embora ame algumas obras da mesma forma que amo a figura de muitos artistas. Estar em contato com uma obra de arte às vezes causa mesmo esse enlevo, esse sentimento inexplicável, talvez uma ascese meio divina. Quando me diziam ali que eu não amo arte, senti como se estivesse sendo excomungado de uma igreja. Já escrevi que muitas vezes vejo a arte substituindo o papel da religião na vida contemporânea. Acreditamos nela por não acreditar em mais nada. Há coisas que colocamos num pedestal pela simples presença ou beleza de suas formas e aquilo, de alguma forma, é reconfortante como uma missa ou meditação.

Mas o perigo de toda religião é despertar o fundamentalismo. Até que ponto o mercado de arte, crucial para a existência da arte, não pode também cegar seus agentes? E entre esses agentes estou me incluindo, já que todos, do crítico ao artista, fazemos parte desse sistema. Amor à arte pode equivaler mesmo a fechar os olhos para os males necessários desse mundinho? Ou devemos amar a arte na solidão do museu ou no desespero das horas de tristeza sem pensar nas condições ao redor da arte que tanto amamos?

Posted by Patricia Canetti at 1:40 PM

abril 8, 2015

Estrangeiros usam SP-Arte para fugir de impostos brasileiros por Fabio Cypriano, Folha de S. Paulo

Estrangeiros usam SP-Arte para fugir de impostos brasileiros

Crítica de Fabio Cypriano originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 8 de abril de 2015.

Na feira holandesa Tefaf (The Europen Fine Arts Foundation), organizada em Maastricht, no mês passado, perguntei a um galerista inglês o preço de uma obra de um artista brasileiro, exibido em seu estande. Como não me apresentei como jornalista, já que tinha só uma dúvida banal sobre o valor de um brasileiro no exterior, vou contar a história sem identificar personagens.

O simpático galerista disse que a fotografia custava 80 mil euros (cerca de R$ 270 mil). Eu me preparava para sair do estande quando ele emendou que não era preciso se preocupar com a importação. Ele tinha como enviar o trabalho para um estande na SP-Arte, que me entregaria o trabalho sem a necessidade de pagar os impostos brasileiros.

Surpreso, de fato, não fiquei, pois já tinha ouvido que isso era comum, inclusive que muitos estandes da feira paulistana possuíam dois espaços: um com obras já vendidas no exterior e escondido do grande público, e outro com obras de fato à venda.

Perguntei se o galerista fazia isso há muito tempo, aí até me sentindo um tanto culpado, pois certamente ele devia me achar um colecionador, mas não resisti. Ele respondeu que, mesmo sem ter estande tanto na SP-Arte quanto na ArtRio, há pelo menos dois anos enviava obras por amigos seus com estandes. Avisou ainda que poderia me dar um desconto. Eu agradeci, pensando em como o jeitinho brasileiro se expandiu para todo lugar.

Posted by Patricia Canetti at 11:53 PM

Em ano de crise, feira SP-Arte tem quase R$ 6 milhões via Lei Rouanet por Silas Martí, Folha de S. Paulo

Em ano de crise, feira SP-Arte tem quase R$ 6 milhões via Lei Rouanet

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo em 8 de abril de 2015.

Um tanto nervosos, galeristas faziam fila para subir ao topo do hotel Maksoud Plaza, a uma quadra da avenida Paulista, para uma das festas de abertura da SP-Arte, que começa agora no Ibirapuera. Pareciam saber que aquela talvez seja a altura máxima que as coisas vão atingir nesta semana.

Em plena crise econômica, a maior feira de arte ao sul da linha do Equador pediu neste ano R$ 5,7 milhões em recursos incentivados via Lei Rouanet para financiar suas operações –o valor mais alto desde a estreia, há dez anos.

Mesmo faturando até R$ 29 milhões com a venda de estandes e gerando cerca de R$ 250 milhões em negócios para as 140 galerias que levam 3.000 obras ao pavilhão, organizadores da SP-Arte defendem o uso de dinheiro público para a feira, com ingressos a R$ 40.

"Nunca falei que o evento era para o povão, mas incentiva a cultura", diz Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte, que conseguiu por ora captar R$ 1,5 milhão pela Lei Rouanet e pode continuar captando mesmo depois do evento.

"Sobre as vendas, há uma arrecadação tributária de R$ 15 milhões. Se isso é permitido por lei, não vejo por que não fazer. É uma isenção que gera retorno, um supernegócio."

