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julho 26, 2017

'A arte está parada', diz crítica Aracy Amaral, agora alvo de mostra em SP por Silas Martí, Folha de S. Paulo

'A arte está parada', diz crítica Aracy Amaral, agora alvo de mostra em SP

Entrevista de Silas Martí originalmente publicada no jornal Folha de s. Paulo em 25 de julho de 2017.

Aracy Amaral não queria aparecer. Quando soube que montariam uma mostra em sua homenagem, pediu que adiassem a ideia até depois que ela morresse. Acabou cedendo, mas tentou fugir de entrevistas e retratos, dificultando a vida dos organizadores que tiveram de fazer o máximo com material mínimo.

Mas mesmo o mínimo, no caso livros e pesquisas realizados ao longo das últimas seis décadas por essa que se firmou como uma das críticas e curadoras mais relevantes nas artes visuais do país, já se revela monumental na exposição agora no Itaú Cultural.

Uma das raras mulheres ativas num meio então dominado pelos homens, Amaral, 87, esteve à frente da Pinacoteca nos anos 1970 e do Museu de Arte Contemporânea da USP na década seguinte.

Biografou Tarsila do Amaral ainda viva e fez estudos de fôlego sobre assuntos tão díspares quanto a influência da poesia modernista francesa nas vanguardas nacionais e o impacto da matriz arquitetônica hispânica no casario colonial do interior paulista.

Também documentou momentos de efervescência na arte do país, como o auge do construtivismo e o surgimento dos primeiros experimentos com a videoarte, em mostras que se tornaram clássicas.

Fora dos holofotes desde que organizou, há dois anos, uma radical edição do Panorama da Arte Brasileira, mostra do Museu de Arte Moderna paulistano em que contrastou artefatos indígenas com peças de artistas contemporâneos, Amaral diz estar perdendo o interesse nas obras realizadas agora e que pretende voltar seu olhar a manifestações de arte popular, longe do circuito, na visão dela, cada vez mais vápido dos museus e galerias do establishment.

Na entrevista a seguir, Amaral detalha sua desilusão com a arte da atualidade e comenta a onda de mostras em torno de críticos e curadores.

Folha - Você já havia criticado artistas contemporâneos do país por certa alienação em relação à política. Sua opinião mudou? Ou o que pensa do estado da arte brasileira agora?
Aracy Amaral - Temos artistas interessantes, mas você não vê nenhuma manifestação vibrante. Sinto uma fadiga no ar, seja nas obras dos artistas, seja nas manifestações dos intelectuais. A arte está muito parada. É mais vivo o que acontece no noticiário do que aquilo que os artistas podem fazer. O grito é abafado pelas redes sociais.

Há uma descrença, um descaso. Não sinto nenhuma combatividade apesar do momento violento que estamos vivendo, de princípios que estão caindo por terra. Há um sentimento de perplexidade diante desse turbilhão, uma perplexidade que paralisa, e ninguém sabe o que fazer.

Uma exceção a essa paralisia não seria a exposição agora no Instituto Tomie Ohtake, que convocou artistas a defender um rapaz que acreditam ter sido preso nas manifestações de junho só por ser negro?
Os artistas estão ali dizendo que são solidários, mas é como um abaixo-assinado. Ninguém sai na rua para gritar pelo menino. É uma representatividade fria, então é muito mais um abaixo-assinado, não é um grito junto.

Meses atrás, o museu Reina Sofía, em Madri, abriu uma mostra dedicada ao crítico Mário Pedrosa. O que acha desse movimento do circuito em reconhecer também o papel do crítico e do curador?
Esse termo "curador" surge com essa aura toda na década de 1980. Fiz uma palestra no MoMA, em 1988, que falava da ideia do curador como estrela, dessa alteração da persona do curador. Mas eu me vejo mais como uma pesquisadora. Adoro descobrir coisas, ir atrás de uma pessoa, que depois me leva a outra, que me leva a descobrir o que eu estava querendo. Isso é do meu temperamento.

Mário Pedrosa foi um modelo?
Ele foi o maior crítico de arte brasileira de todos os tempos. Foi excepcional porque nunca abriu mão de uma preocupação com a realidade, oscilando entre a política e a arte. Não era um crítico do Terceiro Mundo, ele dialogava com os críticos da Alemanha, da França, dos Estados Unidos. Tinha um domínio da realidade desses países.

O que você acredita ter mudado na atividade da curadoria e da crítica de lá para cá?
Na minha geração, a gente ia mais para a rua, frequentava os ateliês e as casas dos artistas. A gente ouvia mais o artista e expunha mais o artista sem essa intromissão, sem instrumentalizar o artista a serviço do discurso do curador. Você como crítico explicita seu pensamento por meio do texto, não da exposição.