Mas talvez não seja um supernegócio para os galeristas.

Temendo um fracasso de vendas, os principais nomes do mercado levaram obras mais baratas à feira. Neste ano de crise, acentuada pela disparada do dólar que passou dos R$ 3, o preço médio dos trabalhos à venda é um dos mais baixos –a obra mais cara é um Picasso de US$ 5 milhões, quando em anos anteriores alguns trabalhos chegavam a cifras de dois dígitos.

"Trouxemos obras de preços menores, como gravuras em vez de pinturas", diz Rose Lord, da nova-iorquina Marian Goodman, uma das maiores casas do mundo. "Vamos ver o que acontece."

Christophe van de Weghe, da galeria que leva seu sobrenome, também de Nova York, diz que está preparado para dar descontos de até 20% em obras que trouxe à SP-Arte, de artistas como Andy Warhol, Picasso e Lucio Fontana.

Enquanto isso, galeristas brasileiros, com artistas que têm obras cotadas em dólar, tentam frear a explosão dos preços adotando um dólar mais baixo –em muitos casos, a moeda foi congelada a R$ 2,80 para os clientes.

"Nunca vi os colecionadores aqui tão retraídos", diz o galerista André Millan. "O país vai parar, quer dizer, já parou."

CONCORRÊNCIA DESLEAL

Mas um motor de peso continua mantendo a feira de pé. Desde 2012, a SP-Arte tem isenção do ICMS que incide sobre as obras, um benefício concedido pelo governo do Estado que deixa trabalhos 20% mais baratos do que fora da feira.

No caso de obras importadas, que encarecem até 50% com taxas, a medida se tornou o principal atrativo para a vinda de galerias de fora, como as americanas Gagosian e David Zwirner, à feira paulistana.

Também tornou comum uma prática que irrita galeristas locais, que dizem enfrentar uma concorrência desleal com as gigantes de fora.

Com a isenção de parte dos tributos, galerias estrangeiras costumam negociar obras com clientes do país antes mesmo do evento, trazendo trabalhos já encomendados só para concluir os negócios na época da feira, contando então com o benefício.

Greg Lulay, diretor da David Zwirner, considerada uma das galerias mais influentes do mundo, diz que envia imagens de obras específicas para colecionadores no Brasil e tenta trazer aquilo que querem, concretizando a venda no país –muitas galerias, aliás, guardam na reserva de seu estande essas peças já negociadas.

"Trazemos o que alguns clientes estão buscando e também pedimos a artistas que façam obras para a feira", diz Lulay. "Estamos em conversa com esses clientes o ano todo."

"Ninguém chega a uma feira sem já ter mostrado os trabalhos", admite Feitosa. "Mas se as galerias de fora já viessem com tudo vendido, não precisariam de um espaço grande na feira, teriam só um estande pequenininho para a entrega. Esses comentários me parecem meio fantasiosos."

Posted by Patricia Canetti at 11:45 PM

abril 6, 2015

SP-Arte turbina onda de aberturas por Silas Martí, Blog da Folha

SP-Arte turbina onda de aberturas

Matéria de Silas Martí originalmente publicada no Blog Plástico do jornal Folha de S. Paulo em 5 de abril de 2015.

Todo ano é igual. Na semana da SP-Arte, todos os museus e galerias de São Paulo programam aberturas de suas melhores exposições, ou apostas, para coincidir com alvoroço da feira, um verdadeiro panapaná social. Em ano sem Bienal de São Paulo, esta semana que começa agora concentra uma avalanche de exposições, começando com duas que abrem neste domingo de Páscoa.

O Pivô, centro cultural que funciona em dois andares do edifício Copan, no centro de São Paulo, abre nesta tarde mostras dedicadas a Tonico Lemos Auad e a Lucas Arruda. Lemos Auad exibe uma série de esculturas e instalações, enquanto Arruda mostra mais um trabalho da série em que pinta suas paisagens na superfície de slides que depois são projetados no espaço.

Ao longo do resto da semana, a cidade deve ferver, para bem ou para mal. Sei de gente que fica aflita tentando conciliar todos os brunches, coquetéis, vernissages, visitas a ateliês, palestras e afins, além de ver a feira para fechar negócios ou só por curiosidade. Não consigo estar presente em todos os lugares, mas este blog e a cobertura da “Ilustrada” on-line e impressa vai tentar filtrar o que há de melhor nessa semana de overdose estética. Veja abaixo uma agenda com sugestões da temporada de compras.