Hoje tudo está mais circunscrito. Quem é da imprensa fica como imprensa, quem está na universidade fica na academia, fica circunscrito às fontes bibliográficas, não vai nunca à fonte primária.

Sua pesquisa sobre Tarsila do Amaral, aliás, sem dúvida teve outro impacto pelo acesso que você teve a ela ainda viva.
Digo sempre que penso o contrário de Ruy Castro, que diz que se recusa a fazer biografia de gente viva. Foi muito bom fazer uma biografia com a Tarsila ainda viva. Ia à casa dela uma vez por semana e depois ia conversar com todo mundo que tinha pertencido àquele seu círculo. Morria de medo que essas pessoas morressem antes que pudesse falar com elas.

Você chegou a sentir dificuldades por ser uma mulher circulando entre tantos homens que dominavam a crítica?
Sempre houve mais homens do que mulheres. É um problema geracional. Já me fizeram muito essa pergunta, talvez por causa dessa onda de feminismo nas novas gerações, mas nunca senti nenhum preconceito. Havia uma certa surpresa, mas eu sempre fui acolhida.

O fato de a gente ser mulher também ajuda a conseguir confidências e depoimentos com mais facilidade.

Você esteve à frente da Pinacoteca no auge da ditadura. O regime dificultou seu trabalho?
Nunca tive ressalvas à minha gestão. Todos entenderam que trazia público à Pinacoteca, que estava abrindo um espaço que estava parado.

Que previsão você faz em relação ao futuro da arte do país?
Primeiro precisamos perguntar para onde vai o Brasil. O pior pode acontecer, mas vamos pensar que o melhor pode acontecer. É um enigma.

ARACY AMARAL
QUANDO de ter. a sex., das 9h às 20h; sáb. e dom., das 11h às 20h; até 27/8
ONDE Itaú Cultural, av. Paulista, 149, tel. (11) 2168-1776
QUANTO grátis

Posted by Patricia Canetti at 7:48 PM

Exclusive: Here’s the Full List of Artists Participating in the 15th Istanbul Biennial por Caroline Elbaor, ArtNet News

Exclusive: Here’s the Full List of Artists Participating in the 15th Istanbul Biennial

Matéria de Caroline Elbaor originalmente publicada em inglês no ArtNet News em 24 de julho de 2017.

Curated by Elmgreen & Dragset, the biennale is slated to open on September 16.

From September 16 – November 12, the 15th Istanbul Biennial—which is curated by Elmgreen & Dragset and is centered around the concept of “a good neighbor”—will be staged across six venues in the heart of the Turkish city.

Details about the highly-anticipated exhibition have been released periodically over the past year, initially making waves in April 2016 when the artist duo Elmgreen & Dragset was selected as the 2017 curators. Their appointment was a notable first for the Biennial, which had previously never seen artists moonlight in a curatorial role.

This was followed by the December press conference that announced the theme of “a good neighbor,” where the curators showed off their artistic roots: the pair enlisted 40 performers to question what defines a good neighbor before revealing their chosen theme.

“Home is approached as an indicator of diverse identities and a vehicle for self-expression, and neighborhood as a micro-universe exemplifying some of the challenges we face in terms of co-existence today,” Elmgreen & Dragset explained of the curatorial decision.

“Your neighbor might be someone who lives quite a different life from yours,” they add. “The artists in the 15th Istanbul Biennial raise questions about ideas of home, neighborhood, belonging, and co-existence from multiple perspectives. Some of the artworks examine how our domestic living conditions and modes have changed and how our neighborhoods have transformed, while others focus on how we cope with today’s geopolitical challenges on a micro-level.”

As such, the 55 artists and collectives selected for the 15th iteration of the Istanbul Biennial—which artnet News is exclusively announcing—will look at how modes of living within our respective communities has developed throughout the past few decades.

A full list of the participating artists according to venue follows below:

Galata Greek Primary School

Heba Y. Amin
Born in Cairo, lives in Berlin

Mark Dion
Born in New Bedford, Massachusetts, lives in New York, NY

Jonah Freeman & Justin Lowe
Born in Santa Fe, New Mexico, and Dayton, Ohio, both live in New York, NY