Segunda. Marina Abramovic, que tem agora uma retrospectiva em cartaz no Sesc Pompeia, abre uma exposição individual na galeria Luciana Brito. Na Fortes Vilaça, Rodrigo Matheus abre uma individual, enquanto, ali perto, também na Vila Madalena, a galeria Eduardo Fernandes abre uma coletiva com nomes que despontam agora no cenário artístico colombiano, como Alberto Lezaca, Clemencia Echeverri, Fernando Arias, Luz Lizarazo e Rosario Lopez. Também na segunda, a Tofiq House, um casarão nos Jardins que vem funcionando como residência artística, abre uma exposição coletiva.

Terça. Véspera da abertura VIP da SP-Arte, este é o dia que concentra o maior número de aberturas. Impossível listar todas aqui, mas o dia começa com a mostra de pinturas do alemão Anselm Kiefer na White Cube. À tarde, Waltercio Caldas, que esteve no noticiário há pouco por causa da ameaça da prefeitura carioca de destruir uma de suas esculturas públicas, abre exposição na galeria Raquel Arnaud. Na Luisa Strina, o chileno Alfredo Jaar e Alexandre da Cunha abrem individuais simultâneas. Ivan Grilo, artista em ascensão no circuito, também abre sua primeira individual na galeria Casa Triângulo. Uma série de murais de Athos Bulcão também serão destaque de uma mostra na Nara Roesler, que abre também uma exposição de Cao Guimarães. Mas talvez o maior destaque da noite seja a mostra de Piero Manzoni, no Museu de Arte Moderna. Deve ser só coincidência, mas expor um dos artistas que mais questionaram a ideia de arte como objeto de valor na semana de compras ensandecidas que toma São Paulo parece uma provocação muito saudável.

Quarta. Dia de abertura VIP da SP-Arte. Como todos os galeristas vão estar ocupados tentando vender na feira, eventos neste dia só dentro do pavilhão da Bienal de São Paulo. Neste ano, a feira terá, além dos estandes das galerias, uma ala inteira dedicada a projetos de grande porte, com artistas como Daniel Buren, Rochelle Costi, Fred Sandback, Julio Le Parc, Amilcar de Castro, Mona Hatoum, entre outros. Também há um espaço só para performances.

Quinta. Depois de uma individual na galeria Central em que convidou Bárbara Paz para estrelar um vídeo, Nino Cais abre uma exposição de seus trabalhos na loja da Bulgari, no shopping JK Iguatemi. Simon Watson, consultor que faz a ponte entre Estados Unidos e Brasil, abre na galeria Rabieh uma mostra da artista Nina Chanel Abney. Maior destaque do dia, o Masp abre a segunda etapa de sua mostra de acervo, com projeto de Lina Bo Bardi refeito por Martin Corullon, da Metro, no subsolo do museu.

Sexta. Quase fechando a semana, Moacir dos Anjos leva ao Paço das Artes a exposição “A Queda do Céu”, com obras de Cildo Meireles e Claudia Andujar, que refletem sobre a influência indígena na produção do país.

Sábado. Maior destaque do dia é a abertura da mostra de pinturas do irlandês Sean Scully, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. O Centro Cultural São Paulo também abre uma retrospectiva dos 25 anos de seu programa de exposições, responsável por lançar uma série de artistas no cenário artístico nacional. Nas galerias, é outro dia cheio, com Leda Catunda no galpão da Fortes Vilaça, Luiz Paulo Baravelli, na Marcelo Guarnieri, além de quatro mostras simultâneas na Mendes Wood DM, com Betty Woodman, Celso Renato e Patricia Leite em seus espaços nos Jardins e a mostra “The Modern Institute”, no galpão da casa na Vila Romana, na zona oeste da cidade.

Posted by Patricia Canetti at 9:05 PM

abril 1, 2015

Janine fala em aproximar a educação ao mundo da cultura, em sua primeira entrevista após indicação por Agência Brasil, O Globo

Janine fala em aproximar a educação ao mundo da cultura, em sua primeira entrevista após indicação

Matéria de Agência Brasil originalmente publicada no jornal O Globo em 1 de abril de 2015.

Novo ministro da Educação participou do programa Observatório da Imprensa, na TV Brasil

RIO - Em sua primeira entrevista depois da indicação anunciada pela presidente Dilma Rousseff para a pasta da Educação, o filósofo Renato Janine, falou da sua visão da educação brasileira e da ideia de aproximá-la do mundo da cultura.

- Acredito na educação como libertação. Saber não é uma transmissão de conteúdos, não é uma padronização. Penso que um dos pontos importantes é como a gente aproxima isso do mundo da cultura - disse em entrevista ao jornalista Alberto Dines, no programa "Observatório da Imprensa", da TV Brasil, que foi ao ar na noite desta terça-feira.

- O mundo da educação é muito mais regulado, porque há cursos, currículos, nota, diploma. Estou fazendo uma esquematização muito simples. O mundo da cultura, você pode ver [o filme] Lincoln, do [diretor Steven] Spielberg, é uma aula sobre escravagismo e abolição. Aula mesmo seria diferente - acrescentou Janine, lembrando que o aprender tem se tornado mais uma obrigação e menos um prazer.

Professor titular de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP), o ministro toma posse no próximo dia 6 e disse estar empolgado com sua nova missão e confessou que, para ele, foi uma “enorme surpresa” a indicação da presidenta para que ele assumisse a pasta.

- Estou empolgado. Foi uma surpresa. Realmente eu não esperava. Houve algumas postagens no Facebook em favor do meu nome, mas também em favor de outros nomes.

O novo ministro também fez reflexões sobre a democracia brasileira e as recentes manifestações de rua. Considerando que a democracia depende de instituições, mobilização política e cultura política, o professor avaliou que o país ainda enfrenta problemas no terceiro quesito.

- O problema é a cultura política. Política quer dizer que não existe um lado totalmente certo e outro totalmente errado. Você tem preferências. Tem de ter pelo menos dois grupos divergentes, apresentando propostas diferentes. Mas ambos dignos, ambos legítimos - destacou.

- A tendência para escassez de cultura política é achar que a origem de todos os males está sempre na corrupção. E sempre o corrupto é o partido que não gostamos. É o outro. Quando vejo esse tipo de discurso, a recusa de diálogo, me parece coisa infantil - explicou.

Sobre como analisaria o reaparecimento de movimentos fascistas, Janine informou que vê na atualidade muita liberdade, mas também insegurança. E que, ao contrário de décadas atrás, as pessoas não vivem mais dentro de um pacote de identidade, que antes trazia garantias.

- No passado, cada um de nós vivia em um pacote identitário. A gente nasceu na classe média. Tinha umas três ou quatro carreiras universitárias para fazer. Iríamos escolher uma, casar no rito religioso. Tudo está pronto e você não sai dele - observou.

- De repente, nada mais é obrigatório. Você pode dar vazão ao que você é e ao que você quer. Ficamos em situação mais instável, mas com maior liberdade, com maior possibilidade de realização pessoal, mas, estranhamente, com maior possibilidade de frustração. Acho que esse horizonte assusta muito.

O futuro ministro acrescentou que, após receber a indicação para assumir a pasta, recebeu muitas mensagens. Um pequeno número delas cobrando disciplina na sala de aula e até a expulsão de alunos em determinadas situações.

- Olho e penso que eles estão falando de condutas horríveis, que não podem ser toleradas. Concordo. Mas a demanda principal é saber se colocar ordem na bagunça vai resolver. Isto não existe. Este não é um projeto pedagógico, não é um projeto de país - disse. - No Brasil, há uma certa ideia muito antiga de que, com um homem providencial, autoritário, mal-humorado, despótico, tudo vai funcionar.

Posted by Patricia Canetti at 9:44 PM

Para sempre por Fred Coelho, O Globo

Para sempre

Coluna de Fred Coelho originalmente publicada no jornal O Globo em 1 de abril de 2015.

Como pode uma administração que se diz sensível ao patrimônio artístico e histórico da cidade ter cogitado passar por cima de uma escultura pública

Na última semana, um evento com rápidas idas e vindas nos apontou o sintomático lugar que as artes visuais ocupam no imaginário oficial do poder público carioca. Estou falando sobre a quase destruição da escultura de Waltercio Caldas (“Escultura para o Rio”), localizada no Centro da cidade. A ideia, até o momento em que escrevo, foi revogada. O fato, porém, é que ela veio de técnicos ligados à prefeitura do Rio de Janeiro. O motivo era o até então inegociável traçado do VLT. Como pode uma administração que se diz sensível ao patrimônio artístico e histórico da cidade ter cogitado passar por cima de uma escultura pública, também gestada e instalada por uma prefeitura (projeto “Esculturas urbanas”) na década de 1990?