Kasia Fudakowski
Born in London, lives in Berlin

Pedro Gómez-Egaña
Born in Bucaramanga, lives between Bergen and Copenhagen

Lungiswa Gqunta
Born in Port Elizabeth, lives in Cape Town

Andrea Joyce Heimer
Born in Great Falls, Montana, lives in Ferndale, Washington

Morag Keil & Georgie Nettell
Born in Edinburgh and Bedford, both live in London

Olaf Metzel
Born in Berlin, lives in Munich

Mahmoud Obaidi
Born in Baghdad, lives in Burlington, Ontario

Henrik Olesen
Born in Esbjerg, lives in Berlin

Erkan Özgen
Born in Mardin, lives in Diyarbakır

Leander Schönweger
Born in Meran, lives in Vienna

Dan Stockholm
Born in Thisted, lives in Copenhagen

Ali Taptık
Born in Istanbul, lives in Istanbul

Bilal Yılmaz
Born in Manisa, lives in Istanbul

Istanbul Modern

Volkan Aslan
Born in Ankara, lives in Istanbul

Alper Aydın
Born in Ordu, lives between Ordu, Ankara, Konya, and Istanbul

Monica Bonvicini
Born in Venice, lives in Berlin

Louise Bourgeois
Born in Paris, died in New York, NY

Latifa Echakhch
Born in El Khnansa, lives in Martigny

Candeğer Fürtun
Born in Istanbul, lives in Istanbul

Kim Heecheon
Born in Seoul, lives in Seoul

Mirak Jamal
Born in Tehran, lives in Berlin

Fernando Lanhas
Born in Porto, died in Porto

Victor Leguy
Born in Sao Paulo, lives in Sao Paulo

Klara Lidén
Born in Stockholm, lives in Berlin

Mahmoud Obaidi
Born in Baghdad, lives in Burlington, Ontario

Lydia Ourahmane
Born in Saida, lives in Oran and London

Rayyane Tabet
Born in Ashquot, lives in Beirut

Young-Jun Tak
Born in Seoul, lives in Berlin

Kaari Upson
Born in San Bernadino, California, lives in Los Angeles, California

Kemang Wa Lehulere
Born in Cape Town, lives in Cape Town

Yonamine
Born in Luanda, lives in Harare

Xiao Yu
Born in Inner Mongolia, lives in Beijing

ARK Kültür

Mahmoud Khaled
Born in Alexandria, lives in Trondheim

Pera Museum

Adel Abdessemed
Born in Constantine, lives in London

Njideka Akunyili Crosby
Born in Enugu, lives in Los Angeles, California

Alejandro Almanza Pereda
Born in Mexico City, lives in Guadalajara

Berlinde De Bruyckere
Born in Ghent, lives in Ghent

Vajiko Chachkhiani
Born in Tbilisi, lives in Berlin

Gözde İlkin
Born in Istanbul, lives in Istanbul

Liliana Maresca
Born in Buenos Aires, died in Buenos Aires

Lee Miller
Born in Poughkeepsie, New York, died in Chiddingly, East Sussex

Aude Pariset
Born in Versailles, lives in Berlin

Sim Chi Yin
Born in Singapore, lives in Beijing

Dayanita Singh
Born in New Delhi, lives in New Delhi

Tatiana Trouvé
Born in Cosenza, lives in Paris

Tsang Kin-Wah
Born in Shantou, lives in Hong Kong

Andra Ursuta
Born in Salonta, lives in New York, NY

Fred Wilson
Born in New York, NY, lives in New York, NY

Yoğunluk Atelier

Yoğunluk
Collective founded in Istanbul, live in Istanbul

Küçük Mustafa Paşa Hammam

Monica Bonvicini
Born in Venice, lives in Berlin

Stephen G. Rhodes
Born in Houston, Texas, lives in Berlin

Tuğçe Tuna
Born in Mons, lives in Istanbul

Outside all venues

Burçak Bingöl
Born in Giresun, lives in Istanbul

Lukas Wassmann
Born in Zurich, lives in Berlin

Posted by Patricia Canetti at 7:30 PM

julho 25, 2017

No dia de seu aniversário de 60 anos, José Bechara abre individual no MAM por Nelson Gobbi, O Globo

No dia de seu aniversário de 60 anos, José Bechara abre individual no MAM

Matéria de Nelson Gobbi originalmente publicada no jornal O Globo em 25 de julho de 2017.

Com obras em grande escala, "Fluxo bruto" aborda temas como a passagem do tempo

José Bechara - Fluxo Bruto, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, RJ - 26/07/2017 a 05/11/2017

RIO — José Bechara completa 60 anos nesta terça-feira, mesmo dia em que abre sua nova individual no Museu de Arte Moderna do Rio, “Fluxo bruto”, com seis obras inéditas e outras quatro de colecionadores. Um dos artistas brasileiros mais atuantes de sua geração, com trabalhos em instituições como o Centre Pompidou, da França; o Museum of Latin American Art (Molaa), nos EUA; a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o próprio MAM Rio, Bechara também completa 25 anos de carreira em 2017. As datas poderiam suscitar uma mostra retrospectiva, mas esse é um projeto que está fora dos planos do autor das obras em grande escala que ocupam o Salão Monumental do museu carioca até 5 de novembro.