Provavelmente muitos pensam que, em uma cidade conflagrada e militarizada como o Rio de Janeiro (enquanto existirem tanques na Maré, vivemos sob intervenção militar), uma obra de arte não é assunto sério frente aos milhares de problemas do nosso cotidiano. Mais que isso, muitos podem até dizer que o progresso, essa máquina faminta, não pode ser impedido frente a duas torres de pedras portuguesas.

Bem, talvez seja aí que reside o busílis da questão. Sabemos que a arte contemporânea, em geral, vive em baixíssima conta popular. Sua suposta aura elitista (alimentada por excessos que a ligam a um mercado milionário), sua pouca comunicação com o senso comum (em textos e abordagens curatoriais às vezes mais complexas do que as próprias obras) e seu necessário deslocamento crítico frente ao olhar do público (afinal, não se trata de trabalhos que querem comunicar o óbvio) já são elementos que, de certa forma, a colocam em um espaço muito frágil em disputas como essa. Atitudes como a da prefeitura só reforçam esse estereótipo ao mostrar equivocadamente à população o quão descartável pode ser uma obra desse porte. Vale lembrar que, nos últimos dias, um vagão do futuro VLT ficou exposto na Cinelândia para visitação. Quantos dos que foram ver esse “objeto estético” visitariam a obra de Waltercio? Pergunta retórica, claro, pois isso não importa. Se o VLT tem sua utilidade na promessa de um transporte público de qualidade, a “Escultura para o Rio” está lá justamente para marcar um contraponto crítico na narrativa produtiva da cidade.

Por sugerirem que uma escultura como a de Waltercio (ou de Ivens Machado, Amilcar de Castro, Angelo Venosa, Burle Marx, Aluísio Carvão ou Franz Weissmann, alguns dos principais artistas plásticos que ocupam o espaço público) não tem valor permanente para o bem comum da cidade, e por cogitarem a primazia de um “bonde futurista” nas nossas necessidades coletivas, a prefeitura emite um sinal distorcido para a população. Reduz o entendimento sobre arte pública a estátuas homenageando grandes nomes da cultura ou painéis de artistas pop ocupando fachadas de empresas. Creio que o caminho deveria ser o contrário. Ou, pelo menos, complementar.

Se os discursos sobre a arte apontam um espaço fechado (e caro) de fruição, isso se deve muito mais aos formatos propostos em sua apresentação do que às demandas populares pela sua presença. Basta constatarmos que o Centro e a Zona Sul estão cheios de galerias, museus e obras públicas, enquanto não há praticamente nenhuma presença institucional ou privada em bairros da Zona Norte, Zona Oeste e adjacências. Aqui, o campo de possibilidades é vasto para quem pensa a arte como uma forma de multiplicação de olhares, e não de concentração de riquezas.

Existem atualmente projetos que buscam aproximar essas experiências e superar as supostas distâncias naturalizadas entre a população e os espaços convencionais da arte. São iniciativas que vão no caminho contrário do poder público e da lógica das megaexposições cujas filas são sinal de sucesso. Galerias no Borel (fruto das ações do coletivo Boreart) e no Chapéu Mangueira, galpões como o Bela Maré, na Nova Holanda, ocupações do coletivo Norte Comum e intervenções como os azulejos do coletivo Muda são apenas algumas das formas exemplares que devemos valorizar para entender o lugar orgânico das artes visuais nos múltiplos cotidianos da cidade.

Para fechar um texto cujo tema daria dezenas de colunas, voltemos ao momento em que Waltercio Caldas foi convidado para realizar sua obra. Imagino que o movimento inicial tenha sido elaborar algo que, por se enraizar no solo das ruas — e no caso da obra dele, literalmente fazê-la nascer da calçada — fosse permanente. Suas colunas brancusianas de pedras portuguesas aspiram o céu e nos fazem olhar o azul dos dias em uma avenida entupida de dióxido de carbono e esmagada pela memória fantasmagórica do extinto Morro do Castelo. Elas estão lá justamente para que possamos fruir sua invisibilidade monumental e para zelar pela beleza fugaz de nossos dias. Para sempre.

Posted by Patricia Canetti at 9:41 PM