— Tem tanta coisa que quero realizar, inventar no meu ateliê, que não paro para pensar na obra em perspectiva nem em relação à idade. Comecei a fazer, sim, uma contabilidade, neste momento de vida, sobre as falhas que cometi e que não quero repetir. Quero ser melhor como indivíduo. Estamos vivendo um momento muito complicado no mundo, espero que as pessoas se deem conta de como perdemos tempo, uma matéria finita que nos é dada em pequeníssimas quantidades, com coisas absolutamente superficiais — analisa Bechara. — Sou um artista de ateliê, para mim é o melhor lugar do mundo. Mas o meu é pequeno. Então, quando tenho a oportunidade de ocupar grandes espaços em museus, aproveito para realizar novas experiências, coisas que não poderia fazer no meu ateliê. Mostrar apenas coisas que já fiz é como se perdesse uma dessas oportunidades. Prefiro deixar a retrospectiva para quando eu morrer, se valer a pena alguém faz.

Para a individual, foram selecionados, de sua produção recente, o díptico “Visto de frente é infinito” (2010), pertencente à coleção Dulce e João Carlos Figueiredo Ferraz, e duas pinturas (1995) da coleção Gilberto Chateaubriand, além de uma nova versão da instalação “Miss Lu Super-Super”, que foi ampliada para ocupar o espaço central do Salão Monumental. O resto do ambiente foi ocupado com duas telas inéditas e outas instalações em grande escala, como “Ângelas”, formada por três esferas maciças de mármore (a maior com 1,8 tonelada) e grandes placas de vidro, com todos os elementos suspensos por cabos de aço. Para o artista, as obras traduzem sua relação com o espaço e o tempo.

— Os trabalhos com o vidro, ou mesmo com o metal, que é vazado, criam essa dupla característica, de ocupar um grande espaço ao mesmo tempo que se deixa entrever. Esse tipo de dualidade também é o que me interessa no ser humano, essa criatura que produz poesia, música, arte, coisas elevadas para o espírito, e também é capaz de tanta selvageria. As obras trazem ainda um pouco da fragilidade humana. Apesar de serem enormes, elas estão montadas a partir da gravidade, poderiam vir ao chão — observa Bechara. — Colocar esses elementos dispostos dessa maneira é uma forma de congelar o tempo, essas obras só existirão assim durante o período da exposição. Essa breve interrupção do tempo me alivia um pouco. O tempo é algo aflitivo para mim, mas nunca quis analisar isso, prefiro lidar com essas questões no meu trabalho.

A curadoria de “Fluxo bruto” é assinada por Beate Reifenscheid, curadora e diretora do Ludwig Museum de Koblenz, na Alemanha, onde Bechara expôs em 2015. Beate conheceu o brasileiro em uma viagem ao Rio em 2014, e desde então a dupla nutria o projeto de realizar uma exposição. Após a montagem alemã, foi a vez da individual no Rio, que pode virar um livro com texto dela.

— Durante a exposição no Ludwig, o público admirava muito os trabalhos dele, nas nossas visitas guiadas tínhamos muitas conversas a esse respeito. Após esse projeto, começamos a pensar em novas exposições e, quando Bechara foi convidado para o MAM, me pediu para curar essa exposição — conta Beate. — Muitas das obras se concentram no tempo e no espaço e mesmo na sua transição, ainda que suas estruturas sejam sólidas. O trabalho do Bechara oferece ao público uma inesperada liberdade.

Bechara visitou várias vezes o Ludwig para montar a individual. O artista prefere criar ou finalizar as obras no espaço, como fez em “Fluxo bruto”, no MAM, onde permaneceu por duas semanas para executar os novos trabalhos:

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— Tenho a necessidade de frequentar o espaço, nunca consegui montar uma exposição apenas com base nas plantas, as uso apenas para resolver problemas técnicos. Mesmo no Salão Monumental do MAM, que conheço bem, tive de voltar várias vezes para elaborar as obras e sua disposição. Preciso dessa experiência física, de permanecer no espaço. Acabo transferindo meu ateliê para os lugares onde vou expor.

As “próximas paradas” do ateliê de Bechara serão em Buenos Aires, em setembro, durante a Bienalsur; na Bienal de Pequim, em outubro; e em Miami, em dezembro, onde faz uma individual na galeria Diana Lowenstein, durante a versão americana da Art Basel. Enquanto abre a individual no Rio, o artista já elabora as obras das próximas mostras, no “fluxo bruto” que dá título à exposição carioca.

— “Fluxo bruto” aborda essa sequência de trabalhos, cada um abre portas, brechas, caminhos para o próximo. Quando termino de montar uma exposição como essa, os braços param de se mexer, mas a cabeça, não.

Posted by Patricia Canetti at 10:42 AM